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sábado, 2 de agosto de 2008

:: sacando qualé a do... DUB ::

:: 5 CLÁSSICOS PARA VOCÊ ENTENDER O DUB ::

- conheça a vertente psicodélica do reggae, na qual a base rítmica é reforçada e camadas e mais camadas de efeitos completam a viagem -


O Ministério da Saúde não adverte, mas deveria: ouvir muito dub causa desorientação total e absoluta na mente. O impacto é tanto que periga fazer com que você, chapadíssimo, tenha vontade de ligar para uma Nasa imaginária e dizer: "Kingston, nós temos um problema". A vertente psicodélica do reggae é assim: faz com que qualquer um se sinta perdido no espaço. A culpa é de alguns cientistas loucos disfarçados de engenheiros de som e produtores, pioneiros como King Tubby, Coxsone Dodd, Lee Perry e Prince Jammy, entre outros, que pegaram uma tradição jamaicana - o lado B de um compacto quase sempre vinha com a versão instrumental da música, para que o público ou o MC pudesse cantar por cima - e viajaram até onde homem algum jamais tinha estado. Usando o estúdio como um instrumento e geralmente contando com a ajuda de uma certa fumaça mágica, eles começaram a subverter a ordem natural das músicas, reforçando a base rítmica (baixo e bateria) e tirando e botando as partes consideradas secundárias (teclados, guitarras etc.) ao seu bel-prazer. A isso, acrescentaram um arsenal de efeitos (principalmente ecos), que só fez aumentar o aspecto hipnótico desse som. Nasceu assim o dub, que acabou se tornando um dos subgêneros mais populares do reggae, um som tão viajante que acabou indo parar muito além da Jamaica, influenciando boa parte da música pop e, principalmente, a cultura dance. Afinal, foi graças aos experimentos dub que surgiram os remixes, tão populares hoje em dia. Para não se perder no universo em movimento do estilo, é bom você se guiar por alguns discos fundamentais. E encará-los como estrelas que brilham e desaparecem num céu... Ops, Kingston, nós continuamos com problemas.

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LEE 'SCRATCH' PERRY, Arkology (1997) - BOX de 3 CDs :: Caixa com 3 CDs que traz a obra de Lee 'Scratch' Perry, o Dalí do dub reggae, capaz de botar tintas surreais em qualquer ritmo, usando sons como sirentes, gritos de elefantes e barulho de tiros. Mas seu estilo não se limitava a isso. No estúdio Black Ark, ele explorou cada detalhe do universo minimalista do dub, dando cores novas ao trabalho de gente como The Wailers, Heptones, Max Romeo, Junior Murvin e muitos outros - além de fazer seu nome como um dos visionários que descobriu que o estúdio podia ser um instumento. Só que um dia, num acesso de loucura, Perry botou fogo no Black Ark, queimando tudo até a última ponta. Seu trabalho, porém, não virou cinza e até hoje é cultuado: os Beastie Boys fizeram uma edição especial de sua revista, Grand Royal, dedicada a ele. -- DOWNLOAD: DISCO 1 - http://tinyurl.com/6a8dra, DISCO 2 - http://tinyurl.com/67onom, DISCO 3 - http://tinyurl.com/58b567.

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BURNING SPEAR, Marcus Garvey + Garvey's Ghost (1975) - Garvey's Ghost é o lado escuro e enfumaçado do disco Marcus Garvey, lançado em 1975 pelo Burning Spear, um dos mais respeitados nomes do reggae. Nele, o discurso místico e militante do original - que sempre marcou ou trabalho do artista - é substituído por camadas de efeito, cortesia do produtor Jack Ruby. O sucesso de Garvey's Ghost foi tanto que ele passou a ser mais cultuado (e muitas vezes mais vendido) do que o próprio Marcus Garvey. Um feito, pois, ao lado de Catch a Fire (dos Wailers), este foi um dos discos que marcaram a história do reggae por serem álbuns completos, concebidos assim por um mesmo artista, e não um punhado de singles reunidos por razões comerciais. Há uma versão em CD que reúne os dois discos. Ou seja, imperdível. -- DOWNLOADS: Marcus Garvey (http://tinyurl.com/5qpb7x) e Garvey's Ghost (http://tinyurl.com/62pjz4).

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ASWAD, Hulet (1979) - O mais completo grupo de reggae de todos os tempos, o inglês Aswad flexiona os músculos neste disco que não é exclusivamente de dub (como A New Chapter Of Dub, outro monumento especial da sua discografia), mas que usa as sutilezas e ambiências do estilo para criar uma obra de inspiração soul. Quando Hulet foi lançado, o Aswad não tinha o formato que o consagrou - o trio Brinsley Forde, Drummie Zeb e Tony Gad - e ainda era um quinteto, completado pelo baixista Ras Lev e o guitarrista Donald Benjamin. A qualidade da assinatura Aswad, porém, é mantida de qualquer forma. O disco é uma ponte imaginária ligando Londres, Kingston e Detroit, terra da Motown e da soul music. Ouça a bela "Can't Walk The Streets" e confirme: Hulet é uma obra-prima do dub melódico. Show! - DOWNLOAD: http://tinyurl.com/5qey6m.

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AUGUSTUS PABLO, King Tubby Meets Rockers Uptown (1976) - Um clássico, por tudo e por todos. Pela banda, formada por Robbie Shakespeare, China Smith e Aston 'Family Man' Barret; pela mixagem mágica do mestre King Tubby, um dos pais do dub; e, claro, pelo órgão e timbre encantador da melócida (um teclado tocado por sopro) do genial rasta Augustus Pablo, falecido recentemente. Para sentir o poder do tirmo junto à massa jamaicana: a música que abre o disco, "Baby I Love You So", virou hit e superou o original de Jacob Miller, que tinha vocais e formato "normais". Lento como os movimentos numa noite de verão e sedutor como um sonho bom, este disco é peça fundamental em qualquer discoteca dub. - DOWNLOAD: http://tinyurl.com/5oyn9c.

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MASSIVE ATTACK VS. MAD PROFESSOR, No Protection (1995) - Sempre foi nítida a influência do dub no som chapante do Massive Attack e no trip-hop em geral - basta ouvir o que fazem Portishead e Tricky. Mas em No Protection, o grupo de Bristol leva tudo às últimas consequências, graças à dobradinha com Mad Professor, craque do dub feito na Inglaterra. No disco, o "Professor" vira ao avesso as músicas de Protection, o segundo trabalho do Massive Attack, que se transforma num rolo compressor de efeitos que, ei, não estavam aqui antes. Para completar a festa, ainda há os vocais de Tricky, Nicollete, Horace Andy e Tracey Horn (do Everything But The Girl) flutuando por toda a parte e que servem para lembrar como eram as canções originais. - DOWNLOAD: http://tinyurl.com/58dtf4


(por CARLOS ALBUQUERQUE, na Showbizz de julho de 2000)

quarta-feira, 23 de julho de 2008

:: Os Sementes Pretas ::

Primeiramente, gostaria de agradecer o convite (tipo, eu me convidei e a galera aceitou) do Depredando para ser um dos correspondentes internacionais do blog. É muita sofisticação!

A partir dessa semana vou postar algumas boas coisas que existem aqui na Nova Zelândia, vulgo Cu do Mundo, onde moro atualmente.

Segundamente, vou falar aqui uma coisa (a primeira vez que eu disse isso numa conversa de bar quase quebraram uma cadeira na minha cabeça): Se o Bob Marley não tivesse morrido eu matava ele. Ô cara chato, pô!

Não é só a implicância com reggae que me faz odiar bandeiras da Jamaica (nada contra o país) e todo esse esteriótipo rasta+maconha=praia (ou ao contrário). É a falta de qualidade dos discos, das músicas e dos músicos que se propõem a fazer esse tipo de som. A guitarra sempre a mesma, as cadências idem, o vocalista de cabelo sujo ibidem.

No entanto, hoje vou pagar a minha língua e pedir perdão a Jah ajoelhada no milho. Indico uma banda kiwi que já é até celebridade nos EUA, na Europa e no Japão - merecidamente: The Black Seeds.

O Cd que eu to postando hoje é o segundo da banda, o melhor dos quatro, eu acho. Cheio de groove, funk, naipes de metal belíssimos e dubs pra te deixar doidão. Qualidade impecável e um tecladista talentoso (coisa rara).

Engraçado que depois desse disco, os Black Seeds se transformaram numa banda quase exclusiva de reggae (ainda assim com bons hits). Talvez os produtores tenham falado pros caras: "Ei brôus! Vocês são da Nova Zelândia, só tem brasileiro maconheiro lá!! Olha o mercado!". Funcionou. Os caras não param de tocar na rádia e são ícones por aqui.

Bom, a dica ta aí pra baixar! Espero que gostem e que espalhem a música dos caras aí no Brasil também.

Agora dá licensa que eu to indo ali acender meu baseado. Cof.

Quem: The Black Seeds

Má-o-meno isso: Não espere música pra relaxar. Os caras são bons e quando você menos esperar já vai estar dançando no meio da sala.
Receita (inusitada): Lenny Kravitz + The Warriors + Ben Harper + Salmonela Dub + bons níveis de T.H.C no sangue
Indico para:
- Quem tem preconceito com reggae como eu
- Quem precisa decidir se vai morar na praia ou investe na bolsa de valores
- Reuniões de amigos antigos
- Colocar no som do carro para viajar

My Space The Black Seeds



DOWNLOAD DE GRÁTIS!!!


* Francine Micheli é jornalista, acha que é pianista, mora na NZ e comeu uma barra inteira de chocolate enquanto escrevia esse texto. Também é a dona do blog Mãe, ja Acabei!.

sábado, 12 de janeiro de 2008

:: Joe Strummer




:: JOE STRUMMER & THE MESCALEROS
:: Global A Go-Go e Streetcore

"Joe Strummer, desde que formou o Clash no início de 76, tinha algo de especial no seu jeito Humphrey Bogart e sua performance eletrificada. Desde seus primeiros passos com a banda 101 'ers ( uma banda que tocava garage rock pelos pubs londrinos de 74/76), todos que o viam empunhando sua inseparável guitarra Fender Telecaster já sentiam que aquele era o cara. O Clash acabou se tornando uma química perfeita, quando chegou à sua formação clássica com seu parceiro Mick Jones na guitara e vocal, Paul Simonon no baixo e Topper Headon na bateria. (...) Durante o V2000, o festival de verão inglês, que aconteceu em agosto daquele ano, tive a oportunidade de entrevistar e conhecer pessoalmente meu ídolo. Um cara totalmente descontraído e muito à vontade quando falou comigo, comentando que o novo disco que estavam terminando e que sairia no ano seguinte, seria intitulado "Global A Go Go". Joe sempre foi um cara preocupado com as questões políticas de vários povos, principalmente seus irmãos jamaicanos, com quem tinha uma amizade muito grande. Nesse dia que o entrevistei, Joe estava com alguns DJs jamaicanos que me apresentou e falava sobre os problemas do povo na Jamaica e de um festival beneficente que estavam organizando para angariar fundos..." - KID VINIL na Whiplash!

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"Global a Go-Go is the second album by Joe Strummer and The Mescaleros, displaying trademark genre-melding folk-rock and Strummer's unique lyrical style. As the title suggests, there are world music influences on the album, mostly on the title track and "Bhindhi Bhagee", a celebration of the "humble" but diverse and exciting ethnic and multi-cultural areas of London and other major cities. The album is heavy on acoustic instruments, especially in the instrumental "Minstrel Boy," an almost 18 minute long arrangement of a traditional Irish song. Other topics covered include Strummer's radio show, which was broadcast on the BBC World Service (Global a Go-Go) and left-wing political issues Strummer was well-known for expounding as a member of The Clash. The album was well-received by critics and fans, making much more of an impact than the group's previous effort Rock Art and the X-Ray Style. The title track "Global A Go-Go" features backing vocals from longtime friend of Strummer, Roger Daltrey. Pete Townshend is also rumoured to be buried in the mix of "Minstrel Boy", but this has never been positively confirmed. A different version of "Minstrel Boy" was used as the closing track on the Ridley Scott film Black Hawk Down, this film version is significantly shorter and does feature the actual lyrics to the song. Likewise, "Mondo Bongo" is featured in the Doug Liman film Mr. & Mrs. Smith. The lead track "Johnny Appleseed" is the opening theme to the HBO show John from Cincinnati. The "Minstrel Boy" track is also known as the "Worldcom Dirge" after being featured in a commercial by the soon-to be-bankrupt telecommunications company." - WIKIPÉDIA

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"Como é que ninguém nunca me falou que Joe Strummer solo prestava? Presta. E como presta! Antes eu pensava que o The Clash tinha gastado toda a genialidade que tinha nos anos 70, cometendo aqueles três álbuns perfeitos que, pra mim, já colocam a banda entre as cinco melhores daquela década, mas que depois se desencaminhou... A maldição de ter composto um clássico do tamanho do London Calling acabou sendo um fardo muito grande nos ombros de Joe, Mick e companhia - e eles nunca chegaram perto de compor um sucessor à altura. Tudo bem que os mega-hits cláshicos são dos anos 80 ("Should I Stay Or Should I Go" e "Rock The Casbah"), mas o Sandinista!, apesar de uma meia dúzia de músicas brilhantes, é chato, excessivo, pedante, pouco rock and roll - e com certeza não precisava ser um disco triplo interminável. Os outros álbuns oitentistas do Clash também considero muito fracos comparados com os dos anos 70. Pois então: pra mim, o fodaço Global A Go-Go, do Joe Strummer & The Mescaleros, é o disco que o Clash devia ter feito depois do London Calling. Puta disco foda. Chamar de punk é pouco: isso é world music, reggae, dub, folk, música latina e mais uma pá de coisas. Baixei a discografia completa e tô gostando de quase tudo. Aliás, boa dica: está pra ser lançado o promissor documentário Joe Strummer: The Future Is Unwritten, dirigido pelo Julien Temple, o cara por trás das câmeras no ótimo O Lixo e A Fúria, aquele sobre os Sex Pistols..." - do Dirty Little Mummie




DOWNLOAD (MP3 de 192 kps - 78MB)
"GLOBAL A GO-GO"
http://www.mediafire.com/?423sxrmbdmv



DOWNLOAD (Mp3 de 192 kps - 56 MB)
"STREETCORE"
http://www.mediafire.com/?5ztzg3n1c92