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terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Hellbenders: potência do rock goiano lança seu primeiro álbum e videoclip

 HELLBENDERS - "Brand New Fear" (2014)

Furacão arrasa quarteirão

O rock’n’roll goiano, a cada novo festival, dá renovadas provas de sua força descomunal. No Vaca Amarela 2013, no redivivo Centro Cultural Martim Cererê (clássico espaço que enfim reabriu suas portas após anos fechado), o Hellbenders deu mais uma estrondosa demonstração de porque Goiânia Rock City é justamente considerada um dos epicentros do rock’n’roll brazuca. Penúltima das 46 bandas que tocaram na 12ª edição do festival produzido pela Fósforo Cultural, o quarteto fez mais um show arrebatador e impressionante diante de um séquito de fãs entusiásticos. O showzaço rendeu até um destaque para a banda na cobertura realizada pela revista Rolling Stone Brasil.


Integrando o cenário de rock “pauleira” e garageiro de Goiânia junto com MQN, Mechanics, Black Drawing Chalks, Overfuzz, Bang Bang Babies, dentre outros, o Hellbenders, apesar da juventude de seus membros, já tem muitos quilômetros rodados no cenário. Tocam com a segurança de uma banda já experiente, ciente de sua potência e feliz por estar entre amigos, respaldada ao redor do palco pelo apoio empolgado dos aliados. A impressão que fica é a de  uma banda muitíssimo bem ensaiada, mas que ao mesmo tempo sabe soltar a mão do volante do carro que desce a ladeira à toda velocidade: sem deixar que a música perca sua fluência e seu impacto, eles sabem deixar que eventualmente o descontrole tome conta e o caos mostre o seu charme. Afinal, rock and roll que não é sujo e perigoso não tem a mínima graça. O efeito é mais impactante do que assistir a um filme-catástrofe hollywoodiano e o Hellbenders, sem grandes efeitos especiais, soa como um autêntico arrasa-quarteirão.

Brand New Fear (2013), primeiro álbum dos caras, foi produzido pelo gabaritado Carlos Eduardo Miranda e gravado no estúdio Rocklab (o mesmo onde nasceram grandes gravações de Black Drawing Chalks, Macaco Bong, Violins etc.). Com influências de Kyuss, Mastodon, Blue Cheer, Grand Funk Railroad,  Queens of the Stone Age e Motörhead, dentre muitas outras, o disco traz 10 petardos fortes, viscerais, explosivos Mal foi lançado e já é um marco para o rock goiano (e brasileiro) neste jovem século 21. E com potencial de ser reconhecido pelos gringos como um marco também no cenário stoner internacional.

No Vaca Amarela 2013, o Hellbenders contou com participação especial. Diogo (vox), Brazs (vox/gtr) e Rodrigo (batera) foram acompanhados por Augusto (vulgo Chita), guitarrista da finada banda Mugo, que chegou para substituir Vitor Noah em alguns shows.

Tocar com o volume no talo e a distorção no máximo já é meio-caminho andado para uma banda de rock sujo-encardido como o Hellbenders. Mas o que realmente faz a diferença neste caso é a sensacional pegada e garra de que estes caras são dotados. 99% dos jogadores de futebol do mundo, principalmente aqueles que sofrem com excesso de estrelismo, poderiam aprender um bocado vendo um show do Hellbenders: vão com tudo ao ataque, suam a camisa até o último segundo e dão a impressão de que sempre jogam pra ganhar de goleada. Não há ninguém no público que volte para casa com a sensação de que os músicos estavam se economizando, poupando energias, guardando cartas na manga. Cada música é tocada com o ímpeto de quem deseja marcar um golaço.

Hellbenders (da esq. pra dir.): Braz Torres (gtr/vox), Diogo Fleury (gtr/vox), Augusto Scartezini (bass) e Rodrigo Andrade (batera).


Quando Hurricane chegou para encerrar o show galopante da banda, o público viu-se envolvido por uma farra selvagem que realmente se assemelha à passagem de um furacão. O Hellbenders, em cima do palco, é um fenômeno da natureza semelhante a uma tempestade repleta de trovões e relâmpagos: são gigantescas quantias de energias em impressionantes descargas elétricas. Outburst. E não seria exagero dizer que o grupo rivaliza em estrondo com o Katrina – e o melhor é que o público em Goiânia Rock City agradece com entusiasmo pelos cabelos que são desgrenhados e pelos tímpanos que serão avassalados pela passagem desse twister de som (o que não se pode dizer da devastada New Orleans, que clama para jamais voltar a ser tão massacrada quanto foi na catástrofe de 2005).

A banda, à vontade no palco tão familiar do Martim Cererê, apresentou-se no Vaca Amarela 2013 deixando na platéia muitos pescoços aos frangalhos, de tanto headbanging, mas também muitos sorrisos de orelha-a-orelha nos rostos dos presentes. E quase todos saíram dali molhados – de suor, de água ou de cerveja. Tanto que não faltaram líquidos jorrando do palco para o público, e do público para o palco, incluindo cataratas etílicas que caíram sobre a cabeça dos músicos como um refrescante presente do “padrinho” Fabrício Nobre. Eis um show, enfim, que funciona como um rito coletivo onde o rock’n'roll age como uma purificadora catarse e uma tempestade de raw power. Pra resumir a ópera, eu diria que a poderosa massa de som que explode dos alto-falantes em um show do Hellbenders nos faz experimentar sensações similares àquelas que sentiram aqueles que estavam presentes ao concerto do MC5 que gerou o clássico álbum Kick Out The Jams. Poucas bandas no Brasil chutam o balde com tanta classe.


sábado, 3 de novembro de 2012

BLACK DRAWING CHALKS, Discografia Completa para Download Gratuito [4 álbuns!]




Já são uns 7 anos de estrada (sempre a 200 km por hora); consagração recorrente em todos os festivais independentes de Goiânia (Noise, Bananada, Vaca Amarela, Tatoo Rock Fest...); turnês pelos  mais variados recantos do Brasil, dentro e fora do Eixo, e shows em festivais-monstro como o Lollapallooza e o SWU. Já são 3 discos de estúdio (Big Deal, Life is a Big Holiday For Us, ambos lançados pela Monstro Discos, e o novíssimo No Dust Stuck On You), sem falar em um ao-vivão gravado na terra do pequi e a pamonha: Live in Goiânia. Todos eles produzidos e gravados com um profissionalismo e uma qualidade de som extremamente apurados, burilados no Rock Lab, "laboratório sônico" onde nasceram também o Artista Igual Pedreiro, do Macaco Bong, e muitos álbuns do Violins. Paralelos à sonzeira, os traços e as cores não cessam de se derramar sobre o papel feito uma bicicleta sem freio descendo a ladeira, sem medo das misturebas impudicas entre tropicalismos, surrealismos e outras frituras.

Eis o mundo do Black Drawing Chalks, uma das grandes bandas de rock and roll desse país, herdeira e seguidora do legado dos pioneiros do rock garageiro goiano: MQN, Mechanics, Hang the Superstars etc. Os Chalks são hoje um dos pilares mais firmes do cenário musical de Goiânia, este que vem construindo alternativas, com força e solidez, pelo menos desde o começo dos anos 90, com um cenário duma efervescência fervilhante. "No Dust Stuck On You" (2012, 15 músicas, R$ 25) aterrisa para assoprar pra longe toda a poeira grudada em nós com altas doses de stoner rock, atmosferas grunge, arroubos punk ("I"ve Got Your Flavour") e até uns espectros de discow ("Disco Ghosts"). Quem curte Hellacopters, Supersuckers, Queens of The Stone Age, The Darkness e coisas do tipo pode mergulhar nos Chalks agora mesmo. O trampo dos músicos, como de praxe, é irrepreensível: Victor (gtr/vox), Edimar (gtr/vox), Denis (bass) e Douglas (batera) tocam um absurdo, com doses igualmente colossais de técnica e entusiasmo, e conseguem fazer com que seus talentos individuais se somem num todo orgânico que é maior do que a soma das partes.

Download (senha: rndecay)
Aquelas guitarrinhas de "Street Rider", por exemplo, são tão infectious que lembram alguns dos mais ganchudos momentos dos Strokes ou do Franz Ferdinand (ambos em começo de carreira). Já uma pedrada como "Simmer Down", já velha conhecida dos fãs, lembra mais um daqueles grunges mais acelerados do Alice in Chains ou do Screaming Trees. Os estilosos video-clipes já lançados também valem uma conferida: já apelidados de "A Bela e a Fera", os 2 novos clipes trazem a deslumbrância de um banho de cachoeira em Piri ("Cut Myself in 2") e um flerte com uma hilária "estética Hermes & Renato" ("The Stalker). Escondido por trás dessas músicas dos Black Drawing Chalks parece circular uma droga poderosa, ainda legalizada, alguma espécie de êxtase sônico com alto potencial aditivo,  meta-anfetamina traficada dentro de inocentes caixas de giz-de-cera preto. Corram e experimentem o quanto antes: amanhã pode ser proibido...






:::[ BLACK DRAWING CHALKS ]:::
DISCOGRAFIA COMPLETA

“BIG DEAL” (2007): 
DOWNLOAD »  http://migre.me/b1sd6


“LIFE IS A BIG HOLIDAY FOR US” (2010):
DOWNLOAD » http://migre.me/b1sfa


“NO DUST STUCK ON YOU” (2012): 
DOWNLOAD »; http://migre.me/b1sjb

[+] LIVE IN GOIÂNIA ( (senha: rndecay)

domingo, 5 de dezembro de 2010

<<< 10 de 2010: nossas bolachas prediletas do ano >>>


#09

BLACK MOUNTAIN
"Wilderness Heart"


"In their heart of hearts, Black Mountain are really just peaceful hippies, but ones who aren't afraid to deploy heavy artillery to assert and protect their way of living" - PITCHFORK


"The children are havin' their fun with the blues". Este verso de "The Hair Song", um dos mais empolgantes singles já lançados pelo Black Mountain, serve como um bom cartão de visitas para o som dessas lisérgicas "crianças" canadenses. Mas o blues surge aqui não em seu estado primordial, como era nos tempos em que faziam-se pactos com Satanás na encruzilhada e Robert Johnson só tinha um violãozinho puído para acompanhar seus queixumes.  

O blues, em sua versão-Black Mountain, é algo como um navegante inter-estelar que pousa em 2010 depois de ter atravessado a psicodelia hippie dos 60, o metal-de-raiz dos 70,  o grunge dos 90 e o stoner-de-garagem dos últimos anos. Matematizando a coisa, eu arriscaria dizer que a banda é o resultado da soma Led Zeppelin + Soundgarden, Howlin' Wolf + Queens of the Stone Age, Black Sabbath + Black Rebel Motorcycle Club, Jimi Hendrix + Neil Young...

(Sim, sim: escolhi o jornalismo por ser mó prego em aritmética...)


Wilderness Heart, terceiro álbum da banda de Vancouver, é tão aventureiro, eclético e chapado quanto seus dois precedentes, In The Future (2008) e Black Mountain (2005), mas tem a vantagem de ser mais sintético (nada daquelas jams viajadas de 17 minutos, só curtíveis por quem tomou as drogas propícias para embarcar na onda dos caras...).
O que se destaca de imediato, além dos galopantes riffões à la Page e Iommi que recheiam boa parte das canções (com destaque para a fodástica "Roller Coaster"), é a transa certeira entre os vocais de Stephen McBean (genes-XY) e Amber Webber (XX). A beleza das melodias vocais e o modo como elas se fundem com perfeição na densa massa sonora da banda é acachapante, mesmo para um ouvinte sóbrio. E é difícil não sentir um delicioso arrepio na espinha, por exemplo, quando a linda voz de Amber canta: "I will cradle you beneath my wings / As you tremble in my warmth / I will cradle you beneath my wings / And teach you all my scorn".

Mas "blues" refere-se não só a um estilo musical, mas também a um estado de espírito --- e é este blues da melancolia e do desconsolo que impregna as baladonas soturnas que o Black Mountain nos entrega aqui: "Buried By The Blues" (o nome diz tudo...), "Sadie" (quase um lullaby) e "The Space of Your Mind" (uma espécie de tributo a David Bowie em sua fase "espacial"). Nestas faixas, a banda uiva na madrugada como nas melhores faixas do Howl, do Black Rebel Motorcycle Club, e demonstra que é tão poderosa acústica quanto elétrica. 

Agora resta torcer para que eles retornem em breve ao Brasil: quando vieram em 2008, como uma das atrações internacionais do Goiânia Noise (que naquele ano trouxe também Helmet, Vaselines e Black Lips), não tive a chance de conferi-los ao vivo.  E eis uma banda cujos álbuns me deixam afinzaço de testemunhá-los de perto gerando este chapante roller coaster de peso, blueseira, psicodelia e lirismo.



<<< d >>>

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

<<< Get Stoned! >>>


NEBULOSOS GROOVES


"They’ll stone ya when you’re at the breakfast table
They’ll stone ya when you are young and able
They’ll stone ya when you’re tryin’ to make a buck
They’ll stone ya and then they’ll say, “good luck”
Tell ya what, I would not feel so all alone
Everybody must get stoned."

  BOB DYLAN
, "Rainy Day Women #12 e #35         


Sigam o conselho do sábio poeta: "everybody must get stoned!". Calma que não é masoquismo: ninguém está sugerindo que ser apedrejado seja mó balada. Eu suspeito que Dylan se refira mais ao consumo de substâncias de expansão da consciência, daquelas conducentes a intensos júbilos psicodélicos; não está convidando a molecada a brincar com pedra. "Get high!" E é neste "estado" de embriaguez, que lá fora conhece-se como stoned, que o ouvinte esperto adentrará os portais desta belíssima obra-de-arte chamada Blonde on Blonde...

Lembrei desta dylanesca conclamação ("get stoned!") pois hoje só tô aqui para fazer um convite bem parecido. Embarquem todos (bangers, garageiros, grunjões, motoqueiros e outros malucos...) na nebulosa sônica do Stoner! Ponto do universo onde a matéria é densa (e os graves, cabulosos). Campos gravitacionais impressionantes. Cores intensas. Sóis nascendo e morrendo num piscar de olhos. Não há buraco negro que aguente sugar tanto barulho: eles arregam. E como o bagulho brilha e pesa!

Muito tempo atrás, fiz aqui no Depredas um especial Stoner, com um texto massa do Marcos Bragatto arranjado numa velha Rock Press da minha mítica gaveta. Lá conta-se um pouco da história do gênero e analisam-se alguns álbuns clássicos dos seminais Kyuss, Soundgarden, Nebula e Spiritual Beggars. O fato é que faço questão de fazer um atrasadérrimo post II sobre o "tema", já que nesses últimos tempos tenho voltado a me expor a "apedrejamentos" de prima, alguns dos quais são digníssimos de compartilhamento. ("Ter navio pirata e não silgrar os mares trocando riquezas não tem sentido."; in: Manual do Bom Pirata Cibernético, editora Depredas, página 5, artigo segundo). 

Aí vão, pois, um punhado de bons discos stoner, que largo aí na base da "pirataria gratuita". E querendo boas sugestões de outras bolachas que vocês tiverem aí pra compartilhar conosco!

Mas...

"Whaddahell?", pergunta-se o desavisado perante este post, sem saber que perebas é "stoner rock". Tentarei dar uma rápida luz, mas ainda hoje sofro para definir a "stoneidade" para os leigos que ainda não tiveram a felicidade de estragar seus tímpanos nestas lamas. Me arrisco: é como o Cream anfetaminado ou um Led Zeppelin ainda mais denso e pesado; ou o filho bastardo que o metal teve com o grunge; ou talvez o resultado duma metaleirada que desceu pra garagem depois de ouvir os álbuns do Stooges; ou talvez duns punks querendo mostrar pros cabeludos como é que se faz heavy metal de verdade depois de terem enchido o saco dos discos do Dio...

Desisto.

Pegue a vontade, stoneie-se como for possível, e faz o favor de alçar o volume até, no mínimo, o nível suficiente para acarretar a enxaqueca do vizinho.

Cheers!


UNIDA - Coping With The Urban Coyote (1999)
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MONSTER MAGNET - Spine of God (1999)
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ETERNAL ELYSIUM - Spiritualized D (2000)
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ATOMIC BITCHWAX - I (1999)
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CLUTCH - Blast Tyrant (2004)
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NEBULA - Apollo (2006)
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ATOMIC BISHWAX - II
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NEBULA - Atomic Ritual (2003)
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COLOUR HAZE - Los Sounds de Krauts
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