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terça-feira, 11 de outubro de 2011

<<< Depredando, a Mixtape - volume IX - Messin' With The Blues >>>

O blues é mais que um gênero musical: é um estado de espírito. Não é preciso ter vivido às margens do Mississipi ou ter penado nas plantações da colônia inglesa na América para compreender o queixume dos blueseiros. A melancolia não tem dono. Somos todos, vez ou outra, suas vítimas. A idéia desta nova mixtape Messin' With The Blues é dar um passeio por artistas que não costumam ser rotulados e classificados dentro do blues, mas que compuseram flertes e tributos a ele, ou que "brincaram" com ele, ou que o re-interpretaram em outra chave, outro ritmo, outra época...

Começamos a jornada com um dos maiores trompetistas da história do jazz, o incomparável Miles Davis, que no clássico Get Up With It (1974), já esmiuçado por Eduardo Gianetti, compôs um belo "Blues da China Comunista", com harmônica chorando e tudo. Na sequência, John Lennon mostra que mesmo antes de sua carreira-solo, tão repleta de canções angustiadas e angustiantes, já tingia certas canções do Beatles com um blues quase suicida: "Yes, I'm lonely, wanna die / If I ain't dead already, you know the reason why...", canta John em "Yer Blues", do White Album.

Já Tom Waits encarna o loser de boteco que solta uivos na madrugada em "Fumblin' With the Blues": "It's hard to win when you always lose". E a diva do R&B Esther Phillips entoa na sequência o dolorido "Black-Eye Blues", uma canção que parece um curta de Spike Lee e retrata o lamento de uma mulher vítima de violência doméstica: "Preciso de uma vacinação", canta Esther, "contra o blues do olho-roxo".

Depois, é hora de uma melancolia mais noventista e grungy tomar espaço, primeiro com o Afghan Whigs ("You can fuck my body, babe, but please don't fuck my mind", canta Greg Dulli, sexy como sempre, em "Neglected") e depois com Chris Cornell (que, numa canção de amor das mais belas de sua carreira, diz à sua amada: "Só te amo quando estou down / Mas mantenha em mente: / Estou down o tempo inteiro").

Artistas mais vinculados ao folk e ao country - como Lucinda Williams, Tim Hardin, Wilco e Bob Dylan - também não deixam de flertar com o blues em vários momentos de suas respectivas carreiras, o que justifica sua presença aqui com canções que versam sobre "acordar sentindo-se velho" e trens que causam prantos. Como não poderia deixar de ser, a "fitinha" também dá espaço para artistas profundamente influenciados pelo blues, como Creedence Clearwater Revival, The Kinks e Jimi Hendrix, e aqueles que lá nos primórdios marcaram a história do gênero, como a fabulosa Bessie Smith, primeira imperatriz do Blues.


O falecido Elliott Smith, um dos maiores talentos da música americana no pós-Jeff Buckley, também demonstra quão sublime pode tornar-se um lamento musicado na linda "Junk Bond Trader". E, convenhamos, só quem manja muito de tristeza pode suicidar-se com uma facada no coração, como fez Elliott anos atrás, mutilando seus fiéis cultuadores (há boatos, porém, de que a misteriosa morte possa ter sido homicídio, como sugere a matéria no Guardian...)

 E para não dizerem que blues só tem a ver com soturna gravidade, aí estão os sempre irreverentes Mutantes para provar o contrário: "Meu Refrigerador Não Funciona", do clássico A Divina Comédia (1970), é uma espécie de blues-paródia, em que a intensidade da performance constrasta com a "mundanidade" do tema: eis um queixume altamente dramático sobre uma grande desgraça que aflige a condição humana, isto é, cerveja esquentando quando a geladeira pifa. Rita Lee nunca foi tão Janis Joplin. E o blues nunca foi tão feliz.



16 tracks in playlist, average track length: 3:58
Playlist length: 1 hour, 3 minutes, 40 seconds

[download gratuito]

01 - Miles Davis - Red China Blues (4:09)
02 - The Beatles - Yer Blues (3:57)
03 - Tom Waits - Fumblin' With the Blues (3:02)
04 - Esther Phillips - Black Eyed Blues (6:10)
05 - Afghan Whigs - Neglected (4:01)
06 - Chris Cornell - When I'm Down (4:20)
07 - Tim Hardin - How Long (2:54)
08 - Wilco - When You Wake up Feeling Old (3:55)
09 - Lucinda Williams - Can't Let Go (3:28)
10 - Bob Dylan - It Takes A Lot To Laugh, It Takes a Train to Cry (4:09)
11 - The Kinks - Little Miss Queen Of Darkness (3:16)
12 - Elliott Smith - Junk Bond Trader (3:49)
13 - Creedence Clearwater Revival - Before You Accuse Me (3:26)
14 - Jimi Hendrix - Red House (3:43)
15 - Os Mutantes - Meu Refrigerador Não Funciona (6:22)
16 - Bessie Smith - After You've Gone (2:59)

[+] mixtape número 8 (clash, stones, hendrix, ccr, karen o, black mountain...)

domingo, 4 de setembro de 2011

<<< Depredando, a Mixtape... volume 8 >>>

Black Mountain

Povo! MIXTAPE novinha em folha saindo do forno! Tem um hippie'n'roll garageiro dilícia para alegrar os cabeludos ("The Hair Song", do Black Mountain) e muito material para agradar aos estradeiros e easy-riders: como "Travelin' Band", com o Creedence pisando fundo numa de suas músicas mais quinta-marcha. 



Siga viagem na poesia de Bob Dylan, circa-Highway 61 Revisited, sendo cantada em ritmo de garage-rock pela charmosa Karen O, vocalista dos Yeah Yeah Yeahs... um primor! Esta vem da trilha sonora de I'm Not There, o filme de Todd Haynes que biografa surrealiza a vida de Mr. Robert Zimmermann. Depois aproveite pra correr dos hômi junto de Mick Jones, que aparece aqui reclamando punkmente contra a repressão policial no clássico do Clash "Police On My Back" (que aparece em versão ao vivo no Shea Stadium, aquele mesmo que acolheu tantos espetáculos-de-massa bombadaços durante a beatlemania). 

Na sequência tem dobradinha entre Mestres e Discípulos: quem leva adiante a "fitinha" (deixemos de "mixtape", que é muito americanismo!), no pós-Clash, é o Rancid. Neste som, Tim Armstrong, Lars Frederiksen e companhia moicanada fazem uma crônica social a respeito dos "Hooligans". Mais uma naquela veia ska-punk que, além de ter rendido "Time Bomb" e "Ruby Soho", ajuda a fazer do Life Won't Wait (1998) algo como o London Calling de outra geração (esta, que nasceu mais ou menos de 1980 pra frente...).


Tem ainda um clássico velocípede de Hendrix ("Crosstown Traffic", petardo do Electric Ladyland), uma soulzera maria-gasolina com Wilson Pickett (quem lembra do The Commitments, o filme?), uma funkeira que é quase sincretismo religioso com o Funkadelic, e um groove branquelo à la Television com os Strokes da melhor fase, reptilianamente mandando ver. (qual a melhor fase? Pra mim, ali do Is This It até o meio do Room On Fire, época em que os crédulos ainda acreditavam que eles seriam, enfim, a tão propalada quimera de jornalistinha de música, a "Salvação do Rock"...).

O Brasil? Desta vez, representado com só uma banda: os mineiros do Fusile, uma das melhores bandas ao vivo hoje-em-dia, os caras que fizeram com o Coconut Revolution um dos EPs mais duravelmente empolgantes do rock brasileiro recente. Esta é uma mescla linguística de inglês e espanhol (tal como Black Francis, nos Pixies, os belorizontinos adoram a sonoridade do castelhano...) e versa sobre um grande dilema da condição humana: descobrir-se sem dinheiro para pagar a conta depois de ter enchido a cara num pub.

Curtam ae!

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Grande parte dos sons abaixo eu rolei @Metrópolisretrô, pub de Goiânia, durante a Pré-Festa do 10º Festival Vaca Amarela. No próximo fim-de-semana, ouso dizer que não existe nada acontecendo no Brasil, culturalmente falando, de tão interessante quanto a 10ª edição anual consecutiva do Vaca: serão 48 bandas em 3 dias de festa, do hardcore ao brega, da MPB cabeça ao heavy metal, do rap ao pop e deste ao punk... Sem falar nas Artes Integradas e nas muitas Devassas geladas, que também prometem fazer a alegria de muita gente que comparecer. Sou testemunha ocular de que Fósforo Cultural e parceiros estão em intenso processo de maquinação para fazer deste o melhor Vaca Amarela de todos os tempos - e tomara que o décimo seja só um degrau que conduz ao vigésimo! Quem estiver pela capital goiana entre os dias 09 e 11 de Setembro, pois, não deixe de conferir o 10º Vaca Amarela - no Centro Cultural Martim Cererê, R$ 20 o dia na Sexta e no Sábado, R$10 o antecipado para o Domingão; a partir das 18h na Sexta e no Sábado e a partir das 15h no Domingo. Menores de 16 anos só entram acompanhados. Os ingressos são limitados: 2.000 entradas por dia. Garanta o seu na Hocus Pocus, Ambiente Skate Shop ou Fábrica Cultura Coletiva. Hey ho?! LET'S GO!

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DEPREDANDO, A MIXTAPE
[VOLUME NÚMERO 8, Setembro '11]
Capa: Léger remixado
DOWNLOAD GRATUITO (75 MB)


01. BLACK MOUNTAIN - The Hair Song (Wilderness Heart) (3:54)
02. KAREN O - Highway 61 Revisited (I'm Not There OST) (3:58)
03. ROLLING STONES - All Down The Line (Exile On Main Street) (3:47)
04. THE CLASH - Police On My Back (Live At Shea Stadium) (3:28)
05. STROKES - Reptilia (Room On Fire) (3:41)
06. RANCID - Hooligans (Life Won't Wait) (2:32)
07. CREEDENCE CLEARWATER REVIVAL - Travelin' Band (Cosmo's Factory) (2:07)
08. YEAH YEAH YEAHS - Gold Lion (Show Your Bones) (3:09)
09. FUSILE - No Puedo Pagar (A Step Behind to Lose) (2:06)
10. FUNKADELIC - Who Says A Funk Band Can't Play Rock?! (One Nation) (6:18)
11. WILSON PICKETT - Mustang Sally (soul classic) (3:05)
12. HENDRIX - Crosstown Traffic (Electric Ladyland) (2:24)

Dissemine e Semeie: http://www.mediafire.com/?ppbm7ixgc5gkt3r !