quarta-feira, 1 de setembro de 2010

:: Frusça! ::

 F R U S C I A N T E 

Há aqueles fãs que, de tão fanáticos, dão aprovação integral a tudo o que está relacionado ao ídolo cultuado: todos os discos, todas as fases, todas os projetos paralelos, todas as frases de todas as entrevistas, todas as fotos desfocadas e demos muito mau-gravadas, tudo é "lindo, divino, maravilhoso, impecável"... Se o ídolo lhe entregasse um saquinho plástico com seu vômito, este fã iria guardá-lo dentro de um santuário; a camiseta fedida a suor que o deus concedeu nunca mais será lavada; e, no dormitório, não há um único fragmento de parede sem um pôster do messias...

        Há algo desta devoção um tanto fanática na minha longa relação com a vida e a arte do Frusciante: é uma daquelas criaturas com quem a gente é capaz de se identificar tanto que ele mais parece um irmão que calhou de nascer de outra mãe. He is my brother from another mother.

        E pode até soar surpreendente que alguém que nunca ligou muito pros Chilli Peppers tenha acabado por cair de amores pela música de John Frusciante, e com um nível de devoção considerável. Mas o fato é que a música do Frusça me capturou, me tem acompanhado faz anos, e a persona artística magnética e enigmática do cara também. É como se ele fosse um amigo do peito que ainda não tive chance de conhecer. E hoje aperto os discos de John junto ao peito como jóias de raro valor e fico a me perguntar: como é possível que o mundo ainda não tenha reconhecido que o trabalho do cara está entre o que de melhor se fez na música deste jovem século 21?


        Conta a história que o garoto John Frusciante, nascido em New York, 1970, se mudou com a família para a Califórnia ainda cedo. Ali (batata!) se tornou fã de skate, punk rock e guitarra como tantos outros adolescentes californianos. Começou a "tirar" músicas dos Germs já aos 9 anos de idade. Lá por 1989, um jovem de 17 anos era conhecido nas redondezas por ser o maior fã dos Red Hot Chilli Peppers do mundo. Ia a quase todos os shows como quem segue um culto, feliz por estar cara a cara com sua banda local predileta. E olha que os Peppers eram naqueles tempos apenas um pequeno combo de funk-rock regional, de baixa vendagem, ainda longe de explodir no mainstream. Quando Hillel Slova (o guitarrista original do Red Hot) bateu as botas após uma overdose de heroína, foi Frusça quem assumiu o comando das seis cordas. Tinha 18 anos de idade e já tocava lindamente, feito um Jimi Hendrix branquelo que tinha o funk e o blues no sangue e os turbinava com punk rock, Lou Reed, psicodelia e o caralho a quatro... Com esta formação, os Red Hot Chilli Peppers, com o lançamento de Blood Sugar Sex Magik, iriam se tornar uma das maiores bandas do planeta.


Alcançando o sucesso mundial em idade prematura, Frusça, por razões até hoje obscuras, abdicou da fama e do posto como guitarrista principal naquela que era uma das mais bem sucedidas bandas da Terra. Na turnê de Blood Sugar, decide abandonar a banda que lhe estava enchendo a poupança com milhares de dólares e lhe rendendo enxurradas de fãs e groupies. Sabe-se que, apesar da forte amizade que tinha (e tem) com o baixista Flea (com quem montou uma banda paralela, o 3 Amebas), certas animosidades entre Frusciante e o vocalista Anthony Kiedis tornavam o relacionamento interno um tanto intragável. Mas o mais provável é que John não estivesse se sentindo bem com a fama, desejando abandonar, desiludido, a celebridade conquistada: antes tão desejado, o sucesso agora se mostrava desalentador e insatisfatório (situação que merece ser batizada como "Dilema Kurt Cobain"...).
    
  Abandonando os shows em estádios lotados e a paparicação (e perseguição) da mídia, deixou para Dave Navarro o comando das seis cordas dos Chilli Peppers (John, anos depois, voltaria a assumir as guitarras para gravar Californication, By The Way e Stadium Arcadium). Tendo chegado àquele status com que todo jovem fã de rock sonha chegar em seus delírios adolescentes (guitarrista de uma banda enorme que fascina as multidões, ganha rios de dinheiro e deixa as garotas enlouquecidas de tesão...), John Frusciante, muito estranhamente, jogou tudo fora. E foi passar uma temporada no inferno.


     STONED AND DETHRONED

      Conta a lenda que, deprimido e com a sanidade psíquica em frangalhos, John se trancou em uma bela mansão californiana que o sucesso com os Chilli Pepers lhe permitiu comprar e entrou numa fase crítica de consumo desenfreado de junk. Entre 1993 e 1996, consumindo quantidades altamente desaconselháveis de heroína, injetando gradativamente toda a sua fortuna veias adentro, John flertou perigosamente com a morte. Sua chapação, entremeada com períodos de loucura e depressão, gerou algumas obras de arte sombrias. Imaginem a cena: acompanhado por guitarras e violões, gravadores de 4 canais e vinis antigos, pincéis e tubos de tinta, seringas ensanguentadas e pílulas de Prozac, camisetas do Velvet Underground e pôsters de Frank Zappa, John Frusciante, artista recluso e esquizofrênico, desiludido com a fama e desencantado com a vida, põe-se a vomitar pinturas basquiatianas e fragmentos de música demencial... O jovem guitarrista parecia cair definitivamente no abismo do vício e da demência, descendo no barranco da mais completa auto-destruição, enquanto deixava atrás de si uma arte perturbadora e acabrunhante...

      Não faltaram resenhas que atentavam raivosamente contra os primeiros álbuns-solo de Frusciante, Niandra Lades (And Usually Just a T-Shirt) [1995] e Smile From The Streets You Hold [1997]. Muitos os acusaram (até com uma certa justiça) de serem insuportáveis amontoados de barulho desconexo, vocais desafinados e gravações tosquérrimas. Mas a maior parte das críticas negativas centravam mesmo seu ataque em outro alvo: no fato de que o disco mostrava um artista que permitia que sua desordem mental se explicitasse com uma falta de pudor extremamente desconcertante. Um crítico duma renomada revista eletrônica, após dar nota ZERO para o álbum Smile..., disse que ouvir o álbum constituía uma experiência desagradável pois era como "olhar direto para o interior de uma alma sem óculos de escuro" ("Looking into someone's soul without sunglasses"). A revista Kerrang, por sua vez, disse que Smile From The Streets You Hold "serviu apenas para exibir a mente cheia de angústia de um junkie".

      Que seja: esses discos são tão "terríveis" pois neles não há lugar para nenhuma maquiagem, nenhum disfarce, nenhuma auto-idealização. Frusciante se revela nu, dilacerado, espalhado pelo chão, só cacos, berrando de agonia como um interno de hospício. Não disfarça nada de sua dor, não maquia ou esconde seus tormentos, o que leva àqueles acostumados ao kitsch a se sentirem incomodados por sua excessiva sinceridade. Creio mesmo que poucos discos na história conhecida da música pop fotografam com tanta nudez um artista cujo estado mental está se estilhaçando: nem Syd Barrett, nem Arnaldo Baptista, nem Skip Spence, nem Peter Hammill chegaram a gravar um álbum tão esquizofrênico e tão demencial quanto Smile From The Street You Hold ou Niandra Lades.

      John, posteriormente, chegou até mesmo a renegar sua obra inicial e proibir a reedição desses dois discos, confessando que na época da gravação, estando ainda em meio ao redemoinho de um imperioso vício à heroína, permitiu tais lançamentos principalmente pra descolar uma graninha pra comprar droga. Mesmo assim, esses obscuros documentos de música lo-fi (mais depressiva que o mais deprê dos funerais) é um fascinante retrato de uma alma perdida nos recantos mais sombrios da vida. Mas, por outro lado, também mostra uma alma num processo de purgação, de purificação, de catarse, que faz suspeitar que o que poderia sair dali, do outro lado dessa experiência, poderia ser uma pessoa diferente, completamente purificada...

      De qualquer modo, os dois primeiros discos-solo de John Frusciante não venderam quase nada, não receberam muita atenção de imprensa e público e passaram um tanto desapercebidos. Ganharam fama de serem apenas dois tolos e excêntricos amontoados de loucuras que o guitarrista dos Chilli Peppers, biruta como é, resolveu lançar "para ninguém"... Era muito fácil concluir com precipitação que não havia ali nenhum talento. O que só faz a obra posterior de Frusciante parecer ainda mais estonteante. Pois ninguém em sã consciência julgaria que um cara que conseguiu cometer dois discos tão abomináveis, mau gravados, heterogêneos e incoerentes pudesse ter um dose suficiente de talento para criar algo meramente AUDÍVEL. Muito menos que pudesse criar algumas da músicas mais profundas e emocionalmente poderosas que já conheci.


 ESTIVE NO INFERNO E RETORNEI. TRAGO BOAS NOTÍCIAS.       
     
Tudo indica que o abandono da vida junkie fez um bem imenso à vida e à arte de John. O esforço para sair do pântano do vício o impeliu para uma outra paisagem existencial e começou a fazer jorrarem com exuberância suas fontes artísticas. "Foi somente nas últimas semanas de 1996 que J Frusciante pôde finalmente chutar pra longe o seu vício de três anos, que contribuiu para a perda de sua casa em Hollywood e para a gradual deterioração de seu corpo", contava a reportagem da Guitar Player, em Novembro de 1997. Só pra ter uma idéia de quão baixo ele chegou no buraco, note-se esse pormenor grotesco: "No começo daquele ano [1997], os dentes remanescentes de John foram removidos e substituídos por dentaduras com o fim de evitar uma infecção que lhe ameaçava a vida". Eis um que não tomou drogas just for fun, isso é certo.

        E foi então que, limpinho das drogas, entrando em sua faze zen, que incluía até sessões de ioga e dieta exclusivamente baseada em healthy food, John entrou no estúdio para gravar somente água por dez dias. E a partir daí sua carreira entrou em outro nível e escalou velozmente um Everest inteiro. To Record Only Water For Ten Days, de 2001, representou um ponto de virada na carreira do jovem guitarrista: um discão vigoroso, bem cantado, repleto de poesias sombrias, que revelaram um Frusciante capaz de compor lindamente e cantar de modo apaixonado, tortuoso, confiante, viajado, comovente. Em entrevista daquele ano, ele diz: "Eu não preciso mais tomar drogas. Eu me sinto muito mais 'alto' ["high"] o tempo todo, agora, por causa do tipo de 'momentum' que uma pessoa pode conseguir quando simplesmente se dedica a algo que realmente ama. (entrevista à Rock Sound Magazine, Fevereiro de 2001).

        Cansado de ter seus discos xingados por serem mal-gravados, amadorísticos e toscos - e de fato eram... - se pôs a gravar Shadows Collide With People (2004), seu único álbum a protagonizar técnicas avançadas de produção e gravação. Este épico de 70 minutos de duração é, na minha opinião, um dos melhores álbum da década passada. E, atingindo uma fase de sua vida de criatividade borbulhante, lançou nada menos que SEIS ÁLBUNS em 2004, numa epopéia de lançamentos das mais prolíficas de que se tem notícia na história da música pop. A façanha seria menos chocante se os discos fossem ruins - afinal, que adiantaria lançar meia dúzia de discos porcos por ano, ao invés de lançar um disco fodão a cada três? O incrível é a qualidade desses álbuns. Investindo em rock minimalista e guitarroso (em The Will To Death e Inside Of Emptyness), dilacerantes e sombrias canções semi-acústicas (em Curtains) e experimentalismo kraut-punk-velvetiano (em Automatic Writing e A Sphere in The Heart of Silence), Frusciante provou ser um artista plural no ápice de sua vida criativa, emanando boa música como se fosse uma emanação natural de seu corpo, uma florescência selvagem de seu cérebro...



 "Um voraz ouvinte musical, pintor talentoso e devoto de trágicos anjos caídos como Syd Barrett, Marc Bolan, Kurt Cobain e Sid Vicious, Frusciante é uma mistura de paixão, auto-didatismo na erudição cultural e ingenuidade, particularmente a respeito da mitologia do rock and roll", diz a Guitar Player. De fato, John Frusciante consumiu altas quantidades de música estranha, maníaca e aventureira, o que faz com que suas influências, muito diversas das do Red Hot Chilli Peppers, sejam em sua maioria obscuros artistas progressivos, alternativos ou proto-punk do passado.

    John ouviu todas as cultuadas e estranhas estrelas do prog e kraut anos 70 (Van Der Graaf Generator, Robert Fripp, Peter Hammill, Neu!, Can, Faust...), estudou profundamente a obra dos dois malucos experimentalistas mais marcantes dos anos 60 e 70 (Frank Zappa e Captain Beefheart), juntou a isso seu amor ao punk antigo de Germs, Velvet Underground, Gang Of Four e Stooges, pegou emprestado um pouco do climão sombrio do Joy Division e um pouco da psicodelia do mal de um Syd Barrett, e se saiu com um som que tem muito pouco a ver com o funk-rock ensolarado que tornou os Chilli Peppers mundialmente conhecidos.

        Mas não é somente pela síntese que faz de todas essas influências que a música de Frusciante é notável. A percepção de mundo de John Frusciante não parece ser nada parecida com a percepção das ditas "pessoas normais", o que faz com que o ouvinte de sua música seja conduzido a um universo perceptivo e poético particularíssimo. Talvez devido ao excessivo e duradouro uso de substâncias psicotrópicas, conjugadas com seu pendor para o misticismo e para as meditações búdicas, Frusciante parece agora habitar numa outra dimensão percepcional, engolindo e processando o mundo mais ou menos à maneira dos esquizofrênicos, dos místicos ou dos iluminados. Suas letras, por vezes mais crípticas que os mais rebuscados textos do misticismo oriental, deixam claro que a viagem espiritual de John atinge estranhos reinos. Poucos artistas utilizam tanto as palavras "life" e "death" em suas letras; a presença abundante dessas duas palavrinhas na poética de Frusciante demonstra que está aí seu principal interesse: a vida, a morte, a dor, a redenção, a culpa, o céu, o inferno, a condição humana naquilo que ela tem de mais dilacerante e de mais sublime...

        Imaginem um artista que fosse buscar inspiração lírica em "Tomorrow Never Knows" dos Beatles (a célebre canção de Lennon inspirada no Livro Tibetano dos Mortos), na poesia demencial dum Syd Barrett ou nos versos góticos e sombrios de um Ian Curtis... Junte-se a isso uma personalidade propensa ao misticismo, que crê ser um veículo para a expressão obscuras dimensões psíquicas, e se terá uma idéia do que significa ser John Frusciante. E não é justamente essa uma das principais funções da arte: permitir que tenhamos um vislumbre do que é a vida quando percebida por uma mente diversa da nossa? Não é fascinante poder olhar pelo buraco de fechadura destas músicas e penetrar no vasto oceano de uma outra consciência, registrada em todos os seus tormentos e alegrias, angústias e sonhos, feridas e ascensões?...

        E talvez o que mais me atraia na música de John Frusciante é essa estranha espécie de beleza que dali emana e que é uma conjunção improvável entre a tristeza e a elevação, a melancolia e as mais altas alturas estéticas. Aquilo que eu já pude sentir com o Radiohead, com o Joy Division, com a Clarice Lispector, com o Céline: uma arte que eleva a tristeza a um status sublime. Eis-nos frente a frente com um homem que olhou de cara para o abismo, que por muito pouco não despencou no nada, que encarou a morte e a auto-destruição de frente, que passou por mil delírios e mil sofrimentos, e que ainda conseguiu se erguer das cinzas. Voltou do inferno e trouxe boas notícias. E mais: ergueu-se não como alguém mutilado, mas como alguém fortalecido, como alguém que vive a vida indo sempre direto ao essencial, como alguém que faz sua arte jorrar das profundezas com uma sinceridade tão gigantesca que chega a desconcertar. Pois exibe com muita crueza como nossas vidas são rasas e pouco autênticas. Num mundo tão dominado pelo cinismo, pela futilidade, pelo consumismo, por ideologias prá-frentex e otimismos baratos, John Frusciante tem a coragem de ser quem é: um dilaceramento humano, uma contradição em carne-e-osso, que faz arte para se encontrar e que, no processo, ilumina e comove todos nós que estamos nesta mesma estranha viagem de vida...

       É muito fácil acusar sua música de ser "muito depressiva" ou "muito negativa" e virar o rosto, fechar o ouvido, como se faz tão costumeiramente frente às verdades mais cruéis da existência... Abrir-se a essa arte exige uma certa coragem pois o que nela se concentra é uma dose muito alta de autenticidade, de catarse, de purgação de feridas; é quase uma beleza dolorosa, que se choca contra nossas vidas que já se resignaram a suas feiúras miúdas... Frusciante canta e toca como se o mundo estivesse para acabar no próximo instante, como se estivesse numa corda bamba, suplicando: don't push me, i'm too close to the edge... Eis uma arte que vive, respira e se alimenta da presença da morte: uma arte feita por um discípulo do abismo e que injeta em nossos ouvidos e em nossas vidas, tão acostumadas à banalidade, alguns sentimentos de intensidade fortíssima. Uma arte que, para ser bem descrita, necessita que o crítico de músico se faça poeta. Ou que chame um em seu auxílio:

"...o que é o Belo senão o grau do Terrível que ainda suportamos e que admiramos porque, impassível, desdenha destruir-nos?" (Rilke)


:: OUÇA! ::





[dwld]


---- Eduardo Carli
educmoraes@hotmail.com

7 comentários:

Eduardo Rrokerijj disse...

Obrigado pelo texto xara.Muitas coisas q li nele(no texto)sao mesmo coisas q identifico,concordo e observo na trajetoria do Frusciante, porem nunca soube colocar em palavras o q vc fez sabidamente e verdadeiramente.Valeu, e abraço .
Faltava apenas o "To Record Only..."p/ completar esta suprema discografia.
Os q mais gosto sao o "Niandra" e o "Smiles from..."
Tenho o q ele gravou com o Klinghoffer chamado "Sphere".Se vc quiser,nao sei se ja tem ele, eh so dizer.
Sem mais delongas , obrigado de novo.
Eduardo Rrokerijj.

Eduardo Carli de Moraes disse...

Valeu ae, rapá-xará! Fico contente de saber que consegui passar ao menos algumas das sensações (por vezes tão inefáveis) que a música, a persona, a angústia e a catarse do Frusça geram no ouvinte que consegue se "sintonizar" a ela... Apesar disso, ainda sinto que o essencial eu nem soube como dizer: mas é uma enrascada em que nos deixa toda obra-de-arte digna desse nome, não é?

Tenho a discografia completa por aqui, mas preferi postar, a princípio, só este punhado de discos por considerar como bons primeiros passos - algo como um "Frusciante For Dummies". Discos como o Niandra e o Smiles são intragáveis demais para quem jamais ouviu a carreira solo do cara e podem causar aversão. Recomendo os que tão começando a se aventurar na obra do cara a experimentar primeiro o Shadows e o Will To Death...

Valeu pela "oferta" do "Sphere", mas já tenho o danado por aqui. E valeu pelo comment, cole aí mais vezes!

Abraço!

Ana Carolina disse...

Porra Eduardo, não sei se vc lembra, já conversei via esses comentários e até te tenho no msn (não lembro se já conversamos por lá, eu nunca entro), mas faz tempo que vc tava prometendo esse post. não te julgando, lógico. escrever sobre esse homem é uma tarefa humanamente impossível pra mim. nem se eu soubesse escrever, eu conseguiria dizer o que quero sobre ele. Por isso que todo mundo usa esse texto q vc tb usou, ele expressa bem. Pra mim, John é o que representa melhor a minha geração, não todas as pessoas pq quase ninguém o aprecia e sabe dar o devido valor q ele merece, mas pq ele vive na mesma época q eu e eu compartilho de muitos dos pensamentos dele. MUITOS, como poucos artistas (ou qse nenhum) de hj são capazes
é exatamente isso, "i look like you, i feel the same, you don't even know my name". mas diferente de vc, cresci ouvindo chili peppers, amando flea e chad smith com todo meu coração. sou geração fim dos 80 e 90 inteiramente. e quando você acrescenta à obra solo dele tudo q ele transmitiu nos chili peppers, é pleno. o que ele fez naquela banda (e ela por si só, convenhamos) é de matar.
só sei que Frusça tem um papel na minha vida q eu não saberia definir. já vi ao vivo bandas e pessoas q cruzaram (de alguma forma) o caminho dele como Macy Gray, Fishbone, Elton John, Jane's Addiction... e a sensação foi tão boa, não consigo imaginar como seria ter visto ele. com os chili peppers teria sido só coração e alma. amor mesmo. sozinho é muito improvável, mas mantenho a esperança. conheço a ex-namorada dele da época de Niandra (meu disco favorito) e ela é um amor, é bacana se sentir próxima dele de alguma forma
(eu sou normal, juro rs)

mas enfim, concordo contigo. não sei oq acontece q ele não é reconhecido. eu digo isso pq escuto muita música, em muita variedade e a música dele é algo pro qual eu sempre volto.
poxa, fiquei em êxtase com o post. parabéns, é necessário espalhar o que é bom :)

o meu maior amor quanto ao que ele fez e ainda faz, é exatamente a falta de pudor desconcertante. ele mostra tanto como se sente, de uma forma muito clara. por isso que niandra e smile não são fáceis de se ouvir, olhar direto praquela alma tão perturbada não é fácil, mas não deixa de ser belo.

um beijo!

Eduardo Carli de Moraes disse...

Ana,

Uma das coisas que mais me emociona nos fãs de Frusciante é essa necessidade "urgente" que temos de "desabafar" sobre a relação passional que temos com a música e a pessoa do Cara... Estas tuas palavras são mais uma prova do quanto o impacto de ouvi-lo é grande a ponto dele acabar se tornando parte de nossas vidas, retratista de nossos sentimentos mais genuínos; é aquela coisa: ele não nos conhece pessoalmente, mas é um "personagem" do primeiro escalão no nosso mundo subjetivo... E no "mundo" de tanta gente que até dá pra dizer, sim, que ele é, apesar de não ter atingido a popularidade dum K CObain ou Thom Yorke, um daqueles "ícones da nossa geração".

Na real nenhum texto meu deu uma tamanha repercussão qto este --- recebi, nestes últimos anos, uma pá de e-mails empolgados de outros admiradores do Frusça, cada um com sua história, cada um com um "relacionamento" diferente com a obra, mas todos deixando escancarado o quanto se identificam, se comovem e se movem com a arte do cara...

E fico bem contente quando isso acontece, e claro que também muito me alegro com estas suas declarações. Pra alguém que escreve sobre música por puro prazer, sem ganhar um tostão por isso, e às vezes sofrendo pra encontrar a "expressão exata" pra descrever o que a música gera, é demais sentir que um texto meu repercute e faz um diálogo começar; é a maior gratificação que eu tenho com um bloguito como esse, e só tenho a agradecer a gente como você que aparece com toda essa empolgação pra trocar idéia sobre a música e compartilhar impressões sobre a arte que nos comove!

Ah! Tb tive uma fase de correr atrás de tudo o que ele gostava, todos os projetos em que se envolvia, todos os amigos músicos que ele elogiava... Acabei descobrindo muita coisa boa, que recomendo por aqui: o Bicycle Thief e o Thelonious Monster, as duas bandas chefiadas pelo "chapa" dele Bob Forrest, e o Vincent Gallo (só fui assistir Buffallo 66 e Brown Bunny depois de saber que havia uma certa "afinidade" entre ele e o frusciantismo...).

Bem, a gente papeia mais por msn qquer hora!

valeu e volte sempre!

Anônimo disse...

Muito legal o blog,principalmente por falar no meu ídolo, John F.

Discordo da parte de falar que os 2 primeiros discos são "toscos" muito, muito errado.
Ele é um artista que mostra seu trabalho não importa em que situação se encontra. Por isso adimiro ele mais ainda,um artista "nu" que mostra aquilo que realmente é.

Os albuns que mais gosto na real são "Niandra..." e o "Smiles from..."

Eu consigo captar o que ele quer dizer e viajo muito, mostra o estado que ele esta agora,e sinto uma vibração muito mágica...
Uma das musicas que ele esta muito drogado no album Smile, é a Estress...A musica é quase toda repetindo uma frase, e é muito muito boa, muito mágica, não sei explicar pq gosto tanto desses 2 albuns que algumas pessoas chamam de "toscas".

Um dia estava la em casa escutando esses albuns, e um amigo meu que nunca tinha escutado berrou falando: Que merda é essa? como consegue escutar isso.
Eu apenas disse:Azar o seu,vc nao consegue captar musicas de outras dimensoes,sentir isso,vc nao passa de um mero humano subdesenvolvido.
Ele julgou a musica diretamente pelo tom de voz dele e nem mesmo tentou ouvir direito, muita gente nesse mundo não sabe o que é musica de verdade.hahahhahaa...

Certo dia li uma frase dele:
"Busco a letra das musicas em outra dimensao, nao importa o que eu escrever, enquanto eu me manter na sensação de outra dimensao tudo estará bem."
Fiz com minhas palavras nao é mt bem assim, enfim...
John Frusciante é tudo :D

Davi Wirkus disse...

Rá,

Excelente análise sobre esse ser intrigante. Eu pessoalmente, amo o John Frusciante. Simplesmente, ele é pura alma, é alguem que nunca terá alta exposição e que para se admirar, você tem que conhecer o trabalho dele como um todo: Conhecer suas fases e momentos, nem todas as músicas apelam sonoramente ou liricamente, algumas são um punhados de barulhos, experimentais como nos primeiros discos, que transmitem apenas sua forma de se expressar. Eu amo esse artista, talentoso e extremamente interessante. Uso ele como forma de inspiração e superação nos momentos difíceis. Imagino o John: Como alguém em um momento totalmente solitário, onde ele não tinha em quem se espelhar e ver que existe luz na vida, poderia conseguir se reerguer, e continuar sua passagem pela terra com extrema maestria?! Parabéns pelo blog, vejo que tem um material incrível por aqui, e se as sínteses dos outros artistas estiverem no nível dessa, realmente há um grande valor cultural nesse site.

Pedro Tiago disse...

Os links estão com erro, poderia reposta-los?