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terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

GRITO ROCK GOIÂNIA 2015 - 14, 15 e 16 DE FEVEREIRO - CONFIRA A PROGRAMAÇÃO COMPLETA E ASSISTA DÚZIAS DE CLIPES







GRITO ROCK GOIÂNIA 2015 
14, 15 e 16 de Fevereiro
No Centro Cultural Martim Cererê
Um festival da Fósforo Cultural


SÁBADO (14/02)




01:15 Boogarins
00:30 Shotgun Wives
00:00 Rafael Castro (SP)
23:30 Carne Doce
23:00 Tagore (PE)
22:30 Dom Casamata e a Comunidade
22:00 Lisabi (SP)
21:30 Bruna Mendez
21:00 Caffeine Lullabies
20:30 Versário
20:00 Components
19:30 Chá de Gim
19:00 Feed My Kraken (Anápolis)
18:30 Guto Sansaloni
18:00 Two Wolves (S. Canedo)
17:30 Projeto Supernova
17:00 Alfaiate Club
16:30 Meio Termo







DOMINGO (15/02)




01:15 Hellbenders
00:30 Overfuzz
00:00 Beavers
23:30 Corazones Muertos (SP)
23:00 Cherry Devil
22:30 Hell Oh! (RJ)
22:00 Dogman
21:30 Muñoz (MG)
21:00 Red Light House
20:30 Billy Brown e o Incrível Magro de Bigodes (MT)
20:00 Veementes (R. Verde)
19:30 Erotori
19:00 Damm Stoned Birds
18:30 Marmelada de Cachorro
18:00 The Moltke's Shells
17:30 Sheena Ye
17:00 Almost Down
16:30 Melodizzy







SEGUNDA (16/02)




01:15 Don L (CE)
00:45 Far From Alaska (RN)
00:15 Faroeste
23:30 Aurora Rules
23:00 Rico Dalasan (SP)
22:30 Scalene (DF)
21:45 Gasper
21:30 Petit Mort (ARG)
21:00 Tati Ribeiro
20:30 Heretic
20:00 Ataque Beliz (DF)
19:30 Coerencia
19:00 Coletivo Sui Generis
18:30 Revengers
18:00 Procedê
17:30 Usmago
17:00 Clann
16:30 Pedrada



SERVIÇO

Grito Rock 2015
Data: 14, 15 e 16 de fevereiro
Horário: A partir das 16h
Local: Centro Cultural Martim Cererê
Ingressos antecipados: R$ 15,00
Pontos de venda: Ambiente Skate Shop, Hocus Pocus, Casulo Moda Coletiva, P de Pizza, Tio Bákinas, Hops

Realização:
Fósforo Cultural
Circuito FDE

Co- Realização
Crimeia
Matuto Produção Cultural

Apoio institucional:
Lei Goyazes

Apoio:
Red Bull
Heineken
Edelweiss
A Gambiarra
Roxy Goiânia
Contradição Filmes
Fiu Fiu
Monkey

Festival Filiado a Rede Brasil de Festivais Independentes



Deu na Mídia:



domingo, 22 de setembro de 2013

Mixtape BR #18 - Chico Science, B Negão, J. Macalé, Luiz Tatit e Ná Ozzetti, Blubell...


01. WILSON DAS NEVES, “Essa Moça Tá Diferente” (Chico Buarque)
02. CHICO SCIENCE, “Banditismo por uma Questão de Classe”
03. R. RABELLO & DINO 7 CORDAS, “Conversa de Botequim” (Noel Rosa)
04. B NEGÃO & OS SELETORES DE FREQUÊNCIA, “Proceder/Caminhar”
05. JARDS MACALÉ, “Pano Pra Manga”
06. EDNARDO, “Varal”
07. LUIZ TATIT & NÁ OZZETTI, “Tanto Amor”
08. DUOFEL, “Reggae por Nós”
09. BLUBELL, “Who’s the Freak?”
10. BARRA FUNDA FIGHTERS, “Estágio Lunar”

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Nova coleta brazuca: Chico Science, Criolo, Curumin, Raul, Wilson das Neves, Emicida, Legião, Dom Salvador e a Abolição... Suba o som e boa viagem!


Saindo do forno a 16ª EDIÇÃO da série de mixtapes que agregam só música popular brasileira, de todos os estilos e várias épocas, numa salada-gororoba que vai do rap ao rock, do samba manguebeat, do indie à tropicália… embarque na última:

01) EMICIDA - “Dedo na Ferida" (Ao Vivo)
02) LEGIÃO URBANA, “Mais do Mesmo"
03) RAUL SEIXAS, “Cidade de Cabeça Pra Baixo"
04) DOM SALVADOR & A ABOLIÇÃO, “Uma Vida"
05) WILSON DAS NEVES, “O Dia Em Que O Morro Descer e Não For Carnaval"
06) CRIOLO, “Não Existe Amor em SP" (Ao Vivo)
07) CURUMIN, “Guerreiro"
08) FILOMEDUSA, “Baixaria Blues"
09) EL EFECTO, “O encontro de Lampião com Eike Batista"
10) CHICO SCIENCE & NAÇÃO ZUMBI, “Banditismo por Questão de Classe"

http://8tracks.com/depredando/brazucas-16-edicao

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

A Utopia Antropofágica [11a Edição]: Chico Buarque, D. Caymmi, Demônios da Garoa, Céu, Blubell, Garotas Suecas, Filarmônica de Pasárgada e por aí vai...



Coletânea fresquinha saindo! É o 11º volume da série que congrega só as brasileiragens, de todos os estilos e épocas. No cardápio... 01) Demônios da Garoa canta Adoniran Barbosa, "Samba do Arnesto"; 02) Chico Buarque, "Pedro Pedreiro"; 03) Dorival Caymmi, "A Vizinha do Lado"; 04) Céu, "Visgo de Jaca"; 05) Abayomy Afrobeat Orquestra, "Malunguinho"; 06) Blubell, "Pessoa Normal"; 07) Garotas Suecas, "Alma"; 08) Paraphernália, "Paraquedas (Reserva); 09) Clarice Falcão, "Oitavo Andar"; 10) Filarmônica de Pasárgada, "O Seu Tipo".

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

A Tropicália Revisitada

(de Marcelo Machado, 2012, 89min. Trailer.)

"O Tropicalismo foi um movimento de ruptura que sacudiu o ambiente da música popular e da cultura brasileira entre 1967 e 1968. Seus participantes formaram um grande coletivo, cujos destaques foram os cantores-compositores Caetano Veloso e Gilberto Gil, além das participações da cantora Gal Costa e do cantor-compositor Tom Zé, da banda Mutantes, e do maestro Rogério Duprat. A cantora Nara Leão e os letristas José Carlos Capinan e Torquato Neto completaram o grupo, que teve também o artista gráfico, compositor e poeta Rogério Duarte como um de seus principais mentores intelectuais. 
Os tropicalistas deram um histórico passo à frente no meio musical brasileiro. A música brasileira pós-Bossa Nova e a definição da “qualidade musical” no País estavam cada vez mais dominadas pelas posições tradicionais ou nacionalistas de movimentos ligados à esquerda. Contra essas tendências, o grupo baiano e seus colaboradores procuram universalizar a linguagem da MPB, incorporando elementos da cultura jovem mundial, como o rock, a psicodelia e a guitarra elétrica. 
Ao mesmo tempo, sintonizaram a eletricidade com as informações da vanguarda erudita por meio dos inovadores arranjos de maestros como Rogério Duprat, Júlio Medaglia e Damiano Cozzela. Ao unir o popular, o pop e o experimentalismo estético, as idéias tropicalistas acabaram impulsionando a modernização não só da música, mas da própria cultura nacional. 
Clássico estudo de Favaretto
Seguindo a melhor das tradições dos grandes compositores da Bossa Nova e incorporando novas informações e referências de seu tempo, o Tropicalismo renovou radicalmente a letra de música. Letristas e poetas, Torquato Neto e Capinan compuseram com Gilberto Gil e Caetano Veloso trabalhos cuja complexidade e qualidade foram marcantes para diferentes gerações. Os diálogos com obras literárias como as de Oswald de Andrade ou dos poetas concretistas elevaram algumas composições tropicalistas ao status de poesia. Suas canções compunham um quadro crítico e complexo do País – uma conjunção do Brasil arcaico e suas tradições, do Brasil moderno e sua cultura de massa e até de um Brasil futurista, com astronautas e discos voadores. Elas sofisticaram o repertório de nossa música popular, instaurando em discos comerciais procedimentos e questões até então associados apenas ao campo das vanguardas conceituais. 
Sincrético e inovador, aberto e incorporador, o Tropicalismo misturou rock mais bossa nova, mais samba, mais rumba, mais bolero, mais baião. Sua atuação quebrou as rígidas barreiras que permaneciam no País. Pop x folclore. Alta cultura x cultura de massas. Tradição x vanguarda. Essa ruptura estratégica aprofundou o contato com formas populares ao mesmo tempo em que assumiu atitudes experimentais para a época. 
Discos antológicos foram produzidos, como a obra coletiva Tropicália ou Panis et Circensis e os primeiros discos de Caetano Veloso e Gilberto Gil. Enquanto Caetano entra em estúdio ao lado dos maestros Júlio Medaglia e Damiano Cozzela, Gil grava seu disco com os arranjos de Rogério Duprat e da banda os Mutantes. Nesses discos, se registrariam vários clássicos, como as canções-manifesto “Tropicália” (Caetano) e “Geléia Geral” (Gil e Torquato). A televisão foi outro meio fundamental de atuação do grupo – principalmente os festivais de música popular da época. A eclosão do movimento deu-se com as ruidosas apresentações, em arranjos eletrificados, da marcha “Alegria, alegria”, de Caetano, e da cantiga de capoeira “Domingo no parque”, de Gilberto Gil, no III Festival de MPB da TV Record, em 1967. 
Irreverente, a Tropicália transformou os critérios de gosto vigentes, não só quanto à música e à política, mas também à moral e ao comportamento, ao corpo, ao sexo e ao vestuário. A contracultura hippie foi assimilada, com a adoção da moda dos cabelos longos encaracolados e das roupas escandalosamente coloridas. 
O movimento, libertário por excelência, durou pouco mais de um ano e acabou reprimido pelo governo militar. Seu fim começou com a prisão de Gil e Caetano, em dezembro de 1968. A cultura do País, porém, já estava marcada para sempre pela descoberta da modernidade e dos trópicos." (Via Tropicalia.com.br)

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

O Júbilo de Ser Impuro! (Caldeirão Tupiniquim, 9ª Edição)


Mais uma coleta samba-do-criolo-doido só de Música Popular Brasileira, nascida em vários tempos e lugares de nosso país continente. Daquilo que já marcou época ("Desafinado", com João Gilberto e Stan Getz) àquilo que hoje-em-dia milita na independência e busca sua expressão. Identidades fluidas e rótulos lançados por terra e pisados em cima. Que o orgulho nacional esteja o fato de sermos irrotuláveis! Do Acre dos Los Porongas e da Filomedusa à Sampa caótica do MC Rashid. Da Goiânia vista através do terrorismo poético de alguns Chimpanzés de Gaveta líricos, à duas gerações do rock de Brasília, representado aqui pela Legião Urbana e pelo Prot(o). Uma viagem sônica que inclui ainda os cuiabanos fora-do-eixo do Macaco Bong, o groove selvagem e malemolente do Curumin, o lúdico circo de variedades do Bazar Pamplona... Em prol do júbilo de ser impuro!

TABLE OF CONTENTS [A MESA DOS CONTENTES]: 01) Legião Urbana (DF), "Sereníssima"; 02) Los Porongas (AC), "Espelho de Narciso"; 03) Chimpanzés de Gaveta (GO), "Canibais na Sala de Jantar"; 04) Filomedusa (AC), "Baixaria Blues"; 05) Prot(o) (DF), "O Amor em Gestos Calados"; 06) Curumin, "Selvagem"; 07) MC Rashid (SP), "Revoilusão (Dívida)"; 08) Macaco Bong (MT/MG), "Summer Seeds"; 09) Bazar Pamplona, "Ela Tem uma Ambulância"; 10) Getz & Gilberto, "Desafinado".

domingo, 27 de maio de 2012

Coleta de Música Brasileira (Volume VI)

01. Raul Seixas, "Sociedade Alternativa"; 02. Os Mutantes, "Tecnicolor"; 03. A Banda Tropicalista do Rogério Duprat, "Chega de Saudade"; 04. Gilberto Gil, "Back in Bahia"; 05. Marcelo D2, "A Maldição do Samba"; 06. Fino Coletivo, "Uma Raiz, Uma Flor" (Wado); 07. Graveola e o Lixo Polifônico, "Desdenha"; 08. Siba, "Cantando Ciranda na Beira do Mar"; 09. Cambriana, "The Sad Facts"; 10. Sérgio Sampaio, "Brasília"; 11. Jorge Mautner, "Maracatu Atômico"; 12. Raul Seixas, "Metamorfose Ambulante".

VOLUMES ANTERIORES: CINCO - QUATRO - TRÊS - DOIS - UM


Documentário (curta-metragem) "Um Sampaio Teimoso"

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Raul Seixas - Discografia Selecionada (para Download)

Raul Seixas, Sérgio Sampaio, Edy Star e Míriam Batucada – Sociedade da Grã Ordem Kavernista Apresenta Sessão das Dez (1971) download


Krig-Ha, Bandolo! (1973) download


Gita (1974) - Download


 Raul Seixas e Paulo Coelho - Trilha Sonora Original O Rebu (1974) download


"Há Dez Mil Anos Atrás" (1976) download


 "Novo Aeon" (1975) download


Raul Seixas e Marcelo Nova - "A Panela do Diabo" download


agradecimentos e saudações ao providencial baú-de-tesouros do Um Que Tenha!

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Raul Seixas - Maluco Beleza em Metamorfose Ambulante (um retrato)

Documentário de Walter Carvalho (2012)

"...um espírito versado na serpentina arte de mudar de pele. [...] E feliz em não abrigar em si uma alma imortal, mas muitas almas mortais."
NIETZSCHE
(Humano Demasiado Humano II - Prólogo #2 e #17).



O nome escrito no RG perdura do nascimento à morte, quiçá modificado, vez ou outra, por casório, mudança-de-sexo ou ida-pro-estrangeiro. Já a criatura que este nome batiza decerto é bem mais fluida e líquida do que sugere a fixidez dos documentos. Somos seres mutantes! As barbas sucederam aos meus dentes-de-leite do mesmo modo como os cabelos alvos da velhice hão de esbranquiçar estas madeixas temporariamente cheias de cor. E não será melhor aquiescer à roda-viva dos tempos ao invés de aspirar por impossíveis imutabilidades?

Não se entra duas vezes no mesmo rio”, dizia Heráclito uns 2.500 anos atrás. A ancestralidade do dito, seu caráter de “clássico” da filosofia, não significa que o rio de que ele falava – o rio cósmico, o rio universal, o rio de Tudo o que escorre... - cessou de correr. Prosseguem as marés em sua dança com a Lua. Prosseguem as águas a responderem aos chamados invisíveis das gravitações planetares, eternamente fluentes, e sempre aos humanos  indiferentes, por mais embasbacados que fiquem estes diante de mares e luares!

Se a própria Natureza ao nosso redor é dinâmica eterna e imparável mobilidade, seríamos loucos se quiséssemos, apegando-nos a dogmas e nos engessando em ortodoxias, sermos fixos como as “pedras que choram sozinhas no mesmo lugar”. Raul, como canta-nos em "Medo da Chuva", "aprendeu o segredo da vida vendo essas pedras que choram sozinhas no mesmo lugar". Conheço poucos versos mais lindos na história da poesia e da música brasileira. Raul Seixas nos comove e nos encanta tanto, me parece, pois não quis ter um destino de pedra, estagnada em sua solidez, e preferiu ser rio. "Eu preferiu ser uma metamorfose ambulante do que “ter aquela velha opinião formada sobre tudo...”.

E isso, pra mim, é rock'n'roll até o osso. Pedras que rolam não criam limo. Mas melhor que ser pedra que rola é ser homem-rio. Não é à toa que Walter Carvalho inicia seu filme com um dos símbolos-mor da contracultura hippie sessentista: os dois motoqueiros de Easy Rider, encarnados por Dennis Hopper e Peter Honda. Raul Seixas, seguindo essa metáfora, teria sido um easy rider tupiniquim, um que põe o pé-na-estrada ao invés de ser samambaia, um maluco beleza sem medo de ver o misticismo misturado com a lucidez, nem o rock com o baião, Jimi Hendrix com Luiz Gonzaga, Satanás com Cristo, Crowley com Shiva... A ousadia das mesclas, a leveza desse saltar eclético em várias “ilhas” da cultura, faz de Raul um desbravador de novas sendas para a liberdade!... “Faze o que tu queres... há de ser tudo da lei!”

Que esse anarquismo estético todo seja altamente subversivo eu não duvido. E é ótimo que seja. Raul Seixas permanece um remédio necessário contra o caretismo. Longe de mim bancar aqui o bully dos caretas, ainda mais considerando que tenho, com certeza, minhas próprias caretices, como todos. O problema é que o caretismo não é tão inofensivo como parece: estou convencido de que muitos “homens de poder”, muitas altíssimas autoridades políticas-militares-religiosas-policiais, muitos destes que são responsáveis por criar as nossas leis e vigiar nossos comportamentos e nossas interações sociais, são caretas dogmáticos.

Um exemplo: a sangrenta Guerra às Drogas, baseada em ortodoxias proibicionistas, por exemplo, já deixou 50.000 mil mortos no México nos últimos 5 ou 6 anos... A mesma guerra absurda, levada a cabo faz algumas décadas pelo DEA norte-americano, que segue seguindo à risca a cartilha do czar Anslinger, causou trilhões e trilhões de desperdício de verba pública e o encarceramento em massa de um imenso contingente populacional: 25% dos presos do planeta estão nos Estados Unidos da América, o maior Estado policial e militar do mundo. Quanto aos assassinados no Rio de Janeiro ou na Colômbia, bem... quem é que está contando? E como não perder a conta diante de um genocídio tamanho? 

Aliás, não haveria um certo eufemismo no próprio termo “Guerra às Drogas”? Como se as perseguidas fossem só as substâncias, e não... as pessoas que as utilizam e comercializam! Esta guerra contra pessoas, movida por preconceitos que se agarram com a obstinação de sanguessugas às nossas legislações, tem a ver – e me arrisco agora em psicologia social raul-seixista! - com o caretismo institucionalizado dos fanáticos pela ordem. E Raul Seixas é um providencial antídoto.


O que eu quero dizer é que acho ótimo que tenha existido uma figura como Raul para ser uma mosca na sopa de tudo quanto é discursinho pró DOPS, Opus Dei, Caveirão do BOPE... Raul foi, de fato, uma das maiores figuras da contracultura brasileira na segunda metade do século passado, um artista de criatividade exuberante, e que nos mostrou a beleza da ousadia, da quebra de paradigmas, do comportamento distoante. Ouvir Raul é uma cura contra a normopatia, termo que empresto do psicanalista José Ângelo Gaiarsa, talvez o mais brilhante e mais célebre dos nossos reichianos.

“Normopata” é aquele tipo de neurótico, comuníssimo aliás, que deseja, acima de tudo, ser normal. Somos todos um pouco normopatas: em situações sociais, especialmente, modelamos nosso comportamento de acordo com o que nos foi ensinado sobre o que é normal e o que é patológico, o que aceito e o que é ilícito. Ah, esses sininhos de Pavlov que não cessam de bater, infernais e aporrinhantes, dentro de nossos cérebros! 

A normopatia, neurose de massa, talvez ajude a explicar fenômenos tão atuais, e tão justamente combatidos por tantos movimentos sociais, como a homofobia, o racismo, o bullying. Pessoas que possuem uma “imagem ideal” do que seja a normalidade – por exemplo, normal é quem é branco, católico, heterossexual e “democrata” – tendem a soltar seus anátemas (e às vezes seus cachorros e sua polícia...) pra cima de quem destoa desse ideal do “Normal”. E dá-lhe pauladas e preconceitos pra cima de comunistas, negros, homossexuais, ateus, anarquistas, índios, “hippies” e tantos outros “desviantes” (na perspectiva dos fanáticos pelo normal, claro...).


No Brasil, como prova a onipresença e onirecorrência do "Toca Rauuul!" em qualquer show, boteco, pub, roda-de-samba ou concerto de música clássica, Raul Seixas virou uma espécie de mito nacional, neo-Macunaíma, objeto de um culto equivalente em terras de Pindorama àquele prestado à Che Guevara em outras plagas (cubanas ou argentinas, por exemplo). Raul é muito mais que música: é um "modelo" de comportamento, um ideal de personalidade, alguém que muita gente se põe a imitar e reverenciar como se se tratasse de um novo Cristo - e bem peculiar, aliás, dadas as propensões de Raul para o satanismo e seu amor muito maior pelo Baghavad-Gita dos indianos do que pela Bíblia dos romanos...

O pivete baiano que se encantou com Elvis Presley e Litte Richard, que puxou a gola pra cima e começou a rosnar e uivar com "Tutti Frutti" ou "Be-Bop-A-Lula", acabou sendo, junto com os Mutantes, um dos principais agentes da mistura entre a música brasileira e o que estava na crista da onda no panorama musical internacional. Raul não tinha medo de "importar" - e sem pagar direitos autorais ou ter que responder processos por plágio - o que havia de melhor no rock gringo. Ele não copiava - ele expropriava. Quer dizer: apropriava-se de modo muito próprio do que suas espertas antenas incorporavam e acabava por realizar uma síntese absolutamente original e inaudita de elementos antes considerados imisturáveis. Um antropófago!

Com Raul, acontece na cultura brasileira um dos mais poderosos fenômenos do que eu chamaria de idolatria secular. O pop star, afinal de contas, é uma espécie de ídolo a vagar fora das igrejas. Cultuado, como outrora Dionísio e Baco, nos locais de dança e carnaval, nos agrupamentos clandestinos de entusiastas, nos locais onde emergem zonas autônomas temporárias e os sujeitos experimentam as "delícias do deslimite" (Rüdiger Safranki). Como quantificar o impacto de uma figura carismática dessas nos sonhos de milhares de homens e mulheres? Como calcular quantas personalidades são moldadas, ao menos em parte, tendo o raul-seixismo como modelo e ideal? Quando John Lennon soltou aquela que deixou de cabelos em pé os fundamentalistas religiosos ("Os Beatles são mais populares do que Jesus Cristo"), estava só dando amostras de seu apuradíssimo senso social. Pois de fato, em nossas sociedades do espetáculo, pra usar a expressão consagrada por Guy Debord, os pop-stars talvez tenham mais impacto social do que alguns mofados símbolos religiosos de milênios atrás. 

Raul Seixas, arauto da contracultura brasileira, padroeiro de todas as lutas anti-manicomiais e anti-dogmáticas, sátiro e palhaço de uma sociedade gerida por elites doentes, é também aquele que nos ensinou que para desafinar o coro dos contentes não é necessário ser soturnamente triste. Com que contentamento e com que jovial audácia Raul não encarnava a ovelha negra! Esta é uma mosca risonha pousando nas intragáveis sopas dos dogmáticos, dos fanáticos, dos caretas. Como a Mafalda de Quino, Raul é um quixotesco protestador contra as sopas azedas deste mundo. E, nos antípodas do inseto nauseante e repugnante no qual o Gregor Samsa de Kafka se viu transformado, Raul Seixas é uma mosca feliz e saltitante. Provoca e alfineta, introduz a dissonância no coro dos normais, questiona as autoridades autoritárias, abre novas vias de interpretação do mundo e da vida, escancarando portas e janelas com pontapés de poeta... O estrago que causou, a influência que gerou e os encantamentos que despertou prosseguem agindo e ecoando, anos e anos depois que os primeiros vermes roeram as frias carnes de seu cadáver alcóolatra e de pâncreas mutilado. E hoje em dia, fantasma entre nós, que frequenta nossos pesadelos e sonhos, que anima nossas festas e nossos cinemas, que é semente nos solos de nossa cultura e inspiração para o desabrochar de nossa criatividade, Raul parece uma figura que saiu da vida só para gozar, altaneiro, da notável sobrevida dos mitos.





terça-feira, 24 de abril de 2012

Coletânea de música brasileira - 5º Volume

Caldeirão Tupiniquim #05 from depredando on 8tracks.


CALDEIRÃO TUPINIQUIM #005

01) TOM ZÉ, “Tô”; 02) CARMEN MIRANDA, “E o Mundo Não se Acabou”; 03) CURUMIN, “Guerreiro”; 04) ELIZETH CARDOSO, “Eu Bebo Sim; 05) MÓVEIS COLONIAIS DE ACAJU, “Cão Guia”; 06) OS MUTANTES, “Hey Boy”; 07) ULTRAJE A RIG
OR, “Marylou” (Versão Carnaval); 08) RAUL SEIXAS, “Moleque Maravilhoso”; 09) SEU JORGE, “Onde Está o Samba”; 10) CLARA NUNES, “Obsessão”; 11) CÍCERO, “Tempo de Pipa”; 12) NÁ OZZETTI, “Baú de Guardados”.

VOLUMES ANTERIORES: QUATRO - TRÊS - DOIS - UM

segunda-feira, 2 de abril de 2012

"Se essa maré me der um caldo..."


Quarta edição da série de coletâneas que reúne a nata da Nova Música Brasileira. Estrelando… Vivendo do Ócio, Nevilton, Diego de Moraes e o Sindicato, Amp, Luxúria, Black Drawing Chalks, Alarde, Rinoceronte, Mukeka di Rato, Transmissor, Aurora Rules e Ultravespa. Suba o volume pro talo e boa viagem!

E tem 10 coletinhas depredadoras aqui: http://8tracks.com/depredando

terça-feira, 20 de março de 2012

a nova música brasileira (coletânea)


Caldeirão Tupiniquim #003
Coletânea de Música Brasileira Contemporânea
Mais coletas: http://8tracks.com/depredando 
Compartilhe à vontade!

Setlist:

Wado e o Realismo Fantástico - “Grande Poder”
Plástico Lunar - “Boca Aberta”
Saco de Ratos - “Boêmios Errantes”
Vícios da Era - “Nos Eixos da Ilusão”
Cícero - “Laiá Iáiá”
Criolo - “Bogotá”
Casuarina - “Terra Firme”
Mariana Aydar - “Tá?”
Radiocarbono - “O Vôo de Samsa”
Dona Zica - “Protesto Pessoal”
Mini Box Lunar - “Piquinique no Espaço”
Mersault e a Máquina de Escrever - “Prostituto”
Tiê - “Passarinho”
Céu - “Retrovisor”

quarta-feira, 7 de março de 2012

pra bom entendedor meia palavra bas...



Mariana Aydar 
“Tá” 
in: Peixes, Pássaros, Pessoas [2009] [download]



Pra bom entendedor, meia palavra bas-
Eu vou denunciar a sua ação nefas- 
Você amarga o mar, desflora a flores- 
Por onde você passa, o ar você empes- 
Não tem medida a sua ação imediatis- 
Não tem limite o seu sonho consumis- 
Você deixou na mata uma ferida expos- 
Você descora as cores dos corais na cos- 
Você aquece a Terra e enriquece à cus- 
Do roubo, do futuro e da beleza augus- 

Mas de que vale tal riqueza? Grande bos- 
Parece que de neto seu você não gos- 
Você decreta a morte, a vida indevis- 
Você declara guerra à paz por mais bem quis- 
Não há em toda fauna um animal tão bes- 
Mas já tem gente vendo que você não pres- 
Não vou dizer seu nome porque me desgas- 
Pra bom entendedor, meia palavra bas-

segunda-feira, 5 de março de 2012

Trippy Tropicalia!



“Coleção de Viagens Espaciais”, Plástico Lunar

Aracaju, Sergipe, Brasil

Pra quem curte: Mutantes, Novos Baianos, The Jimi Hendrix Experience, Pink Floyd, psicodelia sessentista, caixinha Nuggets, sons viajandões em geral.



Tenha uma boa viagem, cosmonauta!

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Alquimistas do Som (documentário completo) - experimentalismo na MPB



"Alquimistas do Som é um documentário sobre a experimentação na MPB. Alguns dos mais importantes músicos brasileiros comentam, em depoimentos exclusivos, suas incursões no experimentalismo: as origens, as motivações e as consequencias para a sua obra e para a linha evolutiva da MPB. Depoimentos atuais são ilustrados com musicais de Fernando Faro, além de outras imagens do arquivo da TV Cultura. Alquimistas dos Sons promove um emocionante reencontro dos artistas com imagens históricas da televisão." Com Tom Zé, Egberto Gismonti, Arrigo Barnabé, Neuzza Pinheiro, Carlos Rennó, Júlio Medaglia, Lenine, Arnaldo Antunes...


quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012


01) móveis coloniais de acaju; 02) garotas suecas; 03) karnak; 04) sérgio sampaio; 05) pata de elefante; 06) fusile; 07) orquestra imperial & rodrigo amarante; 08) skuba; 09) maglore; 10) pó de ser.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Céu - Caravana Sereia Bloom [2012]

Vazou um dos álbuns mais aguardados da música brasileira neste 2012: Caravana Sereia Bloom da Céu, o sucessor do malemolente e viajado Vagarosa.

download

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

<<< Tropicalia ou Panis et Circenses >>>


(Manda brasa, mestre Tatit!) >>> "Sou de uma geração em que a canção brasileira lançou olhares para todos os cantos do mundo, todas as épocas, todas as idades, todas as faixas de consumo, de maneira que, volta e meia, tenho desejo de reviver essa espécie de rito de passagem para uma outra esfera cancional, muito além da sonoridade "brasileira" constituída até a bossa-nova. Tropicália é - e sempre será, ôi-iá-iá - a liturgia dessa passagem deste "Miserere Nóbis" (Gilberto Gil e Capinan) até o "Hino do Senhor do Bonfim" (João Antonio Wanderley). Acho que Rogério Duprat estava especialmente iluminado quando pôs toda a sua perícia de maestro arranjador e compositor erudito a serviço de uma intervenção decisiva na história de nossa música. Basta verificar o cuidado com que o músico trata cada faixa tendo em vista o rito global que o disco celebra.

Os tiros de canhão que demarcam a tênue zona de fronteira entre "Miserere Nóbis" e "Coração Materno" (Vicente Celestino) estão na verdade anunciando o extraordinário esforço de interpretação que Caetano Veloso investe numa canção totalmente estigmatizada pela rigorosa triagem bossa-novista. É como se o modo de cantar equilibrado compensasse os sinais melodramáticos e recuperasse um estilo que ajudou a definir os contornos de nossa sonoridade. Ou seja, nada é apenas supérfluo.

E o rito tem continuidade com as frases melódicas ascendentes de "Panis et Circenses" (G. Gil e C. Veloso) e com a imagem da ceia na sala de jantar. O canto dos Mutantes, com The Mamas & The Papas nas veias, dizendo versos desconexos mas ecoando sentidos para todos os lados, é a encarnação do viço tropicalista que se propagaria pelas décadas de 70, 80, 90... até hoje.


No bolero "Lindonéia" (G. Gil e C. Veloso), o isolamento da personagem se concretiza plenamente na voz de Nara Leão, e as imagens são mais pictóricas do que literárias. As linguagens falando no ambiente tropicalista. A faixa seguinte, "Parque Industrial" (Tom Zé), sempre me pareceu conter uma verdadeira simbiose entre o arranjador e o compositor. O lado happening dessa canção, que pela primera vez no disco reúne os 4 principais nomes do movimento (Gil, Gal, Caetano e Tom Zé), evoca o convívio anterior de Rogério Duprat com o experimentalismo erudito; o maestro, por sua vez, sempre entusiasta das referências à sociedade industrial, deve ter visto na canção de Tom Zé o campo ideal para plantar suas figuras sonoras. Há entre esses dois um misto de taleno, afinidade e até compleição física que me faz pensar nessas simbioses fecundas que só duram uma criação.

"Geléia Geral" (G. Gil e Torquato Neto) é o manifesto ideológico do movimento com um jogo alucinante de passado e futuro. "Baby" (C. Veloso) é o próprio futuro da canção brasileira, pós-Beatles, pós-Paul Anka e pós-Celly Campello. "Três Caravelas" (Algueró e Moreu) é o passado que se espraia por toda a América hispânica. "Enquanto Seu Lobo Não Vem" (C. Veloso) é o presente imediato em que o desejo se manifesta independentemente dos limtes. "Mamãe Coragem" (C. Veloso e T. Neto) é o próprio rito de passagem com suas dores e alegrias. Depois disso, só o jogo intersemiótico de "Bat Macumba" (G. Gil e C. Veloso), que se converteu em canção única, irrepetível como composição.

Fico pensando: como pode um disco-manifesto não ser um disco datado? Mas logo me lembro de Sgt. Pepper's, da mesma época, e não penso mais nisso.
 





 Este texto aqui reproduzido,
de autoria de Luiz Tatit,
saiu na coleção "Ilha Deserta",
da Editora Publifolha, pgs. 115-117.













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