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And Other Difficult Dialogues

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Do blog One Album A Day Keep Death At Bay: "Probably one of the most memorable modern hip-hop samples, Ann Peebles I Can’t Stand the Rain (1974) is a triumph of the high-funk period. Riding the wave of 2nd-wave feminist soul inclinations, Peebles engendered the album with a beautiful fury, capturing the moment like lightning in a bottle. Hot off the heels of such monumental black-American achievements as Wattstax and the emerging West coast funk movement, I Can’t Stand the Rain, with its eponymous title track made Peebles more than synonymous with a certain style and focus that was undeniable groovy, deliciously sexy, and unaccountably timely. “I’m Gonna Tear Your Playhouse Down” is a perfect example of Peebles smooth and sultry delivery, belying a much more pressing and smart agenda. Everything is here: dynamic production, great melodies, and even better vocals courtesy of Peebles. Truly a classic." E na sequência segue uma caixinha de 3 CDs que é excelente introdução ao trabalho da cantora. Boa audição!
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A REVOLUÇÃO NÃO VAI SER TELEVISIONADA
- por Eduardo Carli -
"Gil Scott-Heron, O artista afro-americano, é simplesmente uma das figuras mais cativantes e importantes do pop mundial. Se você não conhece Gil Scott-Heron, ou até conhece mas nunca ouviu isto posto com tanta convicção, não se acanhe. Nem você nem este escriba estarão errados. O fato é que o exuberante talento do cantor, compositor, poeta, pianista, ficcionista veio embalado em um contexto histórico e político convulsionado e nunca completamente, digamos, 'dichavado'. Foi a passagem dos anos 60 para os 70, com a radicalização exponencial dos grupos negros, dos estudantes, dos ativistas antiguerra do Vietnã, das feministas..." ALEX ANTUNES, prefácio de Abutre.
ra o fim dos anos 1960 e o Black Power não era somente um penteado afro classudo, mas todo um efervescente movimento social. Impulsionados pelo exemplo de Malcolm X e Martin Luther King, os negros americanos "se organizavam para desorganizar". Em protesto contra a segregação racial, o preconceito, o fascismo, o imperialismo, Nixon, a Guerra do Vietnã e outras pragas sociais, inventavam um novo som e uma nova poesia adequadas aos combates dos tempos.
Se a obra deste negobão é tão desconhecida entre nós, isto se deve um pouco à estupidez da "Indústria Cultural", que não se dava muito bem com o radicalismo ideológico e a riqueza sônica da arte de Scott-Heron. No meio dos anos 70, a black music de conteúdo político-crítico-lúdico-provocativo (que tinha ainda seus paladinos no Funkadelic e no Sly & The Family Stone) viu-se lançada nas sombras pela explosão da discow. "Gil viu sua carreira ser progressivamente eclipsada com a aproximação e a passagem dos anos 80, época em que a caretice yuppie grassou e desgraçou a cultura pop", escreve o Alex Antunes.
Gil Scott-Heron, apesar do ostracismo em que caiu por grande parte dos anos 90 e 00, principalmente por ter sido enjaulado pelos tiras duas vezes por posse de "substâncias controladas", continua ativo e operante: acaba de lançar, neste 2010, o álbum "I'm New Here". Suas palavras e discos ecoam dos anos 70 até hoje e "Gil sobreviveu nos samples - de Professor Griff, PM Dawn, Warren G, Chubb Rock, A Tribe Called Quest, KRS-One - para vir, finalmente, a ser entronizado como um dos pais do rap, apenas um passo atrás do coletivo nova-iorquino dos Last Poets", diz o Antunes.
Pra quem curte literatura, vale frisar ainda que Gil Scott-Heron, poeta de mão cheia, escreveu ainda dois romances: The Nigger Factory e The Vulture. Este último, conhecido por cá como Abutre, saiu no Brasil via Conrad e vale cada centavo. Narra a via-crúcis de um traficante de drogas de New York que tréta com os porto-riquenhos e vê sua vida sempre ameaçada pelos becos escuros do Harlem, Chelsea e redondezas. Lê-se com o prazer que se tem vendo um bom filme de Spike Lee ou um clássico da blaxpoitation (tendência que Tarantino "homenageou" em Jackie Brown).
1970 - Small Talk At 125th And Lenox
1971 - Pieces of a Man
1974 - The Revolution Will Not Be Televised
1974 - Winter in America
1975 - First Minute of The New Day
1976 - It's Your World
1977 - Bridges
1978 - Secrets
1981 - Reflections
1982 - Moving Target
2010 - I'm New Here
Há alguns anos atrás eu preferiria comer buchada de bode com fanta uva quente a ouvir hip-hop e companheiros do gênero. Digo, chegar perto de música do tipo. Tá, era birra mesmo.
Daí, como essa vida é bem irônica, fui aprendendo algumas lições que me fizeram enxergar claramente o que minha avó já dizia: não cospe pra cima, menina. Um belo e grande catarro verde caiu na minha testa.
Primeiro foi o esforço hercúleo de parar de maldizer um tal produtorzinho aí e reconhecer o poder bombástico da assinatura "Timbaland" no pop atual. Depois, foi admitir a inteligência do Kayne West. Depois foi cair de quatro pelo cd da Estelle e seu American Boy e perceber que hip-hop, misturado com outras coisas, fica lindo e faz a gente querer dançar a noite inteira. É que nem bacon. Dá um sabor especial a qualquer coisa, mas é foda de se comer puro.
Há alguns meses conheci P-Money - o melhor DJ da Nova Zelândia e quiçá um dos grandes fazedores de tunts-tunts do mundo. Vamos dizer que ele é um Timbaland kiwi, já que é também o produtor mais requisitado do Pacífico e domina o trabalho dos grandes nomes do R&B, rap e hip-hop dessas bandas aqui.
Quando "Everything" - o hit-bomba, começou a tocar pela primeira vez no rádio do meu carro eu logo já pensei: "Nossa senhora, música nova do Jamiroquai!". Não. Era P-Money começando a mostrar pra quê veio ao mundo.
A música - que na verdade é cantada pelo rapper também kiwi Vince Harder - é cativante, não só pelo beat "ui que diliça", mas pela qualidade da produção. Ahá, esse P-Money é mesmo de altíssima catiguria!
Pronto. A música bomba na balada e já ganhou militrezentas versões, inclusive na UK e Europa afora.
Não demorou muito, conheci as bandas e os artistas produzidos pelo rapaz. Scribe, David Dallas, PNC, o próprio Vince Harder e uma caralhada de gente boa da NZ. Claro que não dá pra dizer que é tudo uma maravilha e sair por aí com um cifrão de ouro pendurado no pescoço, mas olha, me surpreendi com o potencial do garoto.
Pelo visto o DJ tem tudo pra ser a próxima novidade e me dá agonia lembrar que perdi a discotecagem dele em Hamilton semana passada por causa de uma chuva ridícula.
O que mais chama atenção no trampo do cara é a cabeça aberta e um puta talento pra pegar a veia comercial da coisa, o que pode parecer coisa ruim, mas não é. Ele sabe misturar diferentes estilos em uma batida só, pegar melodias simples e colocar um grande arranjo no fundo.
Consegue botar todo mundo pra dançar sem machucar os ouvidos dos mais sensíveis.
Engraçado é que o moço não tem site, somente um blog, onde ele também disponibiliza alguns samplers pra outros DJ's se esbaldarem. Mas é só isso. Não tem mp3 grátis na internet, não tem assessoria de imprensa, não tem frescura. P-Money é uma humildade só. Tentei achar os cds dele "Big Things" e "Magic City" pra disponibilizar aqui, mas advinhem? Só comprando mesmo, o que, no fim das contas, é muito válido e justo.
"Everything" é uma das músicas mais deliciosas e grudentas que já ouvi nos últimos anos e eu aposto que logo logo já vai ter show dele agendado no Brasil.
Alguém duvida?
Everything (P-Money and Vince Harder)
Say it Again (Scribe and Tyra Hammond produced by P-Money)
http://pmoneymusic.blogspot.com
http://www.myspace.com/pmoneymusic
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