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quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

O melhor de Ann Peebles (BOX com 3 CDs)

Do blog One Album A Day Keep Death At Bay: "Probably one of the most memorable modern hip-hop samples, Ann Peebles I Can’t Stand the Rain (1974) is a triumph of the high-funk period. Riding the wave of 2nd-wave feminist soul inclinations, Peebles engendered the album with a beautiful fury, capturing the moment like lightning in a bottle. Hot off the heels of such monumental black-American achievements as Wattstax and the emerging West coast funk movement, I Can’t Stand the Rain, with its eponymous title track made Peebles more than synonymous with a certain style and focus that was undeniable groovy, deliciously sexy, and unaccountably timely. “I’m Gonna Tear Your Playhouse Down” is a perfect example of Peebles smooth and sultry delivery, belying a much more pressing and smart agenda. Everything is here: dynamic production, great melodies, and even better vocals courtesy of Peebles. Truly a classic." E na sequência segue uma caixinha de 3 CDs que é excelente introdução ao trabalho da cantora. Boa audição!

Disco 01 [download]
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sábado, 27 de março de 2010

:: Gil Scott-Heron ::


A REVOLUÇÃO NÃO VAI SER TELEVISIONADA
- por Eduardo Carli -

"Gil Scott-Heron, O artista afro-americano, é simplesmente uma das figuras mais cativantes e importantes do pop mundial. Se você não conhece Gil Scott-Heron, ou até conhece mas nunca ouviu isto posto com tanta convicção, não se acanhe. Nem você nem este escriba estarão errados.
O fato é que o exuberante talento do cantor, compositor, poeta, pianista, ficcionista veio embalado em um contexto histórico e político convulsionado e nunca completamente, digamos, 'dichavado'. Foi a passagem dos anos 60 para os 70, com a radicalização exponencial dos grupos negros, dos estudantes, dos ativistas antiguerra do Vietnã, das feministas..." ALEX ANTUNES, prefácio de Abutre.

A revolução não vai passar na televisão. Nem virá com intervalos comerciais e replays. A revolução, irmão, vai ser ao vivo.

Com estas palavras, declamadas no maior pique, Gil Scott-Heron marcou época com o hino de protesto setentista "The Revolution Will Not Be Televised", perfeita síntese de sua carreira e que demonstra bem sua importância histórica. Ele foi um MC antes de existir o rap; foi Malcolm X cantando um soul; foi o poeta da Revolução Negra no pós-Woodstock; e foi a encarnação do espírito Hip Hop, antes deste existir.

Gil é do Tennessee, terra do blues. Seu leitinho na mamadeira, aposto, foi turbinado com litros de B. B. King, John Lee Hooker, Lightnin' Hopkins e bourbon. Já crescido, mudou-se para New York. Mas não aquela dos cartões-postais ou dos filmes de Woody Allen. Aquela dos guetos e becos flagrados pela lente de Spike Lee, onde porto-riquenhos, dealers, cafetões, putas, tiras corruptos e brancos cuzões se bicam num cenário urbano caótico e tenso.

Era o fim dos anos 1960 e o Black Power não era somente um penteado afro classudo, mas todo um efervescente movimento social. Impulsionados pelo exemplo de Malcolm X e Martin Luther King, os negros americanos "se organizavam para desorganizar". Em protesto contra a segregação racial, o preconceito, o fascismo, o imperialismo, Nixon, a Guerra do Vietnã e outras pragas sociais, inventavam um novo som e uma nova poesia adequadas aos combates dos tempos.

Pouco tempo antes de Scott-Heron "decolar" com o lançamento de seus primeiros álbuns --- o spoken word "Small Talk at 125th and Lennox" e o soul-funk "Pieces of a Man" --- Jimi Hendrix havia blasfemado lindamente contra o Hino Nacional Americano em frente a 500 mil almas embasbacadas em Woodstock. Enfiando distorsão e discórdia no discurso oficial. Pintando de negro, ou afundando na psicodelia, a "Star Spangled Banner".

Gil Scott-Heron, junto com seu truta Brian Jackson, gravaram um punhado de discos brilhantes anos 70 e 80 afora. Ao mesmo tempo louvando seus heróis culturais do passado (John Coltrane, Aretha Franklin, Isaac Hayes, Billie Holliday, Al Green...) e com pés fincados nas problemáticas sócio-políticas da era (em que a "canção de protesto" tinha voltado aos holofotes pelos esforços de Bob Dylan nos anos 60 e a Geração Folk que seguiu seus passos), fizeram pérolas das mais preciosas daquilo que hoje chamamos black music.

Se a obra deste negobão é tão desconhecida entre nós, isto se deve um pouco à estupidez da "Indústria Cultural", que não se dava muito bem com o radicalismo ideológico e a riqueza sônica da arte de Scott-Heron. No meio dos anos 70, a black music de conteúdo político-crítico-lúdico-provocativo (que tinha ainda seus paladinos no Funkadelic e no Sly & The Family Stone) viu-se lançada nas sombras pela explosão da discow. "Gil viu sua carreira ser progressivamente eclipsada com a aproximação e a passagem dos anos 80, época em que a caretice yuppie grassou e desgraçou a cultura pop", escreve o Alex Antunes.

Como o próprio Gil Scott-Heron diz, a galerinha da discow perdeu completamente a noção de que havia uma distinção entre a ferramenta e o objetivo --- "the tool and the goal", como ele diz. A "black music", cooptada pelas grandes gravadoras, cessou de ser uma tool nas mãos de artistas-ativistas lutando pelo goal da transformação social e comportamental, para se tornar hedonismo vazio e consumista. A balada foi sendo despolitizada e foi virando cada vez mais uma curtição frívola e sem consequências, quase um mecanismo de fuga. Demoraria alguns anos até que o Punk nascesse para chutar o rabo da Geração Discotèque e trazer de volta o inconformismo e a rebelião para o centro do quadro...

Gil Scott-Heron, apesar do ostracismo em que caiu por grande parte dos anos 90 e 00, principalmente por ter sido enjaulado pelos tiras duas vezes por posse de "substâncias controladas", continua ativo e operante: acaba de lançar, neste 2010, o álbum "I'm New Here". Suas palavras e discos ecoam dos anos 70 até hoje e "Gil sobreviveu nos samples - de Professor Griff, PM Dawn, Warren G, Chubb Rock, A Tribe Called Quest, KRS-One - para vir, finalmente, a ser entronizado como um dos pais do rap, apenas um passo atrás do coletivo nova-iorquino dos Last Poets", diz o Antunes.

Pois é: não é à toa que Gil Scott-Heron é reconhecido por grandes figuras do Movimento Hip Hop mundial -- como Chuck D ou Mos Def -- como um dos Pais da Matéria, "The Godfather of Rap". Sem ele, talvez não tivessem surgido o Public Enemy e o Outkast, a Lauryn Hill e o Ben Harper, o Rappa e o Planet Hemp. Sem falar que Gil, sendo um maconheirão prá-lá-de-gente-fina, continua sendo uma referência para todos os que curtem os efeitos de expansão da consciência, do senso-de-humor e da percepção estética gerados pela sagrada cannabis...

Pra quem curte literatura, vale frisar ainda que Gil Scott-Heron, poeta de mão cheia, escreveu ainda dois romances: The Nigger Factory e The Vulture. Este último, conhecido por cá como Abutre, saiu no Brasil via Conrad e vale cada centavo. Narra a via-crúcis de um traficante de drogas de New York que tréta com os porto-riquenhos e vê sua vida sempre ameaçada pelos becos escuros do Harlem, Chelsea e redondezas. Lê-se com o prazer que se tem vendo um bom filme de Spike Lee ou um clássico da blaxpoitation (tendência que Tarantino "homenageou" em Jackie Brown).

Devorem abaixo, pois, um bocado de discos deste grande Mestre do rhythm and poetry (R.A.P.!), Gil Scott-Heron, o Abutre!


1970 - Small Talk At 125th And Lenox
http://www.mediafire.com/?najjyyj4jlw



1971 - Pieces of a Man
http://www.mediafire.com/?kdmyzktetyd



1974 - The Revolution Will Not Be Televised
http://www.mediafire.com/?uwiwntuv4yn



1974 - Winter in America
http://www.mediafire.com/?dwjqmnzoc3e


1975 - First Minute of The New Day
http://www.mediafire.com/?zi1jdnmchre



1975 - From South Africa to South Carolina



1980 - 1980


quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

:: Dom Salvador e A Abolição ::

Funkjazzpsicodeliabossassambasoulforró
- Bernardo Santana -

Sério, se eu lesse um título desses em uma resenha um dia, nunca que ia chegar perto nem da primeira faixa da bolacha. Se tem uma coisa que o excesso matou nos últimos 15, 20 anos foi a fusão de estilos como uma característica de banda que chame a minha atenção. Na verdade virou algo como um adjetivo bem do malandro pros departamentos de marketing espertinhos. Em resumo — Chico Sciences e outras exceções fora — o lance hoje praticamente se alimenta de si mesmo, na maioria das vezes sem entregar o que é primário: música original (interessante ou divertida).

Já dita a desgraça, o lance é ouvir esse Som, Sangue e Raça, lançado em 1971 pelo pianista Dom Salvador e o grupo de músicos negros chamado A Abolição, e voltar a ter fé na tal mistura de ritmos. Como pode ter dado para perceber, A Abolição era bem influenciada pelo movimento dos direitos civis, que naquele tempo dava uma canseira no status quo do mundo. Mas, apesar disso, a influência parava por aí mesmo: nenhuma das três faixas cantadas do disco quase todo instrumental pega muito pesado na questão da segregação racial. E mesmo assim faz o serviço melhor que muita cota em universidade pública por aí…

Um dos pais do que se resolveu chamar de Brazilian Jazz, Dom Salvador já era uma figura respeitada no cenário da música nacional e internacional no começo dos anos 1960. Vindo do interior de São Paulo, em dez anos o músico tocou com precursores hoje clássicos da black music nacional, como Copa Trio e o Rio 65 Trio. Quando fundou A Abolição, Salvador colocou em prática seu plano-mestre (que ele na verdade chama de “coincidência”) e criou a obra-prima do tal Funkjazz blá blá blá do começo deste post.

Nas 12 faixas do disco, A Abolição lançou o embrião do movimento Black Rio, completando a técnica jazzística de Dom Salvador com suingues — rá! adoro essa palavra — emprestados do soul (Uma Vida, Hey Você), da bossa (O Rio, Samba do Malandrinho), do funk (Guanabara, Tio Macro) e até do forró (Folia de Reis). E o melhor, sem você nem perceber que está ouvindo tudo isso. Em vez de fazer como algumas bandas/músicos atuais e tulhar o cavaquinho (ou coloque aqui o instrumento típico brasileiro da sua escolha) lá na frente pra mostrar a malemolência brasileira, em Som, Sangue e Raça está tudo ali no lugar certo, fazendo seu papel com sossego…

É um disco que chega a ser até mesmo enciclopédico em sua excelência na hora de mostrar o que é o tal do supracitado Brazilian Jazz, e que conquistou admiradores tanto aqui quanto no exterior. Não à toa, Dom Salvador se mudou para Nova York dois anos depois do lançamento e lá reside até hoje, naturalizado e tocando em bares de jazz pelo país natal do ritmo. Ele às vezes ainda volta ao Brasil, faz alguns shows esporádicos e já falou até em montar uma nova versão d’A Abolição. A gente espera chacoalhando os fundilhos com o groove!

DOWNLOAD: 60 Mb - 12 faixas

quinta-feira, 26 de junho de 2008

:: Jurassic 5 ::


:: JURASSIC 5Quality Control (2000) ::
- Fina flor do hip-hop estréia em disco cheio -

(por ALEXANDRE MATIAS, numa velha Showbizz)


Qual foi o último álbum de rap que lhe deu boas-vindas? Pois Quality Control, novo trabalho do Jurassic 5 (seu primeiro LP completo), começa prometendo mostrar ao ouvinte “diferentes maneiras de se sentir bem”. Recepção recomendada – se você é um dos poucos felizardos que botaram os ouvidos no EP de estréia da banda, em 1998, deve ter uma noção do tipo de prazer auditivo que lhe espera. Vindo da cidade que deu ao mundo o câncer chamado gangsta rap (Los Angeles), o J5 usa “velhas táticas para fazer acontecer” (como cantam no funk manhoso de “W.O.E. Is Me”) e buscam nos princípios básicos do hip-hop motivos para existir. Como a segunda vinda de um tão esperado messias do gênero, os quatro Mcs do grupo – cheios de suingue e presença – catam os mandamentos da rua, citando os “quatro elementos” (o DJ, o MC, o breaker e o grafiteiro) com rimas sossegadas, o que acende instantaneamente o sensor De La Soul. Mas a dupla Nu Mark e Cut Chemist (este, o melhor DJ de hip-hop do mundo) busca possibilidades inesperadas, fundindo tudo o que faça som com lógica e groove e fazendo o Jurassic 5 subir os degraus que o colocam como o melhor grupo de rap do ano 2000. Há mais de uma década o gênero não produzia iguaria tão fina. - NOTA: 10.

DOWNLOAD (mp3 de 192kps - 79mb):
http://www.mediafire.com/?cmy4nppgzmx