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quinta-feira, 13 de setembro de 2012

"O Terceiro Olho", Um Ensaio Gonzo sobre Bob Dylan (+ Discografia Básica Para Downloadar)


"do not go quietly into that good night!
rage, rage against the dying of the light!"



Dele se dizia que "tinha sua mão sobre o pulso de sua geração". Com a sabedoria que foi pescar em Steinbeck, Walt Whitman e Woody Guthrie, cantou aquela América que não está no cartão-postal: a América com a história conspurcada pela Klu Klux Klan e pelo ódio racista; a América da Guerra Fria, com seu arsenal nuclear pavoroso, ávida por Vietnãs a invadir e morta de pavor diante do espectro do comunismo; a América que acredita ter Deus a seu lado e que por isso se sente justificada a santos morticínios ("you don't count the dead when God's on your side...").

Garoto judeu nascido nos EUA enquanto a Europa era assolada pelo Holocausto (em 1941), Robert Zimmermann tinha menos de 5 anos de idade quando seu país natal lançou as bombas atômicas sobre Hiroshima e Nagasaki (detalhe sinistro: com três dias de distância entre os dois massacres). Uns vinte anos depois, mostraria com algumas de suas canções - "A Hard Rain's Gonna Fall" e "Masters of War", por exemplo - que soube transformar sua indignação em crítica ferina. Nascia um artista cujas poesias e melodias traziam a marca de uma singularidade sem par. A música de protesto jamais seria a mesma. A Música jamais seria a mesma.

Robert Zimmerman despontou como "menino prodígio" na cena do Greenwich Village, Nova Iorque, com vinte e poucos anos de idade, com seu violãozinho surrado e sua gaitinha de boca, celebrizando-se rapidinho com uma escrita esperta e ousada que flertava com a dos beatniks. Revolucionou a vazia verbolatria da mídia-de-massas levando o "espírito" de Allen Ginsberg, Jack Kerouac e Neal Cassady para as letras de música.  Além de um vasto conhecimento literário, o jovem folkie, que havia assumido o codinome "Dylan" em homenagem ao poeta Dylan Thomas, parecia haver devorado antropofagicamente todo o passado da música popular americana: era admirador de Hank Williams, Robert Johnson, Little Richards e Elvis Presley, sem estabelecer fronteiras entre o country, o blues e o rock. Os amores não respeitam os departamentos.

Para cantar a América - aquela de As Vinhas da Iranão a da Disney! - Bob Dylan conquistou seu arsenal nas mais variadas fontes, enraizou-se fundamente no solo fecundo da cultura popular americana, aquela criada espontaneamente pelos folks que jamais assinam contratos com mega-gravadoras. Soube ouvir, longa e profundamente, ao que dizia a Voz do Povo. É por isso - esta capacidade de "escutar" aquilo que expressa sua geração e sintetizar isto numa expressão criativa - que Dylan foi um marco tão crucial nos anos 1960, inspirando "gentinha" miúda como... Jimi Hendrix e John Lennon. Bob Dylan faz parte da rara estirpe de artistas que desdenham de fronteiras, inventam novas misturas e redefinem tudo o que será feito depois deles. Como marcos divisores que racham a História em duas: uma antes deles, outra depois.

Dylan misturava sem dó nem pudor as referências mais eruditas com as mais popularescas gírias. Não acreditava nesta invenção de letrados que é o muro intransponível entre os cultos e os analfabetos, a Academia e o povo. Levou as tretas entre Rimbaud e Verlaine para suas canções de amor, e elevou canções de amor ao status de obras-primas da literatura ("Visions of Johanna" é ou não é um dos mais belos poemas do século?).

Diante de um artista tão audaz nas transformações que impôs a seu som e à sua identidade lá pelo meio dos anos 1960, os puristas, é claro, levantaram-se ofendidíssimos: que heresia eletrificar seu folk e lançar-se elétrico na Era dos Beatles! "Judas! Traidor!", bradavam do público. Ele não queria nem saber e, numa atitude proto-punk de fodam-se os puristas, dizia para a The Band, debaixo das vaias dos indignados: "toquem alto pra caralho!" Porque o artista não existe só para agradar, mas tem que ousar agredir. Para dizer às pessoas o que elas querem ouvir já existem as religiões e as propagandas, os best-sellers de auto-ajuda e os mercadores de ilusões reconfortantes. O artista será um dedo na ferida, alguém que nos abre o olho, ainda que à nossa revelia, ou não será um artista.

Bob Dylan, me parece, foi um dos homens mais cultos da história de seu país, um colosso em relação à norma: escrevia aos 20 e poucos anos de idade algumas quilométricas canções narrativas que remetiam às peças de Brecht ("Only A Pawn In Their Game") e que às vezes atingiam a beleza poética de William Blake ("Gates of Eden", "Highway 61 Revisited"...). Usava como personagens tanto figuras bíblicas quanto trágicos heróis e heroínas de Shakespeare (como Ofélia, que transita por "Desolation Row" na companhia ilustre de Ezra Pound, T.S. Eliot e o Fantasma da Ópera). Bob Dylan, décadas antes do procedimento ser "viralizado" por Beck e pelo Rap, inventou um tipo de composição altamente "linkada", que se assemelha a uma rede, repleta de setas apontando para fora dela mesma. Uma canção de Dylan era uma janela que se abria para um horizonte cultural mais amplo, que nos retirava os véus e as pálpebras que, bem em cima da testa, mantêm fechado o que Nietzsche gostava de chamar  "O Terceiro Olho". 

Não à toa, Dylan, nos 1960, foi defensor da cannabis - que, conta a mitologia, ele teria apresentado aos Beatles... - e teve a desfaçatez de iniciar seu  Blonde on Blonde com o mais lúdico e brincalhão de seus sons, clamando: "Everybody must get stoned!" Dylan, além do elogio explícito das substâncias químicas que abrem o Terceiro Olho, nos mostrou que a poesia também podia ser um barato embriagante: a poesia, este bem gratuito e disponível a todos, também é uma espécie de dispositivo psicodélico que, se consumido em doses adequadas, com os olhos corretos abertos, com o coração suficientemente vulnerável para que seja afetado e chaqualhado e impactado, abre-nos, súbito, na testa, um 3º olho.

Leminski, quando especula sobre a razão que explica porquê os povos amam seus poetas, esquece de comentar que a expansão de consciência sempre foi considerada pelo homo sapiens um bem em si mesmo, sempre foi acompanhada por um êxtase diretamente proporcional à abertura de horizonte conquistada, amada por todos aqueles que conquistavam o sentimento oceânico, ou órfico, ou dionisíaco, ou místico, chamem como quiser este Inefável. Não é por outra razão que a ayahuasca chegou até nossos dias, com sua receita milenar transmitida de geração em geração: é pela mesma razão que Shakespeare, Heine ou Fernando Pessoa prosseguem entre nós, consumidos como se fossem ácido, por mentes esfomeadas por enxergar mais longe do que permitem os cabrestos que nos enfiam na mente os Senhores.

Esse garoto judeu que vemos no festival folk de Newport em sua primeira ascensão, este Dylan cheio de energia juvenil, que não se envergonha de sua tosquice no afinamento do violão nem do nasalamento patolino de sua voz, é a convicção encarnada de que o poder da palavra importa mais do que ornatos, adornos e fogos de artifício. Ninguém foi menos glitter do que Dylan: ao invés de posar de estrelinha, ele preferia parecer-se com um andrajoso cigano, caroneiro de trens de carga, vadio cheio de dignidade, pobre em roupas mas rico em poesia. Dylan nunca foi realmente um showman e sempre esteve mais para um rapsodo vadio e esfarrapado. Tom Waits soube aprender muito com ele - assim como Nick Cave.

Victor Hugo dizia: "os poetas são milionários de estrelas". Dylan é a riqueza interior que se afirma com as aparências exteriores mais humildes. Às vezes quer me parecer que em algumas de suas músicas há um ideal, não muito distante daquele de Alexander Supertramp, que consiste em crer que  mesmo sem ter no bolso um vintém, mesmo sem ter no mundo qualquer propriedade, é possível sentirmo-nos plenos simplesmente por estarmos vivos diante de um céu estrelado que se recusa a responder a nossos assombros.

"A resposta, meu amigo, está soprando no vento..."

* * * * * 

Bob Dylan não cessa de fascinar e desconcertar pois é um vivente que talvez nenhum outro vivente entenda por completo - nem ele mesmo. Quando entramos no mundo destas canções que ele criou, a sensação que nos toma é a de uma alteridade misteriosa, como se ele próprio gostasse de se vestir de Esfinge e fazer se multiplicarem nossas dúvidas sobre ele. Não é possível definir Dylan com nenhum rótulo: a própria torrente infindável de suas canções, este caudaloso rio poético de mil faces, é uma correnteza que arrasta, como teias de aranha, toda tentativa de fixá-lo, esgotá-lo, domesticá-lo.

O que tantos evocam para explicar o charme, a graça e o talento de um David Bowie ou um Raul Seixas - o fato deles serem "mutantes", metamorfoses ambulantes, homens-iguana... - também vale para Dylan: ele se revoltou contra a idéia de uma identidade única, fixa, imutável, e dissolveu-se em muitos eus, muitas faces, muitas cores, muitos Dylans, que formam um caleidoscópio que a Razão não entende por completo, mas que a sensibilidade sabe admirar, espantada e atingida.

É isso, me parece, que explica o poder de "Like a Rolling Stone", aquilo que a faz ser considerada uma das melhores canções populares já compostas, digna de ser esmiuçada por livros inteiros (como o de Greil Marcus, por exemplo). Há toda uma "corrente afetiva" subterrânea que anima a canção e que convence o ouvinte que Dylan está falando sobre algo de crucial sobre a condição humana. Dylan usa a imagem poética da pedra que rola - que integra o que eu chamaria de "mitologia do rock and roll" em muitas versões, em Muddy Waters e nos Rolling Stones, por exemplo - mas não está falando somente sobre pedaços de matéria rolando por aí: não se trata somente de deslocamento no espaço, mas de mudanças no tempo. Não se trata somente de correr mundo, mas de correr de si mesmo. Dylan tematiza esta imposição cósmica que o Universo obriga todo eu a suportar como um Destino: mudar, transformar-se, correndo como o rio de Heráclito. E o Dylan dos anos 1960 marcou época por abraçar a mudança com um sábio amor fati: isso de transformar-se inexoravelmente em outra coisa sem nunca estagnar-se e conformar-se a ser o que já se é. A tragédia e a glória da pedra que rola é que ela não possui nenhum freio possível. É como na vida mesma, onde não existe como puxar o freio-de-mão, a não ser pelo suicídio - que aniquila qualquer possibilidade da vida re-aventurar-se em novos aceleramentos. O tempo não pára: ninguém é nada, de uma vez por todas, mas sempre estamos sendo.

"Once upon a time you dressed so fine / Threw the bums a dime, in your prime, didn't you?" Aí já se desenha, nos primeiros versos, um quadro de apogeu e decadência, de mudança brusca no curso dos tempos, algo que ele tematizou de modo poderoso também em "The Times They A-Changin'". Ser um rolling stone é estar sempre na estrada, em busca de um lar que parece nunca se encontrar. É um sentimento ("without a home... a complete unkonwn...") que dá o tom daquela melancolia saturnina que assombra os blues de Son House. Mas em Dylan sempre houve também uma paixão pelas raízes, por algo como um home sweet home que nos livre da sina de vagar, vadios, a procurar. É como se sua alma fosse um cabo-de-guerra entre o enraizamento e a vontade de correr mundo. Como se suas canções fosse um testemunho e um tributo deste fecundo diálogo existencial entre a atração do desconhecido e a vontade de settle down. 



Estou longe de ser um dylan-maníaco que bate palmas para tudo que este gênio inconstante fez - estou convicto, aliás, que ele fez muita porcaria e que a Musa faltou ao encontro em numerosas ocasiões. Uma discografia tão imensa certamente comporta muitos álbuns fracos, desnecessários, que talvez ele tivesse feito melhor em engavetar. Olho com um pouco de desdém, mesmo, para os anos 80 de Dylan, marcados pela infame conversão ao cristianismo e por alguns flertes desavergonhados com a música gospel, mas logo me belisco para me acordar e percebo o absurdo que é ousar desdenhar de Bob Dylan sem ter feito um centésimo do que ele fez, sem ter criado porcaria nenhuma que chegue aos pés do que ele já criou. Minha admiração irrestrita se restringe àquela que considero a Fase de Ouro de Dylan - aquela que se extende mais ou menos de 1963 a 1976 e que inclui obras-primas como Freewheelin, The Times They Are-A Changin', Another Side, Bringing It All Back Home, Highway 61 Revisited, Blonde on Blonde, Nashville Skyline, Blood on the Tracks, Desire... O "resto" é algo ainda por explorar, mas que não me atrai com um magnetismo tão forte: é como se eu soubesse que vou me decepcionar e preferisse a companhia daquele jovem Dylan que preencheu, plenificou e fascinou tantos inquantificáveis momentos da minha juventude.

Sei bem que Dylan ainda está vivo, e por sinal acaba de soltar seu novo álbum, Tempest. Mas costumo falar dele como se ele estivesse no passado, como se já tivesse se transmutado em mito. São poucos os vivos, hoje, que já sabemos do status mítico que terão quando baterem as botas - caso, no Brasil, de um Chico Buarque ou um Tom Zé. O velhinho Dylan, hoje por aí, espanta-me um pouco com a falta de vergonha que ele demonstra em relação à sua voz, que por mais de uma década está estragadaça: quanto mais o tempo passa, ele se transmuta de Pato Donald em Bruxa do 71. Mas logo me lembro que uma das maiores graças de Dylan sempre foi isso: o fato dele colocar o conteúdo, a mensagem, a letra, muito acima dos ornamentos externos. Se ele acha que tem uma boa letra, ele irá cantá-la, mesmo com a pior voz do mundo, pois julga que aquilo precisa ser dito.

Dylan só marcou época como cantor de protesto pois seus ouvintes e admiradores reconheceram que aquilo que ele disse precisava ser dito: ele é uma figura que encarna, como Kurt Cobain nos 90, o status de "voz de uma geraão". Depois, lançou por terra todos os rótulos que quiserem grudar nele: enfiou a guitarra elétrica no folk, abandonou a seriedade do engajamento político e abraçou a poesia surrealista e dadaísta, dando vazão ao homo ludens que trazia dentro de si. Atravessou a vida sendo um criador e morrerá um criador. E suas criações são tão complexas, multifacetadas e crípticas que Dylan é um homem indecifrável - daqueles que não permitem que a gente termine um ensaio sobre ele com satisfação, mas sim com a frustração de não ter dado conta de compreender e explicar um destino que escapa à Razão. Mas talvez todos os destinos escapem ao domínio da Compreensão? Talvez todos levaremos para o túmulo uma fatia imensa de Mistério? Sei lá eu... Sei que Dylan, pedra rolando pelo mundo, sempre se re-inventando, obcecado por sua mania criativa, sempre me inspirou o sentimento de que viver é inventar, que viver é mudar, que viver é não se conformar, que viver é saber que o nascimento não é algo que ficou pra trás, mas uma tarefa ainda por cumprir. É como se Dylan quisesse morrer ainda em pleno trabalho de parto criativo - em suma: morrer ainda nascendo. "Get Born!" é, talvez, o slogan dylanesco que mais adoro. E meu verso predileto das Obras Completas de Mr. Zimmermann talvez seja aquele: "he not busy being born is busy dying". Pois, como diria o poeta Murilo Mendes, "nascer é muito comprido". E pra ninguém é missão cumprida.



                  Eduardo Carli          

Goiânia, Setembro de 2012

Este é o 3º ensaio que dedico a tentar decifrar Dylan. 
Eis os outros dois: X e Y.


"Murray Lerner's documentary features Bob Dylan's performances at the Newport folk festival between 1963 and 1965 - the time when Dylan changed the music of the world and changed himself from the fresh-faced cherub singing "Blowin' in the Wind" to the rock 'n' roll shaman who blew pop music apart when he went electric.
The film No Direction Home told the story of how Dylan affected the world and the world affected Dylan, but this film brings you face to face with the work itself. Like the discovery of a hitherto unknown manuscript or an unseen masterpiece, this is a treasure trove, newly opened up."

BOB DYLAN
DISCOGRAFIA BÁSICA
[DOWNLOAD IMEDIATO E GRATUITO]

Another Side (1964) [download]

Blonde on Blonde (1967) [download]

Blood on the Tracks (1975) [download]

The Freewheelin' (1963) [download]

The Times... (1964) [download]

Nashville Skyline [dowload]

Highway 61 (1966) [download]

Bringing It All Back Home (1965) [download]

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Fotos clássicas de Bob Gruen, um dos maiores fotógrafos do rock'n'roll (in: "Rockers", Ed. Cosac & Naify)



GALERIA DE IMAGENS ICÔNICAS
DE BOB GRUEN


Cosac & Naify: "Esse nova-iorquino é considerado um dos principais fotógrafos da cultura pop. Iniciou sua carreira em meados dos anos 1960. Na época, era apenas um grande fã de Bob Dylan - e desde então registra a trajetória das maiores bandas e ídolos do rock, do pop e do punk. Foi amigo de John Lennon e é o autor de uma de suas mais célebres imagens: Lennon em frente à Estátua da Liberdade vestido com uma camiseta na qual estava escrito “New York City”. Sua obra imortalizou também Led Zeppelin, The Who, David Bowie, Tina Turner, Elton John, Aerosmith, Kiss e Alice Cooper. Nos anos 1970, virou o fotógrafo dos bastidores de bandas emergentes de punk e new wave, incluindo New York Dolls, Clash, Ramones, Patti Smith Group e Blondie, tendo excursionado com os Sex Pistols pelos EUA. Gruen também chefiou a seção de fotografia da Rock Scene Magazine. O site do fotógrafo na internet é www.bobgruen.com."




















 Na sequência: Led; Lennon & Yoko; Jagger & Richards; McCartney; Ramones; Sex Pistols; Cale, Reed, Smith e Byrne; Dylan; J. Jett; Clash; Townshend; Pistols; Beastie Boys; D. Harrie; Marley; G. Day; Motoqueiros de Moscow; Ryan Adams; Sheryl Crow; Zappa; Blondie. Na nossa página no Facebook tem mais uma pá: cola láTem mais aqui e acolá.

sábado, 23 de junho de 2012

Eddie Vedder (Pearl Jam) - DVD "Water on The Road"




"I knew all the rules, but the rules did not know me."
 E. VEDDER, "Guaranteed"


O primeiro DVD solo do líder do Pearl Jam, "Water on the Road", documenta a tour de Eddie Vedder em 2008, cerca de um ano depois do lançamento da trilha sonora original de "Into the Wild". Sozinho ao violão, à guitarra ou ao ukelele, Vedder toca covers de Bob Dylan e Beatles (dentre outros), faz releituras Unplugged de canções do Pearl Jam e até se arrisca como stand-up comedian. Showzaço! Gravado em Washington, D.C. Lançado em 2011. Baixe o DVD em altíssima qualidade lá no The Pirate Bay >>>
http://bit.ly/KSghTx. Seguem alguns aperitivos!



segunda-feira, 9 de abril de 2012

Chimes of Freedom: The Songs of Bob Dylan


75 covers de Bob Dylan recheiam esta caixinha de 4 CDs em honra dos 50 anos da Anistia Internacional. Dentre os intérpretes que reciclam composições de Mr. Zimmermann, estão Queens Of The Stone Age, Patti Smith, Tom Morello, My Morning Jacket, Bad Religion, Elvis Costello, Diana Krall e Adele (dentre muitos outros). Baixe já
“The diversity of the musicians and musical genres — from rock, rap, hip-hop to pop, folk, country, jazz and blues — attests to Amnesty’s depth of support in the music community, the universal appeal of the core message of human rights, and the breadth of Dylan’s impact on culture.”
Abaixo, aproveito pra pôr na roda, na íntegra e com legendas em portuga, um dos documentários essenciais para qualquer dylan-maníaco: Don't Look Back, de D.A. Pennebaker. Junto com o No Direction Home de Scorcese e o I'm Not There de Todd Haynes, o filme integra a trinca matadora de obras cinematográficas dedicadas a Dylan.

sábado, 28 de janeiro de 2012

trilha-sonora para acompanhar o choro das nuvens...

Mais uma coletinha exclusiva contendo canções chuvarentas e tempestuosas, ótimas para aqueles dias em que o Sol decide tirar férias e "Raindrops Keep Fallin' On Our Heads". A mixtape inclui: 01) Burt Bacharach/B.J. Thomas; 02) Jimi Hendrix Experience; 03) Ben Harper; 04) Creedence Clearwater Revival; 05) Garbage; 06) Jorge Ben; 07) Bob Dylan; 08) Singing in the Rain Soundtrack; 09) The Who; 10) Irma Thomas; 11) Rauuul; 12) Bob Dylan; 13) Jimi Hendrix. Boa audição!

terça-feira, 11 de outubro de 2011

<<< Depredando, a Mixtape - volume IX - Messin' With The Blues >>>

O blues é mais que um gênero musical: é um estado de espírito. Não é preciso ter vivido às margens do Mississipi ou ter penado nas plantações da colônia inglesa na América para compreender o queixume dos blueseiros. A melancolia não tem dono. Somos todos, vez ou outra, suas vítimas. A idéia desta nova mixtape Messin' With The Blues é dar um passeio por artistas que não costumam ser rotulados e classificados dentro do blues, mas que compuseram flertes e tributos a ele, ou que "brincaram" com ele, ou que o re-interpretaram em outra chave, outro ritmo, outra época...

Começamos a jornada com um dos maiores trompetistas da história do jazz, o incomparável Miles Davis, que no clássico Get Up With It (1974), já esmiuçado por Eduardo Gianetti, compôs um belo "Blues da China Comunista", com harmônica chorando e tudo. Na sequência, John Lennon mostra que mesmo antes de sua carreira-solo, tão repleta de canções angustiadas e angustiantes, já tingia certas canções do Beatles com um blues quase suicida: "Yes, I'm lonely, wanna die / If I ain't dead already, you know the reason why...", canta John em "Yer Blues", do White Album.

Já Tom Waits encarna o loser de boteco que solta uivos na madrugada em "Fumblin' With the Blues": "It's hard to win when you always lose". E a diva do R&B Esther Phillips entoa na sequência o dolorido "Black-Eye Blues", uma canção que parece um curta de Spike Lee e retrata o lamento de uma mulher vítima de violência doméstica: "Preciso de uma vacinação", canta Esther, "contra o blues do olho-roxo".

Depois, é hora de uma melancolia mais noventista e grungy tomar espaço, primeiro com o Afghan Whigs ("You can fuck my body, babe, but please don't fuck my mind", canta Greg Dulli, sexy como sempre, em "Neglected") e depois com Chris Cornell (que, numa canção de amor das mais belas de sua carreira, diz à sua amada: "Só te amo quando estou down / Mas mantenha em mente: / Estou down o tempo inteiro").

Artistas mais vinculados ao folk e ao country - como Lucinda Williams, Tim Hardin, Wilco e Bob Dylan - também não deixam de flertar com o blues em vários momentos de suas respectivas carreiras, o que justifica sua presença aqui com canções que versam sobre "acordar sentindo-se velho" e trens que causam prantos. Como não poderia deixar de ser, a "fitinha" também dá espaço para artistas profundamente influenciados pelo blues, como Creedence Clearwater Revival, The Kinks e Jimi Hendrix, e aqueles que lá nos primórdios marcaram a história do gênero, como a fabulosa Bessie Smith, primeira imperatriz do Blues.


O falecido Elliott Smith, um dos maiores talentos da música americana no pós-Jeff Buckley, também demonstra quão sublime pode tornar-se um lamento musicado na linda "Junk Bond Trader". E, convenhamos, só quem manja muito de tristeza pode suicidar-se com uma facada no coração, como fez Elliott anos atrás, mutilando seus fiéis cultuadores (há boatos, porém, de que a misteriosa morte possa ter sido homicídio, como sugere a matéria no Guardian...)

 E para não dizerem que blues só tem a ver com soturna gravidade, aí estão os sempre irreverentes Mutantes para provar o contrário: "Meu Refrigerador Não Funciona", do clássico A Divina Comédia (1970), é uma espécie de blues-paródia, em que a intensidade da performance constrasta com a "mundanidade" do tema: eis um queixume altamente dramático sobre uma grande desgraça que aflige a condição humana, isto é, cerveja esquentando quando a geladeira pifa. Rita Lee nunca foi tão Janis Joplin. E o blues nunca foi tão feliz.



16 tracks in playlist, average track length: 3:58
Playlist length: 1 hour, 3 minutes, 40 seconds

[download gratuito]

01 - Miles Davis - Red China Blues (4:09)
02 - The Beatles - Yer Blues (3:57)
03 - Tom Waits - Fumblin' With the Blues (3:02)
04 - Esther Phillips - Black Eyed Blues (6:10)
05 - Afghan Whigs - Neglected (4:01)
06 - Chris Cornell - When I'm Down (4:20)
07 - Tim Hardin - How Long (2:54)
08 - Wilco - When You Wake up Feeling Old (3:55)
09 - Lucinda Williams - Can't Let Go (3:28)
10 - Bob Dylan - It Takes A Lot To Laugh, It Takes a Train to Cry (4:09)
11 - The Kinks - Little Miss Queen Of Darkness (3:16)
12 - Elliott Smith - Junk Bond Trader (3:49)
13 - Creedence Clearwater Revival - Before You Accuse Me (3:26)
14 - Jimi Hendrix - Red House (3:43)
15 - Os Mutantes - Meu Refrigerador Não Funciona (6:22)
16 - Bessie Smith - After You've Gone (2:59)

[+] mixtape número 8 (clash, stones, hendrix, ccr, karen o, black mountain...)

sexta-feira, 10 de junho de 2011

<<< He not busy being born is busy dying >>>


"And if my thought-dreams could be seen
They’d probably put my head in a guillotine
But it’s alright, Ma, it’s life, and life only"

Bob Dylan e Allen Ginsberg diante do túmulo de Jack Kerouac: que bela imagem! São três dos centro-avantes mais artilheiros que já marcaram gols-de-placa nos campos verdejantes da literatura norte-americana, balançando as redes com seus certeiros pontapés de poesia beatnik. Mestres de uivos místicos, protestos líricos, rupturas contra-culturais, sugestões de novas vias. Três poetas audazes que viveram a dar dribles desconcertantes pra cima dos cintura-dura repletos de autoridade.

Metáforas futebolísticas infames à parte, queria hoje "viajar" um pouco sobre um mistério que me intriga: Bob Dylan e seu impacto cultural tão tremendo. Ainda não li nem um terço dos livros que estão sendo publicados sobre ele (com destaque para a biografia do Howard Sounes e a do Greil Marcus), mas me parece já assentado que, dentre os compositores da música popular, Dylan talvez seja o único cujo domínio sobre o Verbo e dom poético é realmente descomunal em relação ao "resto". (Heterodoxa definição do gênio: aquele que transforma outros artistas em resto.) Eu mesmo, que me encanto há anos com o poder do verbo dylanesco - especialmente da fase que vai de Freewheelin' a Desire (1963 a 1976), com destaque supremo para aquela magnífica Trilogia Bringin' It All Back Home - Highway 61 - Blonde on Blonde - não acharia nada absurdo que ele fosse laureado com um Nobel de Literatura (ao qual, aliás, já foi indicado algumas vezes).



Seu poder, me parece, emana sobretudo de sua poesia. A voz anasalada (e hoje já embargada e quase estragada) do velho Zimmermann, com seus 70 anos de idade completados neste 2011, não é lá grande coisa quando comparada à de um Sinatra ou uma Ella Fitzgerald. Suas melodias tampouco eram tão imediatamente memoráveis quanto as de Lennon & McCartney. Muitos tinham mais presença de palco que ele, eram ou mais performáticos, ou mais coloridos, ou mais brilhantes de glitter, ou mais esfarrapados e vira-latas. Bowie era bem mais excêntrico, Iggy era bem mais selvagem, Springsteen bem mais enérgico... E ele? O que é que Dylan tinha demais? O que o distinguia de todos os seus contemporâneos? Por que foi entronado como um ícone cultural desse tamanhão? Como pôde ser transformado em mito sem nem precisar da morte, a grande mitificadora? 

Não conheço resposta melhor que esta: foi a poesia. Difícil acreditar que a poesia possa tudo isso? Mas quem foi o miserável que inventou a mentira abominável de que a poesia é algo... impotente? Que ideia pouquíssimo poética, digna de burocratas! Os maiores poetas são aqueles que, justamente, acreditam na potência da poesia. Sabem que palavra não é uma coisa à toa, uma bestice sem relevância, um punhado de fonemas que se dissolve ao vento. Sabem que palavras mudam consciências, animam sentimentos, despertam entusiasmos, apontam estrelas. Sabem que falar é agir, e que a palavra cantada (melodizada, rimada e ritmada) talvez haja com ainda maior eficácia e impacto do que aquela aprisionada no papel. O grande poeta sabe que discursos movem e comovem. Que são instrumentos de transformação (inclusive social, política, cultural). Que não há revolução silenciosa.


Lembremos as palavras de Leminski, talvez o poeta brazuca mais próximo dos beatniks, que diz muito melhor do que eu saberia aquilo que estou tentando expressar: "não sei se todos os povos amam seus cientistas, mas todos os povos amam seu poetas", diz o lírico curitibano. Pensem no amor dos gregos por Homero, ou dos romanos por Virgílio, dos italianos por Dante, dos ingleses por Shakespeare, ou dos franceses por Hugo... (o funeral de Victor Hugo em Paris,1885, com 2 milhões de parisienses nas ruas: que prova mais comovente do amor dos povos por seus poetas!). "No Brasil, Vinícius de Moraes, Chico Buarque, Caetano Veloso, Milton Nascimento e seus parceiros: os poetas são amados por milhões. Por que os povos amam seus poetas? É porque os povos precisam disso: os poetas dizem coisas que as pessoas precisam que sejam ditas. O poeta não é um ser de luxo, não é uma excrescência ornamental da sociedade... Ele é uma necessidade orgânica de uma sociedade! Ela precisa da loucura deles para respirar: é através da loucura dos poetas, da ruptura que eles representam, que a sociedade respira!" Muito bem dito, Leminski!

O funeral de Victor Hugo, Paris, 1885. 2 milhões de franceses nas ruas.

Impossível explicar o fenômeno Dylan sem isto: o amor dos povos pelos poetas. Dylan não foi somente um leal aprendiz de Hank Williams, Woody Guthrie, Leadbelly, Robert Johnson... ele bebeu, e em doses aparentemente dignas de “porre”, em John Steinbeck, F. Scott Fitzgerald, Herman Melville, Ezra Pound, Walt Whitman, T.S. Eliot, Arthur Rimbaud... Foi um experimentador lingüístico de marca maior, quase o equivalente de James Joyce ou o William Faulkner na música (vejam "It's Allright Ma", o Finnegan's Wake do pop!). Sabia entregar-se ao fluxo-de-consciência e lançar cacos de imagens poéticas desconexas ao papel; flertava com o surrealismo e o Dadá (“Ballad for a Thin Man”); sabia escrever biblicamente como um Milton (“Gates of Eden”), mas também sabia ser pé-no-chão e indignado, feito um Brecht norte-americano (“Blowin' in The End”, “A Pawn In Their Game”, “The Times They Are A-Changin'"...). Dylan é o tipo de escritor que não tinha medo de tarântulas, não ia com a cara dos senhores da guerra e não era profeta de nenhuma verdade eterna, mas somente da inelutável mudança.

O grande poeta não é aquele cujo livro está repleto de bonitezas, versinhos agradáveis, flores de plástico; o grande poeta é aquele cujas palavras estão na boca do povo (ou na goela, engasgados; ou no coração, ainda vagas e disformes, carentes de ordem e ímpeto...). É aquele que expressa aquilo que multidões gostariam de dizer mas não conseguem (por não saberem como formular, por não terem voz para bradar...). Um grande verso poético é aquele cuja mensagem ou imagem é tão memorável que torna-se parte de nosso ser, incorporado ao nosso cérebro, inserido no nosso repertório de sentido, nosso cardápio de encantos... Pois a vida só é vivível se pudermos enxergar nela alguma beleza. O grande poeta faz com que sintamos a beleza da vida, que talvez ele mesmo tenha ali posto. Talvez a tenha simplesmente encontrado, como uma moedinha de ouro perdida entre as rachaduras da calçada. Vai ver uma grande poeta é simplesmente alguém que se dá conta de uma beleza invisível, que os outros passam ao largo sem ver, cegos ao seu feitiço. O poeta não está indo a lugar algum, mas nos ensinando a estarmos onde já estamos: professor da arte de estar presente à presença presente de tudo, ele não mais vê o aqui-e-agora como mero chão de passagem. O presente, para ele, torna-se campo de pouso e palco de tudo.

 * * * * * *

(Abaixo: a trilha sonora de I'm Not There, o filme de Todd Haynes, que traz canções de Dylan interpretadas por muita gente bacana. Ouçam no talo e atentos às palavras e seus encantos! Cheers!)

  1. Eddie Vedder & The Million Dollar Bashers – All Along The Watchtower
  2. Sonic Youth – I’m Not There
  3. Jim James & Calexico – Goin’ To Acapulco
  4. Richie Havens – Tombstone Blues
  5. Stephen Malkmus & The Million Dollar Bashers – Ballad Of A Thin Man
  6. Cat Power – Stuck Inside Of Mobile With The Memphis Blues Again
  7. John Doe – Pressing On
  8. Yo La Tengo – Fourth Time Around
  9. Iron & Wine & Calexico – Dark Eyes
  10. Karen O & The Million Dollar Bashers – Highway 61 Revisited
  11. Roger McGuinn & Calexico – One More Cup Of Coffee
  12. Mason Jennings – The Lonesome Death Of Hattie Carroll
  13. Los Lobos – Billy 1
  14. Jeff Tweedy – Simple Twist Of Fate
  15. Mark Lanegan – Man In The Long Black Coat
  16. Willie Nelson & Calexico – Señor (Tales Of Yankee Power)

    DOWNLOAD CD 1
    : http://www.mediafire.com/?mjkpc7665s01qxo


  17. Mira Billotte – As I Went Out One Morning
  18. Stephen Malkmus & Lee Ranaldo – Can’t Leave Her Behind
  19. Sufjan Stevens – Ring Them Bells
  20. Charlotte Gainsbourg & Calexico – Just Like A Woman
  21. Jack Johnson – Mama, You’ve Been On My Mind / A Fraction Of Last Thoughts On Woody Guthrie
  22. Yo La Tengo – I Wanna Be Your Lover
  23. Glen Hansard & Markéta Irglová – You Ain’t Goin’ Nowhere
  24. The Hold Steady – Can You Please Crawl Out Your Window?
  25. Ramblin’ Jack Elliott – Just Like Tom Thumb’s Blues
  26. The Black Keys – Wicked Messenger
  27. Tom Verlaine & The Million Dollar Bashers – Cold Irons Bound
  28. Mason Jennings – The Times They Are A-Changin’
  29. Stephen Malkmus & The Million Dollar Bashers – Maggie’s Farm
  30. Marcus Carl Franklin – When The Ship Comes In
  31. Bob Forrest – Moonshiner
  32. John Doe – I Dreamed I Saw St. Augustine
  33. Antony & The Johnsons – Knockin’ On Heaven’s Door
  34. Bob Dylan With The Band – I’m Not There

    DOWNLOAD CD 2
    : http://www.mediafire.com/?g8xwnkmtwf2ll2b


quarta-feira, 4 de maio de 2011

:: Hendrix + Dylan = beatnik-psychedelic-folk'n'roll? ::


Hendrix, dylan-maníaco de carteirinha, injetou vida nova a dois clássicos sessentistas do jovem Robert Zimmermann: "All Along The Watchtower", que foi parar no Electric Ladyland (o 3º e último álbum do Experience), e "Like a Rolling Stone", que não chegou a ter registro de estúdio (uma pena!), mas que ao vivo ficava esplêndida na voz e na piração de Jimi. Curtam ae uma das melhores poesias beatnik já escritas (Alle Ginsberg e seu queixo caído que o digam!), musicada pelo mais espantoso fenômeno guitarrístico da história.
 

Once upon a time you dressed so fine
You threw the bums a dime in your prime, didn't you?
People'd call, say, "Beware doll, you're bound to fall"
You thought they were all kiddin' you
You used to laugh about
Everybody that was hangin' out
Now you don't talk so loud
Now you don't seem so proud
About having to be scrounging for your next meal.

How does it feel
To be without a home
Like a complete unknown
Like a rolling stone?

You've gone to the finest school all right, Miss Lonely
But you know you only used to get juiced in it
And nobody has ever taught you how to live on the street
And now you find out you're gonna have to get used to it
You said you'd never compromise
With the mystery tramp, but now you realize
He's not selling any alibis
As you stare into the vacuum of his eyes
And ask him do you want to make a deal?

How does it feel
To be on your own
With no direction home
Like a complete unknown
Like a rolling stone?

You never turned around to see the frowns on the jugglers and theclowns
When they all did tricks for you
You never understood that it ain't no good
You shouldn't let other people get your kicks for you
You used to ride on the chrome horse with your diplomat
Who carried on his shoulder a Siamese cat
Ain't it hard when you discover that
He really wasn't where it's at
After he took from you everything he could steal.

How does it feel
To be on your own
With no direction home
Like a complete unknown
Like a rolling stone?

Princess on the steeple and all the pretty people
They're drinkin', thinkin' that they got it made
Exchanging all kinds of precious gifts and things
But you'd better lift your diamond ring, you'd better pawn it, babe
You used to be so amused
At Napoleon in rags and the language that he used
Go to him now, he calls you, you can't refuse
When you got nothing, you got nothing to lose
You're invisible now, you got no secrets to conceal.

How does it feel
To be on your own
With no direction home
Like a complete unknown
Like a rolling stone?