quinta-feira, 11 de agosto de 2011

<<< O canto de cisne das árvores que gritam >>>

O Screaming Trees, uma das bandas mais magníficas da era do Grunge, fez alguns dos álbuns mais impactantes e belos do rock noventista: caso dos clássicos Sweet Oblivion (1992) e Dust (1996), ambos fodásticos! O vozeirão rouco de Mark Lanegan, regado a uísque e nicotina, derramava lirismo por cima de uma avalanche elétrica digna do Crazy Horse. A psicodelia sessentista se mesclava com a garageira punky, e tudo com uma pitada, aqui e ali, de um hard rock de arena. "Nearly Lost You" foi um semi-hit, mas os Screaming Trees jamais conseguiram o merecido reconhecimento massivo conquistado por Nirvana e Pearl Jam, por exemplo. Uma bandaça! E ainda subestimada.

Após o silenciar das árvores que gritam, Lanegan enfurnou-se num bosque mais sombrio e tornou-se uma árvore que geme, uiva e ruge  em meio ao esvoaçar dos morcegos e  silêncio das corujas. Sua carreira-solo é mais aparentada ao folk e ao blues, mas possui uma intensidade sempre impressionante. Lanegan  teve tempo ainda de cantar alguns stoners chapados com os camaradas do Queens of The Stone Age e gravar duetos com a Isobel Campbell, do Belle & Sebastian, que soam como um beijo entre o gélido e o cálido, o viril e o delicado. Conseguiu ser um sobrevivente de uma geração com pendores trágicos e não quis "morrer jovem e ser um belo cadáver", como preferiram Cobain, Layne Stanley ou Andrew Wood

Agora, neste 2011, sai do forno este Last Words: The Final Recordings, canto de cisne da banda que contêm gravações feitas no fim da década grunge (entre 1998 e 1999) e foi mixado por Jack Endino. Um retorno dos Screaming Trees com formação original não é impossível, mas por hora não é confirmado nem prometido. Fiquemos, pois, com estas belas Últimas Palavras desta exuberante banda de weeping willows berrantes.

Claude Monet, "Weeping Willow"



SCREAMING TREES Last Words: The Final Recordins (52 MB)
DUST (1996)
SWEET OBLIVION (1992)
UNCLE ANESTHESIA (1991)
BUZZ FACTORY (1989)

<<< O Veneno Está na Mesa (doc de Silvio Tendler) >>>


"Filme de um dos maiores documentaristas do Brasil, o premiadíssimo Silvio Tendler, que mostra o cenário assustador que se encontra o país em relação ao uso indiscriminado de agrotóxicos.

Você sabia que o Brasil é o país que mais pulveriza agrotóxicos nos alimentos? Que é o recordista em consumo desses químicos? Que um brasileiro consome em média 5,2 litros de agrotóxicos anuais? Que os agrotóxicos provocam uma série de problemas de saúde, desde lapso de memória em crianças até má formação dos fetos? Que apesar do Governo tentar proibir uso de muitos químicos, a justiça concede liminares a favor das grandes corporações químicas? Que para conseguir crédito junto aos bancos o pequeno trabalhador é obrigado a usar transgênicos e pesticidas? Que as doenças provocadas por esses químicos nos trabalhadores do campo consomem 1,8% do PIB em tratamentos médicos?

Se não sabia, talvez seja a hora de saber disso e muitas outras coisas mais."

terça-feira, 9 de agosto de 2011

<<< Van Morrison: discografia da fase áurea, 1968-74 >>>

"Equal parts blue-eyed soul shouter and wild-eyed poet-sorcerer, Van Morrison is among popular music's true innovators, a restless seeker whose incantatory vocals and alchemical fusion of R&B, jazz, blues, and Celtic folk produced perhaps the most spiritually transcendent body of work in the rock & roll canon. Subject only to the whims of his own muse, his recordings cover extraordinary stylistic ground yet retain a consistency and purity virtually unmatched among his contemporaries, connected by the mythic power of his singular musical vision and his incendiary vocal delivery: spiraling repetitions of wails and whispers that bypass the confines of language to articulate emotional truths far beyond the scope of literal meaning.

George Ivan Morrison was born in Belfast, Northern Ireland, on August 31, 1945; his mother was a singer, while his father ardently collected classic American jazz and blues recordings. At 15, he quit school to join the local R&B band the Monarchs, touring military bases throughout Europe before returning home to form his own group, Them. Boasting a fiery, gritty sound heavily influenced by Morrison heroes like Howlin' Wolf, Brownie McGhee, Sonny Boy Williamson, and Little Walter, Them quickly earned a devout local following...

His first album for new label Warner Bros., 1968's Astral Weeks, remains not only Morrison's masterpiece, but one of the greatest records ever made. A haunting, deeply personal collection of impressionistic folk-styled epics recorded by an all-star jazz backing unit including bassist Richard Davis and drummer Connie Kay, its poetic complexity earned critical raves but made only a minimal commercial impact. The follow-up, 1970's Moondance, was every bit as brilliant; buoyant and optimistic where Astral Weeks had been dark and anguished, it cracked the Top 40, generating the perennials "Caravan" and "Into the Mystic."

The first half of the 1970s was the most fertile creative period of Morrison's career. From Moondance onward, his records reflected an increasingly celebratory and profoundly mystical outlook spurred on in large part by his marriage to wife Janet Planet and the couple's relocation to California. After His Band and the Street Choir yielded his biggest chart hit, "Domino," Morrison released 1971's Tupelo Honey, a lovely, pastoral meditation on wedded bliss highlighted by the single "Wild Night." In the wake of the following year's stirring Saint Dominic's Preview, he formed the Caledonia Soul Orchestra, featured both on the studio effort Hard Nose the Highway and on the excellent live set It's Too Late to Stop Now. However, in 1973 he not only dissolved the group but also divorced Planet and moved back to Belfast. The stunning 1974 LP Veedon Fleece chronicled Morrison's emotional turmoil; he then remained silent for three years..." - AMG All Music Guide.
ASTRAL WEEKS (1968)
http://www.mediafire.com/?zj4rxvlw3vn4682

MOONDANCE (1970)
http://www.mediafire.com/?vodqgzxk1z6d21a

...AND THE STREET CHOIR (1970)
http://www.mediafire.com/?l6zx9ovv11acb10

TUPELO HONEY (1971)
http://www.mediafire.com/?kh1ktndhazpzf2e

SAINT DOMINIC'S PREVIEW (1972)
http://www.mediafire.com/?qxvrxzwhstqzzc8

HARD NOSE THE HIGHWAY (1973)
http://www.mediafire.com/?ray4dz4988kazen

VEEDON FLEECE (1974)
http://www.mediafire.com/?z8s6mao28voq0a9

IT'S TOO LATE TO STOP NOW (LIVE) (1974)
http://www.mediafire.com/?qmwqoflgwhghg11

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

<<< Cole Porter & Ella Fitzgerald, "Só Chapo Por Você" >>>


"My story is much to sad to be told / But practically everything leaves me totally cold. / The only exception I know is the case / When I'm out on a quiet spree, fighting vainly the old ennui /  And I suddenly turn and see / Your fabulous face...
I get no kick from champagne / Mere alcohol doesn't thrill me at all / So tell me why should it be true / That I get a kick out of you... / Some get a kick from cocaine / I'm sure that if I took even one sniff / That would bore me terrifically too. But I get a kick out of you.

I get a kick every time I see you standing there before me / I get a kick though it's clear to me, you obviously don't adore me / I get no kick in a plane / Flying too high with some guy in the sky / Is my idea of nothing to do...

Yet I get a kick out of you."
COLE PORTER

CD 01 - CD 02
(checado e funfando! puta discaço.)

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

<<< Tropicalia ou Panis et Circenses >>>


(Manda brasa, mestre Tatit!) >>> "Sou de uma geração em que a canção brasileira lançou olhares para todos os cantos do mundo, todas as épocas, todas as idades, todas as faixas de consumo, de maneira que, volta e meia, tenho desejo de reviver essa espécie de rito de passagem para uma outra esfera cancional, muito além da sonoridade "brasileira" constituída até a bossa-nova. Tropicália é - e sempre será, ôi-iá-iá - a liturgia dessa passagem deste "Miserere Nóbis" (Gilberto Gil e Capinan) até o "Hino do Senhor do Bonfim" (João Antonio Wanderley). Acho que Rogério Duprat estava especialmente iluminado quando pôs toda a sua perícia de maestro arranjador e compositor erudito a serviço de uma intervenção decisiva na história de nossa música. Basta verificar o cuidado com que o músico trata cada faixa tendo em vista o rito global que o disco celebra.

Os tiros de canhão que demarcam a tênue zona de fronteira entre "Miserere Nóbis" e "Coração Materno" (Vicente Celestino) estão na verdade anunciando o extraordinário esforço de interpretação que Caetano Veloso investe numa canção totalmente estigmatizada pela rigorosa triagem bossa-novista. É como se o modo de cantar equilibrado compensasse os sinais melodramáticos e recuperasse um estilo que ajudou a definir os contornos de nossa sonoridade. Ou seja, nada é apenas supérfluo.

E o rito tem continuidade com as frases melódicas ascendentes de "Panis et Circenses" (G. Gil e C. Veloso) e com a imagem da ceia na sala de jantar. O canto dos Mutantes, com The Mamas & The Papas nas veias, dizendo versos desconexos mas ecoando sentidos para todos os lados, é a encarnação do viço tropicalista que se propagaria pelas décadas de 70, 80, 90... até hoje.


No bolero "Lindonéia" (G. Gil e C. Veloso), o isolamento da personagem se concretiza plenamente na voz de Nara Leão, e as imagens são mais pictóricas do que literárias. As linguagens falando no ambiente tropicalista. A faixa seguinte, "Parque Industrial" (Tom Zé), sempre me pareceu conter uma verdadeira simbiose entre o arranjador e o compositor. O lado happening dessa canção, que pela primera vez no disco reúne os 4 principais nomes do movimento (Gil, Gal, Caetano e Tom Zé), evoca o convívio anterior de Rogério Duprat com o experimentalismo erudito; o maestro, por sua vez, sempre entusiasta das referências à sociedade industrial, deve ter visto na canção de Tom Zé o campo ideal para plantar suas figuras sonoras. Há entre esses dois um misto de taleno, afinidade e até compleição física que me faz pensar nessas simbioses fecundas que só duram uma criação.

"Geléia Geral" (G. Gil e Torquato Neto) é o manifesto ideológico do movimento com um jogo alucinante de passado e futuro. "Baby" (C. Veloso) é o próprio futuro da canção brasileira, pós-Beatles, pós-Paul Anka e pós-Celly Campello. "Três Caravelas" (Algueró e Moreu) é o passado que se espraia por toda a América hispânica. "Enquanto Seu Lobo Não Vem" (C. Veloso) é o presente imediato em que o desejo se manifesta independentemente dos limtes. "Mamãe Coragem" (C. Veloso e T. Neto) é o próprio rito de passagem com suas dores e alegrias. Depois disso, só o jogo intersemiótico de "Bat Macumba" (G. Gil e C. Veloso), que se converteu em canção única, irrepetível como composição.

Fico pensando: como pode um disco-manifesto não ser um disco datado? Mas logo me lembro de Sgt. Pepper's, da mesma época, e não penso mais nisso.
 





 Este texto aqui reproduzido,
de autoria de Luiz Tatit,
saiu na coleção "Ilha Deserta",
da Editora Publifolha, pgs. 115-117.













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(192 kps, 52 mb)

sábado, 30 de julho de 2011

<<< As ruínas rascantes da voz de Tom Waits >>>




Coração aos pedaços

As ruínas rascantes da voz de Tom Waits
nos levam aos recantos mais escondidos da psique americana


texto por Simon Schama (*)
fotos por Anton Corbijn


Vou em frente. Chega de perder tempo com gente como Prokofiev ou Trollope. Os artistas com quem passo meu tempo são os que expandiram os limites da sua arte com coragem e inventividade, que transformaram a sua obra em algo imprevisto. Tão imprevisto que, encantado de espanto, você só consegue coçar a cabeça e dizer: "Bom, é, claro", como se aquilo que inventam fosse a coisa mais natural do mundo. É por isso que gosto do que Thomas Carlyle fez com a literatura histórica, do que Jackson Pollock fez com a pintura, do que Wallace Stevens fez com a poesia. Não é absurdo incluir na companhia deles Tom Waits, o mais eloqüente dos poetas-compositores americanos. Chega de Bob Dylan. Não que as coisas de Dylan sejam ruins. Mas sobre ele já se escreveram milhares de páginas de um pomposo lero-lero analítico (que só fica aquém do suscitado por Freud) enquanto quase ninguém começou a reconhecer o valor de Tom Waits.

E por que haveriam de dar-lhe atenção? Porque ele transformou a música americana na canção de homens e mulheres comuns, surpreendidos naquele beco turvo e malcheiroso que fica entre a retórica pueril do "sonho americano" e a impiedosa realidade da vida contemporânea. Por acaso você se interessa pelo depoimento - de sinceridade desesperada, desalentada e pungente - sobre as provações de um americano comum, preso a uma guerra que ele não entende, mas da qual não tem como escapar com dignidade? Escute então "The Day After Tomorrow". Nela, Tom Waits rosna e ruge a letra com as ruínas rascantes de uma voz que lembra um prédio reduzido a escombros, coberto de areia contaminada.

Essa voz, órgão de um homem muito maior do que essa figura leve de clown delicado (um dos seus CDs traz seu rosto pintado de pierrô - ele é um artista que sabe exatamente o que faz), é um dos maiores instrumentos sonoros da arte americana. Outros compositores competentes - Dylan, o canadense Leonard Cohen - também extraíram ênfase dramática das suas laringes danificadas, adequadas ao gume cortante das suas letras. Na direção oposta, o vagido em falsete de Neil Young ficou mais e mais doloroso à medida que adquiria uma urgência desesperada. Mas nenhum deles cogitou em transformar sua voz num retrato sonoro de um país, de maneira tão inteligente - e bem-sucedida - como Waits. Ele é o Kurt Weill da América imperial (e, por algum tempo, estudou Weill com empenho um tanto excessivo), imitando a fúria percussiva e discordante das canções mais abrasivas de Weill.

A comparação não faz justiça à originalidade de Waits. Existe algo de shakespeariano na vastidão da sua abordagem da vida americana moderna, na sua espantosa capacidade de penetrar nas cabeças e nos pulmões de, entre outros, bêbados de bar, putas, viciados, locutores de circo, veteranos de guerra com braços e pernas salpicados de fragmentos de metal e reduzidos a vender suas medalhas na calçada, pregadores pentecostais trovejando sobre o fim do mundo, ex-craques arruinados do beisebol devastados pela bebida, malucos de pavio curto, otimistas melancólicos quase perdidos de tão mareados nos seus martinis; e, num caso improvável, um morto que, sete palmos debaixo da terra, canta em voz suave, pedindo à sua amada que venha se sentar na relva da sua tumba. Só Tom Waits seria capaz de produzir uma canção inteira a partir de uma série de infomerciais ("Step Right Up") e, de alguma forma, transformar a lista num documentário exaustivo e engraçado da credulidade e da esperteza americanas: "The large print giveth / And the small print taketh away" ("As letras graúdas dão / E as letras miúdas tomam").


Este é apenas um apanhado, muito breve, das suas muitas encarnações. Quando se mergulha no mundo de Waits, não se embarca numa viagem de sonhos à terra da melodia alegre e do acalanto musical. Você vai parar numa lanchonete de talheres engordurados, na hora em que a aurora grisalha vem raiando sobre o lixo espalhado no pátio de estacionamento. Numa introdução a "Eggs and Sausage", numa apresentação ao vivo de 1975, Tom Waits nos previne contra costeletas de vitela "perigosas, que descem do balcão para quebrar a cara do café, fraco demais para se defender".

Embora seja vinagre nas feridas abertas do sentimentalismo otimista americano mais piegas, também existe paixão e ternura fervilhando nas suas canções. "Ol' 55", uma das primeiras canções do seu disco de estréia, Closing Time, é uma ode à alegria de emergir às 6 da manhã de uma noite de amor ("My time went so quickly / I went lickety-splitly out to my Ol' 55 / and I pulled away slowly, feeling so holy / God knows I was feeling alive" - "Meu tempo passou tão depressa / e saí satisfeito e saltitante para o meu velho Oldsmobile 55 / e fui embora dali devagar, me sentindo tão sagrado / Deus sabe o quanto eu me sentia vivo"). Eis a mais linda canção de amor desde que Gershwin e Cole Porter fecharam a tampa dos seus pianos.

Geralmente, porém, as letras de amor de Tom Waits ardem de um salgado desencanto, o que as torna ainda mais tocantes. "Never Talk to Strangers" é um dueto de banco de bar com Bette Midler, em que a rotina previsível do desajustado ("I'm not a bad guy when you get to know me" - "Não sou um mau sujeito quando você me conhece melhor") é antecipadamente esvaziada porque ela adivinha exatamente cada fala que ele vai dizer, ao mesmo tempo em que os dois ainda assim acreditam novamente em tudo.

Conheci tarde esse trovador da decadência. Um diretor da BBC, ao adaptar meu livro Paisagem e memória para a televisão, usou a interpretação de Waits para "Sea of Love", de Phil Phillips, como fundo para imagens de arquivo das enchentes de Veneza. Em lugar de uma voz edulcorada, ouvia-se um rugido feroz, que virava pelo avesso o tom da canção. (Ele tem uma recriação ainda mais espantosa de "Somewhere", de West Side Story, que faz qualquer um sentir na medula dos ossos a total desesperança da dor adolescente.) Eu nunca tinha escutado nada parecido. Quem era aquele sujeito, perguntei ao diretor. Desde então me viciei em Tom Waits. Como se pode deixar de acompanhar um escritor que produz um verso como "her hair spilled like root beer" ("seus cabelos se derramavam como root beer"), e te faz entender exatamente o que ele queria dizer?


A waitsomania não é um vício confortável. O percurso de Tom Waits desde os anos 70, quando era mais um compositor do Meio-Oeste a dedilhar seu violão, adaptando o country and blues à sua voz áspera, tem sido uma viagem a recantos cada vez mais profundos e sombrios da psique americana. Enquanto Dylan estendia a sua dama deitada (Lay Lady Lay), Waits cultivava a crueza brega, cantando, em tom muito educado, "I'm Your Late Night Evening Prostitute" ("Sou a sua prostituta da noite no meio da madrugada"). E de lá, muito previsivelmente, afundou no lodaçal costumeiro do álcool e das drogas, de onde acabou emergindo com a ajuda de sua parceira nas canções e co-produtora Kathleen Brennan, responsável por alguns dos produtos mais brilhantes da crueza de Waits.

Ninguém se compara a ele na evocação de todo tipo de música, do realejo mecânico dos carrosséis ao saxofone em surdina dos cabarés de Berlim, do bel canto italiano e, ultimamente, dos sons africanos e latinos. Às vezes, ele é capaz de levar sua recusa furiosa da autocomplacência à beira da paródia de si próprio, a um ponto em que gritos primais, grunhidos e berros, acompanhados pelo clangor de tampas de panela e da percussão nos objetos mais variados, acabam desabando num fosso profundo de cólera vocal. Ouvir essas canções é como mascar arame farpado. Mas, ainda assim, em meio a toda essa carnificina vocal, surge em algum ponto a inocência maculada de alguém que ainda imagina que possa haver uma vida boa, afinal de contas, logo além da esquina. O jovem soldado, que escreve para casa em Illinois, curvado ao peso de um conhecimento precoce adquirido à custa de sangue, canta:

I'm not fighting
For freedom
I'm fighting for my life
And another day
In the world here
I just do what I'm told
You're just the gravel on the road
And the ones that are lucky
Come home
On the day after tomorrow...

(Não estou lutando
Pela liberdade
Estou lutando pela minha vida
E mais um dia
No mundo daqui
Só faço o que me dizem
Vocês são só o cascalho da estrada
E os que têm sorte
Voltam para casa
Depois de amanhã...)

(*) Esta matéria de Simon Schama aqui reproduzida
foi originalmente publicada na Revista Piauí, número 5.



Closing Time (1973)
http://www.mediafire.com/?3u4el01h4fadb13
The Heart Of Saturday Night (1974)
http://www.mediafire.com/?ysdxl8as5rr04hl
Nighthawks At The Diner (1975)
http://www.mediafire.com/?048iuneqvj3kqsu
Small Change (1976)
http://www.mediafire.com/?9bi7hp7zpo8w45e
Foreign Affairs (1977)
http://www.mediafire.com/?z80v486jzzkiwxj
Blue Valentine (1978)
http://www.mediafire.com/?jqjj4fyzeteq697
Heartattack And Vine (1980)
http://www.mediafire.com/?c6qoba1p0b9aa9c
Swordfishtrombones (1983)
http://www.mediafire.com/?eh750xivozfdlq4
Rain Dogs (1985)
http://www.mediafire.com/?e51mdljv8brk866
Frank's Wild Years (1987)
http://www.mediafire.com/?ne7kya34fhmgmv2
Big Time (1988)
http://www.mediafire.com/?c3h7rycp57z3t7y
Bone Machine (1992)
http://www.mediafire.com/?cfakbyadh34ctck
Mule Variations (1999)
http://www.mediafire.com/?24oa6al19x3gbc5
Blood Money (2002)
http://www.mediafire.com/?nvw6bclmrfcf84s
Alice (2002)
http://www.mediafire.com/?8ck43qcctbhd7jj




quinta-feira, 28 de julho de 2011

<<< Steve Marriott (Faces e Humble Pie) - Sing The Blues (1988) >>>


STEVE MARRIOTT & THE DT's Live (1988) - 256kps - 98 MB

Fuçando por aí atrás de mais material sobre os DT's, aqueles de Seattle, acabei encontrando por azar (opa... por sorte!) esta preciosidade no Soulseek: Steve Marriott, guitarristaço dos Faces e do Humble Pie, cantando uma blueseira ao vivo em 1988 junto de outros DT's - aqueles de Birmingham. Sonzeira!!!

quarta-feira, 27 de julho de 2011

<<< Nina Simone (in the 60s), “Feeling Good” >>>



<<< The DT's: South American Tour >>>


Os fabulosos THE DT's, garageira rocker de primeiríssima estirpe, são lá da terra natal de Jimi Hendrix e do grunge e estão prestes a pousar no Brasil para shows que prometem. O grupo de Seattle, que mescla hard-rock e soul, blues-rock e R&B, Janis Joplin e AC/DC, toca em:

Goiânia (onde já se apresentaram anos atrás, no XIII Goiânia Noise), em Brasília (onde serão umas das atrações internacionais do Porão do Rock junto de Jon Spencer e Helmet) e em Sampa (onde dividem o palco do Inferno com os argentinos surf do The Tormentos).

Gosto demais do som dos DT's, que me lembra outras bandas de rock'n'roll repleto de feeling e com empolgante vocal feminino como os Detroit Cobras e os Bellrays (para não falar de Ike & Tina Tuner!). O vocal da Diana Young-Blanchard, que também canta no Madame X, é de arrepiar! Abaixo, compartilhamos alguns álbuns de estúdio dos caras - o fodástico Filthy Habits (2006) e o também bacanérrimo debut Hard Fixed (2004). Em breve voltamos com a cobertura do show em Goiânia.

THE DT's Filthy Habits (2006 - 43 MB)
http://www.mediafire.com/?gxo0j666vjq62f2
THE DT's Hard Fixed (2004 - 58 MB)
http://www.mediafire.com/?9904ai6z8z8crmp

The DT's - Mystified by depredando

The DT's - Freedom by depredando