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segunda-feira, 13 de julho de 2009

:: Ratos de Porão ::


DNA do hardcore
- Bernardo Santana –

Na esteira oportunista das parcas exibições no Rio e em SP do documentário-monstro Guidable – A Verdadeira História do Ratos de Porão, o D.O. aproveita pra “deixar a disposição” o último disco de estúdios dos caras, Homem Inimigo do Homem. Talvez seja aí um pouco de deslumbre (palavra definitivamente errada pra falar de Ratos…), mas é sempre bom dizer alto pra todo mundo o que se tem convicção-plena-por-duas-semanas: melhor banda do Brasil. De qualquer época. E de longe.

Jão é o melhor guitarrista que já pisou em solo tupinica. Gordo canta mais que qualquer Nelson Gonçalvez da vida. Boca trucida João Barone e Iggor Cavallerah (ou seja lá como se escreve isso hoje) juntos. E Juninho é o baixista novato mais preza que existe. Não precisa nem contar os quase trinta anos de som pesado, fodido, terceiro-mundista e algumas vezes impagável que os caras carregam na corcunda punk pra chegar a conclusão mais uma vez que brasileiro não entende nada de banda brasileira.

HIDH já começa com Pedofilia de Plantão, que… puta merda, melhor publicar a letra:

Catequese de ódio dentro de mim
Inquisição de merda vem vindo ai

Habemus papam senil macacada

Pedofilia santa dogmas da utopia

Sagrada hipocrisia não tem mais fim

Geriatria é fogo no estopim

Bomba moral na igreja desgraçada

O Bento te convida pra orgia na sacristia


Desacreditei

Nunca concordei

Não me emocionei

Desconectei


A sociologia tenta explicar

Toda antipatia em dose cavalar

Parâmetros sem nexo prometo estudar

Um jovem coroinha pelado no altar


Letra retardada regurgitada a quatrocentos e oitenta e sete kilômetros por segundo. Ninguém precisa que mais que isso pra viver a vida, mano… Temos Expresso da Escravidão pra substituir qualquer reportagem chorenta do Caco Barcelos. O Equivocado pra quando você se sentir o revoltado com o mundo (seu bosta). Homem Inimigo do Homem pra não ter que ouvir seu camarada falar da genialidade de Matrix pela 43ª vez. Quem Te Viu… pra ter assunto na rodinha da política. Enfim, lição de vida hardcore em 12 murros na sua cara.

Pois é, nada de ouvir na pegada adulta que não vai fazer sentido nenhum. Agora se você muitas vezes sente que o mundo é uma roda de pogo daquelas mais encruadas, descendo o cacete nas suas boas intenções, vai que vai! E se nunca tinha parado pra prestar atenção e gostar do que ouvir, pode ficar contente que igual a essa os caras têm mais umas quatro ou cinco obras-primas. E tenho dito.

DOWNLOAD: 47 Mb - 12 faixas

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

::excambau! ::


E X C A M B A U !
[entrevista exclusiva]

- por
Lux Ponja e Marco Souza -


A banda paulistana Excambau! já possui quase 10 anos de história, mas agora é a hora em que chegam ao seu auge: o novo disco Então se Explica! está saindo do forno, com excelente produção (a cargo de um gringo, Brendan Duffey), e promete torná-los cada vez mais fortes no underground rocker nacional. O som dos caras mescla peso, groove e ataque frontal, com influências fortes de Rage Against The Machine, Faith no More, Sevendust, Suicidal Tendencies, Body Count, Pantera, Beastie Boys, entre outros. Com letras em português repletas de provocação política e raiva bem canalizada, o Excambau quer meter o dedo nas feridas e tem orgulho de se dizer uma banda totalmente movida a ideologia.

Como eles mesmos dizem: "acreditando que a música, e principalmente o rock, possa ser o combustível da atitude contra a mesmice e o conformismo que impera não só na nossa maneira de pensar, como no cenário musical atual, o EXCAMBAU! traz um álbum repleto de peso, riffs marcados, vozes urgentes, poesia questionadora e ritmo empolgante. O álbum conta com 12 faixas e temas variados: desde inspirados no filme Apocalypse Now (Coppola, 1979) em "Charlie Don't Surf" passando pela ditadura brasileira em "AI-5" ...".

O vocalista Joh, junto com dois camaradas dele, topou bater papo com o
Depredando o Orelhão num boteco de Sampa e explicar a quantas anda os escambaus que eles têm causado. Ele chega num fusquinha amarelo, que estaciona com classe num espacinho miúdo, e vem se sentar na mesa do boteco em Moema pr'um longo papo regado a cerveja. A esposa Lili chega perto da meia-noite, depois de colocar as duas filhas do casal para dormir, e entra no papo também. Em meio às garrafas de Serra Malte que se acumulam, o vocalista fala sobre a história da banda, o disco novo, influências e perspectivas. Elucida também os trampos extra-musicais em que estão envolvidos, como o Projeto Caixa Preta, e comenta um pouco da relação efervescente que possuem com a internet e a cibercultura. Abaixo, os melhores momentos da conversa... com a palavra, Joh!


MÚSICA TURBINADA COM IDÉIA. "Uma coisa que nós tínhamos conversado antes de começar este disco novo foi que música sem idéia é peido, arroto... não faz sentido! A nossa banda existe por causa da idéia; não é que a banda teve uma idéia... Num país onde tem tanta coisa errada, numa sociedade que está cada vez pior, para nós fazer música sem idéia não tem porquê. E me fala uma banda hoje em dia que tem idéia, cara! É B Negão e olhe lá... Eu não lembro de várias. Se você for pegar o maior evento de música jovem no Brasil, o VMB, foi pífio de idéia! A única idéia que teve foi a do Excambau!, que apareceu lá com as caixas pretas. E o legal de conversar sobre isso, com vocês do blog ou com camaradas, é que dá pra deixar muito claro que a gente quer expandir o pensamento para além da música."

"música sem idéia é peido, arroto..."

BAND OF BROTHERS. "A banda pra gente é uma válvula de escape. Até bolei uma teoria ultimamente que diz tem dois tipos de banda: aquele de gente que 'gosta' de ter banda e de música, e aquela pra quem a banda é quase uma necessidade física. A gente do Excambau! tem banda porque a gente precisa! Se você fica sem ensaiar, sem fazer música, sem tocar, bate um desespero, uma vontade extrema de divulgar o som, a idéia...

"Eu não tenho banda porque eu 'gosto'. Você gostaria de deixar suas filhas em casa chorando pra ir ensaiar? Gostaria de brigar com a sua esposa porque precisa tirar um pouco do seu orçamento mensal pra pagar num-sei-quê-lá da banda? Gostaria de ter que fazer uns trampos frilas pra bancar algo da banda? Gostaria de arranjar uma treta com um brother seu de infância por causa de uma idéia? Ninguém gosta disso, velho!

"Só que a questão é que eu PRECISO desses caras. É um bagulho que a gente escolheu. Não é uma gravidez indesejada. Às vezes falo pra mim mesmo: 'Caralho, eu sou louco, como é que eu posso me foder tanto por uma coisa que eu escolhi fazer?' É que não tenho outra escolha! É tipo Call Of Duty, você é obrigado a fazer aquilo. É tipo Band of Brothers: os caras se voluntariaram a ir pra guerra; chegou lá, se fode, num tem jeito... Tá no inferno, abraça o diabo..."



VIDEOCLIPE NO MEIO DA RUA: "Surgiu a idéia de fazer o clipe na faixa de pedestres, e aí criamos a história de um menino que antes vendia balas e depois decide fazer malabares no farol. Tivemos a idéia de fazer um flash mob... Na gravação, teve uma pá de gente pra montar o bagulho. A gente ficou lá no cruzamento da Avenida Rebouças com a Avenida Brasil das 9 da manhã até as 9 da noite, sem parar o trânsito um segundo! A chance de chover, a polícia parar, qualquer merda acontecer e o clipe não sair, era grande. E deu certo pra caralho, foi bem louco, velho! A polícia parava, olhava, num tinha o que fazer... Veio a CET, helicóptero da Record! Aí veio a reportagem da Record, 'a gente quer falar com a banda!' Aí foram conversar comigo: 'o que vocês vieram fazer aqui hoje?' Aí eu fiz um puta discurso, falei poucas e boas pra repórter, sem palavrões nem nada, aí chegou na hora de sair no telejornal, numa materiazinha sobre artistas de rua: 'Os artistas tentando divulgar o seu som, em busca do grande público, tomaram conta da faixa de pedestres...' E aí aparece o Joh falando: 'É, artista é exibido!' (gargalhadas gerais) Ah nããão! Puta que o pariu! Foi uma experiência muito louca."

CRÍTICA SOCIAL E CHAMADO AO DESPERTAR. "Tem nêgo que faz disco temático, tipo 'As Nove Noivas do Rei Arthur' (risos), de quatro, cinco horas de duração. Já nós do Excambau!... 'qual o assunto que a gente está tratando?' Falar que é 'crítica social' é pouco. Não é só isso! As nossas letras falam de um jeito muito pessoal: o que você faz? o que você vê com os olhos fechados? Acreditamos que ao invés de você tentar atingir a massa, que é um negócio disforme, burro e chato, é muito mais interessante você tentar atingir o indivíduo. Se você não atingir o indivíduo, você não transforma a massa. É muito mais realista, no meio dessa utopia toda, que você consiga fazer uma pessoa despertar do que milhares despertarem."

"Se você não atingir o indivíduo,
você não transforma a massa."

APOCALIPSE OU UTOPIA? "Eu não diria que o Excambau é uma banda apocalíptica; é uma banda utópica, com uma atitude 'positivista'. Porque o que estamos propondo pras pessoas é uma mudança individual. Ninguém está dizendo pra você sair mudando o mundo. Muda a tua rotina! Um mudando sua rotina é uma coisa; mas quando mil caras mudam suas rotinas, aí já começa a ficar relevante. Mas minha visão pessoal é mesmo um pouco apocalíptica.

"E sabe como você percebe essas coisas? Quando pode comparar. Já estive em lugares que eram paraísos naturais, porque eu gostava de acampar em lugares bem selvagens, e quando você volta e vê casas em volta, pessoas jogando lixo no riozinho onde você pegou água para fazer almoço, aí você começa a pensar assim, velho: daqui cinco anos tem uma empresa aqui do lado, um bairro aqui do lado que não vai ser planejado... E assim o ser humano avança como um câncer sobre a terra.

"Se você ver uma mancha demográfica no Google Earth, velho, é tipo uma casca duma ferida! O ser humano é podre, tá ligado? Mas isso é uma visão particular minha. Isso não transparece na música do Excambau! porque a gente tenta passar uma mensagem positiva, de que existe esperança no indivíduo."

DISCO NOVO. "Neste novo disco, Então se Explica, a gente botou tudo: força, grana, tempo, criatividade, tudo no extremo. É a conseqüência de 10 anos de trabalho. O produtor gringo, o Brendan Duffey, foi tipo jogar na mega-sena, só que a gente não jogou: foi só achar o bilhete; a coisa caiu no nosso colo. O Lagarto (baterista) já conhecia o gringo enquanto ele trampava no Midas, até o dia que o Brendan nos fez a proposta. Ele trampa com estúdio e já fez trabalhos com uma pá de gente, desde Black Eyed Peas até Machine Head e gravou diversos artistas da cena do rock. O cara quis abrir um estúdio no Brasil, armou um bunker de 3 andares, o melhor estúdio que eu já toquei! Aí fomos convidados pra ser a 'cobaia' desse estúdio. Ele podia ter escolhido qualquer banda da cena underground, então pra nós foi um puta orgulho ele ter escolhido a gente. Foi muito bom lidar com um cara que manja de música, que decidiu trampar com a gente, que dividiu as idéias... foi do caralho.

"No primeiro disco tinha uma música chamada 'Jesus te Ama, Mas eu Te Odeio' e uma que chamava 'Ajoelhou Tem Que Rezar', que era sobre um boquete – ou seja, puta coisa de moleque, condizente com a idade que a gente tinha. No primeiro álbum, a influência era muito Rage Against The Machine. Agora gravamos um material um pouco mais maduro, o que é inevitável. No primeiro eu não era casado. Agora já sou, tenho duas filhas, sei como funciona o sistema, o que é botar óleo nele, ter que pagar as contas..."


CAIXA PRETA. "Eu percebi, em alguns shows, que entre cada música eu queria falar tudo que eu tinha pra falar nos últimos dois anos. E a gente inventou a caixa preta para isso: por essa necessidade de expandir nossa atividade para além do som. A idéia surgiu quando terminamos o disco, pegamos a master às 3 da manhã e aí falei: 'vou ouvir essa porra inteira!' Fui e fiquei dando rolê na Marginal, com o som no talo, pegando um monte de ponte. Ficava pensando: como a gente consegue atingir as pessoas sem ser um lance marqueteiro, sem ser um 'ouça meu som! Ouça meu som!'?

"Surgiu a viagem de que a gente deveria interferir na vida das pessoas: vamos colocar uma coisa que as pessoas digam: 'que porra é essa? O que isso significa?' É pelo tesão de ir lá e cutucar. Isso mobilizou muito a banda e os amigos que nos rodeiam. E pra pintar as caixas foi um épico, velho! Fizemos uma pá de reuniões, com oito pessoas, lá em casa, pintando as caixas uma por uma, quase 300 caixas! Até minha irmã foi uma pessoa que abraçou a parada, tava lá no dia que botamos 100 caixas na Avenida Paulista...

"A HQ
V de Vingança influenciou muito a idéia, também. Sem falar que ela surgiu depois da efervescência que eu tive depois de assistir o novo filme do Batman, Cavaleiro das Trevas. Aquele Coringa, aquele terrorismo ideológico que ele propôs, eu achei que fez tanto sentido, velho! Pra mim ele é o herói do filme, tá ligado?! Tem umas frases dele que são foda! Aquela parada da barca, de botar as pessoas em xeque daquela maneira, é bem louco. Nem sei se a conclusão daquela cena é a conclusão que eu gostaria de ver. Se fosse no quadrinho talvez não fosse daquela maneira."

INTERNET, BLOGOSFERA E CIBERCULTURA. "A gente só prensou 500 CDs porque rola um trabalho forte de divulgação na internet. E essas paradas com a Internet sempre existiu: a gente tinha um site em Flash numa época que que banda nenhuma tinha site. Depois que ajeitamos nossa página no Myspace, pulamos de repente de 70 pra 900 amigos. Achei muito massa que calhou de vocês do Depredando mostrarem interesse em falar com a gente, porque era justamente o que a gente tava procurando: blogs legais onde divulgar nosso som e o que a gente pensa. Dei uma lida, falei 'o blog dos caras tem uma profundidade que é legal'. Queremos fazer mais disso: entrar em blogs, ler com cuidado, entender o que o cara curte, entrar em contato, até pra não colocar seu som em qualquer lugar. Somos a favor de divulgar o som na net. Fazer o bagulho e guardar no bolso, guardar na meia, num tem porquê!

"O blog chega e fala,
pau no cu da gravadora.
Fala tudo na lata, como tem que ser!"

"E esse lance de blog é muito democrático. Tem muito blog que tem o trampo de uma revista, se pá até melhor! Porque revista tem que fazer concessão, tem que ser político, o blog não! O blog chega e fala, pau no cu da gravadora. Fala tudo na lata, como tem que ser! Às vezes o cara nem é jornalista, nem é profissional, mas é apaixonado por música, gosta de propagar o que ele curte, meter o pau no que acha ruim... Não tem público de divulgação melhor que esse! A Internet é uma criança: fala o que quer, sem filtro nenhum."


DOWNLOAD DO ÁLBUM "ENTÃO SE EXPLICA":
http://mediafire.com/?jt1yzzif2li


BLOG AÇÃO CAIXA PRETA

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

:: Medeski Martin & Wood ::


A EVOLUÇÃO EM ESCALA CELULAR
– por Marco Souza –

Esse Medeski juntamente com Martin e o companheiro de aventuras sonoras Wood são os músicos mais desgraçadamente (no bom sentido) criativos e produtivos dessa geração. Devem ter quebrado algum recorde ao lançarem três álbuns de músicas inéditas em um ano, pelo menos entre os álbuns de jazz. Mas não são (não querem ser chamados de) uma banda de jazz. São baderneiros, barulhentos, eletrônicos, groovados, harmônicos, dissonantes, experimentais e absurdamente bons. Como uma criança cheia de imaginação com um brinquedo novo, eles fazem sua poesia sonora. E se divertem com isso. E nos divertimos também.

Pra começar a retrospectiva 2008 relembremos o divertido Let's Go Everywhere, já postado, repostado e apostado aqui. Depois os danados lançaram Zaebos - Book Of Angels Volume 11 que é uma piração com composições do camaradinha John Zorn, que iniciou essa série em 2005 com o primeiro Book Of Angels. A primeira música é tensão sonora total, a última fase que dá medo naquele jogo de 16 bit. Depois as coisas se acalmam. Jazz e experimentalismo sem groove, o que eu senti falta. Mas não vim aqui para falar dele. O destaque é para o lançamento do final de setembro, Radiolarians I, uma inovação no atual sistema de produção musical, mesmo que sutil.

O padrão é compor – gravar – tocar ao vivo, assim todos vão degustar de músicas que já conhecem, podendo cantar, dançar e rebolar de maneira bem ensaiada durante a performance ao vivo. Também é isso que move o mercado, vamos a um show para escutar nossas músicas favoritas. O trio deve ter pensado "Whattafuck!? Vamos mudar essa parada" "Como?" "Compondo e tocando direto para platéias" "Isso ai, e o que ficar bom gravamos depois". Dito e feito Radiolarians. O projeto consiste em três volumes em que cada um será uma compilação de músicas que se desenvolveram em shows da banda. Dizem que o show do dia 20 de setembro, no Sesc Vila Mariana em São Paulo, foi essencialmente Radiolarians II. Enfim, com essa proposta o show torna-se uma experiência mais interessante, pois não iremos ouvir apenas reproduções ao vivo de músicas que conhecemos, mas seremos capturados por uma musicalidade inédita. Renasce daí o conceito de música como arte e forma de expressão, perdendo um pouco seu caráter mercadológico (ainda comprarei os CDs da banda). E assim nasceu o primeiro Radiolarians, um dos trabalhos do trio que apresenta maior diversidade musical.


Tudo que MMW se mete a fazer é sensacional e temos aqui outro exemplo disso. O álbum começa com uma ambientação sonora mais do que necessária para a levada dos teclados de John Medeski, em seguida, com o baixo de Chris Wood, eles relembram uma sonoridade clássica da época de Shackman. Aqueles já familiarizados se sentirão em casa. A segunda faixa Cloud Wars, síntese de um punk-funk-jazz, é dominada pelo baixo agressivo e apimentada pelo groove dos teclados. Muchas Gracias me lembrou a diversão de escutar Let's Go Everywhere mas sem aquela característica infantil (em nota que não é um disco apenas para crianças, mas suas composições foram orientadas para elas). Professor Nohair dá uma aula de piano em um bar de New Orleans. Iniciada por Wood, a anarquia sonora toma conta de Reliquary, a faixa mais experimental do disco. Nela o baixo rasga tudo com um riff punk básico em conjunto com teclados sintetizados e a bateria estilhaçada de Billy Martin, que quebra tudo o que pode com suas baquetas para dominar essa música nervosa. Uma interrupção com um improvável piano clássico a deixa com um aspecto estranho e belo. Em contrapartida Free Go Lily já traz um MMW com suas influências funk bem a mostra, agradando a todos com sua melodia. A experiência continua na batida selvagem e no timbre assustador de Rolling Son, outra estranheza das boas. A sonoridade alegre característica reaparece em Sweet Pea Dreams, durante a curta faixa de três minutos, tempo suficiente pra nos deixar com um belo sorriso no rosto. God Fire traz a loucura de volta aos teclados com um clima sombrio e o espetáculo termina sutilmente com Hidden Moon.

Um dos lançamentos do ano: lindo, essencial, raivoso e revigorante. Creio que eles são uma das maiores figuras da música atual e ficarão para história como um dos grande ícones de nossa geração.

Medeski Martin & Wood - Radiolarians I
Download (10 músicas - 88 MB)

Medeski Martin & Wood – Zaebos - Book Of Angels Volume 11
Download (11 músicas - 96 MB)

domingo, 19 de outubro de 2008

:: da série PÃO QUENTINHO ::

OKKERVIL RIVER, "The Stand-Ins"

PATTI SMITH e KEVIN SHIELDS, "The Coral Sea"



MERCURY REV, "Snowflake Midnight"
http://www.mediafire.com/?tqozd50zti4



DAVID BYRNE & BRIAN ENO, "Everyhting That Happens..."
http://www.mediafire.com/download.php?ftqj5gmyzol

(vai, Blogger Cuzão! apaga de novo! C-U-Z-Ã-O!)

(só testando a liberdade de expressão na blogosfera... :P)

domingo, 21 de setembro de 2008

:: da série PÃO QUENTINHO ::

PRIMAL SCREAM - "Beautiful Future"
(mp3 de 160 kps - 61 MB):
http://www.mediafire.com/?4fiyoznqh4o


METALLICA - "Death Magnetic"
(mp3 de 128kps - 67 MB)
http://www.mediafire.com/?moqidjq2oew


JONNY GREENWOOD (do RADIOHEAD) - "There Will Be Blood"
[trilha sonora original do filme "Sangue Negro"]
(mp3 de 320 kps - 75 MB)
http://www.mediafire.com/?mv31yzrovdj


CALEXICO - "Carried To Dust"
(mp3 de 160kps - 51 MB)
http://www.mediafire.com/?yq3nzzddeey

domingo, 31 de agosto de 2008

:: look who's back in town... ::


Barbudão como de praxe e esbanjando o já tão reconhecido talento, Marcelo Camelo está de volta, cantando pra nos encantar. Enquanto os Los Hermanos ficam no limbo destas férias por tempo indeterminado, matando de saudade os milhares de órfãos da mais cultuada banda brasileira da década, os dois cabeças da banda carioca se embrenham em projetos paralelos. Amarante assumiu uma persona festeira, sacana e prá-lá-de-cool junto à Orquestra Imperial e Camelo partiu para vôos solos. "Sóu", o primeiro disco do parente-do-dromedário, chega às lojas no comecinho de Setembro, mas já caíram na rede as 10 primeiras faixas do álbum - que Depredando disponibiliza aqui num zipão. Com participações especialíssimas da banda paulista de post-rock Hurtmold e da musa do indie-folk Mallu Magalhães (que canta lindamente em "Janta"), o álbum traz um Camelo que funde buarquismos emepebísticos com elementos gringos num disco que soa um pouco Jack Johnson, um pouco Devendra Banhart, um pouco Chico Buarque, um pouco Baden Powell e um pouco Los Hermanos fase IV. "Copabacana", maravilha carnavalesca e cheia de deliciosas sacanagens, tem tudo para ser um hitzão nacional, de tão irresistível que é. Já "Liberdade" é de tirar lágrimas dos olhos e faria bonito se tivesse entrado no último álbum da banda. Mesmo sem ter ouvido as 4 faixas que ainda permanecem secretas, já arrisco dizer: taí um dos melhores álbuns nacionais do ano, fácil fácil...

DOWNLOAD (64 MB):
http://www.mediafire.com/?rmupdpgwt2a

sábado, 30 de agosto de 2008

:: da série PÃO QUENTINHO ::

THE WALKMEN - You & Me (69 MB)
http://www.mediafire.com/?rjxwdlzibmm


MOP TOP - Como Se Comportar (85 MB)
http://www.mediafire.com/?xytxtmtwzyt



AIMEE MANN - @#%&! SMILERS (56 MB)
http://www.mediafire.com/?ufuur5vxzhy



CONSTANTINES - Kensington Heights (66 MB)
http://www.mediafire.com/?fhdcrwhfp3z



SIGUR RÒS - Með suð í eyrum við spilum endalaust (53 MB)
http://www.mediafire.com/?t5lunoup49f

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

:: da série PÃO QUENTINHO - discos de 2008 ::

THE VERVE - Forth
DOWNLOAD * * * * SAIBA MAIS



JAKOB DYLAN (do Wallflowers) - Seeing Things
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CONOR OBERST (do BRIGHT EYES) - Self-titled (80 MB)
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ESPERANZA SPALDING - Esperanza (93 MB)



CANSEI DE SER SEXY - Donkey
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segunda-feira, 4 de agosto de 2008

:: da série PÃO QUENTINHO - discos de 2008 BRASIL ::

Aê galera! Aí vão alguns dos mais importantes lançamentos do rock brazuca neste ano de 2008. Depredando recomenda entusiasticamente o novo Curumin (que fez um show fodástico no SESC Av Paulista dias atrás, deliciando o público com um groove-da-porra, de chaqualhar o esqueleto) e o debut do Macaco Bong, um dos melhores álbuns de rock instrumental já lançados no Brasil. O Cansei de Ser Sexy fica pra próxima leva de pães quentinhos...

CURUMIN, Japan Pop Show
http://www.mediafire.com/?ehhw7m2xdd2

por Rômulo Fróes, cantor e compositor.
texto na íntegra disponível no Música Social


“Japan Pop Show”, programa de TV exibido nas manhãs de domingo nos anos de 1980, era um karaokê produzido e protagonizado por imigrantes japoneses e seus descendentes no Brasil. Curumin, neto de japoneses e nesta época ainda criança, se encantava com as performances um tanto cômicas dos anônimos candidatos a cantores de sucesso. (...) “Japan Pop Show” é o nome do segundo disco de Curumin e se o título faz referência à sua descendência, o som do disco traz no seu DNA, o que já conhecíamos de “Achados e Perdidos”, primeiro álbum de Curumin, uma profusão de ritmos e influências, com matriz fundamentalmente na música negra. Mas há muito mais caldo nesse mocotó."

* * * * *

"...uma estranha e interessante junção de engajamento e diversão. Em canções dançantes, impossível de serem ouvidas sem se mexer, Curumin manda textos contundentes, encharcados de indignação, sobre temas que acredita que precisam ser discutidos. Sob camadas de grooves arrasadores, a agressão ao meio ambiente, a ganância humana, a má distribuição de renda, a corrupção, tudo o que lhe perturba é dito nestas canções. Ainda que o som poderoso de Curumin nos quer balançando as cadeiras, não quer que nossas cabeças parem de funcionar..."

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Japan Pop Show” é lançado no ano em que se comemoram cem anos da imigração japonesa no Brasil, uma feliz coincidência que nos leva a pensar sobre quanta riqueza provocou nossa miscigenacão, e no caso de nossa música, o quanto essa característica a tornou numa das mais reconhecidas no mundo. No disco de Curumin, essa miscigenação é levada a outro patamar. O brasileiro, nascido na cosmopolita e globalizada São Paulo, o baterista profundamente influenciado por nossas raízes africanas, reencontra seus antepassados vindos do oriente, de uma cultura tão diferente da nossa e de uma música diametralmente oposta, se relaciona com tudo isto à sua maneira, antenado com o modo de produção atual, com a tecnologia existente nestes primeiros anos do século XXI e cria uma nova coisa, a sua música. É curioso, que mesmo depois de todas estas transformações, podemos ainda chamá-la: Música Brasileira. Se a vaga de síndico do condomínio Brasil ainda está vaga, Curumin, eis aqui um forte candidato. Tenho certeza que mestre Tim Maia aprovaria a indicação."

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SEYCHELLES, NanaNenen
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por EDGARD SCANDURRA,
guitarrista do IRA!

Já faz muito tempo que venho sonhando com o surgimento de uma banda que não trouxesse em seus planos a mediocridade apelativa na busca pelo sucesso fácil. Acho que meu sonho se realizou…

Não vejo no Seychelles, de jeito nenhum, as famigeradas mãozinhas para cima, os gritos de “aí, gente!” e outras atitudes que me afastam cada vez mais do que as rádios insistem em chamar de pop-rock. Ao ouvir o álbum nananenen, um público com certa inteligência e inapto às armadilhas populistas (que reúnem rock, axé, pagode e sertanejo no mesmo saco de gatos, feitos sob encomenda aos jabás, shows de rádio e especiais de TV) descobrirá uma intensa fonte de criatividade e personalidade.

Logo na primeira faixa, “Funcionário Padrão”, ouvimos um ótimo rock com belos overdrives da guitarra perfeita, mas nunca exibicionista, de Fernando Coelho, a voz de Gustavo Garde com um delicioso sotaque paulistano a lá anos 70 e afinação perfeita, o baixo extremamente atuante, autêntico e corajoso de Renato Cortez e a bateria de Paulo Chapolin, que às vezes simplesmente conduz, mas às vezes também se expressa como um instrumento de frente, como se os tambores cantassem ou solassem.

Todos esses elementos estão integrados a partir de um sutil senso de humor e uma narrativa apurada. Em sua composição “No caminho de Shangri-la”, Gustavo cria uma interessante harmonia entre rock e língua portuguesa, tarefa nada fácil. As letras também chamam a atenção – que bom uma banda de jovens nos levar ao dicionário para descobrir o significado de palavras como tégula, diáspora e outras.

Já a canção “Poperô “, pulsante em um belíssimo 4×4, mostra o que a música eletrônica trouxe de volta ao rock: a característica de ser dançante. Aqui, o baixo passeia como um sintetizador subvertendo as intenções. É um dos momentos do disco em que a música realmente “dá barato”.

Para finalizar, amarrando todas as outras faixas, o Seychelles traz em nananenen algo de retrô, quase inconsciente, que ajuda a manter acesa a chama metropolitana, urbana e underground do rock.

* * * * *

MACACO BONG, Artista Igual Pedreiro
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Por Hugo Montarroyos, da Revista O Grito!
texto na íntegra disponível aqui

"Uma hora e sete minutos de trabalho braçal. De demolição de pedras. Mas também de uma certa delicadeza em meio à brutalidade. Em Artista Igual Pedreiro, álbum de estréia do trio cuiabano Macaco Bong, eles carregam e destroem tijolos da mesma forma que lapidam algumas pedras raras. É um trabalho impregnado de detalhes, prova de que a música instrumental (ao contrário do que julga o senso comum) não é um terreno tedioso e limitado. (...)

Artista Igual Pedreiro não é um disco fácil. Apesar da maçaroca sonora que promovem nos poucos mais de três minutos de “Shifit” indicar que estamos diante de um álbum de metal, é bom saber que o trio jamais entrega o jogo fácil. De metal passa para uma espécie de punk mais elaborado. Depois para camadas de jazz, e logo em seguida um quê de surf music. Até não termos mais noção de onde estamos e o que ouvimos exatamente. Não é exagero, de agora em diante, usar o termo “Macaco Bong” para designar uma obra de difícil rotulação. Ou seja, eles conseguiram o que muitos artistas buscam em vão: fogem de todos os rótulos e imprimem uma marca personalíssima.

"...a estratégia de lançar o disco gratuitamente pela Trama Virtual, através do projeto Álbum Virtual foi mais do que acertada. Artista Igual Pedreiro é daquelas obras que, esteticamente, estão bem distante do diálogo popular e do consumo fácil. É uma jornada de mais de uma hora pelos caminhos obscuros da música instrumental, pouco acessível e de concessão zero para o ouvinte. Este é exigido na audição de cada segundo, instigado, provocado, e por vezes levado até à vontade de desligar o som e contemplar o silêncio. Mas, por algum mistério da natureza musical do trio, acaba não o fazendo."

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ROCK ROCKET, idem
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Mais porradas em favor de um roquenrou mais alcóolatra e inconsequente.

domingo, 6 de julho de 2008

:: da série PÃO QUENTINHO - discos de 2008 ::

BECK - "Modern Guilt"
(mp3 de 192 kps - 71 MB )
http://www.mediafire.com/?c4tnwbd0dpe




FLEET FOXES - "Selft-titled" + "Sun Giant EP"
(mp3 de 192 kps - 86 MB - um LP e um EP)
( AMG - Pitchfork )
http://www.mediafire.com/?szf9nnxbsce



RACOUNTERS - "Consolers of the Lonely"
(mp3 de 192kps - 88 MB)
http://www.mediafire.com/?wqwc5dwm3fp



FREE KITTEN - "Inherit"
(mp3 de 192 kps - 77MB)
(Kim Gordon do Sonic Youth + a mina do Pussy Galore)
[myspace: http://www.myspace.com/freekittennyc ]
[download: http://www.mediafire.com/?qmdbbnzxzzy]



LIGA LEVE - "O Disco dos Carros"
(download no site oficial da banda:)
http://www.telecoteco.com.br/ligaleve/carros/index.html

sábado, 7 de junho de 2008

:: da série PÃO QUENTINHO - discos de 2008 - pt. 4

COLDPLAY - Viva La Vida
http://www.mediafire.com/?oczy2ym1ycu


MUDHONEY - The Lucky Ones
http://www.mediafire.com/?mnm1wixc3mb



WEEZER - Red Album
http://www.mediafire.com/?3kmmjyxmzsl


DEATH CAB FOR CUTIE - Narrow Stairs
http://www.mediafire.com/?25mmxxj3ezm


e dois rárdicori velha-escola du bão!:

H2O - Nothing To Prove
http://www.shareonall.com/H2O-NTP_FOAM_mmwq_rar.htm



BAMBIX - Bleeding In a Box
http://www.mediafire.com/?4yt0ltczg1t

(alguns links foram emprestados do ótimo blog do Rozão!
visita recomendada! [pagamos o roubo com marketing... rs])