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sábado, 28 de janeiro de 2012

Mixtape Venusiana


Só cancionetas românticas, das melosas às cacetadas,
das melancólicas às esfuziantes, das bobinhas às profundas... 

01) Elvis Costello - "Alison"
02) Juliette & The Licks - "Hot Kiss"
03) Wilco - "Whole Love"
04) Black Crowes - "Hard to Handle"
05) Pearl Jam - "Love Boat Captain"
06) Elliott Smith - "Twilight"
07) Dusty Springfiled - "Just a Little Lovin"
08) Cartola - "Alegria"
09) Harry Nilsson - "Without You"
10) Janis Joplin - "Piece Of My Heart"

Pra testar o tal do 8 Tracks.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

<<< Depredando, a Mixtape - volume IX - Messin' With The Blues >>>

O blues é mais que um gênero musical: é um estado de espírito. Não é preciso ter vivido às margens do Mississipi ou ter penado nas plantações da colônia inglesa na América para compreender o queixume dos blueseiros. A melancolia não tem dono. Somos todos, vez ou outra, suas vítimas. A idéia desta nova mixtape Messin' With The Blues é dar um passeio por artistas que não costumam ser rotulados e classificados dentro do blues, mas que compuseram flertes e tributos a ele, ou que "brincaram" com ele, ou que o re-interpretaram em outra chave, outro ritmo, outra época...

Começamos a jornada com um dos maiores trompetistas da história do jazz, o incomparável Miles Davis, que no clássico Get Up With It (1974), já esmiuçado por Eduardo Gianetti, compôs um belo "Blues da China Comunista", com harmônica chorando e tudo. Na sequência, John Lennon mostra que mesmo antes de sua carreira-solo, tão repleta de canções angustiadas e angustiantes, já tingia certas canções do Beatles com um blues quase suicida: "Yes, I'm lonely, wanna die / If I ain't dead already, you know the reason why...", canta John em "Yer Blues", do White Album.

Já Tom Waits encarna o loser de boteco que solta uivos na madrugada em "Fumblin' With the Blues": "It's hard to win when you always lose". E a diva do R&B Esther Phillips entoa na sequência o dolorido "Black-Eye Blues", uma canção que parece um curta de Spike Lee e retrata o lamento de uma mulher vítima de violência doméstica: "Preciso de uma vacinação", canta Esther, "contra o blues do olho-roxo".

Depois, é hora de uma melancolia mais noventista e grungy tomar espaço, primeiro com o Afghan Whigs ("You can fuck my body, babe, but please don't fuck my mind", canta Greg Dulli, sexy como sempre, em "Neglected") e depois com Chris Cornell (que, numa canção de amor das mais belas de sua carreira, diz à sua amada: "Só te amo quando estou down / Mas mantenha em mente: / Estou down o tempo inteiro").

Artistas mais vinculados ao folk e ao country - como Lucinda Williams, Tim Hardin, Wilco e Bob Dylan - também não deixam de flertar com o blues em vários momentos de suas respectivas carreiras, o que justifica sua presença aqui com canções que versam sobre "acordar sentindo-se velho" e trens que causam prantos. Como não poderia deixar de ser, a "fitinha" também dá espaço para artistas profundamente influenciados pelo blues, como Creedence Clearwater Revival, The Kinks e Jimi Hendrix, e aqueles que lá nos primórdios marcaram a história do gênero, como a fabulosa Bessie Smith, primeira imperatriz do Blues.


O falecido Elliott Smith, um dos maiores talentos da música americana no pós-Jeff Buckley, também demonstra quão sublime pode tornar-se um lamento musicado na linda "Junk Bond Trader". E, convenhamos, só quem manja muito de tristeza pode suicidar-se com uma facada no coração, como fez Elliott anos atrás, mutilando seus fiéis cultuadores (há boatos, porém, de que a misteriosa morte possa ter sido homicídio, como sugere a matéria no Guardian...)

 E para não dizerem que blues só tem a ver com soturna gravidade, aí estão os sempre irreverentes Mutantes para provar o contrário: "Meu Refrigerador Não Funciona", do clássico A Divina Comédia (1970), é uma espécie de blues-paródia, em que a intensidade da performance constrasta com a "mundanidade" do tema: eis um queixume altamente dramático sobre uma grande desgraça que aflige a condição humana, isto é, cerveja esquentando quando a geladeira pifa. Rita Lee nunca foi tão Janis Joplin. E o blues nunca foi tão feliz.



16 tracks in playlist, average track length: 3:58
Playlist length: 1 hour, 3 minutes, 40 seconds

[download gratuito]

01 - Miles Davis - Red China Blues (4:09)
02 - The Beatles - Yer Blues (3:57)
03 - Tom Waits - Fumblin' With the Blues (3:02)
04 - Esther Phillips - Black Eyed Blues (6:10)
05 - Afghan Whigs - Neglected (4:01)
06 - Chris Cornell - When I'm Down (4:20)
07 - Tim Hardin - How Long (2:54)
08 - Wilco - When You Wake up Feeling Old (3:55)
09 - Lucinda Williams - Can't Let Go (3:28)
10 - Bob Dylan - It Takes A Lot To Laugh, It Takes a Train to Cry (4:09)
11 - The Kinks - Little Miss Queen Of Darkness (3:16)
12 - Elliott Smith - Junk Bond Trader (3:49)
13 - Creedence Clearwater Revival - Before You Accuse Me (3:26)
14 - Jimi Hendrix - Red House (3:43)
15 - Os Mutantes - Meu Refrigerador Não Funciona (6:22)
16 - Bessie Smith - After You've Gone (2:59)

[+] mixtape número 8 (clash, stones, hendrix, ccr, karen o, black mountain...)

sábado, 1 de outubro de 2011

<<< 'The Whole Love' (2011), novinho-em-folha do Wilco! >>>


Com mais de 15 anos de estrada já trilhados e alguns discaços impecáveis no currículo (coloco aí Summerteeth, Yankee Hotel Foxtrot e Sky Blue Sky), o Wilco pode tranquilamente considerar-se uma das melhores bandas americanas em atividade, apesar do tropeção dado no último álbum (que eu apelidei de Disco do Bode, apesar de ser um camelo o bichano na capa: ô disquinho bodeação!). Apesar dos percalços e dos tombos, prossigo um wilco-maníaco fiel que considera esta uma das bandas mais adoráveis da América do Norte e que vê em Jeff Tweedy algo como o Neil Young ou o Bob Dylan de uma outra geração. O novo álbum, The Whole Love, acaba de ser lançado e já estamos colocando a bolacha na roda em MP3 de alta classe (320 kps) e o encarte devidamente scanneado. Como o Blogger, este massacrador impiedoso de pães quentinhos, é tesourador e tirano contra o compartilhamento de arquivos, especialmente os lançamentos, o link só vai estar publicado lá no nosso Tumblr: dê um pulo!

Download

quinta-feira, 7 de abril de 2011

<<< mixed bizness mixtape - #001 e #002 - abril de 2011 >>>


            Eduardo Carli

Taí uma duas coletas festeiras só com pepitas que selecionei para tocar no Metrópolis, na última sexta (01/04), no show do Fusile, que contou com meu debut nas pick-ups em Goiânia.

Tenho um pouco de alergia a expressões como "alto-astral", e um pouco de asco contra tudo que é muito "prafrentex", mas estão aí algumas canções  caindo mais pra esse lado entusiasmante, festivo, triunfal, esfuziante.

São algumas das canções que mais alegria me dão quando as injeto no orelhão. São como guindastes que içam pra fora da fossa até o mais mórbido dos neo-góticos. 

Gosto muito da arte da mixtape e a pratico desde aquela época-de-museu em que gravava fitinhas K-7 com minhas prediletas da Legião, do Tinéije ou do grunge. Quando nasceu o CD-R, o CD-ripper e o Napster, segui me fabricando altas coletas de prediletas-da-casa, prática que Nick Hornby perenizou no Alta Fidelidade


O Rob Fleming (que John Cusack encarnou na bacanuda adaptação pro cinema do Stephen Frears), porém, gravava coletas mais para presentear as mocinhas por quem seu coração (ou algo mais ali pelo baixo-ventre...) se interessava. Eram repletas de soul e R&B, já que, segundo este sábio pensador sobre a música pop e os relacionamentos humanos, não há nada melhor que Al Green ou Marvin Gaye para se tirar uma calcinha.

A idéia aqui é outra. A coleta hornbyana pressupõe um presenteado único e as músicas selecionadas são dirigidas especialmente a ele, a quem se procura levar uma mensagem através das canções. Let the music do the talking

No caso de uma mixtape de blog, que fica aí largada para ser usufruída pelas massas ao invés de ser presente para um alguém especial, a coisa acaba por se assemelhar mais a um programa de rádio sem locutor.

É mais ou menos esta a meta deste novo projeto, de periodicidade arbitrária e nome provisório (em homenagem à cancioneta do Beck) Mixed Bizness. É o Depredas botando na roda alguns sons que curtimos e queremos compartilhar com vocês aí do outro lado. Tudo em mp3 de altíssima fidelidade.

Cheers!

E logo mais tem mais.


>>> MIXED BIZNESS MIXTAPE - #001

15 tracks in playlist, average track length: 3:13
Playlist length: 48 minutes 28 seconds
Playlist files:
01 - Beck - Mixed Bizness (4:10)
02 - Big Bad Voodoo Daddy - Prinstripe Suit (3:37)
03 - Brian Setzer Orchestra - Cat's on a Hot Tin Roof (2:18)
04 - The Dirtbombs - Chains Of Love (2:21)
05 - The Delta 72 - I Feel Fine (4:17)
06 - The New Pornographers - Mass Romantic (4:04)
07 - Sly and the Family Stone - I Want To Take You Higher (5:23)
08 - The Rolling Stones - Rip This Joint (2:22)
09 - Wilco - Casino Queen (2:44)
10 - Sleater-Kinney - You're No Rock N' Roll Fun (2:37)
11 - The Sonics - Maintaining My Cool (1:51)
12 - Wilson Pickett - Mustang Sally (3:05)
13 - Stray Cats - Rock This Town (3:27)
14 - Joe Strummer & The Mescaleros - Coma Girl (3:48)
15 - Squirrel Nut Zippers - Memphis Exorcism (2:24)

DOWNLOAD: http://www.mediafire.com/?qpu4h2ucl84171a (79 MB)


>>> MIXED BIZNESS MIXTAPE - #002

15 tracks in playlist, average track length: 3:03
Playlist length: 45 minutes 50 seconds


    Playlist files:
          01 - The Pietasters - Out All Night (3:16)
          02 - Mighty Mighty Bosstones - The Impression That I Get (3:14)
          03 - The Clash - Rudie Can't Fail (3:29)
          04 - Save Ferris - SuperSpy (2:56)
          05 - The Toasters - Rude, Rude Baby (2:28)
          06 - Tokyo Ska Paradise Orchestra - Shadow On The Hill (3:23)
          07 - Sublime - Wrong Way (2:16)
          08 - Rancid - Hooligans (2:32)
          09 - Supergrass - Rush Hour Soul (2:55)
          10 - Blondie - One Way Or Another (3:35)
          11 - Radio Birdman - Murder City Nights (2:23)
          12 - Makers - A Better Way Down (3:14)
          13 - Mad Caddies - Silence (2:49)
          14 - Graham Coxon - Spectacular (2:48)
          15 - Bruce Springsteen - The E Street Shuffle (4:32)

DOWNLOAD: http://www.mediafire.com/?r3h9uk5906ocop8 (78 MB)

sábado, 15 de janeiro de 2011

<<< 10 de 2010 >>>



















#2

BLITZEN TRAPPER
"Destroyer of the Void"

“Há um vínculo secreto entre a lentidão e a memória, entre a velocidade e o esquecimento. (...) Na matemática existencial, essa experiência toma a forma de duas equações elementares: o grau de lentidão é diretamente proporcional à intensidade da memória; o grau de velocidade é diretamente proporcional à intensidade do esquecimento.” MILAN KUNDERA, A Lentidão

Se Kundera tem razão, a arte de escutar música também oscila entre estes pólos, a memória e o esquecimento, conforme a pressa ou o cuidado com que a ouvimos. Um tímpano afoito, que faz uma audição apressada e desatenta, faz com que a música logo vaze da lembrança (como se entrasse por um ouvido e saísse por outro). Para que a música se torne algo de denso, para que desça como uma âncora até as profundezas de nosso oceano de neurônios, seria preciso demorar-se nela. Deixar que ela faça seu trabalho sorrateiro, que se infiltre em nosso interior e ali ecoe, que as melodias nos deixem insones, que versos se imponham à consciência como uma charada que queremos desvendar a todo custo...

Se o Blitzen Trapper foi uma das bandas que mais marcou meu 2010 foi pois senti necessidade de me demorar neles, de fazer repetidas visitas ao universo particular dos caras...  Destroyer of the Void, quinto álbum do sexteto de Portland (o terceiro lançado via-Sub Pop), desde a 1ª audição revela-se como um desses raros álbuns que exigem várias audições para serem devidamente apreciados.

Banda sempre surpreendente e ousada, o Blitzen Trapper no começo foi comparado ao "ecletismo lo-fi de Beck" --- e de fato um álbum como Wild Mountain Nation (2007) é loucão, lírico e esquizofrênico o bastante para poder ser equiparado a um Mellow Gold ou Odelay, ainda que seja bem menos impactante.

Mas foi nos dois últimos álbuns que o Blitzen Trapper realmente se encontrou; ao limitar um pouco o leque vasto demais de sonoridades, centrando o foco na música americana roots em todas as suas vertentes, os caras encontraram sua identidade e fizeram em Furr (2008) e Destroyer Of The Void (2010) dois dos mais admiráveis álbuns folk dos últimos anos. E quem diz "folk" diz "música tradicional norte-americana", o  equivalente da nossa "M.P.B."...


"Black River Killer", de Furr, já revelava qual a "viagem" do Trapper nos últimos anos: um mergulho às raízes da música americana "maldita", de Johnny Cash cantando na penitenciária Folsom à Bruce Springsteen uivando na madrugada em Nebraska, do blues satânico de Robert Johnson e Leadbelly ao desconsolo empoeirado do Wilco fase-Being There

O "Assassino do Rio Negro": está aí um nome propício para um western spaghetti --- e também esta influência marca presença nas letras altamente narrativas de Eric Earley, compositor e vocalista do grupo. Mas é como se algo de gótico, de noir, viesse escurecer muitos dos "causos" que nos conta o Blitzen Trapper. Uma lírica à la Nick Cave misturada a historietas sanguinolentas, dignas dum thriller caipira ou de Sobre Ratos e Homens, de Steinbeck.

A primeira música de Destroyer of The Void já escancara o quão ambicioso se tornou o Blitzen Trapper. Com mais de 6 minutos de duração, a faixa-título é uma espantosa suíte  folk-prog-psicodélica que transita por 3 diferentes seções, num procedimento que remete às faixas finais do Abbey Road. Construindo um complexo labirinto folk, a banda criou sua canção mais arrojada, remetendo a "Deja Vu", do Crosby, Stills, Nash & Young, ou ao clássico American Beauty (1970), do Grateful Dead.



Se a ambição musical atinge seu ápice já no início da álbum, daí em diante é a ambição poética quem toma conta em canções recheadas com tanto lirismo e mistério que não esgotam seu sentido mesmo depois de uma dúzia de audições. A melhor poesia do álbum surge em "The Man Who Would Speak True", canção irmã de "Black River Killer".  Ambas as cançõesse assemelham a rubros clássicos do folk americano que cheiram a sangue fresco e pecado. Filiam-se a uma longa tradição de músicas que narram assassinatos passionais, cometidos por homens arrebatados como heróis de Dostoiévski, que degolam pobres mocinhas, a quem depois dedicam um pungente folk confessional... É o caso de "Down By The River" de Neil Young, "Via Chicago", do Wilco, ou "Where Did You Sleep Last Night?", do Leadbelly (mais conhecida na voz de Kurt Cobain...).

"I fed my tongue on the Devil’s rum
In a roadhouse run by a godless bum
On a drunken night, with a stolen gun
I shot my lover as she made to run."

Depois de confessar ter cometido o homicídio de sua amada Grace (teria sido uma homenagem à anti-heroína de Lars Von Trier em Dogville/Manderlay?), o eu-lírico descreve sua vida como fugitivo da justiça, até ser pego e forçado a falar. Com um talento para a construção de metáforas de deixar boquiaberto, Earley faz sua língua, ao dizer a verdade, soltar fogo pelas ventas como um dragão...

"So I opened my mouth like a dragon’s breath
I only spoke truth, but it only brought death
And I laid those boys to rest
For the truth, in truth, is a terrible jest.

For there ain’t no road but the road to home,
There ain’t no crops but the ones you’ve sown
And if you'll learn one thing from me:
You better guard your tongue like your enemy."

Esta canção foi o que bastou para que eu colocasse Eric Earley no seleto rol dos meus poetas-da-música prediletos. E há tempos eu não encontrava alguém digno de fazer companhia à Dylan, Cohen, Springsteen, Tweedy, Patti Smith, Conor Oberst, Jeff Mangum... Mas não é só nesta que o lirismo do cara maravilha o ouvinte atento: o álbum inteiro é um banquete para quem gosta de poesia, de rima, de jogos-de-palavra e de vôos-livre da imaginação...

O psicodelismo delirante de Syd Barrett ou Skip Spence é o que dá o tom em "Lover, Leave Me Drowning", pink-floydesca pepita folk-psicodélica na qual violinos bucólicos convivem com guitarrismos nuggetianos. O folkão com pegada rocker do Black Rebel Motorcycle Club  circa-Howl é a onda de "Dragon's Song". E o fantasma de Nick Drake também dá as caras para assombrar as melancólicas (e belíssimas...) "Bellow The Hurricane" e "Heaven and Earth".


Já "The Tree" traz um dueto vocal de Earley com Alela Diane que remete a algumas das mais belas colaborações entre Gram Parsons e Emmylou Harris ou Damien Rice e Lisa Hannigan. Trata-se de uma fábula adocicada, impregnada de magia e simbolismos de conto-de-fadas, sobre uma árvore gigantesca que cresce sem parar, enquanto o eu-lírico e sua musa a escalam, ascendendo sempre, através dos enroscos dos galhos e das folhagens...

Ótima metáfora para o próprio Blitzen Trapper: uma banda com raízes profundamente plantadas no solo da música americana e que vem se transformando numa frondosa árvore, digna de ser escalada infindamente por nós, ouvintes, que só tem a ganhar se, com insistência, chegarem lá em cima, onde suculentos frutos nos aguardam....


(Destroyer of the Void, Sub Pop, 2010)
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(Furr, Sub Pop, 2008)
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(Wild Mountain Nation, Sub Pop, 2007)
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