By SUSAN G. COLE
segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014
"Pussy Riot: Uma Oração Punk" - Saiba mais sobre o documentário e assista-o na íntegra
By SUSAN G. COLE
quarta-feira, 17 de outubro de 2012
"O Estado neoliberal é necessariamente hostil a toda forma de solidariedade social que imponha restrições à acumulação do capital..." (D. Harvey)
“O ‘compro, logo existo’ e o individualismo possessivo constroem juntos um mundo de pseudo-satisfações estimulante na superfície, mas no fundo vazio. (…) Com cerca de 2 bilhões de pessoas condenadas a viver com menos de 2 dólares por dia, o cruel mundo da cultura consumista capitalista e as fenomenais gratificações obtidas pelos serviços financeiros têm de ser uma piada macabra...” — DAVID HARVEY, Neoliberalismo (Ed. Loyola, p. 184)
- “O patrimônio líquido das 358 pessoas mais ricas do mundo em 1996 era igual à renda combinada dos 45% mais pobres da população mundial - 2,3 bilhões de pessoas. As 200 pessoas mais ricas do mundo, entre 1994-1998, mais do que dobraram seu patrimônio líquido para mais de um trilhão de dólares. Os ativos dos 3 maiores bilionários alcançavam na época um valor superior ao PIB de todos os países menos desenvolvidos e sua população de 600 milhões de pessoas.” (UNITED NATIONS DEVELOPMENT PROGRAM, 1996. p. 43.)
- "No âmbito da neoliberalização, emerge no cenário mundial a figura prototípica do TRABALHADOR DESCARTÁVEL. São abundantes os relatos das condições de trabalho estarrecedoras e despóticas em que trabalham os operários das chamadas sweatshops, uma forma moderna de trabalho semi-escravo. Na China e na Indonésia, as condições em que trabalham jovens mulheres que migram das áreas rurais não são menos que horrendas. Duas jovens indonésias contaram sua experiência numa fábrica em Cingapura: 'Somos insultadas regularmente, como parte normal da rotina. Quando se irrita, o chefe xinga as mulheres de vacas, galinhas, vadias, e temos de suportar tudo isso pacientemente, sem reagir...' (p. 182)
- "A prática de priorizar as necessidades dos bancos e instituições financeiras se traduziu em extrair mais-valia de populações empobrecidas do Terceiro Mundo para pagar aos banqueiros internacionais. Como observa sarcasticamente Stiglitz, 'que mundo peculiar este em que os países pobres estão na verdade subsidiando os mais ricos'. [...] O Estado neoliberal é necessariamente hostil a toda forma de solidariedade social que imponha restrições à acumulação do capital." (p. 84-85)
- "Um fato persistente no âmbito dessa complexa história da neo-liberalização desigual tem sido a tendência universal a aumentar a desigualdade social e a expor os membros menos afortunados de toda e qualquer sociedade - seja na Indonésia, no México ou na Inglaterra - ao frio glacial da austeridade e ao destino tenebroso da crescente marginalidade." (p. 128)
- "....a contribuição humana para o aquecimento global disparou a partir de 1970. O Pentágono também alega que o aquecimento pode muito bem ser a longo prazo uma ameaça bem mais grave à segurança dos EUA do que o terrorismo. Curiosamente, os 2 principais culpados pelo aumento das emissões de dióxido de carbono nos últimos anos têm sido as locomotivas da economia global, os EUA e a China." (p. 186)
- "Aceitar o regime neoliberal equivale a aceitar que a única alternativa é viver sob um regime de interminável acumulação de capital e de crescimento econômico quaisquer que sejam as consequências sociais, ecológicas ou políticas." (p. 195)
“Pode-se esperar que a massa extraordinária de sofrimento produzida por um tal regime político-econômico possa um dia lastrear um movimento capaz de deter a marcha para o abismo? (…) Vocês devem de fato, para resistir à prova, trabalhar para inventar e construir uma ordem social que não teria como única lei a busca do interesse egoísta e a paixão individual do lucro, e que daria lugar a coletivos orientados para a busca racional de fins coletivamente elaborados e aprovados...” - PIERRE BORDIEU, Contrafogos - Táticas Para Enfrentar a Invasão Neoliberal (Ed. Jorge Zahar, p. 145)
Tracklist / Vol. I:
01. PEARL JAM, “Do The Evolution”
02. INTERNATIONAL NOISE CONSPIRACY, “Capitalism Stole My Virginity”
03. DEAD KENNEDYS, “Holiday in Cambodia”
04. RAGE AGAINST THE MACHINE, “Killing in the Name Of”
05. BEN HARPER, “Black Rain”
06. LOUDON WAINWRIGHT III, “Hard Day On The Planet”
07. SEX PISTOLS, “God Save The Queen”
08. THE CLASH, “I’m So Bored With The U.S.A.”
09. MARK LANEGAN, “Riot in My House”
10. SONIC YOUTH, “Teenage Riot”
Imagem... Vancouver/2012.
Tracklist / Vol. II:
01. BLACK FLAG, "Rise Above"
02. BIKINI KILL, "Rebel Girl"
03. RANCID, "Born Frustrated"
04. NO WTO COMBO, "Let's Lynch The Landlord" (*)
05. THE DT'S (Seattle), "Freedom"
06. JEFF BUCKLEY, "The Sky is a Landfill"
07. JEFFERSON AIRPLANE, "Volunteers"
08. JOHN LENNON, "Power to the People"
Imagem por... Shepard Fairey.
quarta-feira, 28 de setembro de 2011
<<< Fugazi: Independência ou Morte! >>>
- breve história de uma das mais importantes
bandas punk dos anos 90 -
"Se a História for simpática com o Fugazi, os discos da banda não serão obscurecidos pela reputação e métodos de trabalho deles. Ao invés de serem conhecidos por seu ativismo comunitário, shows a cinco dólares, CDs a dez dólares, resistência às ordens do mainstream e folclore fictício cercando seus estilos de vida, eles serão identificados por terem fixado um grande nível para excelência artística que é frequentemente buscado mas raro de ser conquistado. Durante sua existência, o quarteto criou algumas das canções de pós-hardcore mais inteligentes, revigorantes e indubitavelmente musicais já feitas. Lado a lado com sua ética underground - que se baseava mais em pragmatismo e modéstia do que qualquer outra coisa - eles ganharam um culto global numeroso e extremamente leal. Para muitos, o Fugazi significava tanto quanto Bob Dylan tinha significado para seus pais. (...) Mais que qualquer coisa, o Fugazi inspirou; eles mostraram que a arte podia prevalecer sobre o comércio." ALL MUSIC GUIDE
O ideal que rege o trabalho e a concepção de mundo do Fugazi praticamente resume o "Evangelho Indie" que brada "Independência ou Morte!": fuja do mainstream e das majors, funde tua própria gravadora (nesse caso, a já lendária Dischord), venda seus discos a 10 mangos e seus ingressos a 5, dê entrevistas quilométricas para zinões toscos de fundo de quintal enquanto levanta o dedo médio pra Rolling Stone e pra NME, e nunca se esqueça de denunciar toda a podridão que se esconde por trás do Esquema do Pop capitalista e da Sociedade do Espetáculo gerida pelas elites - uma indústria cultural ganancioso, fútil, burra, falsária e alienante (pra dizer o mínimo). Tudo aquilo que procure vincular a música à engrenagem perversa de multiplicação de capital, tudo o que tem a ver com fabricação de estrelas a serem amadas de joelhos nos altares do pop, tudo o que é feito tendo em vista o sucesso e aos bolsos cheios de verdinhas é absolutamente repudiado pelo Fugazi.
A salvação, não cansam de dizer eles, é a Independência ardentemente procurada e conquistada, o do-it-yourself, uma espécie de anarquismo comunista transposto para o punk rock e clama: D.I.Y or DIE! Podem ter certeza que esses caras nunca iriam assinar um contrato escravizante com a Warner Brothers ou Sony, nunca seriam anunciados como hype num Top Of The Pops, nem nunca iriam permitir que seus CDs ou shows custasse mais do que o proletariado pode pagar. Por tudo isso e muito mais, o Fugazi é hoje é matéria de lenda: uma das mais influentes, incendiárias e inspiradoras bandas dos anos 90, cuja música altamente virulenta e empolgante encontra ampla ressonância na práxis concreta e na atitude política.
A Dischord, nascida para que o Teen Idles (antiga banda de Ian MacKaye) pudesse auto-lançar seu material, hoje já tem mais de 20 anos de idade e está devidamente consolidada como um pilar fundamental para o rock independente americano nas últimas décadas. "É difícil de imaginar onde milhares de bandas estariam hoje - Rage Against the Machine, Nirvana, Beastie Boys, Sleater-Kinney - se a Dischord não tivesse emergido no horizonte cultural nos anos 80", diz uma matéria na SALON. "Diferente de muitas gravadoras independentes, a Dischord não se comporta como um gravadora major em miniatura. Nenhuma das dezenas de bandas que lançaram discos com MacKaye o fez sob qualquer obrigação contractual com o selo. CDs, vinis e outros lançamentos recebem um preço congruente com os custos de produção e distribuição".Ou seja, a Dischord é quase uma empresa sem fins lucrativos atuando muito mais por devoção ao punk rock do que por ganância financeira. O próprio MacKaye esclarece: "um aspecto dessa gravadora que resultou em nossa longevidade é que eu odeio a indústria de discos. Eu nunca quis possuir uma gravadora em si. Eu queria lançar discos e eu odiava tanto a indústria que não conseguia suportar a idéia de qualquer outra pessoa lançando os discos... pois eu nunca pude confiar neles." Uma boa amostra do que fez a gravadora nessas duas décadas de vida pode ser encontrado no BOX 20 Years Of Dischord, recentemente lançado nos EUA, que resume em 3 CDs o que de melhor foi gravado nos estúdios do selo.
Além dessa radical tomada de posição anti-capitalista, o Fugazi também é famoso por seguir e "propagandear" o estilo de vida Straight-Edge, filosofia prática que não deve ser familiar àqueles que não estão inteirados com os subterrâneos da cena punk, valendo a pena então dar uma clareada no seu significado: "Straight Edge" é, antes de mais nada, uma música do Minor Threat, a banda de hardcore que Ian MacKaye chefiava na segunda metade dos anos 80, música que serviu para batizar este "movimento comportamental" dentro da cena punk. Os mais fanáticos seguidores vêem nele muito mais do que uma modinha ou do que o nome de uma tribo urbana: para eles, Straight Edge é uma ideologia seguida com uma ortodoxia digna de um religioso fervoroso. Para os detratores, os punks straight-edge representam a parcela mais "puritana" e "moralista" dentre os punks, mas não há poucos que ressaltam o fato de que o straight-edge foi importante para provar que ser um punk, ao contrário do que dizem os reaças, conformistas e fascitóides em geral, não era sinônimo de ser imoral, violento ou vândalo mas, pelo contrário, incluía valores éticos como autonomia, autenticidade, auto-determinação, sensibilidade às desigualdades sociais, engajamento político contra os males do alcoolismo, da dieta carnívora e das políticas conservadoras.
A filosofia straight-edge solicita de seus seguidores que não consumam nenhuma droga (nem mesmo o álcool), que não se entreguem a relações sexuais casuais e promíscuas, que pensem com uma "mentalidade comunitária", que não se deixem nunca dominar pela violência e pelo vandalismo, dentre outros preceitos. Há até mesmo aqueles que se pronunciam convictos vegetarianos (a sub-seita vegan é forte dentro do universo straight-edge). Apesar de haver uma série de bandas underground que se dizem straight-edge, o Fugazi e o Minor Threat permanecerão sempre como as duas bandas-símbolo do movimento e Ian MacKaye, queira ou não, como o messias dessa religião laica...
Não é difícil de simpatizar com a banda só por isso que ficou dito, e não foram poucos os que manifestaram sua empatia com a luta fugaziana (Kurt Cobain, por exemplo, declarou que muito admirava a "integridade" do Fugazi). Mas por enquanto ainda não saímos do domínio da política, do comportamento, da atitude frente ao capitalismo e à indústria cultural, e não chegamos ao que também interessa checar: a música. "Se a História for simpática com o Fugazi, os discos da banda não serão obscurecidos pela reputação e métodos de trabalho deles", diz a bio da banda na AMG. É uma pena o fato da banda ser mais célebre pela ideologia indie ortodoxa e pelo modo-de-vida straight-edge do que pela própria música que fazem.As mitologias que circulam por aí sobre os membros da banda beiram a lenda folclórica e acabam desviando a atenção pra longe do som: "Uma vez que a banda não dava entrevistas para publicações grandes, alguns jornalistas foram deixados livres para improvisar e optaram por tomar licença criativa. As fofocas entre a base de fãs era igualmente imaginativa. De fato, alguns dos caras que iam aos shows poderiam se surpreender de ver a banda chegar aos locais em vans, e não num comboio de camelos. Aqueles que falavam com membros da banda ficavam surpreendidos de ouvir que eles viviam em casas - e não em monastérios - com calefação funcionando... e que suas dietas não eram estritamente à base de arroz", diz o bem-humorado cara da AMG.
Pois bem: os fatos, depois dos mitos. A banda começou sua caminhada em 1987, na capital americana Washington D.C.c, formada das ruínas de algumas bandas importantes na consolidação do hardcore e do emocore americano. Do Minor Threat, banda de breve carreira que é hoje considerada uma das mais importantes da história do hardcore (lado a lado com os Dead Kennedys, o Husker Du, o Discharge...), saiu o vocalista Ian McKaye. Do Rites Of Spring, o guitarrista e vocalista Guy Picciotto. Foram complementados pelo baixista Joe Lally e pelo baterista Brendan Canty. Através dos anos 90 e 00, lançaram (sempre via Dischord) os seguintes álbuns: 13 Songs (que reúne os dois primeiros EPs lançados pela banda, o auto-entitulado de 1988 e o Margin Walker de 1989), Repeater (1990), Steady Diet Of Nothing (1991), In On The Kill Taker (1993), Red Medicine (1995), Instrument (trilha-sonora, 1998), End Hits (1999) e The Argument (2001). Após o fim da banda, McKaye e sua esposa formaram o duo The Evens, com dois álbuns lançados.



domingo, 22 de maio de 2011
<<< I Have Not Sold Myself to God! >>>
Depois de mudar para uma Nova York borbulhante em 1967, indo morar no célebre Chelsea Hotel (onde Sid Vicious daria a facada fatal em sua namorada groupie Nancy Spungen), virou amiga do pessoal do Television, viu o Velvet Underground nascer, se integrou nos experimentos de Andy Warhol e conheceu seu amigo Robert Mapplethorpe, que se tornou seu fotógrafo oficial.Começou a declamar poesia com fundo musical já em 1971, meia dúzia de anos antes de se tornar uma das figuras cult mais peculiares da cena que rodeava o CBGBs. Estando no camarote de uma cultura rock cheia de acontecimentos, escreveu como crítica musical para revistas como Creem e Rolling Stone. Publicou Seventh Heaven, primeiro livrinho de poesias, e começou a fazer leituras em igrejas na Baixa Manhattan. Logo o amigo e crítico de rock Lenny Kaye (editor da coleta Nuggets) começou a acompanhá-la com uma guitarra – a junção de rock e poesia começava a dar forma ao que viria a ser o The Patti Smith Group. Em 1974 já lançava seu primeiro single independente, que continha uma versão de “Hey Joe” de Jimi Hendrix e a incrível revolta poética de “Piss Factory”.

Produzido por John Cale, Horses, o disco de estréia de Patti Smith, vinha recheado de frescor e originalidade – era uma das primeiras vezes na história que o mundo via surgir uma garota tão ousada, original e arrojada, que vinha para reescrever para sempre as regras sobre o que as mulheres podiam ou não fazer no rock. Debbie Harrie, Courney Love, PJ Harvey, AniDiFranco e Liz Phair, sem falar no movimento riot grrrl inteiro, são discípulas que devem honras às realizações dessa grande iconoclasta. “A vocalista combinou o poder da florescente cena punk de Nova York com as narrativas aventureiras dos poetas beat de São Francisco, criando um som verdadeiramente único e cuja influência viria a ser notada em grupos como os Talking Heads ou R.E.M.” (1000 Discos Para Ouvir Antes de Morrer)
Apesar de ser uma artista de ultra-vanguarda, perita em artes plásticas e literatura, que realizava em suas palavras um mundo poético extremamente idiossincrático, Patti Smith tinha também dentro de si uma garotinha bêbada de sonhos em relação à glória no mundo pop. Dizem que Patti Smith tencionava “agarrar a coroa que lentamente ia deslizando da cabeça dos Stones, que nem Iggy Pop nem Lou Reed haviam conseguido agarrar com vigor suficiente. O único pretendente, como Patti Smith disse a William Burroughs em 1979, era o Bowie, mas ele não era americano” (ASSANTE). Ela só explodiria nas paradas em 1978, com o hit “Because the Night” (composto em conjunto com Bruce Springsteen), do brilhante álbum Easter. Mas aí, depois de ter influenciado o movimento punk e ter se tornado uma grande rock star, “começou a perceber que o rock não era o paraíso mas o inferno – era corrupto, mercenário e impuro como o resto do mundo. O rock não ia aperfeiçoar o mundo – iria somente explorá-lo para faturar dólares.” Casou-se com o já falecido guitarrista do MC5, Fred “Sonic” Smith, com quem teve dois filhos, e pareceu ter substituído o sonho do rock and roll por um sonho mais modesto de recolhimento familiar e cautelosas ressurreições, sempre com álbuns muito relevantes.

"horses" + "hey joe":
lendo poesia:
c/ a criançada:
sábado, 2 de outubro de 2010
:: NOFX ::

domingo, 22 de agosto de 2010
:: Jello Biafra and the Guantanamo School of Medicine ::
Here's to fear
'Nother circus election year
Clown-didates pretend they're human beings
Here's the ads
We vote and someone wins
That's all we're allowed to really change
(Tradução livre: Um brinde ao cagaço / Mais um ano elegendo um palhaço / Candibobos fingindo que são seres humanos / Chegou a propaganda / A gente vota e um outro manda / É só isso que nos deixam mudar)
E por aí vai...
E aí, vamo?
DOWNLOAD: 82 Mb - 9 faixassegunda-feira, 2 de novembro de 2009
:: Sleater-Kinney For Dummies ::

por Eduardo Carli
Como não amar um punk rock tão empolgante e inflamado, cantado e tocado com uma emoção tão autêntica, turbinado com militância política e comentário social, e que ainda por cima é fruto de três garotas tão irresistivelmente cool? Desde o dia em que pela primeira vez ouvi "You're No Rock and Roll Fun" (um
dos meus pet-sounds eternos para um air guitar e um karaokê-esganiçado no chuveiro...), desde a noite em que a melodia de "Little Babies" me deu uma insônia dos diabos por ser tão malditamente inesquecível, desde os momentos em que o crescendo e a catarse absurdos de "Step Aside" me lembraram de que o rock'n'roll é capaz de nos arrancar lágrimas, desde... bem, desde muito tempo atrás que eu guardo esta bandaça como uma das mais queridas de todas as que já conheci.Nasceram em Olympia, Washington, na Costa do Pacífico, Noroeste dos EUA - cidade já celebrada pelo Rancid numa grande canção de ...And Out Come The Wolves. A princípio, foram uma banda restrita à cena riot grlll, rotulada com a reducionista etiqueta de "punk feminista", na onda do Bikini Kill e seus clones. Mas, a partir de Dig Me Out (1997), o primeiro dos clássicos, provaram ser algo bem mais colossal do que o feminismo e o punk - simplesmente, uma das grandes bandas de rock da América. A revista SPIN, por exemplo, não teve pudores de elegê-lo um dos 40 álbuns da década de 90 (merecidamente). Flertando com a new wave, com o grunge, com a Motown, lançaram mais um punhado de álbuns sensacionais: The Hot Rock e All Hands All The Bad One, clássicos modestos, e One Beat e The Woods, clássicos estrondosos. Em 2005, depois de conquistada uma fama considerável (estavam abrindo shows do Pearl Jam e aparecendo na TV nos David Lettermans da vida), declararam um hiato por tempo indefinido. Enquanto aguardamos, torcendo, o retorno de uma das mais apaixonantes bandas destas duas últimas décadas, é tempo de passear pelos 7 álbuns que as meninas nos deixaram (presentaços)...
Choque-se [shock yourself!] ao notar que um mero power trio (e de "menininhas"!) fabrica uma sonzeira de tão alta voltagem que ganha adjetivos como "colossal" e "monumental" na boca de críticos e fãs. Surpreenda-se notando que nem sente a falta de um contra-baixo na receita, tão certeiros, espertos e criativos são os riffs, licks e pirações da genial Carrie Browstein (recentemente eleita uma das 12 melhores guitarristas-de-calcinha da história do rock). Sinta calafrios na espinha com os gritos primais e as melodias doces e os blues anfetaminados que Corin Tucker, uma das mais comovedoras vozes femininas já a dar o ar de sua graça em disco, tira de seu abençoado gogó. Admire em êxtase enquanto a voz principal vai "transando" com a mais frágil e tímida cantoria de Carrie (The Hot Rock é quase um filme erótico-cult...), tudo ritmado pela batera-ciborgue e infalívelJanet Weiss.
Trago aqui uma coletinha - Sleater-Kinney For Dummies - com 15 sons que considero essenciais para quem ainda não conhece esta preciosidade de banda: privilegiando as musiquetas mais grudentas e fáceis de amar-à-primeira-ouvida, de várias fases e tendências, desde o riot grll primário de "I Wanna Be Your Joey Ramone", do começo de carreira, até as tendências mais épicas/Led-Zeppelianas de One Beat e The Woods. E pra não dizer que tamos miguelando disco, vai aí, além do ...For Dummies, o resto da discografia das moças.
Voilà:
DOWNLOAD: http://www.mediafire.com/?xn2qfyt133y
2005 - The Woods
segunda-feira, 4 de maio de 2009
:: Riot Grlll - parte 01 - KATHLEEN HANNA ::

REBEL GIRRRRL
- Kathleen Hanna mistura punk rock, new wave e tecno tosco para espalhar seus protestos políticos e disseminar o feminismo -
por Eduardo Carli de Moraes
Kurt Cobain, que tanto fez para propagar as bandas pequenas que achava merecedoras de maior atenção (como os Pixies, os Vaselines ou os Meat Puppets), prestou homenagenam indireta à Kathleen Hanna ao escolher o título do maior hino da década. Conta a lenda que Hanna um dia pichou com spray vermelho na parece de Cobain uma gracinha que ele jamais esqueceu ("Kurt Smells Like Teen Spirit"). Ela se referia, na verdade, a um desodorante - o tal do "Espírito Adolescente" - mas acabou gerando uma expressão que Kurt deve ter adorado: feder à espírito adolescente. Quem diria que daí nasceria o grande hit nirvanesco, retrato de uma geração, muito bem batizado por esta pastora da seita punk que tanto fez pela "cena"!

Hanna, antes de transformar-se num dos lumiares do riot grlll e militante feminista, foi antes de mais nada uma fodida na vida: sempre mandada pro diretor no ginásio, por fazer zona ou por ser pega usando drogas, foi obrigada a pagar um aborto, na adolescência, com grana arrancada de um trampo no McDonalds. Ela mesma confessa que, quando adolescente, só queria saber de três coisas: ir a shows (de punk e reggae), fumar maconha e ficar bêbada. Poderia também dizer: "brincar de mudar o mundo - e o maligno american-way-of-life - empunhando um microfone e berrando punk-rock". E vejam só o simbolismo: ela faz aniversário no mesmo dia - 12 de Novembro - que Gandhi e Charles Manson! O que (ela brinca...) talvez explique como ela pode ser, ao mesmo tempo, uma militante política pacifista e uma completa psicopata berrante ("Maybe this explains my freakishly dualistic, hot-headed, Scorpio personality", explicou ela na sua mini auto-bio digital).
O Bikini Kill lançou apenas dois álbuns de estúdio ('Pussywhipped' [94] e 'Reject All American' [96]) e duas coletâneas ('The CD Version of the First Two Records' [92] e 'The Singles' [98]) antes de encerrar suas atividades em 1997. Como introdução ao universo barulhento e estridente da banda, o álbum 'The Singles' talvez seja a melhor pedida, reunindo as músicas mais clássicas (incluindo "Rebel Girl", "Anti-Pleasure Dissertation" e "I Like Fucking") em um disquinho rápido de 9 faixas, algumas delas produzidas por Joan Jett.
Após o fim do Bikini Kill, Kathleen assumiu seu alter-ego Julie Ruin e gravou o tosquérrimo álbum homônimo em 1998, onde tocava quase todos os instrumentos (mesmo sem ter muita noção de como fazer isso) e começava a experimentar com eletrônica caseira. Na hora de sair em turnê, precisava arranjar uma banda de apoio para acompanhá-la e foram chamados Johanna Fateman e Sadie Benning. Ao invés de prosseguir com seu alter-ego, Hanna resolveu parir uma nova banda. Estava formado o Le Tigre.O primeiro disco, lançado em 1999 pela gravadora comandada por Hanna (a Mr. Lady), é uma belezura de disco new wave conjugado com experimentos toscos com eletrônica. Fazendo uso de samplers, sintetizadores e bateria eletrônica, e misturando isso com a simplicidade tradicional dos power chords e riffões básicos do punk, a banda criou um mini-clássico do lo-fi moderno. É o tipo de disco que parece ter sido gravado num dormitório de garota equipado com alguns equipamentos baratos. É a velha idéia punk: você num precisa ter milhares de dólares na mão pra ir prum puta estúdio bem equipado, pagando um produtor renomado no mercado, comprando Fenders, Gibsons e amplificadores do tamanho de caminhões pra fazer sua música. Uma idéia na cabeça, uma vontade irreprimível de se expressar, e um pouco (bem pouco mesmo) de apetrechos técnicos (que nem é necessário saber operar direito) já é o bastante.
Certamente o Le Tigre não é pra todos os gostos: há quem irá falar mal só porque é simples, caseirão e não tem "virtuosidade" musical. É verdade que essas garotas não manjam nada de teoria musical e de escalas e arpejos e modos gregos e modulações e o caralho. E Kathleen também não está nem um pouco interessada naquilo que costuma se chamar de "cantar bem" (no sentido Elton John da coisa). Mas e daí? Precisa? "Nós favorecemos a expressão simples do pensamento complexo", ouve-se em "Slideshow At Free University", e é esse o caminho de Hanna. Pra que complicar as coisas? A "música em si" não é o que importa. E um berro desafinado dado com emoção vale mais do que uma performance vocal perfeita e afinada que é pura ostentação exibicionista.
A banda possui uma grande diversidade temática e muitos "links" - é a música-punk da Era Digital, enfim. Em "Hot Topic", música que dispara referências pra todos os lados, a banda vai enumerando toda uma série de heroínas do feminismo e do "rock feminino" (incluindo Yoko Ono, The Slits, Sleater-Kinney, Cibo Matto, The Butchies e mais uma pá de gente que nunca ouvi falar). Em "What's Yr Take on Cassavettes?" colocam em questão a genialidade ou não de um dos heróis do cinema independente americano (John Cassavettes). "The Empty" traz uma certa insatisfação com a lógica mainstream da música pop atual, com "as estrelas entrando e saindo dos automóveis e nós continuando a nos perguntar quando vamos sentir algo real":
And we keep wondering when we're gonna feel something real
Keep waiting for a Santa that'll never come
A real party not just for people who're faking fun.
But everything gets erased before it's even said
And all that glitters isn't gold when inside it's dead.
"Deceptacon" é a mais bikini-killesca do disco, com o seu maravilhoso refrão nonsense ("Who took the bomp from the bompalompalomp? / Who took the ram from the ramalamadingdong?") e uma série de provocações a um certo personagem roqueiro vazio ("Your lyrics are as dumb as the linoleum floor") e que não enxerga a política nas letras hannianas ("Let me hear you depoliticize my rhyme"). Em "Let's Run", deliciosa tosqueira new-wave, Hanna declara-se a fim de espalhar sua demência ("I wanna spread my dementia / I wanna knock it off the line / Give me attention / Every day and every night...") com seu tradicional vocal nervoso e estridente.
Dançante e punky ao mesmo tempo, divertido e militante em iguais doses, transpirando vitalidade e espírito independente, esse disco é uma das inúmeras provas de que a mulherada rocker está muito viva. É provável que Hanna nunca venha a atingir de novo o grau de visceralidade punk do Bikini Kill, mas o Le Tigre continua expandindo seu legado com respeitabilidade. Não só musicamente falando, já que Hanna transcende o próprio domínio da música: é ativista política, zineira, dona de gravadora, pacifista, anti-Bushista, nova-yorkina moradora das proximidades do antigo WTC, sempre colocando a música a serviço de suas espertíssimas críticas sócio-político-culturais.
Atualmente, com todo o legado do riot grrrrl espalhado pelos anos 90 e 00, só mentalidades superficiais e restritas ao que é imposto pela mídia mainstream podem acreditar que as mulheres na música se restringem a ninfetas siliconadas e fabricadas ao estilo de Britney Spears - e suas dúzias de clones. Kathleen Hanna é um dentre muitos exemplos de garotas que pegaram em armas - ou empunharam microfones e guitarras - para criar alternativas e protestar contra a "bosta do jeito capitalista-cristão de fazer as coisas", como diz o próprio Manifesto de Hanna (cujos trechos notáveis compartilhamos na sequência).
we know that life is much more than physical survival and are patently aware that the punk rock "you can do anything" idea is crucial to the coming angry grrrl rock revolution which seeks to save the psychic and cultural lives of girls and women everywhere, according to their own terms, not ours.
The Singles
http://www.mediafire.com/?ndmmfmg0iom
The CD Version Of The First 2 Recordshttp://www.mediafire.com/?au3ncxg0nyy
Reject All Americanhttp://www.mediafire.com/?m1wwniqdzuy
Pussy Whipped
http://www.mediafire.com/?jbmrfcetyyx
Le Tigre - 1999http://www.mediafire.com/?gzqzwrdtuzv
Feminist Sweapstakes - 2001
http://www.mediafire.com/?mtgnihmtmmz
This Island - 2004
http://www.mediafire.com/?yfzzjgzvzmw
LEIA MAIS: Kathleen Hannah por ela mesma - Wikipedia - Hanna fala sobre seu aborto em matéria para o SALON - Entrevista na INDEX Magazine - Bio - Treta com Courtney Love - Ms Magazine - Fan Page.
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