quinta-feira, 27 de maio de 2010

:: Especial BANANADA - parte 1 ::



:: A OBSOLESCÊNCIA DA VOZ ::
- Bandas instrumentais fazem bonito no Bananada 2010 -

O róque instrumental vive um momento régio no cenário brazuca, como provam a profusão de bandas sem-vocais ducaralho já consolidadas ou que tem despontado: Macaco Bong (MT), Pata de Elefante (RS), Hurtmold (SP), The Dead Rocks (SP), Banalizando (SP), Burro Morto (PB), Fantasmagore (RJ), dentre outros.

O Bananada 2010 trouxe plena confirmação desta tendência com apresentações fuderosas de algumas bandas que vêm se somar a esta já respeitabilíssima companhia. É o caso do Caldo de Piaba, que vem lá do Acre --- um estado que, destroçando os preconceitos babacas de nós aqui do centro-sul, vem nos ofertando belas pepitas sônicas: é daquelas longínquas plagas que vêm também os Los Porongas, que nós aqui do Depredas adoramos.

"Diz uma expressão popular que Caldo de Piaba é um caldo ralinho, que é bom pra curar a ressaca. Moradores do alto rio Envira, no Acre, no entanto, afirmam que se trata de uma delicatessen. Outros informam que se trata de uma iguaria afrodisíaca.

Formado no final de 2008, o Caldo é um projeto idealizado por amigos que tem em comum o gosto pela mistura de ritmos e a vontade de experimentar com a música instrumental. Além das composições próprias, são apresentadas releituras de canções populares. Nesse consistente caldo quem conduz a melodia é a guitarra (como na lambada e na guitarrada paraense) que se encontra com a bateria e o baixo inspirados no funk, no ska e no samba-rock. Isso tudo misturado com um toque de psicodelia, com uma certa liberdade de improviso, e com o que mais for surgindo."
O power-trio apresentou seus grooves e batuques em Goiânia deixando excelente impressão, inclusive sendo "eleitos" pelo pessoal do Gyn Rock News, um dos blog mais responsa da cena goiana, como "a visita mais agradável". Abaixo, segue um vídeo dos caras tocando "I Want You" dos Beatles, com direito a "coralzinho" do público; o que começa como uma fidelíssima reprodução da original logo vira uma hetedoroxa desconstrução e reinvenção. Foda!



A surf-music, outro gênero tradicional para instrumentalidades cabulosas que dispensam vocalista, também esteve muitíssimo bem-representada pelos paraibanos do Sex On The Beach [myspace]. O trio mandou bala de um jeito a deixar Dick Dale e Link Wray orgulhosos e, no vídeo abaixo, são mostrados a "zoar" com ritmos regionais, como o baião, antes de cair naquela crááássica musiqueta do Pulp Fiction. E daí seguem surfando por outras loucas ondas...





Também do Nordeste, desta vez de Natal (RN), rolou o quinteto Camarones Orquestra Guitarrística [que tem um myspace pra lá de fita!]. A molecada é ambiciosa e "sofisticada", musical e visualmente, e junta elementos de hard-rock, surf, indie, electro e música de cartoon e vídeo-game. Apesar de alguns problemas técnicos que zicaram um pouco o show, exigindo a troca de guitarras, a banda, apesar duma certa insegurança, mostrou ser muito promissora. Tenho que confessar que achei a galerinha meio "estrelinha" e espetaculosa demais, mas isto talvez seja um fator que dê uma força pra banda estourar numa amplitude maior do que outros grupos instrumentais, que me soam mais "low-key" e humildes. Ah, e tenho que frisar!: a guitarrista-base, que é um pêssego, vestia uma roupinha do White Stripes que a faz merecedora de vestuário feminil mais firmeza do Bananada 2010...



E logo mais tem mais!

terça-feira, 25 de maio de 2010

:: BANANADA 2010... aperitivo! ::


Ééé: no último findi a macacada encheu a pança de banana sônica em Goiânia. Enquanto vou preparando um matérião relatando como foi minha Experiência no Bananada 2010, deixo ae um suculento aperitivo: um vídeo da galera do Vendo 147, rock'n'roll instrumental e com-duas-bateras lá de Salvador, banda que levou o público a um dos pogos mais esporrentos do festival com um medleyzão que juntou uns Black Sabbath, uns AC/DC e adivinhem mais o quê... Em breve, vêm ae mais uma dúzia de vídeos, fotos e textos sobre o Bananal!



DOWNLOAD DO EP DE ESTRÉIA:
http://www.mediafire.com/?bmtrmndzrl1

domingo, 23 de maio de 2010

:: STONE TEMPLE PILOTS ::


"STONE TEMPLE PILOTS (2010)"

:: O mito do eterno retorno ::

Marcado pela confluência de todas as décadas marcantes ever, os anos 00 tem aquela coisa meio de um pouco de tudo, um pouco de nada. Há bandas que soam como as dos anos 60, 70, 80, 90 e até como as dos anos 00. Há diferença entre os riffs vintage de nosso amigo Jack White e os genuínos blueseiros dos anos 30 e 40 que ele tanto tenta reverenciar? Essa depredadora aqui acredita muito nisso. Daí a diferença entre a volta atual de grupos que trazem elementos dos anos 90 e uma banda que ressurge dessa mesma época e traz algo realmente decente, não um arremedo de um revival. Sim, estamos falando dos Stone Temple Pilots e seu mais novo álbum, que merecidamente leva o nome da própria banda.

Entre o rock cru de “Core” – do qual saiu a multiplatinada “ Plush”, essa sim considerada um arremedo do grunge das paradas da época - e “Purple” e a liberação musical-sexual de “Tiny Music... Songs from the Vatican Gift Shop”, o STP se firmou como uma das grandes bandas dos anos 90. “Creep”, “Wicked Garden”, “Sex Type Thing” e outras pérolas marcaram toda uma geração MTV de camisas de flanela. Apesar de não terminar a década nada bem, com o lançamento dos pouco expressivos “N.o 4” e “Shangri-Laa Dee Daa” , há no grupo elementos essenciais para considerar ouvir esse álbum do grande retorno: riffs de um bom hard rock, a urgência simplista do grunge e, ao mesmo tempo, melodias cantaroláveis que aproximam a sonoridade de um pop bem do decente.

Dê ao Stone, portanto, o benefício da dúvida e o depredador-ouvinte poderá comprovar que o retorno caiu muito bem. Há belos solos e riffs muito bem colocados, como no caso de “Hikory Dichotomy” e “Hazy Daze”; baladas roqueiras redentoras como “Dare If You Dare” e “Maver”; bom expoentes do mais puro grunge (se é que isso existe, rá) e sua escalda de acordes dissonantes, como “Take A Load Off” e “Between the Lines” – essa, com um declarado flerte à sonoridade de “Tiny Music...”

Parece, já nas primeiras ouvidas, uma das grandes surpresas do ano. Pra mim, especialmente, há um elemento “prova dos nove” essencial nesse “Stone Temple Pilots”: desde que coloquei os fones nele a primeira vez, não consegui mais parar de ouvir.

E olha que o álbum nem saiu: http://migre.me/HEFg

domingo, 16 de maio de 2010

:: Depredando a Virada ::


:: DEPREDADOS PELA VIRADA ::
- Eduardo Carli -


Ééé: depredamos a Virada! Ou melhor: considerando que padecemos com uma isoporzada na cabeça, um semi-esmagamento contra um poste de luz, uns 30 e poucos pisões no pé e cotoveladas, uns busão lata-de-sardinha e umas ruas fedendo a mijo, foi a Virada quem nos depredou. E agora este pobre jornalista, de ossos moídos e ressaqueado, que mal consegue ficar de pé tamanho o cansaço de suas batatas-da-perna (aliás judiadas por altas "paulistinhas"... que poético!), vem aqui relatar o que pôde conferir do mega-evento paulistano antes de pedir arrego.

É opinião que compartilho com muitos amigos com quem troquei idéia sobre o assunto que a Virada vem se tornando a cada ano mais insuportável. E isso por causa da muvuca extrema que causa alguns dos desconfortos de que me queixei no parágrafo acima, que deixa algumas ruas completamente intransitáveis e faz certos shows só serem visíveis de tão longe que mais vale levar pro Centrão um binóculo ou telescópio. (O que não é boa idéia, pois seriam na certa roubados.)


Relógio da Júlio Prestes + sereia voadora

É claro que o evento é, idealmente, uma  digníssima "celebração da diversidade cultural" na maior metrópole da América Latina, em que ocorrem numa louca simultaneidade borbotões de atrações de música, teatro, cinema, dança, circo e o escambau. "Idealmente...". Porque, na real, a Virada, e me perdoem por me tornar agora um chatonildo reaça, tá virando uma coisa irritante, beirando o intolerável.

Primeiro pelos milhares que vão lá só pra encher a cara até desmaiar, enquanto berram pelas ruas como ogros. Isto torna o Centro, durante a Madrugada, uma espécie de cenário de guerra em que a gente anda desviando dos que capotaram de coma alcóolico, dos que estão vomitando na sarjeta e dos bebuns que vêm em nossa direção trançando os pés e parecendo trens desgovernados. Longe de mim ser um moralistinha que fica criticando o alcoolismo dos outros (também curto uns drinks e um "barato etílico", sem dúvida!), mas os abusos extremos que a galerinha atinge em dia de Virada deixa de ser algo divertido de assistir e passa a ser triste...

Com um pouco de sorte, caminhando pela Virada, não somos atropelados pelas ambulâncias frenéticas ou pelos carros de polícia --- profissionais que tem seu trabalho deduplicado durante este findi. Volto a dizer: eu não tenho nada contra a alegria e o "curtir a vida", longe disso, mas tenho que confessar que a Virada me faz achar que milhares de jovens de São Paulo só sabem se divertir na base dum hedonismo retardado, imbecilóide, alienado, que pouco ou nada tem a ver com sugestões de modificação comportamental e cultural conscientes como aquelas que nos deram a geração Woodstock, punk, Madchester e por aí vai...

E mais: a Virada é também "estragada", pra mim, pelos contrastes sociais gritantes da megalópole, e que se tornam bem mais óbvios numa ocasião destas, quando as multidões caminham semi-tranquilas pela "boca-do-lixo", pela Crackolândia, pelas "quebradas" mais trash do velho Centro. Só não vê quem não quer que o centro de São Paulo testemunha que há um abismo entre classes tão grotesco, uma desigualdade social tão extrema, que faz desta cidade, imagino, uma das mais desiguais e injustas do planeta Terra. E o mais chocante é que estamos todo tão familiarizados com isso que tudo passou a ser "normal": tropeça-se no colchãozinho do mendigo estendido no meio do passeio público e segue-se o caminho como se se tivesse trombado com um vira-lata pulguento que não merece nem um pedido de desculpas.

E me fica um sabor amargo na boca quando me lembro de vários artistas gringos, inebriados pelas salvas de palmas que recebem duma multidão de 50.000 pessoas pra cima, que ficam massageando nosso ego ao gritarem "We Love You, São Paulo!" E que a prefeitura do município, junto com a Secretaria de Cultura, intenta mesmo oferecer aos paulistanos algo que os torne "felizes e contentes" por viverem nesta cidade.É uma espécie de Política do Pão & Circo, só que com muito mais circo do que pão. Porque esta cidade é explicitamente um tenebroso pesadelo para milhares de homens, mulheres e crianças maltrapilhos e esfomeados, muitas vezes com crack na cuca ou uma garrafa de 51 entre os trapos que lhe servem de cobertor, únicas coisas que possuem pra se agarrar numa vida que chega a ser indigna de ser vivida. Sinceramente: não acho que um paulistano tenha muito do que se orgulhar.



Mas, apesar de tudo isso, até que deu pra conferir uma ou outra coisa bacana na Virada deste ano. Centrei o foco principalmente nas duas atrações internacionais que, pra mim, pareciam as mais suculentas e de uma importância história considerável: a vinda do Mothers of Invention, a banda que acompanhava Frank Zappa, agora rebatizada de Grand Mothers Reinvented (na mosca: os caras já são mesmo uns vovózinhos...); e o Big Brother & The Holding Co, quarteto bluseiro que tocou com a Janis Joplin nos anos 60.

Nos dois casos, são bandas jurássicas que tentaram seguir carreira na ausência de um membro-chave. No caso do Mothers, a falta do visionário e piradaço Zappa é mais sentida: fica uma espécie de vazio ali onde deveria estar o "loucão genial", cabelões ao vento e guitarra ensandecida, esmerilhando nas seis cordas de modo bem mais anárquico que os Steve Vais da vida. Mas foi um imenso prazer ver reproduzidas ao vivo algumas das composições clássicas de Zappa, em especial aquelas do "Hot Rats", meu álbum predileto dos que conheço do cara. E a banda certamente é de muita competência e tenta manter vivo o espírito iconoclástico, satírico e eclético que caracterizava seu mentor. O outro porém, além da insanável ausência de Frankie em pessoa (e que Belzebu o tenha e guarde!), é que as Mães da Invenção me soaram um tantinho "artificiais", como se a "piração" fosse um tanto "forçada" --- feita como um dever, e não na espontaneidade de um viajar... Mas eu devaneio.

Já o Big Brother & The Holding Co., que possui uma das capas-de-álbum mais magníficas dos anos 60 (desenhada por Robert Crumb), fez um showzaço muito enérgico de blues-rock sessentista à la Cream e Faces. Por incrível que pareça, a falta de Janis é menos sentida aqui do que a falta de Zappa é no Mothers of Invention. Isto porque a banda conta com o vozeirão de uma negona hispânica, Sophia Ramos, que presta um tributo fenomenal à voz e à atitude de Janis, nos dando a plena convicção de que "sacou qualé" e que consegue mandar um blues de modo quase tão dilacerante e irrapiante quanto a menina Joplin em seus melhores dias. Não faltaram clássicas como "Me and Bobby McGee" e "Piece Of My Heart" (esta última, clímax da minha Virada). Vejam abaixo um vídeo-excrusivo que este câmera-tosqueira registrou:


Depois disso, migrando com muita dificuldade da São João para a Praça Júlio Prestes, fui conferir o show da incensada Céu, uma das cantoras mais elogiadas dentre os "novos talentos da MPB". Um maluco ao meu lado, trajado ao modo "hard rock", que me revelou que toca guitarra numa banda que "manda uns Poison, uns Motley e uns Cinderella", me perguntou se o treco era "meio Marisa Monte", aquela coisa "chata pra caralho". Vi logo que meu novo amigo  estava no palco errado: deveria estar lá pirando com os Black Drawing Chalks! Mas disse que haviam sonoridades interessantes no som da Céu: uma certa influência de dub e de afrobeat (ela até fez uma homenagem à Fela Kuti), um certo saborzinho de manguebeat, uma malemolência meio ragga...



O problema é que o show da moça funcionaria bem melhor num SESC da vida,  num ambiente mais intimista, num teatro com uma acústica firmeza, ou mesmo num pub de maconheiros. Ali, na imensidão da Júlio Prestes, frente a umas (chuto) 30 mil pessoas, o som dela emagreceu e não conseguiu despertar no público mais que mornas reações. Fazendo jus ao título de seu segundo álbum, Vagarosa, a mocinha de nome paradisíaco faz tudo com estudada lentidão --- slow like honey, como diria Fiona Apple. Sabe-se que ela volta e meia, em entrevistas, já disse preferir o ócio ao negócio e a leseira ao frenêsi. Céu é destes seres meio hippies, tranquilões, que desejariam sugerir para as grandes metrópoles do mundo (e ela já morou em New York...), junto com Thom Yorke: "slow down... slow down...". Dotada de uma voz linda e suave, e acompanhada por um groovezinho sonolento, Céu tem um show que seria uma deliciosa viagem dub-psicodélica se estivesse num ambiente mais adequado.

Eu ia ficar até o Living Colour, às 3 da manhã, mas arreguei: minhas pernocas, judiadas pelas horas em pé e pelos supracitados ataques dos meus concidadãos, mal se aguentavam em pé. Fica aí, pois, este relato breve do meu rolê pela Virada 2010. E o seu, como foi? Conte sua história nos comments!

quarta-feira, 12 de maio de 2010

O dia em que fui enganado por Mike Flowers

Existem instituições da vida moderna das quais não podemos sequer imaginar seu ocaso. Listando de forma bem pouco ortodoxa: a internet, sem comentários; na mesma seara, a música digitalmente acessível, também sem comentários; métodos de pagamento rápidos e inconsequentes, como sistemas de débito e crédito, desisti de tecer quaisquer comentários; coca-cola e sua carga providencial de cafeína; batata feita de qualquer jeito; e Wonderwall.

De prima, coisa que nem era de se imaginar, já que a musiquinha de amorzinho do Oasis figurou como hit dentro do seriado ad eternum Malhação – em tempo, palco de algumas aberrações sonoras nem um pouco dignas de nota. E mesmo assim, as frases megaclichês (tenho tanto pra te dizer, mas não sei como? Bá!), acopladas a uma bateria difícil de imitar nas mais sofisticadas técnicas de air drums, a terceira faixa do disco “(What’s the Story) Morning Glory?”, de 1995, ergueu-se naquela década fria e desolada como um dos grandes pilares do mundo pop. Falando em exageros, há quem diga que foi “Wonderwall” a grande responsável pelo revival da mais antiga forma de agrado sentimental, depois do café na cama: a serenata.

Deu-se a desgraça em uma tranquila noite de sexta-feira, enquanto confabulava sozinho sobre qual seria o melhor dos filmes do Batman. Em segundo plano, aquele canal de TV em que passam clipes, e que ninguém mais presta atenção – até então. A icônica legenda anuncia que um tal de Mike Flowers, junto de sua bandinha de araque, vai começar a mostrar seu clipe. “Wonderwall”. Até onde ententi, é um programa de faixas temáticas, e essa em singular chama-se “disco”. Coisa velha? E devem, claro, existir cerca de noventa e sete músicas no mundo com esse nome. Mas com um clipe que começa com a imagem surgindo no meio de um vinil, bem naquela parte central, “To-day”...

Biltres! O tal Flores era então o verdadeiro dono da instituição que os Gallagher ousaram apoderar-se, criando-a anos e anos antes? Pior: enganaram toda uma geração que hoje vive sem rumo na vida, em função das coisas bonitas que teriam dito com ares de ineditismo? A esposa de Noel (namorada, afins) era apenas uma farsa? Todo aquele álbum não passava de uma serenata anacrônica? Naquele dia, não dormi. Assisti a todas as corridas de cavalo que pude, e achei a coisa mais insuportável do universo conhecido. Queria estar errado. Não sobre as corridas, mas sobre “Wonderwall”.

Bom que estava! Depois de consultar diversos oráculos, descobri que: 1. Eu não era O Escolhido. 2. Aquele Mike Flowers era um fanfarrão. “The Mike Flowers Pops” é uma bandinha de pouco mais de 340 pessoas, bem no estilo Titãs ou Negritude Júnior, que foi convidada a fazer covers para um programa de rádio. Até então, sem problemas. A grande confusão sessão-da-tarde aconteceu quando o hit-cover “Wonderwall” foi executada de forma “jocosa” (tradução livre, expontânea e equivocada para “joking”) como se fosse a original, em outro programa de rádio, obrigando cerca de três ou quatro desinformados em todo o mundo, eu incluso, a consultar o Google sobre a veracidade dos fatos. Não contente, Miguel Flores fez vários outros covers, indo de Doors, passado por Björk e sossegando, quem sabe, em Madonna. Segue o princípio da discórdia:


domingo, 9 de maio de 2010

:: Anos 90's - One Hit Wonders ::

Cada década tem o hitzinho sujo que merece
- Bernardo Santana -

Cada década tem o hitzinho sujo que merece, e assim por diante. E os anos 90 tão aí pra deixar tudo mais claro pra moçadinha com menos de vinte. Como era legal pode xingar de porcaria um lance que, no fim das contas, era bem legal, tipo Shine, do Collective Soul (“Morte ao grunge de plástico”), ou Walkin' On The Sun, do Smash Mouth (“Charlie Brown gringo-fita”). Ou achar que só o rock prestava, e que escutar minazinhas, tipo Fiona Apple e Jewel, era coisa de invertido. E o que dizer dos Counting Crows que, só mesmo depois de 17 anos, dá pra admitir que... tem seu valorzinho.

O serviço Deprendando o Repertório oferece pra molecada aqui três coletaneazinhas despretensiosas pra dar uma mostra do que era lixo, semi-lixo, ou só subvalorizado pelas rádios na época. Ninguém aqui tá dizendo que essas bandas/artistas não têm mais música boa. Aliás, muitas delas têm músicas bem melhores que as colocadas aqui, mas que infelizmente nunca foram escolhidas pra estrelar o comercial de escola de inglês nem viraram vinheta da MTV e, portanto - em tempos pré-Napster -, ficavam sendo privilégio de quem corria atrás.

Ah, as reminiscências... Away.
[clique no nome dos CDs para download]

Smells Like One Hit Wonder 01 - Pop
01 - Beck - Loser [1994]
02 - 4 Non Blondes - What's Up [1993]
03 - Fiona Apple - Criminal [1996]
04 - Jewel - Who Will Save Your Soul [1996]
05 - Presidents Of The United States Of America - Peaches [1995]
06 - Cake - Never There [1998]
07 - Counting Crows - Mr. Jones [1993]
08 - Cornershop - Brimful Of Asha [1997]
09 - Porno For Pyros - Pets [1993]
10 - Joan Osborne - One Of Us [1995]
11 - The Verve - Bitter Sweet Symphony [1997]
12 - Supergrass - Allright [1995]
13 - Blind Melon - No Rain [1992]

Smells Like One Hit Wonder 02 - Rock
01 - Veruca Salt - Volcano Girls [1997]
02 - Collective Soul - Shine [1993]
03 - The Breeders - Cannonball [1993]
04 - Ocean Colour Scene - Hundred Mile High City [1997]
05 - Social Distortion - I Was Wrong [1996]
06 - Candlebox - Far Behind [1994]
07 - Murder City Devils - Boom Swagger Boom [1997]
08 - Elastica - Connection [1995]
09 - Meat Puppets - Backwater [1994]
10 - My Bloody Valentine - Only Shallow [1991]
11 - Temple Of The Dog - Hunger Strike [1992]
12 - The Nixons - Sister [1995]
13 - Rob Zombie - Dragula [1998]
14 - Helmet - Unsung [1992]
15 - L7 - Pretend We're Dead [1992]

Smells Like One Hit Wonder 03 - Groove
01 - Deee-Lite - Groove Is In The Heart [1990]
02 - Fun Lovin' Criminals - Scooby Snacks [1996]
03 - Living Colour - Love Rears It's Ugly Head [1990]
04 - House Of Pain - Jump Around [1992]
05 - Happy Mondays - Kinky Afro [1990]
06 - Smash Mouth - Walkin' On The Sun [1997]
07 - Spin Doctors - Two Princes [1993]
08 - Cypress Hill - Insane In The Brain [1993]
09 - The Mighty Mighty Bosstones - The Impression That I Get [1997]
10 - Urban Dance Squad - Deeper Shade Of Soul [1990]
11 - The Soup Dragons - I'm Free [1990]

quarta-feira, 5 de maio de 2010


Na Natureza Selvagem, de Sean Penn, é disparado um dos meus pet-movies mais queridos, prediletíssimo-da-casa. Fiz uma longa homenagem a ele no Depredando o Cinema. Cola lá! E aproveita pra baixar a linda trilha que o Eddie Vedder compôs especialmente pro filme:

DOWNLOAD >>> http://www.mediafire.com/?knmywyw5ijk

segunda-feira, 3 de maio de 2010

:: macaco quer banana? ::

:: BANANADA 2010 ::

Tá vindo ae a 12ª edição do Bananada, um dos festivais independentes de róque-brazuca mais massa deste primeiro semestre. Os 5 dias de kick-ass rock'n'rolling vão rolar em Goiânia entre 19 e 23 de Maio, contando com a presença de cerca de 45 bandas. O evento é mais uma realização da Monstro Discos, também responsável pelo Goiânia Noise, que chegará à sua 16ª edição anual neste 2ª semestre --- e que sempre conta com belas atrações indie nacionais e internacionais (em 2009, ninguém menos que os Dirty Projectors, de New York, fecharam com classe o festival).


Aproveitando a ocasião, preparei dois Rolês de Metrô só com bandas que vão tocar no Bananada 2010. Deu um trampo da porra, mas consegui descolar (fuçando em tramas, myspaces, sites oficiais, blogs de mp3s, pastas de soulseek alheias, sem falar dos pulos na lojinha da Monstro...), uma pá de sons das bandas escaladas. Filtrei e selecionei este material todo para, enfim, compartilhar com vocês cerca de 25 musiquetas de bandas escaladas pro bananal --- que disponibilizo abaixo para download em duas coletinhas.

A primeira "fitinha" é dedicada às bandas locais, destacando algumas das mais ruidosas e fodásticas bandas goianas hoje na ativa, desde a galera já reconhecida nacionalmente (como os Black Drawing Chalks, os Mechanics e o Violins), passando por novos talentos da "cena" (como o Ultra Vespa e Johnny Suxx & The Fucking Boys), sem esquecer dos trutas-do-Depredas Bang Bang Babies (que já nos deram um entrevistão tempos atrás).

O segundo CD é dedicado às bandas de outros estados (e países) que vêm rechear o line-up. Os destaques ficam com a garageira dos chilenos do La Hell Gang, direto de Santiago; Nevilton, do Paraná; Caldo de Piaba, do Acre; Vendo 147, da Bahia; Comma, de São Paulo; Plástico Lunar, de Sergipe; e Camarones Orquestra Guitarrística, de Natal.

O festival ocorre na quarta (19/05) e na quinta (20/05) em 3 pubs da cidade (Bolshoi, Metrópolis e Capim) e no findi (21 a 23/05) migra para o tradicional Centro Cultural Martin Cererê. Isto porque o Centro Cultural Oscar Niemeyer, o maior do estado de Goiás, continua inutilizável, apesar das passeatas e protestos que recentemente rolaram. Remeto para a ótima matéria de Pietro Botura no Nagulha, onde ele narra em detalhes como foi "o dia em que o rock fez história":


"Foram cerca de 1.500 pessoas reunidas pelo coletivo Fósforo Cultural e Monstro Discos no sábado (27) em Goiânia. O objetivo foi cobrar o pleno funcionamento e a reorganização da gestão do maior espaço físico para produção cultural de Goiás, o Centro Cultural Oscar Niemeyer. Há mais de um ano abandonado, o CCON, que já era negado para utilização pública, teve seu final de construção paralisado, inutilizando um espaço de gigantescos 26 mil m². A marcha, algo inédito na região, foi batizada de Rock pelo Niemeyer. (...) Durante o Rock Pelo Niemeyer a comunidade alternativa foi reunida e expressou seu poder de união com maturidade e direito. A participação de cada indivíduo ali representou mais do que dizer à capital goiana que o rock produzido em Goiás tem a capacidade de se associar. Toda a mobilização serviu, também, para mostrar ao próprio circuito alternativo que é possível acreditar um pouco mais em si mesmo e criar medidas ao invés de esperar que elas simplesmente apareçam."
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ROLÊ DE METRÔ, VOLUME V
(BANDAS GOIANAS/ BANANADA 2010)
http://www.mediafire.com/?ymguqt2njim

[01] - Johnny Suxx & The Fucking Boys - Bombs (4:39)
[02] - Black Drawing Chalks - Girl I've Come To Lay You Down (3:56)
[03] - Bang Bang Babies - Love & Bullets (2:42)
[04] - Mechanics - Fogo (2:54)
[05] - Hellbenders - Whorehouse Murder (4:30)
[06] - Ultra Vespa - Ela não Quis me Kiss me (2:09)
[07] - Fígado Killer - Só Meter (2:52)
[08] - Vícios da Era - Nos Eixos da Ilusão (4:15)
[09] - Mersault e a Máquina de Escrever - Prostituto (3:26)
[10] - Motherfish - You Ask Me Why (3:02)
[11] - Violins - Do Tempo (3:36)

* * * * * *

ROLÊ DE METRÔ, VOLUME VI
(Bandas de Fora / Bananada 2010)
http://www.mediafire.com/?kcjmn5ywgm2

[01] - Camarones Orquestra Guitarrística [Natal-RN] - Cartoon Medley (3:48)
[02] - Brown-HÁ [Brasília-DF] - Essa Rotina (3:07)
[03] - Plástico Lunar [Aracaju-SE] - Boca Aberta (3:43)
[04] - Burro Morto [João Pessoa-PB] - Cabaret (2:27)
[05] - Nevilton [Umuarama-PR] - O Morno (3:57)
[06] - Comma [Sampa-SP] - Bege (2:51)
[07] - Some Community [Sampa-SP] - Random Words (2:10)
[08] - Caldo De Piaba [Rio Branco-AC] - People one (3:52)
[09] - Twinpine(s) [São Paulo-SP] - Better Lips (2:57)
[10] - La Hell Gang [Santiago-Chile] - So Much Better (3:43)
[11] - Rinoceronte [Santa Maria-RS] - O Choque (4:10)
[12] - Vendo 147 [Salvador-BA] - Kill Bill (3:13)

confira os rolês dazantiga:


PROGRAMAÇÃO
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QUARTA FEIRA, 19 / MAIO > BOLSHOI PUB
01:00h Rinoceronte (Santa Maria – RS)
00:15h Mersaut e Máquinha de Escrever (Goiânia – GO)
23:30h Brown-Há (Brasília – DF)

QUINTA FEIRA, 20 / MAIO > METROPOLIS
01:00h Plastique Noir (Fortaleza – CE)
00:15h Dawnfine (Goiânia – GO)
23:30h Trivoltz (Goiânia – GO)

QUINTA FEIRA, 20 / MAIO > CAPIM PUB
21:30h Desastre (Goiânia – GO)
20:45h Fígado Killer (Goiânia – GO)
20:00h WxCxM (Goiânia – GO)
19:15h Chacina (Goiânia – GO)

SEXTA FEIRA, 21 / MAIO – MARTIM CERERÊ
01:00h Violins (Goiânia – GO) – Pyguá
00:30h Gloom (Goiânia – GO) – Yguá
00:00h Comunidade Ninjtsu (Porto Alegre – RJ) – Pyguá
23:30h Burro Morto (João Pessoa – PB) – Yguá
23:00h Johnny Suxxx And The Fuckin’ Boys (Goiânia – GO) – Pyguá
22:30h Nevilton (Umuarama – PR) – Yguá
22:00h Camarones Orquestra Guitarrística (Natal – RN) – Pyguá
21:30h Vida Seca (Goiânia – GO) – Yguá
21:00h Nublado (João Pessoa – PB – Pyguá
20:30h Procura-se Quem Fez Isso? (Porto Alegre – RS) – Yguá
20:00h Comma (São Paulo – SP) – Pyguá
19:30h Death From Above (Goiânia – GO) – Yguá
19:00h Demosonic (Goiânia – GO) – Pyguá
18:40h Ultra Vespa (Goiânia – GO) – Yguá
18:20h Coerência (Goiânia – GO) – Pygu

SÁBADO, 22 / MAIO – MARTIM CERERÊ
01:00h Black Drawing Chalks (Goiânia – GO) – Pyguá
00:30h La Hell Gang (Santiago – Chile) – Yguá
00:00h Mechanics (Goiânia – GO) – Pyguá
23:30h Plástico Lunar (Aracaju – SE) – Yguá
23:00h Caldo de Piaba (Rio Branco – AC) – Pyguá
22:30h Vícios da Era (Goiânia – GO) – Yguá
22:00h Some Community (São Paulo – SP) – Pyguá
21:30h Motherfish (Goiânia – GO) – Yguá
21:00h Vendo 147 (Salvador – BA) – Pyguá
20:30h Fadarobocoptubarão (Belo Horizonte – MG) – Yguá
20:00h Bruto (Brasília – DF) – Pyguá
19:30h Necropsy Room (Goiânia – GO) – Yguá
19:00h Moka (Goiânia – GO) – Pyguá
18:40h Space Monkeys (Goiânia – GO) – Yguá
18:20h ¡Oye! (Goiânia – GO) – Pyguá

DOMINGO, 23 / MAIO > AMBIENTE SKATE SHOP
18:30h Twinpines (São Paulo – SP)
17:30h Bang Bang Babies (Goiânia – GO)
16:30h Hellbenders (Goiânia – GO)
15:30h Waldi e Redson (Goiânia – GO)
13:30h Dedo Sem Osso (Goiânia – GO)

segunda-feira, 19 de abril de 2010

::Yasukatsu Oshima e a Música de Ryukyu::

- por Alexandre Nakamura -

Nascido na ilha de Ishigaki, parte do conjunto das ilhas Yaeyama, extremo sul do Japão, numa região que em alguns mapas ainda se lê "Ryukyu islands", Yasukatsu Oshima é um dos maiores representantes da música tradicional okinawana. Okinawa tem uma história paralela ao Japão que, pra além de suas belezas naturais, clima sub-tropical, récorde de longenvidade do mundo, karatê & etc, pouca gente conhece. Até o passado recente (por volta do século XVII d.C.), Ryukyu foi um país autônomo, um reino com suas próprias línguas, costumes, música, etc. Historicamente essas ilhas tiveram mais influência da China e das ilhas do pacífico sul em geral do que do Japão. O principal instrumento usado lá é o sanshin, o qual fiz um post dedicado à ele no meu blog.

Yasukatsu Oshima interpreta músicas tradicionais da região de Yaeyama como também de ilha principal de Okinawa (Uchiná, em uchinaguchi, a língua okinawana), além de composições próprias, sendo que a maioria são cantadas em uchinaguchi (língua de Uchiná), yamamuni (língua de Yaeyama) ou uchina-yamatuguchi (mistura de uchinaguchi com japonês).

Há quase 2 anos atrás foi minha última visita à essas ilhas, quando aproveitei pra trazer alguns cds entre eles o Shima Meguri, último disco solo do Yasukatsu Oshima.

大島保克・島めぐり
Yasukatsu Oshima: Shima Meguri - 2005

1.Kaisare
2. Kurushima Kuduchi
3. Agarizachi
4. Maheratsui, Maheratsui no Tosui
5. Kohama Bushi
6. Akayura
7. Tarama Shonkane
8. Honen no Ayagu
9. Irabu Togani
10. Kunjan Sabakui
11. Mashunku Bushi
12. Ichubigwa
13. Irayoi Tsukiyahama


Em 2007 ele lança um disco dueto junto com o pianista Geoffrey Keezer (famoso por ter tocado no Art Blakey's Jazz Messengers, entre outros) de músicas tradicionais, algumas composições próprias em arranjos de jazz não-convencionais pro minyô uchinanchú. Há uma entrevista interesante com Geoffrey aqui falando sobre esse dueto.


Yasukatsu Oshima with Geoffrey Keezer - 2007

1. Ryusei
2. Tsuki nu Kaisha
3. Kuinupana
4. Sukikanna
5. Tinsagu nu Hana
6. Menuhama
7. Agarikata Bushi
8.Sagechiyuya
9. Ufarakuitsui
10. Uyamaari

Muitas dessas músicas pro ouvido ocidental podem soar demasiado lentas, monótonas (pra muitos até sonolento...). Então coloco aqui também algo de agitado, pra dançar, chacoalhar a alma: kachashii. O kachashii é um ritmo mais festivo, geralmente tocando nos encerramentos de festas, casamentos, aniversários... até numa espécie de "rave" uchinanchú chamada mo ashibi (é um "after hours" que os okinawanos faziam antigamente na praia até o amanhecer). Essa é a chance de aprender o kachashii com Tooru Yonaha, outro grande expoente atual dessa música:

Yonaha Toru: "Kachashii a go-go" - 2004

1. Hounen Ondo
2. Kadiku
3. Tanchame - Ichiihanaribushi
4. Chatan mekata
5. Takouyama
6. Harikuyamaku
7. Umi nu chinboura
8. Uchina sanba
9. Mentaabushi - safenbushi
10. Ashibi amaga
11. Toushindooi

E pra conhecer mais um pouco sobre a música dessas ilhas, coloco aqui também uma coletânea com vários artistas, entre eles Rinsho Kadekaru e Misako Oshiro, além de uma entrevista com Rinsho Kadekaru explicando sobre instrumentos e as artes de Ryukyu (em japonês):


沖縄/祭り・うた・放浪芸 春
Okinawa Matsuri, Uta, Horougei - Haru (primavera) - 2003

1. shougatsu no ayagu
2. koudan - hachiki no orochi
3. narimono
4. hinsu jurigwa
5. gumuchibujo
6. kagyadefu bushi
7. shibai
8. hitori shibai
9. nmu haru
10. kaisare
11. yokanayo

domingo, 11 de abril de 2010

::THE HUMAN TRASH::

O Lixo Humano
Orgânico, Papel, Plástico e Metal - tudo cru

--- por Ana Alice Gallo ---

Há glamour na podridão da cidade. Há alma no rock e no lixo, esses excluídos produtos da nossa civilização, que muitas vezes se regurgitam em nossa própria cara. E a flor-de-lótus no esterco paulistano vem em forma de um rockabilly sujo e poderoso chamado The Human Trash. O power trio, formado pelo duo de guitarras femininas Mari e Mayra “Trash” e pelo batera L.T, se prepara para lançar o primeiro álbum “Welcome to Trashville”, mas já liberou um Epzinho bala com quatro dessas canções que mostram o potencial nada descartável da banda.

Comecemos pelo orgânico. A crueza do som do The Human Trash começa no fato de que dispensaram, sem delongas, o baixo. A bateria, feita com latão de lixo, lata de tinta, garrafa de breja e outras coisas que todos nós podemos encontrar na lixeira de casa, traz sua – como se pode imaginar – peculiar sonoridade, sem perder a força e a marcação encorpada tão característica de sons dos anos 50 pra lá. O trio, que também integra bandas do underground brasuca como Backseat Drivers, Pullovers, e da monobanda The Fabulous Go Go Boy from Alabama, se reveza nas vozes. E, ao abrir o latão, o ouvinte tem a sensação de ser transportado para qualquer inferninho quente e malcheiroso de onde o rock poderia brotar do chão.

Agora, o papel. Apesar de rezar a cartilha de uma seleta parcela do “indiebilly” brasileiro, calcada em compassos fechados de backbeat, rock anos 50, bluegrass e outras cruezas deliciosas, o frescor e a urgência da banda abrem espaço para que “Welcome to Trashville” seja aguardado com alegria por esta depredadora que vos fala. E, pra completar, quem assina a produção é o legendário Marco Butcher, uma das mentes por trás do glorioso Thee Butchers’ Orchestra e o Uncle Butcher and His One Man Band em pessoa.

Mas, ao contrário de outras pérolas da internet, a banda não é de plástico. Dá pra ouvir por aí, e em lugares bem bacanas, da capital ao interior de Sampa, passando por Curitiba, Florianópolis, Porto Alegre, Londrina e Maringá. Em junho, a THT fará uma tour com a banda americana Two Tears pelo Brasil, anuncia o batera Luis. E, enquanto o CDzinho metálico não chega, baixe no virtual mesmo. Ouça, com certeza, as faixas “Trash Bomb" e "Trashville”.

sábado, 10 de abril de 2010

:: Pavement For Dummies ::


-- por Eduardo Carli ---

Nem sou muito chegado em coletas, que costumam ser pragas caça-níqueis que as majors tiram da cartola para maximizar lucros com sacais "greatest hits", mas esta bolacha do recém-renascido Pavement a gente faz questão de recomendar com entusiasmo. Baixem djá!

Stephen Malkmus e sua trupe, que tinham se separado após o quinto álbum Terror Twilight (1999), deram uma de Fênix neste 2010 e tão de volta das cinzas, com força total: vão sair na já hypada Tour da Reunião, escalados até como um dos headliners do Coachella, e rpometem musiquetas novas para logo. Para celebrar a renascença, soltaram este Quarantine The Past, bolachinha que serve como um excelente "Pavement For Dummies" (and for fans!): são 23 pepitas (incluindo singles e faixas de EPs, músicas não presentes em nenhum dos álbuns de estúdio), todas selecionadas pelos próprios caras.

Taí uma oportunidade supimpa pros leigos conhecerem várias fases e tendências de uma das mais seminais bandas noventistas --- da faceta low-fi / róque de baixíssimo orçamento à la Guided By Voices (e que gerou Slanted & Enchanted, um dos debuts mais cultuados da década) às doideras tortas à la Velvet Underground, das pós-punkices que vão no rastro do The Fall às letras crípticas, nonsense e cheias de referências pop que só encontram paralelo na lírica dum Beck ou At The Drive-In.

Todas as cancionetas assoviáveis e power-pop estão aqui, para que ninguém ralhe que o Pavement é uma "banda difícil e intragável", caso das irresistíveis "Cut Your Hair" (do clássico-mor Crooked Rain, Crooked Rain), "Stereo" (do modesto Brighten The Corners) e "Shady Lane" (do canto de cisne Terror). A faceta baladeira, sempre tingida com aqueles vocais charmosamente desafinados e tímidos à la Lou Reed, também marca presença (com "Spit On a Stranger" e "Here"), lado-a-lado com as barulheiras trashy e punky (como na esporrenta "Unfair"). E não falta o lado experimental-malucão-nerdoso do genial Wowee Zowee, um dos discos mais injustamente subestimados da história do indie-rock.

Não percam, pois, este discaço que vem em muito boa-hora pra nos lembrar que fodástica banda era (e é!) o Pavement. E que este disco nos instigue a cair de cabeça, mais uma vez, nestes 5 grandes álbuns que eles nos legaram, algumas das melhores obras do rock alternativo americano nos anos 90. Gold soundz!

Para mais info, remetemos à bela matéria da Pitchfork. Glue there!


PAVEMENT - Quarantine The Past
[23 faixas, 320kps, 150mb]
http://www.megaupload.com/?d=JTE5HTHI