segunda-feira, 17 de novembro de 2008

:: da série PÃO QUENTINHO ::

LUCINDA WILLIAMS - Little Honey [88 MB]
http://www.mediafire.com/?imeqzrewotj




SHEARWATER - "Rook" [52 MB]
http://www.mediafire.com/?0euzwyhmldd



MARTHA WAINWRIGHT -
"I Know You're Married, But I've Got Feelings Too" [67 MB]
http://www.mediafire.com/?dzwo5nhweyd



MARGOT AND THE NUCLEAR SO-SO'S - "Not Animal"
http://www.mediafire.com/?2y4gmocnmn1


THE STREETS - "Everything is Borrowed" [45 MB]

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

:: No apologies, no lyrics, no regrets, just abstract ::


:: The Effects of 333 - Black Rebel Motorcycle Music (2008)

Esse textinho mal merece ser chamado de resenha: está mais para uma orientação do que você encontrará acaso adquira o novo disco do Black Rebel Motorcycle Club, The Effects of 333, entrecortado por algumas reflexões sobre a banda, a indústria, a arte, e algo sobre cavernas.

Começo por dizer que adquirir The Effects of 333 é algo que eu sugiro que você faça, tanto pela música (com as ressalvas que virão logo a seguir) quanto pela iniciativa da banda: gravar um disco de forma independente, sem apoio de estúdios, e vendê-lo em seu próprio site, sem intermediários, por honestos 6 euros/dólares. Acredito que um modelo de vida digno e sustentável entre bandas e seu público, via internet, se aproxime disso. Assim, prestigiar as bandas precursoras é mais do que justo, é uma obrigação nossa. Para ficar só nos nomes grandes, Radiohead e Nine Inch Nails são outras com as quais eu já compactuei, ideologicamente e monetariamente. Neste segundo aspecto, não que estas bandas em particular precisem, mas é pelo princípio. Acabaremos sendo os responsáveis por fazer a coisa se desenvolver neste sentido, estendendo-se para todas, as grandes, médias e as pequenas. Pense nisso.

Quando ao BRMC, nota-se que a banda continua inquieta. Depois do fantástico Howl, que representou uma primeira quebra na discografia do grupo, tivemos uma retomada com o Baby 81. Pois agora, uma vez mais, eles mostram o dedo médio para quem quer que esperasse uma nova emulação de Jesus and Mary Chain e saem do estúdio com um punhado de músicas ditas "instrumental/ambient". Esse rótulo está lá no site deles, como um aviso. Lê-se pouco depois: "no apologies, no lyrics, no regrets, just abstract".

E é isso mesmo, são dez faixas em sua maioria desprovidas de melodia, formadas por ruídos, fundos sonoros contínuos, sinistros e intrigantes; sons que se estendem com o objetivo aparente de soar como qualquer coisa, menos com música no sentido tradicional da coisa. Desconfio que boa parte disso seja a definição de ambient music (ou ambient music do mal), e de fato não há muito o que acrescentar à própria definição. Como um atenuante, e para não assustar totalmente os mais conservadores, algo de melodia aparece aqui e ali, começando pela bela And With This Comes, e depois esparsamente, em faixas que parecem versões instrumentais e inacabadas de sobras das sessões de Howl. Descontruídas por camadas extras de sons alienígenas, naturalmente.

Peter Hayes cantando não se ouve, mas disto você já desconfiava, ao chegar até aqui. Aliás, parece haver pouca intervenção humana mais direta, salvo os violões e guitarras ocasionais que conduzem as tímidas linhas melódicas já citadas. Em verdade, estas linhas parecem meros traços soterrados na tal ambiência, sem destinos possíveis, prestes a submergirem no caos. Soam até, paradoxalmente, como distúrbios breves, incapazes de se manterem, ao invés de serem elas próprias as mantenedoras da música, como se faz convencionalmente. Em And When Was Better, a última música, ouvimos finalmente uma voz humana. Vozes, melhor dizendo. Algo como um passeio pela faixa AM de um aparelho de rádio, a confusão de vozes e chiados somando-se à confusão já estabelecida desde a primeira faixa. Se ainda havia alguma esperança de conclusão, de sentido, já era. O disco termina e, sendo você uma pessoa normal, deverá estar algo perturbado, na dúvida se encara de novo a parada pedregosa.

Não é música para qualquer um -- nem sei direito ainda se é para mim, nem sei direito se é música. De qualquer forma, é sempre merecedora de atenção uma banda que arregaça as mangas e registra aquilo que quer, sem concessões e sem receios. Entendo como um forte indício de arte genuína. Daí que -- não sei se é uma falha de caráter minha ou alguma espécie de sentimentalismo -- costumo me identificar com material deste tipo, por mais distante que esteja de meus interesses habituais. Botou coração e uma boa dose de independência, fico mais tolerante e com espírito mais aberto. É, é um negócio meio sem sentido, mas cá estou eu realmente envolvido com este The Effects of 333. Ouço, não entendo muito, mas curto o processo, o desafio que parece estar ali escondido nas sombras desta música inóspita, esquisita. Vou me acostumando, e começo a procurar por outras bandas do estilo, para compreender um pouco melhor este mundo, que parece habitado por criaturas que moram em cavernas. Acho até que é um interesse com prazo de validade etiquetado, mas isso não descaracteriza o valor da coisa. Vamos ver o que as outras bandas têm a me dizer.

Devaneios à parte, fato concreto é que o BRMC mostrou coragem redobrada e cometeu mais esta ruptura, ainda mais brusca que a anterior. Algo a ver com as críticas ao Baby 81? Talvez. A nova saída do baterista Nick Jago? Provável. E assim seguem traçando sua trajetória, errando aqui, acertando ali, perdendo público cá, ganhando acolá. "Hold back the edges of your gowns, ladies, we are going through hell". À sua maneira, e isso tem peso grande. Não faço a mínima idéia do que os caras aprontarão a seguir -- não acho que esse disco antecipe nada, assim como Howl não o fez -- mas a essa altura eles já são, para mim, uma das bandas contemporâneas mais relevantes, uma das com que eu mais me identifico.


É o que posso dizer deste The Effects of 333. Considere-se avisado. Interessou-se? Dá uma passada na loja virtual dos caras e boa viagem. É baratinha e poderá ser bem compensadora.

:: amarante on the rocks ::



:: LITTLE JOY - idem (2008)

Um dos pães quentinhos mais aguardados do ano! O GURMAN, na Revista O Grito!, escreveu: "...chamar o Little Joy de “projeto paralelo de Amarante” é praticamente ufanismo. Muito bem acompanhado pelo rockstar americano (mas com sangue brasileiro) Fabrício Morreti, baterista do The Strokes e de sua namorada, Bikini Shapiro (nome sugestivo, não?!), Amarante solta o seu inglês nesta banda que já nasceu grande ou, como gostam de dizer por aí, hype. A gravadora responsável pelo lançamento é a pequena-grande Rough Trade Records e com a produção de Noah Georgeson (parceiro constante de Devendra Benhart), o clima livre, leve e solto faz com que o ouvinte “folk-se” junto. Impossível não se deleitar com o futuro hit “Brand New Start”, segunda música do disco, “Shoulder to Shoulder”ou “Unattainable”, cantada por Shapiro. Ou ainda com a country “How To Hang a Warhol”. E “Don’t Watch Me Dancing”, então?

Apesar de o Little Joy ser “vendido”no exterior como o projeto paralelo do “baterista do Strokes” – apesar de, no caso, ele também se arriscar na guitarra, baixo e piano - é Amarante quem assume as rédias. Sua voz, tão criticada na época de Los Hermanos se encaixa perfeitamente nas melosas melodias do trio. Seu característico timbre de guitarra, considerado deplorável por cri-críticos brasileiros soa como uma onda (desculpem a breguice). Outro ponto que vale ser ressaltado é a belíssima “Evaporar”, última música do disco, cantada em bom português e que remete institivamente a…Marcelo Camelo!! Aliás, se gravada por Camelo, “Evaporar” facilmente seria a melhor canção de seu Sou..."



DOWNLOAD (37MB - 11 músicas - 30min):
http://www.mediafire.com/?hdyrjjrmimu

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

:: Leonard Cohen ::

ALELUIA

Escrever sobre Leonard Cohen é ingrato. Qualquer coisa que se possa colocar aqui é menos que uma grande besteira perto do que ELE produziu ou pode produzir, seja em livro, música ou poesia. Mas vale o sacrifício se for pra que alguém conheça o cara, então vamos lá…

Apesar de sua obra ser mais conhecida por causa de versões de suas canções (
Hallelujah, pelo Jeff Buckley; Suzanne, por um sem fim de artistas; Hey, That’s No Way To Say Goodbye, pelo Renato Russo… haha!), Cohen é um dos artistas mais respeitados na música pop. É o típico “ídolo do meu ídolo”. E é sempre infalível ir atrás dos ídolos dos ídolos porque, invariavelmente, eles fazem você ficar feliz em esquecer seu anteriormente-considerado-como-artista-favorito.

Leo Cohen cantou/canta sobre sexo e amor e religião e suicídio e relacionamentos de uma maneira tão própria, lírica e desconcertantemente adulta que chega a doer. Sua mão direita no violão não é nem de perto virtuosa, mas, uma vez que se ouça, é impossível de confundir. Claro, estamos falando do Cohen dos seus primeiros trabalhos. Depois, a música caminhou por outros rumos – uns felizes, outros, não –, mas estes primeiros anos do “Cohen músico” (ele também é poeta e romancista respeitado) são essenciais para entrar em seu universo.

As músicas de
Songs of Leonard Cohen (1967), Songs From a Room (1969) e Songs of Love and Hate (1971) são em sua maioria minimalistas e mais próximas do folk europeu do que de qualquer outra coisa (apesar de Cohen canadense). Apesar das comparações com Bob Dylan, o outro judeu-poeta-gênio de sua geração, sua obra é bem mais datada. E, de um jeito curioso, isso só dá mais força a ela. São polaróides de uma época que já acabou, se é que já existiu. Um mundo mais lento, velho, escuro, salgado, inteligente, melancólico, sóbrio e difícil pra caralho de se descrever em uma resenha de 2000 toques.

Enfim, Leonard Cohen não merecia ser apresentado por este texto. Mas pode ter certeza que a sua vida merece o prazer e o descanso que é ouvir qualquer um destas três obras-primas. Boa pirataria.


:: Arrigo Barnabé ::


ARRIGO BARNABÉ

"Clara Crocodilo" (1980)

por ROGÉRIO SKYLAB


Eu não vivi a experiência do tropicalismo nem a ditadura militar. Para a minha geração essas duas referências nunca chegaram a ser marcantes no sentindo vivencial do termo, muito menos para mim que sempre tive uma família pacífica, para não dizer alienada. Conheci filhos de pais torturados pela ditadura militar e para esses, de uma certa forma, 68 continua. Pra mim não: nada mais longe do que isso.

Esse preâmbulo serve para dar a devida dimensão a um acontecimento aparentemente sem nenhuma importância: a chegada às minhas mãos de uma fitinha cassete, contendo as músicas do disco Clara Crodolilo. Quem me apresentara foi Sérgio Shuller. Na ocasião, 1982, fazíamos Faculdade de Letras na UFRJ, localizada na Av. Chile. É curioso que Sérgio dizesse parte daquele contingente citado acima de "filhos de pais torturados", porque todo seu movimento era justamente no sentido de negar esse fato. Fazíamos parte de grupos de poesia, líamos Rimbaud e fundamentalmente ele discutia muito com a mãe, formada no quado do antigo partido comunista. Claro que Caetano era uma referência, assim como Chico Buarque e toda mpb. E eu ia vivendo essa estória meio a contragosto, como se tivesse sido empurrado para dentro dela.

Até que a fitinha chegou. Muito mal gravada por sinal. Que som quebrado era aquele? Não compreendi nada. Uma voz gutural, e outra, mais aguda, que eu já tinha ouvido. Os sons de metais, a guitarra, a bateria, as canções completamente esquisitas. A minha turma não estava compreendendo nada, com exceção do Sérgio que lançava-me uns olhares cúmplices. Aquela primeira audição foi marcante: eu sabia que tinha um disco importante em mãos, mas não compreendia nada. Eu sabia naquele momento que haveria de ouvi-lo por muito tempo. E assim foi.

Hoje pensando no choque que representou Clara Crocodilo, produzido em 1980 (produção independente de Robinson Borba) com Arrigo Barnabé e a banda Sabor de Veneno, e trazendo no cast pessoas como Paulo Barnabé (Patife Band), o baixista Otávio Fialho, Itamar Assunção, Vânia Bastos, Tetê Espíndola, para não mencionar o texto das músicas e a capa do disco, é que de fato um novo mundo se descortinava. Era um golpe de karatê na MPB já moribunda.

Fodeu!!! Caetano deve ter percebido o estrago, tanto que tentou seduzir o inimigo. A música "Língua" traz uma menção explícita a Arrigo. A partir daí, o rock Brasil entra em cena. Basta pensarmos na Blitz, a 1a das bandas a surgir: uma versão carioca e ipanemense de "Clara Clocodilo". Estamos sob um outro sistema: a partir de Clara Crocodilo a reflexão dá lugar à ação; o banquinho e o violão dão lugar aos gritos e aos movimentos largos; a música tônica dá lugar aos ruídos, ao atonal e ao dodecafonismo.

Em referência à MPB, em nível de texto, desde a bossa-nova, tem-se a idéia da meditação, da reflexão, da mensagem a ser codificada. Quando a gente pensa no axé, nos grupos de pagode, ou mesmo numa música sertaneja, ainda que sejam formas exorbitantes, a MPB permanece dentro delas, senão como estrutura musical, ao menos como um modelo ao qual elas se aproximam ou se afastam. O sujeito na MPB está preservado: é ele que dá unidade a possíveis dissonâncias que são rapidamente resolvidas na tônica.

A pergunta "onde andará Clara Crocodilo?", pergunta essa que eu reintroduzo no "SKYLAB III", abre uma nova perspectiva: não se fala mais do sujeito, mas sobre o sujeito; se está além dele. Após possíveis respostas sobre onde andará Clara, chega-se nesta: "Será que ela está adormecida em sua mente, esperando a ocasião propícia para despertar e descer até seu coração, ouvinte meu, meu irmão?" Essa última possibilidade nos desloca para fora do sujeito, objetivando-o e dando-lhe um campo de foco. E esse é o último momento do disco, como se para chegarmos a tal revelação fosse preciso uma longa travessia: não só pelas músicas anteriores como pelos 20 anos que passou aprisionada num disco de sebo. De fato essa idéia de tempo contrasta com o imediatismo do mercado. E talvez tenha sido esse o pecado capital do rock brasileiro.

Em verdade, o rock Brasil traiu suas origens. A Blitz é um bom exemplo, porque foi a partir dali que o rock brasileiro dava os seus primeiros passos - isso, claro, sem considerar experiências isoladas e anteriores como os Mutantes. Mas foi com a Blitz que se desencadeou um movimento articulado que viria a dar no "Rock Brasil". E a experiência bem sucedida do movimento deve-se única e exclusivamente a essa traição: aproveitam-se as inovações no tocante a idéia de coro, a narrativa descolada da música, a total informalidade do narrados, coisas que estão presente em Clara Crocodilo, mas a estrutura musical continua intacta, dentro do universo da MPB - tão convencional como esta. Daí porque a sensação de que o rock brasileiro foi muito mais reformador que revolucionário: muda-se exteriormente toda a mis-èn-scène da MPB, mas interiormente a estrutura é intocável.

Talvez o futuro da música brasileira acene numa outra direção e algumas bandas, muito precariamente, já começam a dar sinais nesse sentido. A semelhança com a MPB é puramente externa - porém ao nível da estrutura, internamente falando, há uma profunda inversão. E a idéia de perversão é justamente essa. Os refrões não foram abolidos,mas têm uma outra função. O canto continua presente, assim como a guitarra, o violão, o baixo. Como em Clara Crocodilo, tudo isso está presente, mas a sensação de estrago, de terra arrasada é grande. Revivendo aquela primeira audição, a primeira idéia que surge é a falta de chão. Nada disso foi sentido ouvindo os grandes ícones da música brasileira. Seja Tom Jobim, seja Villa Lobos, você está em território seguro: nenhum susto, nenhuma sensação de mal estar; tudo já foi devidamente explorado antes: em Tom Jobim o jazz americano, em Villa Lobos o folclore nacional com a dignidade da música clássica. Mas em Arrigo há uma junção insólita: a música contemporânea com suas dissonâncias e seu atonalismo mais a cultura de massa. E isso deixa no ouvinte uma certa perplexidade: tudo que é dito em Clara Crocodilo é estranho e familiar ao mesmo tempo. "Você, ouvinte incauto, que no aconchego do seu lar, rodeado de seus familiares, desafortunadamente colocou esse disco na vitrola... o pesadelo começou."

É claro que esse pesadelo foi recalcado. A cultura tem essa função e o rock brasileiro serviu para isso. Em todas essas palavras, eu confesso que sempre tive em mente a idéia de não universalizar o sentido do rock. Até mesmo porque, ainda que o modelo do rock brasileiro seja o britânico ou o americano, a sua histórica começa com o declínio da MPB. Por outro lado, Beatles não seriam o que são sem o "Álbum Branco" e "Sargeant Peppers", experiências que estão longe de ter uma correspondência no rock nacional. A mesma coisa em relação a Frank Zappa. Portanto, é importante que relativizemos os termos.

Mas todo o recalcado volta. Outro dia, entrevistado por um grupo de estudantes, eu ressaltava a importância para a arte contemporânea da idéia da diferença. E um desses estudantes me perguntara na ocasião "por que a idéia da diferença seria a mais importante?". Eu diria que não é uma questão de importância, mas de ocultamento. Assim como a História da Filosofia é a história da Metafísica ou do ocultamento do Ser, segundo Heidegger, poderíamos também pensar na arte e portanto na MPB, esse mesmo processo de ocultamento. O prívilégio à loucura ou ao "non sense", que podemos vislumbrar hoje em algumas bandas independentes, participaria desse mesmo movimento da arte contemporânea no sentido de um desnivelamento. E o que é ocultado senão a physis (natureza para os gregos) ou o que se convencionou chamar modernamente de "politicamente incorreto"? Tudo aquilo que não tivesse uma lógica aparente ou fosse contraditório em si; tudo que estivesse fora do minimamente aceitável, estaria alijado do processo produtivo. Pensar a diferença é justamente pensar o que está à margem, o que ainda não foi domesticado, o que ainda não tem nome. E para tanto é preciso ser trágico.

Não existe uma história do trágico. Até mesmo porque ele aparece repentinamente, abruptamente. "Araçá Azul" é o momento trágico na MPB, rapidamente ocultado. Assim como foi "Cabeça Dinossauro" no rock brasileiro. Daminhão Experiença é tão trágico que a MPB permanece resoluta em desconhecê-lo. Mas Clara Crocodilo, mais do que Tubarões Voadores ou Gigante Negão, é a expressão mais acabada do que poderíamos denominar "trágico" na música brasileira. Até mesmo porque tudo aquilo foi construído conscientemente. E também porque não existe antecedente nessa junção da música erudita, via atonalismo e dodecafonismo, com a música popular. Essa junção insólita extrapola todos os códigos: é algo novo no Brasil e no mundo.

Fazer música para mim é não encontrar ressonância no punk, nem no Rock Brasil, e nem no hip-hop - esse último, hoje em dia, tão em voga através da MTV e selos supercultuados como o Instituto. O que significa estar também a mil milhas da MPB. Porque fazer música é fundamentalmente captar o que ainda não foi transformado em ideologia. O mais terrível é ouvir artistas supercultuados, como é o caso de Marcelo D2, passando pelos Racionais MCs, Nação Zumbi, e sentir em toda a verborragia exposta o laivo de moralismo que a sustenta. Fazer música pra mim é de uma certa forma repetir Clara Crocodilo. Ou então repetir infinitamente aquele momento inusitado quando ouvi pela 1a vez aquela fita cassete. Sérgio Schüller continua me olhando enquanto eu vou combinando alguns acordes para uma nova música. Logo ele que nunca mais encontrei. Lógico que existe um abismo entre essas minhas músicas e Clara Crocodilo. Mas o processo de repetição é esse mesmo: o eterno retorno do diferente.


(in: Noite Passada um Disco Salvou Minha Vida
- org: Alexandre Petillo. Ed. Geração Editorial)



DOWNLOAD (192kps, 58 MB):
http://www.mediafire.com/?jzmhyzi2yjn

terça-feira, 4 de novembro de 2008

:: Short Music For Short People ::


Isso ai: "Música curta para gente curta". Sem posts quilométricos do Lux (vulgo Eduardo), sem músicas infinitas de 9 minutos, sem solos de perus estrangulados, sem letras épicas. 101 músicas de hardcore-punk-ska em 49.5 minutos de anarquia sonora.

Esse album é como um disco de vinhetas, muitas músicas acabam exatamente quando parecem começar, mas interessante é perceber como certas bandas tem gás para se expressar em apenas 30 segundos e a música parecer completa. Bons exemplos são Bad Religion, Tilt, Pennywise, Down By Law e Bracket Jugheads Revenge. Além de possuir ótimos sons de bandas não tão conhecidas como Radio Days, 20%, Bodyjar, Nicotine entre outras.

Lançado em 1999, Short Music For Short People representa um ótimo recorte de como era o punk-rock e hardcore dos anos 90.

Download (68.5 MB)

1. Fizzy Bangers - Short Attention Span (0:08)
2. Less Than Jake - Anchor (0:29)
3. Teen Idols - Ketchup Song (0:29)
4. Terrorgruppe - All Cops Are Bastards (0:24)
5. Good Riddance - Overcoming Learned Behavior (0:27)
6. Chixdiggit - Quit Yer Job (0:24)
7. Living End - Ready (0:34)
8. Bad Religion - Out of Hand (0:39)
9. Hi-Standard - Asian Pride (0:29)
10. Aerobitch - Steamroller Blues (0:26)
11. Nerf Herder - Doin' Laundry (0:29)
12. Bigwig - Freehgan (0:31)
13. Undeclinable Ambuscade - Not Again (0:30)
14. Fury 66 - Waste Away (0:29)
15. The Ataris - The Radio Stills Sucks (0:28)
16. Unwritten Law - Armageddon Singalong (0:35)
17. A.F.I. - Hearts Frozen Soil Sod Once More by the Spring of Rape, Despaire, and H (0:31)
18. Dillinger Four - Farts Are Jazz to Assholes (0:33)
19. Spread - Surf City (0:28)
20. Swingin' Utters - Back to You (0:32)
21. The Bar Feeders - Outhouse of Doom (0:33)
22. Citizen Fish - Alienation (0:32)
23. blink-182 - Family Reunion (0:35)
24. Goober Patrol - Mirror, Signal, Wheelspan (0:28)
25. Killswitch - Saturday Night (0:31)
26. Enemy You - Bedroom Windows (0:24)
27. No Use for a Name - Sara Fisher (0:30)
28. Green Day - The Ballad of Wilhelm Fink (0:32)
29. Consumed - Delraiser Pt III: Del on Earth (0:27)
30. Mr. T Experience - Told You Once (0:11)
31. Lagwagon - Randal Gets Drunk
32. Gwar - Fishfuck (0:32)
33. The Dickies - Howdy Doody in the Woodshed (0:32)
34. Samiam - Long Enough to Forget You (0:29)
35. Dogpiss - Erik Sandins Stand-In (0:33)
36. 59 Times the Pain - We Want the Kids (0:20)
37. Bracket - Warren's Song (Pt. 6) (0:30)
38. Nomeansno - No Fgnuikc (0:31)
39. Descendants - I Like Food (0:17)
40. Dance Hall Crashers - Triple Track (0:32)
41. Guttermouth - Don Camero Lost His Mind (0:29). Lagwagon - Randal Gets Drunk (0:27)
42. Limp - X-99 (0:37)
43. Jughead's Revenge - Faust (0:30)
44. The Circle Jerks - Deny Everything (0:24)
45. The Offspring - Hand Granade (0:36)
46. The Mad Caddies - Mike Booted Our First Song, So We Recorded This One Instead (0:28)
47. Criminal - Union Yes (0:33)
48. Screeching Weasel - Dirty Needles (0:27)
49. One Man Army - 300 Miles (0:29)
50. Strung Out - klawsterfobia (0:30)
51. Youth Brigade - You Don't Know Shit (0:34)
52. The Groovie Ghoulies - Doin' Fine (0:27)
53. Tilt - John for the Workin' Man (0:30)
54. Spazz - A Prayer for the Complete and Utter Eradication of All Generic Pop-Punk (0:26)
55. The Damned - It's a Real Time Thing (0:31)
56. 88 Fingers Louie - All My Friends Are in Popular Bands (0:30)
57. D.O.A. - I Hate Puck Rock (0:31)
58. Pulley - Fun (0:31)
59. The Vandals - To All the Kids (0:28)
60. Pennywise - 30 Seconds 'Till the End of the World (0:31)
61. No Fun at All - Get a Grip (0:26)
62. Sick of It All - Blatty (Human Egg) (0:32)
63. All - I Got None (0:29)
64. NOFX - See Her Pee (0:32)
65. Seconds - F.O.F.O.D. (0:31)
66. Rancid - Blacklisted (0:26)
67. Diesel Boy - Chandeliers & Souvenirs (0:29)
68. Adrenalin O.D. - Your Kung Fu Is Old...And Now You Must Die! (0:31)
69. Frenzal Rhomb - My Pants Keep Falling Down (0:31)
70. The Queers - I Hate Your Fucking Guts (0:30)
71. D.I. - Comin' to Your Town (0:26)
72. Black Flag - Spray Paint (0:32)
73. White Flag - Rage Against the Machine Are Capitalist Phonies (0:28)
74. Anti-Flag - Bring It to an End (0:28)
75. Avail - Not a Happy Man (0:34)
76. The Real McKenzies - Old Mrs. Cuddy (0:30)
77. Agnostic Front - Traitor (0:30)
78. Down by Law - Life Rules 101 (0:31)
79. Radio Days - Wake Up (0:31)
80. Useless ID - Too Bad You Didn't Get In (0:33)
81. Poison Idea - Humanity (0:34)
82. Ken O'Steel - In Your Head (0:24)
83. Subhumans - Supermarket Forces (0:32)
84. Buck Wild - Tribute to the Mammal (0:22)
85. Lunachicks - Pretty Houses (0:28)
86. Dwarves - The Band That Wouldn't Die (0:37)
87. Bouncing Souls - Like a Fish in Water (0:33)
88. Trigger Happy - Turn It Up (0:30)
89. One Hit Wonder - Madam's Apple (0:31)
90. Hotbox - Staggering (0:28)
91. Twenty Percent - DMV (0:28)
92. Snuff - Big Fat Skinhead (0:30)
93. The Muffs - Pimmel (0:34)
94. H2O - Mr. Brett, Please Put Down Your Gun (0:29)
95. Bodyjar - Wake Up (0:33)
96. Nicotine - Eyez (0:25)
97. Satanic Surfers - Another Stale Cartoon (0:30)
98. Ten Foot Pole - I Don't Mind (0:31)
99. Caustic Soda - Welcome to Dumpsville Population You (0:25)
100. The Misfits - NY Ranger (0:03)
101. Wiso - The Count (0:31)

domingo, 2 de novembro de 2008

:: Echo and the Bunnymen ::

ECHO & THE BUNNYMEN,
“Porcupine” (1983)


ALTURAS INATINGÍVEIS

- Em momento de crise, o Echo & The Bunnymen
gravou um marco dos anos 80
-

por PEDRO SÓ (Showbizz, Discoteca Básica, Julho de 1999)

“O Echo me alucinou completamente. Fui morar em Liverpool para conhecer os caras que fizeram Porcupine” - COURTNEY LOVE

O Echo & The Bunnymen desenvolveu um trabalho tão bom que, apesar de amado por todos os que se iniciaram no rock durante a década passada, tem poucos discípulos. Discos como este, terceiro de sua carreira, realmente intimidam possíveis seguidores. Porcupine, porém, é uma escolha polêmica entre os fãs do grupo, que apreciam bastante o primeiro álbum, Crocodiles, de 1980, e mais ainda o quarto, Ocean Rain, de 1984. Para tirar a teima, ninguém melhor do que a própria voz de Ian McCulloch (vocalista e líder da banda), em recente entrevista: “Este é provavelmente o melhor disco do Echo. Foi horrível de fazer, mas é o melhor.”

Estamos diante de um daqueles álbuns que merecem ser escutados a fundo dezenas de vezes, em épocas diferentes da vida. Em 1982, Ian, Will Sergeant (guitarrista), Les Pattinson (baixista) e Pete De Freitas (bateria) jamais poderiam ter se permitido passear pelo mundo da fantasia de canções ultra-românticas como “Killing Moon” e “Crystal Days”, do belíssimo Ocean Rain. Depois de lançar dois discos cultuados, eles ainda perseguiam a sobrevivência: tiveram 25 libras (cerca de 100 reais) por semana. O sucesso não vinha e o clima na banda era de desconfiança. “Estamos perdendo o sentido da nossa missão”, verso da faixa-título, “Porcupine”, não era endereçado a nenhuma musa.


“Era Apocalypse Now na hora em que Marlon Brando sai retalhando porcos e faz sua pintura de guerra. Foi a fase mais claustrofóbica da minha vida”, lembra hoje o cantor. Os arranjos do disco, porém, jogam sempre para cima, para o épico. Somados às letras, eles denotam uma adorável arrogância de Napoleão de hospício.

Poucas vezes uma cozinha (Pattinson e De Freitas) tão limitada tecnicamente rendeu tanto, segura nas variações de dinâmica aprendidas ouvindo Velvet Underground. Raros são encontros como o do guitarrista Will Sergeant (versátil e sempre inventivo – talvez a grande estrela do álbum) com o do violinista indiano L. Shankar, convidado especial.

Em “The Cutter”, com introdução chupada de “Matthew and Son”, de Cat Stevens, até os trompetes sintetizados incluídos por “sugestão” da gravadora funcionam. Essa canção e “The Back Of Love”, encorpada com celos, deram ao Echo os hits que lhe faltavam. Mas o disco tem muitos outros momentos inspirados.

Na dramática “Clay” (“quando eu me fiz em pedaços, não era feito de areia / quando você me arrasou, o barro se esfacelou em minhas mãos”) e na lindíssima “Porcupine”, Ian McCulloch tira o rock do beco-sem-saída pós-punk, recuperando ambições jim-morrisonianas em canções sempre concisas (grande vantagem em relação ao Doors). Seu lirismo atinge o auge na última faixa, a ciranda psicodélica “In Bluer Skies”: “Estou contando com seu coração pesado / Será que ele me impedirá de me dilacerar?”


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http://www.mediafire.com/?m2kmjmzydyk

:: admite-se novos depredadores! ::


Hey povo! Apesar das aparências, a equipe Depredando é toda feita de gente honesta, trabalhadeira e cristã, sem muito tempo livre para dedicar ao crimes na blogosfera. Por isso, para manter o blog sempre atualizadinho e com material fresco, estamos procurando gente que se interesse em escrever textos inéditos a serem publicados aqui. Portanto, estão abertas as inscrições para novos colaboradores deste esplêndido empreendimento criminoso cibernético de alta periculosidade! Se você curte um bom som, tem um textinho firmeza e é entusiasta do livre trânsito das MP3s, pode se tornar um novo integrante da gangue Depredando o Orelhão. É trabalho voluntário, não-remunerado, praticamente escravo e que pode até te fazer ir em cana, quem sabe. Mas vai deixar sua mamãe orgulhosa e potenciais noras dizendo "esse é o genro que sempre quis ter...". Candidaturas devem ser enviadas para o e-mail educmoraes@hotmail.com, contendo:

- pequeno perfil biográfico, com idade, profissão, interesses, hobbies e outros detalhes que visem seduzir a simpatia do júri;

- uma listinha do que o candidato julga serem os 5 discos mais fodas de cada década, dos anos 60 à atual;

- uma listinha de 10 bandas prediletas;

- de duas a quatro pequenas resenhas, de no máximo 1.500 caracteres, sobre qualquer álbum, que serviriam como os primeiros posts do novo membro no blog;

p.s.: o upload dos discos e o design dos posts fica a nosso cargo!

É isso aí! Caso algum desequilibrado mental se interesse em fazer parte desse blog, considere-se convidado. Mais fácil que passar na Fuvest...!

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

:: WARNING for MALES: assistam de babador! ::



Ai, ai. Que coisinha mais linda. Completa perdição. Uma estrada para o pecado. Um ser humano para contemplação mística apaixonada. Alimento para amores platônicos de infinita intensidade. Quase uma prova da existência de Deus! Se uma linda mulher segurando uma guitarra já é um espetáculo que costuma ser sexy, imagina quando se trata do xuxuzinho da Feist, em Paris, ao vivo e a cores (e que cores!), cantando uma das minhas músicas prediletas: "Secret Heart". Ai, ai.

Secret heart, what are you made of?
What are you so afraid of?
Could it be three simple words?
Or the fear of being overheard?

(What's wrong?) Let em' in on your secret heart!

Secret Heart, why so mysterious?
Why so sacred, Why so serious?
Maybe you're just acting tough.
Maybe you're just not man enough

(What's wrong?) Let em' in on your secret heart!

This very secret that you're trying to conceal
Is the very same one that You're dying to reveal
Go tell him how you feel

Secret heart, come out and share it
This loneliness, few can bear it
Could it have something to do with
Admitting that you just can't go through it alone?

Let em' in on your secret heart

Go out and share it
This very secret heart.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

:: Buddy Guy ::

BUDDY GUY,
Stone Crazy!

por ADALTO ALVES

Eu fiquei alucinado quando ouvi Stone Crazy!, do Buddy Guy, pela primeira vez. Não lembro quando foi, juro. Parece engraçado. Esses choques na medula costumam ser marcantes, a ponto de determinar um ritual de passagem, do tipo eu nunca mais fui o mesmo ou algo parecido. Talvez eu tenha ficado tão atordoado que detalhes insignificantes, como data, horário, país, planeta ou a cotação do dólar tenham sido esquecidos de uma vez por todas.

Mas, se eu não me lembro quando foi que ouvi Stone Crazy! pela primeira vez, uma coisa é certa: eu nunca mais deixei de ouvi-lo. Ouço exatamente agora, enquanto escrevo, procurando, quem sabe, pela circunstância excepcional, recuperar aquela primeira impressão. Não é fácil, tanta água passou debaixo da ponte de lá para cá, tantas transformações ocorreram no mundo, na minha cidade, na minha cabeça, que eu não pareço mais o mesmo. Às vezes, nem sequer me reconheço. Mas a emoção de ouvir Stone Crazy!, se também sofreu mudanças, nunca deixou de ser forte o bastante para me aproximar de Buddy Guy.

Ele é o único sujeito no mundo que eu chamo de ídolo. O que não é pouco. Eu tinha um pôster do Elvis Presley no meu quarto quando era criança, e o primeiro disco da minha vida foi um compacto duplo de Elvis (com "Heartbreak Hotel", "Hound Dog", "Love Me Tender" e "Jailhouse Rock"), que veio encartado no primeiro número da revista Rock Espetacular, que me apresentou, aos 8 anos de idade, no Rio Grande do Sul, as caras e bocas de Bill Haley, Little Richard, The Beatles, Bob Dylan e que tais. A semente estava plantada. E por mais que, com o passar do tempo, eu tenha aprendido a admirar tanta gente boa e, neste caso, citar nomes seria odioso, Buddy Guy tornou-se para mim, a partir de Stone Crazy!, um fenômeno de proporções inquestionáveis. Não importa o que ele faça num disco, qualquer disco, eu estarei lá para aplaudi-lo.

Mas não se preocupem comigo. Eu gosto da música do Buddy Guy. Não sou o tipo do cara que monta fã-clube, faz página virtual para divulgar as curiosidades do artista, guarda álbum com fotos, caça autógrafos (e já estive perto o suficiente), compra bugigangas com a identificação do malandro ou não sabe falar de outra coisa.

Eu não sei se o Buddy Guy é casado, onde mora, quantos filhos tem, se vai ao dentista duas vezes por ano ou em que loja compra suas roupas. Nem quero saber. O que me interessa de verdade é que, aos 60 e tantos anos, ele gravou uma pancada na moleira magistral, chamada Sweet Tea. Mas eu quero falar de Stone Crazy!, que, se não salvou a minha vida a noite passada, me deu vontade de continuar vivo. Se o blues, comumente associado com a tristeza, tem o poder de me deixar feliz, é porque há mistérios na existência que não podem ser resumidos em fórmulas prontas (e gastas). Aprendam isso com o titio, crianças.





Eu cheguei ao Buddy Guy por vias tortas. Culpa do Eric Clapton. Chique, não é? Estava numa fase em que o gargalo do pós-punk, com suas especiarias góticas e apetrechos de brechó acumulados na penteadeira glitter, me dava o impulso de gritar: manera, Frufru, manera. A viadagem daquele tempo não caía muito bem nos ouvidos de quem tinha sido criado na escola do hard rock. Muito menos uma certa pose melancólica, deprimida e suicida, que gerou equívocos monumentais. Aquilo era muito chato. Eu também não tinha rebolado a pança nas pistas das discotecas, de modo que me faltava, como falta, apesar dos esforços em contrário, a sensibilidade adequada para entrar em sintonia com aquelas canções regidas por sintetizadores. Hoje pode soar ridículo, mas, na virada dos anos 70 para os 80, havia uma trincheira que separava os bad boys do heavy metal daqueles rascunhos de metrossexuais que borravam a cara de maquiagem e usavam penteados estrambóticos.

Eu nunca fui de achar o maior barato as guitarras distorcidas, acompanhadas por berros ensurdecedores e marteladas na bateria, ainda mais quando radicalizadas em feições trash, death, black e o diabo a quatro, mas entre as duas escolhas eu me posicionava entre os adeptos dos dedinhos em riste imitando chifrinhos, ai, ai. Que remédio? Não vou entrar na onda de comentar todo aquele período. Esse testo é movido mais pela paixão da lembrança do que pela razão da análise. Mas foi essa confluência básica, que colocava o rock numa encruzilhada (e a gente não imaginava o que viria pela frente), que me levou a procurar alternativas.

Foi quando encontrei, numa resenha do André Mauro, e aqui faço justiça ao meu guru na crítica de rock (um cara nunca citado, que alimentou a minha cabeça um bom par de anos e me fez pensar, definitivamente, em ser jornalista), uma fala atribuída ao Eric Clapton. Ele, Clapton, dizia que, no começo de carreira, ficava curioso para conhecer aqueles nomes que apareciam nos agradecimentos das contracapas dos discos de rock que chegavam dos Estados Unidos.

Nomes esquisitos como Muddy Waters, Willie Dixon, Howlin' Wolf (para mencionar uma trindade umbilical). E se o Clapton, que eu tinha em alta conta, ficou curioso, eu também fiquei (valeu, André Mauro). Resolvi, àquela altura do campeonato, embolado no meio de campo, correr atrás dos bluesmen. Seria uma forma agradável de gastar meu rico dinheirinho. Já que eu ainda não tinha muita coragem e paciência para mergulhar nas águas turvas do jazz, ficaria pelo menos na pré-história do rock.

Sábia decisão. Depois de atolar os pés nas margens barrentas do rio Mississipi, acabei atolado até o pescoço. Fiquei anos seguidos ouvindo preferencialmente blues de todas as vertentes, inclusive o brasileiro (ou aquele feito no Brasil). Até cheguei, em Goiânia, a manter um programa do gênero numa FM. Foi num disco do Muddy Waters, o fabuloso The Folk Singer, de 1963 (o ano em que eu nasci), "oh, my home is in the delta", que dei de cara com o Buddy Guy, então um moleque magricela, espremido entre o monstro sagrado Waters e o corpanzil de guarda-roupa, equivalente ao baixo acústico, de Willie Dixon, bem na capa. Não dei muita bola para aquele desconhecido. Mas logo na primeira faixa aquele moleque desgraçado aprontou uma comigo que eu nunca esqueci. Me arrepio só de pensar. A 1minuto e 3 segundos, ele começou a modular uma sequência aguda que foi me tirando o fôlego, sob as frases de Waters.


Aquilo foi numa tensão crescente. E eu no barco, boquiaberto. A 1 minuto e 34 s, ele arremata o acorde com uma tirada genial, simples, certeira, inacreditável em sua beleza. Pronto, bastou. Na hora, eu pensei: esse cara é um dos melhores guitarristas que eu conheço no mundo. Por conta de 30 segundos soberbos, espetaculares, que me tiraram do sério. Aos quais eu sempre volto, por Waters, por Dixon, por Buddy Guy, por mim.

O nome de Buddy Guy ficou gravado na memória. Mas ele não desfrutava, como desfruta hoje, da merecida atenção dos brasileiros, como um autêntico embaixador do blues, ao lado de B.B. King. Tarefa iniciada, salvo engano, em 1985, no 150 Night Club, em São Paulo. O esmo bar de um hotel cujo nome escapa pela contramão da lembrança, que também recebeu, suprema dádiva, a iluminada Alberta Hunter.

Quando Buddy Guy lá esteve pela primeira vez, com o chapa inseparável Junior Wells, eu morava em Tucuruí, no Pará. Trabalhava numa estação climatológica do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), que ficava ao lado da estação repetidora de televisão da verdadeira cidade, construída no meio do nada, para abrigar os trabalhadores das diversas empresas envolvidas na construção do que chamávamos de a maior hidrelétrica do Brasil. Longe demais das capitais.

Não sei por quê, uma bela noite, eu me infiltrava clandestinamente na estação repetidora, com a cumplicidade do amigo de plantão, para ver, creio que na Bandeirantes, imagens do show do Buddy Guy no 150 Night Club. Não lembro por quê, no equipamento privilegiado da estação, nós tínhamos acesso a algo que seria vedado ao comum dos mortais. Mas lembro que, mandando bala numas cervejinhas, eu vi Buddy Guy em ação pela primeira vez. Cara, foi outro choque. O figura não se limitou em ficar no palco. Desceu, soltou a voz no meio da platéia de almofadinhas, biritou nos drinques das mesas, colocou a guitarra no colo de uma mulher e, de sacanagem, fez o intrumento gemer. Sempre sorrindo. Feito maior para meus olhos esbugalhados: começou a solar feito um louco, atravessou o ambiente e entrou no banheiro. As câmeras atrás dele, Buddy Guy foi tocar guitarra para algum maluco chapado. Então descobri que Buddy Guy era meu ídolo.

Quatro anos depois, eu trabalhava como locutor de uma loja de departamento em Goiânia. (Quando fui fazer o teste, e disse que gostava de rock'n'roll, o filho-da-puta do gerente perguntou o nome do disco novo do Pink Floyd e eu não sabia, porque não era mais Pink Floyd, era o combo caça-níqueis do David Gilmour, sem Roger Waters. Como meu teste ficou marcado para mais tarde, eu decorei a porcaria do nome da porcaria do disco, que tinha aquele monte de camas espalhado numa praia, e anunciei, já no microfone, como oferta na discoteca. Consegui o emprego.) Fiquei sabendo então que Buddy Guy seria uma das atrações do primeiro festival internacional de blues de Ribeirão Preto. Pirei.

Cheguei no gerente geral e disse que iria a esse festival de qualquer maneira. Se ele não me desse licença, eu pediria demissão (era solteiro, morava com os pais, e ainda podia me dar ao luxo de ser irresponsável). Para minha imensa surpresa, ele não somente me liberou, como conseguiu ingressos para os cinco dias de shows, de graça, e um barraco para eu dormir, porque ele tinha um imrão, vereador, em Ribeirão Preto. Isso é que é sorte. Gente finíssima, o seu Marçal. Um abraço para ele e minha eterna gratidão (se ainda for vivo e chegar a ler isso).

Eu não apenas vibrei com o show do Buddy Guy (que, em certo momento, trocou toda a sua banda por músicos que o assistiam nos bastidores, saindo de cena, e deu uma tremenda força para o Flávio Guimarães, gaitista do Blues Etílicos, que abriu o festival, chamando-o ao palco), como tive o prazer de ver Junior Wells e Albert Collins, hojé falecidos, Magic Slim e Etta James. André Cristovam, posudo, miou em falso. Nunca mais voltei a um show do Buddy Guy no Brasil, e olha que, vira e mexe, ele aparece. Mas tenho seus discos, às pencas, de muitas fases e descobertas. E o vídeo do The Real Deal, ao vivo, lá no boteco que ele tem em Chicago, o Legends, com o branquelo do G. E. Smith.

Buddy Guy, para mim, é o autêntico responsável pela transição do blues tradicional para o blues moderno. Ele adotou tecnologias sem medo, potencializou o som de sua guitarra, que tem voz própria, identificável à distância, apurou o vocal de shouter e tem uma performance dinâmica e explosiva, sem perder um só segundo a linguagem primordial do blues. Como influência confessa de Jimi Hendrix, ele tem trânsito livre com o pessoal do rock. Depois de gravar com B. B. King e voltar a Robert Johnson, Clapton jura que vai gravar com ele. Passadas as mortes recentes de John Lee Hooker, Stevie Ray Vaughan e Junior Wells, Buddy Guy, com B. B. King, Otis Rush, John Mayall e uns poucos, apresenta-se como um dos últimos bastiões de uma época e de uma linhagem nobre. O blues não vai morrer, penso eu, embora muitos o vejam num beco sem saída. Mas certamente ficará mais pobre com a partida de Buddy Guy.



O que me leva a ressaltar a importância de Stone Crazy!, ainda hoje o meu disco preferido de Buddy Guy, lançado em 1981 pela célebre Alligator Records. "I Smell a Rat", de 9 minutos e meio, pega o ouvinte pelo pescoço. Começa com um urro de Buddy Guy e um imediato solo desenfreado de uma guitarra possessa e desequilibrada. Quando Buddy Guy começa a cantar, é a guitarra do irmão, Phil Guy, que segura o dedilhado e toda a base em todo o disco, para ele alçar vôo tranqüilo.

É bom lembrar que a banda enxuta se sustenta em J. W. Williams (baixo) e Ray Allison (bateria). A produção é de Didier Tricard. São 6 faixas, distribuídas ao longo de pouco mais de 40 minutos, como nos tempos originais do LP. Tudo fruto de uma urgência selvagem e de uma aspereza inqualificáveis. "Are You Losing Your Mind?", pergunta ele na 2a faixa. A resposta é sim, se você continuar espancando a guitarra desse jeito. Buddy Guy solta uivos enquanto sola, exatamente como no palco, onde a posição do microfone não é marca fundamental para mantê-lo parado. A voz atinge graus elevados de convicção absoluta. E pouco importa se você sabe inglês, porra. Eu falo de algo que transcende o bom senso, as boas maneiras e os belos padrões exigidos pelo mercado na hora de fazer sucesso e encantar as multidões (com playbacks, fogos de artifício, coreografias exaustivamente ensaiadas, jogo de luzes e troca de figurinos).

O que temos em Stone Crazy! é um músico extraordinário e um cantor arrebatado pelo blues, incapaz de conter o jorro da adrenalina. Se ele não consegue, por que eu deveria? Experimente você. A menor faixa do disco, "She's Out There Somewhere", dura 4 minutos e 26 segundos. parece que dou muita importância ao cronômetro. Não é verdade. Eu só quero dizer que esse tempo todo é gasto em descargas de alta voltagem, sem nenhuma excrescência. "Outskirts Of Town", que mais se aproxima da idéia pré-concebida que a maioria tem de um blues, por ser lenta e chorosa, transborda urbanidade cosmopolita e desesperada.

Stone Crazy! oscila, em suas características, do silêncio ao barulho enfezado. "When I Left Home" vai do gemido ao grito sem escalas intermediárias. Buddy Guy persegue extremos como não o vi perseguir em outros títulos com tamanhas entrega, sem se poupar. Há passagens em que Stone Crazy! se assemelha a um ensaio da banda, com Allison pontuando as lafas e enfatizando as explosões. Termina com Buddy Guy, num lamento onomatopaico ou péico ou o raio que o parta. Shit! Se eu estou triste, Stone Crazy! levanta meu astral, e se estou alegre, o disco mejoga ainda mais para cima. E dizem, os pobres coitados, que o blues é deprê. Ora, vão ouvir The Cure e me deixem em paz. Buddy Guy é o máximo!

TRACKLIST:

1 - I Smell a Rat (9:13)
2 - Are You Losing Your Mind? (6:37)
3 - You've Been Gone Too Long (5:41)
4 - She's Out There Somewhere (4:33)
5 - Outskirts of Town (8:09)
6 - When I Left Home (8:20)

DOWNLOAD (40 MB):
http://www.mediafire.com/?dwl1n2utkmm

(texto extraído do livro Noite Passada Um Disco Salvou Minha Vida, ed. Geração Editorial, organização de Alexandre Petillo, DIGITADO ARDOROSAMENTE pela Equipe Depredando de Benfeitorias Sônicas. Alguma datilógrafa gostosa quer vir trabalhar pra gente? Pagamos em breja!)

domingo, 26 de outubro de 2008

:: Kathryn Williams ::


KATHRYN WILLIAMS


"Her songs possess a magical quality made from sly, artful yet soulful contrasts. Her still, pretty voice delivering words that draw blood. Pastoral pop melodies that look at people with a modernist eye while spinning imagery from the natural world. Songs about liars, dogs, betrayals, depression, confusion and a quiet, seething hatred that pin down the true nature of love. The kind of music that reveals more dimensions with each listen, that stills drunk crowds into reverent silence, that seduces people that thought they'd had enough of singer-songwriters, especially female ones with acoustic guitars and sweet voices." - CRUD MAGAZINE

"It takes a lot of nerve to sing quiet stuff that people have to listen to in a live setting. I've lost my nerve and run a few times but I think there is too much big music around. Everyone wants to be the next big thing - where are the little precious things? The quiet love, the stillness and breathing?" - KATHRYN WILLIAMS

Little precious things. Taí uma ótima expressão para descrever as pérolas de melancólica beleza e tonalidade outonal que Kathryn Williams vem cometendo nestes últimos anos. Músicas de uma lindeza tão cortante e pungente que você se espanta perguntando: como ela tira tanta luz do poço de escuridão?

"What's the day without the night to give it birth?", canta ela no primeiro álbum, Dog Leap Stairs (1999), disco de infinita tristeza, que inaugura uma carreira de uma artista que irá evoluindo em direção a um certo alívio da tensão e de uma serenidade em meio à dor, mas que vai permanecer sempre um tanto cabisbaixa e subnutrida de alegria. Chegando à Revelations, seu álbum de 2004, vê-se o quanto ela alçou vôo: aquela mocinha extremamente insegura, dolorida e carente do primeiro álbum já se mostra bem mais à vontade em sua própria pele, gravando inclusive uma das coisas mais sexies que já se ouviu ("A Guy Who Takes his Time"). Como se sua própria música tivesse sido uma excelente temporada de psicoterapia.

Essa inglesa, nascida em 1974 na cidade dos Beatles, é mais uma esplêndida flor que cresce do solo de Liverpool. Se me perguntarem, Kathryn Williams é, apesar de um tanto obscura, uma das melhores cantoras-compositoras nascidas nesta década - e com uma discografia de meia-dúzia de discos sempre de alta qualidade. Tímida, discreta, sutil, introspectiva, Kathryn faz um folk sépia acizentado, de uma beleza ímpar, que remete a Nick Drake, Joni Mitchell, Nina Simone, Kings of Convenience, Aimee Mann e coisas parecidas. Ela já participou de um tributo à música de Tim e Jeff Buckley, já gravou musiquetas infantis para uma coleta que tem até Franz Ferdinand e Flaming Lips e já soltou um álbum só de covers sensacional.

Gosto de tentar traçar paralelos e encontrar divergências entre as mais brilhantes compositoras atuais. Enquadrar Kathryn Williams na "turma". A Fiona Apple, por exemplo, sempre carrega a mão no drama, no amargor e na catarse de ressentimentos amorosos mau digeridos. A Aimee Mann me parece mais doce, comportada, incapaz de abandonar um clima angelical mesmo quando está despedaçando os homens com palavras cáusticas. Já a Regina Spektor é mestra em ser lúdica, brincalhona e bem-humorada nas letras e na pronúncia das palavras, e sua dor é sempre muito bem canalizada, expressa por alguém de personalidade sólida, segura e difícil de abalar.

Neste quadro, a Kathryn Williams, uma mulher bem menos atraente que todas elas, sem o mínimo sex appeal para brilhar no mainstream belezocêntrico, aparece muito mais como uma deprimida outcast social, daqueles que nunca foi chamada para uma date pelos bonitões da escola e que teve que fabricar um caminho todo próprio para se valorizar. A carência afetiva é o que deixa impregnada de melancolia muitas das músicas dela e que parece ser uma espécie de traço distintivo. Como toda garota que não nasceu com um visual de cheerleader ou de coelhinha da Playboy, Kathryn parece nunca se sentir totalmente à vontade em sua própria pele. As personagens de suas músicas talvez encarnem seus próprios medos e neuroses: como a mocinha de "No One Takes You Home", que por mais que se pinte, se vista com lindas roupas e se perfume, não consegue ser levada para casa. É com um infinito desconsolo que ela canta: "You got to doctors to see if it's a medical problem / Cause no one takes you home." Sem meias palavras, ela traz à tona também o desengonço frente ao desnudamento na frente de um homem ("she thought if she took off her clothes / she could score men by embarassment"). Já em "Toocan", o tom suplicante e infinitamente carente é o que domina versos tão solitários e tão sonhadores - como: "Please, let me wake up one day and find myself found."

Em seu lindíssimo álbum de covers, Relations, ela consegue passear por músicas alheias (de Leonard Cohen, Neil Young, Big Star e Pavement, entre outros) com um raro senso de simultaneamente respeitar/homenagear e fazer-a-música-sua. Em sua releitura de "Candy Says", do Velvet Underground, canta os primeiros versos conseguindo encarná-los melhor do que Lou Reed jamais poderia: "Candy says 'I've come to hate my body / And all that it requires / In this world'." Já na lindíssima cover de "All Apologies", parece que incorpora as palavras imortais de Kurt Cobain de modo que elas soam completamente autênticas - como, quando ela canta, de modo tão tocantemente eficiente, o célebre "I wish I was like you, easily amused...".

E, por falar em Kurt Cobain, apesar de não haver qualquer semelhança sonora entre Nirvana e Kathryn Williams, uma certa proximidade espiritual pode ser percebida, principalmente numa certa melancolia desconsolada à qual Kathryn parece ter se acomodado, como se encarnasse aquele "comfort in being sad" que Kurt dizia sentir saudades de sentir. Por isso definir a música de Kathryn como "triste" seja algo simplista e mutilador: a música dela é capaz, sim, de confortar, aliviar, ninar, espantar, acariciar - e até mesmo alegrar.

Na primeira faixa de sua obra prima Old Low Light, ela se pergunta: "if heaven and hell / were all in the same place / would fences appear?" A grande "sacada" de Kathryn Williams parece ter sido a de que céu e inferno coexistem em todo lugar, inclusive dentro de cada um de nós, e que o artista deve criar a menor quantidade possível de cercas dentro de si, sem condenar ao exílio tudo de sombrio, lacrimejante ou torto que nota em sua galáxia interior - coisas que, na verdade, merecem ser expressadas tanto quanto o que é direito e contente.

(Depredando destaca 4 discos essenciais da discografia da moça:)

1999 - "Dog Leap Stairs"
http://www.mediafire.com/?mc35ew3xqvr


2000 - "Little Black Numbers"
http://www.mediafire.com/?jrnpxxwnj1f
FAIXA A FAIXA comentadas pela própria K.W. aqui.



2002 - "Old Low Light"
http://www.mediafire.com/?ozqreasvc0r



2004 - "Relations"
http://www.mediafire.com/?xmt001hmhod


:: entrevista ::



SAIBA MAIS: MYSPACE --- SITE OFICIAL --- ENTREVISTA NA NICKDRAKE.COM ---

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

:: cérebro eletrônico ::


CÉREBRO ELETRÔNICO
, Pareço Virtual (EP)


"Somos rapazes de família – apenas parecemos modernos – e por essa razão não costumamos dar nada no primeiro encontro. Não se trata de moralismo religioso ou capitalista, apenas de um mecanismo de molas que se contrai para armazenar força e então expandir plenamente. Pois é somente depois de estabelecida certa intimidade que tem início o processo de concessão e abertura de certos limites. O resto é apelido carinhoso, planejamento familiar, contas a pagar e reformas da sala.

Estamos íntimos?

Então agora podemos dar sem receio. Não tudo. Porque não queremos que acabe cedo, antes do terceiro disco. São 8 músicas muito bem selecionadas na plantação recente. Começamos com “Pareço Moderno” e “Dê” (as mais pedidas), descemos o morro com “Mar Morro” e subimos aos céus com “Os Astronautas” em versão ao vivo gravada em Rodoxland (o antro florestal de criação cerebral). As 3 últimas são presentes que ganhamos, remixes feitos por amigos e comparsas. “Antes Eu Tivesse Convivido Só com a Minha Guitarra” feita por AnvilFX, “Dominó Tecnológico” por Macacorama e “Pareço Moderno” remixada por Guab.

Para lançar esse EP optamos por agregar os amigos reais e virtuais. Muitos deles mantém seus BLOGS e então nos perguntamos: “por que não oferecer o arquivo e deixar a galera fazer o que bem entender?”. E foi isso mesmo o que aconteceu. O EP está disponível em blogs camaradas para quem quiser usufruir.

Depois tem mais, ok?

* * * * *

Transcendendo os limites tradicionais de gêneros, a música da banda desafia as simples definições enquanto flutua entre a eletrônica, o rock, o pop e a MPB. Ao contrário de outros artistas que foram atraídos pela idéia de canibalismo musical proposto pelo tropicalismo, o balanceamento eclético de gêneros proposto pelo Cérebro Eletrônico não soa forçado ou autocentrado.

As simples e estranhas melodias, as letras inteligentes, o frescor do som e a elegante produção garantiram ao Cérebro elogios fervorosos da crítica e um público fiel e entusiasta que não pára de crescer. As melodias da banda são diretas, muitas vezes atraídas pela maneira familiar da cultura pop, mas ao mesmo tempo com arranjos não convencionais e surpreendentes. TatáAeroplano, compositor e vocalista da banda, disse em uma entrevista que grande parte da música moderna se parece com os filmes de Hollywood nos quais logo no início você geralmente já sabe o que acontecerá no meio e também prevê e antecipa o final. O Cérebro Eletrônico quer fazer exatamente o oposto com sua música: surpreender o ouvinte.

PHILIP JANDOVSKY

DOWNLOAD (disco + encarte - 37 MB):
http://www.4shared.com/file/67938131/aac1bfe9/Crebro_Eletrnico_-_Pareo_Virtual__EP_.html

MYSPACE: http://myspace.com/cerebroeletronico

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

:: Big Bad Voodoo Daddy ::

BIG BAD VOODOO DADDY, Self-Titled (1998)

Disquin' firmezura pra ficar contente: uma bandaça dos anos 90 tocando jazz de big-band e swing dos anos 40 e 50. Tudo redondinho, empolgante e c'umas metalzeiras tri-legais. Este disco de 98, estréia numa gravadora major, é inteirinho fodástico e deixa animadas até as manhãs de segunda-feira no trabalho. Inclui aquelas musiquinhas esplêndidas e lúgubres que apareciam nos desenhinhos da Betty Boop! Tipo esse crássico episódio banido, ao som de "Minnie The Moocher":


Biography by Stephen Thomas Erlewine (AMG)
Like Squirrel Nut Zippers, Big Bad Voodoo Daddy revived big band music for the '90s. BBVD concentrated on the swinging days of the '40s and '50s, borrowing some of the Rat Pack lingo in addition to the zoot suits. Formed in Los Angeles in 1992, the group quickly built up a following by playing regularly on the local lounge circuit, playing to Gen-Xers enamored with the kitschy charm of the cocktail nation. This burgeoning lounge scene was captured in the hit 1996 indie comedy film Swingers, which featured a song by Big Bad Voodoo Daddy on the soundtrack. By the end of 1997, the band had self-released two albums — Big Bad Voodoo Daddy and Whatchu' Want for Christmas — which were local hits and led to a major-label contract with Capitol Records. In February 1998, Capitol released the group's major-label debut, Big Bad Voodoo Daddy, which was not the same album the group had previously released on their own. This Beautiful Life followed a year later. By the time the band came together for a follow-up, Big Bad Voodoo Daddy had sold over three million albums, performed at Super Bowl XXXIII with Stevie Wonder and Gloria Estefan, and had their music used in over 60 film and TV trailers. Big Bad Voodoo Daddy were unstoppable. Their fifth album Save My Soul was slated for a July 2003 release, five years after their Interscope debut.


DOWNLOAD (70 MB, 192kps):
http://www.mediafire.com/?12ntnnz5nz2
MYSPACE:
http://www.myspace.com/itsthebigbadvoodoodaddy

Big Bad Voodoo Daddy - Mr. Pinstripe Suit

Sensacionár!