quarta-feira, 25 de novembro de 2009

:: TOPs 10 2000-2009 ::

Década Danada
- Bernardo Santana -

(Esse post não reprenta a posição dos outros colaboradores-truta deste blog. Os deles vêm em seguida. Se tudo der certo... Para baixar, clique na capa do álbum.)

1º — STROKES/Is This It?
Barbada. Além de ser um puta disco roqueiro dançante legalzão cheio de hit combos, o Is This It? merece o topo porque fez a década. Fez no sentido de ser o som a ser copiado por todo mundo, tipo assim o… “novo Nirvana”! Yey! O mérito e a culpa do que veio depois não é dos caras da banda, claro, mas eles deveriam saber de que depois de colocar na praça sons do naipe de Last Nite, Hard To Explain, The Modern Age e Take It Or Leave It todo mundo ia procurar suas calças apertadas no brechó mais perto de casa.

2º — AT THE DRIVE-IN/Relationship of Command
Se o Strokes foi o que foi, o At The Drive-In foi o que deveria ter sido. Mas não, a banda preferiu “entrar em hiato” do que continuar lançando discos pesadaços e perfeitos como esse. Um som ao mesmo tempo original, acessível, intrincado, estranho, toneládico, lírico e intrigante. Eu até hoje não consigo nem traduzir as letras, quanto mais entendê-las por completo. E no palco o bicho também pegava feio, como qualquer consulta ao YouTube pode comprovar muito bem. Pattern against user, de fato, amiguinhos!

3º — LIBERTINES/Up The Bracket
Outra grande banda que se foi muito antes do que deveria, mas que entregou num disco só o suficiente pra uma carreira inteira de clássicos. A música caótica com ecos do Clash dos putinhas rendeu embaraçosas seções de air guitar a este que vos escreve (err… quando eu ainda tinha idade pra isso, claro…) nesta primeira década do milênio. Ao lado dos Strokes, banda mais influente da década na minha humilde opinião. O problema é que ninguém mais no mundo sabe tocar como eles… Ouça Time For Heroes pra entender.

4º — MEDESKI, MARTIN AND WOOD/Let's Go Everywhere
O trio danado do jazz/funk nova iorquino foi covarde com esse Let’s Go Everywhere. Além de estar em verdadeiro estado de graça instrumentalmente, ainda fizeram uma bolachinha pras crianças do mundo. Ah, mas que bunitinho… E o pior é que a iniciativa-Michael deu certo demais. É o disco de jazz mais palatável não só desta década, mas de toda a história da humanidade! Ok, forando a empolgação de fã novo dos caras, é clássico pra se ouvir por muito e muito tempo ainda. Do lado do bercinho e tal…

5º — PEARL JAM/Pearl Jam
Põe o dedo aqui quem não dava mais nem uma batata pelo Pearl Jam depois da virada do século… Mas toda a desconfiança e espera entediada vinda com os lançamentos menos inspirados acabou com essa bolachinha incrível de 2006. World Wide Suicide finalmente resolveu o que eles tentavam fazer com o som nos últimos cinco anos, Parachutes fez o mesmo no quesito baladas e Unemployable é coisa inédita no repertório pra surpreender macaco velho. O resto é só foda pra caralho.

6º — JACK JOHNSON/In Between Dreams
Pra fogueira com os malditos puristas. Pop para as massas pode ser música boa, sim! Sob o risco de ser deserdado por 97% dos camaradas, eu afirmo: Jack Johnson pra presidente. De ponta a ponta, um disco que baixa a rotação desse mundo neurótico e ainda tem as manhas de falar de amor bobo sem parecer… bobo. 14 perolinhas despretensiosas jogadas aos porcos com aquele vocal meio percussivo do surfista e por sua mão direita única no violão.

7º — RYAN ADAMS/Gold
Outro potencial destruidor de amizades rockers quase certeiro, mas que vale a pena o risco. Vindo de uma carreira já bem interessante naquele negócio que costumava se chamar Alt Country, Ryan Adams se equilibrou em sua carreira solo entre o som “já ouvi isso antes” e o breguinha fabuloso da música caipira dos EUA. E o melhor foi que ele conseguiu fazer bons discos com isso. Gold, pra mim, é o melhor de longe, com suas 478 baladas românticas de chorar e seus 1/5 rocks caipiras. Mas é bom demais. Juro!

8ª — MORRISSEY/You Are The Quarry
A carreira solo do ex-vocalista dos Smiths já teve seus providenciais altos e baixos, hits e malices, mas You Are The Quarry é o ponto mais alto do poeta vegan de Manchester nesta década. Com uma banda decente finalmente, e arranjos de cordas sem afetação, o som competente e ganchudo do disco quase faz a gente esquecer que as atormentadas letras do topetinho atormentado só melhoram com o tempo. Elas ainda fazem parecer que ele é um coitado miserável que o mundo esqueceu… Mas, por deus, que coitado talentoso.

9º — FIONA APPLE/Extraordinary Machine [bootleg]
A primeira versão do terceiro disco da cantora e pianista americana (a gravadora disse não e pediu reforma) é uma bagunça. Musical da Disney misturado com jazz, mas inteiro assoviável, Machine é uma obra de arte perfeita sendo pervertida por uma classe de crianças de dois anos esquecida num estúdio. E todas elas vivem na cabeça de uma menina perturbada que canta como um passarinho chamada Fiona Apple. Música lúdica maluca.

10º — LOS HERMANOS/Bloco do Eu Sozinho
Sem precisar forçar nem um pouco a amizade e o bom senso pra colocar um disco nacional no top 10, aqui estão eles. Mais que todas as músicas bacanas que conseguiram fazer aqui misturando weezer, outras alternativices, hardcore, ska e já bastante samba e MPB, o Los Hermanos ainda teve o peito e o talento pra ser a primeira (e até agora única) banda indie gigante do país, peitando gravadora e o caramba. Seria histórico mesmo sem o repertório original e já clássico dos caras em Bloco. E viria mais depois.

[Menção honrosa] – SILVERCHAIR/Young Modern
Se você não ouviu o Silverchair depois que eles deixaram de fazer sucesso (ou seja, nesta década), esqueça o conceito que tem da banda agora. Cada vez mais, Daniel Johns e companhia vão rumando pra esquisitice musical do bem, tentando criar melodias perfeitas que ninguém nunca fez antes e um instrumental de rock sem clichês. Trabalho ingrato depois de mais de 50 anos do gênero, mas que vem dando frutos como em Young Modern. Vale ouvir e fica como representante de todos os discos foda que não entraram na lista.

E por hoje é só.

15 comentários:

Guilherme Dias disse...

Cara, meus sinceros parabéns.
É uma lista bem diferente da que eu faria, mas é uma lista respeitável. Não apenas pelas escolhas, mas, principalmente, pela autenticidade com que foi escrita.
Listas servem para isso. Saber a opinião de verdade de alguém que não mede influências para falar de uma ou outra banda. Isso é lindo.

Mandou muito mesmo.
Valeu pelas dicas, alguns discos eu ainda não ouvi e estou providenciando.

Vernardo Santana disse...

Pô, muito obrigado, cara.
Espero que curta aí o que ainda não conhece... Abraço.

Cromartie disse...

listas são sempre contestaveis,mas cada um faz a sua né?confesso que tem albuns ai que eu não ouvi,e nem pretendo,Fiona Apple eu só ouvi o Tidal,Pearl Jam perdeu a relevancia faz tempo,alguns discos fariam melhor figura nessa lista,como o Madonna do Trail of Dead,In Rainbows do Radiohead,entre outros,mas quem sou eu pra cobrar voces?por isso vou fazer minha propria lista no meu blog
http://favoritesfromhome.blogspot.com/ e coloco aqui pra gente discutir,abraços

Feh X disse...

A Representação do "Extraordinary Machine" foi perfeita! Amo a Fiona, e sinto muita saudade dela... Fico imaginando, o que viria depois do Extraordinary... Só o tempo ne?! Rs.

Fran disse...

Eu achei foi bão!
E Let´s Go Everywhere eu colocaria em primeiro. Disco pra comer se lambuzando de brigadeiro!

bjos

Sam disse...

Eu mexeria um ou outro pauzinho e, definitivamente, deixaria o do Jack Johnson de fora da pilha, mas concordo com o que foi dito aí em cima: a lista está autêntica, é o que vale.

Boa boa, bora escutar =D

Vernardo Santana disse...

Hah, seu Koala! Nem sabia que cê acompanhava o blog, mano! Você não curte o jota jota porque tem a praia no quintal, vai... Abraço pra você!

Marco Souza disse...

ow danadão!
culhão pra botar o "top 10 anos 00", ainda nem fiz o meu.
tô baixando vários dessa lista, só não conheço esse tal de (B)Ryan Adams.

Lux disse...

Du caralho, Bernie! Seleção, textinhos e visú trimmassas.

Haja culhão pra pôr o Jack Johnson aí no meio, mas concordo plenamente que esta bolachinha merece a honra! Também entra fácil no meu top 10. Este da Fiona também é fodástico; pena que ficou sendo só um bootleg e que a versão oficial seja tão inferior... Ah, as gravadoras!

E o At-The-Drive-In, p.q.p., que discaço espantoso! Pensei que viria em primeirão...

Só achei super-estimação tua este do Ryan Adams... Pra mim qquer um do Sleater-Kinney nesta década dá de lavada no "Gold"! ;)

Farô!

DelioHenrique disse...

Cara, tem CERTEZA que o link que tu pôs aí é do Extraordinary Machine, a versão bootlegada?

Eu baixei, mas acho que é a versão oficial, hehe.

freeko disse...

"Vendido", como se diz

thiago. disse...

A versão do Extraordinary machine que você colocou é a oficial, não a bootleg.

Vernardo Santana disse...

Claro que eu coloquei a oficial. Tão pensando que eu quero ser processado?! Que eu sou piratêro sem-vergonha? Mas atendendo a pedidos, tá lá o bootleg oficial!

Mal ae!

Miss. Cody disse...

oi baixei o da fiona mas tá pedindo senha ! Help!

Lucas Rodmo disse...

E eu que vou ter que baixar todos
=D
lindona a sua lista