sábado, 7 de março de 2009

:: The Gits - Discografia Completa ::


A SEREIA RADIOATIVA DO GRUNGE
- Apesar de sua vida breve, Mia Zapata construiu com o Gits um monumento punk na Seattle efervescente do começo dos 90 -

Mia Zapata é mais uma prova viva - ou melhor: prova morta - dos poderes sombrios de um dos números mais assombrados na mitologia do rock and roll: 27. Com esta idade amaldiçoada, perdemos Hendrix, Janis, Cobain e Jim Morrison, só para ficar nos mitos. Os últimos momentos de Mia, outra que se foi aos 27, dariam um belo filme, bem mais punk e pungente do que o retrato moroso e deprezão que Van Sant filmou em Last Days como réquiem para outro roqueiro de Seattle que se foi cedo. Em uma das últimas frases registradas em seu diário, Mia escreveu: "um dia eu serei velha e ficarei devastada por ter conseguido viver tanto". Esse curioso devastated que ela utiliza só reflete uma atitude tão difundida na cena grunge e punk: o lema live fast, die young, que fez com que Kurt também dissesse que preferia morrer antes de virar Pete Townshend. Mia e os Gits também eram pura catarse, urgência e explosão: jovens fazendo punk-rock como se o mundo fosse acabar amanhã com um cogumelo atômico.

Os Gits, apesar dos 3/4 de machos que compunham a banda, acabou, pela intensidade descomunal da personalidade de Mia Zapata, "a santa padroeira do riot grrll", entrando para a história como um dos grupos mais fundamentais da história do "punk de menina". Foi fundamental influência para dúzias de bandas que se seguiriam: 7 Year Bitch, Babes in Toyland, The Distillers, Donnas, Bellrays, Team Dresch, Sleater-Kinney, etc. Formada em 1986 em Ohio, o foguete decolou mesmo em Seattle, num momento em que a cidade estava no epicentro de uma revolução sonora que, estourando os limites do Noroeste Americano, ganhava as paradas e os holofotes do mundo todo. O álbum de estréia da banda, Frenching The Bully, sai quando Nevermind já havia sugado todas as atenções para aquele canto da América onde uma nova juventude perdida e fodida bolava um novo punk.

O álbum é simplesmente um dos mais excitantes, intensos e estupendos álbuns de punk rock nos anos 90. Nenhum álbum do Hole, do L7 ou do Elastica, bandas chefiadas por minas que causaram frisson na mesma época, me parece chegar perto de ser um vulcão tão explosivo quanto o debut dos Gits. A banda tinha tudo para seguir no rastro aberto por Cobain e companhia, tornando-se uma banda grunge adorada por todo o território americano e além. Mas o primeiro álbum acabou tornando-se o último. Mia Zapata, em Julho de 1993, foi estuprada e assassinada ao voltar de um boteco em Seattle para casa.

(Conta a lenda que, no último diálogo com seu pai, Mia ouviu um mimo paterno bonitinho: "Ainda que você não venda um mísero disco, será para sempre minha superstar". Conta-se que pai e filha se separaram aos carinhos, trocando juras de amor e gratidão. À noite, a polícia ligava para o orgulhoso paizão para informar que o vôo em direção a estratosfera que o foguete Mia ensaiava tinha sido para sempre cancelado.)

O caso chocou toda a comunidade cultural na cidade e além: gerou discursos de inflamada indignação de várias personalidades da cena, uniu dúzias de artistas numa álbum tributo de protesto (The Art Of Self Defense) e trouxe como consequência a criação de uma ONG em Seattle, a Home Alive. Mais três álbuns dos Gits foram lançados postumamente, reunindo gravações ao vivo, raridades, lados B e aquilo que a banda já havia registrado em estúdio para o que seria o 2o álbum. Como acontece tão frequentemente, uma morte precoce, ao invés de destruir o legado de um artista, torna-o ainda mais mitológico: no caso de Mia Zapata, ela não precisou de mais de 27 anos para ser canonizada a diabinha mais brilhante do Riot Grlll e uma das maiores vozes punk da década.


Vincent Jeffries escreve: "This event sensitized many female artists (especially musicians in Seattle, the West Coast, and all of America) to the paradoxical twists inherent in their expressions of this new philosophy and lifestyle of empowerment. Unfortunately, no amount of rage, street smarts, or outwardly "unfeminine" physicality could dissuade evil men from imposing their will upon even the strongest women within their own ranks. Living a nightlife, working as equals with men, sharing and being rewarded for their alternative ideas about sexual politics and gender roles, it is no doubt that a large group of young female musicians and artists became emboldened (possibly to a degree dangerous to their own safety). While emotionally empowering, this riot grrrl ethos carried no exemption from the physical dangers women have tragically encountered and endured throughout history. The loss of Zapata was symbolic in that it reminded many just how far they still had to go before their own gender would cease to be a weapon, with ultimate potential, that could be used against their own invaluable personage.

Realizing this, friends of Zapata, including 7 Year Bitch drummer Valerie Agnew and visual artist Stacey Westcott, founded Home Alive, an organization created to educate and fund self-defense. Among their efforts, Home Alive released a CD, The Art of Self Defense, that featured recordings of Zapata, Joan Jett, Pearl Jam, Nirvana, and many others. The organization has also held benefit concerts, using all profits to conduct and fund self-defense classes and seminars. Inspired by Zapata's music (and tragic death) Jett didn't stop with her contribution to the Home Alive release, she also made a critically acclaimed music video in which she portrays a stalking victim not unlike Zapata and in 1996, Jett released a record with the surviving Gits under the moniker Evil Stig ("Gits live" spelled backwards).

Although there is no doubt about the tragic scope of the Gits and Mia Zapata, it is comforting to know that the deceased singer's talent and personality inspired something positive. The result of her death was not just suffering, but awareness, and at least a call to action. It's not been specifically documented whether that call has saved any lives, but it's comforting to think that it is possible. Zapata's energy, charisma, and strength helped create an identity — an artistic, feminine, urban quintessence, to be cherished and fought for — that is sadly lacking in so many faceless statistics."

* * * *

DOWNLOADS:

"FRENCHING THE BULLY" (1992)
http://www.mediafire.com/?qn2gy3jyjmo


"ENTER: THE CONQUERING CHICKEN" (1993)
pt1: http://www.mediafire.com/?jyynetwimzo
pt2: http://www.mediafire.com/?cm1mtgmu3jw


"KINGS AND QUEENS" (1995)
http://www.mediafire.com/?5gmn0yymtzm


"SEAFISH LOUISVILLE" (2000)
http://www.mediafire.com/?32nid4znoiy

3 comentários:

Polly disse...

Loucuraaa *-*, adorei!!!
Realmente é viciante.
;**

Anônimo disse...

conheci a banda no doc. Hype! mas só agora encontrei a discografia, valeu depredando, belo post ;)

Anônimo disse...

Ai os links estão fora.