quinta-feira, 23 de setembro de 2010

<<< O Vaca e o Porão: aperitivos! >>>

É uma assembléia? Um levante? Um arrastão? Não!
É o Terra Celta invadindo o Sertão...

A gente teve lá, nos dois últimos ruidosos findis, arruinando com prazer tímpanos e fígado para checar de perto um pouco do que a música independente brasileira está gerando de melhor. O Porão do Rock, em Brasília, e o Vaca Amarela, em Goiânia, dois dos mais significativos festivais que rolam anualmente no país, fazem por merecer longas matérias gonzo à la Tony Parsons que já estão em incubação. Mas a cobertura completa, contando tim-tim por tim-tim e pogo-por-pogo o que rolou no Planalto Central nestes últimos tempos, vai ficar pra mais tarde: é uma das atrações que vai rechear o lançamento iminente do nosso novo lar: o http://depredando.com. Por enquanto, fica aí um tiragosto de como foram estes dois grandes festórios da cultura independente brazuca em momentos de plena efesvescência.

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entrevistamos a galera do Fusile um tempo atrás, empolgados com um dos EPs de estréia mais apetitosos do rock nacional nos últimos tempos. Agora tivemos a chance de ver ao vivo o ska-core maníaco dos mineiros e compravamos: é coisa fina. Apesar das comparações com o Móveis ou o primeiro Los Hermanos, estes fusiladores me soam mais como estas big-bands modernas tri-legais como o Squirrel Nut Zippers e o Big Bad Voodoo Daddy. Boom boom boom!



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Rivalidade futebolística às favas, frisemos que nuestros hermanos argentinos do Los Primitivos fizeram um dos shows mais dilícia do Porão deste ano --- e depois repetiram a dose tocando no Vá Tomar no Kuka de Goiânia. Foi talvez a mais grata atração internacional do festival brasiliense, que contou ainda com Supersuckers e The-Right-Ons. O power-trio doidão de Buenos Aires toca um psychobilly retrô com a safadeza e a naturalidade com que Maradona fazia gols com a mão. E o título do primeiro álbum mostra bem as intenções malévolas dos sacanas: querem rockear "hasta que caigas muerto"!



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Fazendo jus à sua posição vanguardista na ascendente cena instrumental brasileira, que conta ainda com o Macaco Bong e o Hurtmoldt (dentr'outros), os gaúchos do Pata de Elefante fizeram um dos shows musicalmente mais ricos do Vaca. Belíssimos solos de guitarra deitam-e-rolam sobre um cabuloso groove cozinhado pelo resto da manada. Este mamute, apesar de seu peso, mostra uma grande facilidade em alçar vôo. Chuuupa, Dumbo!



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O Sick Sick Sinners, que toca psychobilly tão pesado e tão urrado que mais parece o Motörhead do Paraná, fez um dos mais marcantes ataques psicóticos em formato de som do Porão. Foi tão insano que uma hora a roda de pogo virou pancadaria e deve ter tido neguinho mandado pro hospital. Com vocês, Curitiba psychos on the loose!



(Não, não é uma cover de "Ace Of Spades"!)

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Não dá pra não pagar pau mais uma vez pra catártica e insana festa pagã do Terra Celta. Ouso até dizer que o Móveis Coloniais de Acaju tá ameaçado de ficar comendo poeira frente a estes malucos no quesito "show mais empolgante do Brasil". Chega a ser inacreditável a recepção extremamente positiva do público que se entrega massivamente à mistureba de música celta, baião e atitude punk-rock que transformou o Estação Goiânia numa orgia hedonista de abrir sorrisos em Baco e Dionísio. Como tiragosto, traguem este lullaby bebum:



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Pra terminar este breve antepasto, degustem aí o Pato Fu num de seus momentos mais lúdicos no show de Brasília. É o momento em que o John assume o comando e a banda descamba pruma garageira de prima, mezzo Nuggets, mezzo Mutantes.Vale ressaltar que, num festival em que o pessoalzinho começou a ter os primeiros comas alcóolicos enquanto o Sol ainda estava caindo, com umas 12h de som ainda pela frente, quem demonstrou personalidade foi a Fernandinha Takai em sua escolha de goró. Porque beber Toddynho frente a 32 mil pessoas exige é muito culhão!




Logo mais tem mais!

(Fotos: Goiânia Rock City)

2 comentários:

Samuel disse...

É... e eu em ksa doente, não pude ir no Vaca esse ano. Perceber agora que foi tão bom assim, me deixa mais triste ainda, hehe.

Eduardo Carli de Moraes disse...

Putz! Um dos perigos de ir doente pro Vaca é você se ver com a temperatura beirando os 42º no meio do show do Terra Celta (quando a coisa ferve...). =)