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domingo, 12 de maio de 2013

GRASSHOPPER NIGHT: O show de Paul McCartney em Goiânia...



GRASSHOPPER NIGHT
Uma Gonzo-Reportagem


"...a imperecível necessidade humana de viver em beleza." 
Johan Huizinga em "Homo Ludens"
(Ed. Perspectiva, pg. 71)




"Remember to let her into your heart, 
Then you can start to make it better
The minute you let her under your skin,
Then you begin to make it better.
So let it out and let it in...
Hey Jude, begin!
Don't carry the world upon your shoulders..."





Paul McCartney teve que percorrer uma longa e tortuosa estrada até vir parar, com mais de 70 anos rodados pelas trilhas da vida, aqui nas terras dos Goyazes... 

Em sua primeira infância, na Inglaterra de 1942, durante a 2ª Guerra Mundial, o garoto de Liverpool brincava pelos territórios bombardeados pelo III Reich, como ele mesmo narra no início do Beatles Anthology: "We played on bomb-sites a lot and I grew up thinking the word 'bomb-site' almost meant 'playground'. Reminders of the war were all around..." (p. 17). 

Foi por pouco que Hitler e sua gangue de arianos genocidas não adicionaram ao seu horrendo catálogo de atrocidades a morte da família McCartney: estima-se que 4.000 pessoas morreram durante os ataques da Luftwaffe que ficaram conhecidos como Liverpool Blitz.


Filho de um pai protestante que tocava piano, e que desde o berço fez o pequeno Paul "mergulhar" no mundo do jazz e do folk, e de uma enfermeira católica, que sempre cuidou de sua saúde com muito esmero, McCartney desde cedo esteve rodeado e possuído pelas musas da música. 

Desde tenra idade, decorava os hits do rádio, tocava piano em festinhas familiares, compunha cantigas ao violão e ia atrás de conhecer e se amigar com os melhores músicos de Liverpool: antes dos 16 anos de idade, já impressionava os músicos ao seu redor com suas versões bem-timbradíssimas de Eddie Cochran, Little Richard e Elvis Presley, dentre outros roqueiros das antigas. E logo o mocinho integraria a Banda de Besouros, a Banda do Sargento Pimento e do Submarino Amarelo, aquela que se tornaria um dos monumentos musicais mais importantes do século 20 e uma das cerejas no bolo do Sonho Hippie...

E hoje em dia, me parece, McCartney prossegue, apesar de ser um perfeito gentleman britânico, um hippão de coração. Talvez o hippie, neste planeta, com a maior conta bancária (sua fortuna é estimada em mais de U$1.000.000... um bilhão de doletas!), e cujo ideário hippie decerto não inclui como ideal norteante a pobreza voluntária. McCartney ainda fala em favor da legalização da maconha, que, conta a lenda, teria sido apresentado aos Beatles em 1964 por Bob Dylan, o que parece ter sido para Paul o início de um caso de amor de fidelidade ímpar, com o cânhamo sagrado, já que ele segue pró-cannabis mesmo tendo sido preso algumas vezes, em alguns países, por posse de fontes de THC. McCartney também ilita em prol dos direitos animais,  sendo talvez o vegan com maior apelo de massas no atual showbizz global, capacitado para gerar discussão e debate público sobre um tema ainda tabu (os bilhões de criaturas mortas para serem consumidas por humanos na forma de hambúrgueres, salsichas e fatias de bacon)

Outro índice de hippiedade é que em  muitas ocasiões ele já escancarou, em suas declarações, uma mui-hippie predileção intensa pela psicodelia. Teve uma experiência existencial significativa quando olhou através dos telescópios e microscópicos lisérgicos, nos anos 60, época em que ingeriu muitas doses da Poção de Hoffmann que o Dr. Leary andava louvando por aí (o LSD... homenageado singelamente em "Lucy in the Sky With Diamonds", dentre outras cantigas). Os pendores de Paul McCartney ao louvor arrebatado e hiperbólico às substâncias psicodélicas ficam claros, por exemplo, em declarações como a seguinte, que foi pescada do Anthology e em que ele relata sua experiência com  o LSD:


"After I took LSD, it opened my eyes: we only use one-tenth of our brain. Just think what we could all accomplish if we could only tap that hidden part. It would mean a whole new world. If the politicians would take LSD, there wouldn’t be any more war or poverty or famine."

McCARTNEY
No "The Beatles Anthology"
(Chronicle Books, San Francisco, Pg. 255)
[ Re-blogar citação no Tumblr ]

McCartney, hoje em dia? Um setentão que aguenta 3 horas de show sem precisar beber uma gota d'água. E esta turnê pelo Brasil, em 2013, certamente deixará lembranças indeléveis nos corações e mentes dos cerca de 150.000 brasileiros que o viram de perto em Belo Horizonte (no Mineirão), Goiânia (no Serra Dourada) e em Fortaleza (no Canecão).




Foi uma oportunidade magnífica ver em carne-e-osso esse mito-vivo, em sua primeira aparição por Goiás, com um showzaço que satisfez com folga o público que encheu o Serra Dourada. Até agora não conversei com ninguém que não tenha descrito o espetáculo com os mais entusiásticos e gratos dos termos. Foram 38 músicas, com um repertório repleto de clássicos dos Beatles (com destaque para "Hey Jude", "Let It Be", "Eleanor Rigby", "Get Back", "Helter Skelter", "The Long and Winding Road", "Yesterday", "Back in the U.S.S.R"...) e dos Wings (incluindo as estupendas "Live and Let Die" e "Maybe I'm Amazed"). 

Num espetáculo grandioso, cheio de pirotecnias, com psicodelia bem-bolada rolando nos telões, e acompanhado por uma bandaça impecável, Paul McCartney passou por Goiânia impressionando geral com sua vivacidade, sua simpatia e seu embriagante e revigorante tônico musical, bebido com tanta sede e deleite pelas massas-em-festa... Em suma: reativando a beatlemania nestas noites brasileiras repletas de histerias ultra-admirativas e aclamações esfuziantes, Macca encantou geral com sua voz e suas melodias, dando farto alimento à "imperecível necessidade humana" (pois nem só de pão vive o homem...) "de viver em beleza" - como diz no Homo Ludens o Huizinga. 

"Goiânia Grasshopper Stage Invasion!" 
[Vídeo oficial do PaulMcCartney.com]

Sem dúvida, o elemento pitoresco do show em Goiânia, e que ficará indelével na memória do público e do músico, foi a alegre invasão daqueles beatlemaníacos alados que não perderam a chance de fazer o que muito mortal fica só passando vontade: tocar a carne de um mito. Viraram até notícia internacional! Goiânia fez jus a sua fama de "roça asfaltada" e, ao mesmo tempo, esta imprevista irrupção de vida fez com que o ambiente, saturado da artificialidade ultra-tecnológica daquele palco hi-techse reconectasse com a natureza. Como notório defensor dos direitos dos animais, Paul McCartney em nenhum momento foi agressivo contra os visitantes inesperados - aliás bastante inofensivos, desprovidos que são de malícia e de ferrão. Ao invés de enxotá-los com tapões ou piparotes que poderiam equivaler, para tão frágeis criaturas, a severos hematomas, ou mesmo a golpes fatais, McCartney divertiu-se como um pirralho com os bichinhos - dotados, aliás, de excelente gosto musical. 

Tem gente dizendo que eram grilos-esperança, outros que eram gafanhotos, outros ainda "insetos vetores"; pouco importa. O que importa é aquilo que o episódio revelou sobre a personalidade de Paul, seu espírito lúdico tão vivaz e seu senso-de-humor tão espontâneo. Também se tornou clara a capacidade enorme de empatia com outros terráqueos que é uma marca de personalidade de McCartney, que aliás criou uma das máximas mais célebres da história do vegetarianismo (que era também praticado por Linda): "se os abatedouros tivessem paredes de vidro, todos seriam vegetarianos". O estádio Serra Dourada foi proibido de vender espetinhos de carne no espaço do show, por pedido do próprio McCartney, que é militante pelos direitos animais há muitos anos. O que se escancarou com este episódio é que não é somente em prol de vacas, bois, galinhas, porcos e perus - dentre outros animais que os humanos devoram!  - que McCartney milita e defende. Que coerência genuína de pensamento e ação o episódio com os grasshoppers revelou! 

Pego de surpresa, McCartney mostrou excelente capacidade de improviso: usou o acaso a seu favor e transformou os bichos numa atração à parte. Um deles (ou seria uma delas?), particularmente obstinado em manter-se coladinho no Beatle, foi batizado de Harold e convidado a saudar a platéia no microfone. Mas Harold se intimidou diante dos mais de 45 mil humanos presentes e manteve-se calado. Quando veio o clássico "Hey Jude", um dos muitos ápices emocionais do show, com 40 mil vozes se juntando no coro de "nánáná", ocorreu um momento mágico: o grasshopper beatlemaníaco estava pousado nos ombros de McCartney quando veio o verso "The movement you need is on your shoulder", e Macca, veloz e sagaz, não perdeu a ocasião da alusão.

(Lembrei de uma das melhores cenas do documentário sobre Raul Seixas, O Início, o Fim e o Meioquando o diretor Walter Carvalho recebeu, também, um presente do acaso muito bem aproveitado: entrevistando Paulo Coelho em Genebra, cidade onde quase não existem moscas,  Carvalho viu o "set" ser invadido por uma inesperadíssima aparição alada; Paulo Coelho não perdeu a ocasião de apontar: "deve ser o Raul...". Depois de ser esmagada a mosca pelo místico higienista, a sacada do documentário, aliás brilhante, está edição de som, que faz com que Raulzito, eterno mosca-na-sopa da caretice e do quadradismo, entre cantando logo na sequência: "E nem adianta vir me dedetizar... Pois você mata uma e vem em outra em seu lugar!")



O que mais me assombra e me impressiona é uma pessoa com tamanha capacidade (intacta!) para as alegrias fáceis, para as cantorias vivazes, para as melodias memoráveis, quando sabemos quantas tragédias e lutos ele não teve que enfrentar nesta longa e tortuosa estrada da vida! Fora os horrores da guerra, experenciados na infância, que relatamos no começo desta gonzo trip, cabe lembrar que Paul, na adolescência, quando tinha 14 anos de idade, perdeu a mãe para o câncer - foi quando viu seu pai chorar pela primeira vez. Resistiu vivo através de outras tempestades, sobrevivendo ao assassinato que levou Lennon em 1980, ao câncer que matou sua esposa (e mãe de seus filhos) Linda em 1998, tendo também se despedido do caixão de George Harrison em 2001. É uma lição de vida testemunhar que nada disso aniquilou o senso de humor e a capacidade de empatia com os viventes deste artista com espírito perpétuo de menino e que encantou com sua graça os mais de 45 mil mortais que encheram o Serra Dourada para prestigiá-lo.



É bem verdade que este espetáculo Out There usa e abusa da pirotecnia, não economizando no tamanho dos telões, na coloridice extrema das imagens, na variedade de holofotes e luzes, na profusão de fogos de artifício e lançadores-de-chama (que fazem sua estrondosa aparição-clímax em "Live and Let Die"). Há algo de arrasa-quarteirão roliudiano no show, que pretende ser uma torrencial chuva de estímulos sensíveis sobre um público que McCartney deseja levar ao delírio, ao êxtase coletivo, depois recolhendo com deleite as aclamações, as salvas de palmas e os ursinhos de pelúcia lançados sobre o palco por mocinhas apaixonadas. 


Um crítico de arte que conhecesse de Adorno e Horkheimer, que soubesse das críticas de Guy Debord à "sociedade do espetáculo", talvez pudesse destroçar criticamente este show como mero showbusiness alienante, como uma criação do capitalismo hi-tech que serve para algo similar ao que o "Pão & Circo" fazia para o Império Romano. Acho plausível, aliás, que nosso governador tucano e cachoeirista, Marconi Perillo, tenha investido dinheiro público neste show com intenções de, através de uma pão-e-McCartney grandioso e crowd-pleaser, fazer com que os goianos esquecessem de suas tenebrosas e escusas relações com o Al Capone do Cerrado, o gangter Carlinhos Cachoeira, pra não falar do esquema de espionagem escancarado recentemente pela revista Carta Capital.


Só que, me parece, o show de McCartney jamais poderia ser reduzido a isso, um instrumento político na mão de um governo corrupto, pois é um evento cultural que transcende o presente: foi uma oportunidade de receber um "banho de imersão" na história da música pop inglesa em algumas de suas mais geniais criações nas últimas décadas, um embarque numa viagem que nos carrega de volta para os anos 60 e 70, que nos dá um vislumbre do que foi o frenesi da beatlemania, que nos deixa instigados a criar uma cultura cuja efervescência aspire a igualar aquela que incendiou o pop nos crazy sixties. 


McCartney escapa do "imediatismo" do showbizz, que costuma dar ao público algo que ele possa consumir e logo esquecer (a fila das mercadorias anda!). McCartney parece desejar que cada um no público leve para casa uma lembrança indelével, algo a ser carregado pelo resto da vida, por isso não se economiza, não poupa seu coração, não retêm seu sentimento; sentimos algo de genuinamente humano e caloroso sobressaindo sobre aquela parafernália técnica toda. McCartney anda fazendo, ao vivo, um ritual auto-celebratório em que resgata seus mais de 70 anos de vida e seus quase 50 anos de carreira, arrastando o público numa jornada colorida, lisérgica, psicodélica, às vezes kitsch, sempre emotiva e emocionada, por uma vida cuja criatividade e talento os milhões de beatlemaníacos não param de celebrar. 

Aliás, McCartney consegue muito bem, sem tecnologia pesada o acompanhando, encantar uma multidão com simplicidade e frugalidade: sozinho ao violão, quando canta "Blackbird" ou "Yesterday", não precisa de pirotecnia alguma para nos deixar encantados. Na homenagem à imortal canção de George Harrison, "Something", soube deixá-la graciosa em seu despojamento ao re-interpretá-la no ukelele.

Talvez tenha razão quem disse que a música é a única língua universal: Mozart ou Bach, tocados em qualquer latitude, em qualquer continente, independente do idioma que ali domine, são deleitáveis experiências para os tímpanos humanos; e "nánáná" em inglês, em japonês e em português é sempre "nánáná". Os sons, como anarquistas desrespeitadores de todos os arames farpados, não respeitam as fronteiras: caçoam delas, velejando no vento, voando por sobre os muros e atravessando as paredes. Talvez não haja nada, dentre as criações humanas, nada com mais benéfico potencial de congraçamento do que a música. Quando 50 mil pessoas houvem a mesma música, no mesmo espaço, quando suas vozes se unem para cantar uma melodia, podem sentir-se unidas em um sentimento como só deve ocorrer em raríssimas ocasiões e para raríssimas massas, quiçá só equiparável à fervura de um levante revolucionário... O mínimo que se pode dizer de Sir Paul McCartney é que ele tem uma capacidade de comunicação afetiva com as massas que é rara; que sua música prossegue tendo uma graça que transborda e que não envelhece; que com mais de 70 anos, prossegue com espírito de menino, legítimo espécimen do homo ludens; que muitas de suas melodias tem vocação para a eternidade e muito provavelmente poderão agradar também a nossos bisnetos e tataranetose que os Beatles não deixarão mais a história da música do século 20 como um de seus acontecimentos mais dourados. 

"And in the end
The love you take
Is equal to the love 
You make."


"Live and Let Die" e "Hey Jude"
(ao vivo em Goiânia, Maio de 2013)

Siga viagem em outras criações do Mega-Macaco Macca...


ÁLBUNS DE ESTÚDIO (COMPLETOS)

MCCARTNEY (1970)
MCCARTNEY II (1980) 
RUN DEVIL RUN (1999) 


ALGUMAS CANTIGAS MEMORÁVEIS

“WHEN I’M 64” DO SGT PEPPERS
“SHE’S LEAVING HOME” OUTRA DO SARGENTO PIMENTA

THE BEATLES ANTHOLOGY (ÁUDIO)
(6 horas de Beatles!)


quinta-feira, 25 de abril de 2013

Hendrix, The Who, Led Zeppelin, Sonics, Standells e muito mais... "Rock'n'Roll Não É Poluição Sonora!" [3a Edição]


Saiu a 3ª coletânea da série “Rock’n’roll Não É Poluição Sonora”, batizada em homenagem à sonzeira do AC/DC que fecha o Back in Black; nesta edição, tem Hendrix ao vivo em Monterey, uma “suíte” com 3 canções-siamesas do Abbey Road dos Beatles, “Gallows Pole” do Led Zeppelin… E ainda The Kinks, Love, Sonics, The Standells, The Electric Prunes, e por aí vai… Ouça já! Quem quiser ajudar a disseminar estes sons, compartilhe no Facebook. Capa: Jimi Hendrix por David Lloyd Glover.  Veja 120 ilustrações de Glover em homenagem a ícones da música.

Setlist: 
01) THE BEATLES, “Golden Slumbers”, “Carry that Weight” e “The End”;  02) THE WHO, “The Seeker”;  03) LED ZEPELLIN, “Gallows Pole”;  04) THE KNICKERBOXERS, “Lies”;  05) THE SONICS, “Strycnine”;  06) THE REMAINS, “Don’t Look Back”;  07) THE CHOCOLATE WATCHBAND, “Are You Gonna Be There (At The Love-in);  08) THE STANDELLS, “Dirty Water”;  09) THE COUNT FIVE, “Psychotic Reaction”;  10) LOVE, “7 and 7 Is”;  11) THE ELECTRIC PRUNES, “I Had Too Much To Dream Last Night” ;  12) THE STRANGELOVES, “Night Time”;  13) JIMI HENDRIX, “Foxy Lady” (Ao vivo no festival de Monterey).

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

THE BEATLES - Discografia Completa! (Todos os Discos: Ouça On-Line ou Faça o Download...)






Biography by Richie Unterberger
(@ AMG All Music Guide)

So much has been said and written about the Beatles -- and their story is so mythic in its sweep -- that it's difficult to summarize their career without restating clichés that have already been digested by tens of millions of rock fans. To start with the obvious, they were the greatest and most influential act of the rock era, and introduced more innovations into popular music than any other rock band of the 20th century. Moreover, they were among the few artists of any discipline that were simultaneously the best at what they did and the most popular at what they did. Relentlessly imaginative and experimental, the Beatles grabbed a hold of the international mass consciousness in 1964 and never let go for the next six years, always staying ahead of the pack in terms of creativity but never losing their ability to communicate their increasingly sophisticated ideas to a mass audience. Their supremacy as rock icons remains unchallenged to this day, decades after their breakup in 1970.
It's hard to convey the scope of the Beatles' achievements in a mere paragraph or two. They synthesized all that was good about early rock & roll, and changed it into something original and even more exciting. They established the prototype for the self-contained rock group that wrote and performed its own material. As composers, their craft and melodic inventiveness were second to none, and key to the evolution of rock from its blues/R&B-based forms into a style that was far more eclectic, but equally visceral. As singers, both John Lennon and Paul McCartney were among the best and most expressive vocalists in rock; the group's harmonies were intricate and exhilarating. As performers, they were (at least until touring had ground them down) exciting and photogenic; when they retreated into the studio, they were instrumental in pioneering advanced techniques and multi-layered arrangements. They were also the first British rock group to achieve worldwide prominence, launching a British Invasion that made rock truly an international phenomenon.
More than any other top group, the Beatles' success was very much a case of the whole being greater than the sum of its parts. Their phenomenal cohesion was due in large degree to most of the group having known each other and played together in Liverpool for about five years before they began to have hit records..." - LEIA A BIOGRAFIA COMPLETA




















Download da discografia completa em Torrent (1.43 Gb):

1963 - Please Please Me; 1963 - With The Beatles; 1964 - A Hard Day's Night; 1964 - Beatles For Sale;  1965 - Help; 1965 - Rubber Soul; 1966 - Revolver; 1967 - Magical Mystery Tour; 1967 - Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band; 1968 - The Beatles (The White Album); 1969 - Abbey Road; 1969 - Yellow Submarine; 1970 - Let It Be; 1970 - The Beatles Again (Hey Jude) US.

terça-feira, 27 de março de 2012

Remasters da Discografia dos Beatles - MP3 hi-fi [320 kps] (Via The Pirate Bay)



Alguma alma generosa fez o favor de juntar todos os remasters dos álbuns dos Fab Four no mesmo torrent-tesão. Taí reunida a discografia completa de álbuns de estúdio dos fabulosos de Liverpool - desde Please Please Me, de 1963, até Let It Be, de 1970. E o melhor: tudo em mp3 de altíssimo calibre, com um som tão cristalino que não perde em nada prum CD de laser. 

Aproveite enquanto é tempo para baixar essa pérola porque o The Pirate Bay talvez não ficará dentre nós por muito tempo mais: a Suécia decretou a prisão dos fundadores do site e agora a baía pirata está ameaçada de ver um de seus navios mais repletos de preciosidades naufragar. Irá, talvez, pra mesma tumba pra onde já foram o Megaupload e o Napster. Uma pena: porque tem certos torrents que são um verdadeiro benefício pra humanidade, uma dádiva terrestre! Eis um deles:

 [14 Albums - MP3 320kps - software]

Please Please Me
 With The Beatles 
A Hard Day's Night 
Beatles for Sale 
Help! 
Rubber Soul 
Revolver 
Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band 
Magical Mystery Tour 
The Beatles (White Album) 
Yellow Submarine
Abbey Road 
Let It Be 
Past Masters

sábado, 29 de outubro de 2011

Georgesattva!


ALL THINGS MUST PASS
George Harrison e a beleza do efêmero

"Christianity will go. It will vanish and shrink. (...) We are more popular than Jesus now; I don't know which will go first -- rock'n'roll or Christianity. Jesus was all right, but his disciples were thick and ordinary. It's them twisting it that ruins it for me."
JOHN LENNON
em entrevista de 1965 à repórter londrina
Maureen Cleave, do Evening Standard, 

Os Beatles, se tornaram-se mais uma lenda do que uma banda, foi por terem sido objeto de tão massiva e intensa devoção coletiva. Conquistaram o amor das massas, despertaram fanatismos extremados, ganharam apóstolos entusiásticos, foram elevados à condição de deuses terrenos... A beatlemania representou quase que a emergência espontânea de um novo culto - e não muito bem-visto por aqueles que insistem em depreciar todos os amores terrestres, tão perdidos que estão em  celestes idolatrias...

Em abril de 1966, a revista TIME publicava a explosiva matéria-de-capa de John T. Elson em que a pergunta "Deus está morto?" era investigada à luz do conflito-de-gerações escancarado pelas pesquisas estatísticas: 90% dos pais e avós norte-americanos ainda julgavam que a religião era de importância central para a vida humana, enquanto somente 40% dos jovens responderam afirmativamente à esta enquete.

O Movimento Hippie e sua nascente ação em prol da emancipação sexual, comportamental e política ascendia como uma força que varria da Cultura a figura daquele Deus pintudo, autoritário e vingativo que age através de dilúvios, pede que pais sacrifiquem seus próprios filhos, dizima com fogo Sodomas e Gomorras...

 Os hippies insurgiam-se, com altas doses de hedonismo pagão e psicodelia mística, contra uma religião ascética e repressora que aparecia então, para multidões de jovens - fossem existencialistas, beatniks, reichianos, budistas... - como caduca e obsoleta.

 Timothy Leary, Krishnamurti, Herman Hesse, Osho, Hendrix: eis os novos gurus de um movimento nascente e efervescente. Não se vêem muitos crucifixos decorando o pescoço daqueles que estiveram em Woodstock ou que atravessaram a América em busões coloridos, celebrando a viagem da vida nas estradas do ácido à maneira dos Merry Pranksters de Ken Kesey...

Após milênios de culto ao sofrimento e ao martírio - Richard Dawkins comenta com sagacidade que idolatrar uma cruz, instrumento de pena capital e tortura, equivale a carregar uma cadeira-elétrica em miniatura pendendo do pescoço... - chegava a hora de outro culto: à paz, ao amor, à fraternidade, à música, à criatividade, à curiosidade, à experimentação, aos deleites terrenos... À liberdade.

"Os Beatles são mais populares entre os jovens que Jesus Cristo", soltou John Lennon um dia, expressando simultaneamente sua audaz profecia (quase nietzschiana) quanto ao futuro do cristianismo: ele iria encolher e se desvanecer, e talvez o rock'n'roll fosse sobreviver à sua morte. Declarações de uma coragem admirável! E que Lennon soltou sem imaginar que, nos EUA, os católicos fundamentalistas e a Ku Klux Klan logo iriam re-acender as fogueiras da Inquisição e condenar os álbuns dos Beatles a virar cinzas. Nada ofende e revolta mais um xiita do que a verdade.


Uma das peculiaridades históricas dos Beatles, me parece, está no fato de que pelo menos dois deles - Lennon e Harrison - tinham visões bem críticas em relação ao monoteísmo que a velha geração continuava a propugnar para a nova. Quiseram ser agentes de uma renovação religiosa, no caso de Harrison, e de um re-despertar do ativismo político e da rebeldia comportamental, no caso de Lennon. Me parece que a decisão de parar de tocar ao vivo, no auge da  Beatlemania, tamanho era o bafáfá e a barulheira gerada por um esquadrão de pré-adolescentes histericamente idolatrantes, tem a ver com a busca de outros caminhos que não aqueles da adoração descerebrada e servil.

O excelente documentário de Martin Scorcese revela, por exemplo, um George Harrison que descobriu muito cedo na vida aquelas supostas maravilhas com que sonha todo garoto que quer ser um rock'n'roll star. Ainda com vinte e poucos anos, George e o resto dos Fab Four já tinham rios de dinheiro, multidões de fãs ensandencidos, carrões luxuosos em mansões aristocráticas, destaque constante na mídia, paparicação sem fim. O que descobrem, no entanto, é uma sensaboria ou um amargor por trás dessa riqueza material e exposição midiática. Possuir uma montanha de ouro e ter aparecido na capa de mais de 100 revistas não impede ninguém de morrer. E desse mundo nada se leva.

Numa espécie de re-encenação sessentista do drama 2.500 anos mais antigo do príncipe Gautama (recomendadíssimo, aliás, o magistral romance Sidarta, do Herman Hesse), que abandona seu palácio de conforto e luxo e começa a vagar pelo mundo em busca da Iluminação, aprendendo com ermitões, maltrapilhos e bodhisattvas, George Harrison também descobre a "insubstancialidade" das posses materiais ("all things must pass...") e procura abrir uma nova senda espiritual para si mesmo - utilizando como aliados, é claro, o Hare Krishna, a meditação, os mantras, a música e o LSD.

Hare Krishna, Hare Krishna, Krishna Krishna, Hare Hare,
Hare Rama, Hare Rama, Rama Rama, Hare Hare...

John Lennon busca outro caminho, decerto, mas que têm suas similaridades com o de George no quesito "busca de um estilo-de-vida alternativo". Em sua carreira-solo, quando ele e Yoko Ono estão profundamente engajados contra a Guerra do Vietnã, na lista negra da CIA e do FBI, conclamando as multidões a cantarem em coro nas praças públicas os "hinos" pacifistas "Give Peace a Chance" e "Power to The People", John Lennon remete frequentemente a um mundo sem religião como irredutivelmente ligado à sua Utopia. "Imagine there's no heaven. It's easy if you try. No hell below us. Above us only sky....".

Atacando ao mesmo tempo o patriotismo imperialista, que tinha atulhado a Europa de cadáveres nas duas Grandes Guerras Mundiais, e a religião imperante na vida destes povos que foram capazes de tão obscenas barbaridades ("Imagine there's no countries. It isn't hard to do. Nothing to kill or die for. And no religion too..."), Lennon sonha com um planeta sem fronteiras onde imperasse a fraternidade universal: "a brotherhood of Man".

"You may say I'm a dreamer. But I'm not the only one."

Em "God", canção de Plastic One Band, escancara sua descrença num grande rol de "recusas" à idolatria. Deus não existe, a não ser como um "conceito através do qual medimos nossa dor". Quando Mark David Chapman descarregou seu .38 pra cima de John Lennon, em 1980, nenhum deus interviu para assisti-lo neste momento de tamanha urgência. Nenhum anjo-da-guarda se materializou e lançou-se às balas para pará-las. Enquanto Lennon sangrava até a morte na calçada, não imagino-o olhando para os céus em sua agonia com um olhar de pedinte e perguntando-se "ó Deus, por que me abandonaste?" Lennon já tinha abandonado a fé há muito tempo, e era plenamente consciente disso. Lúcido, sabia que nada vêm de graça, nem da graça (o céu está vazio: above us only sky), e que tudo de bom neste planeta precisa ser construído, exigido, vencido através do combate. E que no final tudo que nos espera é o túmulo e o amor daqueles que sobrevivem a nós.


George Harrison dá outra resposta a seu "dilema" religioso, à sua necessidade de encontrar uma alternativa ao cristianismo-que-virou-ruína: George volta-se para a Índia, amiga-se com Ravi Shankar (o tocador de cítara e mestre de meditação...), e ensimesma-se numa trip contemplativa. Adere aos mantras do Hare Krishna, à contemplação espantada e risonha das belezas naturais, ao cultivo de seu jardim florido... Hippie-búdico-makulelê em busca de paz-de-espírito.

 "Ele era uma pessoa muito SENSUAL", conta às câmeras de Martin Scorcese sua esposa-por-30-anos, Olivia, explicando na sequência que por "sensualidade" quer dizer: um anseio para que tudo que a língua toque tenha um sabor marcado, um desejo de que as flores tenham aromas e sejam coloridas e vistosas, uma capacidade de "êxtase" diante de experiências aparentemente tão triviais quanto sentir a brisa que nos roça a pele do rosto...

Ao invés da aceitação sem questionamento de dogmas papagueados por figuras de autoridade, George Harrison, seguindo os conselhos tanto dos gurus indianos quanto do LSD, preferiu a experiência direta, ir em busca da verdade por si próprio, com as próprias pernas, sem aceitar conclusões alheias impostas do alto de um altar. Quis uma verdade que suas mãos pudessem tocar, seus olhos pudessem ver, seus poros pudessem sentir. Uma verdade na qual ele podia inclusive intervir - como fazia com estas encantadoras e encantatórias notas que arranca de sua guitarra. "While my guitar gently weeps..." Um artista cheio de doçura e sabedoria que tentava injetar beleza no mundo e nos convidava a fraternalmente contemplá-la. Foi ao deleitoso contato de sua consciência com o cosmos ao seu redor, em meio ao êxtase quimicamente induzido pelo ácido lisérgico ou à beatitude alcançada através da meditação mântrica, que chamou de "My Sweet Lord" e celebrou em infindos aleluias...

O problema é que seu "anseio por espiritualidade" estava sendo constantemente frustrado pelas intromissões às vezes brutais da materialidade. Lá está George Harrison, sonhando em viver com suas cítaras, sonhando em viver tocando ukelele na grama na posição de lótus com os camaradas, tentando levar uma vida inteiramente imersa nos deleites da música, da amizade, da meditação... e para rasgar este quadro idílico vem um assassinato psicopata que o esfaqueia e, na sequência, a galope, o ataque fulminante do câncer que o mataria. A arte de "viver no mundo material" - Living in the Material World, aliás, foi um título muito feliz que Scorcese encontrou para o sua biografia filmada... - equivale a uma gangorra entre deleites e frustrações: o êxtase das trips, sejam musicais ou lisérgicas, caceteado pela chatice aporrinhante do Taxman que vem colher impostos...

George compôs algumas das mais belas canções dos Beatles ("Here Comes The Sun", "While My Guitar Gently Weeps", "Love You To", "Within You Without You"), inserindo na estética beatle os pendores orientalistas e mântricos que ajudaram a banda transcender tão profundamente o entretenimento de massas e consumarem obras-de-arte tão imorredouras quanto Revolver, Sgt. Peppers, Abbey Road... Deu à luz àquela que Frank Sinatra considerava uma das canções de amor mais bonitas já compostas: "Something" (dedicada a Pattie Boyd, sua primeira esposa, que depois casaria com Eric Clapton). Foi um dos primeiros artistas do primeiro escalão a engajar-se politicamente, seja nos protestos contra a matança yankee no Vietnã, seja como fez durante a Guerra Índia-Paquistão, em 1971, organizando o histórico show beneficiente  Concert For Bangladesh.

Seu All Things Must Pass, que considero não somente um dos melhores álbuns-solo já gravados por um ex-Beatle, mas um dos ápices da música popular britânica em todos os tempos, merece um artigo à parte, que tentasse a tarefa impossível de pôr em palavras tanto de inefável que ali se manifesta... Para não me alongar demais nesta "trip", adiciono somente que George Harrison, o mais contemplativo e meditativo dos Beatles, parece-me ser aquele que buscou no Oriente um caminho mais sábio e mais doce em relação às manias ocidentais do individualismo, da ganância, da vaidade, do show-bizz espetaculoso e alienante. Para muita gente que não via mais graça nem verdade em missa, hóstia e papagueações sobre Pecado Original e Culpa, forneceu um outro modelo de espiritualidade, bem mais próxima do hinduísmo, do budismo e do taoísmo do que dos monoteísmos ocidentais. Sua passagem pelo mundo material foi decerto luminosa. E deixou atrás de si muitos humanos profundamente saudosos de seu amor e de sua amizade, multidões de encantados com sua música. Em sua jornada, buscou encontrar o êxtase na contemplação das belezas efêmeras de todas estas coisas que necessariamente vão passar. Sua obra e sua mensagem, mantidas vivas por nós que o admiramos, ainda não passou - e oxalá não passará!


"Isn't it a pity
Isn't it a shame
How we break each other's hearts
And cause each other pain?

How we take each other's love
Without thinking anymore.
Forgetting to give back
Isn't it a pity?

Some things take so long
But how do I explain
When not too many people
Can see we're all the same

And because of all their tears
Their eyes can't hope to see
The beauty that surrounds them...
Isn't it a pity?"

ALL THINGS MUST PASS (1970) . CD 01 . CD 02

terça-feira, 13 de novembro de 2007

:: macca e um violão faz miséria ::



PAUL MCCARTNEY - "Unppluged" (The Official Bootleg) [1991]

Com a palavra, Stephen Thomas Erlewine da AMG: "Released after the studied, meticulous Flowers in the Dirt, the live acoustic concert album Unplugged was a breath of fresh air, and it remains one of the most enjoyable records in McCartney's catalog. Running through a selection of oldies — not only his own, but Beatles and rock & roll chestnuts — McCartney is carefree and charming, making songs like "Be-Bop-a-Lula" and "Blue Moon of Kentucky" (which finds Paul melding Bill Monroe with Elvis) sound fresh. But the real revelations of the record are the songs McCartney hauls out from his debut — "That Would Be Something," "Every Night," and "Junk" — which sound lovely and timeless, restoring them to their proper place in his canon. They help make Unplugged into a thoroughly enjoyable minor gem. " LEIA MAIS.

1- Be-Bop-A-Lula (3:37)
2 - I Lost My Little Girl (1:13)
3 - Here, There and Everywhere (2:30)
4 - Blue Moon of Kentucky (3:13)
5 - We Can Work It Out (2:18)
6 - San Franciso Bay Blues (2:48)
7 - I've Just Seen a Face (2:02)
8 - Every Night (3:19)
9 - She's a Woman (3:26)
10 - Hi-Heel Sneakers (3:25)
11 - And I Love Her (3:33)
12 - That Would Be Something (2:38)
13 - Blackbird (1:46)
14 - Ain't No Sunshine (3:28)
15 - Good Rockin' Tonight (3:04)
16 - Singing the Blues (2:48)
17 - Junk (2:08)

DOWNLOAD AQUI (Rapidshare - MP3 de 192kps)