domingo, 5 de setembro de 2010

:: Eu Sou Ozzy ::

:: O Forrest Gump do Metal ::
- Ana Alice Gallo -

Bons colegas de boteco são, por essência, ótimos contadores de história. Você sabe que não pode acreditar em tudo o que o cara tá dizendo, mas nem esse é o propósito: vale mais o sabor dos causos. Imagine, então, um desses sujeitos com mais de 40 anos de experiências em pubs, puteiros e muitas situações insólitas. Pois é isso que faz Ozzy em sua auto-biografia: conta causos e mais causos, como um bom Forrest Gump do heavy metal.

Dois fatores desarmam de cara o leitor: o fato de o livro ser narrado em primeira pessoa, o que já pressupõe que o sujeito vai contar tudo do jeito dele; e, no caso desse rockstar, a declaração na primeira página de uma lista de drogas gigantes que fizeram ele não se lembrar direito de tudo, e que era bem possível que outras pessoas contestassem a sua versão dos fatos. Resta-nos, então, pedir ao garçom mais uma breja e saborear tudo sem pudores ou ressalvas. São, sim, histórias do vovô Ozzy.

Entre a infância fodidamente pobre, uma passagem rápida pela prisão e um trabalho em um abatedouro, desenha-se o personagem Ozzy, que cresceu e conquistou o mundo portando dislexia, déficit de atenção e, mais tarde, uma rara doença chamada de síndrome parksoniana – sem nunca ter exatamente noção disso tudo. Descobre-se que a magia negra nada mais era que uma tosca jogada de marketing inventada quando os integrantes do Balck Sabnbath viam filas enormes na frente do cinema quando passavam filmes de terror e imaginavam que coisas aterrorizantes chamavam a atenção. E que eles detestavam, na verdade, os seguidores de Satã que passaram a fazer vigília nos hotéis da banda e a pintar crucifixos invertidos com sangue nas portas de seus quartos.



Não vou contar todos os “bombons” que Ozzy entrega aos leitores enquanto abre a caixa de chocolates (recheados de álcool e cocaína) que é sua vida. Mas algumas pérolas se destacam, como quando descreve como explodiu uma pomba em uma sala com executivos da gravadora, ou jura que morder a cabeça de um morcego foi um acidente inesperadíssimo. Em turnê com o Mötley Crue, um belo dia Ozzy acordou no canteiro central entre as pistas de uma rodovia, e não espere descobrir como ele foi parar lá, se nem o próprio se lembra.

O ex-vocalista do Black Sabbath foi um pai lastimável, um filho um tanto mesquinho e um marido quase homicida (se ele não lembra, ele não fez?). Mas brigas familiares, momentos desprezíveis e lutas de consciência passam sutilmente pelos capítulos, nada que realmente estrague a noite do leitor. Ozzy é tão complacente consigo mesmo que, quando se culpa por não estar presente na criação dos filhos ou de se arrepender de ter feito o seriado “Os Osbournes”, você o desculpa junto, só pra poder ouvir logo o próximo causo. E chamar o garçom de novo.

>>> Leia trechos do livro!

3 comentários:

Anônimo disse...

Esse Ozzy é mó neurozzie!

... disse...

E aê cara, foda seu site, conheci ele procurando uns cd´s do The Pillows, então, procura ouvir outras trilhas bacanas que a japnezada fez pro desenho Samurai Shamploo e Cowboy Beeboop, mas eu recomendaria mesmo a trilha de Lupin III, um desenho dos anos 70, que tem Jazz, Funk, Rock progressivo e nóias da época. Abaixo o link de um site qeu tem coisa pacas dessa série pra ouvir: http://my.opera.com/zaratozom/blog/?&abc=&startidx=0

Anônimo disse...

http://www.youtube.com/watch?v=m57GAObtnwE