sexta-feira, 21 de junho de 2013

UM MILHÃO NAS RUAS - Reflexões e Palpites sobre as Manifestações no Brasil em Junho de 2013


"As gotas só contam quando não se pode mais contá-las."
ELIAS CANETTI em Massa e Poder

1 MILHÃO NAS RUAS

- Vomitado sobre o papel, no calor da hora,
em um só jorro, em 21/06/13... -

"A violência estrutural não se reduz a uma inadequada distribuição dos recursos disponíveis que impede a satisfação das necessidades básicas das maiorias; a violência estrutural supõe, além disso, um ordenamento dessa desigualdade opressiva, mediante uma legislação que ampara os mecanismos de distribuição social da riqueza e estabelece uma força coercitiva para fazê-los respeit
ar. O sistema fecha assim o ciclo de violência justificando e protegendo aquelas estruturas que privilegiam as minorias à custa dos demais." - MARTIN BARÓ (apud OLIVEIRA ; MARTINS, 2007, p. 92)

VIOLÊNCIA ESTRUTURAL ou VANDALISMO SISTÊMICO  - Uma das declarações mais interessantes de Notícias de Uma Guerra Particular, o excelente documentário de J.M. Salles e Kátia Lund, é do policial do BOPE Rodrigo Pimentel (o “protótipo” do Capitão Nascimento de Tropa de Elite e co-autor de Elite da Tropa): ele diz que a única parte do Estado que sobe o morro é a polícia. No Rio, por exemplo, são cerca 2 milhões de cariocas vivendo nas favelas, com péssimas condições de moradia, sem acesso a saúde decente nem educação de qualidade, que só conhecem uma face do aparelho estatal: a repressora. 

Para estas populações ditas “periféricas” (apesar de serem uma multidão que ultrapassa em número a população de países inteiros...), a cara do Estado é o Caveirão do BOPE, que sobe o morro para seguir os ditames dos dirigentes da Guerra às Drogas. Sob o pretexto de ir à caça de traficantes, que muitas vezes vendem substâncias erroneamente rotuladas de "entorpecentes' ("ei, polícia, maconha é uma delícia!"), o Estado arreganha os dentes e diz: pra vocês, só oferecemos a morte; nossos agentes estatais estão autorizados a metralhar geral aqueles que são demonizados como se fossem gente da pior laia, quando é óbvio que o Estado manda soldados armados até os dentes para coibir o comércio de substâncias cuja demanda provêm de todos os cantos da sociedade. Também se cheira pó e se fumam baseados a rodo em Copabacana e Ipanema... Trata-se de substâncias que milhões querem consumir: um mercado gigantesco desse tipo não se extingue pela coerção e a Guerra às Drogas é cada vez mais uma escancarado fracasso.

No processo de tentar liquidar o tráfico destas substâncias, instaura-se uma guerra civil nas periferias: o Estado militarizado contra seus cidadãos mais “humilhados e ofendidos”, que às vezes não acham emprego melhor do que o altamente rentável mundo das substâncias ilícitas. O cinema brasileiro, com os clássicos de Fernando Meirelles e José Padilha (Cidade de Deus, Ônibus 174, os dois Tropas de Elite), levou ao mainstream o conhecimento do vandalismo sistêmico que as forças policiais operam nas periferias, recebendo em troca um contra-ataque violento. Quem planta sangue colhe sangue. E dá-lhe balas perdidas, os “efeitos colaterais” necessários desta política, em que morrem crianças, velhos, mulheres, jovens, homens – que muitas vezes não tinham nada com isso. 

Para estas populações humilhadas e ofendidas, a quem não se fornecem serviços públicos dignos em tempos neoliberais de privatização generalizada, o Estado é essencialmente isso: polícia + cadeia. A isso chamam "Ordem"; esta é a Lei que pedem que seja respeitada. Claro que milhões, vivendo em tais condições, jamais aprenderam a “amar sua cidade” ou “honrar a cidadania”, já que do Estado só conhecem o complexo policial-carcerário - para eles não há nada de “respeitável” numa prefeitura ou numa assembleia legislativa. Aqueles que ali trabalham são privilegiados que criam leis e políticas públicas que favorecem seus interesses privados; preferem investir bilhões em estádios de futebol, "pra inglês ver", ao invés de dar vida digna aos brasileiros que estão largados na sarjeta e vitimados dia-a-dia pela depredação que o sistema capitalista impõe aos milhões que ele segrega para as margens. Dá pra se surpreender, portanto, com as múltiplas cenas de combate entre civis e policiais que temos visto explodindo neste Junho de 2013 no Brasil? 

O aparato policial representa uma violência sistêmica e cotidiana que o Estado faz estas populações padecerem. Como se surpreender quando estes que são cotidianamente esculachados pela polícia no morro descem para o asfalto e começam a vandalizar os edifícios públicos? Estes edifícios não são nada para eles senão símbolo de opressão. Mais que símbolo, talvez: são as fortalezas onde se escondem alguns ricaços que não querem resolver a questão da miséria, mas mandam seus soldadinhos, armados até os dentes, para oprimirem e reprimirem os levantes ditados pela miséria, pela insatisfação existencial, pela fúria daqueles que têm recusados seus direitos mais básicos e vivem desprovidos do necessário, ao mesmo tempo que testemunham outros se esbaldando com o supérfluo e acumulando tesouros bilionários...

A violência não nasce com os "vândalos": como diz o Martin Baró, na frase da epígrafe, há uma violência estrutural, do próprio sistema capitalista, que desperta a fúria e a vendeta de suas vítimas. O capitalismo, que Florestan Fernandes dizia ser um sistema "intrinsecamente perverso", não sobrevive a não ser a partir da exploração daqueles que, pisoteados, acumulam a fúria que um dia acaba por se levantar - muitas vezes sem eficácia - contra as fortalezas e bunkers do capital encastelado...

A PEQUENEZ MESQUINHA DA “GRANDE” MÍDIA – A imprensa tem tomado boas cacetadas durante os últimos protestos. Os sete repórteres da Folha de São Paulo que foram feridos com balas de borracha durante a ação da P.M. de Alckmin, na repressão à manifestação do dia 13, foram um caso surpreendente de “virada” na cobertura. Quando tiveram profissionais feridos na frente de batalha, Folha e Estadão começaram a criticar a truculência policial, sendo que na véspera a elogiavam em prol da Ordem... Quanto às TVs, vimos arderem em chamas os carros de cobertura de grandes emissoras, como o SBT e a Record, que junto com a Globo e o resto da trupe são agentes da imbecilização e do torpor da consciência popular. Zapeando pela TV, nesta manhã do dia 21/06, vi um âncora de telejornal advogar, no SBT, a volta das Forças Armadas às ruas para acabar com a baderna.

 Eis um triste retrato de boa parte de nossa mídia, que repete ad nauseam as cenas de vandalismo e depredação, mas é incapaz de dar voz às reivindicações múltiplas que estão na rua. Que este movimento não seja dotado de coerência, nem tenha uma causa única, não é razão para a mídia se demitir da tarefa de oferecer um quadro desta multiplicidade, ao invés de fazer o tosco elogio da brutalidade militar que re-estabelece a normalidade. A normalidade é um acinte: no estado normal das coisas, neste planeta, uma criança morre de fome a cada 5 segundos. E as florestas vão sendo devastadas na velô alucinante de vários campos de futebol por dia.

Esta mídia que se faz saudosa da ditadura quando um mísero carrinho pega fogo me dá náuseas: eis aí o chorôrô sentimentalóide de mega-corporações do ramo das comunicações, que faturam milhões de lucros todos os meses (lembremos de Chomsky: quem os paga é a propaganda de outras empresas!), e que agora reclamam soluções totalitárias e fascistas quando alguns manifestantes mandam seu recado em forma de fogo.

Se eu aprovo essa violência contra a mídia? Em primeiro lugar, acho que convêm distinguir entre vários modos de violência: nenhum manifestante assassinou ou pôs fogo em nenhum membro da imprensa, mas sim sobre um amontoado de matéria inorgânica. Violência contra um carro, este amontoado de aço incapaz de sentir dor, é bem diferente de violência contra pessoas da imprensa, seres sencientes e sofrentes. De resto, acho muito simbólico que a TV exiba para todos os seus telespectadores as ações da sua oposição... Agora o público todo sabe que há quem odeie a Globo, o SBT, a Band, a Record etc. a ponto de desejar ver estes carros reduzidos a cinzas. Tanta fúria não tem nada de “gratuita”, como alguns na mídia querem dizer, mas é uma resposta a uma violentação sistêmica e cotidiana que a mídia realiza com suas coberturas parciais, com suas defesas de um Estado policialesco, com seus louvores ao “rigor” da PM no trato com os “vândalos”... Torço mais é pros Datenas desse mundo seguirem levando nabos no rabo.



INSTINTO ANTI-CAPITALISTA ARDENDO
– São poucos aqueles capazes de ler Marx, decifrar um texto tão rico em análises econômicas e interpretações históricas, mas isso não impede muitos de serem instintivamente anti-capitalistas, não a partir de conclusões da razão, mas de emanações viscerais do sentimento. Em outros termos: vemos nas ruas muitos daqueles que são chamados de "vândalos" que não tem o mínimo respeito pela propriedade privada como o capitalismo quer ver sacralizada; muitos que, expulsos do mundo do consumo, além de cotidianamente instigados pelo marketing a desejar participar dele, e que não perdem a chance de poder, um dia na vida, "fazer a festa" dentro das Lojas Americanas...

Não vejo nenhum anti-capitalismo organizado, doutrinário, partidarizado; mas sim um anti-capitalismo que brota do instinto, que vem de uma repulsa meio impensada contra este mundinho-do-cão dos bancos e das mega-corporações. O "monumento" da Coca Cola arde na Avenida Paulista: isso não é só vandalismo, é expressão de insatisfação contra os rumos de nossa situação neo-colonizada!

Nas ruas, penso eu, estamos vendo uma repulsa que nasce das vísceras diante do capitalismo. Nos últimos protestos, vimos muitas agências bancárias sendo depredadas com selvageria. Outra coisa muito simbólica! Uma parcela dos manifestante compreende muito bem, ainda que de maneira confusa, que os bancos são um dos elementos fundamentais no Sistema que produz, no mundo todo, esta extrema desigualdade de renda. Não devemos nos deixar enganar pelas aparências: os milhões que ganham salário mínimo e os gatos-pingados que são bilionários podem até ter contas no mesmo banco, mas os bancos são instituições radicalmente e constitucionalmente anti-democráticas, anti-igualitárias, já que permitem que quantidades colossais de capital se concentrem em poucas mãos. 

Antigamente, podemos imaginar, antes de surgirem os bancos, que a solução para aqueles que juntavam riquezas eram esconder seu tesouro, do jeito que pudessem - cavando um buraco e pondo-o debaixo da terra, por exemplo. Depois, com a criação dos cofres privados, estes tesouros puderam ser trancados com mais segurança detrás de fortalezas de aço. Os bancos são o último estágio nesta evolução na lógica do entesouramento privado de capital. Que o Itaú e o Santander etc. tenham algumas de suas agências destruídas, seus vidros estilhaçados, representa danos muito pequenos para estas mega-corporações. É um arranhão. Mas ao menos é prova de que tem muita gente no Brasil que, similarmente a muitos manifestantes do Occupy Wall Street, já começou a perceber o vínculo entre os bancos, a especulação financeira, a concentração de renda, de um lado, e o estado de miséria em que está jogada boa parte da população. ..


O BRAÇO ARMADO DA BURGUESIA
– Assistir a cobertura das TVs chega a ser enojante após algumas horas, tão repetitivos os discursos: são sempre “confrontos” entre Polícia e Manifestantes, sendo que estes últimos são quase sempre apelidados de vândalos, depredadores e gentinha de mau-caráter. Falta à polícia uma consciência de classe mais lúcida: falta aos policiais perceberem que seu emprego consiste basicamente em ser o braço armado do capital, defendendo proprietários, milionários e latifúndios, de modo a conservar o status quo como ele é hoje – isto é, radicalmente desigual. Mas a pequenez da grande mídia é tamanha que eles só enxergam, em seu olhar estreito, o presente mais imediato: desejam que a Ordem retorne, que a normalidade se re-estabeleça, e para isso clamam por polícia “rigorosa” contra os vândalos.

Cada vez fica mais claro pra mim, porém, que o aumento do rigor repressivo só vai exacerbar o ímpeto depredativo daqueles que sofrem estas violências policiais. Por que a mídia não ousa sequer colocar a hipótese de que o gás lacrimogêneo e as bombas de borracha sejam uma das causas do comportamento de destruição por parte dos manifestantes? A polícia age com extrema violência e quer que os manifestantes sejam pacifistas? O Estado se arroga o “monopólio da violência legítima” e deseja que as vítimas de sua violência institucionalizada se calem, se submetam, se tornem Gandhianos? Isso é de um irrealismo crasso. Um Estado que lança-se contra seus cidadãos com a força militar dos batalhões de Choque, que comete muitas violências contra a liberdade de manifestação e expressão, prepara para si estas miríades de vendetas que estivemos assistindo pelas ruas.

A única solução que vejo para o fim da violência é lidar com um problema sistêmico que se arrasta por décadas no Brasil (e em tantos outros países do mundo): a desigualdade social, a concentração de renda e de terra. Sem reforma agrária e sem distribuição das riquezas, iremos em direção a uma barbárie cada vez mais obscena. Enquanto coexistirem na mesma sociedade os mega-ricos encastelados em seus bunkers e as multidões de favelados amontoados em seus barros, esperem guerra.

Por que a mídia dita “grande”, em sua pequenez, não ousa colocar a questão que um manifestante tão sagazmente fez em um cartaz: “Por que não existe salário máximo?” As pessoas que existem por trás das fardas policiais teriam que acordar para o fato de que elas são pagas pelos ricos para manterem os pobres sob controle e que a isto se dá o nome eufemístico de “Políticas de Segurança Pública”...

Quando os Estados estão a serviço do grande capital, quando os políticos governam para cumprir promessas de campanha que fizeram a empresários, quando grandes bancos e empreiteiras tem mais voz no Estado do que o próprio povo que deveria estar ali representado, quando as desigualdades extremadas na distribuição das riquezas fazem conviver, no interior do território nacional, uma Bélgica e uma Etiópia, só é possível sustentar esta iniquidade insustentável através da coerção. Vista sob esta perspectiva, a polícia é o braço armado dos detentores de capital, e não serve para nos proteger mas para perpetuar o capitalismo selvagem que suga lucros da miséria, segrega milhões para a insatisfação existencial e prepara, com isso, situações de convulsão social como essas que estamos vivenciando.

Se há razões para ter medo de que vozes se levantem a favor de uma militarização crescente para retornar a sociedade ao que chamam de Ordem, há também razões para crer que este sistema está exacerbando as contradições que o levarão a fraturas irremediáveis: talvez o capitalismo esteja engendrando processos globais que o transformarão em seu próprio coveiro.

PERPLEXIDADE E SUSPENSE – São estes os dois afetos que me dominam, no momento: perplexidade e assombro pela irrupção um tanto inesperada destas gigantescas manifestações populares, as maiores no país desde o Fora Collor; e suspense apreensivo pelos desdobramentos disso. Quem poderia imaginar que este Junho de 2013 se tornaria, no Brasil, uma espécie de Maio de 1968 (guardadas as devidas especificidades)? Vimos a estrondosa força das massas obrigarem governos a recuarem os aumentos das tarifas de ônibus em quase todas as cidades onde o movimento ganhou as ruas. Apesar de muita bomba de gás, bala de borracha e tropa de choque, o movimento não se intimidou: ao contrário, quanto mais repressão chegava por parte da polícia, era como se mais indignação fosse lançando lenha na fogueira do movimento popular. Os 10, 20 ou 30 centavos que foram conquistados na real representam uma demonstração empolgante do potencial de pressão que uma massa organizada e ousada pode forçar os governos a ouvir. 

O Brasil está aprendendo que, se o povo quiser, consegue tirar Renan Canalheiros da presidência do Senado; consegue arrancar Feliciânus da Comissão de Direitos Humanos; consegue varrer do mapa Marconi Perillo Cachoeira do governo de Goiás; consegue afastar as Motoserras ruralistas e as cusparadas sobre os direitos indígenas perpetrados pelo neo-desenvolvimentismo; consegue até mesmo tacar pedras na engrenagem que quer erguer, com ecocídios e etnocídios brutais, a hidrelétrica de Belo Monte no seio verde e devastado da Amazônia...

O Brasil se tornou, de repente, um país onde os olhares do mundo todo estão focados. Copa do Mundo e Olimpíadas são iminentes e, para surpresa dos políticos que esperavam um povo submisso e cabisbaixo, “o gigante acordou”. O país, enfim, saiu do marasmo, da letargia, da apatia. Muita gente que não se sente representada pelos políticos que estão aí, pelos gastos com eventos esportivos enquanto mais de 12 milhões de brasileiros passam fome, pela ascensão do fanatismo religioso e sua tentativa de atentado contra o Estado Laico, pela mesquinharia de políticos que usam seus cargos para enriquecimento privado e cagam em cima do bem público, multidões de insatisfeitos e indignados foram às ruas e tiveram a coragem de ter voz. Mesmo debaixo de bala de borracha e gás lacrimogêneo. 

As multidões subitamente perderam o medo de exigirem que sejam ouvidas. Subiram no teto do Congresso Nacional, como que para dizer que aquele prédio não deveria ser uma fortaleza inexpugnável, inacessível aos reles mortais, como os castelos medievais, mas um prédio a serviço do povo e suas demandas. Ademais, nem só de insatisfações e revoltas se fazem estas gigantescas marchas: as depredações e vandalizações são feitas por minorias; as maiorias, me parece, estão descobrindo as delícias cívicas de pertencer a uma massa que pode fazer a diferença. Cada indivíduo sente seu poder aumentado, seu conatus spinozista elevado em sua potência, quando soma-se a outros e de gota transforma-se em rio, e de muitos rios transforma-se em mar...

Alguns estão ridicularizando o fato de alguns protestos estarem virando “micaretas”, em que as pessoas parecem estar na balada, tirando fotinhas de si mesmas para postarem no Feice ou no Orkut... Tendência que era de se esperar da classe média imbecilizada pela mídia e seu jato contínuo de besteirol. Mas não sejamos muito carrancudos: política também é celebração, também é festa, também é o povo em deleite com sua própria capacidade de articulação, organização e mutação! Não é só com coquetel molotov e depredações que se faz uma revolução: como diz Emma Goldman, “se eu não puder dançar, não é minha revolução!” Diante destes mares de gente que fluem hoje Brasil afora, não consigo evitar uma comoção como poucas vezes senti diante dessas inesperadas irrupções de união. E, como diz Elias Cannetti num trecho de Massa e Poder que acho lindo, “as gotas só contam quando não se pode mais contá-las...”




Rage Against the Machine
"Killing in the Name"
Clipe com cenas do doc A Servidão Moderna

Ricardo Boechat exalta as manifestações populares

domingo, 9 de junho de 2013

Especial NIRVANA: discografia completa + clipes + 50 discos prediletos de K Cobain...


DISCOGRAFIA COMPLETA (OUÇA ON-LINE):
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VIDEO-CLIPES


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SHOWS COMPLETOS




Lista de "pet sounds", encontrada nos Diários de Kurt Cobain, em que ele revela seus 50 discos prediletos. Confiram aí (com alguns links para ouvir os álbuns na íntegra):
  1. Stooges – Raw Power 
  2. Pixies – Surfer Rosa
  3. Breeders – POD 
  4. Vaselines – Pink EP
  5. Shaggs – Philosophy Of The World
  6. Fang – Land Shark
  7. M.D.C. – Millions Of Dead Cops
  8. Scratch Acid – Primeiro EP
  9. Saccharin Trust – Primeiro EP
  10. Butthole Surfers – Pee Pee The Sailor
  11. Black Flag – My War
  12. Bad Brains – Rock For Light 
  13. Gang Of Four – Entertainment 
  14. Sex Pistols – Nevermind The Bollocks
  15. Frogs – It’s Only Right And Natural
  16. P.J. Harvey – Dry
  17. Sonic Youth – Daydream Nation
  18. The Knack – Get The Knack
  19. The Saints – Know Your Product
  20. Kleenex – “Qualquer disco deles”
  21. Raincoats – Raincoats
  22. Young Marble Giants – Colossal Youth
  23. Aerosmith – Rocks
  24. What Is This? – Coletânea de punk da California
  25. R.E.M. – Green
  26. Shonen Knife – Burning Farm Cassette
  27. Slits – Typical Girls
  28. The Clash – Combat Rock
  29. Void / Faith – Void / Faith EP
  30. Rites Of Spring – Rites Of Spring
  31. Beat Happening – Jamboree
  32. Tales Of Terror – Tales Of Terror
  33. Leadbelly – Last Sessions Vol. 1
  34. Mudhoney – Superfuzz Bigmuff
  35. Daniel Johnston – Yip Jump Music
  36. Flipper – Generic Flipper
  37. The Beatles – Meet The Beatles
  38. Half Japanese – We Are Those Who Ache Amorous Love
  39. Butthole Surfers – Locust Abort Technician
  40. Black Flag – Damaged
  41. Fear – The Record
  42. PiL – Flowers Of Romance
  43. Public Enemy – Takes A Nation Of Millions To Hold Us Back
  44. Marine Girls – Beach Party
  45. David Bowie – The Man Who Sold The World
  46. Wipers – Is This Real?
  47. Wipers – Youth Of America
  48. Wipers – Over The Edge
  49. Mazzy Star – Mazzy Star
  50. Swans – Raping A Slave

quarta-feira, 5 de junho de 2013

“Art should comfort the disturbed and disturb the comfortable.” ― Banksy


Com a palavra… BANKSY:

“Graffiti is one of the few tools you have if you have almost nothing. And even if you don’t come up with a picture to cure world poverty you can make someone smile while they’re having a piss.”

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“The greatest crimes in the world are not committed by people breaking the rules but by people following the rules. It’s people who follow orders that drop bombs and massacre villages…”

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“The thing I hate the most about advertising is that it attracts all the bright, creative and ambitious young people, leaving us mainly with the slow and self-obsessed to become our artists.. Modern art is a disaster area. Never in the field of human history has so much been used by so many to say so little.”

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“Imagine a city where graffiti wasn’t illegal, a city where everybody could draw whatever they liked. Where every street was awash with a million colours and little phrases. Where standing at a bus stop was never boring. A city that felt like a party where everyone was invited, not just the estate agents and barons of big business. Imagine a city like that and stop leaning against the wall - it’s wet.”

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“Art should comfort the disturbed and disturb the comfortable.”

― Banksy

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“Exit through the gift shop”


“…um dos mais fascinantes filmes sobre arte já realizados” - segundo o OMELETE

Outros documentários: Depredando - La Revolucion Es Ahora - Doc Verdade

segunda-feira, 27 de maio de 2013

REBELDES COM CAUSA: THE CLASH (DISCOGRAFIA + SHOWS COMPLETOS + DOCUMENTÁRIO "WESTWAY TO THE WORLD")

 

Em homenagem a uma das mais fodásticas bandas inglesas da história do punk-rock, aí vai um pacotão THE CLASH. Inclui: discografia completa (pra ouvir on-line ou baixar), um punhado de shows inteiros pra ver no Youtube e o documentário "Westway to the World", na íntegra e legendado em português (de cabo a rabo!). Siga viagem... 

The Sex Pistols may have been the first British punk rock band, but the Clash were the definitive British punk rockers. Where the Pistols were nihilistic, the Clash were fiery and idealistic, charged with righteousness and a leftist political ideology. From the outset, the band was more musically adventurous, expanding its hard rock & roll with reggae, dub, and rockabilly among other roots musics. Furthermore, they were blessed with two exceptional songwriters in Joe Strummer and Mick Jones, each with a distinctive voice and style. The Clash copped heavily from classic outlaw imagery, positioning themselves as rebels with a cause. As a result, they won a passionately devoted following on both sides of the Atlantic. While they became rock & roll heroes in the U.K., second only to The Jam in terms of popularity, it took the Clash several years to break into the American market, and when they finally did in 1982, they imploded several months later. Though the Clash never became the superstars they always threatened to become, they restored passion and protest to rock & roll. For a while, they really did seem like "the only band that mattered." - Stephen Thomas Erlewine (AMG All Music Guide)

DISCOGRAFIA COMPLETA:

Ou baixe 12 CDs em um torrent
(MP3 de 192kps, 1 GB)

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 SHOWS COMPLETOS:
"Westway to the World", documentário completo sobre a história do The Clash, 
legendado em português (1h 20min)

domingo, 26 de maio de 2013

A Revolução Verde Em Marcha: reflexões sobre a Marcha da Maconha e o movimento global em prol da legalização da cannabis!


A REVOLUÇÃO VERDE EM MARCHA!

A luz verde marcha pelas cidades, desfila na frente de universidades e drogarias, de shoppings e prefeituras, de cara limpa e na maior paz, disseminando informação e consciência enquanto dança e canta ao som de Raul Seixas, O Rappa, Manu Chao, Planet Hemp... É a luz verde que acende-se nos corações para peitar o farol vermelho todo manchado de sangue! Fervilhando pelas ruas, vão os dionisíacos maconheiros, demandando com uma mescla de revolta indignada e triunfante festa: 

"Dilma! Rousseff! Legaliza o beck!"; "Se a erva legalizar, olê-olê-olá... eu vou plantar!"; "Fumo proibido: traficante agradecido!"... dentre outras pérolas do slogan genuinamente popular. Enquanto marcha o verde, a tensão está no ar, já que há forças inimigas que espreitam, com seus revólveres no coldre, seus cassetetes e bombas de gás que saltam tão fácil sobre o corpo dos "desordeiros", dos "inimigos da Lei e da Ordem"...

Alegremente, sabendo que não vale a pena brigar com os carrancudos com a mesma soturna rigidez que eles demonstram, manda a trupe herbácea o aviso pros "hômi-de-farda": "Ei, polícia, maconha é uma delícia!". É um meio de dizer, através do humor e da provocação, que afinal de contas maconha não é nenhum bicho de sete cabeças - e pode até mesmo, se legalizada e tratada sem histeria, ser uma dispensadora de amplos benefícios, uma dádiva da Terra para nossas mentes...

Hoje em dia um movimento internacional vem colorindo de verde as ruas para escancarar o absurdo desperdício - de dinheiro público e de vidas humanas - acarretado pela Guerra às Drogas, em especial a estupidez descomunal da guerra empreendida contra a maconha, ou melhor, contra as pessoas que a plantam, a comercializam e a consomem. "Adivinha, Doutor, quem tá de volta na praça?" A esquadrilha da fumaça! Mas não a fumaça de que gosta o capitalismo - a fumaça das indústrias que vomitam seus poluentes na atmosfera e das armas de guerra a lançar seus mísseis e a provocar seus incêndios mortíferos que queimam civis e crianças... - mas a fumaça que deixa a "mente ativa" e que, para usar a expressão do B Negão, "passa de mono pra estéreo a tua compreensão"...


Em Goiânia, a Marcha Maconheira 2013 foi linda, excitante, barulhenta, diversificada... (Veja o vídeo) Pelo menos 2.000 pessoas estavam lá para o rolê que, saindo da Praça Universitária, atravessou a Rua 10 e encheu de verde a Praça Cívica iluminada por uma Lua cheíssima. A "causa" cannábica foi conectada com muitas outras: a feminista (hoje em dia bombando com a "Marcha das Vadias"...), a causa do Estado laico (hoje em dia ameaçadíssimo por Feliânus e Malafaias, dentre outros salafrários...), a causa anti-manicomial (hoje em dia na crista da onda com a instauração das "internações compulsórias para usuários de crack"...). 

Além disso, os problemas locais não foram negligenciados e a Marcha da Maconha Goiânia 2013 pôde dar seu recado sobre muitos temas de relevância para o goiano: o aumento abusivo das tarifas do transporte público; as alterações no Plano Diretor que ameaçam destruir o meio ambiente em prol do grande trator do capital corporativo; o governo todo roído por vermes de Marconi Perillo, tucano cachoeirista que, no ano passado, quando reveladas as tramóias em que se meteu, viu a juventude sair às ruas em consideráveis marchas "Fora Marconi" - algumas delas com mais de 5 mil participantes...

Debaixo de uma Lua cheia que não conhece nenhuma lei humana, que segue em sua órbita em total desprezo por quaisquer ditames, A.I.s ou dogmas que humanos tentem lhe impor, Goiânia marchou em prol de leis mais sábias. E marchou de cabeça erguida, com muita gente já convicta de que a vitória não tarda e que não há Lei neste mundo que vá impedir esta erva de prosseguir brotando por mil recantos deste planeta...

Contra o machismo que estupra e mata, contra os pastores fanáticos que só sabem condenar os "comportamentos desviantes", contra os militares broncos que querem resolver tudo no tiro, contra os vendedores de drogas bem mais perigosas do que a erva, e que se interessam mais por seu lucro do que pela saúde de um povo... Contra esses, marchamos! Em prol de um mundo mais verde, com menos motosserras e hiper-mercados, onde cada um tenha o direito de consumir - não as geringonças e quinquilharias que o capitalismo põe no mercado... - mas aquilo que cada um sente lhe ajudar a melhor "vislumbrar o infinito" e melhor perceber-se como parte do todo, capaz de conexão e soma.



Marcha das Vadias, São Paulo, Maio de 2013. Veja mais fotos.
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A Marcha da Maconha brasileira, ano-a-ano, tem insistido em tentar convencer a opinião pública brasileira do fracasso absoluto da atual política pública em relação às drogas, um tema que já foi muito bem exposto por ótimos filmes como "Cortina de Fumaça""Quebrando o Tabu""Notícias de uma Guerra Particular""Dançando com o Demônio", "Grass" - pra ficar só nos documentários.

O proibicionismo é uma política surgida nos EUA no século XX e que, pela primeira vez na história, pôs fora-da-lei a produção, a venda e o consumo de uma planta que havia sido perfeitamente legal por mais de 30 séculos - ou melhor, que nunca antes havia sido estigmatizada, demonizada outlawed. 

Por um lado, o proibicionismo yankee fede à xenofobia e preconceito racial: a marijuana era a substância de predileção dos negros, dos mexicanos, dos porto-riquenhos, e criminalizá-la era um meio de controle destas populações empobrecidas e exploradas, quase um pretexto para encarcerar aqueles que, pela cor de sua pele, seu sotaque excêntrico ou seu estranho local de origem eram considerados como elementos potencialmente perigosos.

Além disso, sabe-se do papel das grandes corporações do ramo da indústria têxtil em prol da criminalização do cânhamo, já que a fibra do hemp é muito melhor do que algodão e nylon e sua legalização acarretaria uma catástrofe para os lucros destas empresas. Tanto que William Randolph Hearst, o cidadão Kane, magnata da mídia e ultra-capitalista egocêntrico, tratou de caluniar e denegrir a imagem da maconha na opinião pública tendo em vista seus mesquinhos interesses pecuniários. Cuzão!

A cada dia se torna mais claro que o proibicionismo só serve aos interesses sórdidos daqueles que estão no negócio do encarceramento em massa de cidadãos; só serve às empresas do ramo de bebidas e de cigarro, cujo produto gera mais morte e mais doença em 1 ano do que a maconha causou em 3 milênios, e que perderiam largas fatias de lucro caso a maconha fosse legalizada; que o proibicionismo é amigo dos mega-traficantes e dos trustes do narcotráfico, com tudo o que isso acarreta de policiais, políticos e juízes aceitando propinas e vendendo favores; e, é claro, o proibicionismo é resquício de uma mentalidade ditatorial e militarzóide, que tem como ideal uma política onde mandam militares broncos que pensam poder resolver qualquer problema na bala, e que desejam se fazer necessários ao perpetuar as guerras... E, last but not least, a política proibicionista só agrada aos membros do governo, do empresariado e da mídia que desejam nossas mentes cativas, manipuláveis, encharcadas de besteirol, governáveis, eles que tem tudo a perder com a expansão da consciência coletiva que a legalização da cannabis poderia acarretar...

Marcha da Maconha em Brasília, 2012. Veja o álbum de fotos com várias marchas, incluindo Rio, Sampa, B.H., Goiânia, Salvador, Porto Alegre, dentre outras cidades...


A Marcha da Maconha convida jovialmente os proibicionistas, os repressores radicais que desejam "exterminar" estes viciosos sem-vergonhas e moralmente corruptos que são os maconheiros: em lugar de tanta bala, tanta cadeia e tanta repressão, porque não pensar em leis mais sábias? Aliás, é suspeita antiga minha que a grande maioria dos proibicionistas nunca fumou um beck, ou ao menos não tragou, o que merece uma paráfrase da excelente idéia de Terence McKenna (originalmente sobre o LSD): "A maconha é uma substância capaz de produzir efeitos psicóticos e paranóicos intensos naqueles que não a utilizaram."

Afinal, seriam da mesma opinião os senhores proibicionistas se tivessem de fato experimentado  e pesquisado concretamente os efeitos da substância? Não seria mais interessante, ao invés da perseguição belicista, uma atitude mais curiosa e inquiritiva, ou seja, fazer pesquisas científicas sérias, com pesquisadores e intelectuais bem pagos, sobre os potenciais benéficos e possíveis perigos desta planta? Por que não deixar os psicólogos, os antropólogos, os filósofos, os juristas, opinarem sobre a melhor maneira de lidar politicamente com uma erva tão amplamente utilizada e tão entusiasticamente aclamada por seus usuários? Por que não dar uma chance para um novo ciclo vegetal iniciar sua jornada legal sobre solo brasileiro, e por que não considerar a hipótese de que ele possa ser um dos pilares de uma sociedade menos nefasta, opressora e hierarquizada do que aquelas que se ergueram sobre o açúcar, o café e a pecuária?

"Se as palavras vida, liberdade e procura da felicidade não incluem o direito de experimentar com a própria consciência, então a Declaração de Independência não vale o cânhamo onde foi escrita." - Terence McKenna

O cânhamo, muito provavelmente, é a autêntica "planta do futuro": e quem não acordar pra isso vai ficar sendo parte do passado. O vasto leque de utilidades do cânhamo - que pode ser usado para fazer papel, roupa, combustível, remédio... - é sinal do quanto a estupidez do proibicionismo está nos privando de uma planta prodigiosamente benéfica em muitos domínios além da expansão da consciência e da "recreação" psicodélica. Quando a Era do Petróleo acabar (deste século não passa...), talvez a revolução verde agora em marcha torne-se não somente altamente desejável, mas absolutamente necessária. O tempo dirá! 

O Tempo, afinal de contas, já é velho conhecido e comparsa do cânhamo: eis uma planta que atravessou os milênios, não só sobrevivendo muito bem a todas as intempéries e desmatamentos, como também prestando múltiplos serviços aos humanos. O cânhamo está profundamente enraizado no passado humano, tendo participado ativamente da Invenção da Imprensa de Gutemberg e das Grandes Navegações pelas quais os europeus invadiram e pilharam a América; foi coadjuvante da Declaração de Independência dos Estados Unidos da América (que foi escrita em papel de cânhamo1), tendo sido cultivado em imensas fazendas por yankees de bufunfa grossa, chegando a ser um dos produtos agrícolas mais importantes do país, pau-a-pau com o milho e o algodão; sem falar que remédios derivados do cânhamo já foram onipresentes nas farmácias, sendo usados até pela Rainha da Inglaterra para minorar os efeitos de suas cólicas menstruais...

Além disso, mundo afora, e mais particularmente no Oriente, o cânhamo foi sacralizado por muitas culturas, consagrado em evangelhos, poemas e canções, tendo sido muito provavelmente um dos elementos importantes para a emergência histórica de vários cultos e religiões xamânicas, hinduístas, budistas, rastafaris, umbandísticas...


São milênios de usufruto e apenas décadas de repressão. Sagrada em muitas civilizações, a cannabis foi parte importante da nossa história, marcando ramos diversos da condição humana: a religião e o misticismo (ela é sagrada para os hindus da Índia, por exemplo, que em sua mitologia transformaram a maconha numa dádiva feita pelo deus Shiva à humanidade...); a criação artística e filosófica (quantas obras e quantas descobertas não foram auxiliadas pelas alterações de consciência desencadeadas pelo THC no cérebro humano?); a farmacologia e a medicina (a cannabis consta entre os remédios mais antigos e mais eficazes que o homo sapiens descobriu no imensamente bio-diverso reino da phýsis...). 

Mundo afora, este último aspecto - o potencial benéfico ou terapêutico da maconha - ganha progressiva credibilidade e comprovação científica. E em muitos países os benefícios da cannabis medicinal já podem ser usufruídos por milhões de pessoas que sofrem de AIDS, câncer, depressão, glaucoma ou dúzias de outras condições sobre as quais a maconha age de modo benéfico, por exemplo minorando os efeitos adversos da quimioterapia ou reabrindo um apetite de leão (vulgo "larica") naqueles fragilizados pela doença. Estados norte-americanos de peso, como Califórnia e Washington, e países inteiros, como a Holanda e o Uruguai sob a presidência de Mujica, já deram este passo à frente.

Quanto ao uso dito "recreativo", a maconha é a substância ilícita mais usada no planeta, a mais popular e a mais universal, e não cessa de espantar a bizarra situação histórica em que nos encontramos: apesar dos milhões de mortos, nas últimas décadas, por causa do cigarro e do álcool, estas substâncias são de comércio legal e protegidas por mega-corporações e governos a elas favoráveis, enquanto que a maconha, que jamais na história registrada causou uma única morte por overdose, prossegue ilegal - seu usuário criminalizado, seu plantio proscrito, sua comercialização reprimida, seus comerciantes encarcerados... 

A Guerra às Drogas não chegou nem perto de exterminar as substâncias alteradoras da percepção, mas conseguiu exterminar... pessoas: nos campos de batalha do Rio de Janeiro e de Bogotá, de Lima e da Cidade do México, os corpos sem vida de traficantes e policiais não cessam de cair. E não há de cessar tão cedo a sanguinolência e violência nos clashes entre as Cidades de Deus e os Caveirões da s Tropas-de-Elite caso a política proibicionista hoje em vigor prossiga. Com o proibicionismo, caminhamos para a catástrofe: penitenciárias super-lotadas, com condições de vida abomináveis, onde centenas de milhares de pessoas são trancafiadas não para qualquer tipo de "reeducação moral", mas sim para serem apresentadas a uma das facetas mais sórdidas e fascistas deste Sistema. Com a continuação da política proibicionista, o Brasil pode esperar novos Carandirus, novas Candelárias, novos escândalos para manchar nossa imagem e nossa história com seu sangue jorrante... 

E pra falar no dialeto "economiquês" tão apreciado pelos políticos que nos impõe o proibicionismo, eis um fato simples: é absurdo querer guerrear contra produtos cuja demanda, por parte da população, é gigante. Quando há uma demanda tão vasta, é óbvio que haverá uma oferta para supri-la. No excelente filme The Union - O Negócio Por Trás do Barato, o espectador conhece o gigantismo deste mercado e o quão irrealizável é o projeto de alguns proibicionistas radicais de aniquilá-lo por inteiro. Em outros termos: em um país como o nosso, onde pelo menos umas 5 milhões de pessoas (chutando muito baixo!) desejam consumir maconha, é absolutamente ridículo pretender extinguir este mercado a força de bala e de cadeia.

A demanda das massas pela maconha não cessou durante as décadas de brutalidade policial e ferocidade carcerária, mas, pelo contrário, só tendeu a se fortalecer e se disseminar. Imaginem um governo que tentasse banir de seu território o comércio de café, e que para isso lançasse na cadeia todas as pessoas que fossem pegas em flagrante delito de traficar café. Em breve não haveria mais lugar algum para novos presos. É o que dá quando se proíbe e criminaliza um comportamento amplamente disseminado, a despeito das leis, e quando se quer criminalizar algo que as pessoas continuarão comprando de qualquer jeito, mesmo que tenham que recorrer ao mercado clandestino.

 A Lei Seca americana, que quis proibir o álcool, foi um retumbante fracasso que gerou como subprodutos um mercado negro enorme e a proliferação de Al Capones e violências sanguinolentas mil. A História mostra a ineficácia de um sistema que lança na cadeia as pessoas quando estão comercializando produtos que elas desejam intensamente "consumir" e cujos benefícios desejam gozar. O proibicionismo está fadado ao fracasso recorrente pois ele se choca contra a vontade de milhões. E uma vontade coletiva, aliás, cada dia mais tenaz e organizada, cada dia mais triunfante e de cabeça erguida, cada dia reivindicando mais alto, nas ruas, um outro mundo possível. E onde haja mais luz verde!


quinta-feira, 23 de maio de 2013

"...a América que será protegida por uma enorme força militar não será a América do povo, mas aquela dos privilegiados; da classe que rouba e explora as massas e controla a sua vida, do berço ao túmulo." (Emma Goldman)




A MORTÍFERA LOUCURA DO BELICISMO
Texto de Emma Goldman (1869-1940)
Em "O indivíduo, a sociedade e o Estado"
(Ed. Hedra. Série Estudos Libertários.
Trad. Plínio Augusto Coelho.)


“Desprezo, arrogância e egoísmo são os três elementos fundamentais do patriotismo. Segundo a teoria do patriotismo, nosso globo seria dividido em pequenos territórios, cada um cercado por uma cerca metálica. Aqueles que têm a oportunidade de ter nascido em um território particular consideram-se mais virtuosos, mais nobres, maiores, mais inteligentes do que os que povoam outros países. É, pois, dever de todo habitante desse território lutar, matar e morrer para tentar impor sua superioridade a todos os outros. Os ocupantes dos outros territórios raciocinam do mesmo modo, evidentemente. Resultado: desde os seus primeiros anos, o espírito da criança é envenenado por autênticos relatos de terror concernentes aos alemães, franceses, italianos, russos etc. Quando a criança atinge a idade adulta, seu cérebro está completamente intoxicado…

“Necessitamos de um exército permanente para proteger o país contra uma invasão estrangeira”, afirmam nossos governantes. Todo homem e toda mulher inteligentes sabem, contudo, que se trata de um mito destinado a apavorar as pessoas crédulas e obrigá-las a obedecer. Como disse Carlyle, “a guerra é uma querela entre dois ladrões demasiado covardes para produzir seu próprio combate; é por isso que eles escolhem jovens egressos de vilarejos diferentes, põe-lhes um uniforme, dão-lhes um fuzil e soltam-nos como animais selvagens para que eles se entredestruam.”

Os norte-americanos dizem amar a paz. Parece que detestam verter sangue, que se opõem à violência. E, contudo, pulam de júbilo quando aprendem que máquinas voadoras poderão lançar bombas recheadas de dinamite sobre cidadãos sem defesa. Estão prontos a enforcar, eletrocutar ou linchar toda pessoa que, levada pela necessidade econômica, arriscar sua própria vida atentando contra a vida de um magnata industrial. Os corações inflam de orgulho ao pensar que a América se tornará a nação mais poderosa da Terra e que esmagará com suas botas as outras nações…

Ilustração do cartunista sírio Fahd Bahady

Toda a nossa civilização, toda a nossa cultura está concentrada na louca demanda de armas de destruição, se possível as mais aperfeiçoadas. "Munições! Munições! Ó Senhor, tu que reinas sobre a terra e os céus, tu, ó Deus do amor, da piedade e da justiça, concede-nos bastante munição para destruir nosso inimigo!" Tal é a oração que ascende ao céu cristão todos os dias.

Nos EUA, os chauvinistas e os especuladores belicistas não param de tartamudear slogans sentimentalistas de nacionalismo hipócrita: “A América de início, antes de tudo e sempre.” Milhões e milhões de dólares arrancados do suor e do sangue do povo serão gastos na compra de encouraçados e submarinos para o exército e a marinha, e isso tudo para proteger essa preciosa América. 

Esses discursos repletos de pathos dissimulam o fato de que a América que será protegida por uma enorme força militar não será a América do povo, mas aquela dos privilegiados; da classe que rouba e explora as massas e controla a sua vida, do berço ao túmulo. É patético que tão poucas pessoas deem-se conta de que a preparação militar nunca conduz à paz, mas leva direto ao massacre universal.

Durante a 1ª Guerra Mundial, a América enriqueceu-se fabricando toneladas de munições e emprestando dinheiro aos Aliados para ajudá-los a esmagar os prussianos. (…) Em nenhum lugar do mundo o capitalismo é tão desavergonhadamente ávido quando nos Estados Unidos, e em nenhum lugar o Estado está tão disposto a ajoelhar-se aos pés do capital.

Defender as instituições deste país (os EUA) é defender as instituições que protegem e apoiam um punhado de indivíduos para que eles roubem e pilhem as massas; instituições que sugam o sangue dos autóctones tanto quanto dos estrangeiros, e transformam-no em riquezas e poder; instituições que despojam cada imigrado da cultura original que levou consigo e impõem-lhe, em troca, esse americanismo barato, cuja única glória é a mediocridade e a arrogância.

Não se pode impor o militarismo a homens livres. É preciso ter à sua disposição escravos, autômatos, máquinas, criaturas obedientes e disciplinadas, que se deslocarão, agirão, matarão e dispararão sob as ordens de seus superiores. Eis em que resultará a preparação militar; nada além disso.

A preparação militar é como o grão de uma planta venenosa: uma vez plantada na terra, ela dará frutos envenenados. As massas europeias que combatiam nas trincheiras e nos campos de batalha não eram motivadas por um desejo profundo de fazer a guerra: o que as levou a ela foi a competição impiedosa entre ínfimas minorias de aproveitadores zelosos em desenvolver os equipamentos militares, exércitos mais eficazes, navios de guerra maiores, canhões de longo alcance…

O militarismo destrói os elementos mais sadios e mais produtivos de cada nação. Desperdiça a maior parte da renda nacional. O Estado não despende quase nada para o ensino, a arte, a literatura e a ciência em comparação com as somas consideráveis que consagra ao armamento. E é o suor e o sangue das massas que servem para nutrir o monstro insaciável do militarismo.

Ele se torna cada vez mais arrogante, agressivo, imbuído de sua importância. Para permanecer vivo, o militarismo necessita constantemente de energia suplementar; eis porque ele buscará sempre um inimigo ou, em sua ausência, criará um artificialmente. Ele só pode viver graças ao assassinato. 

A preparação militar encoraja a criação de grupos de interesses, que trabalham consciente e deliberadamente para aumentar a produção de armamentos e manter uma histeria belicista. Esse lobby inclui todos aqueles que estão engajados na fabricação e na venda de munições e equipamentos miliares com vistas a acumular ganhos e benefícios pessoais. Este truste incita à guerra para embolsar milhões de lucro no âmbito desse terrível mercado.

Não basta dizer-se neutro. Tal neutralidade é uma fraude, que só serve para cobrir com um véu hipócrita os crimes de outros países. Devemos denunciar os falsos valores, as instituições malfazejas e todas as atrocidades cometidas pela sociedade burguesa. Aqueles que estão conscientes da necessidade vital de participar de grandes lutas devem opor-se à preparação militar imposta pelo Estado e pelo capitalismo para a destruição das massas. Eles devem incitar as massas a derrubar simultaneamente o capitalismo e o Estado.”

"Se eu não posso dançar, não é minha revolução!"
(Emma Goldman)
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SIGA VIAGEM…
 
"Emma Gooldman: Uma mulher excessivamente perigosa"

Documentário completo e legendado em espanhol; produzido pela PBS em 2004 para a série American Experience; 1h25min; site oficial do filme.

terça-feira, 21 de maio de 2013

#Discografias Completas! [#02] JANIS JOPLIN


JANIS JOPLIN
(8 álbuns, 192 kps, 675 mb)

"The greatest white female rock singer of the 1960s, Janis Joplin was also a great blues singer, making her material her own with her wailing, raspy, supercharged emotional delivery. First rising to stardom as the frontwoman for San Francisco psychedelic band Big Brother & the Holding Company, she left the group in the late '60s for a brief and uneven (though commercially successful) career as a solo artist. Although she wasn't always supplied with the best material or most sympathetic musicians, her best recordings, with both Big Brother and on her own, are some of the most exciting performances of her era. She also did much to redefine the role of women in rock with her assertive, sexually forthright persona and raunchy, electrifying on-stage presence..." - Continue lendo @ AMG a Biografia e Discografia da Janis)
#Ouça on-line (álbuns completos) ou faça o download:
#Janis em Filme…
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Capa por Robert Crumb

"...o perspectivismo ameríndio começa pela afirmação: 'o outro existe, logo pensa'..." (Viveiros de Castro)


Palavras do brilhante antropólogo brasileiro Eduardo Viveiros de Castro
"Se Descartes nos ensinou, a nós modernos, a dizer 'eu penso, logo existo' - a dizer, portanto, que a única vida ou existência que consigo pensar como indubitável é a minha própria -, o perspectivismo ameríndio começa pela afirmação duplamente inversa: 'o outro existe, logo pensa'. E se esse que existe é outro, então seu pensamento é necessariamente outro que o meu. Quem sabe até deva concluir que, se penso, então também sou um outro. Pois só o outro pensa, só é interessante o pensamento enquanto potência de alteridade. O que seria uma boa definição da antropologia. E também uma boa definição da antropofagia, no sentido que este termo recebeu em certo alto momento do pensamento brasileiro, aquele representado pela genial e enigmática figura de Oswald de Andrade: 'Só me interessa o que não é meu. Lei do homem. Lei do antropófago.' Lei do antropólogo." VIVEIROS DE CASTRO. Encontros. Azougue Editorial, 254 pgs, R$29,90. Compre o livro na Livraria Cultura.Saiba mais.
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Abaixo, assista à palestra "A Morte Como Ritual", 
no Café Filosófico da TV Cultura, na íntegra (46 min): 

#Discografias Completas! [#01] JIMI HENDRIX



#Discografias! [#01]
JIMI HENDRIX
(Seattle 1942 - Londres 1970)

Baixar discografia básica (600 MEGA)
ou completa (com 19 álbuns - 2.60 GB).

TOP 5:


  • ARE YOU EXPERIENCED? (1967)
  • AXIS: BOLD AS LOVE (1967)
  • ELECTRIC LADYLAND (1968)
  • BAND OF GYPSYS (1970)
  • BLUES (coletânea, 1996)


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Brasileirada! (Coletânea de Música Brazuca - 14ª Edição...)

Um rolê sonoro multifacetado pela música brasileira de várias eras: a cyber-fitinha começa com Rita Lee & Tutti Frutti (bandaça pós-Mutantes de Lovely Rita, aquela que dá de 10 na Ritalina!). Depois a K7-do-cacete segue adiante com Apanhador Só (em uma das mais joviais cantigas do disco de estréia dos gaúchos…), pega uma carona num Funk Como Le Gusta, passa por novos talentos da música indie brasileira (Maglore, Far From Alaska...) e vai embora… Suba o volume, aperte play e boa viagem!

01) RITA LEE & TUTTI FRUTTI, “Pirataria”
02) APANHADOR SÓ, “Vila do Meio Dia”
 03) FUNK COMO LE GUSTA, “Motéis”
04) MAGLORE, “Tão Além”
05) FAR FROM ALASKA, “Mama”
06) CASA DAS MÁQUINAS, “Cantem Esse Som Com a Gente”
07) CAMISA DE VÊNUS, “Eu Não Matei Joana D’arc”
08) THEE BUTCHERS ORCHESTRA, “Got Me In a Hook”
09) PROT(O) - “Encarando a Face do Mal”
10) GRAVEOLA & O LIXO POLIFÔNICO, “Babulina’s Trip”
11) WALDI & REDSON, “Trêta Timbrêra”
12) CÉU, “10 Contados”.

terça-feira, 14 de maio de 2013

Chegou o 15º Festival Bananada!!! (Em Goiânia, de 13 a 19 de Maio...)


É, macacada: nos próximos dias, em Goiânia, não vai faltar banana! A 15ª edição anual consecutiva do festival Bananada, patrocinado pela Petrobrás e produzido pela Construtora, traz uma semana de intensa efervescência cultural à capital goiana. Vão rolar cerca de 50 shows, incluindo duas atrações internacionais: Brendan Bendon (comparsa de Jack White no The Racounteurs e um dos mais talentosos cantores-compositores de power-pop e indie-rock melódico da atualidade) e o stoner-rock apunkalhado do Mondo Generator (banda do carequinha porralouca Nick Oliveri, ex-Queens of The Stone Age, famoso por ter ido em cana ao tocar peladão em uma de suas passagens pelo Brasil).

Dentre as atrações nacionais, muitos destaques, dentre os quais: o grunge gaúcho dos Walverdes, a estrondosa guitarrice garageira do Amp, a florida MPB da Tulipa, a festança ska esfuziante do Fusile (que já encantou o público de Goiânia em uma edição do Vaca Amarela), a orquestra guitarrística dos Camarones, a espetacular revelação do rock de Natal Far From Alaska - banda que mereceu uma matéria só dela lá no site dos trutas, A Gambiarra. Além disso, o cenário de Goiânia Rock City vai poder mostrar toda sua diversidade e força com shows de algumas das principais bandas da cidade: Black Drawing Chalks, Cambriana, Hellbenders, MQN, Johnny Suxxx, Cherry Devil, Gloom, Rollin' Chamas, Aurora Rules, Dry... e por aí vai!

Além disso, vai rolar festival de gastronomia, exposição de arte, debates e palestras (UnConvention). "Tudo isso no já consagrado formato “Quanto Vale o Show?”, no qual o público paga o valor que acha justo para ver os shows, entre 5 e 100 reais." Acesse o site oficial e confira a programação completa.

Brendan Benson, atração internacional do Bananada 2013

The Raconteurs, banda que Brendan Benson integrou junto com Jack White: 
confira um show completo.


PRINCIPAIS ATRAÇÕES - BANANADA 2013


14 DE MAIO (TERÇA-FEIRA)

Centro Cultura UFG (Praça Universitária)
19h30 – BRUNA MENDEZ
20h15 – GLOOM
21h00 – TULIPA RUIZ

16 DE MAIO (QUINTA-FEIRA)
Diablo Pub
00h – OVERFUZZ
01h – AMP
Toda a noite: MARCELLE VAZ (dj set)

17 DE MAIO (SEXTA-FEIRA)

Centro Cultural Oscar Niemeyer
18h – NUVENS INVISÍVEIS (Palco Esplanada)
18h30 – DRY (Palácio da Música)
19h – CHERRY DEVIL (Palco Esplanada)
19h30 – DI BIGODE (Palácio da Música)
20h10 – UH LA LÁ! (Palco Esplanada)
20h50 – FAR FROM LASKA (Palácio da Música)
21h30 – MQN (Palco Esplanada)
22h10 – WALVERDES (Palácio da Música)
23h15 – BLACK DRAWING CHALKS (Palácio da Música)
00h30 – MONDO GENERATOR (Palácio da Música)
Pista Ambiente: PABLO KOSSA (dj set) / FRANÇOIS CALIL (dj set)

18 DE MAIO (SÁBADO)

Centro Cultural Oscar Niemeyer
18h – BOOGARINS (palco esplanada)
18h30 – VALENTINA (palácio da música)
19h – JOHNNY SUXXX AND THE FUCKIN' BOYS (palco esplanada)
19h30 – MEDIALUNAS (palácio da música)
20h10 – SINGLE PARENTS (palco esplanada)
20h50 – CAMARONES ORQUESTRA GUITARRÍSTICA (palácio da música)
21h30 – ROLLIN' CHAMAS (palco esplanada)
22h10 – FUSILE (palácio da música)
23h15 – CAMBRIANA (palácio da música)
00h30 – BRENDAN BENSON (palácio da música)
Pista Ambiente: LUCAS MANGA (dj set) / FREDY Xistecê (dj set)

19 DE MAIO (DOMINGO)

Centro Cultural Oscar Niemeyer
17h – AURORA RULES
17h50 – GIRLIE HELL
18h40 – KAMURA
19h30 – ELMA
20h20 – MUGO
21h10 – HELLBENDERS
Pista Ambiente: RENATÃO (dj set) / ROBSÃO (dj set)


Programação completa: http://festivalbananada.com/