quinta-feira, 10 de julho de 2008

:: Motörhead ::


"Safe sex, safe music, safe clothing, safe ozone layer, too late! Everything that has been achieved in the history of mankind has been achieved by not being safe."
- LEMMY

Se o Motörhead se mudasse pra tua vizinhança, todas as simpáticas velhinhas católicas (a não ser as que já eram surdas), todos os bichinhos de estimação fofinhos, toda a horta lindinha, todo o jardim cultivado com muito esmero e repleto de flores tão líricas, todo o gramado tão bem aparado e cheio de borboletinhas e ursinhos carinhosos felizes e saltitantes, morreriam todos em poucos dias, em terrível e sangrenta agonia, caindo aos pedaços numa carnificina digna dum Happy Tree Friends. Dizimados a golpes de excesso de decibéis, no caso dos membros do reino animal; ou cobertos por uma monturama colossal de latinhas de cerveja e bitucas de cigarro, no caso dos mortos do reino vegetal. Não concebo elogio melhor a fazer a esta estupenda obra de agressão pura que é o Motorhead. Nada melhor que Lemmy e companhia para causar estrago nas redondezas e deixar como rastro uma pilha de cadáveres de coisas horrorosamente bonitinhas.

Eu sou daqueles radicais que acham que quem não gosta de Ramones, de AC/DC, de Motörhead e de Beatles boa gente não pode ser. Como é que alguém pode não se empolgar com um som tão imundo, tão encardido, tão estupidamente barulhento, tocado com tanta fúria e empolgação? Lemmy Kilmister (baixo e vocal), Phil 'Philty Animal' Taylor (batera) e 'Fast' Eddie Clarke (guitarra) construíram com este power-trio uma instituição sagrada da música pesada, capaz de agradar ao mesmo tempo a fãs de metal, de punk, de hardcore, de grunge... É uma das poucas bandas que faz com que um punk possa pogar alegremente ao lado do metaleiro que headbanga, sem que o primeiro queira furar o olho do segundo com seu moicano ou o segundo queira esmagar a cara do primeiro com seu soco inglês.

Sem falar que Lemmy Kilmister é mito. Depois de 5 anos fazendo parte dos space-rockers do Hawkwind (foi expulso da banda depois de ser preso no aeroporto com um monte de anfetamina na mala), formou banda própria em 1975 e chamou-a de Bastard. Depois que a gravadora julgou tal nome "anti-comercial", mudou-o para Motörhead, gíria inglesa que nada tem a ver com o mundo glorioso do automobilismo: é uma denominação para os junkies que se entopem de speed e ficam a mil... Daí em diante, soltaram uma pá de clássicos do rock pauleira que soam foda até hoje - com destaque para os três crássicos que destacamos aqui no Depredando hoje: Ace of Spades, Overkill e o ao-vivo duplo No Sleep 'Til Hammersmith.

Lemmy é o tipo de cara com quem você não gostaria de trombar num boteco ou num beco escuro. Tretar com ele seria péssimo conselho para teus ossos. Ele é um daqueles caras assustadores: um ursão do mal com cara de alcóolatra, comportamento psicopata e voz de vilão de filme de terror. Quase um personagem de Charles Bukowski, mas com a grande vantagem dupla de ser real e de fazer um rock and roll bom da porra. Se ele viesse vindo na minha direção na rua, eu provavelmente mudaria de calçada pra não cruzar com esse vândalo, esse criminoso, esse desequilibrado, esse machão insensível e impiedoso, que fala grosso e ri certamente a prototípica Risada Diabólica; mas no meu aparelho de som curto a companhia desses loucos viris e destruidores de tímpanos que fazem música cuspindo para fora suas vísceras ensanguentadas.

* * * * *

p.s: Um dia um jornalista pediu ao Lemmy qual sua filosofia em relação à vida, ao amor, a Los Angeles, às mulheres, ao dinheiro e, principalmente, ao rock 'n roll. Ele respondeu: "A vida é um sanduíche de merda, por isso quanto mais pão você colocar nele, menos merda vai ter que comer. O amor é algo que, aparentemente, só os homens sentem, as mulheres só vão contando o dinheiro. Los Angeles é o lugar onde eu moro e dinheiro foi feito para gastarmos. Rock 'n roll é a única religião verdadeira. Deus nunca ouviu as minhas preces, já Little Richard jamais me decepcionou."

Gênio!




"THE ONLY WAY TO FEEL THE NOISE
IS WHEN IT'S GOOD AND LOUD!"


:: DOWNLOADS (SÓ CRÁSSICO!) ::


"OVERKILL" [remasterizado e com bonus tracks]
(mp3 de 192kps, 57 MB):
http://www.mediafire.com/?1bw4yei2z5g
[ letras ]



"ACE OF SPADES" [remasterizado e com bonus tracks]
(mp3 de 192kps, 63 MB):
download: http://www.mediafire.com/?cgdnytatja1
[ letras ]


"NO SLEEP 'TIL HAMMERSMITH" [remasterizado e expandido]
disco 1: http://www.mediafire.com/?zmumbyykzze
disco 2: http://www.mediafire.com/?ilvycb5by2q

domingo, 6 de julho de 2008

:: da série PÃO QUENTINHO - discos de 2008 ::

BECK - "Modern Guilt"
(mp3 de 192 kps - 71 MB )
http://www.mediafire.com/?c4tnwbd0dpe




FLEET FOXES - "Selft-titled" + "Sun Giant EP"
(mp3 de 192 kps - 86 MB - um LP e um EP)
( AMG - Pitchfork )
http://www.mediafire.com/?szf9nnxbsce



RACOUNTERS - "Consolers of the Lonely"
(mp3 de 192kps - 88 MB)
http://www.mediafire.com/?wqwc5dwm3fp



FREE KITTEN - "Inherit"
(mp3 de 192 kps - 77MB)
(Kim Gordon do Sonic Youth + a mina do Pussy Galore)
[myspace: http://www.myspace.com/freekittennyc ]
[download: http://www.mediafire.com/?qmdbbnzxzzy]



LIGA LEVE - "O Disco dos Carros"
(download no site oficial da banda:)
http://www.telecoteco.com.br/ligaleve/carros/index.html

sábado, 5 de julho de 2008

:: Slayer ::


:: SLAYER - “Reign In Blood” (1986) ::

EMBAIXADORES DO DEMO
Em 1986, o peso e a agressividade do Slayer
levaram o metal a uma nova dimensão

- por GASTÃO MOREIRA -
(ShowBizz, agosto de 1999)


Seja bem-vindo ao mundo dos pesadelos patrocinados pelo quarteto californiano Slayer, povoado por anjos da morte, assassinos sádicos, sacrifícios e chuvas de sangue. Os temas, hoje banalizados e esgotados, causaram furor na época em que todos queriam levar o heavy metal ao extremo do binômio velocidade / agressividade.

Reign In Blood, lançado em 1986, traz o Slayer na sua melhor forma com os diabólicos guitarristas Kerry King e Jeff Hanneman, o chileno Tom Araya no baixo e vocal e o tremendo baterista cubano Dave Lombardo (hoje no grupo thrash Grip Inc. e no Fantômas, do ex-cantor do Faith No More Mike Patton), impecável na técnica e rapidez. Lombardo comentou certa vez sobre a predileção de todos por hardcore – não o de Green Day ou Rancid, que receberam essa nomenclatura recentemente, mas o punk rock seco e cru dos anos 70 e 80, de gente como o Circle Jerks e o GBH – o que foi confirmado anos depois com o álbum de covers Undisputed Attutyde, de 1996, um protesto contra o mau uso do nome.

Em Reign In Blood a veia core se misturou ao sangue sujo de speed metal e deu no que deu: um disco de raro impacto nos ouvidos, que fez com que outras bandas à época consideradas ferozes soassem inofensivas como o Abba. Fora a maldade natural dos integrantes, outro fator que contribuiu para tamanho peso foi a produção do barbudão Rick Rubin, o descobridor do Slayer. Rick manteve toda a sujeita e ainda conseguiu dar definição a todos os intrumentos, coisa rara no gênero.

“Angel Of Death” (com alusões ao infame carrasco nazista Joseph Mengele) e “Raining Blood” garantem uma fratura exposta na cervical de tanto sacudir a cabeça. “Necrophobic”, “Jesus Saves” e “Criminally Insane” consagram o estilo slayeriano que causou tanto estrago. As letras gritadas são típicas de adolescentes que querem chocar os avós e, ouvidas hoje em dia, podem parecer meio bobas. Mas isso não importa. O Slayer é um dos poucos que, até hoje, se mantêm irredutíveis na maneira de sonorizar o apocalipse, mandando às favas toda e qualquer concessão musical. Reign In Blood prestou um serviço ao rock pesado ampliando seus limites até a periferia do inferno.

DOWNLOAD (mp3 de 192kps - 48 MB - 12 faixas - 34min):
http://www.mediafire.com/?5ofmvjwejyz

quarta-feira, 2 de julho de 2008

:: os 10 melhores dos anos 60...- #02 ::

#02



:: THE BEATLES, Revolver (1966) ::
por Eduardo Carli de Moraes


1966 foi um ano de transformações radicais para os Beatles. Alguns anos de pop-stardom extremo e contínuo tinham servido para alquebrar e amadurecer os 4 garotos de Liverpool. Eles, que foram ficando cada dia mais enfezados contra o frenesi das platéias endoidecidas da beatlemania, cujo fuzuê e gritaria histérica impediam que a banda conseguisse se ouvir durante os shows, parecem ter atingido o ponto de saturação neste ano. Um tanto cansados dos coros de adolescentes possessas e de hormônios à flor da pele, que se desmanchariam em histerias mesmo que Paul tirasse meleca do nariz ou John coçasse o saco, os Beatles estavam prestes a se retirar para um refúgio artístico mais plácido. Cientes de que a sonoridade cada vez mais complexa e arrojada da banda era praticamente irreproduzível ao vivo, ainda mais em meio à ensurdecedora papagaiada dos fãs, os Beatles estavam abandonando os palcos para se dedicar exclusivamente aos experimentos no estúdio.

Períodos turbulentos. A aprovação popular unânime e entusiástica que eles pareciam ter conquistado até então pareceu derrapar um pouco em certas ocasiões, como na desastrosa turnê que fizeram para as Filipinas, um dos capítulos mais patéticos de todo Beatles Anthology. Outros dissabores desagradáveis tiveram que ser suportados, como no caso bizarro que foi a organização de várias fogueiras públicas onde discos, pôsteres e fotos dos Beatles eram postos em chamas por organizações cristãs fundamentalistas. Isso porque alguns padres e outros soldadinhos do Senhor tinham ficado revoltados com a impertinente declaração de John Lennon de que a banda significava mais para a juventude britânica do que Jesus Cristo e estavam dispostos a reacender as chamas da Inquisição e ali queimar as bruxas chamadas Help!, A Hard Day's Night, Please Please Me... Para o bem da Humanidade, conclamavam eles no Rádio, traga todo seu Lixo Beatle para ser dizimado, irmão! Membros da Klu Klux Klan ameaçavam atacar a banda em algum show (um dos momentos mais engraçados de todo o Beatles Anthology é a entrevista com um desses malucos...) e paranóias envolvendo snipers e terroristas dispostos a apagar os Beatles assolavam as mentes de George Martin, Brian Epstein e da gravadora.

Além disso, não é mais com tanta segurança que os Beatles estavam no top of the pops, podendo se considerar sem rivais à altura. Os Beach Boys, com o clássico instantâneo Pet Sounds, tinham feito uma obra tão magistral a ponto de deixar McCartney inebriado de admiração e assustado com sua nova tarefa - a de tentar superar Wilson. Os Rolling Stones e o The Who, que ganhavam fama como uma espécie de lado B negro e diabólico que constrastava com a face beatle sorridente e boazinha, também eram novos candidatos ao posto de reis do rock. Sem falar em outras bandas de menor quilate, mas que arquitetavam então maravilhas psicodélicas que entrariam para a história - caso dos Kinks com Face to Face e dos Zombies com Odessey & Oracle. Tudo isso deixava claro para Lennon, McCartney, Harrison e Starr que havia concorrência acirrada nas pessoas de Wilson, Jaggers e Richards, Ray Davies... Ou os Beatles tratavam de continuar a criar música pop cada vez mais perfeita, ou seriam destronados logo por tantos talentos nascentes. Syd Barett e o Pink Floyd, aliás, estariam gravando The Piper at The Gates of Dawn no estúdio ao lado daquele onde os Beatles estariam registrando Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band - quer símbolo mais emblemático de um Duelo de Gigantes pelos holofotes do pop?


Em 1966 a banda já parecia ter amadurecido dum modo radical e as músicas de amor bobinhas sobre querer segurar na mãozinha da moça e dirigir por aí alegremente tinham sido substituídas por temas mais complexos e experimentações mais pesadas. Se no começo da carreira o rock and roll de Elvis, Chuck Berry, Little Richard e Jerry Lee Lewis parecia a principal força propulsora da música beatle, a partir de 1965 o fantasma de Bob Dylan é que começa a assombrar a arte dos Beatles, influenciando-a e modificando-a para sempre.

Os perfeitos arquitetos do pop alegre e entretivo agora estavam se levando mais a sério como artistas de vanguarda. Os meninos bonzinhos que toda mamãe gostaria de ter como genros agora estavam fumando maconha, fritando os neurônios com LSD e fugindo dos caminhos fáceis que poderiam ter continuado a trilhar ao somente dar ao público o que ele pedia. A banda de rock mais bem-sucedida da década estava prestes a se tornar algo muito mais colossal do que um mero fenômeno comercial incrível e uma febre cultural de proporções faraônicas.

O disco anterior, Rubber Soul, já apontava para uma expansão dos horizontes artísticos dos Beatles, que pareciam ter ganho a ambição de não ser somente a maior e mais bem-sucedida banda de rock do mundo, mas também a melhor, reconhecida pelos entendidos como criadora de verdadeiras obras de arte. “Norwegian Wood” já apontava para os experimentos com instrumentos excêntricos que se tornaria marca de George Harrison; "Yesterday" já tinha demonstrado a fineza da sensibilidade romântica de McCartney; "You've Got To Hide Your Love Away", de Help!, já dava o primeiro gosto do talento folk dylanesco de Lennon; e “Nowhere Man” já demonstrava que os “temas” de canções estavam com um leque mais aberto...

Em Revolver, disco da prolífica e genial fase psicodélica dos Fab Four, a banda transborda de auto-confiança, criatividade e vontade de experimentar novos formatos musicais ao invés de repetir a mesma fórmula de sucesso que já havia dado tão certo.

“Paul McCartney incentivando os Beatles a fazerem pequenos trechos superspostos, inspirados em John Cage e Stockhausen. John Lennon querendo soar como o dalai-lama no alto do Himalaia ao cantar letras inspiradas no Livro Tibetano dos Mortos. O dedo oriental de George Harrison em uma canção sem mudanças de acordes. A bateria frouxa de Ringo Starr, mais tarde ressuscistada por moderninhos como Beck (“New Pollution”) e Chemical Brothers (“Setting Sun”). O produtor George Martin obrigando funcionários dos estúdios Abbey Road a sincronizarem gravadores em colagens aleatórias de som. O técnico Ken Townshend inventando os vocais ADT (Artifical Double Tracking) e o engenheiro de som Geoff Emerick metendo a voz de Lennon numa caixa Leslie dentro de um órgão Hammond. E isso tudo no 1o dia de gravação do 7o disco dos Beatles, para uma única canção. A música era “Tomorrow Never Knows”, mas ali, no início do álbum, o grupo assinalava a faixa como o começo de uma nova fase, batizando-a sem modésita 'Mark I'." - ALEXANDRE MATIAS, Showbizz.


Os interesses dos Beatles agora pareciam ser o LSD e toda a Experiência Psicodélica dos anos 60; as religiões da Índia, os instrumentos excêntricos (como as cítaras) e uma espiritualidade que se voltava muito mais para o mundo oriental do que para o ocidental; um radicalismo musical que deixava claro que os Beatles estavam de vez no caminho da Arte, deixando para trás o Comércio. A temática começou a variar mais: havia uma música de protesto contra os excessos do sistema de impostos inglês (“Taxman”), explorações de estados de consciência oníricos e sonambúlicos (“I’m Only Sleeping”), viagens musicais a reinos hindus (“Love You To”) e até mesmo uma tentativa de reprodução sônica de uma trip de ácido saturada de misticismo religioso (“Tomorrow Never Knows”).

O que não impedia que houvesse pop perfeito e divertido, em canções sobre dizer alegres bons-dias aos raios de sol (“Good day Sunshine”), sobre viver debaixo das águas em submarinos amarelos ("Yellow Submarine") e, claro, sobre tomar drogas (“Dr Robert”, o “médico” que tinha medicinas que eram o maior barato, meu..., e “Got To Get You Into My Life”, que apesar das aparências é uma canção de amor à maconha e não a uma garota!). Mesmo nas músicas de amor, Revolver, ao invés de ser a simplista celebração alegre de um amor adolescente e ingênuo, como era comum no início da carreira dos Beatles, é uma exploração da solidão (“Eleanor Rigby” e “For No One”) ou de uma suavidade singela tocante (“Here, There and Everywhere”). Pérolas que, como diz o Matias, “transformam McCartney em um jovem Schubert, compondo pequenas sinfonias em vez de baladas de amor".

* * * * *

Decidir qual o melhor disco dos Beatles é a tarefa das mais ingratas, decerto - um beatlemaníaco legítimo sente-se como uma mãe que precisa dizer qual filho ama mais e simplesmente não consegue se decidir - mais ou menos como Meryl Streep em A Escolha de Sofia.... Mas, se fosse preciso escolher, eu ficaria com Revolver - e que me perdoem os que preferem Sgt. Peppers, Abbey Road, Rubber Soul, o White Album ou algum outro....

Que Sgt. Peppers tenha causado um impacto maior no cenário cultural é quase indubitável – como diz o Newman, “pessoas contam histórias sobre ouvir Sgt. Peppers pela primeira vez que parecem mais descrições de epifanias religiosas, mas quase não há histórias similares sobre Revolver” (pg. 8). Mas concordo plenamente com Clinton Heylin, que diz: "Que Pepper seja digno de tanto louvor, é algo que aprendi a aceitar; que seja chamado de melhor álbum de todos os tempos, francamente ainda acho risível". Eu não chegaria ao extremo de dizer risível, mas acho que Pepper só teria condições de competir com Revolver se nele estivessem "Strawberry Fields Forever" e "Penny Lane" no lugar de musiquinhas de segunda linha como "For the Benefit of Mr. Kite!" e "Good Morning Good Morning". Já Revolver não tem uma única música que seja menos que uma obra-prima - e foi o disco que primeiro quebrou todas as barreiras e cânones, que expandiu o horizonte beatle até dimensões antes impensadas, que elevou o pop até às estrelas e mudou nossa concepção de música pop para sempre. Revolver, dentre os discos dos Beatles, é um dos que envelheceu melhor (como um bom vinho...), permanecendo hoje uma obra-prima impecável e de um brilho imortal.



DOWNLOAD (mp3 de 192kps - 40min - 16 faixas - 53MB):
http://www.mediafire.com/?mgyeez6zgog

p.s.: adicionei duas bonus tracks, "Paperback Writer" e "Rain", que são os dois singles de Revolver que não entraram no álbum, como era comum na época (só lembrar que "Penny Lane" e "Strawberry Fields Forever", os dois singles de Sgt. Peppers, não estão presentes no álbum...). Convêm notar que os Beatles praticamente "inventaram a MTV" com os videoclipes que fizeram para essas duas músicas...

segunda-feira, 30 de junho de 2008

Wander Wildner - La Canción Inesperada


Ser punk não é exatamente uma escolha; na maioria das vezes, é uma condição. Daí é possível entender a alegria de Wander Wildner em seu mais novo álbum, La Canción Inesperada. Ele, que transcendeu a botinada dos Replicantes quando se lançou em carreira solo e produziu o que chamou de punk brega, dá nova roupagem latina e festiva ao subversivo.

É fácil explicar o sorriso de Mr. Wildner – um pouco de Wando, um pouco de wild, segundo o próprio – porque só ele é capaz de continuar fazendo músicas absolutamente simples do ponto de vista técnico, que não se afastam em nada de suas raízes de três acordes, e sem precisar reinventar sua condição, vomitar criatividade no público.

Sua nova roupagem cancioneira não se afasta muito do ícone punk brega, já bem fincado no inconsciente dos fãs ardorosos. O mais interessante, no entanto, é que mais que se reinventar, Wander se autoreferencia, se assume, se escancara em boas novas músicas. Algo que Sérgio Dias, por exemplo, poderia estar fazendo com muito mais recursos técnicos e materiais.

Acompanhado de seus “comancheros”, explica que não vai consertar os dentes; aconselha que não congelem sua imagem, e escracha a via boêmia da sarjeta ao pedir que a garota lhe dê um bom motivo para não cheirar cola nessa noite. Entre a escolha e a condição, Wander decidiu ser feliz, como um pierrô bem-aventurado.


DOWNLOAD (mp3 de 128kps - 40MB):
http://www.mediafire.com/?5t4wlzgywim

domingo, 29 de junho de 2008

Morphine - Early To Bed

:: Morphine ::


:: MORPHINE, Cure For Pain (1993)

Meu Rito de Iniciação no Jazz
(uma resenha gonzo)
- por Eduardo Carli de Moraes -


Julho de 1999. Uma pequena banda americana de status cult subia ao palco na Itália ainda desconhecendo a armadilha que o futuro próximo lhe reservava. A incomum formação (batera, sax e baixão-slide de duas cordas) despejava sobre o público seu costumeiro jorro de música madrugadeira quando um dos membros do grupo foi atingido por um relâmpago cósmico daqueles de previsão sempre impossível. Por uma daquelas tragédias repentinas que despencam sobre cabeças humanas sem aviso prévio, Mark Sandman, 47, vocalista, baixista e letrista do Morphine, foi nocauteado por um ataque cardíaco. Saiu do palco em Roma e foi direto pro necrotério. Coisas da vida.

Devido àquela mania humana incurável de esperar que um certo sujeito morra para só então descobrir que ele prestava, foi somente após a morte de Sandman que a heróica Trama resolveu realizar os esforços necessários para presentear o defunto com um tratamento digno de seu legado. Todos os álbuns do Morphine caíram juntos nas prateleiras brasileiras: além dos 4 álbuns de estúdio (Good, Cure For Pain, Yes e Like Swimming), foram lançados também o póstumo The Night e o ao vivo Bootleg Detroit, possibilitando ao público brasileiro um conhecimento aprofundado da obra do finado trio. A dupla restante - Dana Colley e Bill Conway - juntou-se com uma nova vocalista e fundou nova banda, o Twinemen, que lançou seu álbum de estréia em 2003.

Meu primeiro contato com o Morphine se deu com esse Cure For Pain (1993, o segundo), um daqueles espécimes comprados totalmente "no escuro". Na época dessa compra (mazomeno 2000) eu estava ainda contaminado por certos preconceitos contra o jazz, produto das inevitáveis ortodoxias de um adolescente que não conseguia aprovar ninguém a não ser Papai Rock como monarca único na nação dos gêneros musicais. Jazz, sacumé, era música de velho, trilha sonora para asilos, uma desgraceira aborrecida onde não havia nada senão aquelas malditas cornetas assopradas em musiquinhas sonolentas... Jazz era palavrão. Foi somente pelo bem do meu Conhecimento Musical e da Expansão de Horizontes que decidi: vou comprar um disco de jazz. E fui de Morphine.

Minha expectativa de encontrar um grupo tranquilão e sonolento, provável escolha preferencial para curar insônias, foi rapidamente desvanecida quando a galopante linha de baixo de "Buena", a primeira faixa, estremeceu o ar. O vocalzão grave de Sandman, à la Nick Cave, entrou declamando uma letra sobre um demônio feminino, e o sax, de início discreto e envergonhado, se encorpou depois num solo de arrepiar... Bateu aquela surpresa: ENTÃO ISSO AÍ É QUE É JAZZ!? Cure For Pain, mesmo não sendo exatamente um disco de jazz, adquiriu pra mim um significado gigantesco como um ampliador de horizontes: serviu como uma ponte conduzindo meus interesses para além do indie, do punk, do grunge, do metau - do Rock em geral, enfim - e creio que possa realizar muitas benfeitorias semelhantes para quem ainda não passou por seu rito de iniciação no mundo do jazz. Sem o Morphine, eu provavelmente teria continuado por muito tempo a achar que Miles Davis, John Coltrane, Ornette Coleman e Donald Byrd, atuais prediletos da casa ouvidos em alta rotação, eram uns chatões que não mereciam atenção - sem nunca ter ouvido deles uma nota sequer.


Claro que pouca coisa no Morphine fase Cure For Pain e Yes, além da presença marcante do saxofone como instrumento protagonista, tem a ver com jazz, na acepção clássica da palavra. Essa música é puro rock and roll torporizado pelo excesso de whisky, construída com os arroubos de um inspirado saxofone que não teme fazer barulho e amparada por uma vigorosa seção rítmica minimalista. Músicas como "Sheila", "Thursday" e "Buena" são dotadas de um andamento rock and roller bem distanciado do costumeiro lenga-lenga do jazz tradicional. Viagens mais experimentais podem ser ouvidas, por exemplo, em "In Spite Of Me", uma baladinha baixa-fidelidade cantada aos sussurros sobre um dedilhado ágil no violão e no mandolin, ou nas duas faixas instrumentais, silenciosas e atmosféricas. E onde mais dá pra encontrar uma banda com suficiente moral pra plugar um sax num pedal wah-wah (!) e fazê-lo soar tão deliciosamente como no solo de "All Wrong"?

Mas o mais legal mesmo na música do Morphine é que ela nos afunda num universo todo particular. Assombrado por entidades femininas sensuais e tentadoras (muito provavelmente imaginárias, meras musas poéticas), Cure For Pain nos transporta para um ambiente sombrio de filme noir e que cheira a adultério, nicotina e crimes carnais... Um mundo de refúgios alcóolicos para noites invernais, devassidões inundadas com complexos de culpa, jogos de bilhar em salões decadentes, desmaios de porre em noitadas solitárias, serenatas sombrias que se estendem em bares suburbanos até a closing time, ascensões drogadas a outras dimensões... "Tenho uma cabeça com asas. A única coisa que mantêm minha cabeça conectada ao chão é um pequeno fio esquelético", diz "Head With Wings". Muito na música do Morphine sugere uma efêmera alegria que explode na noite fechada da mente devido à atuação de substâncias químicas. "Um dia ainda vão inventar uma cura para a dor / Esse é o dia em que vou jogar todas as minhas drogas fora", canta Sandman na belíssima faixa-título.

Não é à toa que ele chamou sua banda de Morfina: essa música é extremamente recomendada às veias de todos, lícita e socialmente aprovada, como um entorpecente musical que abre espaço para altos vôos mentais aliviantes. Morphine. Injete e ascenda.


DOWNLOAD (mp3 de 192kps - 46MB):
http://www.mediafire.com/?qwu3myx0ghq

quinta-feira, 26 de junho de 2008

:: Jurassic 5 ::


:: JURASSIC 5 – Quality Control (2000) ::
- Fina flor do hip-hop estréia em disco cheio -

(por ALEXANDRE MATIAS, numa velha Showbizz)


Qual foi o último álbum de rap que lhe deu boas-vindas? Pois Quality Control, novo trabalho do Jurassic 5 (seu primeiro LP completo), começa prometendo mostrar ao ouvinte “diferentes maneiras de se sentir bem”. Recepção recomendada – se você é um dos poucos felizardos que botaram os ouvidos no EP de estréia da banda, em 1998, deve ter uma noção do tipo de prazer auditivo que lhe espera. Vindo da cidade que deu ao mundo o câncer chamado gangsta rap (Los Angeles), o J5 usa “velhas táticas para fazer acontecer” (como cantam no funk manhoso de “W.O.E. Is Me”) e buscam nos princípios básicos do hip-hop motivos para existir. Como a segunda vinda de um tão esperado messias do gênero, os quatro Mcs do grupo – cheios de suingue e presença – catam os mandamentos da rua, citando os “quatro elementos” (o DJ, o MC, o breaker e o grafiteiro) com rimas sossegadas, o que acende instantaneamente o sensor De La Soul. Mas a dupla Nu Mark e Cut Chemist (este, o melhor DJ de hip-hop do mundo) busca possibilidades inesperadas, fundindo tudo o que faça som com lógica e groove e fazendo o Jurassic 5 subir os degraus que o colocam como o melhor grupo de rap do ano 2000. Há mais de uma década o gênero não produzia iguaria tão fina. - NOTA: 10.

DOWNLOAD (mp3 de 192kps - 79mb):
http://www.mediafire.com/?cmy4nppgzmx

terça-feira, 24 de junho de 2008

:: Metric ::

Minhas preces foram atendidas (é isso ae Lúcio, Deus existe!), Metric fará uma apresentação dia 28 de junho no Parque do Ibirapuera, junto com as bandas Fujiya & Miyagi e The Go! Team, no Festival Motomix, e o melhor de tudo é que o show será gratuito. Para celebrar, e para a galerinha chegar inteirada das músicas, estou postando todos os LPs, dois EPs e o DVD ao vivo ripado em mp3. Haja paciência para downloads.

A princípio, àqueles que não conhecem, recomendo Old World Underground Where Are You Now (2003) e Live It Out (2005) por serem os dois primeiros álbuns oficiais da banda e por representar o estilo sonoro que eles optaram por seguir. Grow Up And Blow Away foi gravado em 2001, mas, como demorou para ser lançado, foi engavetado e o quarteto preferiu estrear um LP com outro tipo de som, músicas menos açucaradas e um pouquinho mais de distorção numa roupagem indie-rock. Grow Up chegou às prateleiras no ano passado, destoando da linha atual da banda, lembrando um Portishead menos melancólico e mais pop (no melhor sentido do termo).

Para aqueles que já conhecem a banda há também os EPs e Singles, mais difíceis de se encontrar, e a gravação ao vivo lançada em DVD este ano (um ótimo aperitivo para o show de sábado). Agradeço ao blog musiqueindieegeste.blogspot.com/, onde encontrei os singles para download.

Ai vai:

Old World Underground Where Are You Now
http://www.mediafire.com/?zgem4oyj0f0

Live It Out
http://www.mediafire.com/?xtheizoiom2

Grow Up And Blow Away
http://www.mediafire.com/?2tbeijjmvy1



Live At Metropolis - Parte 1
http://www.mediafire.com/?ndnmnnhnzih

Live At Metropolis - Parte 2
http://www.mediafire.com/?evxxjzc2tbm


Mainstream - EP
http://www.mediafire.com/?mo2ei3lc3mg


Static Anonymity - EP
http://www.mediafire.com/?nvmaezummyv


Combat Baby Single
http://rapidshare.com/files/85758983/Metric__2003__Combat_Baby__SG_.rar



Monster Hospital Single http://rapidshare.com/files/82218948/Metric__2006__Monster_Hospital__SG_.rar


Poster Of A Girl Single http://rapidshare.com/files/85761623/Metric__2006__Poster_Of_A_Girl__SG_.rar

segunda-feira, 23 de junho de 2008

:: Yael Naïm - "New Soul" ::

ô musiquinha biitinha! =)
(ui.)

:: Grooverider ::


:: GROOVERIDER – Mysteries Of Funk ::

- Drum'n'bass do DJ segue firme e inovador -
(por MARCELO FERLA, numa velha Showbizz)

É uma lástima que o espancamento sonoro proporcionado pelo drum'n'bass de Djs como Grooverider se mantenha restrito, com raras exceções, a desfiles de moda e vinhetas televisivas no país do arerê. Moldada, entre outros, pelo próprio Grooverider, desde o final de década de 80, a mais retumbante e radical manifestação multicultural da era eletrônica tem em Mysteries of Funk mais um eloqüente registro de ecumenismo estilístico e desconstrução rítmica – em nome do ritmo. O primeiro disco do mentor do hardstep e parceiro de Goldie no Metalheadz tem doses letais de bateria sincopada e baixo ribombando no fundo do estômago, mas vai muito além da cartilha básica do estilo. Obra de profundo caráter evolutivo, alterna climas (soturnos, em “Where's Jack The Ripper”, ou beirando o etéreo, em “Fly To Me”), incorpora maciçamente o ambient e o jazz (“Rainbows of Colour”, “Time & Space”, “C Funk”) e esbanja vitalidade em raggas cibernéticos, como “On The Double”. Drum'n'nbass é sinônimo de evolução musical pelas mãos do DJ Grooverider. Não é só o big beat que tem seu funk soul brother. - NOTA: 9.

DOWNLOAD - DISCO DUPLO:

sábado, 21 de junho de 2008

:: Days Of The New ::


:: Days Of The New - Days Of The New [1997] ::

A DIALÉTICA DA CÓPIA

Sendo um estilo definido exatamente por não ter estilo nenhum, é fácil de se aceitar que “grunge”, na verdade, nunca foi um termo pra definir música. Soundgarden, Nirvana, Pearl Jam e Alice In Chains (os originais e/ou grandes da turma) tinham em comum, em seus tempos áureos, muito mais a estética e a proximidade geográfica do que qualquer outra coisa… Assim como o punk rock, o grunge acabou sendo definido musicalmente mais por suas milhares de cópias dos originais do que pelos próprios.

É um processo até lógico: a cópia pega tudo o que mais “dá certo” (e grandes aspas extras aqui…) em todos os originais, apara toda e qualquer inconveniente aresta de transgressão e pronto – um bonito retrato desalmado da alma de um movimento. Triste, mas verdadeiro.

Agora, filosofias de boteco fora, não é raro um desses copiões aparecerem vez por outra com um disco – e às vezes até com carreiras inteiras, vide o Rancid – genial. É o caso deste primeiro trabalho do Days of the New

Aqui, a banda, antes de se tornar os Engenheiros do Hawaii do vocalista Travis Meeks, mostra o lúgubre, denso, tenso – e outros adjetivos terríveis – cerne do que foi o grunge. Munido só de dedilhados e riffs (?!) de violões, baixo e bateria, o Days of the News compôs uma polaróide quase perfeita da época das camisas xadrez. Ah, e uma pancada de músicas quase perfeitas também. Shelf in the Room; Touch, Peel and Stand; The Down Town; Now; What’s Left For Me?… Se não tiver tempo de ouvir o disco inteiro, essas já bastam pra entender do que se trata o lance: toda as agruras e angústias adolescentes de um pobre menino norte-americano, branco e galã transformadas em vários surpreendentes minutos de boa música.

Fede um pouco a espírito adolescente, mas não é sobre isso mesmo que deveria ser?!

DOWNLOAD (mp3 - 74 MB - 12 músicas - 72 min.)

http://www.mediafire.com/?lb3llu52txj

sexta-feira, 20 de junho de 2008

:: Monster Magnet ::

:: MONSTER MAGNET, “God Says No” (2000) ::

É COISA DE MALUCO
-por GASTÃO MOREIRA, na Showbizz -

Vou ser bem direto: Monster Magnet é som de doido. A quantidade de drogas ingeridas pelo guru Dave Windorf é diretamente proporcional à sua viagem sonora. No álbum Spine of God (1992) ele explicava sua música numa frase contida no encarte: “Uma coisa de drogas satânicas... Você não entenderia.” O diabólico, aí, revela-se na luxúria e no sucesso, e não na encarnação do mal como fazem as bandas de heavy metal. Dave tem uma inclinação para o glamour da autodestruição. Sua pose e seu carisma o tornaram cultuado. O Monster Magnet conseguiu dar um novo rumo ao rock, sendo considerado o criador do stoner rock, rótulo que provavelmente rejeitam. Riffs e refrãos repletos de efeitos, ecos vagando pelo espaço e peso de sobra. Não é à toa que Dave está usando uma camiseta da banda Hawkwind – esses, sim, criadores do space rock nos anos 70 – no encarte do disco novo. God Says No traz a veia espacial, acrescida de uma dose maior de pretensão. Dave capricha nos arranjos e no visual “satanic cool”. “Melt”, que abre o disco, já pode ser considerada uma das melhores músicas do século. “Head Explodes” tem um tecladinho safado e refrão pegajoso. “Doomsday” é o puro creme do peso. “Medicine”, que está em Spine of God, recebe uma versão tão boa quando a original. E “Gravity Well” se destaca pelo clima contry-blues inusitado. Recomendado para ouvidos calejados.

DOWNLOAD (mp3 de 192 - 75mb):

quinta-feira, 19 de junho de 2008

:: Stravinsky ::



:: STRAVINSKY -
"A SAGRAÇÃO DA PRIMAVERA" ::
por Nemo Nox - texto emprestado da revista Burburinho


Hoje é difícil negar que A Sagração da Primavera, de Igor Stravinsky (1882-1971), é uma das obras sinfônicas mais importantes do século vinte, se não a mais importante de todas. Mas quando apresentada pela primeira vez, num famoso 28 de maio de 1913, o resultado foi muito controverso, para não dizer desastroso.

Igor Fedorovich Stravinsky tinha um background impecável. Filho de um famoso cantor do Teatro Mariinsky de São Petersburgo, e aluno do respeitado compositor Nikolai Rimsky-Korsakov, estava no auge do sucesso na capital francesa depois de lançar os bailados O Pássaro de Fogo (1910) e Petrushka (1911), ambos coreografados por Michel Fokine e produzidos pelo mestre Sergei Diaghilev. Fechando a trilogia, veio A Sagração da Primavera, agora coreografado pelo famoso bailarino Nijinksy, apadrinhado pelo próprio Diaghilev.

Mas a música de A Sagração da Primavera era tão inovadora, e a coreografia de Nijinksy tão ruim, que o resultado da apresentação foi um verdadeiro motim. Ninguém melhor que o próprio Stravinsky para contar o que aconteceu: "A complexidade da minha partitura exigiu um grande número de ensaios, que Pierre Monteux [o maestro] conduziu com sua habitual habilidade e atenção. Quanto à apresentação final, não posso comentar pois saí do auditório aos primeiros compassos do prelúdio, que provocaram risos imediatos da platéia. Eu estava revoltado. Aquelas demonstrações, inicialmente isoladas, logo se espalharam, provocando contra-demonstrações, e logo havia uma grande algazarra. Durante todo o tempo, estive ao lado de Nijinsky nos bastidores. Ele estava em pé numa cadeira, gritando "16, 17, 18..." - era a marcação para os bailarinos. Naturalmente, os pobres dançarinos nada podiam ouvir por causa do barulho da platéia. Tive que segurar Nijinsky pelas roupas, pois ele estava furioso, pronto para subir ao palco a qualquer momento e criar um escândalo. Diaghilev mandava os eletricistas acenderem e apagarem as luzes sucessivamente, esperando com aquilo parar o barulho. Isto é tudo o que me lembro daquela primeira apresentação. Estranhamente, tínhamos feito um ensaio geral para o qual convidamos, como era costume, vários atores, pintores, músicos, escritores e outros representantes da sociedade culta, e tudo tinha transcorrido pacificamente, o que me deixou ainda mais surpreso com o tumulto da estréia."

Assim como muitos ouvintes casuais de hoje ainda se espantam ao primeiro contato com A Sagração da Primavera, mas depois de se habituarem com a música acabam se apaixonando por ela, o mesmo ocorreu com o público do início do século. Após a tumultuada estréia, o bailado de Stravinsky tornou-se peça fundamental do repertório musical, deixando mesmo para trás a dança e sendo apresentado como obra sinfônica pura. Com o tempo, chegou a ser suficientemente popular para tornar-se uma das partituras escolhidas para o desenho animado dos estúdios Disney Fantasia (para quem não lembra, é a trilha sonora do trecho com os dinossauros).

Mas o que havia de tão diferente em A Sagração da Primavera para causar tamanha estranheza em sua noite de estréia? Basicamente, a música era tão inovadora, em tantos aspectos, que o público ainda não estava preparado para a absorver, muito menos para a apreciar. Tudo começa com um solo agudo de fagote, que lembra vagamente o solo de flauta de Prélude à l'après-midi d'un Faune, de Debussy (que, não por acaso, assistiu à triste estréia de A Sagração de Primavera). Vão entrando outros instrumentos de sopro, com fragmentos superpostos e dissonantes, depois as cordas, em acordes batidos e ferozes. A sensação é de caos, mas um caos controlado, planejado. E a percussão agressiva e de ritmos variados vem dar ênfase a tudo isto, realçando a complexidade harmônica e a riqueza da orquestração. Há um vigor primitivo que transmite perfeitamente a idéia que deu origem ao bailado cujo subtítulo é "cenas da Rússia pagã".

O próprio Stravinsky conta como nasceu A Sagração da Primavera: "Um dia, quando eu terminava O Pássaro de Fogo em São Petersburgo, tive uma visão fugidia num momento em que minha mente, surpreendentemente, estava ocupada com várias outras coisas. Imaginei um solene rito pagão: sábios anciãos, sentados em círculo, assistindo uma garota que dança até morrer. Eles a estão sacrificando para apaziguar o deus da primavera. Este é o tema de A Sagração da Primavera."

DOWNLOAD (mp3 de 192kps - 71 MB):
http://www.mediafire.com/?ektmgd9bv33

IMPORTANTE: A OSESP (Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo) toca a Sagração (e mais um concerto de Brahms) nesta semana em Sampa, em 4 ocasiões, na Sala SP. Imperdível! Membros da equipe Depredando estarão no recinto... :) Confira a programação:

18 JUNHO, QUARTA - 21h00
19 JUNHO, QUINTA - 21h00
20 JUNHO, SEXTA - 21h00
21 JUNHO, SÁBADO - 16h30

Eiji Oue - regente
Joaquín Achúcarro - piano

Johannes Brahms - Concerto nº 2 para Piano em Si b maior, Op.83
Igor Stravinsky - A Sagração da Primavera

terça-feira, 17 de junho de 2008

:: Woody Allen ::


:: WOODY ALLEN - Stand-Up Comic (1964-1968)

Antes do sucesso como roteirista, diretor e ator de cinema, o pequeno geek nova-yorkino, herói dos nerds e dos rabugentos, era um comediante que fazia shows falados ao estilo de Lenny Bruce e George Carlin. Essa persona pré-cinematográfica de Woody Allen está muito bem representada neste álbum, que reúne gravações dos anos 60 em que o garotinho judeu e franzino, que anos depois começaria a marcar a história do cinema cômico americano como poucos na História, já dá vastas demonstrações de seu talento cômico. Ele zoa com o mundo da propaganda (quando conta como foi convidado para fazer um anúncio de uma empresa de vodka...), da religião (um certo rabino lhe disse que era contra a lei judaica ganhar dinheiro fazendo marketing de bebidas alcóolicas, mas aí...), da família ("assim que fui sequestrado, meus pais agiram muito rápido: alugaram meu quarto!"), do sexo ("entre duas pessoas é uma coisa muito legal... entre cinco, é fantástico!"), das drogas ("da última vez que dei duas baforadas no cigarro errado tentei voar um elevador até Cuba!"), entre outras coisas. Pra ouvir e gargalhar com a finura das tiradinhas e dos sarcasmos que já prenunciam o Woody que nos encantará em Annie Hall, Manhattan, Zelig, Hannah e Suas Irmãs, Match Point e tantos outros filmes adoráveis...



DOWNLOAD (mp3 de 192kps):
http://www.mediafire.com/?d9dgkjj1m9l

domingo, 15 de junho de 2008

:: Art Of Field Recording - Vol. 1 ::

:: The Art Of Field Recording, Volume 1 ::
Fifty Years Of Traditional American Music
Documented By Art Rosenbaum


Essa preciosidade é nada mais nada menos que um BAÚ DE TESOUROS - repleto de jóias de valor histórico inestimável. O pintor Art Rosenbaum, junto com sua esposa Margo, coletaram durante cerca de meio-século de pesquisa e gravação verdadeiras pérolas da música popular americana, muitas delas nunca antes disponíveis ao público. Esta primeira caixinha de 4 CDs de The Art of Field Recording (o segundo volume está a caminho...) traz uma coleção formidável de velhas canções (registradas entre 1956 e 2007) de folk, blues, gospel, bluegrass, canções mexicanas, spirituals, entre outras expressões do verdadeiro pé-rapado americano. That's true folk music! O BOX original vem acompanhado por um livro ilustrado de 96 páginas que contêm informações e comentários sobre as faixas, além de pinturas e fotografias do casal Rosenbaum, fazendo da aquisição da caixinha concreta um must para qualquer um que se interessa pelos primórdios e raízes da música americana. O foda é a grana...

Alguns "folcloristas acadêmicos" como Harry Smith e Alan Lomax já tinham se notabilizado nesta arte do "field recording" (gravações informais de música que surge espontaneamente da alma do povão e é imortalizada bem longe dos estúdios: em igrejas, plantações, botecos, barracos, puteiros, wherever it shines...) - o que gerou, por exemplo, a célebre The Anthology Of American Folk Music, sem a qual Bob Dylan talvez nunca teria existido como Bob Dylan. Este procedimento do "field recording" foi essencial para a conservação de uma cultura que vivia sob ameaça de extinção. E que, graças aos esforços heróicos desses amantes da música que viajaram a América munidos de seus microfones e do desejo de imortalizar a música americana autenticamente popular, vive agora para sempre, em plena era digital, esses rústicos e toscos brilhantismos sônicos saídos direto da alma popular.

Esse é sem sombra de dúvida um dos DOCUMENTOS HISTÓRICOS mais relevantes que foram lançados nos últimos anos - não só pra quem curte música, mas pra qualquer um que tenha interesse em história americana, antropologia, sociologia, folclore e os dilemas da sobrevivência de culturas tradicionais e arcaicas no mundo pós-moderno... Download obrigatório! :)

LEIA MAIS : PÁGINA OFICIAL - ART ROUSEMBAUM - BLACK GROOVES - PITCHFORK - UNCUT - MERCURY ART WORKS.

OUÇA AQUI: entrevista de Art Roseumbaum a John Schaefer na WNYC, rádio de Nova York.





Cd 01: http://www.megaupload.com/?d=XPZ9D5OV
Cd 02: http://www.megaupload.com/?d=TEHFV71L
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Cd 04: http://www.megaupload.com/?d=FCMG05Q4

p.s.: agradecimentos efusivos à Alexandre Nakamura, nosso correspondente no Japão, que deu a dica sobre a existência desse BOX e apontou o dedo para onde baixá-lo. Valeu Alê!

Art of Field Recording - Video

quarta-feira, 11 de junho de 2008

:: The Flaming Lips ::


FEARLESS FREAKS!
- por Eduardo Carli de Moraes -


Vocês que temem pela sanidade de seus miolos, atenção: fiquem longe desse hospício itinerante que são os Lábios Flamejantes! Vai que a doidice deles é contagiosa... Mas quem tiver tais pudores de embirutecer e, por isso, fechar os ouvidos para essa banda literalmente lunática estará perdendo algo sensacional - e, porra, um pouco de loucura não faz mal a ninguém, especialmente quando entregue em cápsulas sônicas tão docinhas, e que descem pela garganta dum jeito tão suave, dando um barato tão bacana...

Eles têm músicas sobre caratecas japonesas lutando robôs cor-de-rosa, já foram passageiros de uma ambulância dirigida por um padre, conhecem o sabor metálico das nuvens e acabaram de finalizar um filme Ed-Wood-esco sobre um Papai Noel em Marte que acaba se tornando um suicida... E você quer realmente se arriscar a meter seu pobre cérebro na linha de fogo desses psicopatas e entrar no universo desses birutas? Quer! Pois esse teatro do absurdo e do nonsense que se chama Flaming Lips reiventou o rock americano a golpes de insanidade e criatividade maníaca dum modo maravilhoso - e poucas bandas da cena alternativa americana a partir dos anos 80 tem uma história tão excitante e uma relevância tamanha quanto este monumento psycho-freak de mais de 20 anos de idade e que continua flamejando.

Quem os conheceu faz pouco tempo deve ter sido atraído especialmente pelas extremas pirotecnias sônicas, visuais, teatrais e performáticas que fazem do show do Flaming Lips um dos espetáculos mais mind-blowing de que se tem notícia no pop contemporâneo. Não é só Wayne Coyne flutuando sobre a platéia dentro duma bolha gigante que faz o charme do treco: são as luzes estroboscópicas em abundância; as muitas bolas de sabão e flocos de neve e nuvens de fumaça; os coadjuvantes fantasiados de bichinhos de pelúcia tamanho família sobre o palco; as bexigas e os balões de cores berrantes; as projeções de imagens que lembram fractais, experimentos avant-garde ou maluquices de Andy Warhol; os figurinos da mais pura extravaganza embrulhando a banda e seu maestro; e, claro, a música, que às vezes supera o grau de doidice de tudo o que a envolve. Como um dia de zorra total no jardim de infância. Ou como um teste do ácido de Ken Kesey e seus Merry Pranksters reencenado num show de psicodelia extremada, conduzida por mão de mestre por um malucão hippie que surpreendentemente se tornou um dos maiores entertainers do rock mundial.

Mas quem vê imagens dos Lips hoje em dia, com o imenso aparato tecnológico que eles possuem ajudando-os a construir um espetacular mosaico de cores e sons sobre os palcos (o que o público brasileiro pôde conferir no primeiro Claro Que É Rock!), nem imagina a tosquice das antigas acrobacias pirotécnicas que eles arriscavam nos anos 80, quando pensavam que eram a nova encarnação do The Who no Sul caipira americano ou um cruzamento genético mau-sucedido entre o Yes e os Sex Pistols.

"Hell's got all the good bands, anyway!" - cantava Wayne numa velha canção ("Ode To C.C."), como se quisesse dizer que prefere descer ao reino de Satã a subir pro Céu, porque as bandas lá debaixo são bem mais legais do que as missas, ofertórios e troços com harpa e corais de anjinhos lá de cima... E era mais ou menos essa sedução pelo diabólico, pelo estranho, pelo nérdico e pelo incendiário que caracterizou os primeiros anos dos caras, onde ataques guitarrísticos quase Sonic Youth se revezavam com experimentos folk syd-barretianos e flertes com o kraut-rock do Can e a psicodelia anos 60.

O filmaço Fearless Freaks, um dos melhores rockumentaries da história do cinema, possui algumas cenas antológicas sobre o começo da caminhada dos Lips. Vê-se lá, por exemplo, que na época eles gostavam de colocar fogo em coisas em cima do palco, e dum modo não muito controlado, já que o cabelo de certas pessoas costumava às vezes ficar em chamas. E gostavam de tocar estupidamente alto, para que o público, mesmo se não gostasse das canções, pudesse se dizer no final, pelo menos: “those guys were fucking loud!”

Na primeira vez que a Warner Brothers ligou para os Flaming Lips querendo mostrar interesse em assinar com eles, o Flaming Lips, é óbvio, bateu o telefone na cara da mega multinacional porque pensou que era trote. Você pode até imaginar um dos caras mandando um: “seeeei, cuzão! até parece que eles iam querer uma banda louca e invendável como nós!” Porque aqueles caras de Oklahoma que pareciam afim de imitar os Butthole Surfers, o Frank Zappa ou o começo do Pink Floyd soavam completamente inadequados para o cast de uma grande gravadora.


* * * * *



Eles pareciam aquele tipo de doidões que nem precisavam de drogas para terem uma mente em permanente estado de estímulo ácido... Que gravadora botaria fé nos Flaming Lips? Mas olha que deu certo... Os Lips viraram, para a maior parte do ouvinte-médio, aquele que só conhece o que rola nas rádios FM bombadinhas e na MTV, uma daquelas one-hit-bands inesquecíveis dos anos 90 quando “She Don't Use Jelly” estourou, catapultando o álbum Transmissions From The Satellite Heart para o topo das paradas. A música falava sobre tangerinas, vaselinas e geléia – e ninguém entendeu porra nenhuma. Parecia ser sobre sexo, parecia ser sobre comida, e parecia ser sobre mastigar páginas de revistas - e parecia mais ainda uma música que alguma criança com talento precoce para a arte dadaísta teria composto se a mamãe lhe tivesse despejado uma gotinha de LSD no Nescau. E aí ninguém resistiu ao charme do hit.

Se, antes de "Jelly", os Flaming Lips eram uma tosca e insana banda psicodélica de Oklahoma que pouquíssimos nerds conheciam, com discos caóticos onde se misturavam momentos de brilhantismo puro com quedas num lixo tóxico extravagante, depois do hit começaram a ser levados mais a sério pela crítica musical como um projeto-de-arte a ser espreitado com atenção. Fizeram um discaço maravilhoso (Clouds Taste Metallic), mas que não engrenou nas paradas. Depois, abandonando qualquer esperança de sucesso comercial, embarcaram no extremamente tresloucado projeto Zaireeka, um disco que quase ninguém conseguiu ouvir – e não por não querer, mas por que este álbum quádruplo exigia que 4 sound-systems tocassem os 4 Cds ao mesmo tempo, o que poucos mortais se dispuseram a fazer. E, na sequência, chegaram ao cume da genialidade.



The Soft Bulletin, de 1998, é um daqueles álbuns com um poder que merece adjetivos grandiosos: místico, transcendental, espiritualmente edificante. Nele o barulho guitarrístico acalmou-se, as loucuras foram razoavelmente domadas, e então os Lips puderam dar esse lindo mergulho num universo mais sinfônico, poético e existencial que é uma das maiores obras-primas do rock nos anos 90. “Race for the Prize” e “Waitin' For Superman” são o tipo de músicas que mesmo o mais insensível dos mortais acaba reconhecendo como de uma lindeza de derreter corações.

Na sequência, fizeram mais dois álbuns de estúdio, Yoshimi Battles The Pink Robots e At War With The Mystics, que tornaram mais aguda a experimentação com uma psicodelia moderna sussa e colorida. Vimos também temáticas mais existencialistas tomarem mais espaço no universo de temas da banda, principalmente devido aos choques emocionais causados sobre alguns dos Lips pela morte, pelo envelhecimento e pelo vício a narcóticos. Wayne Coyne perdeu seu pai recentemente, o que ele comenta de modo confessional e tocante no finzinho de Fearless Freaks, mostrando que tipo de lições de vida pôde tirar desse doloroso processo de luto e renascimento ("there are things you have to face when you're not prepared to face'em", canta ele em "Fight Test").

Além disso, o multi-instrumentista Steven Drozd, a segunda maior força criativa dos Lips, também andou passando por maus bocados por excesso de junk - mas depois de mais de seis anos viciadíssimo em heroína, deu a improvável "volta por cima" (ele até permitiu que fosse filmado falando dum jeito extremamente aberto e sem firulas sobre seu vício, enquanto preparava a droga que injetaria nos braços tomados por abscessos e veias judiadas, numa das cenas mais impressionantes de Fearless Freaks - mais espantosa que qualquer coisa de Réquiem Para um Sonho ou Trainspotting).

"If God hears all my questions, how come there is never an answer?" - se perguntava Wayne no disco de 1995. Essa tendência de questionamento existencial se exacerba mais ainda nos discos posteriores, chegando ao cume na lindíssima balada "Do You Realize?", feita para ser um suave soco no estômago do ouvinte, com Wayne perguntando: "você tem noção de que todas as pessoas que você conhece um dia vão morrer?". A filosofia dos Lips, passando pelo reconhecimento da fragilidade humana e do poderio invencível da morte, que nos condena à transitoriedade e à angústia, deságua numa extrema valorização do presente da sensação ("all we have is now") e do amor como salvação ("love is the greatest thing our heart can know").

Com uma vasta discografia, digníssima de ser explorada, os Flaming Lips são hoje um verdadeiro monumento vivo do rock alternativo americano. Com fãs de alto quilate pagando um pau para Wayne Coyne e sua companhia de insanidade construtiva (como Beck, Jeff Tweedy, Juliette Lewis, Jack White...) e um respeito quase unânime da crítica e do público antenado, os Lips, além de mestres da pirotecnia ao vivo, são hoje um dos grandes pilares da inventividade pop-musical no mundo. Prosseguem esculpindo um som extremamente lúdico e “infantil” (no bom sentido...), mas que tem frequentes lampejos de sabedoria. O Flaming Lips é um simulacro de viagem de LSD por um País das Maravilhas Sônicas que Alice não conheceu (e que não exige ingestão química!), ao mesmo tempo que é um teatro multi-mídia esplêndido orquestrado por um malucão que é dos seres mais sábios do atual rock mundial. Turn it on!



DOWNLOADS - 4 DISCOS ESSENCIAIS DOS FLAMING LIPS:

"TRANSMISSIONS FROM THE SATELLITE HEART" (1993)
http://www.mediafire.com/download.php?pzlt3va4ylj
cotação depredando: 9.1



"CLOUDS TASTE METALLIC" (1995)
http://www.mediafire.com/download.php?g40lzjmelxb
cotação depredando: 9.5



"THE SOFT BULLETIN" (1998)
http://www.mediafire.com/?gmmmoz14vwx
cotação depredando: 10.0


"YOSHIMI BATTLES THE PINK ROBOTS" (2001)
http://www.mediafire.com/download.php?bmxm9byzmbj
cotação depredando: 8.5