segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

:: Tom Jobim, "Urubu" (1976) ::


Escolhido um dos 10 melhores discos da história da MPB pelo júri comandado por André Domingues, autor do excelente Os 100 Melhores CDs da MPB (Editora Sá). Sobre o álbum, André escreve o seguinte:

"Em 1976, quando lançou o antológico Urubu, Tom Jobim era tido como um gênio da música popular internacional, o que lhe permitia conceber discos sem ter de se adequar à suposta receptividade do mercado. Acontece que, depois de brilhar na explosão mundial da bossa-nova, emplacar inúmeros sucessos nos 4 cantos do planeta e ser aclamado em massa por músicos como o mito Frank Sinatra(com quem gravou 2 discos nos anos 60), o maestro carioca já não tinha mais nada a provar. O belo e delicado Urubu é o que se pode chamar de um álbum feito para si, pois exala o carinho e a despreocupação de alguém que arruma sua própria cama. Tudo saiu exatamente como foi planejado pelo autor, que, inclusive, optou por bancar sozinho toda a produção e depois oferecer o disco à Warner. Entre os muitos cuidados que teve, estão a escolha de Claus Ogerman para a criação dos arranjos, a resolução por gravar tudo em estúdios norte-americanos – o que já vinha fazendo havia um bom tempo, pela qualidade superior que tinham na época – e a seleção de excelentes músicos para acompanhá-lo: João Palma (bateria), Ron Carter (contrabaixo) e Ray Armand (percussão). A definição do repertório, quase todo de sua autoria, também não visou às paradas de sucesso, ainda que a primeira faixa, “O Boto”, tenha obtido ótima repercussão (...), que traz a única participação especial do disco, feita pela cantora Miúcha. Outra faixa memorável é “Correnteza”, de Jobim e Luís Bonfá, que, embora tivesse registros anteriores, só ficou conhecida a partir de Urubu. Há também uma releitura da famosa “Lígia”, com versos diferentes dos originais, que tem uma história curiosa: Jobim a compôs sozinho no início dos anos 70, mas em 1974, depois de já gravada por artistas como João Gilberto e Stan Getz, Chico Buarque resolveu alterar alguns trechos da letra, mas não aceitou a co-autoria, deixando uma confusão entre as duas versões. A então inédita “Ângela”, um foxe lento, fecha em grande estilo a coleção de canções do disco, com sua melodia bonita e sofisticada. A segunda parte de Urubu é composta por temas orquestrais que, sem a pretensão de marcar a música erudita contemporânea, recordam a vontade adolescente de Jobim de se tornar um concertista, trazendo à tona a influência que recebeu de Villa-Lobos – seu preferido -, Bach, Ravel e Debussy. O primeiro tema é o nostálgico “Saudades do Brasil”, que os músicos da Sinfônica de Nova Yorke, particiántes da gravação, aplaudiram de pé. Em seguida vem o lírico e introspectivo “Valse” (de autoria de Paulo Jobim, seu filho) e, depois, o contemplativo “Arquitetura de Morar”, de longo desenvolvimento. Encerrando essa segunda parte, Jobim registrou “O Homem”, um tema tenso e épico, composto sobre o ritmo vibrante da marcha para sua obra “Brasília: Sinfonia da Alvorada”, dedicada à capital do Brasil.” (pg. 26-27)


OPÇÕES DE DOWNLOAD (MP3 de 128kps - 34 MB):

3 comentários:

marcos nasc. disse...

opa eduardo, vou baixar esse, do jobim só tenho o wave, foi mal pelo atraso do meu post, a net aqui em casa não tava ajudando mas acho q o post vale o atraso.


abraços

Eudes Baima disse...

O único disco capaz de se ombrear com Urubu na discografia de Jobim é o seu irmão gêmeo Matita Perê. Dois monolitos no meio da música brasileira.

Andre Luiz Rocha disse...

Música universal feita por um gigante brasileiro!