domingo, 26 de julho de 2009

:: The Dead Weather ::


:: THE DEAD WEATHER::

- Horehound -


Retroceder, jamais?

Por Ana Alice Gallo


Há pouca (ou nenhuma) dúvida de que “Seven Nation Army” seja o hino dos anos 00. Ao som dessa música, sacolejam pessoas sem a mínima ligação com o rock and roll e que talvez nem saibam da existência de uma banda chamada The White Stripes. Patricinhas brasileiras se jogam na pista, donas de casa australianas assobiam e a torcida da Itália vai ao delírio. A mente por trás dessa obra-prima transmoderna é Jack White, criador de uma banda indie que tomou o planeta com um som minimalista constituído basicamente pelo timbre de sua guitarra e pela genialidade de seus riffs. O mesmo White que trouxe frescor às sonoridades vigentes parece querer voltar no tempo com sua mais nova banda, The Dead Weather. O grupo faz em seu álbum de estréia, “Horehound”, o caminho oposto ao que vimos o líder do White Stripes traçar com tanto brilhantismo.


Antes que os indies comecem a atirar seus All Stars customizados em mim, explico. A estrada comumente percorrida por qualquer banda ordinária do planeta é começar chupinhando, sem dó nem piedade, o som de seus ídolos – as famosas “influências”. Parte-se do que se admira para então trilhar um caminho próprio, até que, então, algumas (poucas) bandas conseguem se libertar dessa herança musical e encontram um espaço fresco e criativo no panteão dos clássicos. Jack White pulou todas essas etapas com sua primeira grande banda, The White Stripes. Confesso admirador de bandas dinossáuricas como Led Zepelin, White atualizou toda a mitologia musical dos anos 70 ao basear o som de seu grupo em riffs econômicos e brilhantes, uma estética vintage envernizada e uma constituição minimalista do grupo, contrariando as grandes formações de bandas setentistas que também davam a cada integrante a oportunidade de realizar solos intermináveis em uma única canção.


Era inevitável, porém, que Mr. White sentisse falta de trocar figuras e virtuoses com outros integrantes que não sua ex-mulher Meg, baterista propositalmente amadora e cúmplice do guitarrista nos álbuns da banda. Daí surgiu o segundo grande projeto do branquelo, The Raconteurs. Com uma formação mais clássica, White pode enfim expressar seus timbres com o respaldo de ótimos músicos, além de dividir composições.


Mas White pareceu precisar, cada vez mais, de uma aproximação maior das suas origens setentistas. E eis que chegamos ao The Dead Weather, grupo que não deve nada aos dinossauros do rock – mas também não acrescenta. Como qualquer banda em início de carreira, a TDW chupinha sem vergonha na cara as estruturas musicais roqueiras já consagradas, com direito a teclados solando e um vocal com timbre agudo o suficiente para duelar com guitarras e teclas. Se colocar um vocal feminino, a princípio, parecia uma inovação na carreira de White, acostumado a comandar Meg no grupo anterior e que agora teria à frente da banda justamente uma mulher, na segunda audição do disco apenas confirma uma tentativa frustrada de achar um timbre parecido ao de Robert Plant.


60 Feet Tall”, canção blueseira que abre o álbum, já mostra muito do potencial retrô do grupo, que será explorado em músicas como “Treat Me Like Your Mother”, “New Pony” e “Will that be enough water”, e em outras veias como o reggae “I Cut Like a Buffalo” e as “Rocking Horse” e “3 Birds”, perfeitas trilhas sonoras de um longa do Tarantino - o que, convenhamos, nos dias de hoje soa tão clichê como imitar o Led Zeppelin.


A virtuose dos músicos e a qualidade do trabalho, no entanto, satisfazem e bem o ouvido de um depredador à procura de bons sons. Há destaques como “So Far From Your Weapon”, que derrete nos ouvidos, e “Bone House”, demonstração de como ainda há terrenos de timbres nervosos a serem explorados por Jack White. Além disso, há boas canções rock como “Hang You up from the Heavens” e “No Hassle Night”. Podemos dizer que há boa música, mas não há muito de nova música aí. Dependendo da sede do ouvinte, pode ser água o suficiente. Ou não.



Download:
http://www.mediafire.com/?mlmdzzmnn4j

4 comentários:

Fran disse...

aaaahh!! Esses textos da Ana viu!

pityskt disse...

parabens pelo blog e pela resenha!
texto muito claro e bem escrito, parabens ana!

orlando pinhº d-silva disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
orlando pinhº d-silva disse...

sinto não concordar!
ouço todas as influências setentistas
visitadas com muita vitalidde, e com escrita própria.
não música nova. não há em nenhuma banda de hoje. houve em raríssima exceção ao longo do tempo.
chegamos ao ruído, só fazemos isto.
os futuristas já o faziam no início do sec.XX.
não rompemos a fronteira da tonalidade.
mas porque ainda estamos falando de musica ? nova ?!
vamos falar de reapropriações sonoras: é só o que há. bem ou mal feita.