quarta-feira, 16 de julho de 2008

Vampire Weekend (2008)


por FABRICIO BOPPRÉ
(corresponde internacional,
exclusivo para o Depredando)


Surpreendentemente agradável a meia horinha de música deste primeiro disco do Vampire Weekend, banda de Nova York que contabiliza até aqui dois aninhos de vida. Mas são dois aninhos bem vividos e frutíferos. Resumir a trajetória dos rapazes é moleza, então lá vai: se conheceram na Columbia University e por lá, pelo visto, costumavam tirar um som entre as aulas e as farras (porque, se você assiste aos filmes de Hollywood, sabe que nos EUA as duas coisas tem peso e frequência de ocorrência iguais na vida de um universitário, certo?). Soltaram uns singles prestigiosos, ganharam fama no mundo virtual, e com o passar dos meses, dos shows, das farras, e dos singles prestigiosos, a fama foi agravando-se para o mundo real. E, claro, não dá de omitir: apareceram na capa na Spin. Grande merda? Não se atentarmos para o fato de que nunca antes na história da revista uma banda havia figurado na capa sem ter ainda um full-lenght lançado. Os vampiros foram os primeiraços. Terminaram seus cursos e investiram na produção do debut, desta vez dividindo o tempo com seus empregos, que nem devem ter durado muito.

Para ler uma biografia um pouquinho maior do que a minha, clica aqui (já fica registrado o devido crédito para a fonte das informações do parágrafo acima).


O show foi legal, tocaram somente músicas do primeiro disco. Porque só tem esse mesmo.

Mas eu disse que o álbum é surpreendentemente agradável pois eu, como de costume, alheio a todo o paparico internético sobre novas bandas, fui ouví-los somente pouco tempo atrás, quando nas vésperas de um festival que eu iria assistir e eles estavam escalados (Main Square Festival), achei por bem experimentar para saber do que se tratava. E acabei achando o sonzinho totalmente desprovido de graça, fraquinho, num primeiro momento. Mas alojou-se uma pulguinha atrás da orelha - e aqui vai uma comparação indireta, uma lembrança - mais ou menos como ocorreu quando o Pinback me veio com aquele sonzinho frouxo, cheio de buracos. E, não muitas audições depois, passei a amar o Pinback. Nada mais justo então dar mais uma chance a estes vampiros inofensivos, e o processo foi se desenrolando similar. Até porque respeito e geralmente dedico mais horas a quem faz bem com pouco e sem estardalhaço, e o Vampire segue essa linha minimalista, tranquila. Guitarrinha, teclado, bateria e baixo e os moleques trabalham com isso e nada mais, e fazem bonito, principalmente por botarem a originalidade para guiar as intenções, num mundo em que já há bastante quem apenas refaz o que já foi feito antes (nada contra). Ok, como ingrediente importante e referencial tem ainda o vocal do guitarrista, que emprega sua voz de forma a lembrar um Frank Black ainda impúbere, meio tímido, vez ou outra. E uma última impressão genérica é que os caras ganharam enfim minha simpatia quando saquei que em certos momentos eles soam realmente divertidos, e isso para mim é bem digno de nota, na medida em que a grande maioria das banda que se metem a soar divertidas, na minha opinião, soam no máximo tolas.

Para tentar ser mais esclarecedor sobre que diabos de tipo de música, afinal, faz o Vampire: leio direto por aí que o som deles tem influências de música pop africana, coisa que eu, ignorante, nem sabia que existia. Mas faz sentido. Dadas minhas poucas referências, não tenho como me alongar mais do que já fiz, então fecho a minha primeira indicação para você depredar o seu orelhão (*) sugerindo que, se for para ouvir uma única música (apesar da mamata do download do álbum completo abaixo), vá de Oxford Comma, não tem erro, música boa e universal. Duas? Enfia no orelhão a The Kids Don't Stand A Chance, a última do disco, que talvez entregue idéia melhor do senso melódico diferenciado (afro?) da banda e de como eles o arranjam na manha. Assimilou e gostou das duas, tá pronto então para fechar comigo na aposta de que o Vampire Weekend não vai ser só mais um fogo-de-palha.

(*) Bom, na verdade, se quiser depredar o orelhão no sentido literal, talvez seja melhor apostar no Motorhead logo abaixo. Do Vampire, no máximo Walcott num volume consideravelmente alto pode causar tal estrago.


4 comentários:

Natalia Vale Asari disse...

Sem contar que eles ao vivo são também bem divertidos e carismáticos.

Eduardo disse...

Ah, vcs aí na França ficam só querendo fazer inveja em nós aqui embaixo... Sacanagem! =)

Natalia Vale Asari disse...

Depois de 12 anos esperando para ver Radiohead, não é fácil mudar de assunto logo depois. :)

Eduardo Carli de Moraes disse...

haha! compreendo! será que eu vou precisar mudar de país pra finalmente ver o radiohead?! =)