sábado, 12 de janeiro de 2008

:: Joe Strummer




:: JOE STRUMMER & THE MESCALEROS
:: Global A Go-Go e Streetcore

"Joe Strummer, desde que formou o Clash no início de 76, tinha algo de especial no seu jeito Humphrey Bogart e sua performance eletrificada. Desde seus primeiros passos com a banda 101 'ers ( uma banda que tocava garage rock pelos pubs londrinos de 74/76), todos que o viam empunhando sua inseparável guitarra Fender Telecaster já sentiam que aquele era o cara. O Clash acabou se tornando uma química perfeita, quando chegou à sua formação clássica com seu parceiro Mick Jones na guitara e vocal, Paul Simonon no baixo e Topper Headon na bateria. (...) Durante o V2000, o festival de verão inglês, que aconteceu em agosto daquele ano, tive a oportunidade de entrevistar e conhecer pessoalmente meu ídolo. Um cara totalmente descontraído e muito à vontade quando falou comigo, comentando que o novo disco que estavam terminando e que sairia no ano seguinte, seria intitulado "Global A Go Go". Joe sempre foi um cara preocupado com as questões políticas de vários povos, principalmente seus irmãos jamaicanos, com quem tinha uma amizade muito grande. Nesse dia que o entrevistei, Joe estava com alguns DJs jamaicanos que me apresentou e falava sobre os problemas do povo na Jamaica e de um festival beneficente que estavam organizando para angariar fundos..." - KID VINIL na Whiplash!

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"Global a Go-Go is the second album by Joe Strummer and The Mescaleros, displaying trademark genre-melding folk-rock and Strummer's unique lyrical style. As the title suggests, there are world music influences on the album, mostly on the title track and "Bhindhi Bhagee", a celebration of the "humble" but diverse and exciting ethnic and multi-cultural areas of London and other major cities. The album is heavy on acoustic instruments, especially in the instrumental "Minstrel Boy," an almost 18 minute long arrangement of a traditional Irish song. Other topics covered include Strummer's radio show, which was broadcast on the BBC World Service (Global a Go-Go) and left-wing political issues Strummer was well-known for expounding as a member of The Clash. The album was well-received by critics and fans, making much more of an impact than the group's previous effort Rock Art and the X-Ray Style. The title track "Global A Go-Go" features backing vocals from longtime friend of Strummer, Roger Daltrey. Pete Townshend is also rumoured to be buried in the mix of "Minstrel Boy", but this has never been positively confirmed. A different version of "Minstrel Boy" was used as the closing track on the Ridley Scott film Black Hawk Down, this film version is significantly shorter and does feature the actual lyrics to the song. Likewise, "Mondo Bongo" is featured in the Doug Liman film Mr. & Mrs. Smith. The lead track "Johnny Appleseed" is the opening theme to the HBO show John from Cincinnati. The "Minstrel Boy" track is also known as the "Worldcom Dirge" after being featured in a commercial by the soon-to be-bankrupt telecommunications company." - WIKIPÉDIA

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"Como é que ninguém nunca me falou que Joe Strummer solo prestava? Presta. E como presta! Antes eu pensava que o The Clash tinha gastado toda a genialidade que tinha nos anos 70, cometendo aqueles três álbuns perfeitos que, pra mim, já colocam a banda entre as cinco melhores daquela década, mas que depois se desencaminhou... A maldição de ter composto um clássico do tamanho do London Calling acabou sendo um fardo muito grande nos ombros de Joe, Mick e companhia - e eles nunca chegaram perto de compor um sucessor à altura. Tudo bem que os mega-hits cláshicos são dos anos 80 ("Should I Stay Or Should I Go" e "Rock The Casbah"), mas o Sandinista!, apesar de uma meia dúzia de músicas brilhantes, é chato, excessivo, pedante, pouco rock and roll - e com certeza não precisava ser um disco triplo interminável. Os outros álbuns oitentistas do Clash também considero muito fracos comparados com os dos anos 70. Pois então: pra mim, o fodaço Global A Go-Go, do Joe Strummer & The Mescaleros, é o disco que o Clash devia ter feito depois do London Calling. Puta disco foda. Chamar de punk é pouco: isso é world music, reggae, dub, folk, música latina e mais uma pá de coisas. Baixei a discografia completa e tô gostando de quase tudo. Aliás, boa dica: está pra ser lançado o promissor documentário Joe Strummer: The Future Is Unwritten, dirigido pelo Julien Temple, o cara por trás das câmeras no ótimo O Lixo e A Fúria, aquele sobre os Sex Pistols..." - do Dirty Little Mummie




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"GLOBAL A GO-GO"
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"STREETCORE"
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:: Little Richard


'Here's Little Richard' (1957)

No verão de 1955 o rock and roll tomava conta de todas as rádios, com Fats Domino, Ray Charles, Chuck Berry e Bo Diddley chegando aos primeiros lugares do top. Pronto para entrar na onda do rock'n'oll, Art Rupe da Especiality Records pediu a seu caçador de talentos, Bumps Brlackwell, que encontrasse um cantor que se assemelhasse a Ray Charles. Sabendo por onde procurar, dirigiu-se ao legendário Drew Pop Inn, Nova Orleans, e encontrou um extravagante (e bem humorado) cantor de blues e pianista que respondia ao nome de Little Richard Penniman. Em Setembro tinha já convencido Richard a gravar no pequeno estúdio de Cosimo Matassa, o J&M Studio, onde fizeram história com um pequeno Ampex de apenas uma pista.

O termo 'excessiva' não chega sequer para descrever a energia irreverente gravada em vinil por Richards, Bumos, Cosino e os músicos mais talentosos de Nova Orleans. O tema "Tutti Frutti" começou a trepar pelos tops em Outubro e foi seguido por outros como "Long Tall Sally", "Slippin' and Slidin', "Ready Teddy" e "Jenny Jenny". Esta procissão maníaca foi reunida no álbum Here's Little Richards. Considerado um clássico, Here's Little Richards é o LP desde artista que registrou maior número de vendas. É uma células que formam a raiz do rock'n'roll - foi a partir desse álbum (e de meia dúzia de outros incluídos neste livro) que este gênero musical não parou de crescer." - 1.000 Discos Para Ouvir Antes de Morrer (pg. 36)

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"Foi dele o primeiro disco que comprei na vida: 'Here's Little Richard'. Tinha oito anos e minha irmã mais velha vivia me alugando, só ouvia João Gilberto. Eu achava aquilo um saco, aquela coisa 'o pato, vinha cantando alegremente, quém, quém... (risos) Aí um dia, andando com meu pai pela rua Chile, que fica no centro de Salvador, passei em frente a uma loja e ouvi: 'A-wop-bop-a-loo-bop-bop-a-op-bam-boom'. Fiquei chapado com aquela voz , pedi dinheiro pro meu pai e comprei. Ele tinha uma vitrola "Emerson" em casa....Aí subi no sofá de molas da D. Hélia, minha mãe, e mandei ver o Little Richard no talo. Foi uma festa." MARCELO NOVA.

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sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

PJ Harvey


[1992] Dry

No início de sua carreira, em 1991, Polly deixa a pequena Yeovil com destino a Londres, onde forma um trio com Rob Ellis (bateria, backing vocals) e o baixista Ian Olliver, que em seguida é substituído por Stephen Vaughan. O conjunto, porém, levava o nome da vocalista, pois segundo Polly, era evidente que seria mais um projeto temporário do que uma banda. Depois de alguns meses, a banda grava uma fita demo, que vai parar nas mãos da gravadora Too Pure, que imediatamente assina com eles, lançando o single "Dress" em seguida. O single entra em alta rotação no programa de John Peel na BBC e a banda é convidada a se apresentar ao vivo no programa, apresentando uma energética performance.

Para gravar o primeiro álbum, Polly Jean escolhe os estúdios Icehouse, em Yeovil. O disco fica pronto antes do fim do ano, mas o primeiro single "Sheela-Na-Gig" é lançado somente em fevereiro do ano seguinte, aumentando ainda mais a expectativa para o disco que seria lançado um mês depois. "Dry" chega às lojas causando grande impacto no circuito independente britânico. A sonoridade remonta desde o pós-punk até influências de blues, mas sobretudo o que se destaca é a presença de Polly Jean Harvey, sua maturidade como compositora, suas letras e atitude.

Seu álbum de estréia rendeu a cantora popularidade no Reino Unido e sua imagem masculinizada, devido a seu isolamento no Dorset, onde convivia com uma presença masculina maior, aliada a suas canções, criaram um rótulo feminista para PJ, que admite que na época, sob um ponto de vista, seu trabalho poderia sim ser considerado como engajado em causas femininas. Naquela época, PJ explorou temas instrínsecos a sexualidade feminina e ganhou notoriedade aos 21 anos ao retratar com maturidade e sinceridade temas complexos de forma crua e direta.

Em 1992 tiveram ainda a primeira turnê em larga escala pela Europa e Estados Unidos, entre eles uma apresentação no Reading Festival. No fim do ano, a revista Rolling Stone escolheu Polly Jean Harvey como "songwriter of the year" e a Too Pure's lança a gravação da primeira apresentação da banda no programa de John Peel.

Texto parcialmente extraído do site Dying Days

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quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

:: Todd Rundgren ::



TODD RUNDGREN - "A Wizard, A True Star" (1972)

"1972 was a tremendous year for Todd Rundgren. His double album release, Something/Anything?, spawned two singles, "Hello It's Me" and "I Saw The Light". Both were artistic and commerical successes, as was the entire album (it eventually would go gold and remain Rundgren's bestselling release to date). The man was on track for superstardom.

Which is precisely why it is so amazing that one year later he would turn around and shoot himself in the foot with this collection of demented songs, odd noises, chopped-up of photographs the female anatomy and short, bizarre musical ideas. A Wizard, A True Star is Todd Rundgren's Smiley Smile or When the Madcap Laughs, a fascinating window into the process of a rock star coming off his peak and feeling the decay set in.

The difference between this album and those two, however, is one of quality. A Wizard, A True Star surprisingly represents a step up from Something/Anything? in terms of musicianship and vision. From a Hot Rats-period Zappa instrumental in "Flamingo" to the acid-drenched psychedelia of "When the Shit Hits the Fan" to the gospel-inflected ballad "Just One Victory," this album displays Rundgren's ability to dabble in a variety of styles and succeed (to some degree) with all of them. Despite the confidence with which each piece is played, the album exudes a real sense of frailty and confusion, as if Rundgren is just on the verge of breaking down at any moment.

There are a few conventional tracks in addition to the numerous stranger ones. Some prog listeners will probably balk at the ten-minute medley of 60's soul and R+B classics which takes up almost a fifth of the entire release. I'll admit it probably runs a few minutes longer than necessary, but also contend it serves as a necessary function in transitioning from the mania of the first two-thirds of the album to the relatively laid-back tone of the last third. And the finale of that song is tremendous, with Rundgren belting out each line of "Cool Jerk" as fast and furiously as he can.

A Wizard, A True Star isn't a perfect record, but it's pretty darn close. Fans of pop music will surely enjoy this, as Rundgren is one of the real masters of the style; but those who enjoy more avant-garde or unusual fare may find much to relish as well. The album is a compromise between art and commercialism; it succeeds to a degree few other of its type do." - texto extraído do "Ground and Sky"

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quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Buzzcocks


[1979] Singles Going Steady

Um dos discos que eu mais ouvi na minha vida. O show desses caras que eu assisti no ano passado (foto acima) foi algo que eu não queria que acabasse nunca. Porra como essa banda pode ser tão desconhecida, de Nirvana a Green Day todos ajoelham aos pés dessa grande banda.

Segue um texto descritivo extraído do blog Indústria Fantasma:

Formada em 1976 na cidade industrial de Manchester, na Inglaterra, o Buzzcocks foram tão importantes para o punk rock britânico quanto o Sex Pistols e o The Clash. As melodias cativantes de Pete Shelley (v/g/k); Steve Diggle (g/v); Steve Garvey (b) e John Maher (d) influenciaram muitas bandas atuais (nem sempre boas influências, mas enfim). Lançada em setembro de 1979, esta coletânea reúne os oito singles que o Buzzcocks havia lançado até então, incluindo os lados B. São 16 faixas, sendo que boa parte delas não havia saído em seus três primeiros álbuns: Another Music In A Different Kitchen (78), Love Bites (78) e A Different Kind Of Tension (79). Todos estes singles foram muito bem recebidos na época, enquanto que os álbuns não foram tão bem de vendas. Por isso, esta coletânea é considerada como a obra definitiva da banda. Ao menos é o trabalho mais popular. O clássico absoluto talvez seja a pervertida “Orgasm Addict”, mas o álbum ainda inclui “What Do I Get”, “I Don’t Mind”, “Everybody's Happy Nowadays”, "Why Can't I Touch It?", “Harmony In My Head” (cantada por Diggle), “Autonomy”, “Noise Annoys” e a ótima “Ever Fallen In Love” (regravada ano passado por um time de estrelas como David Gilmour, Peter Hook, Robert Plant , Roger Daltrey, entre outros, para uma homenagem ao mestre do rádio, John Peel, por ser uma de suas músicas prediletas). Canções de fácil assimilação e temas simples aliados a guitarras pegajosas e ao vocal descompromissado de Shelley formam a marca registrada da banda. Em 2001 foi lançada uma nova versão desta coletânea com oito faixas extras, extraídas dos quatro singles que a banda lançou em 1980. O grupo se dissolveu em 1981 quando se preparava para o quarto disco, e só foi reformulado novamente em 1989. Em 2006, a banda lançou seu oitavo trabalho oficial (descontando este Singles Going Steady), batizado de Flat-Pack Philosophy.


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segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

:: Sly and The Family Stone ::


SLY AND THE FAMILY STONE, “There's a Riot Goin' On” (1971)
Considerado pela Pitchfork um dos 5 melhores álbuns dos anos 70.

“O rock positivo e multiracial do Sly and the Family Stone refletiu o otimismo do movimento pelos Direitos Civis durante os anos 60, mas à medida que o otimismo se desvanecia, ia-se transformando num radicalismo amargo. Por essa razão, Stone atravessou uma fase espiritual igualmente dolorosa. A obscuridade não era um elemento novo e único deste disco, nem da fusão pop do grupo; “Hot Fun In The Summertime” falava furtivamente dos distúrbios de Watts. Mas a piora das revoltas civis e a matança levada a cabo no Vietnam, juntamente com o seu estado emocional e o abuso de drogas, o que fez com que Stone criasse este discurso inquietante sobre o estado do país.

O álbum foi o produto resultante de inúmeras sessões e overdubs, nas quais Stone, completamente encharcado de cocaína, decidiu gastar as fitas de gravação. Dizem os rumores que Miles Davis tocou trompete no álbum e o som direto da bateria disputa algum espaço com caixas de ritmo primitivas; o baixo desconcerta solto e agressivo; as guitarras com wah wah cortam como facas afiadas. O ritmo pesado de funk que domina o álbum concede ainda mais pungência às peças pop mais melancólicas do disco, “Runnin' Away” e “You Caught Me Smilin'” - momentos de ternura e alíveio entre o funk derrotado e furioso. Êxitos antigos de Sly são referenciados, mais precisamente em “Time” e “Thank You”, o tema final.

Um diagnóstico doloroso e preciso da enfermidade dos EUA e da própria desintegração espiritual de Sly alienou muitos fãs da banda e assinalou a degradação de Sly causada pelo uso excessivo de drogas. Permanece, no entanto, um álbum brilhante, um grito funk que evidencia uma alma ferida e tensa.” texto extraído do 1000 Discos Para Ouvir Antes de Morrer (pg. 223).

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:: BACK TO BUSINESS! ::

Depois de breves e sentidas férias, 'tamos de volta a todo vapor pra continuar as depredações através desse blog Generoso e Caridoso e Limpo de Anúncios e (mto importante!) SEM FINS LUCRATIVOS. Foi malaê pelo sumiço, mas estive resolvendo problemas muitíssimos sérios que dizem respeito à minha sobrevivência física ameaçada por um possível e iminente Ataque Furioso das Autoridades Internéticas Supremas. Já pedi proteção para a Máfia, contratei guarda-costas e já falei com advogado pra fazer meu Testamento, deixando toda a minha enorme fortuna atual de 31 reais e 10 centavos pra os meus descendentes, pois agora - pasmem! - sou um cabra marcado pra morrer. Porque fiz inimizade com quem não devia... com Gente Graúda, que manda apagar neguinho como se fosse formiga... Fui EXCLUÍDO, CONVIDADO A ME RETIRAR, GENTILMENTE EXPULSO do Google AdSense por Comportamento Inadequado e Anti-Ético (quer dizer que eu não podia ficar clicando quinêm um retardado nos meus próprios anúncios, várias vezes ao dia, pra faturar um trocadinho ou outro dos bilhões que tu tem em caixa, seu Google?) - e agora faço parte da Lista Negra da empresa mais poderosa do Mundo Pós-Moderno. Se meu cadáver aparecer boiando em alguma represa malcheirosa por aí, todo furado de balas, vocês já sabem quem foi o Mandante do Crime. E sabem também que minha alma mercenária apodrecerá no inferno, urrando como uma possessa. Hoho!

E de hoje em diante, esse blog NUNCA foi um empreendimento com fins lucrativos. Nunca.

:P

:: Cream ::

cnicolai@gmail.com;
CREAM – "Disraeli Gears" (1967)

"Atualizando a ávida experimentação do seu álbum de estréia de 1966, Fresh Cream, com a inclusão de truques psicodélicos muito utilizados em 1967 – entre eles, o recém-depurado wah-wah e a distorção da guitarra – o trio de jazz-blues-rock Cream atingiu o ponto mais alto da sua carreira com Disraeli Gears. Considerado o primeiro supergrupo devido ao talento do guitarrista Eric Clapton, o baixista e cantor Jack Bruce e o baterista Peter “Ginger” Baker, com este álbum os Cream abriram as portas a muitos estilos musicais do futuro, incluindo a fusão do jazz e – na opinião de alguns – o rock progressivo.

A colagem fluorescente apresentada na capa do disco constitui um acompanhamento visual perfeito para a música vanguardista, começando pela extraordinária e dispersa “Strange Brew”, na qual a voz aguda de Bruce se sobrepõe à guitarra quase funk de Clapton, com uma economia etérea. As restantes faixas vão se apresentando, uma após outra, num crescendo de qualidade: “Sunshine Of Your Love” (que juntamente com “White Room” continua a ser a canção mais conhecida do grupo) serviu de inspiração ao único e verdadeiro rival contemporâneo de Clapton, Jimi Hendrix, que a converteu numa tormenta extraída da sua guitarra num concerto ao vivo. “Tales of Brave Ulysses” é um poema feroz, encharcado nos blues lacerantes saídos da guitarra de Clapton, enquanto na tradicional “Mothers Lament” os músicos reconhecem diretamente as suas influências.

Ainda que os Cream tenham ganho a sua reputação nos concertos ao vivo – o que é justificável: tocavam em palco como se estivessem possuídos pelo espírito de Robert Johnson e Charlie Parker – Disraeli Gears continua a ser o melhor disco da banda, sem diminuir a qualidade dos outros álbuns. É ainda uma fotografia instantânea que traduz fielmente a realidade de uma época única.” texto extraído do 1000 Discos Para Ouvir Antes de Morrer (pg. 110).

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quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Robert Johnson


"You want to know how good the blues can get? Well, this is it."

Keith Richards

[1961] King Of The Delta Blues Singers

Robert Johnson morreu, em 1938, sem conhecer a fama, logo ele que, boatava-se, havia feito um pacto com o capeta, numa encruzilhada do Mississipi. O produtor John Hammond o considerava o maior cantor de blues primitivo de todos os tempos. Quando estava organizando sua célebre série de concertos Spirituals to Swing, o primeiro a levar artistas negros ao Carnegie Hall, Hammond viajou até o Sul à procura de Robert Johnson, a fim de contratá-lo e comprar suas gravações para lançá-las pela Columbia, gravadora de que era produtor. Chegou muito tarde, Johnson já havia morrido, enquanto a lenda começava a nascer.

O bluesman estava com 26 anos quando começou a registrar sua pequena (29 blues) mas imensamente seminal obra. Eram apenas ele, seu violão,e o produtor Don Law, num estúdio tosco, em Robsonville, Mississipi. Foram cinco sessões. Três delas em novembro de 1936, e as demais em junho de 1937. Ele ganhou algumas centenas de dólares, na época uma fortuna para um músico negro no Sul dos EUA. Somente em 1961, a música de Robert Johnson alcançou o grande público, quando a Columbia lançou o álbum.

O impacto produzido por este disco foi parecido com o acontecido no Brasil quando se escutou pela primeira vez o violão de João Gilberto. O violão de Robert Johnson era diferente de qualquer coisa que se ouviu até então no blues. Enquanto cantava, ele ia mudando de andamento, atravessando o ritmo a cada estrofe, fazendo harmonia e percussão ao mesmo tempo.

Suas letras também eram bastante originais (hoje fazem parte do currículo de Literatura da Universidade da Virgínia). Os temas eram idênticos ao de tantos outros blues, em que o sofrimento e desilusões amorosas são a tônica. Porém Johnson ia mais longe: “Early this morning when you knocked upon my door/I said hello Satan, I believe it’s time to go/Me and the devil was walking side by side/ I’m going to beat my woman until I get satisfied” (Me and the devil blues).

King of the Delta Blues saiu fazendo amigos e influenciando pessoas nos EUA e Europa, mais precisamente na Inglaterra. Em 1963, não havia banda de blues inglesa que não tocasse pelo menos uma composição de Robert Johnson. Inventou o chamado blues do Delta (em referência ao Delta na foz do rio Mississipi).

Até hoje o resultado desta sessão é assustador: assistimos Johnson criar o blues que conhecemos à medida que canta músicas eternizadas por Eric Clapton, Led Zeppelin, Blues Brothers, Rolling Stones, entre outros. Não é preciso pensar porque dão o parentesco do rock ao coisa-ruim. Basta ouvir este disco e o ouvimos cantar e tocar. Morreu aos 27 anos, inaugurando o clube mórbido do qual mais tarde alguns astros do rock fariam parte.

Texto parcialmente extraído do site JC Online

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sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

Os Brazões


CLÁSSICOS ESCONDIDOS DA PSICODELIA NACIONAL:

[1969] Os Brazões

Integrada por Miguel e Roberto nas guitarras, Eduardo na bateria e Taco no baixo, Os Brazões era a banda que acompanhava Gal Costa no final dos anos 60; também foram eles que acompanhavam Jards Macalé quando este, sob as vaias de um público confuso e irado, cantou/encenou Gothan City no IV Festival Internacional da Canção, em 1969. Esta música, entre outras de Tom Zé, Gil e Jorge Ben, compõe este único disco da banda, em interpretações distorcidas, reverberantes e extremamente lisérgicas.

Cultivavam um estilo imerso no tropicalismo, com altas doses de psicodelia, evidenciada pela guitarra fuzz de Roberto e pela guitarra wah wah de Miguel. O rico trabalho de percussão, as letras em português e a utilização recorrente de ritmos regionais, completam a fórmula sonora dos Brazões.

Os Brazões é uma das mais interessantes bandas da psicodelia brasileira. Este disco, que em determinados momentos parece estar a frente do seu tempo, com pinceladas bastante elaboradas de rock e até de fusion, lamentavelmente é o único legado da banda. Um grupo que com certeza poderia ter ido muito longe.


Faixas:
01. Pega a Voga Cabeludo
02. Canastra Real
03. Módulo Lunar
04. Volksvolkswagen Blue
05. Tão Longe de Mim
06. Carolina, Carol Bela
07. Feitiço
08. Planador
09. Espiral
10. Gotham City
11. Momento B/8
12. Que Maravilha

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quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Country Joe and The Fish



CLÁSSICOS ESCONDIDOS DA PSICODELIA:

COUNTRY JOE AND THE FISH - "Electric Music For the Mind and Body" (1967)

No 1000 Discos Para Ouvir Antes de Morrer, conta-se: "Joe McDonald, ativista de esquerda antes e depois de passar um período na Marinha, chegou a São Francisco como estudante mas rapidamente se viu absorvido pela cena musical folk e a Instant Action Jug Band (também conhecida por Contry Joe and the Fish, para fins discográficos, um nome que invocava Stalin e Mao). No Verão de 1966, a banda trocou os intrumentos de folk por guitarras elétricas e, graças ao segundo maxi-single, o grupo foi contratado pela Vanguard, um selo de música clássica e folk com base em Nova York (e que presenciava agora a transformação da sua rival Electra num credível selo de rock).

Naquele tempo, São Francisco era um berço de estudantes radicais, estimulados por LSD e pela política. Na música, o psicodelismo encontrava-se numa fase inicial, com algumas bandas conscientes das possibilidades que o ano de 1967 tinha para oferecer. O LP do The Fish abriu as portas a tudo o que viria a acontecer nos anos seguintes - mesmo com a insistência do selo na ausência da canção ao vivo mais popular do grupo, "I Feel Like I'm Fixin' To Die Rag".

Tecido com ácido e ritmos ácidos, Electric Music é um dos produtos mais coesos do Verão do Amor e da geração hippie; as guitarras oscilam entre a calma e a completa inquietação; as letras contêm ataques satíricos contra Lyndon Johnson ("Superbird") e epopéias sobre drogas ("Bass Strings"); há blues, folk e rock para satisfazer todos os gostos. E no acordar que motivou este álbum, alterara-se o clima emocional do país, os seus jovens e a sua música." (pg 102).

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sábado, 22 de dezembro de 2007

Novos Baianos



NOVOS BAIANOS - "Acabou Chorare" [1972] e "F.C.." [1973]

Recentemente eleito pela revista Rolling Stone o melhor álbum da história da música popular brasileira, Acabou Chorare é o grande clássico dos Novos Baianos. André Domingues, em seu livro os 100 Melhores Discos da MPB, escreve: “Com uma rica mistura de rock e ritmos regionais brasileiros, foi um grupo fundamental para a definição dos traços da MPB dos anos 70. O núcleo principal do conjunto era, inicialmente, Moraes Moreira, Luiz Galvão, Paulinho Boca de Cantor e Baby Consuelo. A eles, somaram-se alguns bons instrumentistas (a exemplo do guitarrista Pepeu Gomes, do baterista e cavaquinista Jorginho Gomes e do contrabaixista Dadi), que, além de participar de sua música, aderiram ao seu singular modo de vida – no final dos anos 60, em plena efervescência do movimento hippi, o grupo seguia uma filosofia alternativa em que todos faziam música e moravam juntos. Essa vivência coletiva permitiu uma intensa troca de idéias, sendo decisiva para a originalidade e a coesão da estética do conjunto, um tanto inspirada no experimentalismo sonoro do tropicalismo. Acabou Chorare, o segundo e principal álbum do grupo, é o maior exemplo da qualidade e ousadia que o celebrizou. É um disco impecável sob qualquer ponto de vista, pois a poética inovadora e brejeira de Galvão, marcada pela livre associação de imagens e pelo largo uso de neologismos, foi complementada à altura pela espantosa musicalidade do conjunto, mas, sobretudo, de Moraes, seu principal parceiro.

Outro elemento que influiu bastante na confecção dessa obra-prima foi o contato íntimo que os Novos Baianos vinham tendo com o mestre bossanovista João Gilberto. João, que já havia se encantado com a música e o modo de vida dos rapazes, passou a visitá-los diariamente assim que os conheceu. Sempre com o violãio em mãos, João fez com que os Novos Baianos começassem a dar maior atenção aos clássicos da música brasileira e, em especial, aos grandes sambistas do passado. Sua influência é percebida diretamente em duas canções: a bossanovista “Acabou Chorare” e o samba “Brasil Pandeiro” (de Assis Valente, que o próprio João lhes apresentou). Indiretamente, João também se faz presente nos outros dois sambas do disco, os excelentes “Swing de Campo Grande” e “Besta é Tu”. As faixas “Tinindo Trincando” e “A Menina Dança” lembram a outra grande influência do grupo: o rock, ou, mais especificamente, o rock de Jimi Hendrix (o maior ídolo do então jovem, mas já competente, Pepeu). A interessante “Mistério do Planeta” também lembra a música de Hendrix, mas em suas composições em compasso ternário. (...) Curiosamente, o maior sucesso do disco não é rock nem samba, mas uma moda inspirada em versos tradicionais da cana-verde: Preta Pretinha. Essa música encantou o Brasil e ajudou a impulsionar o sucesso das demais que, sem exceção, se tornaram conhecidíssimas. Os Novos Baianos separaram-se em 1978 e, tirando Moraes Moreira, nenhum deles conseguiu repetir, sozinho, o brilho dos anos dourados do conjunto.” (pgs. 36-37)


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"Acabou Chorare" (1972)
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"Novos Baianos F.C." (1973)
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:: mutantes ::



MUTANTES - "...e seus cometas no país dos Baurets" (1972)

"1972 é o primeiro ano (chave) do resto da vida do Mutantes. Com o Baurets, Rita Lee dá adeus ao grupo. Mas antes, se une a Arnaldo, Dinho, Liminha & Sérgio no álbum mais rock'n'roll da banda. De "Posso perder minha mulher, minha mãe, desde que eu tenha meu rock'n'roll" até "Rua Augusta", o disco é uma pauleira (ou lenha, como gosta de nomear Arnaldo Baptista) do começo ao fim. E dá-lhe rock and roll em "Dune Buggy", "Beijo Exagerado" e "A Hora e a vez do Cabelo Nascer" (esta magistralmente regravada pelo Sepultura). Em contraponto, as suavidades ácidas de "Vida de Cachorro" e o hit dos hits do grupo, "Balada do Louco". No setor lisergia, a ópera-surrealista-progressiva de Mutantes e Seus Cometas no País dos Baurets, que inclui uma releitura de "Tempo no Tempo / I Once There was a Time i Thought", do primeiro disco; e a vinheta dadísta "Todo Mundo Pastou I e II". Ainda sobre o Baurets, resta dizer que o título do álbum e a canção homônima relêem mais um pilar da literatura mundial, o inglês Lewis Carroll, e seu Alice no País das Maravilhas. É, obviamente, o senhor Bill Halley e seu topete chuca e seus comets". (Marcelo Dolabela - bhz out/nov 1999)

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sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Belle And Sebastian


[2002] Peel Session Christmas Party

A banda escocesa foi a convidada para embalar a festa de natal do programa do saudoso e inesquecível John Peel, pra mais uma edição dos famosos Peel Sessions. O show aconteceu no dia 18 de dezembro de 2002, transmitido pela BBC. Das 16 faixas tocadas, são alternados clássicos natalinos e os clássicos bellesebastianos.

Para quem não quer passar o Natal tendo que aturar o cd do Roberto Carlos da sua vó ou a sonolenta Missa do Galo.

Ponha o disco do Belle e encha seu prato de comida. E torça pra que nenhum bom velhinho apareça pra te encher o saco.


Tracklist:

01. O Come, All Ye Faithful
02. Christmas Time Is Here
03. Santa Claus
04. Step Into My Office, Baby
05. Jonathan David
06. Santa Claus, Go Straight To The Ghetto
07. Photo Jenny
08. Silent Night
09. O Little Town Of Bethlehem
10. Santa, Bring My Baby Back To Me
11. If You Find Yourself Caught In Love
12. The Boy With The Arab Strap
13. O Come, O Come, Emmanuel
14. Get Me Away From Here, I'm Dying
15. I Took Some Time For Christmas
16. The Twelve Days Of Christmas

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quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

:: Nina Simone ::


NINA SIMONE - "Wild Is The Wind" (1966)

No 1001 Discos Para Ouvir Antes de Morrer, editado por Robert Dimery, o crítico Jim Harrington escreve: "Nina Simone podia cantar blues como Billie ou jazz como Ella. Estilisticamente falando, nunca foi tão consistente como nenhuma delas e isso criou um grande obstáculo na sua carreira, pois os críticos subestimaram-na. Mas em meados dos anos 60 tinha demonstrado a si mesma que podia sentir-se igualmente cômoda nos mundos do jazz, broadway, gospel, pop e folk. Nina era capaz de criar uma música tão satisfatória quanto confortante em todos os gêneros musicais que experimentou. Embora tenha sido compilado com sessões de estúdio e gravações ao vivo entre 1964 e 1965, Wild Is The Wind é o melhor exemplo de como o ecletismo de Simone podia dar origem a uma obra musical coesa. O disco exibe uma variedade assombrosa; os onze temas levam o ouvinete numa viagem sinuosa, mas sempre convincente, por emoções e estilos distintos.

Simone está exultante no tema de abertura "I Love Your Loving Ways", que faz com que o tema melancólico que se segue, "Four Women", resulte ainda mais devastador. A canção, que relata os infortúnios de quatro mulheres negras, fervilha com uma espécie de raiva contida que matrizará grande parte do material de orientação política da compositora.

"Why Keep On Breaking My Heart" e "Either Way I Lose" parecem destinadas a satisfazer a maioria do público consumidor de pop que tinha convertido a versão da cantora de "I Loves You, Porgy" (um tema original de Gershwin) num êxito de 1959. Mas a cantora melhora a sua interpretação quando se preocupa principalmente por se satisfazer a si mesma. O tema que dá título ao disco tem uma duração aproximada de 7 minutos e é uma canção de amor que pode ser categorizada entre o melhor do repertório de Simone." (pag. 98)

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quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

Beastie Boys


[1996] The In Sound From Way Out!

Esses três judeus branquelos de Nova Iorque tiveram a audácia de entrar em um mundo hip-hop totalmente dominado por negros e mostraram que os brancos também levavam jeito nos ritmos e batidas de rua. Eminem tem muito o que agradecer a esses caras.

Se no primeiro disco (Licensed To Ill, 1986) eles misturaram rap com riffs de metal rock, a partir de Paul's Boutique (1989) eles começavam a revolucionar a palavra Rap, tranformando-a e incorporando elementos como jazz, dub, funk, samples, música experimental, oriental e o que mais pudesse ser absorvido por essas verdadeiras esponjas ambulantes. Lembrando que antes de tudo isso eles tinham uma banda punk/hardcore, foram convidados pelos Bad Brains pra dividir turnê e chegaram inclusive a se apresentar nos lendários clubes Max's Kansas City e CBGB.

Influenciaram qualquer outro grupo do mundo que, após eles, queira misturar rap com outros gêneros de maneira tão brilhante e harmoniosa. Ainda arrumaram tempo de fazer videoclipes dos mais bacanas e divertidos que já vi.

Nesse disco de temas instrumentais, tiradas de seus discos anteriores, principalmente de Check Your Head (1992) e Ill Comunication (1994), eles fazem verdadeiras jams sessions que servem de fundo pra qualquer coisa que você esteja fazendo ao ouvir, desde relaxar no sofá ou puxar uns passos de dança. Esse ano eles lançaram um outro disco instrumental, mas dessa vez com temas totalmente inéditos, que se tornou pra mim um dos grandes lançamentos do ano.

Se ninguém ainda reparou, eu sou fã desses caras.

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terça-feira, 18 de dezembro de 2007

:: BOOST PRA INDIELÂNDIA :


PLANO PRÓXIMO - "Wasabi" (2007-2008)


Pra dar inicío ao BOOST PRA INDIELÂNDIA (o nome é besta, eu sei! aceitamos sugestões melhores!), projeto do Depredando o Orelhão que pretende divulgar bandas independentes bacanas, apresentamos ao nosso fiel público frequentador o ótimo Plano Próximo e seu álbum debut. Em resenha sobre o show dos caras no último Groselha Fuzz, soltamos no Dirty Little Mummie:

"Outra banda novinha em folha que empolgou estes jornalistas até o tutano de seus ossos gonzo foi a Plano Próximo, de São Carlos, banda tipicamente universitária que faz algum do melhor rockinho moderno que vimos em cima de um palco nos últimos tempos. Composta por amigos de facul, a maioria deles que cursavam Imagem e Som na UFSCar, a banda faz uma mistura muito bem realizada entre um “dance-rock” que lembra o The Rapture, Kasabian e Peaches e uma espécie de new wave do século 21 que soa como o encontro do Blondie com o Franz Ferdinand. A vocalista Carol, com uma presença de palco impressionante, uma voz poderosa e um figurino sexy e provocante, chefia a banda – que ainda conta com a baixista Rachel, os guitarristas Gustavo e Ian, e o batera Daniel. A banda cita como influências Elastica, Weezer e Yeah Yeah Yeahs. Se fosse uma banda inglesa, tinha tudo para ser alvo de um mega hype na NME e ter algum single explodido nas paradas. As letras são em português, o que dificulta um pouco a penetração no mercado no exterior, mas o som da banda teria tudo para seguir a onda de Cansei de Ser Sexy e Bonde do Rolê e marcar presença na cena indie internacional.

A banda já gravou seu disco de estréia, com 12 músicas próprias, que possui uma qualidade de produção bem acima da média para uma banda independente – o Plano Próximo tem o privilégio de possuir dois membros que trampam em estúdios e que manjam de produção musical..."

O disco, divertido e moderninho, feito por gente que parece antenadíssima com as últimas novidades do indie gringo, contêm pelo menos duas pepitas deliciosas e candidatas a hits instantâneos do rock independente nacional: a bonitinha balada guitar "Eu Só Queria Conhecer Seu Cachorro" e o punk moderno de "Vou Capotar". Aí vai, pois, o álbum de estréia do Plano Próximo. Divirtam-se!

(Saiba mais visitando o myspace da banda...)


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(p.s.: Bandas da cena independente que estejam interessadas em serem resenhadas por aqui e terem seus álbuns disponibilizados para download, favor entrar em contato conosco pelo educmoraes@hotmail.com. Na próxima edição... VISITANTES!)

domingo, 16 de dezembro de 2007

:: regina spektor - parte I ::


Pra quem ainda não foi apresentado a essa pequena nova gêniazinha, digamos o básico: REGINA SPEKTOR é uma guria russa de origens judias, treinada classicamente no piano e detentora de altos talentos para a poesia, que emigou da União Soviética para o EUA antes dos 10 aninhos de idade. Começou sua carreira musical como uma pianista/compositora/cantora vinculada à cena "anti-folk" do East Village de Nova York, um ambiente com uma reputação de boêmio, intelectualizado e politizado.

Depois de ter sido apadrinhada por Julian Casablancas, tendo feito tour e gravação junto com os Strokes, e ter assinado com uma grande gravadora para o lançamento do sensacional Begin To Hope (2005), Regina consolidou-se como um dos maiores talentos femininos do atual panorama sônico mundial. Daria para fazer altas comparações, um tanto grosseiras e bobas, mas que dão uma boa noção do som que vos espera: ela é uma espécie de Tori Amos menos melosa, uma Fiona Apple menos dramática, uma Aimee Mann menos tímida, uma Ani DiFranco mais cool e descolada ou uma Joni Mitchell mais punk...

O que poucos sabem é que existe muito ouro antes de Soviet Kitsch, o primeiro álbum que causou algum impacto em termos de pública e crítica. Pois o Depredando o Orelhão começa hoje a postagem das OBRAS COMPLETAS de Miss Spektor com o esplêndido álbum de estréia, 11:11, de 2001, uma pérola poética e subversiva de primeira linha - o tipo de obra de arte que sobe até as estrelas nas asas de somente isso: uma menina geniosa sentada ao seu piano com um microfone... Desde o disco de estréia da Fiona Apple eu não sentia meu queixo cair tão lá embaixo com um debut de uma jovem compositora. Altamente recomendado.


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sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

:: regina spektor - parte II ::

"Songs" (2002) - o 2o disco de estúdio.

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:: regina spektor - parte III ::

Uma raridade: show completo de Regina Spektor no Sin-É de Nova York, em Agosto de 2003, no mesmo café chique em que Jeff Buckley começou sua carreira.

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Teenage Fanclub


A melhor banda de power pop do universo realizou uma sessão acústica nos estúdios de uma rádio na França. No ano de lançamento da grande obra-prima do grupo, Grand Prix, o repertório incluiu cinco faixas do disco de 1995. No formato sem guitarras, as canções não perderam em nada sua qualidade, mantendo todos os instantes mágicos de cada acorde de suas versões originais.

"Starsign" foi a única música não presente em Grand Prix a entrar no set list - canção do clásssico disco Bandwagonesque, eleito pela revista Spin o melhor lançamento do ano de 1991. (1991! Ano em que discos históricos como Nevermind, Ten, Out Of Time, Achtung Baby, Loveless e tantos outros também foram lançados).

Eles ainda tocam uma cover do sensacional Creedence Clearwater Revival. Com apenas sete canções, eles fazem um show pra se ouvir várias vezes ao dia.

"(Don't look back) on an empty feeling"

White Session (session acoustique),
France Inter Radio, France
11th April 1995

1. Don't Look Back
2. Say No
3. Starsign
4. I'll Make It Clear
5. Sparky's Dream
6. Have You Ever Seen The Rain (Creedence Clearwater Revival)
7. Mellow Doubt

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quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

:: my fair lady - com o cast original ::


Este é o segundo disco mais vendido da década de 50 (3 milhões de cópias), só perdendo para o Elvis... Sobre ele, diz Charlotte Greig no guiazinho supimpa dos 100 Álbuns Mais Vendidos dos Anos 50: "Esta gravação dos temas de My Fair Lady de Lerner e Loewe foi interpretada pelo elenco original de palco e, quando do seu lançamento em 1956, manteve-se no topo das paradas da Billboard durante 292 semanas - um recorde que até hoje ainda não foi batido.

A peça musical fora um êxito tremendo, permanecendo em cartaz durante 2.700 exibições. Foi considerada superior ao espetáculo médio da Broadway: baseada na obra Pigmaleão de George Bernard Shaw, as letras de Alan Jay lerner conservaram grande parte do espírito e da vivacidade de Shaw, enquanto que as canções de Frederick Loewe variavam do romântico ("I Could Have Danced All Night" e "On The Street Where You Live") até o humorístico ("The Rain In Spain" e "Get Me To The Church On Time"). Poucos musicais podem se vangloriar de tantos temas que se tornaram clássicos. O elenco original contava com Julie Andrews (Eliza Doolittle), de 22 anos, na sua melhor forma vocal, Rex Harrison (Henry Higgins) a aperfeiçoar seu estilo urbano de "falar a cantar", e Stanley Holloway (Alfred P. Doolittle) que conferia um toque de comédia music-hall inglesa à atuação.

Não surpreendeu que os fãs da Broadway tenham considerado esta gravação mono original do musical de palco mais pura do que o disco, tecnicamente aperfeiçoado, do filme de 1964, no qual Audrey Hepburn desempenhava o papel de Eliza, com a voz dobrada por Marni Nixon."

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:: vê uma esmolinha, seu moço! ::

Tão vendo os ads do Google que surgiram no menu lateral? Já sei o que as más línguas vão dizer: que vendemos nossas almas antes tão imaculadas ao capitalismo e ao sonho de fortunas fáceis via internet! Mas não, amigos, não somos assim tão mercenários e cafajestes... mas ter um trampo enorme desses sem nenhuma retribuição, nem financeira nem espiritual, é um tanto desanimador. Pois então: caras pessoas caridosas que depredam esse orelhão diariamente, baixando esses disquinhos trimmassa que temos disponibilizado por aqui, pedimos um pinguinho de compaixão por estas pobres carcaças terrestres que suam dia a dia para deixar no ar um blog tão legal... (e que tem ambições de se tornar cada dia melhor, mantendo-se firme na proposta de pelo menos uns 5 álbuns novos por semana, sempre com várias opções de download funfando).

Nem vamos ficar pedindo por comentários do público frequentador, porque todo mundo sabe que usuário de blog de MP3 é tudo ingrato - sai baixando e nem diz obrigado... Mas contamos com a colaboração de vocês aí para, quando não tiverem nada de melhor a fazer, clicarem nesses anunciozinhos do Google que estão por aí - pode ser? Façam uma forcinha aí, vai! (Tem uns anúncios, aliás, que são IRRESISTÍVEIS - vão dizer que não dá mó vontade de clicar neste tal de NAMORO EVANGÉLICO?!?). Lá embaixão tem também um Search recém-instalado, que é uma boa pedida para encontrar conteúdo antigo tanto no Depredando quanto na Muminha, e que está vinculado ao Google. Então pensem altruisticamente e, ao invés de saírem do blog para ir ao Google, usem o Google aqui dentro do blog mesmo - é alegria pra todo mundo. Num custa nada pra vocês clickarem nos ads e usarem o search interno daqui - - e vale um ou outro fragmento de centavo para nós aqui, estes mártires da blogosfera. Certin'? Valeu.

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

:: status quo ::


STATUS QUO - "On The Level" (1975)

Tudo bem: o Led Zeppelin IV é um puta dum disco formidável, clássico supremo da história do rock and roll, objeto de culto de todos os tiozões roqueiros que conhecemos... Mas quantos de nós, mais moderninhos, não desejamos que aquela avalanche sônica de “Black Dog” e “Rock and Roll”, que inicia o álbum nos deixando com a adrenalina lá no teto, continuasse pelo disco inteiro, sem que entrassem as bonitezas folk de “Going To California” ou a longa viagem de “Stairway To Heaven”? Quem já não quis que o Led Zeppelin tivesse feito um disco com o carro sempre na quinta-marcha, com o pé pisando sempre até o fim no acelerador? Pois o On The Level, do Status Quo, é mais ou menos como seria um disco inteiro repleto de rock and roll como só o Led sabia fazer na época do IV. Fiquei completamente embascado quando descobri esse disco – como pode ser tão subestimado e obscuro, quando tinha tudo para ser um dos álbuns mais adorados da história do hard rock? Antes de baixar essa pérola, minha única informação sobre o Status Quo era uma citação, pra lá de irônica, numa música do Teenage Fanclub, no disco deles (o adorável Bandwagonesque) que mais sacaneia alegremente o mundo do metal (e as meninas metaleiras): “She wears denim wherever she goes, she says she's gonna buy some records by the Status Quo...” (em “The Concept”). Este On The Level tem uma única musiquinha de bonitezas folk, inclusive com ú-ú-ús singelos de backing vocal (“Where I Am”), mas o resto do álbum é estupidamente rockandroller – contendo clássicos como “Down Down” e “Over and Done”. Rockão empolgante, despretensioso e cavalgante, que passa por cima do ouvinte como um rolo compressor e que não decepcionará ninguém que curta AC/DC e Led - mesmo que fique a sensação nítida de que o Status Quo é uma espécie de banda de segundo escalão, que fazia nada além de uma imitação classuda dos grandes mestres. Mas vai imitar bem assim no inferno! - por Eduardo Carli de Moraes (originalmente publicado no Dirty Little Mummie)

OPÇÕES DE DOWNLOAD (MP3 de 192 kps - 54 MB)
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segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

:: The Posies ::


Na Dying Days, Alexandre Luzardo escreve: "O Posies, formado em Seattle em 1987, esteve na ativa durante toda a década de 90 e escapou ileso da super-exposição do grunge. Mas por outro lado, jamais atingiu um grande sucesso comercial e acabou solenemente e injustamente ignorado. Seus dois líderes, Jon Auer e Ken Stringfellow são excelentes músicos e compositores e os álbuns da banda, devidamente aclamados pela crítica e esquecidos pelo público, são itens indispensáveis para os seguidores do power pop. Explica-se, o Posies é mais uma das bandas fortemente influenciadas pelo Big Star, revolucionária e influente banda dos anos 70 conhecida por melodias simples mas muito bem trabalhadas, de inegável apelo pop e pegada rock n'roll, o tal power pop. Nos anos 90, surgiu uma verdadeira legião de bandas influenciadas diretamente pelo som do Big Star, capitaneadas principalmente pelo Teenage Fanclub, Redd Kross e o Posies.

(...) "Frosting on the Beater" foi produzido por Don Fleming, um expert responsável pela produção de discos como "Sweet Oblivion" do Screaming Trees e "Bandwagonesque" do Teenage Fanclub. Mais uma vez, o Posies foi elogiadíssimo pelos críticos e obteve alguma rotação nas rádios, com os singles, principalmente com "Dream All Day" e "Solar Sister". No novo disco, os temas explorados nas músicas ficaram mais obscuros e o som ficou notadamente mais pesado.

Chegou a se especular que a mudança no som da banda tinha a intenção de fazer com o Posies se adaptasse a explosão do "som de Seattle" ao que Ken Stringfellow uma vez respondeu: "Nós teríamos feito algo muito mais ridículo se nós estivéssemos tentando fazer 'grunge'. De certa forma, nós não estamos atentos ao que está acontecendo. Quando eu escuto um disco, eu não fico pensando se é popular. Eu acho o Red Red Meat e R.E.M. igualmente populares, embora saiba que o R.E.M. vende muito mais discos. Eu não sei se reajo ao que é popular". De qualquer forma, "Frosting on the Beater" não teve o sucesso esperado, e o fato é que o peso e as distorções não anularam a principal característica do som do Posies, o gosto e o cuidado pelas melodias."


"FROASTING IN THE BEATER" (1993)
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