sábado, 29 de agosto de 2009

:: Rato Modesto ::


:: MODEST MOUSE ::
No One’s First You’re Next

VENENO ANTIMONOTONIA
Por Ana Alice Gallo


Se Mick Jagger, Keith Richards e Win Butler (Arcade Fire) se sentassem em um boteco para lamentar da vida, poderiam parir algo tão belo como “Satellite Skin”. Dylan e seu bandolin respingariam na canção seguinte, “Guilty Cocker Spaniels” (excelente nome de música, por sinal), como se tivessem ido a um show de free jazz e acordassem na ressaca do vislumbre. Thruston Moore vomitaria as guitarras em “The Whale Song” e Jack White teria inveja do timbre do riff que explode aos três minutos de “King Rat”. Pois é como se fosse essa salada hipotética de retalhos sonoros que “No One’s First, You’re Next”, EPzinho delícia do Modest Mouse, desce macio e reanima o bom ouvintindie.

Feito basicamente com as sobras dos álbuns anteriores (Good People Who Loves Bad News e We Were Dead before the Ship Even Sank), esse álbum mostra, como já disse o sábio Mininão, que dá, sim pra conhecer e amar uma banda só pelos B-Sides. Longe de parecer um amontoado de canções sem rumo, No One’s First mostra todas as pontas de um iceberg criativo que vai do folk psicodélico ao pop gostoso e fácil até chegar à influência inegável de Seattle, cidade onde a banda deu seus primeiros passos e que marcou o gene da Modest Mouse de forma indelével.

Formada no início dos anos 90, a banda é um híbrido dos mais bacanas a fazer a ponte da era grunge ao rock 00 passando pela psicodelia e o pós-punk. Pra completar, ganhou em sua formação ninguém menos que Johnny Marr, ex-Smiths, para um tempero extra da salada. Será que deu pra entender? Vixe, tá parecendo papo de bêbado, acho melhor deixar vocês ouvirem logo.

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quinta-feira, 27 de agosto de 2009

:: Baladas de Assassinato ::


:: NICK CAVE AND THE BAD SEEDS ::
Murder Ballads (1996)

Como bom poeta bafejado pelo lado negro do rock, não foi surpresa saber que Nick Cave era um admirador das baladas sobre assassínios, um tipo de canção popular no séc. 18 que, evidentemente, narrava crimes particularmente violentos.

Desde a capa - uma reprodução de uma pintura a óleo que retrata um ambiente invernoso, muito diferente das imagens que compuseram as capas dos seus primeiros trabalhos - até aos cantores convidados (incluindo a sereia do pop Kylie Minogue), este não é um LP típico dos Seeds. A banda toca a um nível quase jovial, com um Cave intimista que desfruta com contentamento a criação de uma galeria sombria de estudantes assassinas, cônjugues tarados e psicopatas.

O lendário Stagger Lee ("bad motherfucker called Stagger Lee"), cuja notoriedade tinha já sido celebrada por James Brown e Wilson Pickett, entre outros, aparece na canção homônima perpetrando crimes inenarráveis contra os clientes da taberna The Bucket of Blood. "The Curse of Millhaven" é protagonizada pela angélica Loretta, que aos 14 anos se transforma numa fada e que confessa ter assassinado todos os habitantes da sua aldeia. Ao longo do álbum, os Seeds controem um ambiente claustrofóbico onde as almas condenadas de Cave estão irremediavelmente perdidas.

Cave atribuiu desde sempre o êxito do álbum à presença de Kylie Minogue e afirma que a banda encarou o disco como umas férias para a banda. Mas o álbum, que encerra com uma surpreendente e doce versão do tema de Dylan "Death Is Not The End", com PJ Harvey e Shane MacGowan como estrelas convidadas, é uma peça da discografia dos Seeds que exige o máximo respeito. --- 1.001 DISCOS PARA OUVIR ANTES DE MORRER


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(192kps, 77mb)
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terça-feira, 25 de agosto de 2009

:: da série PÃO QUENTINHO ::

REGINA SPEKTOR - Far
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AKRON FAMILY - Set 'Em Wild, Set 'Em Free
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SON VOLT - American Central Dust
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TORTOISE - Beacons of Ancestorship
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:: Echo and the Bunnymen (Live) ::


:: ECHO & THE BUNNYMEN ::
Live In Liverpool

(2002)

Liverpool, cidade abençoada pelos deuses do barulho, não é somente a terra natal daqueles mocinhos que foram mais amados pela juventude sessentista do que Jesus Cristo. Ali surgiria também, em 1978, mesclando pós-punk sombrio, psicodelia à la Doors, viagens veludosas velvetianas e pretensões literárias cohenianas, uma das bandas mais cult dos anos 80. Live In Liverpool é o Echo & The Bunnymen em sua nova encarnação, depois que saíram do limbo em 1997, e oferece tanto um banquete delicioso para fãs de longa data quanto um excelente cartão de visitas para os leigos. It's the Bunnymen for fans and for dummies.

Tocando com uma serenidade e uma desenvoltura que só possui uma banda em sua sweet home (ainda que não seja o Alabama), o Echo toca aqui como se estivesse de pantufas e pijamas. Ouvi-los neste discaço reativa lembranças do grande show que pude testemunhar em Sampa (lá por 2006, se num me engano), com direito a uma cover matadora de "Take a Walk On The Wild Side", de Lou Reed, e uma tentativa de encarnar Jim Morrisson que deixou Ian McCullogh tão cool que dava até raiva.

Este Live In Liverpool é o primeiro ao-vivão da nova fase (recentemente soltaram mais um: I'm All Smiles). Frente ao comportadinho e respeitoso público britânico, que não é de muita histeria e frenesi, os mestres McCullogh, Sergeant e companhia viajam pelos hinos clássicos ("Killing Moon", "Lips Like Sugar", "Rescue" etc.), pelas obras-primas poéticas ("The Cutter", "Ocean Rain") e pelas lindezas tardias compostas já nos anos 90 (como a belíssima "Nothing Lasts Forever"), sempre com resultados primorosos. O som é um tanto "basicão", é verdade, mas a magia que dele emana é de uma sedução indizível.

Hoje, já com um status de "dinossauro do rock" que dá entrada em sua terceira década de vida, eles continuam dando reiteradas provas de não ter decaído com a jornada, mas sim de terem se tornado progressivamente mais serenos e mais sábios. Os Bunnymen prometem retornar logo mais com o pão quentinho The Fountain, a ser lançado ainda em 2009 - dez anos depois de cometerem o que eu considero o mais magnífico dos álbuns "pós-Ressurreição": What Are You Gonna Do With Your Life? (99). Enquanto aguardamos este - um dos mais promissores lançamentos do ano... - viajemos nas ondas de tantos clássicos, tocados na terra dos Beatles, rebentos de uma das maiores bandas inglesas vivas - e uma que continua fazendo da Inglaterra um local de peregrinação santa para os rock-aficcionados...



DOWNLOAD (94 MB):
http://www.mediafire.com/?yhzbnelkmzy

VEJA TAMBÉM:
nosso post sobre "Porcupine"!

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

:: PODCAST ::


Explodindo o orelhão!

Depredando orgulhosamente apresenta seu podcast piloto. É papo de boteco gravado em boteco. Ainda não tem nome, mas no próximo remediamos. Em homenagem ao podcast de estreia nada melhor do que falarmos dos álbuns de estreia explosivos. Fica pra download, já que pra fazer o streaming por aqui a coisa complica um pouco. Xingamentos, sugestões, declarações e correções (eu mesmo já mandaria várias) mandem pro email depredando.podcast@gmail.com ou comentem aqui embaixo.

DOWNLOAD


Um streaming (graças ao Diogo) antes tarde do que nunca:





:: Kurt Cobain: About a Son ::


A ARTE DE OUVIR

- Por Ana Alice Gallo -

Há muito tempo não escutava sua voz. Achei que ela fosse ter um efeito absurdo e que, subitamente, toda aquela idolatria descontrolada da adolescência (e que só se é capaz de sentir na adolescência) voltaria à tona. Para meu espanto, mal reconheci o timbre que, monotonamente, recontava uma infância estilhaçada já nos primeiros momentos de “Kurt Cobain – About a Son”, enquanto a bucólica cidade de Aberdeen passava pelos meus olhos.

Documentário baseado única e exclusivamente nos monólogos que o vocalista do Nirvana travava em entrevista a Michael Azerrad, o filme tem esse poder de choque e distanciamento que desgosta os fãs mais afoitos, aproxima os indiferentes mas, acima de tudo, dá a chance ao morto Cobain de contar sua própria história. Com todas aquelas mentiras, versões e pequenos esquecimentos que acometem a todos os humanos, quando falamos de nós mesmos.

A falta de imagens do próprio Kurt e de músicas da banda é o primeiro passo que permite esse distanciamento da idolatria. O espectador se depara com imagens bucólicas, às vezes pseudo-simbólicas, que pouco parecem ter a ver com a estética explorada pela banda em álbuns, vídeos e nas próprias matérias relacionadas ao grupo.

E a trilha sonora, se algumas vezes esbarra no óbvio (como em “The Man Who Sold the World”, cantada pelo Bowie, da qual todo mundo lembra a regravação feita pelo Nirvana), em outras horas, traz os nem tão manjados (no caso) Queen e Credence Clearwater Revival para ambientar passagens das lembranças de Cobain.


E foi quase que com choque que ouvi os trechos da entrevista, em que os timbres da voz de Kurt ora se aproximam do que habita as minhas lembranças, ora voam longe pelo nível de droga ou de amargor existente no sangue do entrevistado. É impossível não se interessar por coisas que só ele poderia admitir (como quando assume que consumia 400 dólares de droga por dia) e também pelas contradições quando o cara discorre sobre fama, dinheiro, drogas e a própria banda.

No entanto, mais que filme, documentário ou reportagem, “About a Son” é um belo exercício da arte de ouvir. Mesmo que não seja exatamente o que esperávamos escutar.


* texto originalmente publicado no Credencial Tosca: glue there!


* * * * *


por Diogo Soares

O doc. inicia com uma série grande de tomadas feitas ao ar livre provavelmente da região de Aberdeen onde Kurt nasceu e cresceu. Estas tomadas vão se repetindo durante o filme, mas vão diminuindo em intensidade e sendo trocadas por rostos, e afazeres, comuns de Seattle. Começa aí um jogo com o espectador bem interessante. O diretor sabe que as pessoas ouvirão uma série de falas sobre Kurt. Mas quem será Kurt? Um deus ou um mortal?

As primeiras cenas do filme, monumentais paisagens, nos dão a certeza que o mundo não acabou depois da morte de Kurt. O mundo continua a girar e produzir seu balé fantástico de luzes, água e vida. Nada mudou. Kurt é um drogado, mimado e poderia ser qualquer um no lugar dele contando a história de qualquer um americano comum. Essa é a brincadeira mais legal com o título do filme: afinal ele é sobre um dos filhos prediletos de Deus, ou é mais um filho igual aos milhões de estadunidenses de sua geração?

Kurt vive esta mesma contradição em suas frases. Diz que é filho de alienígenas, um escolhido, capaz de realizar o que bem entendesse. Denuncia a mesmice do show business, sua futilidade e inconseqüência. Ao mesmo tempo que se vê preso em sua história de dores, de disputas por dinheiro, de querer apenas uma família constituída, que se vê preso ao não conseguir brigar, como antes, em razão da manutenção de sua casa, riqueza e status.

As tomadas da natureza, somadas com a composição das cidades/pessoas onde Kurt nasceu, morou e morreu, dão um toque especial ao filme. Afinal não podemos dizer que ele é um simples produto da relação complicada de seus pais ou de sua pequena escola que o massacrava. Ele não é único neste sentido restrito. Ele é, e nós todos somos, esta composição mais complexa e ambígua da nossa psique e ambiente.

Ao mudarmos o mundo, o mundo nos muda. Acho que isso Kurt entendeu muito bem. Não somos reféns da história. Mas não existe Kurt Cobain sem que exista uma platéia ávida para ouvir histórias em comum. Portanto não há divindade que resista ao mainstream. Porém. Ao mesmo tempo que todos podem ser artistas, nem todos podem ser bons artistas. Todos somos filhos, mas nem todos somos escolhidos.

DOWNLOAD - Trilha Sonora do Filme
http://www.mediafire.com/?tiodhjwlx5g

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

:: Bluebell ::


:: BLUEBELL ::
Slow Motion Ballet (2005)

A pequena Bel Garcia, mescla de endiabrada Betty Boop e afinada Fada Sininho, ao cantarolar seus encantadores blues, me faz pensar que estou diante duma dessas musas raras que surgem tão raramente na música brasileira. Com seu primeiro álbum, o magnífico Slow Motion Ballet (de 2005), cometeu já em seu debut um dos grandes discos nacionais da década, arrancando elogios entusiasmados de gente importante, de Marisa Monte a Fernando Meirelles.

Certos pop-rocks bastante radiáveis, como "Ordinary Life", renderam a ela o apelido, entre nós depredadores, de Natalie Imbruglia paulistana, mas uma que não se tornou - pobrecita! - uma one hit wonder. Mas o álbum traz muito mais do que popices cantadas em inglês por uma indie-chick adorável em seus all-stars e roupas pretas: Bel prova aqui ser a única mina brasileira que consegue soar como a cópia fidedigna da Regina Spektor ("The Fight In The Cafe"), da Aimee Mann ("Pack and Go" ou "Translation") e da Fiona Apple. E tudo isso sem soar nem um pouco como um plágio ou como um item de segunda categoria, mas sim como um genuíno talento em seus primeiros florescimentos.

O disco tem até uns grunges de menininha ("Who's The Freak?" e "It's Out There"), cantados com uma sensibilidade e uma finesse que deixam Pitty parecendo uma caminhoneira truculenta. Sem falar de algumas bonitezas folk, como "I Could Have Been", "Bolas de Sabão" e o semi-hit "Dull Routine", que nos fazem questionar se Mallu Magalhães é realmente a princesinha folk do Brasil ou se isso é só exagero da hype machine, que esqueceu de nos avisar do quanto Bel é material mais fino, apesar de não ter tchubarubado seu caminho rumo à fama.

E, para não dizer que não falamos de covers, Bel (que já tem anos e anos de estrada cantando róque em bandinhas de garagem - saca só ela mandando "Remedy" dos Crowes em 2001) também manda bem em suas escolhas para Slow Motion Ballet. Ela se apossa de modo adorável de "Junk", musiqueta solo do velho Macca, que não soará mal aos ouvidos de nenhum beatlemaníaco. Insere ainda o refrão de "La Vie En Rose", um dos mais célebres itens do cancioneiro popular francês, em sua genial "La Vie en Close", cantando-o três vezes em três inflexões completamente diferentes: primeiro serena, depois histérica e aos prantos, e finalmente libidinosa e sedutora. Esta música, aliás, talvez seja o ponto alto do lirismo de Bel, que descreve alguns "prazeres Amélie Poulain", brinca sacana e sexymente com a pronúncia do francês e cria um hino luxurioso e irresistível sobre fossas, porres e hedonismo que vale citar na íntegra:

Me deixa quieta no meu canto que eu sei me virar
As mágoas da vida serviram pra me vacinar
Eu aprendi que não importa o mal é possível curar
Dançando tango, comendo pastel ou no banho a cantar

Às vezes um porre de vodka pode ajudar
A vida pode ser melhor pra lá de Badgá
Outras vertentes holísticas recomendam meditar
Ou aceitar que você está na fossa e nela mergulhar.

E se depois disso tudo nada adiantar
Se lembre: o que não tem remédio remediado está.
Erga a cabeça, mude de estação e vá se aprumar.
Tome alguns goles e saia de casa disposto a flertar.

Je vois la vie en rose, mon amour!



Quatro anos depois do lançamento de seu Balé em Câmera Lenta, a sumida Bluebell está prestes a reaparecer com um novo EP, fruto de anos e anos tocando em pubs do underground paulistano acompanhada por uma jazz-band fabulosa. A julgar pelo show recente que Bel deu no Studio SP, em que o público foi docemente judiado por um trompete matador, o futuro do Bluebell será repleto de frutos doces.

Cada vez mais longe do pop-rock, Bel agora aderiu à pira de ser a nossa mini-Ella Fitzgerald, a Edith Piaf sul-americana, a Nina Simone do nosso indie. Vestida como se quisesse homenagear Betty Boop, a ninfeta do desenho animado que cantava como uma russa embriagada de vodka, Bel Garcia surgiu quase como uma criaturinha do Noiva Cadáver, de Tim Burton, se ele se passasse na Jazz Age.

Bel, sobre o palco, está cada dia mais confiante. O domínio espantoso que possui sobre sua voz, que pode até ser magra e fininha, mas tem um timbre adorável e autêntico, faz com que perdoemos com facilidade a relativa timidez de seu corpo. Afinal, não estamos frente a uma cheerleader nem uma pretendente a pop-star, mas a uma mocinha sensível, serena e que parece ter imensos mananciais de talento que só estão começando a desabrochar...

Hoje em dia, a destemida Bel não teme atacar standards do jazz de modo dilacerante. E canta como se estivesse tentando realmente quebrar nosso coração - e mais à maneira de Chet Baker do que de Jeff Tweedy. E consegue fácil, como provam as lagriminhas que derrubei na caipirinha ao ouvi-la cantar uma sequência mortífera de uns 3 ou 4 blues sobre corações estraçalhados, madrugadas solitárias e mágoas afogadas no álcool.

Pra continuar com confissões constrangedoras, revelo que depois do show, com o meu CDzinho original em mãos, fiquei ali, zanzando pelos bastidores, querendo chegar perto da criatura, querendo beliscá-la para conferir se ela é mesmo de verdade e não uma criatura de fábula... E, pela primeira vez em anos, me vi recorrendo a essa bestice de tiete que é ir atrás de um autógrafo, com as mãos trêmulas e o coração palpitando... Taí: quer elogio melhor à música de Bel do que dizer que testemunhá-la, ao vivo e com surround sound, me deixou feito um menininho trepidando em admiração frente à visão da musa?...


DOWNLOAD (192 kps, 60 mb):
http://www.mediafire.com/?mjmn1myyend

ENTREVISTA:
http://musicapoesiabrasileira.blogspot.com/search?q=bluebell

LA VIE EN CHOSE no MÚSICA DE BOLSO:

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

:: Screaming Trees ::

Chorando o grunge derramado
- Bernardo Santana -

Quem liga se uma banda é considerada avó do grunge ou não? Quem liga se o vocalista tem uma voz que parece curtida em 50 anos de uísque e cigarro? Quem liga se eles compuseram um dos hinos injustiçados de uma década? O que importa mesmo é que os Screaming Trees são um dos maiores e mais sintomáticos exemplos da porrada de One Hit Wonders fodaços paridos nos anos 90. Mas, diferente dos Ugly Kid Joes, Candleboxes e Dee-Lites da vida (nada contra nenhum deles, tudo muito bom…) os caras têm pelo menos uns três discos crássicos no undeground-de-flanela que todos aprendemos a amar. É um deles é esse aqui.

Infelizmente para o mundo, o Screaming Trees só ficou conhecido mesmo por Nearly Lost You, que figurou na trilha sonora de Singles (aquele filme que usa a cena de Seattle como pano de fundo pra algum enredo que eu esqueci…) e, claro, nesse Sweet Oblivion, que tão diligentemente postamos agora.


Mas não só de quase-perdas são feitos os crássicos, meus amiguinhos! Sweet Oblivion, na verdade, tem pelo menos umas cinco músicas do mais puro suco do grunge/psicodélico que batem em Nearly fácil. Winter Song, Troubled Times, Shadow of the Season, The Secret Kind, Dollar Bill… Pode escolher qualquer uma pro test-drive: letras intrigantes, guitarra suja tipo não-estamos-nem-aí-mas-sabemos-o-que-fazemos, baixo criativo, bateria cavalar; tá tudo ali.

Ah, e tem o Mark Lanegan também. Talvez melhor que ficar caçando adjetivos pra falar do vocal extraordinário do cara seja lançar um vídeo com um dos pontos altos de Sweet, tocado aqui mesmo no Brasil há mais ou menos um mês: Dollar Bill.

video

Eu chorei. Ouve o resto aí.


DOWNLOAD: 86 Mb - 11 faixas

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

:: Marsalis Plays Monk ::


WYNTON MARSALIS
Marsalis Plays Monk

por Arthur Nestrovski


Wynton Marsalis é, por consenso, o maior virtuose do trompete em atividade. Mas sua paixão pela música parece ainda maior do que a paixão pelo instrumento; e neste disco se desdobra em homenagens ao precursor Thelonious Monk (1917-82).

Compositor, intérprete, regente, arranjador, produtor, professor e diretor musical: não há função que Marsalis não tenha dominado, mais cedo ou mais tarde. Geralmente mais cedo: tocava trompete com seis anos e em 1980, com 19, já era membro dos Jazz Messengers de Art Blakey. Em 1984, ganharia de uma vez só dois prêmios Grammy: melhor disco de jazz e melhor de clássico (concertos barrocos, com a New Philharmonia Orchestra). Em 1990, foi nomeado diretor musical do Lincoln Center, onde formou sua própria orquestra.

Autor de peças orquestrais, música para balés e trilhas de filmes, grande divulgador musical em escolas e na televisão, Marsalis assume hoje um papel no jazz semelhante ao que teve Leonard Bernstein na música clássica, ou Pierre Boulez na contemporânea. Talvez não seja, ele mesmo, o centro do mundo; mas está no centro de tudo, e sabe usar essa perspectiva privilegiada a seu favor, e no da música.

Marsalis Plays Monk é o volume 4 da coleção Swinging into the 21st: sete CDs, compondo juntos uma imagem do trompetista em suas várias faces. Aqui ele toca num octeto, em arranjos pensados como reedição das artes de Louis Armstrong, na década de 20. A mistura é inesperada. Armstrong-Monk-Marsalis decerto não soa como a sequência mais natural; mas o resultado soa, sim, naturalmente exato, e inverte, nalguma medida, o vetor da influência.

Nenhum rigor, nenhum virtuosismo, seja individual ou de conjunto - as duas coisas, nesse caso -, poderia fazer páreo ao anarquismo de Monk. Seguidores mais devotados do pianista vão reclamar da beleza controlada desses solos, obviamente ensaiados, e das elegâncias desenhadas de duos, trios e quartetos. Trompete, saxofones e trombone movem-se juntos como bailarinos no palco; e são capazes de provocar o mesmo calafrio de algum gesto complexo descrito ao mesmo tempo por 2 ou 3 ou 4 corpos. Essas vertigens estão muito longe da música original de Monk, um músico de transitoriedades, para quem não existe pensamento musical se não for um pensamento se fazendo.

Traduzida para a bonomia de Marsalis, essa música perde densidade, mas ganha em superfície; e vai se desvelar em outras formas, que são e não são as mesmas do original. Aburguesou-se, nalguma medida; mas também se multiplicou em riquezas e sutilezas, e outras rimas musicais. (...) Marsalis é mais Marsalis nos solos de trompete, em suas recriações de Monk, que ele sempre toca com uma fluência desproporcional à dificuldade que ele mesmo se criou. Ninguém resiste à exibição de semicolcheias em "Four in One", se descarrilhando e recarrilhando para cima e para baixo em alta velocidade, entremeadas de fragmentos de blues. Nesses momentos, o trompete transcende seu próprio senso de ordem, e acende a música de entusiasmo. O prazer físico de tocar serve de imagem e objeto de algum prazer maior, adivinhado. O que ele adivinhou, Monk sabia; e cada um de nós, agora, que tente adivinhar como puder.





DOWNLOAD (160kps, 70 MB):
http://www.mediafire.com/?n2qztnynmej

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

:: Pixies ::


PIXIES
Complete B-Sides


- por Flávio, o Mininão -

Conhecer uma banda a partir de seus trabalhos considerados por ela mesmo como “lado-b” é, no mínimo, pouco usual. Pouco recomendável também, alguns diriam e prontamente argumentariam: a essência de um artista está em sua obra canônica, e só por meio dela se pode entendê-lo. Mentira. Porque enquanto eu capinava um terreno baldio ao som de “Basket Case”, parei tudo e resolvi me atrever. “Complete B-Sides”, a primeira coisa dos Pixies que eu ouvi, é um disco esquisito. E Pixies é uma banda esquisita. Calypso também é uma banda esquisita, coisa que agora realmente não vem ao caso.

A história resumida: Kim, Dave, Joey e Black Francis foram tomar uma cerveja com alguém muito importante da gravadora 4AD – conversaram, discutiram e provavelmente brigaram. O resultante disso saiu, em 2001, na forma de uma compilação com faixas de singles, covers, versões ao vivo, instrumentais e até os vídeos-bônus de “Here Comes Your Man” e “Alison” (não inclusos no download). Tudo muito esquisito, incluindo “Winterlong” de Neil Young. Não chega a ser um cover – é uma versão-pixies, tal o empenho da banda em deixar a canção como se fosse genuinamente deles.

Ao fim da última faixa, “Complete B-Sides” mostrou-se muito com aquele CD-R que a gente monta de forma bem displiscente, pra ouvir de forma displiscente – misturando climas e intercalando estúdio, ao vivo, covers e versões. Capa esquisita, praxe. E um encarte que não decepciona, com comentários de Black Francis sobre cada faixa. Cômico, informativo, esquisito e de primeira qualidade.


DOWNLOAD:
http://www.mediafire.com/?zked2jmv2rz