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domingo, 5 de setembro de 2010

:: Eu Sou Ozzy ::

:: O Forrest Gump do Metal ::
- Ana Alice Gallo -

Bons colegas de boteco são, por essência, ótimos contadores de história. Você sabe que não pode acreditar em tudo o que o cara tá dizendo, mas nem esse é o propósito: vale mais o sabor dos causos. Imagine, então, um desses sujeitos com mais de 40 anos de experiências em pubs, puteiros e muitas situações insólitas. Pois é isso que faz Ozzy em sua auto-biografia: conta causos e mais causos, como um bom Forrest Gump do heavy metal.

Dois fatores desarmam de cara o leitor: o fato de o livro ser narrado em primeira pessoa, o que já pressupõe que o sujeito vai contar tudo do jeito dele; e, no caso desse rockstar, a declaração na primeira página de uma lista de drogas gigantes que fizeram ele não se lembrar direito de tudo, e que era bem possível que outras pessoas contestassem a sua versão dos fatos. Resta-nos, então, pedir ao garçom mais uma breja e saborear tudo sem pudores ou ressalvas. São, sim, histórias do vovô Ozzy.

Entre a infância fodidamente pobre, uma passagem rápida pela prisão e um trabalho em um abatedouro, desenha-se o personagem Ozzy, que cresceu e conquistou o mundo portando dislexia, déficit de atenção e, mais tarde, uma rara doença chamada de síndrome parksoniana – sem nunca ter exatamente noção disso tudo. Descobre-se que a magia negra nada mais era que uma tosca jogada de marketing inventada quando os integrantes do Balck Sabnbath viam filas enormes na frente do cinema quando passavam filmes de terror e imaginavam que coisas aterrorizantes chamavam a atenção. E que eles detestavam, na verdade, os seguidores de Satã que passaram a fazer vigília nos hotéis da banda e a pintar crucifixos invertidos com sangue nas portas de seus quartos.



Não vou contar todos os “bombons” que Ozzy entrega aos leitores enquanto abre a caixa de chocolates (recheados de álcool e cocaína) que é sua vida. Mas algumas pérolas se destacam, como quando descreve como explodiu uma pomba em uma sala com executivos da gravadora, ou jura que morder a cabeça de um morcego foi um acidente inesperadíssimo. Em turnê com o Mötley Crue, um belo dia Ozzy acordou no canteiro central entre as pistas de uma rodovia, e não espere descobrir como ele foi parar lá, se nem o próprio se lembra.

O ex-vocalista do Black Sabbath foi um pai lastimável, um filho um tanto mesquinho e um marido quase homicida (se ele não lembra, ele não fez?). Mas brigas familiares, momentos desprezíveis e lutas de consciência passam sutilmente pelos capítulos, nada que realmente estrague a noite do leitor. Ozzy é tão complacente consigo mesmo que, quando se culpa por não estar presente na criação dos filhos ou de se arrepender de ter feito o seriado “Os Osbournes”, você o desculpa junto, só pra poder ouvir logo o próximo causo. E chamar o garçom de novo.

>>> Leia trechos do livro!

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

:: Kyuss ::

Antes da idade da pedra
- Bernardo Santana -


Lançado em 1992, Blues For The Red Sun foi o segundo — e melhor — disco da curtíssima e ensurdecedora carreira do Kyuss (pronucia-se "cáius", a propósito). Talvez você tenha ouvido falar dos caras como sendo “a primeira banda do cara do Queens of the Stone Age” ou “aqueles doidões que tocavam no deserto”, ou quem sabe como “os precursores do Stoner Rock”, ou algo que o valha… mas o Kyuss merece, com certeza, muito mais que isso na história do tiozão barrigudo que é o rock and roll.

Na época com dezenove aninhos, Josh Homme já mostrava em Blues todo o peso malemolente de sua guitarra. Aliás, na minha humilde opinião subjetiva, nunca mais (e eu disse NUNCA MAIS) desde então o cara soou tão certeiro em seus riffs. O peso bíblico de Writhe, Apothecaries' Weight e Molten Universe que o digam. Mas o grande mérito do Kyuss daquela época — e do disco aqui pirateado, por conseguinte — sobre o Queens, por exemplo, foi contar com muito mais do que a habilidade do molecote Homme para fazer seu barulho.

Diferente das rainhas chapadas de hoje em dia, a banda que gravou Blues contava com um vocalista de verdade, um batera até hoje apontado como influência em som pesado (e baita compositor também) e um baixista que sabia inserir groove verdadeiro no meio da pancadaria. Todas as músicas do disco têm um esmero instrumental impressionante, mas sem a frescura tão peculiar e contraditória do metal atual. Muito mais que seguir o esquema intro-verso-refrão, o Kyuss subvertia as estruturas da música popular, cagando montes pra necessidade de achar refrões ganchudos e congêneres. Aliás, as cinco músicas instrumentais espalhadas por seu segundo disco conseguem a façanha de serem alguns dos pontos altos da bolacha. Ouça Catterpillar March e tire a prova. Todo o trabalho perfeito dos instrumentos, no entanto, não tira o mérito de John Garcia, vocalista esganiçado-agressivo que, nas ocasiões em que aparece cuspindo seus impropérios, faz você entender por que o Kyuss não decidiu ser “só” uma banda instrumental.

É só pra encerrar a seção de comparações covardes; durante toda a audição do disco percebe-se que aqueles barulhinhos gravados lá no fundo nas músicas do QOTSA também não são tão novidade assim. Aliás, aqui eles ajudam a fornecer o forte tom psicodélico-do-deserto, que ficou bem mais acentuado nos álbuns seguintes do Kyuss, e são essenciais para completar o clima de Black Sabbath em jam psicodélica do disco.

Não que mude alguma coisa, mas o fato de que a banda alcançou tudo isso quando seus principais compositores ainda nem tinham chegado na casa dos vinte é de fazer muito músico por aí entrar em desespero. E nem pense em contar pra eles que Blues For The Red Sun foi considerado um dos 50 álbuns mais pesados da história pela revista inglesa Q. Se você é músico, foi mal. Se não é, baixe a bolachinha agora, ignore o que é “afinação baixa” e divirta-se enquanto tenta descobrir como bater cabeça e rebolar ao mesmo tempo…

[Nota pós-cagada: avisado por nosso excelso administrador, o sr. Lux Lúcio, tomei conhecimento de que este disco já havia sido postado no Depredando. Duas vezes. Sendo assim, vai também o resto da discografia dos minino pra não ficar muito feio.]

Wretch [1991]
DOWNLOAD: 87 Mb - 11 faixas


Blues For The Red Sun [1992]
DOWNLOAD: 89 Mb - 14 faixas


Welcome To The Sky Valley [1994]
DOWNLOAD: 90 Mb - 11 faixas


...And The Circus Leaves Town [1995]
DOWNLOAD: 90 Mb - 13 faixas

sábado, 7 de fevereiro de 2009

:: o novo Sepultura ::

A Clockwork Band
- por Ana Alice Gallo -

* atenção: se você não viu o filme ou leu o livro “Laranja Mecânica”, esse texto contém spoilers (ai que chique isso, não?)


Uma pessoa/entidade/banda é capaz de suportar mudanças bruscas de personalidade? Mesmo que essa alteração seja feita de forma abissal e violenta? A questão que norteia o livro “Laranja Mecânica”, de Anthony Burgess, pode ser feita também ao Sepultura. A banda, que se apóia sem sua espinha dorsal original, lança “A-Lex”, álbum baseado na obra de Burgess e que chega para responder com um sonoro “sim” a essa pergunta.

O grupo curtiu a idéia de fazer projetos em cima de grandes marcos da literatura, mas pra isso eles não precisaram se distanciar muito do jeito Sepultura de ser. Os álbuns contam basicamente com uma primeira parte longamente construída em cima de peso, com letras furiosas a respeito de temas como violência, tormento e decrepitude, e um segundo momento mais leve, experimental, que muitas vezes norteia alguns elementos de trabalhos vindouros. Em “Dante XXI”, o antecessor de “A-Lex”, o grupo se debruçou na Divina Comédia e construiu um verdadeiro épico, instrumentalmente mais dark e elaborado, com passagens sonoras demarcando os ritos de entrada no inferno, no purgatório e no céu. O trajeto acompanhava os círculos narrativos do livro, mas não fugia do formato dos trabalhos da banda.




Já em “A-Lex”, a roupagem crua e urgente transpira a contemporaneidade da obra “Laranja Mecânica”, focada na ultraviolenta vida do protagonista, que vai da capacidade de morte e estupro à total apatia induzida por tratamentos desumanos. O que se vê aqui, no entanto, é um Sepultura simples e eficiente, com músicas poderosas, bem pontuadas, feitas para que o pogo da platéia expurgue a jornada destrutiva e subversiva de Alex. Não é um álbum para ser contemplado, e sim para ser transformado em catarse coletiva no local onde a banda reina: o palco, os shows, com a energia dos fãs.

Dividido em 4 partes, assim como o livro, “A-Lex” começa com músicas que lembram os áureos tempos de “Chaos A. D.”, com destaque para “Moloko Mesto” – para quem não se lembra, “moloko” é o leite que Alex e sua gangue ingerem antes de cometerem atrocidades cidade afora. Dessa primeira parte, “Filth Roth” também surpreende por trazer os elementos tribais que se tornaram marca da banda e não soar deslocado mesmo em uma narrativa urbana.

“Alex II” marca a entrada do personagem no tratamento de lavagem cerebral que o deixará totalmente apático e dessa fase pode-se esperar cabeças voando em “Forceful Behavior”, candidata a hino fácil. “Sadistic Values” explora mais as nuances da tortura de Alex quando ele é devolvido ao mundo real e surrado por quem um dia sofreu de sua violência. Já para trilha sonora do momento de desforra social do protagonista, que acontece na fase III quando ele retorna à delinqüência, a banda se permite explorar mudanças de ritmo e brilha com “Strike”, mas exagera na pleonástica “Ludwig Van”.

O filme de Stanley Kubrick, igualmente baseado no livro, terminaria aqui. Mas a obra literária conta com uma quarta parte de transcendência, quando o personagem decide seguir seu caminho e é a própria “Alex IV” que dá conta de passar a mensagem.



Ser grande e inteiro

A saída de Max Cavalera logo após o aclamado "Roots" deixou o grupo sem um de seus alicerces. “Against”, o álbum que se seguiu, continha composições mais fracas e o vocalista Derrick Green demorou mais para adensar o caldo sonoro do Sepultura do que para aprender palavrões em português e torcer pros times brasileiros. O que se viu, no entanto, foi uma banda renovada emergir nessa mudança. Andréas tomou as rédeas dos riffs e eles foram ganhando um corpo próprio. O alicerce que restava, no entanto, dominava o ritmo. Iggor Cavalera pontuava cada uma de suas velozes notas e muitas vezes comandava a música. Se aproveitar o virtuosismo do batera era um deleite, a Sepultribe no entanto ficava sem hinos de guerra ao ver os riffs submetidos às constantes mudanças de andamento de Iggor. A própria mixagem deixava a bateria em primeiro plano e chegava a ofuscar momentos brilhantes de guitarra que não fossem solos.

Jean Dolabella, que entrou para apoiar o alicerce deixado vago quando Iggor saiu, está longe de ter a velocidade e a força do Cavalera, mas isso não é realmente ruim. Virtuoso e extremamente competente, Jean dá corpo a uma parede sonora que, enfim, faz do Sepultura uma banda equilibrada novamente. Com direito a violência, delinqüência, sutilezas sonoras e muita, muita energia. Como uma obra completa deve ser.


DOWNLOAD: http://www.mediafire.com/?tnjylfiixyg

quinta-feira, 10 de julho de 2008

:: Motörhead ::


"Safe sex, safe music, safe clothing, safe ozone layer, too late! Everything that has been achieved in the history of mankind has been achieved by not being safe."
- LEMMY

Se o Motörhead se mudasse pra tua vizinhança, todas as simpáticas velhinhas católicas (a não ser as que já eram surdas), todos os bichinhos de estimação fofinhos, toda a horta lindinha, todo o jardim cultivado com muito esmero e repleto de flores tão líricas, todo o gramado tão bem aparado e cheio de borboletinhas e ursinhos carinhosos felizes e saltitantes, morreriam todos em poucos dias, em terrível e sangrenta agonia, caindo aos pedaços numa carnificina digna dum Happy Tree Friends. Dizimados a golpes de excesso de decibéis, no caso dos membros do reino animal; ou cobertos por uma monturama colossal de latinhas de cerveja e bitucas de cigarro, no caso dos mortos do reino vegetal. Não concebo elogio melhor a fazer a esta estupenda obra de agressão pura que é o Motorhead. Nada melhor que Lemmy e companhia para causar estrago nas redondezas e deixar como rastro uma pilha de cadáveres de coisas horrorosamente bonitinhas.

Eu sou daqueles radicais que acham que quem não gosta de Ramones, de AC/DC, de Motörhead e de Beatles boa gente não pode ser. Como é que alguém pode não se empolgar com um som tão imundo, tão encardido, tão estupidamente barulhento, tocado com tanta fúria e empolgação? Lemmy Kilmister (baixo e vocal), Phil 'Philty Animal' Taylor (batera) e 'Fast' Eddie Clarke (guitarra) construíram com este power-trio uma instituição sagrada da música pesada, capaz de agradar ao mesmo tempo a fãs de metal, de punk, de hardcore, de grunge... É uma das poucas bandas que faz com que um punk possa pogar alegremente ao lado do metaleiro que headbanga, sem que o primeiro queira furar o olho do segundo com seu moicano ou o segundo queira esmagar a cara do primeiro com seu soco inglês.

Sem falar que Lemmy Kilmister é mito. Depois de 5 anos fazendo parte dos space-rockers do Hawkwind (foi expulso da banda depois de ser preso no aeroporto com um monte de anfetamina na mala), formou banda própria em 1975 e chamou-a de Bastard. Depois que a gravadora julgou tal nome "anti-comercial", mudou-o para Motörhead, gíria inglesa que nada tem a ver com o mundo glorioso do automobilismo: é uma denominação para os junkies que se entopem de speed e ficam a mil... Daí em diante, soltaram uma pá de clássicos do rock pauleira que soam foda até hoje - com destaque para os três crássicos que destacamos aqui no Depredando hoje: Ace of Spades, Overkill e o ao-vivo duplo No Sleep 'Til Hammersmith.

Lemmy é o tipo de cara com quem você não gostaria de trombar num boteco ou num beco escuro. Tretar com ele seria péssimo conselho para teus ossos. Ele é um daqueles caras assustadores: um ursão do mal com cara de alcóolatra, comportamento psicopata e voz de vilão de filme de terror. Quase um personagem de Charles Bukowski, mas com a grande vantagem dupla de ser real e de fazer um rock and roll bom da porra. Se ele viesse vindo na minha direção na rua, eu provavelmente mudaria de calçada pra não cruzar com esse vândalo, esse criminoso, esse desequilibrado, esse machão insensível e impiedoso, que fala grosso e ri certamente a prototípica Risada Diabólica; mas no meu aparelho de som curto a companhia desses loucos viris e destruidores de tímpanos que fazem música cuspindo para fora suas vísceras ensanguentadas.

* * * * *

p.s: Um dia um jornalista pediu ao Lemmy qual sua filosofia em relação à vida, ao amor, a Los Angeles, às mulheres, ao dinheiro e, principalmente, ao rock 'n roll. Ele respondeu: "A vida é um sanduíche de merda, por isso quanto mais pão você colocar nele, menos merda vai ter que comer. O amor é algo que, aparentemente, só os homens sentem, as mulheres só vão contando o dinheiro. Los Angeles é o lugar onde eu moro e dinheiro foi feito para gastarmos. Rock 'n roll é a única religião verdadeira. Deus nunca ouviu as minhas preces, já Little Richard jamais me decepcionou."

Gênio!




"THE ONLY WAY TO FEEL THE NOISE
IS WHEN IT'S GOOD AND LOUD!"


:: DOWNLOADS (SÓ CRÁSSICO!) ::


"OVERKILL" [remasterizado e com bonus tracks]
(mp3 de 192kps, 57 MB):
http://www.mediafire.com/?1bw4yei2z5g
[ letras ]



"ACE OF SPADES" [remasterizado e com bonus tracks]
(mp3 de 192kps, 63 MB):
download: http://www.mediafire.com/?cgdnytatja1
[ letras ]


"NO SLEEP 'TIL HAMMERSMITH" [remasterizado e expandido]
disco 1: http://www.mediafire.com/?zmumbyykzze
disco 2: http://www.mediafire.com/?ilvycb5by2q

sábado, 5 de julho de 2008

:: Slayer ::


:: SLAYER - “Reign In Blood” (1986) ::

EMBAIXADORES DO DEMO
Em 1986, o peso e a agressividade do Slayer
levaram o metal a uma nova dimensão

- por GASTÃO MOREIRA -
(ShowBizz, agosto de 1999)


Seja bem-vindo ao mundo dos pesadelos patrocinados pelo quarteto californiano Slayer, povoado por anjos da morte, assassinos sádicos, sacrifícios e chuvas de sangue. Os temas, hoje banalizados e esgotados, causaram furor na época em que todos queriam levar o heavy metal ao extremo do binômio velocidade / agressividade.

Reign In Blood, lançado em 1986, traz o Slayer na sua melhor forma com os diabólicos guitarristas Kerry King e Jeff Hanneman, o chileno Tom Araya no baixo e vocal e o tremendo baterista cubano Dave Lombardo (hoje no grupo thrash Grip Inc. e no Fantômas, do ex-cantor do Faith No More Mike Patton), impecável na técnica e rapidez. Lombardo comentou certa vez sobre a predileção de todos por hardcore – não o de Green Day ou Rancid, que receberam essa nomenclatura recentemente, mas o punk rock seco e cru dos anos 70 e 80, de gente como o Circle Jerks e o GBH – o que foi confirmado anos depois com o álbum de covers Undisputed Attutyde, de 1996, um protesto contra o mau uso do nome.

Em Reign In Blood a veia core se misturou ao sangue sujo de speed metal e deu no que deu: um disco de raro impacto nos ouvidos, que fez com que outras bandas à época consideradas ferozes soassem inofensivas como o Abba. Fora a maldade natural dos integrantes, outro fator que contribuiu para tamanho peso foi a produção do barbudão Rick Rubin, o descobridor do Slayer. Rick manteve toda a sujeita e ainda conseguiu dar definição a todos os intrumentos, coisa rara no gênero.

“Angel Of Death” (com alusões ao infame carrasco nazista Joseph Mengele) e “Raining Blood” garantem uma fratura exposta na cervical de tanto sacudir a cabeça. “Necrophobic”, “Jesus Saves” e “Criminally Insane” consagram o estilo slayeriano que causou tanto estrago. As letras gritadas são típicas de adolescentes que querem chocar os avós e, ouvidas hoje em dia, podem parecer meio bobas. Mas isso não importa. O Slayer é um dos poucos que, até hoje, se mantêm irredutíveis na maneira de sonorizar o apocalipse, mandando às favas toda e qualquer concessão musical. Reign In Blood prestou um serviço ao rock pesado ampliando seus limites até a periferia do inferno.

DOWNLOAD (mp3 de 192kps - 48 MB - 12 faixas - 34min):
http://www.mediafire.com/?5ofmvjwejyz

sexta-feira, 20 de junho de 2008

:: Monster Magnet ::

:: MONSTER MAGNET, “God Says No” (2000) ::

É COISA DE MALUCO
-por GASTÃO MOREIRA, na Showbizz -

Vou ser bem direto: Monster Magnet é som de doido. A quantidade de drogas ingeridas pelo guru Dave Windorf é diretamente proporcional à sua viagem sonora. No álbum Spine of God (1992) ele explicava sua música numa frase contida no encarte: “Uma coisa de drogas satânicas... Você não entenderia.” O diabólico, aí, revela-se na luxúria e no sucesso, e não na encarnação do mal como fazem as bandas de heavy metal. Dave tem uma inclinação para o glamour da autodestruição. Sua pose e seu carisma o tornaram cultuado. O Monster Magnet conseguiu dar um novo rumo ao rock, sendo considerado o criador do stoner rock, rótulo que provavelmente rejeitam. Riffs e refrãos repletos de efeitos, ecos vagando pelo espaço e peso de sobra. Não é à toa que Dave está usando uma camiseta da banda Hawkwind – esses, sim, criadores do space rock nos anos 70 – no encarte do disco novo. God Says No traz a veia espacial, acrescida de uma dose maior de pretensão. Dave capricha nos arranjos e no visual “satanic cool”. “Melt”, que abre o disco, já pode ser considerada uma das melhores músicas do século. “Head Explodes” tem um tecladinho safado e refrão pegajoso. “Doomsday” é o puro creme do peso. “Medicine”, que está em Spine of God, recebe uma versão tão boa quando a original. E “Gravity Well” se destaca pelo clima contry-blues inusitado. Recomendado para ouvidos calejados.

DOWNLOAD (mp3 de 192 - 75mb):

quarta-feira, 12 de março de 2008

:: Kyuss ::


KYUSS
"Blues For The Red Sun” (1992)

O SOM ESCALDANTE DO DESERTO CALIFORNIANO
Rock pesado e viajandão, guiado por uma guitarra malandramente ligada num amplificador de contrabaixo: ainda não inventaram nada parecido com Blues For The Red Sun, álbum definitivo do Kyuss

- Por José Fávio Júnior,
na Showbizz de Julho de 2001
(seção “Discoteca Básica”)

O Velvet Underground foi um grupo que, durante seu pequeno período de existência, passou quase batido. Hoje é referência para 9 entre 10 artistas indie/lo-fi. Disse um crítico americano que o Kyuss é o Velvet Underground de sua seara. Só poderemos comprovar daqui umas duas décadas, mas a tese é boa.

Formada na cidade californiana Palm Desert, a banda durou cerca de 6 anos (1990-95) e lançou 4 álbuns. A época é relativa à adolescência do guitarrista Josh Homme, que fundou o Kyuss na tenra idade de 16 anos, ao lado do baixista Nick Oliveri (que tinha 17), do vocalista John Garcia e do baterista Brant Bjork (hoje no Fu Manchu). Ele teve a puberdade dos sonhos de qualquer jovem roqueiro: terminou o colegial, viajou o mundo tocando, foi chamado de deus e, quando o lance ficou repetitivo e chato, saiu do mundo do rock, entrou na faculdade e arrumou um emprego de adulto. (Mais tarde, graças às pressões dos chapas do Screaming Trees, com quem ele tocava esporadicamente, Josh montou o Queens Of The Stone Age e se deu ao luxo de convidar Mark Lanegan, ex-vocalista do ST, para integrar seu grupo – o convite foi aceito em maio de 2001.)

Foi na turnê do álbum de estréia, o cru Wretch, que a banda conheceu seu quinto membro. Chris Goss, ex-integrante da seminal Masters Of Reality, chapou com a performance e se tornou o responsável por toda a produção do Kyuss. Aquele hard rock, ora bem lento, ora bem rápido, com muito groove e quase sempre viajandão, precisava de alguém que soubesse fazer o solo tremer na mesa de som.

Josh plugava sua guitarra Ovation UK II preta num amplificador de baixo, a afinava o mais grave possível, pisava no fuzz e saía compondo riffs turbinados com a urgência de um garoto que acabara de tirar a habilitação para dirigir. É por isso que a sequência inicial de Blues For The Red Sun, com “Thum, “Green Machine”, “Molten Universe” e “50 Million Year Trip (Downside Up)”, cheira a estrada empoeirada. O grupo, que no início de carreira (quando se chamava Sons of Kyuss) promovia grandes festas no meio do deserto californiano usando geradores, onde tocava por horas a fio, transporta o ouvinte para esse ermo. Quente, seco, duro. Mas com um suingue atmosférico quase sensual, culpa do baixo do então cabeludo e desbarbado Nick Oliveri – substituído por Scott Reeder na turnê do disco. “50 Million...” é o maior exemplo: um rock que dá vontade de balançar a cabeça e a cintura ao mesmo tempo. Depois dela vem a filosofia de “Thong Song”. “Meu cabelo é compridão / Nenhum cérebro, só músculo / (...) Eu odeio música devagar”, canta Garcia, sem a menor culpa, como que sorvendo goles de cerveja entre os versos. Das 14 faixas, apenas oito possuem letra. Existe uma preocupação muito grande com o instrumental, vinhetas e introduções, como acontece em “Freedom Run” (7 minutos e meio de psicodelia e “lesação”).

Dave Grohl,. Billy Corgan, Mellisa Auf Der Maur e muita gente boa da cúpula do rock bota Blues For The Red Sun entre os dez discos da vida (há os que preferem o abusado Welcome to the Sky Valley, com suas três suítes musicais, cada uma dividida em várias partes). Um pouco da magnitude do Kyuss pode ser medida pela qualidade das bandas que excursionaram junto: Faith No More, Smashing Pumpkins, Ween... Ver Josh tirando aquele som lindo era (e sempre será) uma experiência mais do que incandescente.

DOWNLOAD (54MB):

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

:: Skunk Anansie ::



:: SKUNK ANANSIE – Post Orgasmic Chill (1999)

"Após 2 álbuns bem acolhidos na gravadora indie One Little Indian, a estréia do Skunk Anansie numa grande gravadora era aguardada com expectativa para ver se o grupo conseguia chegar ao topo. A Virgin forneceu o dinheiro necessário para que a banda pudesse gravar o seu esperado 3o álbum nos estúdios Bearsville e Clinton, em Nova Yorke. Mas, apesar de uma destacada aparição no festival Glastonbury em 1999, não foi o ano que todos esperavam para a banda.

A vocalista Skin, de cabeça rapada e tiradas destemidas, tinha-se convertido na porta-voz do mais radical feminismo negro na Grã-Bretanha; um tema como “Charlie Big Potato” investe contra a egocêntrica hierarquia masculina e marca o tom do álbum. A revista Q definiu-o como “guerra sônica alimentada por auto-falantes”.

Mas a banda acostumou-se a tocar os extremos do céu e do inferno e mostrou-se igualmente eficaz em temas mais calmos, substituindo a fúria política pela reflexão e contemplação. A emotiva voz de Skin acompanha épicos arranjos de cordas nas faixas “You'll Follow me Down?” e “Lately”, enquanto “Secretly” é uma resposta apaixonada à infidelidade.

Com Post Orgasmic Chill a banda alargou o seu som e assimilou novas influências, como o drum and bass, estabelecendo de forma definitiva o grupo no panorama do indie-rock. A rudeza de álbuns anteriores ficou pra trás, emergindo a sua vulnerabilidade e força bruta, em partes iguais, com grande sutileza.

Apesar de Post Orgasmic Chill ter se revelado o canto do cisne dos Skunk Anansie, permanece como uma afirmação triunfante que merece uma vênia.” - 1.001 Discos Para Ouvir Antes de Morrer

DOWNLOAD (MP3 de 192 kps - 87 MB):

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

:: status quo ::


STATUS QUO - "On The Level" (1975)

Tudo bem: o Led Zeppelin IV é um puta dum disco formidável, clássico supremo da história do rock and roll, objeto de culto de todos os tiozões roqueiros que conhecemos... Mas quantos de nós, mais moderninhos, não desejamos que aquela avalanche sônica de “Black Dog” e “Rock and Roll”, que inicia o álbum nos deixando com a adrenalina lá no teto, continuasse pelo disco inteiro, sem que entrassem as bonitezas folk de “Going To California” ou a longa viagem de “Stairway To Heaven”? Quem já não quis que o Led Zeppelin tivesse feito um disco com o carro sempre na quinta-marcha, com o pé pisando sempre até o fim no acelerador? Pois o On The Level, do Status Quo, é mais ou menos como seria um disco inteiro repleto de rock and roll como só o Led sabia fazer na época do IV. Fiquei completamente embascado quando descobri esse disco – como pode ser tão subestimado e obscuro, quando tinha tudo para ser um dos álbuns mais adorados da história do hard rock? Antes de baixar essa pérola, minha única informação sobre o Status Quo era uma citação, pra lá de irônica, numa música do Teenage Fanclub, no disco deles (o adorável Bandwagonesque) que mais sacaneia alegremente o mundo do metal (e as meninas metaleiras): “She wears denim wherever she goes, she says she's gonna buy some records by the Status Quo...” (em “The Concept”). Este On The Level tem uma única musiquinha de bonitezas folk, inclusive com ú-ú-ús singelos de backing vocal (“Where I Am”), mas o resto do álbum é estupidamente rockandroller – contendo clássicos como “Down Down” e “Over and Done”. Rockão empolgante, despretensioso e cavalgante, que passa por cima do ouvinte como um rolo compressor e que não decepcionará ninguém que curta AC/DC e Led - mesmo que fique a sensação nítida de que o Status Quo é uma espécie de banda de segundo escalão, que fazia nada além de uma imitação classuda dos grandes mestres. Mas vai imitar bem assim no inferno! - por Eduardo Carli de Moraes (originalmente publicado no Dirty Little Mummie)

OPÇÕES DE DOWNLOAD (MP3 de 192 kps - 54 MB)
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