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segunda-feira, 19 de novembro de 2012

"Rock'n'roll Ain't Noise Pollution..." (Coletânea - Volume #01)



Que o rock and roll não é mera poluição sonora o AC/DC já cantava mais de 30 anos atrás, no encerramento do crássico Back in Black. Com desenfreado otimismo, os alucinados australianos profetizavam até que ele, o ruidoso tinhoso, "nunca vai morrer" ("it's never gonna die!"). Pra que vocês julguem por si próprios sobre a vitalidade atual do dito cujo, esta série de coletâneas que aqui se inicia trará só material roqueiro do novo século. A idéia é agregar na mesma "caixinha de música digital" alguns dos mais poderosos, furibundos, expressivos, catárticos e memoráveis róques destes jovens anos 2000. Viajem  neste Volume 01 em sons provindos principalmente do Canadá (Black Mountain, Japandroids, Arcade Fire...) e dos EUA (Yeah Yeah Yeahs, Blitzen Trapper, Juliette and the Licks, Them Crooked Vultures...), mas com um pit-stop bizarro no Japão (!) do Boris.  Sem mais papo furado, subam o som pro talo e... boa viagem!
TABLE OF CONTENTS >>>
01) THEM CROOKED VULTURES, "New Fang"
02) JAPANDROIDS, "The Nights of Wine and Roses"
03) BEN HARPER, "Black Rain"
04) BLACK MOUNTAIN, "Roller Coaster"
05) JULIETTE & THE LICKS, "Hot Kiss"
06) PEARL JAM, "State of Love and Trust"
07) ARCADE FIRE, "Keep the Car Running"
08) BLITZEN TRAPPER, "Gold for Bread"
09) BORIS, "Dyna-Soar"
10) YEAH YEAH YEAHS, "Date With the Night"

domingo, 4 de setembro de 2011

<<< Depredando, a Mixtape... volume 8 >>>

Black Mountain

Povo! MIXTAPE novinha em folha saindo do forno! Tem um hippie'n'roll garageiro dilícia para alegrar os cabeludos ("The Hair Song", do Black Mountain) e muito material para agradar aos estradeiros e easy-riders: como "Travelin' Band", com o Creedence pisando fundo numa de suas músicas mais quinta-marcha. 



Siga viagem na poesia de Bob Dylan, circa-Highway 61 Revisited, sendo cantada em ritmo de garage-rock pela charmosa Karen O, vocalista dos Yeah Yeah Yeahs... um primor! Esta vem da trilha sonora de I'm Not There, o filme de Todd Haynes que biografa surrealiza a vida de Mr. Robert Zimmermann. Depois aproveite pra correr dos hômi junto de Mick Jones, que aparece aqui reclamando punkmente contra a repressão policial no clássico do Clash "Police On My Back" (que aparece em versão ao vivo no Shea Stadium, aquele mesmo que acolheu tantos espetáculos-de-massa bombadaços durante a beatlemania). 

Na sequência tem dobradinha entre Mestres e Discípulos: quem leva adiante a "fitinha" (deixemos de "mixtape", que é muito americanismo!), no pós-Clash, é o Rancid. Neste som, Tim Armstrong, Lars Frederiksen e companhia moicanada fazem uma crônica social a respeito dos "Hooligans". Mais uma naquela veia ska-punk que, além de ter rendido "Time Bomb" e "Ruby Soho", ajuda a fazer do Life Won't Wait (1998) algo como o London Calling de outra geração (esta, que nasceu mais ou menos de 1980 pra frente...).


Tem ainda um clássico velocípede de Hendrix ("Crosstown Traffic", petardo do Electric Ladyland), uma soulzera maria-gasolina com Wilson Pickett (quem lembra do The Commitments, o filme?), uma funkeira que é quase sincretismo religioso com o Funkadelic, e um groove branquelo à la Television com os Strokes da melhor fase, reptilianamente mandando ver. (qual a melhor fase? Pra mim, ali do Is This It até o meio do Room On Fire, época em que os crédulos ainda acreditavam que eles seriam, enfim, a tão propalada quimera de jornalistinha de música, a "Salvação do Rock"...).

O Brasil? Desta vez, representado com só uma banda: os mineiros do Fusile, uma das melhores bandas ao vivo hoje-em-dia, os caras que fizeram com o Coconut Revolution um dos EPs mais duravelmente empolgantes do rock brasileiro recente. Esta é uma mescla linguística de inglês e espanhol (tal como Black Francis, nos Pixies, os belorizontinos adoram a sonoridade do castelhano...) e versa sobre um grande dilema da condição humana: descobrir-se sem dinheiro para pagar a conta depois de ter enchido a cara num pub.

Curtam ae!

* * * * *


Grande parte dos sons abaixo eu rolei @Metrópolisretrô, pub de Goiânia, durante a Pré-Festa do 10º Festival Vaca Amarela. No próximo fim-de-semana, ouso dizer que não existe nada acontecendo no Brasil, culturalmente falando, de tão interessante quanto a 10ª edição anual consecutiva do Vaca: serão 48 bandas em 3 dias de festa, do hardcore ao brega, da MPB cabeça ao heavy metal, do rap ao pop e deste ao punk... Sem falar nas Artes Integradas e nas muitas Devassas geladas, que também prometem fazer a alegria de muita gente que comparecer. Sou testemunha ocular de que Fósforo Cultural e parceiros estão em intenso processo de maquinação para fazer deste o melhor Vaca Amarela de todos os tempos - e tomara que o décimo seja só um degrau que conduz ao vigésimo! Quem estiver pela capital goiana entre os dias 09 e 11 de Setembro, pois, não deixe de conferir o 10º Vaca Amarela - no Centro Cultural Martim Cererê, R$ 20 o dia na Sexta e no Sábado, R$10 o antecipado para o Domingão; a partir das 18h na Sexta e no Sábado e a partir das 15h no Domingo. Menores de 16 anos só entram acompanhados. Os ingressos são limitados: 2.000 entradas por dia. Garanta o seu na Hocus Pocus, Ambiente Skate Shop ou Fábrica Cultura Coletiva. Hey ho?! LET'S GO!

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DEPREDANDO, A MIXTAPE
[VOLUME NÚMERO 8, Setembro '11]
Capa: Léger remixado
DOWNLOAD GRATUITO (75 MB)


01. BLACK MOUNTAIN - The Hair Song (Wilderness Heart) (3:54)
02. KAREN O - Highway 61 Revisited (I'm Not There OST) (3:58)
03. ROLLING STONES - All Down The Line (Exile On Main Street) (3:47)
04. THE CLASH - Police On My Back (Live At Shea Stadium) (3:28)
05. STROKES - Reptilia (Room On Fire) (3:41)
06. RANCID - Hooligans (Life Won't Wait) (2:32)
07. CREEDENCE CLEARWATER REVIVAL - Travelin' Band (Cosmo's Factory) (2:07)
08. YEAH YEAH YEAHS - Gold Lion (Show Your Bones) (3:09)
09. FUSILE - No Puedo Pagar (A Step Behind to Lose) (2:06)
10. FUNKADELIC - Who Says A Funk Band Can't Play Rock?! (One Nation) (6:18)
11. WILSON PICKETT - Mustang Sally (soul classic) (3:05)
12. HENDRIX - Crosstown Traffic (Electric Ladyland) (2:24)

Dissemine e Semeie: http://www.mediafire.com/?ppbm7ixgc5gkt3r !

quarta-feira, 13 de abril de 2011

<<< Graveyard (Suécia, 2011) >>>


- Socorro! Agora o Depredando entrou na onda do heavy metal nórdico?!?

Calma, leitor, que não é nada disso. O Graveyard tem nome metaleiro clichezento (que mania de Cemitério, Tumba e Podridão tem esse povo!) e vem lá da Suécia, antro onde o culto ao tinhoso corre solto a cargo de bandas-anticristo como Candlemass, Entombed, In Flames, Marduk, Hammerfall, Meshuggah e Arch Enemy (a mina de vocal mais truculento de toda a Escandinávia!). Lembro bem que minhas Rock Brigades e Roadie Crews, hoje pegando mofo no fundo da gaveta, não paravam de louvar as barulheiras do capeta que os cabeludos suecos exportavam. A pátria de Bergman, também neste quesito, mostra ser uma terra de contrastes, pois também de lá, em radical oposição aos blacks e death metaleiros, provêm muito popzinho inofensivo, bubblegum e feminil: Cardigans, Abba, Roxxete...


O Graveyard, banda da Nova Onda do rock sueco, foi uma grata surpresa para mim, que dei o primeiro play já com o sarcasmo preparado para disparar contra mais um bando de metidos a diabólicos urrando como ogros. Tive a boca calada --- e o entusiasmo despertado --- por um stoner rock primoroso que honra a escola Cream-Led Zeppelin-Deep Purple-AC/DC-Black Sabbath, pra falar dos clássicos, mas também os mais obscuros Blue Cheer e Mountain. Os vocais, bem mais interessantes que a média no mundo gutural ou falsetístico do rock pesado, chegam a lembrar Captain Beefheart, Robert Plant, Ian Gillian, John Garcia (Kyuss), até mesmo uma pitadinha de Janis...

Já o esperado virtuosismo técnico marca presença, mas sem punhetagens maçantes: com muita pegada e feeling, a banda fez neste Hisingon Blues um discaço de heavy-blues-rock-retrô, que põe os caras junto de outras bandaças dos últimos anos que enveredaram bonito por estas densas e barulhentas sendas: caso dos canadenses do Black Mountain e dos nossos Black Drawing Chalks.

Graveyard é peso e psicodelia, retrô e futurista, torpor e anfetamina... um discaço do novo rock sueco e uma das melhores bolachas de 2011. Depredem seus orelhões com este barulho fino!


[ 192kps - 90 mb - link na nossa comuna do facebook ]

domingo, 5 de dezembro de 2010

<<< 10 de 2010: nossas bolachas prediletas do ano >>>


#09

BLACK MOUNTAIN
"Wilderness Heart"


"In their heart of hearts, Black Mountain are really just peaceful hippies, but ones who aren't afraid to deploy heavy artillery to assert and protect their way of living" - PITCHFORK


"The children are havin' their fun with the blues". Este verso de "The Hair Song", um dos mais empolgantes singles já lançados pelo Black Mountain, serve como um bom cartão de visitas para o som dessas lisérgicas "crianças" canadenses. Mas o blues surge aqui não em seu estado primordial, como era nos tempos em que faziam-se pactos com Satanás na encruzilhada e Robert Johnson só tinha um violãozinho puído para acompanhar seus queixumes.  

O blues, em sua versão-Black Mountain, é algo como um navegante inter-estelar que pousa em 2010 depois de ter atravessado a psicodelia hippie dos 60, o metal-de-raiz dos 70,  o grunge dos 90 e o stoner-de-garagem dos últimos anos. Matematizando a coisa, eu arriscaria dizer que a banda é o resultado da soma Led Zeppelin + Soundgarden, Howlin' Wolf + Queens of the Stone Age, Black Sabbath + Black Rebel Motorcycle Club, Jimi Hendrix + Neil Young...

(Sim, sim: escolhi o jornalismo por ser mó prego em aritmética...)


Wilderness Heart, terceiro álbum da banda de Vancouver, é tão aventureiro, eclético e chapado quanto seus dois precedentes, In The Future (2008) e Black Mountain (2005), mas tem a vantagem de ser mais sintético (nada daquelas jams viajadas de 17 minutos, só curtíveis por quem tomou as drogas propícias para embarcar na onda dos caras...).
O que se destaca de imediato, além dos galopantes riffões à la Page e Iommi que recheiam boa parte das canções (com destaque para a fodástica "Roller Coaster"), é a transa certeira entre os vocais de Stephen McBean (genes-XY) e Amber Webber (XX). A beleza das melodias vocais e o modo como elas se fundem com perfeição na densa massa sonora da banda é acachapante, mesmo para um ouvinte sóbrio. E é difícil não sentir um delicioso arrepio na espinha, por exemplo, quando a linda voz de Amber canta: "I will cradle you beneath my wings / As you tremble in my warmth / I will cradle you beneath my wings / And teach you all my scorn".

Mas "blues" refere-se não só a um estilo musical, mas também a um estado de espírito --- e é este blues da melancolia e do desconsolo que impregna as baladonas soturnas que o Black Mountain nos entrega aqui: "Buried By The Blues" (o nome diz tudo...), "Sadie" (quase um lullaby) e "The Space of Your Mind" (uma espécie de tributo a David Bowie em sua fase "espacial"). Nestas faixas, a banda uiva na madrugada como nas melhores faixas do Howl, do Black Rebel Motorcycle Club, e demonstra que é tão poderosa acústica quanto elétrica. 

Agora resta torcer para que eles retornem em breve ao Brasil: quando vieram em 2008, como uma das atrações internacionais do Goiânia Noise (que naquele ano trouxe também Helmet, Vaselines e Black Lips), não tive a chance de conferi-los ao vivo.  E eis uma banda cujos álbuns me deixam afinzaço de testemunhá-los de perto gerando este chapante roller coaster de peso, blueseira, psicodelia e lirismo.



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