Mostrando postagens com marcador sopa. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador sopa. Mostrar todas as postagens

domingo, 11 de março de 2012

"Não diga que as estrelas estão mortas... só porque o céu está nublado." (Wado)


Caros leitores & cosmonautas da blogosfera:

Desde que foi exterminada toda a música que era por aqui compartilhada, este blog vêm sofrendo com uma certa crise de identidade, semelhante àquela que acomete alguém que teve um membro amputado e que, apesar de precisar redefinir seu papel no mundo e suas ações cotidianas em sua nova condição de handicaped, ainda sente o braço ou a perna que já não tem.

O Depredando o Orelhão é hoje um dos estropiados e mutilados em outra das guerras que o capitalismo  norte-americano teima em inventar: "a guerra em prol do direito autoral" - guerra esta que, me parece, pretende atacar a própria estrutura da Internet, cercear as potencialidades mais incríveis desse meio-de-comunicação tão revolucionário, em prol, como de praxe, do direito-ao-lucro das mega-corporações de mídia, dos magnatas da Indústria do Entretenimento, dos que já tem mais do que precisam ter ("e quase sempre se convencem que não tem o bastante... falam demais por não ter nada a dizer!"). 

Por isso o blog têm andado meio de luto, carregando ainda este "membro fantasma" que são 54 gigabites de MP3 e mais de 800 álbuns musicais recentemente dizimados. O que vocês vêem aqui é menos um blog do que um soldado ferido, internado no ambulatório, exangue e pálido depois dos tiros que tomou do "Esquadrão Anti-Pirataria". 


estatísticas do mediafire dias antes do deletamento da conta... tudo o que se perdeu!

Dia desses, lá no Metrópolis, na noite memorável em que o M.Q.N. encerrou suas atividades após 15 anos de muito bad ass rock'n'roll (mas na certeza de que a "cena" de Goiânia prossegue muito bem representada por Black Drawing Chalks, Hellbenders e mais um monte de gente....), eu e o Batata divagávamos sobre o futuro da música na era da Internet. Concluímos que infelizmente há uma grande chance de nos tornarmos, no futuro, uns saudosistas, uns nostálgicos, uns "tiozões" cheios de discursinhos "ah como era boa a época em que a gente era jovem!"

Infografia: Porque Dizer Não à ACTA 


“…uma das propostas do ACTA é que seja criminalmente punido todo e qualquer indivíduo que partilhe, ou usufrua, de forma livre e gratuita, de qualquer tipo de informação protegida por direitos de autor na Internet, seja essa informação uma música, um filme, ou até uma citação de jornal ou livro. Ou seja, a partir do momento em que o projeto-de-lei estiver em vigor, passará a haver um severo controle de todos os conteúdos publicados online, sejam eles música ou textos de opinião.” (@baixacultura)

É possível que nos tornemos, caso SOPAS, ACTAS e PIPAS sejam realmente efetivadas, tiozões cheios de saudade que lembram-se com lágrimas nos olhos dos bons-velhos-tempos em que a Internet era livre... Teremos que nos lamentar por ter ocorrido o cerceamento e o estrangulamento do compartilhamento livre de dados devido às tiranias do grande capital.Contaremos às novas gerações a história de um tempo em que a cultura circulava mais livremente e onde o acesso à maior biblioteca multimídia já criada era fácil e barato. "Filhão, era uma vez um tempo sublime onde existiam trecos chamados Napster e Megaupload...". 

Àqueles que vêm pedindo insistentemente, nos comentários, que os álbuns sejam repostados, peço que entendam a imensa dificuldade de restabelecer uma biblioteca musical desse tamanho, que foi sendo construída aos poucos, ao longo de 4 anos de trabalho. Lamento dizer que não há nenhuma chance, no futuro próximo, desse blog voltar a operar com 100% de links funcionais, como foi até pouco tempo. Mesmo que eu recomeçasse os uploads, correria o risco de realizar um imenso Trabalho de Sísifo, arrastando pedregulhos para o topo de montanhas só para vê-los despencar de novo encosta abaixo.

Na real, a Internet, hoje, passa por um período instável e qualquer serviço de file-sharing corre o risco de ser fechado, processado e exterminado da noite pro dia. Os EUA estão chefiando uma enorme campanha de criminalização de blogs como este aqui e os mais truculentos e autoritários dos líderes políticos gostariam de botar um monte de gente na cadeia por baixar ou compartilhar música da Internet.

 Os Estados Unidos da América, afinal de contas, há décadas vêm agindo como um truculento gigante brutalhão que só enxerga interesses privados, cego feito um poste para conceitos como "justiça social" ou "acesso universal à educação e à cultura". Meu anti-americanismo, que sempre foi intenso, só se intensifica mais - e muita gente, de Chomsky a Naomi Klein, de Michael Moore a Slavoj Zizek, nos mostram muitas razões legítimas para que sintamos indignação contra a política externa e interna do establishment yankee. 

Eis um Estado que apoiou ditaduras militares na América Latina (antes do 11 de Setembro de Manhattan, é sempre bom lembrar, houve o 11 de Setembro de 1973 no Chile, com os EUA apoiando as tropas de Pinochet na derrubada de Allende...). Eis um Estado que devasta com suas bombas os países que ensaiam uma alternativa socialista ou comunista, e sempre papagueando que vai "ensinar o que é democracia". Eis um Estado que invade com sua máquina bélica, que aliás sofre de elefantíase, o Oriente Médio transbordante de petróleo, cego para o fato de que uma civilização baseada em petróleo é insustentável e que vai inevitavelmente, mais cedo ou mais tarde, sofrer mais e mais cracks. 

Eis uma nação que encarcera grande parte de seus próprios cidadãos: 25% da população carcerária do mundo está nos EUA! Enfim: uma nação onde Wall Street, os banqueiros, as mega-corporações, o setor bélico e os militares têm muito mais poder do que seria recomendável; um Estado policial, autoritário, fundamentalista, violento, embriagado de ganância, poluidor atmosférico que caga em cima de Protocolos de Kyoto, e assim por diante...


Infelizmente, pois, não sinto ânimo para recomeçar a construção da Biblioteca de Música que eu estava construindo aqui no Depredando, sabendo do imenso descaso e desdém que o FBI e os acionistas de Wall Street possuem pela idéia de Cultura Livre. O acesso gratuito e massivo a bens culturais que formam, informam e inspiram não interessa aos grandes poderes (podres poderes!), não interessa ao 1% no topo da pirâmide. O que eles querem é se manter no topo, com tudo o que isso implica de prosseguimento da concentração de capital e da "monopolização" do que Bordieu chamaria de "capital cultural". O capitalismo não tem interesse em que nos tornemos cultos e bem-informados: quer-nos consumidores burrinhos, hipnotizáveis por propagandas escrotas, que comprem feito sonâmbulos e que prossigam sustentando um sistema insustentável.


Mas o Depredando o Orelhão é um vietcongue aguerrido. Foi mutilado e estrupiado, mas não quer cometer blogcídio e confessar derrota. Tenho muito gosto por este blog, rebento do meu ventre grávido de vontades de falar sobre a música que me entusiasma. Nunca imaginei, ao criar essa bagaça, que ela um dia chegaria a mais de 275.000 visitas e quase 1 milhão de downloads. É sinal de que há muita gente que se interessa por conhecer novos sons, expandir horizontes culturais, ir além da papinha mastigadinha da grande mídia. Coloquei um bocado imensurável de tempo e dedicação nisso aqui, por mais de 4 anos, sem jamais ganhar um único tostão com isso. Não ganho grana às custas do trabalho de artistas ou de corporações e, pra mim, pirataria "de verdade" é aquela feita com fins lucrativos, o que não é o caso de nenhum dos excelentes blogs brasileiros da "nossa turma": Eu Ovo, Um Que Tenha ou Hominis Canidae, dentre muitos outros.

Tenho certeza que não é intenção de nenhum desses blogs, nem nunca foi do Depredando o Orelhão, prejudicar qualquer artista que seja: é a Indústria que demonstra muito mais desdém pelo valor "humano" da música do que qualquer desses blogueiros, muitos deles autênticos amantes da música, que desejam difundir e disseminar as criações que descobrem e, assim, contribuir para que os artistas se tornem mais conhecidos, mais apreciados, e que possam assim circular mais por aí, tocar mais ao vivo, estabelecer novas ligações e parcerias.

 Já a Indústria é cega a todos os valores que não sejam os comerciais; pra ela, música não passa de mais uma mercadoria. Já os verdadeiros artistas, como eu entendo, desejam sobretudo que a música atinja outros seres humanos, que seja reproduzida o máximo possível por aí, que expresse algo de intenso, de comovedor, de belo ou de terrível que faça o público simpatizar, empatizar, se inflamar, cantar junto, dançar no ritmo... em suma: o artista quer contato genuíno com seres humanos que se abram à influência de sua obra.

Claro que todo artista precisa de seu ganha-pão e que aqueles que não têm contratos com grandes corporações (são maioria!) sofrem para viver de arte. Ora, me parece que a blogosfera existe como um "palco" privilegiado justamente para a difusão da arte independente, de tudo aquilo que não consegue atingir as grandes mídias tradicionais, que não toca no rádio nem passa na TV. Daqui pra frente, pois, a solução para o blog se manter vivo será investir cada vez na Independência. Por uma sociedade mais artística, mais lúdica, mais criativa, com uma circulação de idéias, criações e pessoas intensa e fecunda!

 Se o Eixo nos rechaça e nos reprime, é mais um motivo para ir, cada vez mais, para fora do eixo. Incentivar os artistas locais. Divulgar a arte que nasce longe da indústria. Tentar fomentar cada vez mais estas redes que permitem ocorrências fantásticas como... 200 Gritos Rocks em 2012. Quem diria que um "agito" nascido em Cuiabá atingiria algo tão colossal! Mas também depende do público que frequenta os blogs tornar-se cada vez mais consciente dos malefícios do grande capital e dos abusos da Indústria do Entretenimento, e apoiar os inssurrectos, os que gritam "independência ou marte!", ou que saem do trilho, os que constroem alternativas.



Isto aqui, portanto, não é mais um "blog de MP3". Os coices que nos deram as ôtoridades em guerra contra nós, os "piratas", exigem que isto aqui passe por uma mutação. Não se assustem, pois, com as imprevisíveis modificações no conteúdo do blog. Serão experimentos de novos rumos. Como jornalista e filósofo, me interesso por um bocado de assuntos além de música e que, daqui pra frente, pretendo tratar em mais detalhes por aqui, com destaque para algumas "causas políticas" que eu me sinto cada vez mais serem urgentes e dignas de ativismo e luta - não só a libertação da Internet do jugo dos censores, mas muitas outras: libertação animal e vegetarianismo, aquecimento global e outras questões de sustentabilidade, fanatismo religioso e a preocupante sobrevivência de poderes pastorais, legalização da cannabis e políticas de drogas mais inteligentes, direitos civis de minorias, e por aí vai...

Tenho também uma pá de textos na gaveta, ainda sem publicação, que são os primeiros frutos das minhas pesquisas de mestrado. Há uns seis meses sou um mestrando em filosofia na UFG (Universidade Federal de Goiás) que têm se debruçado sobre as idéias de Nietzsche, Foucault, Huxley, Benjamin, Max Stirner, dentre outros. Melhor do que deixar mofando na gaveta, me parece, é postar os textões aqui, ainda que eu saiba que a paciência e a dedicação para ler textos mais longos e "exigentes" seja um tanto rara. Não estranhem, pois, com as "novas caras" que este blog vai experimentar, em "guinadas" em direções as mais diversas... mais à vanguarda, mais à esquerda, mais à míngua, mais com cara dum zinão punk, quiçá mais panfletário e mais politizado, mas espero que... mais indefinível do que nunca. Sugestões, conselhos, críticas e idéias serão sempre muito bem-vindas, em especial num momento desses, de crise identitária e tentativa de definição de novas vias, novas barricadas, novas guerrilhas. 

Este vietcongue estropiado não confessa derrota e ainda quer sobreviver para pôr pulgas na cueca de Golias. A solução, por hora, é abandonar o MP3 e deixar os posts antigos como estão, uma espécie de ossário a céu aberto que lembre o visitante de tudo o que foi perdido, souvenir de uma biblioteca arruinada. Uma batalha foi perdida, mas não a guerra. Os anônimos são legião. E agora as guerrilhas são outras: na aldeia global, guerrilheiros de várias pátrias se unem em causas comuns, tentando se organizar contra o autoritarismo e os liberticidas num mundo em acelerada e constante mutação. Ferido mas longe de estar morto, este blog se arrasta para a Sierra Maestra!


Sigam antenados!

P.S.: as atualizações estão bem mais frequentes
lá no nosso Tumblr... confira!

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

"Eu Não Quero Sopa!" (sábia Mafaldita)

‎"Eles querem transformar a internet em um tubo de mão única, com eles em cima, empurrando o lixo para baixo através do tubo para o resto de nós, consumidores obedientes." - do manifesto do The Pirate Bay, via Diário da Liberdade

Muitas coisas me intrigam nestes recentes episódios que têm sacudido a Internet nos últimos tempos, com a intragável S.O.P.A. (Stop Online Piracy Act) que a toda-poderosa da Indústria do Entretenimento quer fazer descer por nossas goelas abaixo. A primeira das coisas "intrigantes" é: como é que pode uma proposta que ainda não havia sido aprovada pelo Congresso americano, e que tem boas chances de jamais ser, ser posta em prática pelo FBI?


Os tiras yankees usaram como pretexto a ladainha de que o Megaupload é uma empresa "criminosa" cujos satânicos idealizadores e trabalhadores lesaram em U$500 milhões de dólares o ofendidinho do conglomerado corporativo composto por Disney, Warner e o caralho-a-quatro. Quão intrigante é pensar sobre a gênese desse número, sobre os raciocínios que estão por trás desta péssima matemática saída dos cérebros distorcidos desses empresários gananciosos.

Façamos uma reflexão com um exemplo bastante concreto: Avatar, o mega blockbuster de James Cameron, maior bilheteria da história da sétima arte, rendeu nada menos que U$2,782,275,172 (no mundo todo) segundo dados do IMDB (Internet Movie Database).  É vero que esta super-produção da 20th Century Fox teve um dos custos de produção mais astronômicos já registrados em Hollywood: estima-se que Avatar tenha custado para fazer uns "meros" 300 milhões. Mas isso equivale a uma merreca, diz aí! Sim: uma baita duma merreca para um filme cujo lucro estrondoso beira os 2 BILHÕES E MEIO DE DÓLARES!

Agora imaginem os acionistas e CEOs da FOX, no alto de seus arranha-céus chiquérrimos na Califórnia, trocando sussurros conspiratórios dentro de seus Porches blindados e helicópteros, querendo aumentar ainda mais as margens de lucro para que possam dar aquele turbo naquela conta bancária meio "paradona" lá na Suíça... E aí partem para o seguinte raciocínio: há muita gente baixando Avatar de graça na Internet... esses malditos desses sites tipo Rapidshare, The Pirate Bay, Mediafire, Megaupload, tornam possível a aquisição gratuita de nosso produto! Ladrões! Criminosos! Vândalos! Comunistas! Lancemos sobre eles os bulldogs!

Como soltar os cachorros para cima destes sites sem antes "demonstrar" que há um ato criminoso cometido por eles? E assim prosseguem "raciocinando": "hmmm... vejamos... se 100.000 pessoas baixaram Avatar pelo Megaupload, isto significa que estes criminosos são culpados por 100.000 DVDs ou ingressos-de-cinema que deixamos de vender! 100.000 vezes 20 dólares... 2 milhões de prejú!" Ah, sim! Agora entendemos vossa sofística satânica, cara Fox e cia! O que vocês apelidam de prejuízo não passa de... um lucro presumido que não foi ganho! Situação bizarra: uma empresa que lucra 2 BILHÕES e MEIO com um único filme passa a perseguir aqueles que teoricamente a impedem de GANHAR MAIS e MAIS!


É a perversidade do capitalismo americano mostrando seus dentes sem disfarce. É uma ganância cega que não enxerga um palmo diante do nariz - feito a criança na capa de Nevermind, fisgada pelo dólar que um invisível pescador lhe agita na frente dos olhos. Eles agora querem atacar a própria estrutura da Internet, instaurar uma censura global dos conteúdos de que se julgam "donos", sempre com o mesmo batido argumento chatonildo: "lucros, lucros, lucros!" Como se isso fosse argumento e não um papaguear enjoativo duns babacas endinheirados, money junkies do caralho.

O que mais causa revolta e indignação neste ataque ao Megaupload é o seguinte: não é verdade que o conteúdo ali hospedado era essencialmente "posse" das mega-corporações globais. Num site tão rico em conteúdo diversificado, compartilham-se filmes independentes; mini-séries educativas; PDFs de poesia, filosofia, sociologia; documentários de ativismo político; música composta e gravada sem a mínima intrusão de mecanismos comerciais etc. O conteúdo alternativo ali hospedado era imenso - talvez maior até do que o conteúdo mainstream. Como mensurar o dano causado por esta DELETAÇÃO MASSIVA de dados?


(Uma conexão que não me parece inteiramente despropositada me ocorre entre este episódio e um outro, ocorrido muitíssimo tempo atrás (391 d.C.), quando a Biblioteca de Alexandria foi dizimada pelos cristãos. Sobre este assunto, aliás, vale muito a pena conferir o Ágora, o filmaço de Alejandro Amenábar, com Rachel Weisz arrasando!)

Ali nos servidores do Megaupload havia muito conteúdo digníssimo de ser conhecido, interpretado, estudado... havia a discografia do Fugazi e do The Clash, as palestras de Noam Chomsky e Slavoj Zizek, os documentários da Naomi Klein ou do Michael Moore, os livros de Marshall McLuhan e Terence McKenna... O Megaupload, abatido em pleno vôo, não causou o súbito colapso apenas de "toneladas" de conteúdo que a Indústria julga-se "possuidora"; também perdeu-se muito do conteúdo contra-cultural, subversivo, iconoclasta, questionador, rebelde, transformador, revolucionário que ali havia! Qual será a percentagem de conteúdo realmente copyrighted que fluía entre os servidores do Megaupload e seus usuários diariamente? E esta percentagem justifica o extermínio completo do serviço?

O FBI, é claro, não conhece essas "sutilezas": pensa e age com uma truculência de gente inculta que odeia a idéia de que as pessoas estão se informando, se cultivando, intercambiando idéias e criações artísticas sem a intermediação de empresas com fins lucrativos. Os dinossauros ficam apavorados com o mundo que a cibercultura está ajudando a parir: um mundo no qual, como a Primavera Árabe provou, as pessoas utilizarão a Internet para escaparem às cegueiras impostas pela mídia, para trocarem informações preciosas sobre os horrores cometidos pelos homens de poder, para se conscientizarem politicamente com um "cosmopolitismo" que só a Aldeia Global possibilita, ou mesmo para organizarem levantes, protestos, passeatas, revoluções... 

Tudo isso é um sinal preocupante de que o arrogante Império Americano, que cometeu os escândalos mais grotestos no Iraque e no Afeganistão nos últimos anos, que agora salta sobre o petróleo da Líbia, que tanto apóia Israel contra os palestinos, que tanto perseguiu a Revolução Cubana e tentou gorar os avanços sociais dos rebeldes da Sierra Maestra ("hoje 200 milhões de crianças dormirão nas ruas - nenhuma delas é cubana!"), que fecha o Megaupload mas não se importa se Guantánamo Bay e Abu Ghraib funcionam direitinho, que... enfim, que já está passando dos limites em seu imperialismo autoritário e sua Guerra Contra o Terror, sua Guerra Contra as Drogas, sua Guerra em Prol do Petróleo árabe, sua Guerra contra a Pirataria... Papagaios que só sabem falar em "guerra, guerra, guerra!", "dinheiro, dinheiro, dinheiro!"

Esta guerra, como não podia deixar de ser num país acostumado à ela, chega à Internet. É bom irmos nos acostumando, pois parece ter começado de vez a repressão autoritária dos ianques contra a Internet livre. O compartilhamento de filmes e músicas vai sofrer alguns dos abalos mais sérios de toda a história da Cibercultura, pelo jeito, caso uma grande onda de oposição popular não barre esses planos dos defensores do SOPA e do Protect IP. O Megaupload já foi pro saco, fechado pelo FBI, e é de se suspeitar que Rapidshare, Mediafire e sites similares sejam as próximas vítimas. Qual é o próximo passo: numa nova Inquisição, grandes fogueiras de Servidores "piratas" sendo reduzidos a cinza?!? É a volta do Farenheit 451 de Ray Bradbury - mas agora não são só os livros que eles pretendem incendiar, mas uma vastíssima biblioteca multimídia cujo acesso, segundo eles, só é permitido caso engordemos ainda mais as contas bancárias transbordantes das mega-corporações. Triste!




A minha preocupação é grande: os meus uploads somam 53.64 GIGABITES, num total de 789 arquivos, que já foram downloadados... 715.852 vezes. As autoridades, claro, não dão a mínima para a TRABALHEIRA que foi disponibilizar este conteúdo na Internet nestes últimos 4 ANOS, não tem consciência do trampo de CURADORIA envolvido nisso, e estão pouco se fodendo se estes atos de "Incineração da Pirataria" não atacam um direito fundamental de qualquer cidadão civilizado: o acesso à Cultura, no máximo da diversidade e do baixo custo possível. Se o Mediafire morrer... Depredando is wavin' bye bye. :-(