domingo, 27 de setembro de 2009

:: Hitsville USA - especial MOTOWN ::


:: MOTOR DA ALMA ::

- O "som da América Jovem" do início dos anos 60 era pop com refrões ganchudos, rebeldia zero e disciplina militar. Assim, a Motown levou a música negra ao topo das paradas -

por Sérgio Martins
(*)


Alfred Hitchcock costumava dizer que atores deveriam ser tratados como gado. Na visão do cineasta inglês, valia a pena fazer o elenco de gato e sapato, desde que esse exercício de tortura rendesse um grande filme. Berry Gordy Jr., criador e presidente da Motown, nunca deu pistas de que o mestre do suspense fosse seu diretor predileto, mas soube como poucos aproveitar sua filosofia de trabalho. Gordy fundou uma companhia de discos com regras rígidas para que o "gado" (ou mehor, seus artistas) produzisse muito em troca de tostões. Se Hitchcock criou um estilo próprio de direção, Gordy inventou - ou melhor, se apropriou - do que se convencionou chamar de "Motown Sound".

Desenvolvido por músicos tarimbados nos diminutos estúdios da companhia, o som da Motown tinha características únicas. A bateria e o baixo flanavam acima dos outros instrumentos e qualquer resquício de rhythm'n'blues era varrido para baixo do tapete. Gordy, ambicioso como ele só, queria que os discos de sua gravadora fossem comprados também pelo público branco americano. O refrão tinha de ser ganchudo - e, nessa hora, o volume do baixo e o da bateria caíam assustadoramente. A intenção era fixar a frase no cérebro do ouvinte. Tudo isso executado em no máximo 3 minutos, com letras que tratavam de temas banais, como paixonites e namoricos.

Gordy acreditava que letras do gênero "contra tudo que está aí", como a dos cantores de protesto, deixariam a canção datada. E "Please Mr. Postman" foi a primeira cria de Gordy a alcançar o sucesso planejado. Gravada pelo trio vocal The Marvelettes, a canção entrou no 1º lugar no hit parade dos EUA em dezembro de 1961 - a música repetiria o feito dois anos depois, com os Beatles, e, em 1975, ao ser coverizada pelo duo vocal Carpenters. Com seus 2 minuots e 29 segundos, a faixa mostrou como Berry Gordy Jr. iria ditar as regras da música pop dos Estados Unidos nas duas décadas seguintes.



GORDY, O ERRANTE

Dois anos antes do grande feito das Marvelettes, Berry Gordy Jr era o que se poderia chamar de caso perdido. Nascido em uma família de classe média baixa que se mudou para Detroit a fim de prosperar com a indústria automobilística da região, Gordy desde cedo mostrou que os estudos não eram sua prioridade. Preferia ganhar dinheiro em jogos de azar, que era gasto generosamente nas casas de tolerância da região. Gordy também era pouco afeito ao trabalho. Reza a lenda que ele foi funcionário da Ford - sim, por um dia o futuro dínamo da indústria de discos suou o macacão na fábrica de automóveis. Mas logo percebeu que não era talhado para o cargo. Entre trabalhar como boxeador e a música, acabou abrindo uma loja de discos de jazz. Faliu em poucos meses. Tentou a carreira de compositor. Ele criou hits para o cantor de rhythm'n'blues Jackie Wilson e para a diva Etta James. Faturou alguns cobres, devidamente torrados com prostitutas e outras garotas.

Não à toa, quando armou uma reunião em família para pedir um empréstimo de 800 dólares para montar seu "próprio negócio", Berry Gordy Jr. foi tratado com a mesma desconfiança dispensada a um dirigente do futebol brasileiro. Seus pais e familiares acreditavam que o investimento iria para o ralo. No entanto, Gwen e Anna, duas das irmãs do encrenqueiro, insistiram para que a quantia fosse emprestada. Como garantia, se propuseram a trabalhar ao lado dele para que o irmão mais novo não tentasse nenhuma gracinha.

Os primeiros artistas a bater às portas de Gordy foram os Miracles. Para sermos mais precisos, eles se chamavam The Matadors e um ano antes do pedido de empréstimo apareceram na editora musical onde Gordy trabalhara. Os proprietários da editora mandaram os rapazes passear. Gordy, a princípio, ficou atento ao corpo ajeitadinho da vocalista Claudette. Depois descobriu que ela namorava o matador-líder - um rapazote de 17 anos chamado William Robinson. E mais, detectou talento no rapaz. Os colegas de William o chamavam de Smokey (algo como "enfumaçado") por causa da pele clara e dos olhos verdes.

Robinson vinha de uma vizinhança que era considerada a "Beverly Hills dos bairros barra-pesada de Detroit". Sua vida pessoal era atribulada. O pai largou a família quando ele tinha 3 anos e sua mãe morreu de câncer no cérebro. Ao conhecer Gordy, muito mais do que um empresário e amigo, Smokey ganhou uma figura paterna. Gordy o encorajou a escrever, deu pitados em suas letras e não só contratou os Miracles como colocou seu líder no posto de diretor artístico da nova gravadora. A contratação de Smokey Robinson foi a primeira prova do fato de Berry Gordy Jr para descobrir talentos. Smokey tinha um registro vocal raro (sua inflexão de tenor raramente conseguiu ser copiada) e criava letras maravilhosas sobre temas banais. Uma simples história de um rapaz que amava a garota que o desprezava virava ouro graças às letras e à voz afinada de Smokey.


Gordy batizou a empresa de Tamla Motown. Tamla era uma corruptela de "Tammy", sucesso da cantora e atriz Debbie Reynolds. Motown veio de "Motor Town" (Cidade dos Motores), apelido de Detroit. Gordy comprou um sobrado no número 2648 da West Grand Boulevard, em Detroit, e chamou o lar de Hitsville U.S.A. Acredite ou não, a comunidade artística da cidade apareceu em peso para oferecer seus préstimos. David Ruffin, mais tarde vocalista principal dos Temptations, pintou as paredes do estúdio da sede. O cantor Barrett Strong e o trio de compositores Eddie Holland, Lamont Dozier e Brian Holland também rodeavam a área.

"Money (That's What I Want)" foi a primeira música composta, tocada e produzida na Hitsville USA. A abanda da casa foi recrutada nos clubes de jazz de Detroit (o grupo seria batizado mais tarde de Funk Brothers). (...) As sessões de gravação do hit duraram dias, o que fez Gordy se perguntar se estava no caminho certo. Na verdade, foi tudo um capricho do destino. A canção entrou na 2ª posição da parada de r&b e pavimentou os caminhos da Motown.


CONTO DE FADAS

Às vezes, tem-se a impressão de que a história da Motown foi um conto de fadas, em que artistas de talento indiscutível batiam às portas de Hitsville U.S.A. e imploravam por uma chance. Porém, o que mais um garoto negro de Detroit poderia fazer senão arriscar um emprego numa gravadora de rhythm'n'blues? Foi assim que dois grupos vocais, The Primes e The Distants, uniram-se e montaram os Temptations. (...) Gordy contratou o grupo e o deixou sob os cuidados de Smokey Robinson. (...) Depois de três anos sem sucesso, em 1964 obinson criou "The Way You Do The Things You Do" - canção que entrou no primeiro lugar da parada r&b. No ano seguinte, foi a vez de "My Girl", que alcançou a primeira colocação na parada americana em 6 de março de 1965. A parceria iria render outras 36 canções entre as dez mais. Já os Four Tops foram empurrados para o outro trio de compositores - Holland, Dozier, Holland.


As Primettes eram quatro meninas, fãs dos Primes, que também sonhavam com uma carreira artística. Diana Ross, Mary Wilson e Florence Ballard caíram nas graças de Gordy (em especial Diana, que virou amante do chefão). Entretando a aoposta de Gordy demorou a deslanchar. O trio passou 4 anos amargando piadas infames de seus companheiros de companhia - eles as chamavam de "No-Hit Supremes" porque eram incapazes de frequentar as paradas. Reza a lenda que o presidente da Motown trancou o trio de autores - Holland, Dozier, Holland - numa sala e o obrigou a criar uma canção de sucesso para suas prediletas. O resultado teria sido quatro músicas no 1º lugar da parada - "Where Dir Your Love Go?", "Baby Love", "Come See About Me" e "Stop! In The Name of Love". Além de tirar a uruca que pairava sobre o trio, o êxito coroou Diana Ross como rainha da companhia. Gordy ordenou que ela cantasse todas as vozes principais das Supremes. A Wilson e Ballad cabia apenas a função de responder "baby, baby" ou "oohh, oooh".

CAÇA-TALENTOS

Mary Wells e Martha Reeves eram duas garotas que imploravam para ser ouvidas pelos executivos da companhia. Pedido atendido: ambas viraram estrelas. No Natal de 1960, Gwen Gordy obrigou Berry a contratar um rapaz que rodeava a vizinhança de Hitsville USA. Seu nome? Marvin Gay (ele adicionaria o "e" ao sobrenome por razões um tanto óbvias). Gaye também tinha outros motivos para rodear a casa da Motown. O cantor estava saindo com Anna, irmã mais velha de Gordy. Nascido em Washington, Marvin Gaye foi uma das figuras mais sombrias da história da Motown. Para desespero do pai, que era pastor (mas não se furtava em passear com roupas de mulher após os cultos), ele seguiu carreira como cantor de rhtyhm'n blues, gênero musical considerado profano. Portanto, papai (ou mamãe, dependendo do dia) nunca perdoou a opção do filho.

O próprio Marvin Gaye tinha dúvidas a respeito de seu talento. No fundo, ele queria se tornar um crooner de jazz, no estilo de Frank Sinatra. Mas Berry Gordy o contratou e, a princípio, o colocou como músico de estúdio - Gaye toca bateria em "Please Mr. Postman", das Marvelettes, e "Fingertips", de Stevie Wonder. Depois, o deixou aos cuidados de seus produtores.

A Motown realmente atraía grandes talentos. Certa vez, Mickey Stevenson, executivo da companhia, entrou esbaforido no escritório de Berry Gordy: "Você tem de ver esse garoto", disse. Gordy desceu até o estúdio de Hitsville USA e topou com Ronnie White, um dos vocalistas de apoio dos Miracles, ao lado de um menino cego. O garoto, na época com 11 anos, sabia tocar gaita, bongô e tinha boa voz. Seu nome era Steveland Morris. Gordy o chamou de Stevie e adicionou o apelido Wonder (maravilha).

Terceiro de uma família de 6 irmãos de Michigan, Steveland Morris ficou cego por causa de um acidente tolo: a enfermeira da maternidade emq ue sua mãe o deu à luz o deixou tempo demais na incubadora. A falta de visão, contudo, nunca atrapalhou seu bom humor. Pelo contrário, Stevie até fazia piadas a respeito disso. Uma de suas diversões prediletas era adentrar nos estúdios no meio de uma gravação. Dizia que não tinha visto a luz vermelha indicando que a entrada era proibida. Stevie pedia para que alguém mais próximo descrevesse como era a roupa que determinado músico estava usando. Depois, aproximava-se do infeliz e descrevia cada detalhe da vestimenta. Na adolescência, já com os hormônios em ebulição, Wonder se fartou de tocar os seios das funcionárias da companhia - depois, na maior cara-de-pau, pedia desculpas pela indiscrição.

Nesse conto de fadas, Berry Gordy Jr. era o príncipe encantado, mas também fazia o papel de bruxa má... Nenhum artista da Motown ficou rico, apesar de tantos sucessos na parada. Gordy os mantinha sob contratos leoninos, em que pagava salários semanais e ficava com a parte do leão. Qualquer gasto adicional de estúdio, roupas e bebidas era debitado na conta do astro. Os Funk Brothers perderam milhões em direitos autorais, pelo prosaico motivo de não serem creditados nas capas dos discos. Martha Reeves se surpreendeu ao deixar a companhia e descobrir que até o uso de seu nome estava registrado como propriedade de Berry Gordy Jr.

Por outro lado, os cuidados da Motown fazia com que os artistas tivessem aulas de boas maneiras (muitos deles nem sequer sabiam comer de garfo e faca), de dança e de como dar entrevistas. Muitos astros que se queixaram da roubalheira da Motown fracassaram depois de sair da companhia. Mandinga de Berry Gordy? Não, eles simplesmente perdiam o toque mágico.


BURRADAS

Após o sucesso de "Please Mr. Postman", Berry Gordy e a Motown se tornaram nomes consagrados nos Estados Unidos e no resto do mundo. Dali a pouco, ele recebeu o telefonema de um executivo da Capitol Records. O sujeito dizia que os Beatles queriam gravar três hits da companhia em seu segundo LP britânico - "Please Mr Postman", "You Really Got a Hold On Me" (de Smokey Robinson) e "Money (That's What I Want)". O único entrave é que Brian Epstein, empresário dos ingleses, queria pagar apenas metade dos royalties das canções. Gordy disse não. Aí, como diria Chico Buarque, ao saber de tal heresia, a cidade em romaria foi beijar as mãos de Gordy. Smokey Robinson chorou, dizendo que a mulher estava grávida e que a grana dos ingleses viria a calhar; os executivos da Motown queriam internar o próprio presidente. Gordy, então, cedeu. E fez uma bela burrada: poucos meses depois de ter concordado com o achaque de Epstein, os Beatles eram o grupo mais famoso do planeta e seu Second Album chegou às principais redes de lojas de discos dos EUA. Se ele insistisse em sua proposta, talvez Smokey e alguns privilegiados da Motown estivessem hoje mais ricos.

A segunda fase da Motown entrou em vigor ainda nos anos 60. Um monte de astros foi substituído (Florence foi demitida das Supremes, Holland-Dozier-Holland queriam melhores salários e receberam cartão vermelho), outros apareceram (entrou Norman Whitfield para trabalhar com os Temptations, Gladys Knight trouxe os Jackson Five) e, no final da década, Gordy mudou a sede de Detroit para Los Angeles. Foi lá que Marvin Gaye e Stevie Wonder iniciaram suas fases mais ousadas, com clássicos como What's Going On e Talking Book. Contudo, Gordy, seduzido pela indústria do cinema, perdeu muito dinheiro.

Recentemente, um telefilme baseado na história dos Temptations bateu o Parque dos Dinossauros em audiência na TV. Há alguns anos, o documentário Standing In The Shadows of Motown concorreu ao Oscar de sua categoria. A Motown é eterna - assim como os filmes de Hitchcock.

* texto extraído da História do Rock Vol. I da Bizz - 1936-1963 - pgs 70-77)


DOWNLOADS:


Hitsville U.S.A. - The Motown Singles Collection (1959-1971)
- caixinha de 4 CDs com os grandes hits da "fase de ouro -

Disco 01: http://www.mediafire.com/?ni4j0no4cqk
Disco 02: http://www.mediafire.com/?1gty2hjmnmm
Disco 03: http://www.mediafire.com/?yiom5kmfdzd
Disco 04: http://www.mediafire.com/?ziozmkuj0fg


Documentário: Standing In The Shadows of Motown
diretor: Paul Junkman
Download do DVD (3.5 GB) no piratebay

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

:: Bolo!!! ::


CAKE
... e a arte de ser esquisito
por Francine Micheli


Certas bandas parecem ter sido criadas para levar o carimbo de favoritas pra sempre. Assim, instantaneamente e com força, CAKE é uma dessas aí e a receita do bolo é curiosa: bom humor, ingenuidade, róquenrol e um trompete preguiçoso que se mete em tudo.

Parece que foi ontem que uma versão doida de "I Will Survive" rolava por aí nas rádias. Sem lantejoulas, Vincent Di Fiore e seus comparsas mandaram ver cantando a dor de quem descobriu que o ser amado era um bosta. A música tornou a banda mais conhecida em 1996 (ela tá na estrada deste 1991) e trouxe uma esperança aos que não aguentavam mais o grunge empesteando a década de noventa.

A banda californiana então pegou a veia da coisa: muitas letras non sense e aparentemente infantis com a mistureba de ska, country, jazz, rap e pop (tudo com trompete no meio) fez com que o vocalista John Mc Crea criasse um jeito peculiar de cantar: muitas vezes ele recita a letra nas músicas. Tudo isso foi suficiente para classificar o CAKE como rock alternativo, não?

Lançado em 1998, o disco Prolonging the Magic traz preciosidades como a grooveada e mau humorada "Sheep go to Heaven". No mesmo álbum, "Satan is my Motor", que não tem nada de diabólica é, digamos, uma coisa fofa. Ah, a famosa e carentona "Never There" está lá também.

O ponto forte da banda e o recheio do bolo é a unidade, o que possibilitou que os músicos viajassem por diferentes estilos e experimentalismos sem nunca perder a personalidade.

A mesma coisa aconteceu com o trabalho seguinte, Comfort Eagle, que trouxe uma dosezinha de elementos eletrônicos, como em "Meanwhile, Rick James...". Mas isso não tirou as levadinhas de guitarra que botam a gente pra dançar e trouxe até mais brilho à voz inconfundível de Mc Crea.

Pra dar um break, em 2007 lançaram uma coletânia de raridades e b-sides incendiários, que traz um cover não menos nervoso de "War Pigs", do Black Sabbath e mais: pra dar uma sofisticada na coisa, enfiaram versões de Frank Sinatra e Barry White na parada, com "Strangers in the Night" e "Never, Never Gonna Give You Up".

Particularmente, o som do CAKE serve pra colocar qualquer um pra cima e o mais legal é que eles resistiram à saída de vários integrantes (seis no total). Além de tudo os caras são engajados e sempre divulgam a importância da consciência ambiental e política, seja nos shows - onde eles presenteiam os fãs com mudas de árvores - ou pela internet a fora. A outra grande sacada foi criar dentro do site deles um espaço para que os fãs se comuniquem para dividir o transporte para irem até os shows! Eles não são mesmo uns bacanudos?

Parece que agora a banda deu um tempo nas apresentações (que infelizmente se concentram mais nos EUA e Canadá - damn it!) e estão pra lançar um novo cd ao vivo.

E por enquanto a gente aqui fica chupando o dedo... só sentindo o cheirinho dessa próxima fornada.

Baixa aí:







terça-feira, 22 de setembro de 2009

domingo, 20 de setembro de 2009

:: subway ride! ::

:: ROLÊ DE METRÔ - VOL. IV ::
Rock Is Dead - My Ass!

seleção: Eduardo Carli

O garimpo é de judiar os ossos. Emerjo dele imundo e mau-pago feito um personagem de Germinal. Mas a recompensa é saber que trago em mãos algumas pérolas do subsolo. E são elas que largo aí, de graça, para os transeuntes deste empreendimento depredatório. Para provar que são pura lorota as teses de que não existe róque que presta na terra do Carnaval, que no Rio só vigora o pancadão e que Goiânia é a terra do sertanojo, taí o mais novo Rolê de Metrô.

Nele, pela quarta vez (um, dois, três!), compartilho alguns sons nacionais que chamaram minha atenção ultimamente: tem o surf rock maníaco dos Dead Rocks, o chapadaço barúio gaúcho dos Irmãos Rocha e algumas garagices sublimes de Goiânia com o Black Drawing Chalks (Queens Of The Stone Age copula com Thee Butchers Orchestra), o Rockfellers (Tyler Durden is alive and well!) e o Bang Bang Babies. Rola ainda glam rock carioca com o Cabaret e emocore paulistano firmeza com o Banzé.

Trago ainda uma das mais fodásticas bandas da nova cena do Recife, o AMP, que acaba de lançar seu impressionante debut, Pharmako Dinamica, e duas bandas de Brasília - Sapatos Bicolores e Bois de Gerião - que comparecem com uma sonoridade caindo pro ska e pra new wave. Enquanto isso, o Rollin' Chamas faz uma celebração à la AC/DC do rock and roll, contando como derrubaram a casa com excesso de barulho. Pra finalizar, acompanhamos as "viagens" rocker do The Name, que já entrevistamos por aqui tempos atrás.

Agradecimentos (fora aos sempre solícitos MySpace e Trama Virtual) aos blogs Hominis Caninae e Glorious Indie Rock'n Roll por descolarem tantas boas bolachinhas e possibilitarem o rolê garimpístico! Dicas de bandas indie bacanudas, gritem nos comments!

Rock Is Dead... My ass!


TRACKLIST:

01 - The Dead Rocks (SP) - Themme For Rock is Dead (2:00)
02 - Irmãos Rocha (RS) - Anestesia (1:44)
03 - Black Drawing Chalks (GO) - My Favorite Way (3:42)
04 - Cabaret (RJ) - Messias Pessoal (4:14)
05 - The Rockefellers (GO) - Fight Club (3:44)
06 - Banzé (SP) - Antes da Queda (3:58)
07 - Bang Bang Babies (GO) - Going Down (3:25)
08 - AMP (PE) - Acidez (sinestesia) (3:27)
09 - Rollin' Chamas (GO) - O Dia em que a Casa Caiu (3:06)
10 - Bois de Gerião (DF) - Fidelidade (3:30)
11 - Sapatos Bicolores (DF) - A Cobrar (4:44)
12 - The Name (SP) - Assonance (6:11)

DOWNLOAD
(55 mb, 43 min):
http://www.mediafire.com/?zid2mluizn4

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

:: Soulzé ::


Rage Agreste

– Por Marco Souza –


"...uma mistura de indie-rock com eletro e um tiquinho assim

desse tamanin assim de carimbó."

Wallace


A primeira vez que ouvi esses negos ao vivo, meados de 2002 ou 2003 em Bauru-SP, logo pensei "porra! esses caras são o Rage Against do sertão!" o que influênciou para logo batizar minha banda cover da Rage. Pegada nervosa misturando guitarra, flauta, percursão e sons eletrônicos. Tudo ali idealizado e executado pelos, como eles se definiram, "7 cabeças chatas" do Ceará.


O disco em questão, produção independente do próprio SoulZé e primeiro trabalho da banda, logo mostra ao que a rapaziada veio: misturar da melhor forma possível rock, funk, ritmos brazileiros, groove, eletrônico e "outras pilantragens". Apesar da boa produção do disco, ele não faz jus ao choque de escutá-los ao vivo, como também é o caso do Móveis Coloniais de Acajú.



Soulzé já tem 12 anos de trabalho e (para minha surpresa) é pouco conhecido no meio musical. Nasceu com o boom do movimento manguebeat liderada por Chico Science & Nação Zumbi, Mundo Livre S/A, Eddie e cia.


Vamos ao disco. Porradaria com percursão, distorção regional e scracths em Mandacaru, segunda faixa, já demonstra o cuidado que eles tem na construção da textura sonora. Uma Tocaia cresce até se transformar em Arrancando Estaca, um dos pontos altos do CD, instrumental nervoso com mix de Tom Morello e Lúcio Maia. "Eu vou mostrar pra vocês como se dança o Baião e quem quiser aprender é favor prestar atenção" Abre a roda pra um baião com direito a porradaria. O clima de ficção científica encontra o drum'n'bass e dá as caras em O Encontro Insólio De Soulzé Com Et Abbdia, sampleando uma gravação (genial!) sobre a divulgação de um caso de experiências genéticas feitas por alienígenas nos moradores da cidade de Quixadá, interior do Ceará. De praxe não poderia faltar um samba-rock(-funk), a faixa de protesto País Nordestino. Até riff grudento encontramos em Pagode Russo. E músicas como De Quem É Essa Terra ainda agrada àqueles que procuram mais peso.


Há algum tempo procuro por shows, discos e mp3s da banda e não tenho sucesso. Lembrei que no show de Bauru um amigo comprou o CD e pedi pra ele ripá-lo. Raridade de qualidade. Um dos grande álbuns nacionais da década.



DOWNLOAD - 16 músicas - 70 MB


sábado, 12 de setembro de 2009

:: Pearl Jam ::

A maior banda de rock deste post
- Bernardo Santana -

Trabalho ingrato evitar a pagação de pau. Quando uma banda de 15 anos faz isto aqui, é de se imaginar que toda e qualquer lenha criativa tenha se queimado finalmente. Foi o que eu achei que iria acontecer com o Pearl Jam quando a banda lançou seu disco homônimo em 2006: um material tão bom (mas diferente do que eles já tinham feito de bom antes...), que me fez pensar que era impossível eles se superarem dali em diante. E deve ter sido a conclusão a que eles chegaram também!

Senão, por que esse Backspacer agora? Não um disco melhor que Pearl Jam, mas tão bom quanto, em vários momentos. E o melhor, bem diferente do seu antecessor. Cabem ao trabalho até alguns adjetivos que não devem ter sido usado muito nas resenhas de nenhum de seus discos anteriores: feliz, engraçado, otimista, influenciado por new wave (ok, esse eu não entendi, mas li por aí então repasso).


O Pearl Jam não é mais nenhuma banda de adolescentes já faz um tempo, mas várias músicas de Backspacer podem fazer alguém se enganar. Gonna See My Friend abre os trabalhos chutando bundinhas incautas e remetendo aos momentos mais punks da banda, lá pelo meio da década de noventa. E as duas faixas que se seguem não dão descanso: Got Some tem mesmo algo que todo mundo precisa de vez em quando, como diz a letra, e The Fixer — o single safado feito pra chamar atenção mesmo — conserta a imagem de banda carrancuda de alguns momentos do passado. Sem esquecer de apresentar um dos refrões mais legais dos caras.

Depois dessa trinca certeira, o ouvinte fica meio rendido pra o que vem depois, que apesar de não manter o mesmo pique (menção honrosa a acelerada e hit certo Supersonic), mais que honra o legado da banda até agora, incluindo aí a bolacha solo de Ed Vedder, trilha do filme Into The Wild. Just Breath, por exemplo, poderia ter sido gravada naquele disco e é uma ótima amostra de como o vocalista compensa qualquer limitação técnica com um alcance emocional sincero sem paralelo na música pop de hoje.

Em resumo; 19 anos depois de começar a tocar, o Pearl Jam fez (mais) um disco perfeito pra quem não conhece a banda começar a ouvi-la. Não é nada a toa que eles tem uma legião de fãs também bem rara na bagunça da música popular planetária. Um disco de 36 minutos — o mais curto da trajetória deles — que parece ter sido feito por um bando de moleques na urgência de pegar seu lugar no sol. Um disco tão bom que até legitima um clichê destes!

Como eu disse, trampo de corno deixar de pagar pau, então não vou nem tentar. Backspacer vale a pena ser comprado umas três vezes. Faça esse favor pra sua estante, mas enquanto isso, baixa aí embaixo o danado.


DOWNLOAD: 76 Mb - 11 faixas

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

:: Joãozinho Bufunfa ::


:: JOHNNY CASH & JUNE CARTER ::
Duets (2006)
por Flávio Austriaco

Se ele fosse um carpinteiro, e ela fosse uma dama, casariam-se mesmo assim? Ele, afinal, levava nas costas a alcunha de “bad boy”, bronco nas atitudes e ríspido nas palavras – cantava em presídios sobre assassinatos e foras-da-lei. A dama em questão era dotada de bela voz e entretia platéias com seu bom humor. Apesar de ambos serem casados com outras pessoas à época em que se conheceram, no começo dos anos 1950, Johnny Cash e June Carter fizeram jus às letras de suas músicas em 1968, quando aderiram ao matrimônio, dessa vez mutuamente.

Dali, muita coisa saiu – dizia Cash que June salvou sua vida ao convencê-lo a abandonar seus vícios, e passou a falar mais de amor nos duetos que fariam por quase todo o resto de suas vidas, juntos nessa coletânea de 2006. Amor, segundo Bob Dylan e ao estilo de Johnny Cash: “go away from my window / live at your own chosen speed / I’m not the one you want, babe / I’m not the one you need”. Não bastasse, tragédias: “oh, what a good thing we had / GONE BAD” – e de verdade mesmo em 2003, quando ambos “gone bad”, se me é permitida adaptação da expressão, com diferença de apenas quatro meses. Três anos depois, “Duets” foi lançado: disco que transcende o rótulo preconceituoso de coletânea e representa, pelo menos com simbólico sucesso, os Carter Cash felizes e cantantes e bons.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

:: os álbuns da década ::


:: THE WHITE STRIPES ::
White Blood Cells (2001)
por Eduardo Carli

Eles me fizeram encarar mais de 20 horas de viagem (somando ida e volta), apertado numa van com mais umas 10 pessoas, quando foram escalados como headliners do primeiríssimo TIM Festival, em 2003, no MAM carioca. Sinal de que minha fissura pela banda, naquela época em que Elephant era alvo de intenso hype mundial, estava parecendo a de um junkie por sua droga de preferência. Quando eu e o Bernie nos metemos a enfrentar os mais de 750 quilômetros que separam Bauru do Rio de Janeiro, num bate-volta de esgotar os ossos de qualquer mortal, esse ato tresloucado era uma confissão do quanto o White Stripes era uma banda extremamente magnética. A gente toparia ir até o Pará pra vê-los.

O show, confesso, me decepcionou um tantinho - mas muito provavelmente não por culpa da banda (apenas dos pinos que Jack trazia no dedo), mas devido ao cansaço extremo que tinha deixado a jornada e as 4 bandas que vieram antes. Quando Jack e Meg adentraram o palco, o ato de permanecer de pé já era sentido por meu pobre esqueleto como um martírio digno de Cristo subindo o Gólgota. Acabei aproveitando bem mais os shows que precederam: a caleidoscópica viagem psicodélica colorida dos Super Furry Animals e o dance-punk-com-saxofones do The Rapture, que levou o Rio ao êxtase coletivo absoluto com "House of Jealous Lovers". Mas ficou na lembrança, indelével, o fato: os White Stripes tinham sido o ímã que me sugou para meu primeiro rolê pelo Rio de Janeiro (voltaria anos depois, para o funeral dos Los Hermanos), aventura que haveria de ficar na minha memória pessoal gravada como algo especial e inesquecível.

Nos idos de 2001, quando lançaram White Blood Cells, o White Stripes estava prestes a dar um salto: de banda local a fenômeno global. Em Detroit, no Michigan, terra natal da Motown, da General Motors e do MC5, o duo já vinha ganhando uma certa notoriedade desde 1997, tocando seu primário e rústico rock garageiro em pubs locais hoje antológicos como o extinto The Gold Dollar. O grande chamariz era, é claro, a formação pouco usual: os White Stripes não eram de fato uma banda completa, mas um casalzinho, cujas misteriosas relações a imprensa mexeriqueira não parou de investigar.

Tanto fuçaram que trouxeram a tona a bombástica revelação: Jack e Meg não eram irmãos, como costumavam contar nas entrevistas, não se sabia se por pilhéria ou na honestidade; mas haviam sido casados e se divorciado. Quando a Glorious Noise jogou na internet o certificado de matrimônio de John Anthony Gillis e Megan Martha White, o enigma se dissipou. Mas os Stripes, que dizem adorar a reserva e a privacidade, não cessaram de ser alvos de fofoca.

White Blood Cells foi o primeiro álbum que os Stipes gravaram longe da cidade natal: foram até Memphis, no Tenessesse, cidade onde Elvis Presley desfilou seu topete por tantas décadas, para registrar seu terceiro petardo. A banda, que sempre primou pelo minimalismo, também não deixou jamais de possuir uma sensibilidade pop que a tornava altamente explodível no mainstream. O segundo álbum, De Stijl, já lapidara um pouco a crueza do debut, mas ainda mantinha-se com os pés fincados na rusticidade - o próprio nome do álbum fazia referência a um movimento artístico holandês que utilizava somente cores e formas primárias, tendo influenciado pesadamente a visão gráfica e fashion dos Stripes.



Mas foi Blood Cells o disco que escancarou imensas portas para que Jack e Meg se tornassem a coisa gigante que se tornaram nesta década. A explosão da nitroglicerina viria de fato com o álbum seguinte, Elephant. Gravado em Londres e puxado pelo hit "Seven Nation Army", chegou à estonteante marca de 1 milhão de discos vendidos - o que, na era do MP3, não é performance desprezível. Mas nada disso teria sido possível se White Blood Cells não tivesse chegado na voadora contra as cercas de Detroit Rock City e tornado os Stripes nacionalmente famosos, numa época em que os olhos dos EUA voltaram-se para a Cidade dos Motores, onde haviam surgidos tantos fenômenos pop famosos na época - como Eminem e Kid Rock.

Havia ali canções de uma infantilidade absolutamente adorável, que contrastava radicalmente com a pose de mau e de machão que costuma ser comum nos líderes de bandas de rock por aí. Quando White cantava "I'm so tired of acting tough and I'm gonna do what I please", os versos soavam como um manifesto e um grito de libertação. Nos folkzinhos bonitosos "Hotel Yorba", "We're Gonna be Friends" e "Same Boy You've Always Known", Jack White soa com um eterno menino, com uma autenticidade que é rara de se encontrar em qualquer canto do showbizz. Mas os Stripes também conseguiam fazer um barulho dos diabos - como em "Fell In Love With a Girl", um punkaço de 1h30min que remete aos Undertones ou aos Buzzcocks, em que uma guitarra encorpada e a gritaria frenética de White nos fazem esquecer completamente a falta de um contra-baixo na banda. O clipe da música, feito com animação de Lego, foi recentemente eleito o melhor da década pela Pitchfork. Mas havia também muito amargor espalhado pela lírica whiteana. "It can't be love, cause there is no true love", canta no refrão de "The Union Forever", petardo cínico e quase niilista que cita também uma cancioneta presente no Cidadão Kane de Orson Welles.

A imprensa mundial judiou bastante da pequena Meg, sempre descrita como uma batera tosqueira. Sua óbvia limitação técnica, porém, em nada prejudica a interação quase instintiva do casal, que mesmo depois do desquite permaneceu musicalmente muito bem transado. A evolução de Meg através dos anos também é notável - e longe vão os tempos em que Jack, nos primeiros shows de Detroit, falava ao microfone, na maior cara-de-pau e sacanagem, "tem alguém aí que saiba tocar bateria? I need a new drummer!" Eu, que nunca fui de ficar pagando pau pros bateristas punheteiros ao estilo do Rush ou do Dream Theather, acho a Meg eficiente, simpática e gracinha - e precisa de mais? Sem falar que, como disse o Lúcio Ribeito, "a estilosa Meg nem toca tão bem assim; mas não precisa. Jack toca por ela, pelo baixista que não existe e por mais um time de guitarristas que não há, tamanha a habilidade e velocidade em levar o som do White Stripes do blues ao rock ao punk ao country em uma canção".

Hoje, Jack White, merecidamente, é um dos maiores rock-stars sobre a face do planeta azul - e foi White Blood Cells o primeiro passo de gigante nesta direção. De um duo detroitiano tosqueira, que poderia ter continuado como um evento underground como são o The Go, o Paybacks ou o Detroit Cobras, os White Stripes subiram em seu foguetinho vermelho-e-branco rumo ao extremo estrelato. Provas? Eles têm clipes dirigidos por alguns dos maiores bã-bã-bãs do cinema mundial, como Michel Gondry (que fez "Fell In Love With a Girl" e "Dead Leaves and the Dirty Ground") e Sofia Coppola (que filmou "I Just Don't Know What To Do With Myself"). O próprio Jack já se arriscou como ator hollywoodiano, em "Cold Mountain" (de Anthony Mingella) e "Café e Cigarros" (de Jim Jarmusch). Nas filmagens do primeiro, conseguiu inclusive garfar a belezinha da Renée Zellwegger, com quem se casou e rapidamente desquitou. Jack montou ainda duas bandas paralelas, que o público e a imprensa mundial acompanha com olhos atentos, o Raconteurs e o The Dead Weather. Sem falar que juntou-se a Jimmy Page e The Edge (do U2) para o documentário It Might Get Loud, e fez participações especiais kick-ass em shows de ninguém menos que os Rolling Stones - façanha registrada por Scorcese em Shine a Light. Tanto que circulam na net notícias quentes de que está trabalhando com ele... Keith Richards! Não é de salivar?

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quinta-feira, 3 de setembro de 2009

:: Um Brinde aos Terninhos! ::


:: THE HIVES ::
Your New Favourite Band (2002)


Quando lançaram Your New Favourite Band os Hives talvez estivessem dez anos adiantados em relação ao seu tempo - ou trinta anos atrasados. Em 2002, este elegante quinteto sueco já praticava rock de garagem há uma década. Foi graças à explosão tardia do insistente single "Hate To Say I Told You So", pertencente a Veni Vidi Vicious (2000), que este álbum foi lançado.

Os seus concertos eram eletrizantes. Vestiam terninhos monocromáticos idênticos e proclamavam-se, sem modéstia, a melhor banda do mundo. Insistiam também que um misterioso mentor chamado Randy Fitzsimmons não só tinha criado o grupo, como escrevia todas as canções. Assim Your New Favourite Band é uma compilação das melhores canções de Fitzsimmons, extraídos de Veni Vidi Vicious, Barely Legal (1997), do EP a.k.a.I-D-I-O-T (1998) e do single Hate To Say I Told You So (2000). Desde o frenético "Die All Right!" ao impetuoso "a.k.a.I-D-I-O-T", o seu vigor nunca desvanece. A natureza definitiva do seu som saturado de reverberações significava que Your New Favourite Band era suficientemente coerente para que os novos fãs pouco atentos (e alguns jornalistas) o considerassem um álbum completo.

Estejam adiantados ou atrasados em relação ao seu tempo, os Hives têm um som intemporal. As letras estão impregnadas de rebeldia juvenil, o seu rock ruidoso caminha sempre à beira do precipício e todos sabemos que um terno elegante nunca sai de moda. --- 1.001 DISCOS PARA OUVIR ANTES DE MORRER

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