sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

Kick Out The Jams, Motherfuckers!



MC5 [1969] Kick Out The Jams

Este se trata do disco de estréia de um dos grandes ícones do final da década de 60. A banda nasceu em 1965 na cidade de Detroit, por isso o nome MC5, que significa Motor City 5 (lembre-se que as grandes fábricas de automóveis dáquele país têm suas sedes nesta cidade). A banda formada por: Rob Tyner, vocal; Wayne Kramer e Fred Smith, guitarras; Michael davis, baixo e Dennis Thompson, bateria; só conseguiu assinar com uma gravadora, Elektra (mesma dos Doors), em outubro de 1968. Mas agora é que começa o fato marcante deste disco: gravadora (!) e banda resolveram que nada melhor para o primeiro disco do que gravarem ao vivo. Isso mesmo, o primeiro disco do MC5 foi gravado ao vivo em dois shows no Grande Ballroom, Detroit, nos dias 30 e 31 de outubro de 68.

O fato de o 1º play de uma banda ser ao vivo é, ainda hoje, algo impensável, inimaginável, inviável e impronunciável para qualquer gravadora, seja ela pequena ou grande. Aí está a genialidade da banda e de alguns executivos da Elektra, que acabaram fazendo deste disco um marco na historia da música.

O albúm começa com um discurso de John Sinclair, empresário da banda, mas falaremos sobre isso apenas no final. Em seguida começa Ramblin'Rose, uma música que lembra os grandes rocks do final dos anos 50 e início dos 60, com um riff de guitarra pesado, mas que dá vontade de sair dançando. Starship, uma das melhores do disco, foi feita em parceria com um músico de Jazz e que só tem uma explicação: muito LSD como inspiração.

Agora voltemos à John Sinclair, que além de empresário foi escritor e mentor do movimento de contra-cultura na cidade de Detroit. Para promover sua ideologia, Sinclair começou a empresariar várias bandas locais, dentre elas o MC5. É dele o discurso introdutório do disco que é mais ou menos como segue: ".... Irmãos e irmãs eu quero ouvir barulho, quero ver um pouco de revolução lá fora. Irmãos e irmãs chegou a hora de cada de vocês um decidirem se serão parte do problema ou parte da solução, vocês precisão decidir irmãos, demora apenas 5 segundos para perceber o seu propósito aqui no planeta e que é tempo de fazer algo e derrubar a todos eles..."

Discurso forte para a época e que resumia a filosofia mais radical da contra-cultura. Sinclair também fundou o White Panthers Party (Partido dos Panteras Brancas), uma resposta não racista aos Black Panthers. A maior premissa dos White Panthers era a exigência de liberdade cultural e econômica para todos e se achavam no direito de usar quaisquer meios para conseguir seus objetivos. O partido até chegou a lançar um candidato a presidência, o simpático porquinho Pigasus, mas infelizmente a cadidatura não foi adiante.

Você deve estar se perguntando: então o MC5 apoiava tudo isso? A resposta deixo para o baterista Dennis Thompson: "Eu não queria ficar levando bandeiras que diziam ´vamos fumar marijuana, vamos usar LSD e trepar nas ruas´ porque isso não era o MC5. O verdadeiro MC5 era uma banda de Rock and Roll, tentando ser melhor que o The Who, The Rolling Stones e The Kinks juntas". Mas apesar disso a banda ficou com uma má e errada fama de revolucionários, e este foi um dos motivos que levaram a banda ao seu final em 1972, mas esta é uma outra história.

DOWNLOAD: Mediafire - mp3 de 192 kps - 54 MB

Um comentário:

Eduardo Carli de Moraes disse...

Discaço! Quase inacreditável que algo tão explosivo e punk tenha sido lançado nos anos 60... Um dos melhores álbuns ao vivo que eu conheço.

Tá mandando bem na seleção! =)