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domingo, 7 de março de 2010

:: Nuggets ::


VAI UNS NUGGETS?


Depredando o Orelhão, neste domingão de tédio, resolveu dar uma de gourmet e preparar-vos um suntuoso banquete, nada junkie food, com nada menos que 118 apetitosos Nuggets --- que dão um pau nos da Sadia. Assados em centenas de fornos, através das garagens da América, estas pepitas formam o crááássico BOX de 4 CDs Nuggets - Original Artyfacts Of First Psychedelic Era, coleção obrigatória para quem quer conhecer mais a fundo os Loucos Anos 60 através do que rolou em seus porões e longe dos holofotes da grande mídia.

Selecionadas pelo crítico musical e guitarrista do Patti Smith Group Lenny Kaye (na foto acima), estas músicas, gravadas entre 1965 e 1968, em plena era da beatlemania e do LSD, e às vésperas de Woodstock, nos apresentam a toda uma cultura musical underground riquíssima que rolava paralelamente aos "grandes acontecimentos" musicais daquela era: Beatles, Stones, Dylan, Hendrix, Who, Kinks, Cream, Janis, Doors e muitos mais...

Algumas bandas que aqui marcam presença, como o Sonics e o The 13th Floor Elevators, adquiriram status cult e são tidas como precursoras do punk, subversoras da psicodelia ou simplesmente fodásticas bandas de rock and roll que, por acasos ou azares, acabaram por não estourar. Mas grande parte dos desconhecidos grupos que recheiam esta coleta nem chegaram a ter uma "carreira" ou gravar álbuns completos, sendo one-hit-wonders (em raros casos) ou simplesmentes singles bands --- ou seja, grupelhos que compuseram duas ou três canções, lançadas em compactos, depois de caírem no ostracismo ou encerrarem suas atividades. De qualquer modo, a influência deste santo barulho ecoa até hoje: se não tivessem bebido tanto nesta Exuberante Fonte Elétrica, grandes bandas como o Jon Spencer Blues Explosion, o Queens of The Stone Age e os White Stripes (para não falar dos brazucas do Thee Butchers Orchestra) não seriam o que hoje são.

Apesar do subtítulo "Artefatos da Primeira Era Psicodélica", as bandas aqui reunidas não se enquadram com facilidade sob o guarda-chuva limitado da "psicodelia", se entendermos pelo termo "música chapada composta sob efeito de LSD" e que deseja repetir os feitos de Sgt Peppers, Pet Sounds ou The Piper At The Gates of Dawn. Há por aqui manifestações das mais diversas tendências sessentistas: do folk-rock de protesto que vai na trilha de Bob Dylan ao blues-rock vigoroso que homenageia o Cream e prenuncia os Black Crowes; do proto-punk agressivo que emula o Who e anuncia os Stooges e o MC5 aos chicletudos power-pops que pagam-pau pros Beatles enquanto já soam como o Big Star ou o Teenage Fanclub...

Nuggets é todo um universo, a ser explorado em dúzias de horas de aprazível e colorida jornada através de alguns dos melhores frutos da Era da Psicodelia... Mas chega de papo: é hora de embarcar no noise e abocanhar sem dó esses franguinhos --- neste caso, a gula não é pecado capital... Nhác!

VOLUME 1




VOLUME 4

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

:: Teenage Fanclub ::


TEENAGE FANCLUB
- Discografia Completa -



(Ah, o Tineije! Nada mais fácil nesse mundo que gostar deles. Difícil é falar deles sem cair na pieguice. Difícil é escrever uma resenha que não saia parecendo uma melosa carta de amor. Difícil é entender como é que não venderam 50 milhões de discos e não se tornaram, nos 90, o que os Beatles foram nos 60. E difícil não adorar quem tanto me fez feliz. Sem dúvida: uma das bandas que eu mais gosto, ever. E tava faltando por aqui um especialzão pra eles. Pois aí vai: todos os 7 álbuns de estúdio dos caras aí embaixo - deliciem-se!

Alguns anos atrás [acho que foi em 2005, 2006...], falando sobre Grand Prix, escrevi esse textin meio besta e sentimental:)


A adolescência é engraçada - e não somente pelo pipoco das espinhas pela cara, dos pêlos pelo corpo e da Vozona de Macho na garganta, mas pelo monte de contradições e desejos conflitantes que fazem essa época tragicômica da vida: que adolescente sabe ao certo o que quer ser? Tô achando muito interessante olhar pros meus Teenage Years através dos discos que mais marcaram - o que acaba por revelar também altas contradições musicais... Eu, por exemplo, parecia dividido em pelo menos dois "eus" (mas é claro que eram muitos mais): um lado meu tinha aquele ímpeto rebelde e iconoclasta e se sentia atraído pelas Bestialidades Sonoras, aquelas que tinham aquela indispensável característica: eram capazes de fazer todas as "pessoas normais" ficarem loucas de raiva e reprovação - e com dor de ouvido, claro. Já a tendência melancólica, a inevitável tristeza que por vezes dominava, solicitava algo de mais doce, carinhoso, amável...

Na minha prateleira de CDs, conviviam então os discos do Slayer, do Iron Maiden e do Nirvana com os do Belle and Sebastian (ai que vergonha!), do Radiohead e do Teenage Fanclub... Os primeiros, ouvidos no volume máximo, pra infernizar os vizinhos e a família, só pra dar provas de rebeldia. Os segundos, secretamente apreciados no escuro, com fones-de-ouvido e por vezes vergonhosas lágrimas inseguráveis. Através da música, era dada a mensagem para o mundo lá fora: ou te ensurdeço, ou não te escuto...


O Teenage Fanclub foi uma dessas bandas que mais marcou a minha adolescência, uma das que eu adorei com mais fanatismo, uma das que fizeram aqueles anos um pouco mais suportáveis, um pouco menos sombrios... E marcou também por todo o sacrifício que foi preciso fazer pra conseguir esses discos. Nesses tempos totalmente internetizados em que vivemos, quando conseguir um disco é bico (bastam alguns cliques no Soulseek e alguns minutos de espera), dá até uma certa saudade dos velhos tempos em que era uma dureza achar e comprar discos de bandas alternativas. Foram poucas as bandas que tomaram mais a minha grana do que o TFC, mas hoje tenho um baita orgulho desses meus quatro originais, todos importados, que na época valiam cerca de 35 pilas cada, uma verdadeira fortuna... Quanta moeda no porquinho, e quantos recreios em greve de fome, e quanta mesada-de-pai guardada com ardor religioso, só pra que eu tivesse o prazer de conseguir essas bolachinhas... E que prazer, é claro, ouvi-las depois do "martírio"!

Eu suspeito que aquilo que os jovens dos anos 60 descobriram ouvindo Help!, Rubber Soul, Sgt. Peppers ou Pet Sounds, eu descobri ouvindo Grand Prix, Bandwagonesque e Songs From Northern Britain. O quê? A banda pop perfeita. Com tudo redondinho e impecável, sem uma nota fora de lugar, sem uma sujeirinha ou fedôzinho pra incomodar: música praticamente impossível de não curtir de cara, sem pensamento, sem juízo, na simpatia mais espontânea possível... Depois da experiência Teenage Fanclub, tirei pra mim uma lição que uso até hoje pra julgar a música: se eu tenho que PENSAR pra decidir se uma banda é boa ou não, essa banda tem muita chance de não ser realmente boa. Com o Teenage Fanclub eu nunca precisei pensar: gostava e pronto.

Esse quarteto escocês, que nunca explodiu comerciamente em lugar nenhum (e que mesmo nos EUA é banda pequena, que nem tem certos de seus discos lá lançados), conseguiu compensar a falta de sucesso com a conquista de um séquito de fãs extremamente fiel. São poucas as pessoas que chegam a conhecer o Teenage Fanclub; mas dessas poucas, são muitas as que passam, daí em diante, a chamá-la de Banda da Minha Vida...

Os caras foram pescar nos anos 60 e 70 as maiores inspirações para o seu power-pop guitarrento e doce, erguendo, em plena década de 90, um monumento estupendo em homenagem aos seus heróis do passado: principalmente os Quatro Bês Fundamentais (Beatles, Beach Boys, Big Star e Byrds), mas também Neil Young, Gram Parsons, Badfinger, entre outros. O nome da banda já entregava: o Fã-Clube Adolescente compunha melodias grudentas em adoração ao pop-perfeito do passado, com nenhuma intenção "revolucionária" ou "vanguardista". E confesso que por vezes eu chegava a pensar que o que eles fizeram, muito mais do que somente um ato de adoração a grandes bandas antigas, era... superação.

Sim: cheguei a me convencer, com aquela tradicional pagação-de-pau exagerada característica de todo fã, que o Teenage Fanclub tinha superado qualquer banda dos anos 60 em termos de perfeição pop. Hoje já não tenho tanta certeza, e nem me importo em ter - afinal, não é preciso escolher entre o Teenage Fanclub e os Beatles, por exemplo, quando se pode ter os dois... O fato é que o TFC permanece ainda hoje como a principal referência do Revival do Power Pop nos anos 90, e é banda ainda insuperada por tantas outras bandas que tentaram fazer o mesmo (Posies, Matthew Sweet, Cosmic Rough Riders, Shins, Sloan, Ash, Brendan Benson...). E permanece o mistério: como é possível que o Teenage Fanclub, essa banda tão irresistível, não tenha vendido milhões de cópias e se mantenha ainda hoje como uma banda cult de baixas vendagens?

Grand Prix, segundo a opinião quase unânime dos fãs, é a obra-prima - se bem que haja quem prefira o lado mais "sujo" dum Bandwagonesque ou Thirteen, discos com um peso maior nas guitarras distorcidas, ou os discos mais "fofos" e baladeiros que virão depois, como Songs From Northern Britain e Howdy!. Mas Grand Prix, com sua produção cristalina, com suas guitarras menos feedbackadas e microfonadas, com seus vocais perfeitamente harmoniosos, com seu trabalho de equipe muito bem coordenado, é onde está reunida toda a verve dos Teenages. Um disco um tanto "humilde", sem dúvida, que não quer salvar o mundo, fazer espetáculo, revolucionar o rock ou instaurar uma nova vanguarda - e retrô, também, e sem nenhuma grande ousadia... Mas eu não vejo como reclamar de um disco desses: inspiradérrimo, apaixonado, sincero, borbulhante de vida e de sentimento...

Era 1995, na metade de uma década um tanto cínica e sombria, que tinha sido dominada até então pelo niilismo anárquico e suicida de Kurt Cobain e pelo punk ensombrecido de Seattle. Tempo de sombras. E o Teenage Fanclub ousou cometer um disco que ninguém ousava então: cheio de silly love songs cantadas sem um pingo de ironia, de cinismo, de rebeldia ou de escuridão. Esse quarteto de Glasgow, composto por jovens bem-educados e certinhos, não tinha nada a ver com a imagem do rock-star cabeludo, fedido, bêbado, auto-destrutivo e comedor de groupies... Eles chegaram mostrando que havia espaço para a doçura e para a delicadeza no rock dos 90. "Música de mariquinha!", alguns vão dizer... Mas quem disse que só os Machões marcam a história do rock? Bobagem. Na década da descrença, o Teenage Fanclub veio e disse, sem vergonha: acreditamos no Amor, na Honestidade e na Gentileza! Divindades que estavam, naquela época, tão fora-de-moda... Fora-de-moda, sim, mas a moda é algo que não dura: e as divindades cultuadas pelo Teenage, no fundo, são atemporais e sempre terão seus cultuadores. E eu não me importo de estar entre eles.

Tudo bem que há momentos não-tão-perfeitos em Grand Prix, principalmente por causa das músicas do Raymond McGinley, o menos talentoso dos três compositores da banda. Sempre achei que o Norman Blake e o Gerard Love teriam feito melhor se tivessem barrado as composições de Ray, as três que menos gosto no disco ("Verisimilitude", "Say No" e "I Gotta Know"). Apesar de serem perfeitamente audíveis e agradáveis, elas empalidecem em comparação aos grandes clássicos, que são mesmo da dupla Blake e Love (ouso dizer: o equivalente noventista ao Lennon e McCartey do passado). Infelizmente, Raymond não é o George Harrison do Teenage Fanclub. Minhas prediletas, até hoje, são "Sparky's Dream", com seu idealismo romântico exagerado, "I'll Make It Clear", com sua ingênua simplicidade, e, óbvio, o clássico dos clássicos, "Neil Jung", talvez a melhor pepita da história do power pop e séria candidata à Música da Minha Vida...

E as letras, que muito crítico sério considera o ponto mais fraco do Teenage Fanclub, podem mesmo parecer um amontoado de clichês românticos: à primeira vista, os escoceses não trouxeram nada de extremamente original ao formato, usado e re-usado e tre-usado, da canção de amor. Mas nunca me importei muito com isso. Tudo parecia sincero, e era o que importava. E eu me lembro bem o quanto os caras do Teenage Fanclub conseguiam, por vezes, expressar exatamente o que eu tava sentindo: decepção por não conseguir concretizar certos platonismos ("It gives me pain when I think of you / And the things together we'll never do..."); cansaço e melancolia derrotista ("You're tired, and you're broken / Your true feelings remain unspoken / You couldn't hide behind your name"...); sonhos amorosos bobalhões ("Just someting simple and unaffacted / We're getting closer than we expected..."); sem falar nas frases aparentemente bobocamente românticas, mas que, num tinha jeito, eu gostava ("Love is easy to define / Mine is yours and yours is mine / Through the pain, through the pain...").

Sim, já cheguei a desprezar o meu Teenage Fanclub, a achar que era uma banda "bonitinha demais pra ser verdade", a encostar os CDs no fundo da gaveta e deixá-los tomando pó... "Lixo kitsch! Música de marica!", dizia nos meus momentos mais rebeldes. Mas o fato é que sempre que eu ponho algum disco deles pra ouvir, e em especial o Grand Prix, isso me faz um bem danado: a vida fica instantaneamente mais leve, mais fácil, mais simples. Sem falar do prazer da memória: talvez os momentos de maior alegria da minha adolescência inteira tenham se dado ouvindo o Teenage Fanclub, esse refúgio musical contra as tempestades do mundo... Se eu pudesse escolher morar dentro de um disco, tipo me exilando numa Casa de Música, esse seria provavelmente o meu escolhido. Como não posso, me contento em ir até esse Poço de Doçura que é o Grand Prix e pegar pra mim, vez ou outra, um pouco de alegria - com meu balde furado... ;-)

:: DOWNLOADS ::

1990 - "A Catholic Education" (54 MB)
http://www.mediafire.com/?mjlbmmlwm2m



1991 - "Bandwagonesque" (57 MB)
http://www.mediafire.com/?g523nymdk2l



1993 - "Thirteen" (63 MB)
http://www.mediafire.com/?yz5ynzymi23



1995 - "Grand Prix" (55 MB)
http://www.mediafire.com/?ymcfufndmbm



1997 - "Songs From Northern Britain" (58 MB)
http://www.mediafire.com/?dm4mymudlw2



2000 - "Howdy!" (63 MB)
http://www.mediafire.com/?vuzmttizunn



2005 - "Man-Made" (64 MB)
http://www.mediafire.com/?iug2horyjdm


meu top
(se quiserem indicação de prioridades:)
01) GRAND PRIX
02) SONGS FROM NORTHERN BRITAIN
03) BANDWAGONESQUE
04) HOWDY!
05) THIRTEEN
06) A CATHOLIC EDUCATION
07) MAN-MADE

quinta-feira, 17 de julho de 2008

:: The Pillows ::


Mais uma pra categoria nerd. Dessa vez trata-se de uma banda conhecida através de um anime insano chamado フリクリ, ou FCLC, ou Fooly Cooly, mais comumente conhecido como Furi Kuri.

The Pillows, formada em 1989 (mantém até hoje sua formação original, com excessão do baixista), mistura muito bem J-Pop, Power-pop (termo que aprendi com o Lux Lúcio, também conhecido como Dirty Little Dummie e raramente chamado de Eduardo) com Indie-rock, indo desde um som mais sujo e agressivo até um pop-rock marcante, cantado sempre em japonês com apenas algumas frases, geralmente o refrão, que dá nome às canções, em inglês. Porém é ai que reside o problema, o vocal. Todas músicas soam perfeitas até se ouvir uma voz fanha e desempolgada (peguei um pouco pesado) do guitarrista Sawao Yamanaka.

Mas o instrumental conscistente, com riffs espertos e o ótimo punch na guitarra de Yoshiaki Manabe (juntamente com a de Yamanaka) somados à bateria de Shinichirou Sato, produz ótimas baladas e porradas que sempre soam como aquela gravaçãozinha mal feita, no melhor dos sentidos.

Então bate aquela dúvida, mas será possível rock cantado em japonês? Depois de passado o estranhamento, e preconceito, inicial é fácil se acostumar com o idioma nipônico nas músicas, pena não dizer o mesmo da voz de Yamanaka (que parece cantar em um videokê). Não desista na primeira nem segunda tentativa, vale a pena conhecer Happy Bivouac ou a trilha do anime por músicas como "Crazy Sunshine", "Black Seat Dog", 'Funny Bunny" e todo o resto pra variar.


Aproveito para encaixar, nunca tarde demais, na série desse blog Turismo Inter-Planetário da Depredando S/A, viajando hoje pela maravilhosa ilha do Pacífico Norte, Japão.

Download: The Pillows - Happy Bivouac (1999) [79mb]
Download: The Pillows - Fooly Cooly OST 3 (2005) [96mb]

domingo, 8 de junho de 2008

:: Prissteens ::



:: PRISTEENS, "Scandal, Controversy and Romance" (1998) ::

- Rock feminino com energia e delicioso apelo pop -
(por PEDRO SÓ, numa Showbizz antiga)


Se for armação, é armação do bem, feita por quem entende do assunto, o produtor Richard Gottehrer, o homem que lançou o Blondie. Se as Go-Go's tomassem anfetaminas, tocariam assim. Se Suzi Quatro, musa glam rock dos anos 70, só gravasse coisa boa, faria um disco assim. Se você está cansado de mulheres feias, sujas e malvadas tocando punk rock frouxo na maior gritaria, este disco de estréia é pra você. Enfim, uma banda "feminina" (descontando o baterista Joe Vincent) sem senões, com repertório intocável. É apenas rock'n'roll, mas com uma abordagem pop, ressaltada no acento "grupinhos de garotas" dos anos 60 de algumas faixas. Rolam até eventuais vocais a capela e a deliciosa marcação de dedinhos estalando. E a escolha de covers é excelente: inclui "Sorrow" (sucesso do grupo The Merseys, regravado por David Bowie no álbum Pin-Ups) e "(I'd Go The Whole) Wide World", de Wreckless Eric. - NOTA: 9.


DOWNLOAD (mp3 de 192kps, 13 músicas, 57MB, 40min):
http://www.mediafire.com/?fftleph2lcz

terça-feira, 3 de junho de 2008

:: Beulah ::



:: BEULAH - Yoko (2003)

Pra mim, este magnífico e injustamente subestimado Yoko é um dos melhores álbuns de "rock alternativo" nesta década - e olha que mil trecos ultra-diferentes se enquadram debaixo do teto desse hospitaleiro rótulo. Que diabos houve para que tão poucos tenham descoberto e caído de amores por essa pérola?!

Antes de ter ouvido esse álbum, eu não tinha o Beulah em grande conta. A banda parecia só mais uma dentre tantas que fez fama por ressuscitar a clássica música pop dos anos 60 através de canções adocicadas e semi-sinfônicas, mas sem conseguir trazer uma proposta nova para um futuro desenvolvimento do rock nos moldes sessentistas. O Beulah era só um coletivo retrô de reconstrução de um mundo sônico feito à imagem e semelhança dos Beach Boys, dos Beatles e dos Kinks. Tudo era bem ensolarado, bonitinho e cheio de melodias infantilmente contagiantes, mas eu sentia falta de uma certa dose de originalidade, de idiosincrasia, de ímpetos ousados de forçar o gênero a uma evolução. Era como se eles acreditassem que a perfeição já havia sido atingida pelo pop das antigas e a única atitude cabível era imitá-lo. O Beulah era mais como um grupelho de crianças brincando no parque de diversões da psicodelia-pop sessentista, com um certo sabor lo-fi herdeiro do Pavement misturado ao caldo, mas onde faltava algo de distintivo que separasse a banda da multidão de outros grupos de proposta semelhante.

Haviam, é claro, os títulos das músicas, onde sobrava a criatividade que faltava na música ("Um Bom Homem É Fácil De Matar", "Se o Homem Pode Pousar Na Lua, Eu Certamente Posso Ganhar Seu Coração", "Eu amo John, ela ama Paul" e "Mecânica Popular Para Amantes" entre elas). Mas no fim o veredicto era: o Beulah certamente era uma das bandas menores dentre a galera da “nova psicodelia” da Elephant 6, não tão boa quanto o Neutral Milk Hotel ou o Olivia Tremor Control, mas que ainda assim conseguia ser simpática e acariciadora dos ouvidos. Banda passável, mas que deixava lá no fundo da boca, após a degustação de The Coast Is Never Clear ou When Your Heartstrings Back, aquele gostinho de comida requentada...

“Yoko”, o quarto (e derradeiro) full-lenght da banda, foi um imenso passo à frente para o Beulah. Este disco é um épico indie-rock grandioso, apaixonadamente eclético, duma musicalidade deliciosa e fluida. Foi com esse discaço que o Beulah se ergueu aos céus, aos meus olhos, tendo criado uma adorável e variada viagem pop que lembra o Summerteeth do Wilco ou o Grand Prix do Teenage Fanclub - um álbum com merecido lugar de honra no panteão de ouro do rock alternativo americano dos últimos anos. Uma grata surpresa vinda de uma banda que nunca pareceu capaz de parir tremenda obra-prima.

“My love is a lot like yours: it’s been crippled by the wars we wage. We’re hopeless. We’re on the losing side”, canta o vocalista Miles Kurowsky na primeira faixa deste “Yoko”, deixando claro que o antigo climão ensolarado foi momentaneamente afastado do céu beuliano. Em contraste com o material anteriormente lançado pela banda, o disco é realmente mais sombrio e melancólico do que seria de se esperar de banda outrora tão alegrinha. Mas ainda assim o Beulah continua sendo uma banda jovial e adequadíssima para curar melancolias suaves e depressões leves: uma vitalidade contagiante sempre se sobressai contra as sombras e a banda nunca escorrega para a morbidez joy-divisioniana.

A Dusted, revista eletrônica muito apreciável, disse o essencial: “[não há] nenhum traço de auto-piedade ou lambimento de feridas em ‘Yoko’, apenas uma nova gravidade lírica e um aproach um tanto mais maduro sobre o que já era uma quase-perfeita abordagem da canção pop. Se Heartstrings e Coast pintaram a banda como crianças em brincandeira na estética do pop anos 60, então eles cresceram um tanto nos últimos dois anos, refinando seus gostos de extendidos-demais para simplesmente versáteis”.

Nos meses de composição deste álbum, conta-se que quatro dos seis membros da banda passaram por divórcios ou relacionamentos de longa data finalizados, o que ajudaria a explicar as nuvens negras que deixam o ambiente nublado em “Yoko”. O nome do disco, aliás, provavelmente vai trazer à mente de quase todos a imagem de uma certa artista de olhinhos puxados famosa por ter capturado as atenções amorosas de John Lennon e por ter sido acusada de acabar com uma certa bandeca dos anos 60, servindo como um símbolo para o fantasma da Separação que assombra o álbum. Mas o título também pode ser simplesmente um acrônimo para “You’re Only King Once”, a faixa 3, lamentosa balada wilconiana que nos implora por um sorriso.

“Yoko” viaja num amplo espectro pop: passa pelo punk-pop garageiro barulhento e quase bubblegum (“Landslide Baby”, “Your Mother Loves You Son”, “My Side Of The City”), pela balada folk introspectiva (“You’re Only King Once”), pela balada épica e grandiosa (“Fooled With The Wrong Guy”), sempre com letras muito acima da média. Excelentemente produzido, o álbum traz os interlúdios entre as faixas recheados com barulhinhos atmosféricos que parecem saídos do Yankee Hotel Foxtrot do Wilco e contêm refrões soterrados lindamente debaixo duma parede de som spectoriana (“A Man Like Me").

O destaque supremo do disco, segundo as opiniões dos meus ouvidos deliciados, é certamente “Me and Jesus Don’t Talk Anymore”, uma canção pop que beira a perfeição. Pianos distantes se misturam às barulheiras foxtrotianas na longa introdução de um minuto, após a qual tudo se silencia. Kurowsky começa a cantar quase sem acompanhamento, a bateria começa a marcar o ritmo sem fazer estardalhaço e se encorpa na estrofe seguinte. No lindo pré-refrão, as guitarras entram rasgando acordes distorcidos enquanto ouvimos: “Though we are falling stars, we feel just fine”. A música vai num crescendo que culmina com o melhor momento do vocal de Kurowsky em todo o disco. Ele canta seu “your body's cold and you're going nowhere” com uma agudeza e uma emotividade não de se esperar de verso tão deprê, e tudo explode em “uh uh rúúúú! ahhhhhh ahhhhhs!” deliciosos, que preparam o caminho para solos de guitarra de derreter manteiga e metais de dar calafrios de delícia. É uma obra prima que traz à mente os melhores momentos do Wilco fase Summerteeth e uma das canções que certamente entraria num best of do indie-rock na década 00.

Resumo da ópera: nenhum outro disco do Beulah é tão competente em visitar ambientes tão diversos mantendo a homogeneidade e a fluência quanto Yoko. É aqui que a banda deixa de ser apenas um grupo que reverencia de joelhos os anos 60 e se transforma numa banda original, vigorosa, apaixonante, que anda por seu próprio caminho. E não chegou a ser má idéia dos caras acabar o percurso por aqui (o Beulah se desfez logo depois deste álbum, legítimo canto de cisne) . Pois como diabos eles conseguiriam compor um sucessor à altura?



DOWNLOAD (mp3 VBR - 67 MB) :
http://www.mediafire.com/?xlyzernny8y
link novo! arquivos com qualidade firmeza agora,
já que a versão postada antes tava meio zoada...
desculpem a nossa falha.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

Teenage Fanclub


A melhor banda de power pop do universo realizou uma sessão acústica nos estúdios de uma rádio na França. No ano de lançamento da grande obra-prima do grupo, Grand Prix, o repertório incluiu cinco faixas do disco de 1995. No formato sem guitarras, as canções não perderam em nada sua qualidade, mantendo todos os instantes mágicos de cada acorde de suas versões originais.

"Starsign" foi a única música não presente em Grand Prix a entrar no set list - canção do clásssico disco Bandwagonesque, eleito pela revista Spin o melhor lançamento do ano de 1991. (1991! Ano em que discos históricos como Nevermind, Ten, Out Of Time, Achtung Baby, Loveless e tantos outros também foram lançados).

Eles ainda tocam uma cover do sensacional Creedence Clearwater Revival. Com apenas sete canções, eles fazem um show pra se ouvir várias vezes ao dia.

"(Don't look back) on an empty feeling"

White Session (session acoustique),
France Inter Radio, France
11th April 1995

1. Don't Look Back
2. Say No
3. Starsign
4. I'll Make It Clear
5. Sparky's Dream
6. Have You Ever Seen The Rain (Creedence Clearwater Revival)
7. Mellow Doubt

DOWNLOAD: Mediafire
mp3 de 192 kps - 29 MB

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

:: The Posies ::


Na Dying Days, Alexandre Luzardo escreve: "O Posies, formado em Seattle em 1987, esteve na ativa durante toda a década de 90 e escapou ileso da super-exposição do grunge. Mas por outro lado, jamais atingiu um grande sucesso comercial e acabou solenemente e injustamente ignorado. Seus dois líderes, Jon Auer e Ken Stringfellow são excelentes músicos e compositores e os álbuns da banda, devidamente aclamados pela crítica e esquecidos pelo público, são itens indispensáveis para os seguidores do power pop. Explica-se, o Posies é mais uma das bandas fortemente influenciadas pelo Big Star, revolucionária e influente banda dos anos 70 conhecida por melodias simples mas muito bem trabalhadas, de inegável apelo pop e pegada rock n'roll, o tal power pop. Nos anos 90, surgiu uma verdadeira legião de bandas influenciadas diretamente pelo som do Big Star, capitaneadas principalmente pelo Teenage Fanclub, Redd Kross e o Posies.

(...) "Frosting on the Beater" foi produzido por Don Fleming, um expert responsável pela produção de discos como "Sweet Oblivion" do Screaming Trees e "Bandwagonesque" do Teenage Fanclub. Mais uma vez, o Posies foi elogiadíssimo pelos críticos e obteve alguma rotação nas rádios, com os singles, principalmente com "Dream All Day" e "Solar Sister". No novo disco, os temas explorados nas músicas ficaram mais obscuros e o som ficou notadamente mais pesado.

Chegou a se especular que a mudança no som da banda tinha a intenção de fazer com o Posies se adaptasse a explosão do "som de Seattle" ao que Ken Stringfellow uma vez respondeu: "Nós teríamos feito algo muito mais ridículo se nós estivéssemos tentando fazer 'grunge'. De certa forma, nós não estamos atentos ao que está acontecendo. Quando eu escuto um disco, eu não fico pensando se é popular. Eu acho o Red Red Meat e R.E.M. igualmente populares, embora saiba que o R.E.M. vende muito mais discos. Eu não sei se reajo ao que é popular". De qualquer forma, "Frosting on the Beater" não teve o sucesso esperado, e o fato é que o peso e as distorções não anularam a principal característica do som do Posies, o gosto e o cuidado pelas melodias."


"FROASTING IN THE BEATER" (1993)
DOWNLOAD (Mediafire) - LETRAS