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terça-feira, 2 de março de 2010

:: Medeski Martin & Wood ::

Três do trio
– Por Marco Souza –

A trilogia da evolução celular está completa e o resultado é essa pequena e bela monstruosidade musical compilada em 3 CDs, a qual alguns felizardos (eu logo, logo, assim espero) podem contemplar na sua forma completa: um magnífico box contendo 5 CDs, 2 LPs e 1 DVD, intutilado Radiolarians: The Evolutionary Set.

Todo o processo de composição desses álbuns já foi explicado tempos atrás, junto com um elogio desmedido a Radiolarians I. Então irei me ater apenas em fazer um breve comentário das partes II e III.


Dessa vez fui capturado pela música do trio da maneira que eles haviam planejado. Fui aos dois shows (totalmente diferentes) que eles realizaram no Sesc Vila Mariana (SP) em 2008 e a maioria das canções apresentadas eram totalmente inéditas para mim, mesmo eu sendo fã deles das antigas. Experimentações que faziam parte da série Radiolarians.

Ao escutar Radiolarians II tive uma sensação diferente em reconhecer grande parte dessas músicas, pois havia as escutado ao vivo. De certa forma a surpresa incial de conhecer o disco perdeu um pouco o vigor, mas ouvindo hoje percebo que a segunda parte é tão viceral quanto a primeira.

Pode se dizer que chega a ser mais experimental do que seu antecessor. Começa de maneira incomum com Chris Wood desgastando agressivamente as cordas de seu baixo elétrico, na rasgada Flat Tires, tem música que lembra uma época boa do DJ Shadow, Chasen Vs Suribachi, improvisos sobre a repetição minimalista em Dollar Pants e ápice da estranhesa em Ijiji. Isso sem esquecer a palavra que não canso em repetir ao falar de MMW, groove.


Para mim o ponto alto foi relembrar umas das mais bonitas melodias de John Medeski em Riffin' Ed, música que me emocionou no show. Esperava que essa canção se extinguisse gradualmente da minha mente, na incerteza de que ela seria gravada, mas pude ouvi-la novamente, tal qual voltasse a encontrar uma paquerinha de infância, que já estava fadada ao esquecimento.

Como se a ordem das músicas estivesse invertida o final é composto por um jazz mais standard, uma versão de Baby, Let Me Follow You Down, que ficou famosa na voz inconstante de Bob Dylan.

Assim passamos para o terceiro ato, que tão logo se tornou meu preferido. Dos três é o que mais remete ao começo da trio, com sua sonoridade clássica e característica, evidenciada pelos teclados Hammond de cara em Wonton. Lindo. Então Satan Your Kingdom Must Come Down, música gospel tradicional norte-americana que é transformada num épico vibrante de 4 minutos e meio através de um piano alucinado e baixo distorcido soando como guitarra.


Sempre que escuto Undone, acho que é a minha música perfeita a qual eu nunca fiz. Potência rock marcada pela bateria e uma linha de baixo simples e intrigante que explode num "refrão" inspirador. Música preferida do disco.

A série se encerra com elegância — Broken Mirror — e referência às sonoridades que fazem parte do repertório dos músicos desde a cítara indiana até funk agressivo dos anos 70 em Gwyra Mi. São trabalhos assim que fazem valer a pena nosso sistema auditivo.


Radiolarians I (10 músicas - 88 MB)

Radiolarians II (10 músicas - 113 MB)

Radiolarians III (9 músicas - 80 MB)

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

:: Medeski Martin & Wood ::


A EVOLUÇÃO EM ESCALA CELULAR
– por Marco Souza –

Esse Medeski juntamente com Martin e o companheiro de aventuras sonoras Wood são os músicos mais desgraçadamente (no bom sentido) criativos e produtivos dessa geração. Devem ter quebrado algum recorde ao lançarem três álbuns de músicas inéditas em um ano, pelo menos entre os álbuns de jazz. Mas não são (não querem ser chamados de) uma banda de jazz. São baderneiros, barulhentos, eletrônicos, groovados, harmônicos, dissonantes, experimentais e absurdamente bons. Como uma criança cheia de imaginação com um brinquedo novo, eles fazem sua poesia sonora. E se divertem com isso. E nos divertimos também.

Pra começar a retrospectiva 2008 relembremos o divertido Let's Go Everywhere, já postado, repostado e apostado aqui. Depois os danados lançaram Zaebos - Book Of Angels Volume 11 que é uma piração com composições do camaradinha John Zorn, que iniciou essa série em 2005 com o primeiro Book Of Angels. A primeira música é tensão sonora total, a última fase que dá medo naquele jogo de 16 bit. Depois as coisas se acalmam. Jazz e experimentalismo sem groove, o que eu senti falta. Mas não vim aqui para falar dele. O destaque é para o lançamento do final de setembro, Radiolarians I, uma inovação no atual sistema de produção musical, mesmo que sutil.

O padrão é compor – gravar – tocar ao vivo, assim todos vão degustar de músicas que já conhecem, podendo cantar, dançar e rebolar de maneira bem ensaiada durante a performance ao vivo. Também é isso que move o mercado, vamos a um show para escutar nossas músicas favoritas. O trio deve ter pensado "Whattafuck!? Vamos mudar essa parada" "Como?" "Compondo e tocando direto para platéias" "Isso ai, e o que ficar bom gravamos depois". Dito e feito Radiolarians. O projeto consiste em três volumes em que cada um será uma compilação de músicas que se desenvolveram em shows da banda. Dizem que o show do dia 20 de setembro, no Sesc Vila Mariana em São Paulo, foi essencialmente Radiolarians II. Enfim, com essa proposta o show torna-se uma experiência mais interessante, pois não iremos ouvir apenas reproduções ao vivo de músicas que conhecemos, mas seremos capturados por uma musicalidade inédita. Renasce daí o conceito de música como arte e forma de expressão, perdendo um pouco seu caráter mercadológico (ainda comprarei os CDs da banda). E assim nasceu o primeiro Radiolarians, um dos trabalhos do trio que apresenta maior diversidade musical.


Tudo que MMW se mete a fazer é sensacional e temos aqui outro exemplo disso. O álbum começa com uma ambientação sonora mais do que necessária para a levada dos teclados de John Medeski, em seguida, com o baixo de Chris Wood, eles relembram uma sonoridade clássica da época de Shackman. Aqueles já familiarizados se sentirão em casa. A segunda faixa Cloud Wars, síntese de um punk-funk-jazz, é dominada pelo baixo agressivo e apimentada pelo groove dos teclados. Muchas Gracias me lembrou a diversão de escutar Let's Go Everywhere mas sem aquela característica infantil (em nota que não é um disco apenas para crianças, mas suas composições foram orientadas para elas). Professor Nohair dá uma aula de piano em um bar de New Orleans. Iniciada por Wood, a anarquia sonora toma conta de Reliquary, a faixa mais experimental do disco. Nela o baixo rasga tudo com um riff punk básico em conjunto com teclados sintetizados e a bateria estilhaçada de Billy Martin, que quebra tudo o que pode com suas baquetas para dominar essa música nervosa. Uma interrupção com um improvável piano clássico a deixa com um aspecto estranho e belo. Em contrapartida Free Go Lily já traz um MMW com suas influências funk bem a mostra, agradando a todos com sua melodia. A experiência continua na batida selvagem e no timbre assustador de Rolling Son, outra estranheza das boas. A sonoridade alegre característica reaparece em Sweet Pea Dreams, durante a curta faixa de três minutos, tempo suficiente pra nos deixar com um belo sorriso no rosto. God Fire traz a loucura de volta aos teclados com um clima sombrio e o espetáculo termina sutilmente com Hidden Moon.

Um dos lançamentos do ano: lindo, essencial, raivoso e revigorante. Creio que eles são uma das maiores figuras da música atual e ficarão para história como um dos grande ícones de nossa geração.

Medeski Martin & Wood - Radiolarians I
Download (10 músicas - 88 MB)

Medeski Martin & Wood – Zaebos - Book Of Angels Volume 11
Download (11 músicas - 96 MB)

segunda-feira, 7 de abril de 2008

:: Medeski, Martin & Wood ::



"Hey, I found it"
por Marco Souza

O trio Jazzístico de New York volta com um novo trabalho, dessa vez eles buscam inspiração no universo infantil e gravam um álbum voltado para crianças. O resultado não pôde ser diferente, uma brincadeira genial que se musicaliza num disco para todas as idades.

Mesmo com essa temática os músicos não deixam de trançar texturas musicais complexas, muito groove, improvisações não virtuosas (evidenciando mais o ritmo e a música ao instrumento solo), ritmos quebrados e paradas pontuais misturados com letras simples e divertidas, além de gravações de vozes de crianças.

Como sempre eles não se prendem à própria cultura e continuam a viajar por diversos países dentro do universo sonoro. Com influências da música brasileira, como na percursão alimentícia de "All Around The Kitchen" e no samba-bossa de ninar "We're All Connected", buscando guloseimas na melodia oriental de "Far East Sweets" e revisitando velhos estilos norte-americanos em "Pirates Don't Take Baths" e "On An Airplane". Tudo no melhor estilo MMW de sempre, evidenciado em "Cat Creeps".

Não poderia deixar de mencionar uma das melhores músicas do disco, e uma de minhas preferidas da banda, groove transbordando numa interação perfeita entre bateria-baixo-teclado, pausas inesperadas, crianças gritando e John Medeski solando com sua marca registrada nos teclados. "Where's The Music?" Volte para o título. "Again!"

DOWNLOAD (mp3 - 67 MB - 15 músicas):