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Esparrame o blues pelo chão da garagem, taque por cima um pouco de gasolina, risque um fósforo e siga o velho preceito: "em caso de incêndio, deixe queimar!" Está aí, talvez, a fórmula do Jon Spencer Blues Explosion, power-trio de punk-blues garageiro que dispensa o baixo (tal qual os fabulosos Thee Butchers Orchestra e as adoráveis Sleater-Kinneys) e homenageia tudo que é sujo e meio insano.
Dia 30 de Julho, em Brasília, o JSBX será o headliner do Porão do Rock - que, como de praxe, será di-grátis (mas pede-se às almas caridosas aquele sempre bem-vindo quilo de alimento não-perecível: quando um kg multiplica-se por 30.000 presentes, estas 30 toneladas de rango servem para minorar o ronco no estômago de um bocado de gente!).
No mesmo dia e palco, tocam ainda Wander Wildner, Bílis Negra, Camarones Orquestra Guitarrística e Bang Bang Babies (que faturou a seletiva-Goiânia). Jon Spencer e cia tocam também em Sampa, no Bourbon Street, antro da grã-finagem, no dia 28, mas o preço, suspeito, deve ser altamente brochante.
E aí, vamos com alguns incendiários itens da discografia spenceriana para aquecer os motores?
Um dia perguntaram à Jimi Hendrix: "qual o sentimento de ser o melhor guitarrista do mundo?" E o voodoo child respondeu: "Não sei, vá perguntar ao Rory Gallagher". Para entender a hiperbólica exaltação hendrixiana à Gallagher (1948-1995), basta ouvir - de preferência em companhia da embriaguez etílica - alguns clássicos do cara (compartilhados abaixo). Este brilhante irlandês foi seguramente um dos maiores guitarristas de blues-rock da história: apesar de nascido na terra de Beckett e Joyce, tinha os pés afundados no blues, no country, no folk e no rock'n'roll primitivo dos EUA e da Inglaterra: Albert King, Leadbelly, Chuck Berry, Muddy Waters, Woody Guthrie, Buddy Guy, Eddie Cochran e John Lee Hooker são algumas de suas mais marcantes influências.
Nos anos 60, liderou o power-trio Taste (nascido antes do Cream, de Eric Clapton e cia), que gravou três álbuns de estúdio e fez shows antológicos em festivais como o Isle of Wight. Após o fim da banda, embarcou numa prolífica carreira solo que atravessaria mais de duas décadas, gerando discaços como Irish Tour, Calling Card, Deuce e Fresh Evidence. Cerca de 30 milhões de discos vendidos mundo afora o sedimentaram como um dos branquelos bluseiros mais formidáveis que já fez travessuras com uma Fender Stratocaster. Em 1995, aos 47 anos, com o fígado fodido pelo excesso de álcool e medicamentos, Rory Gallagher morreu após complicações decorrentes de um transplante.
Abaixo, partilhamos alguns itens de destaque na discografia do cara; quem quiser mais, é só dar um pulo no The Pirate Bay e baixar estes finíssimos torrents: discografia completa de Rory Gallagher e do Taste (já baixamos ambas e, para usar a linguagem do Rotten Tomatoes, it's certified fresh!). Boa curtição!