sábado, 23 de novembro de 2013

Especial Vaca Amarela, parte 3: vídeos de Cambriana, Nevilton, Petit Mort, Patrick Horla, Boogarins, Dry, Porcas Borboletas, Caboclo Roxo



















Galera, aí vai a terceira leva de vídeos gravados no Vaca Amarela 2013! Todos disponíveis em HD. Veja também a parte 01 (Projota, Dizzy Queen, Ultravespa, Luziluzia, Space Truck, Lucas Adorno) e a parte 02 (Hellbenders, Cherry Devil, Aurora, Don Fernando, Dead Fish, Coletivo Sui Generis). 













segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Vídeos e Fotos do Festival Vaca Amarela 2013 (pt. 2): Dead Fish, Hellbenders, Aurora, Cherry Devil, Don Fernando, Coletivo Sui Generis...

Centro Cultural Martim Cererê
Goiânia - G0
Novembro de 2013
Um evento da Fósforo Cultural






segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Mixtape Vaca Amarela 2013: ouça 20 bandas que tocam no festival!



MIXTAPE DO FESTIVAL VACA AMARELA 2013
Conheça algumas das bandas que vão tocar no festival!
Click acima no botão > para dar play. Ou vá ao 8 tracks.


01) DIZZY QUEEN, "Camaro"
02) ULTRAVESPA, "Motel Barato"
03) PETIT MORT, "Bugs"
04) PORCAS BORBOLETAS, "Todo Mundo Tá Pensando em Sexo"
05) CAMBRIANA, "The Sad Facts"
06) NEVILTON, "Pressuposto"
07) CASSINO SUPERNOVA, "Cinco"
08) BOOGARINS, "Lucifernandis"
09) PROJOTA, "Mais Do Que Pegadas"
10) HELLBENDERS, "Whorehouse Murder"
11) DEAD FISH, "Sonho Médio"
12) CORAZONES MUERTOS, "Fly Away"
13) SPACE TRUCK, "Back to Gyn"
14) AURORA RULES, "Eu vou Vencer"
15) JOHNNY SUXXX & THE FUCKIN' BOYS, "Oil and Blood"
16) BONDE DO ROLÊ, "Kilo"
17) LUZILUZIA, "Longe Não Mais"
18) SHOTGUN WIVES, "Salt"
19) CASA BIZANTINA, "Minha Liberdade"
20) CHERRY DEVIL, "Dark Side of Us"

Página do festival no Facebook
Um evento produzido pela Fósforo Cultural

Nos vemos lá no Martim Cererê
entre os dias 14 e 16 de Novembro!
Até lá!

Festival Vaca Amarela 2013 - 14, 15 e 16 de Novembro - Goiânia - No Martim Cererê [Confira a programação completa!]









FESTIVAL VACA AMARELA 2013

12ª EDIÇÃO 
Centro Cultural Martim Cererê /Goiânia - GO

CONFIRA A PROGRAMAÇÃO COMPLETA DE SHOWS:

14 de novembro
(quinta-feira, véspera de feriado):

01:00 Bonde do Rolê(PR)
00:30 Nevilton (PR)
00:00 Cambriana
23:30 Ultravespa
23:00 Johnny Suxxxx n´ the fucking boys
22:30 Shotgun Wives
22:00 Dizzy Queen (ES) + Overfuzz
21:30 Casa Bizantina
21:00 Bicicletas de Atalaia ( SP)
20:30 Luziluzia
20:00 Versário
19:30 Oblongs ( Trindade )
19:00 The Ander´s
18:30 Feed my kraken ( Anápolis )
18:00 Verdadeiros Ascendentes


 

15 de novembro
 (sexta-feira - feriado)

01:30 Projota ( SP )
01:00 Corazones Muertos (ARG)
00:30 Calango Nego
00:00 Overfuzz
23:30 Boogarins
23:00 Petit Mort ( ARG)
22:30 Porcas Borboletas(MG)
22:00 Caboclo Roxo
21:30 Patrick Horla
21:00 Dry
20:30 Cassino Supernova (DF)
20:00 Space Truck
19:30 Mad Matters
19:00 Beavers
18:30 Faroeste
18:00 Boom Bride( Anápolis )

16 de novembro (sábado)


01:30 Dead Fish(ES)
01:00 Hellbenders
00:30 A Ultima Theoria
00:00 Don Fernando (Austrália)
23:30 Aurora Rulles
23:00 Kamura
22:30 Cherry Devil
22:00 Lost In Hate (DF)
21:30 Coletivo Sui Generis
21:00 Vero HC
20:30 Cicuta
20:00 OFF 1984
19:30 Entre os Dentes
19:00 Missa de corpo presente
18:30 Red Light House
18:00 Criatura Nuclear


24 DE OUTUBRO
(PRÉ FESTA NO NÍVER DE 80 ANOS DE GOIÂNIA)

00:15 Rollin Chamas 
23:30 Terrorista da Palavra 
22:45 Abluesados 
21:15 Bruna Mendez 
20:30 Ressonancia Mórfica 
19:45 Grieve 
19:00 Baba de Sheeva 
18:15 La Morsa ( Anápolis )
17:30 West Bullets 
16:45 Piratas do Cachimbo 
16:00 Suttura 


Bóra!?!
Vaca Amarela 2013: nos vemos lá!

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

“A liberdade é como a manhã: alguns a esperam dormindo, porém alguns acordam e caminham na noite para alcançá-la.” (Subcomandante Marcos, EZLN)


UM LUGAR CHAMADO CHIAPAS (1998, 92 min)
Um filme de Nittie Wild 
Uma produção Zeitgeist Films

Documentário completo e legendado em português:

Assista on-line

Faça o download (em torrent)


Sinopse:

"Em 1º de janeiro de 1994, o Exército Zapatista de Libertação Nacional, composto de índios Maias pobres do estado de Chiapas, tomou cinco cidades e mais de 500 fazendas no sul do México. O Governo enviou suas tropas, e pelo menos 145 pessoas morreram na batalha que se seguiu. Lutando em prol dos indígenas mexicanos que querem recuperar o controle sobre suas vidas e sua terra, o Exército Zapatista, liderado pelo carismático guerrilheiro-poeta Subcomandante Marcos, começou a enviar sua mensagem ao mundo através da Internet. O resultado foi o que o The New York Times chamou de “a primeira revolução do mundo pós-moderno”. A cineasta Nettie Wild viajou para os “canyons” da selva do sul do México para filmar a vida indescritível e frágil da insurreição. Sua câmera, de forma eficaz e comovente, capta as dimensões humanas por trás desta guerra de símbolos.”



Siga viagem com outros documentários:
  • Zapatista (1999)
  • Marcos, Aqui Estamos (de Gianni Mina)

    * * * * *

    "Das montanhas mexicanas ao ciberespaço"
    de Pedro Henrique Falco Ortiz

  • RESUMO: Este artigo faz uma apanhado histórico contextualizado e uma análise comunicacional sobre o Exército Zapatista de Libertação Nacional – EZLN, que apareceu publicamente no estado mexicano de Chiapas em janeiro de 1994, a partir de sua origem indígena, com as demandas seculares dessa parcela da população marginalizada, suas peculiaridades e sua prática política, que o fazem um grupo armado bastante original dentro do contexto das lutas populares na América Latina. As estratégias políticas e de comunicação do EZLN são diferenciais importantes em relação a outras experiências guerrilheiras anteriores. Assim, analisamos também a habilidade que os zapatistas tiveram – e ainda têm – para conquistar espaço nos meios de comunicação convencionais e criar uma eficiente rede de solidariedade e comunicação, combinando as tradições seculares das comunidades indígenas, que são suas bases, aos recursos tecnológicos de meios eletrônicos como a Internet e a Web. Esta combinação criativa de iniciativas políticas bem-sucedidas, bases sociais resistentes, diálogo permanente com a chamada sociedade civil – nacional e internacional – e vitórias importantes no campo da comunicação, compensam a fragilidade militar do EZLN e possibilitam sua continuidade, mesmo no contexto militar bastante adverso em que se situa o conflito chiapaneco. - Leia artigo completo

    Um trecho: "Além de suas características bastante peculiares como movimento político e armado, apelidado pelo escritor mexicano Carlos Fuentes e pela mídia internacional como primeira guerrilha da era pós-moderna ou pós-muro de Berlim, o EZLN rapidamente transformou-se também em importante fenômeno comunicacional ou mediático. A habilidade de Marcos como comunicador e conhecedor dos meios de comunicação, a capacidade dos zapatistas em se manterem na mídia e o interesse despertado em todo o mundo, alimentando constantemente as redes eletrônicas com informações de e sobre Chiapas, fizeram com que as reivindicações básicas dos insurgentes zapatistas e a realidade das populações indígenas da região circulassem em escala global, chamando a atenção não só da sociedade mexicana, mas de grande parte da população mundial para as demandas seculares daqueles povos até então esquecidos.

    Marcos tornou-se o primeiro super-herói da Internet, como analisaram alguns ativistas de mídia e destacou um site norte-americano de web art zapatista. Com um alcance infinitamente superior ao dos seus velhos fuzis e espingardas que, como eles mesmos reconhecem, não têm condições de enfrentar o poderio bélico do exército federal mexicano, os zapatistas e seus comunicados protagonizaram também desde aquele surpreendente 1º de janeiro uma guerra de e pela informação, praticamente em tempo real, on-line..."

    * * * * *
      "Aqui manda o povo e o governo obedece." 

    Leia também:
  • "Marcos e o Espelho Partido da Mundialização" - Daniel Bensaïd

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Grito da Liberdade: Rio, 31 de Outubro de 2013


GRITO DA LIBERDADE
Rio de Janeiro - 31 de Outubro - 15h
Página do evento

MANIFESTO

"O Grito da Liberdade é um ato pela liberdade dos GRITOS!

O ato é uma convocação popular às ruas pelo fim do momento de exceção ao qual o Rio de Janeiro tem sido submetido por seus governantes. Nosso grito é contra a aplicação das leis de Segurança Nacional e de Crime Organizado contra manifestantes, pela libertação imediata dos presos políticos e pelo direito amplo e irrestrito de livre manifestação, garantido na Constituição de 1988, e que tem sido sistematicamente violado pelo Estado em nome dos megaeventos.

Que possamos ter o DIREITO de GRITAR nossas pautas com LIBERDADE!

Nos últimos meses, a barbárie que sempre existiu nas favelas, em especial contra a juventude negra, chegou às ruas para tentar calar as vozes daqueles que exercem sua liberdade de expressão na luta por direitos. Nesse contexto, todos os movimentos sociais e cidadãos têm sido criminalizados com a ajuda das grandes corporações de comunicação.

Estamos aqui para DENUNCIAR os crimes cometidos pelo Estado e comunicar que vamos ficar nas ruas até que os nossos direitos fundamentais sejam respeitados e nossas pautas atendidas, sendo elas:

(1) Fim das prisões políticas
Ninguém deve ser detido sem que haja mandado de prisão ou flagrante delito, nem nas favelas, nem nas manifestações. Contra a arbitrariedade dos mandados de prisão. Repugnamos o uso da Lei de Segurança Nacional e da Lei 12.850 contra os manifestantes.

(2) Anistia aos processados e aos presos políticos
Todos os procedimentos policiais (Registros de Ocorrência, VPIs e inquéritos) e judiciais (processos), abertos arbitrariamente contra manifestantes, devem ser extintos.

(3) Garantia do direito à livre manifestação
Liberdade irrestrita de expressões artísticas, culturais, sociais e políticas nas ruas, praças e espaços públicos.

(4) Fim da violência policial
As polícias abusam de seus poderes a mando do Estado, executando negros, pobres e moradores de favela, e perseguindo violentamente os manifestantes que estão nas ruas. Exigimos o fim dos desaparecimentos forçados, do uso de armas letais em manifestações, do uso abusivo de armamentos “não letais” e dos autos de resistência.

(5) Desmilitarização da PM
Queremos o fim da Polícia Militar e a reestruturação da política de segurança do Estado.

(6) Fim da “pacificação” armada
Não acreditamos na pacificação armada das comunidades. Exigimos a revisão das práticas arbitrárias e reprodutoras de violência utilizadas pelas UPPs. Revisão da atual política de combate às drogas, visto que é uma questão de saúde e não de polícia.

(7) Investigação dos crimes cometidos pelas polícias Militar e Civil através de Corregedorias independentes dos governos dos quais elas fazem parte.
O Estado não deve investigar a si mesmo. Queremos uma investigação efetiva.

(8) Democratização dos meios de comunicação
Repúdio à conivência da grande mídia corporativa com a violência do Estado e a distorção de fatos na tentativa de criminalização dos movimentos sociais. Faz-se urgente o fim do monopólio da mídia, representado principalmente pelas Organizações Globo.

(9) Marco Civil da Internet
Queremos a aprovação integral do Marco Civil da Internet, com exclusão do parágrafo 2º do Artigo 15, que garanta a liberdade de expressão, a privacidade e a neutralidade na rede.

(10) Abertura de diálogo entre Estado e sociedade civil
Todas as pautas das ruas e formas de expressão da revolta popular devem ser escutadas e discutidas. Lembramos que: “Todo o poder emana do povo” (Constituição da República Federativa do Brasil).

Lutamos, ainda, pelas pautas que estão nas ruas e alimentam o movimento há meses:

Pelos direitos dos profissionais da educação e por melhorias nas condições de ensino público; pela valorização da cultura como eixo fundamental da educação do povo; por uma saúde pública melhor, universal, com mais médicos e equipamentos nos hospitais; contra as remoções; pelo direito à mobilidade urbana, com uma CPI dos ônibus idônea, por melhorias nos serviços explorados por Supervia, Barcas S.A. e Metrô, e a favor da catraca livre.

Contra os gastos abusivos com a Copa e as Olimpíadas; contra as privatizações; contra a corrupção, desvio de verbas públicas e altos impostos; por reformas políticas que possam integrar o povo às decisões políticas; pelos direitos indígenas, demarcação de terras e em apoio a Aldeia Maracanã; contra a homofobia e a violência contra a mulher; contra a venda do pré-sal e a privatização do setor petrolífero.”




Movimentos e coletivos envolvidos: 

- A Nova Democracia
- Alalaô
- Aldeia Maracanã
- Assembléia Nacional de Estudantes Livres (ANEL)
- Assembléia Popular
- BeijATO ***
- CEP 20.000
- Central de Videativismo
- Centro Academico de Serviço Social José Paulo Netto / UFRJ
- Coletivo Calisto
- Comitê Popular de Defesa de Direitos Fundamentais dos Manifestantes
- Comitê Popular Rio Copa e Olimpíadas
- Coletivo Projetação
- Coletivo Q-Politica?
- Coletivo Mariach
- Coletivo Vinhetando
- CSP Conlutas / PSTU
- CurtaCinema - FESTIVAL INTERNACIONAL DE CURTAS DO RIO
- DCE/UFRJ
- ECO/UFRJ
- Escola Estadual Deodoro da Fonseca
- etnohaus
- FIP
- Fora do Eixo
- Frente Nacional Quilombola
- IFHEO - Instituto de Formaçnao Humana e Educação Popular
- Linha de Frente Audiovisual
- Meu cu é laico
- MIC - Mídia Independente Coletiva
- Mídia-Q
- Mídia NINJA
- MLM - Movimento pela Legalização da Maconha
- Movimento Nacional Quilombo Raça e Classe
- MUP/RJ - Movimento por uma Universidade Popular
- Nada Deve Parecer Impossível de Mudar
- Nossa Japeri
- Nucleo Socialista de Campo Grande
- O Cidadão
- Ocupa Câmara Rio
- Ocupa Lapa
- Ocupa Cabral
- Ocupa Alemão
- Pink Bloc
- Presença dos Presos Políticos
- Profissionais da Educação Pública Municipal Independente
- Reage Artista
- RDIDH (Rede de Defensores Independente dos Direitos Humanos)
- Rede Alternativa
- Rede de Comunidades e Movimentos contra a Violência
- Rio na Rua
- Tropa de Prof
- UJS - União da Juventude Comunista
- Videoposter Livre
- Voz das Ruas

domingo, 27 de outubro de 2013

R.I.P. Lou Reed (1942 - 2013)

(2 de Março de 1942 - 27 de outubro de 2013)

Morreu hoje, aos 71 anos de idade, o ícone Lou Reed (que faz companhia, na foto acima, a seus "trutas" David Bowie e Iggy Pop). Leia o necrológio da Rolling Stone gringa [http://rol.st/1g51ym2] e aproveite para relembrar alguns dos álbuns mais importantes de sua carreira-solo e com o Velvet Underground. Descanse em paz, Lou, enquanto nós seguimos embarcando em suas criações e curtindo caminhadas pelo lado selvagem...

SOLO 


VELVET UNDERGROUND

Download da discografia completa

DOCUMENTÁRIO COMPLETO:

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

The Doors - Discografia completa de álbuns de estúdio para download

Abra as portas da percepção e embarque nesta viagem pelos seis álbuns de estúdio do The Doors. Os discos, que disponibilizamos abaixo para download ou audição, foram relançados no BOX Infinite (2013), da Analogue Productions. Aprecie sem moderação!




THE DOORS

Jim Morrison - vocal
Ray Manzarek - teclados 
John Densmore - batera 
Robby Krieger - guitarra 

sábado, 19 de outubro de 2013

Manifesto pela Libertação dos Animais + "Terráqueos" (documentário completo e legendado)

MANIFESTO PELA LIBERTAÇÃO DOS ANIMAIS

Bilhões de seres vivos são confinados, torturados e sacrificados a cada ano por nossa espécie. Este massacre desumanizador pode ser perfeitamente evitado – desde que se deixe de rebaixar os animais ao status de propriedade


* * * * *

Segundo o ministério norte-americano da Agricultura, só os Estados Unidos abatem mais de oito bilhões de animais por ano, para alimentação. A cada dia, mais de 22 milhões são sacrificados nos abatedouros dos EUA, isto é: mais de 950 mil por hora, 16 mil por minuto! Apesar dos progressos efetuados nos últimos anos, continuam a ser mantidos em condições de criação intensiva apavorantes, mutilados de diversas maneiras, sem anestésicos, transportados por longas distâncias em compartimentos exíguos e insalubres, para serem finalmente executados aos gritos, no ambiente fétido e imundo de um abatedouro.

Os animais silvestres não estão em situação melhor. Nos EUA, cerca de 200 milhões são vítimas da caça, todos os anos. Milhões são também utilizados para a pesquisa biomédica e o teste de novos produtos. Medem-se neles o efeito de toxinas, de doenças raras, de moléculas experimentais, das radiações, dos tiros de armas de fogo e são submetidos a múltiplas formas de privações físicas ou psicológicas. Se sobrevivem aos experimentos, são quase sempre mortos logo em seguida ou reciclados para outras experiências, que dessa vez porão fim à sua resistência. Circos, zoológicos, desfiles, parques, espetáculos de golfinhos e outros utilizam os animais com o único fim de divertir. Mais de 40 milhões de bichos de pelo são abatidos, a cada ano, pela moda…

Antes do século 19, os animais eram considerados objetos. Mesmo para Descartes, um gemido de cão era semelhante ao rangido de um mecanismo que precisasse de óleo. Falar de nossas obrigações morais para com os animais, “máquinas criadas por Deus”, não tinha, para o autor do Discurso do Método, mais sentido do que falar de nossas obrigações morais para com os relógios, máquinas criadas pelos homens.

O princípio humanista do tratamento médico dos bichos doentes e a aplicação de leis sobre o bem-estar animal que dele resulte supõe que aceitemos perguntar a nós mesmos se o sofrimento animal é indispensável. Se o fato de não utilizar os animais para nosso conforto causaria a nós mais prejuízo do que o sofrimento causa aos animais. Em geral, o interesse humano prevalece, e o sofrimento animal é considerado “um mal necessário”. Por exemplo, a lei britânica que regula a utilização de animais de laboratório exige, antes que um experimento comece, uma avaliação dos “possíveis efeitos nocivos sobre os animais envolvidos, em relação ao benefício que possa resultar do experimento”.

Para que uma proibição do sofrimento animal tenha algum alcance, é preciso que condene qualquer dor infligida unicamente por prazer, diversão ou conveniência. Usar um casaco de pele, impor às cobaias múltiplos testes para os produtos domésticos ou novas marcas de batom não tem relação com nenhum interesse vital para o ser humano. Comer carne é considerado nocivo à saúde pela maior parte dos nutricionistas. Aliás, especialistas em ecologia apontaram os danos que a criação intensiva causa ao nosso ambiente. Para cada quilograma de proteínas animais fornecidas, o animal deve consumir cerca de 6 quilogramas de proteínas vegetais e de forragem. Além disso, produzir um quilo de carne exige mais de 100 mil litros de água, enquanto a produção de um quilo de trigo não chega a exigir 900 litros…

* * * * 

II. Propriedade, base para a escravidão

A incoerência entre nossos atos e nossos pensamentos a respeito dos animais vem do seu estatuto de propriedade. Segundo a lei, “os animais são propriedades, do mesmo modo que objetos inanimados como os carros ou os móveis”. Os animais são considerados pertencentes ao patrimônio do Estado, que os põe à disposição do povo; mas eles podem tornar-se propriedade de indivíduos por meio da caça, do amestramento ou confinamento. O "sofrimento" dos proprietários, por não poder usufruir de sua "propriedade" a seu bel-prazer, conta mais do que a dor do animal. A partir do momento em que se trata de interesses econômicos, não existe mais limite para a utilização ou para o tratamento abusivo dos bichos.

A criação intensiva, por exemplo, é autorizada porque se trata de uma exploração institucionalizada e aceita. Os industriais da carne avaliam que as práticas de mutilar animais, sejam quais forem a dor e o sofrimento suportados por eles, são normais e necessários. Os tribunais presumem que os proprietários não infligirão intencionalmente atos de crueldade inútil, que diminuiriam o valor monetário do animal. As leis de bem-estar animal visam proteger os animais enquanto bens comerciáveis. Os avanços da indústria agro-alimentar em seu favor obedecem, em geral, a critérios de rendimento econômico, tendo os animais um valor mercantil.

Se queremos de fato fazer avançar o estatuto do animal em nossa sociedade, devemos aplicar o “princípio de igualdade de consideração” (regra segundo a qual devemos tratar de modo igual os casos semelhantes), uma noção essencial a qualquer teoria moral. Mesmo que exista um grande número de diferenças entre os humanos e os animais, pelo menos uma coisa fundamental nos aproxima: nossa capacidade de sofrer.

Se nosso desejo de não fazer os animais sofrerem inutilmente reveste-se de alguma significação, deveríamos então conceder-lhes a igualdade de consideração. O problema é que a aplicação desse princípio já fracassou no tempo da escravidão, que autorizava pessoas a exercer um direito de propriedade sobre seus semelhantes. A instituição da escravidão humana era estruturalmente idêntica à da possessão de um animal. O escravo era considerado um bem, seu proprietário podia não levar em conta seus interesses se isto não lhe fosse economicamente proveitoso.

Admitia-se, certamente, que o escravo podia experimentar sofrimento. Todavia, as leis para o respeito de seu bem-estar fracassaram pelas mesmas razões que as leis pelo respeito ao bem-estar animal fracassam em nossos dias: nenhum limite real é fixado para o nosso direito de propriedade. Os interesses dos escravos só eram preservados quando geravam lucro para os proprietários ou atendiam a seus caprichos.

Atualmente, o interesse de um ser humano em não ser considerado propriedade é protegido como um direito. Ter o direito fundamental de não ser tratado como uma propriedade é uma condição mínima para existir como pessoa. Se quisermos modificar a condição dos animais, devemos estender a eles este direito que decidimos aplicar a todos os humanos, sejam quais forem suas particularidades. Isto não erradicaria todas as formas de sofrimento, mas significaria que os animais não poderiam mais ser utilizados como fonte de lucro. Por que julgamos aceitável caçar animais, aprisioná-los, exibi-los em circos e zoológicos, utilizá-los em experimentações e comê-los – em outras palavras, tratá-los como nunca ousaríamos tratar ser humano algum?

* * * * *

III. Libertar o animal, objetivo humanista

A tese segundo a qual os seres humanos são dotados de características mentais completamente ausentes nos animais é contraditória com a teoria da evolução. Darwin afirmava que não existem características exclusivamente humanas: “A diferença de inteligência entre o humano e o animal mais evoluído é uma questão de grau e não de espécie.” 

Mesmo se não somos capazes de avaliar a natureza precisa da consciência animal, parece evidente que todo ser dotado de percepção é consciente e possui uma existência mental contínua. O professor Antonio Damasio, um neurologista que trabalha com pessoas atingidas por infartos cerebrais e graves danos ao cérebro, atesta que estes doentes possuem o que ele chama de «núcleo de consciência». Os humanos que sofrem de amnésia transitória, por exemplo, não têm noção alguma do passado ou do futuro, mas conservam uma consciência de seus corpos em relação aos objetos e aos acontecimentos presentes. Damasio afirma que numerosas espécies animais detêm esse mesmo núcleo de consciência.

O fato de eles não terem noção autobiográfica de suas vidas (pelo menos que seja do nosso conhecimento) não significa que não tenham uma existência mental contínua, ou que não experimentem interesse algum por viver, ou que o matador lhes seja indiferente. Os animais possuem uma inteligência considerável e são capazes de tratar uma informação de modo sofisticado. Como os humanos, comunicam-se com membros de sua própria espécie. Está provado, por exemplo, que os grandes macacos utilizam uma linguagem simbólica.

Talvez nenhum animal – exceto o ser humano – seja capaz de se reconhecer em um espelho, mas nenhum humano é capaz de voar ou de respirar debaixo d’água sem ajuda. Por que a capacidade de se reconhecer no espelho ou de utilizar a linguagem articulada seria superior, no sentido moral do termo, ao poder de voar ou de respirar debaixo d’água? A resposta, bem entendido, é que nós o proclamamos. Mas não existe razão alguma para concluir que as características pretensamente exclusivas do ser humano justifiquem o fato de que tratemos o animal como uma propriedade mercantil. Alguns seres humanos são privados destas características, e no entanto nós não os consideramos objetos. Por conseguinte, a questão central não é: os animais podem raciocinar? Ou: podem falar? Mas, precisamente: eles podem sofrer?

Se queremos que seus interesses sejam respeitados, temos que conceder-lhes apenas um direito: o de não serem mais equiparados a uma simples mercadoria."

* * * * * 


"TERRÁQUEOS" (EARTHLINGS)
DOWNLOAD DO DOCUMENTÁRIO COMPLETO

"A desobediência civil não é nosso problema..." - Por Howard Zinn (1922-2010)


"A desobediência civil não é o nosso problema. Nosso problema é a obediência civil. Nosso problema é que muitas pessoas ao redor do mundo obedeceram às ordens dos líderes de seus governos e foram a guerra, e milhões foram mortos por causa dessa obediência... nosso problema é que as pessoas são obedientes por todo o mundo diante da pobreza, da fome, da estupidez, da guerra e da crueldade. Nosso problema é que as pessoas são obedientes diante de cadeias que estão cheias de batedores de carteira, enquanto grandes bandidos governam a nação. Eis aí o nosso problema." - Howard Zinn, historiador e cientista político

"You Can't Be Neutral on a Moving Train"
Entrevista completa (60 min)

* * * * *
Bate-papo de Zinn com Woody Harrelson em 2003,
época da invasão do Iraque (64 min)


Faça o dowload do clássico estudo de Zinn [e-book completp]
Faça o download do clássico livro de Zinn [e-book completo]
ou leia a obra on-line

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Dizzy Gillespie, um dos músicos mais geniais do Jazz, tocando Música Brasileira

Pintura de Leonid Afremov

“New Wave” (1963) – Faça o download: http://bit.ly/1fESr9H



O Brasil segundo o escritor Luiz Ruffato - "Nascemos sob a égide do genocídio..."



Discurso do escritor Luiz Ruffato na abertura da Feira do Livro de Frankfurt 2013:

“O que significa ser escritor num país situado na periferia do mundo, um lugar onde o termo capitalismo selvagem definitivamente não é uma metáfora? Para mim, escrever é compromisso. Não há como renunciar ao fato de habitar os limiares do século 21, de escrever em português, de viver em um território chamado Brasil. Fala-se em globalização, mas as fronteiras caíram para as mercadorias, não para o trânsito das pessoas. Proclamar nossa singularidade é uma forma de resistir à tentativa autoritária de aplainar as diferenças.

O maior dilema do ser humano em todos os tempos tem sido exatamente esse, o de lidar com a dicotomia eu-outro. Porque, embora a afirmação de nossa subjetividade se verifique através do reconhecimento do outro – é a alteridade que nos confere o sentido de existir -, o outro é também aquele que pode nos aniquilar… E se a Humanidade se edifica neste movimento pendular entre agregação e dispersão, a história do Brasil vem sendo alicerçada quase que exclusivamente na negação explícita do outro, por meio da violência e da indiferença.

Nascemos sob a égide do genocídio. Dos quatro milhões de índios que existiam em 1500, restam hoje cerca de 900 mil, parte deles vivendo em condições miseráveis em assentamentos de beira de estrada ou até mesmo em favelas nas grandes cidades. Avoca-se sempre, como signo da tolerância nacional, a chamada democracia racial brasileira, mito corrente de que não teria havido dizimação, mas assimilação dos autóctones. Esse eufemismo, no entanto, serve apenas para acobertar um fato indiscutível: se nossa população é mestiça, deve-se ao cruzamento de homens europeus com mulheres indígenas ou africanas – ou seja, a assimilação se deu através do estupro das nativas e negras pelos colonizadores brancos.

Até meados do século XIX, cinco milhões de africanos negros foram aprisionados e levados à força para o Brasil. Quando, em 1888, foi abolida a escravatura, não houve qualquer esforço no sentido de possibilitar condições dignas aos ex-cativos. Assim, até hoje, 125 anos depois, a grande maioria dos afrodescendentes continua confinada à base da pirâmide social: raramente são vistos entre médicos, dentistas, advogados, engenheiros, executivos, artistas plásticos, cineastas, jornalistas, escritores.


Invisível, acuada por baixos salários e destituída das prerrogativas primárias da cidadania – moradia, transporte, lazer, educação e saúde de qualidade –, a maior parte dos brasileiros sempre foi peça descartável na engrenagem que movimenta a economia: 75% de toda a riqueza encontra-se nas mãos de 10% da população branca e apenas 46 mil pessoas possuem metade das terras do país. Historicamente habituados a termos apenas deveres, nunca direitos, sucumbimos numa estranha sensação de não pertencimento: no Brasil, o que é de todos não é de ninguém…

Convivendo com uma terrível sensação de impunidade, já que a cadeia só funciona para quem não tem dinheiro para pagar bons advogados, a intolerância emerge. Aquele que, no desamparo de uma vida à margem, não tem o estatuto de ser humano reconhecido pela sociedade, reage com relação ao outro recusando-lhe também esse estatuto. Como não enxergamos o outro, o outro não nos vê. E assim acumulamos nossos ódios – o semelhante torna-se o inimigo.

A taxa de homicídios no Brasil chega a 20 assassinatos por grupo de 100 mil habitantes, o que equivale a 37 mil pessoas mortas por ano, número três vezes maior que a média mundial. E quem mais está exposto à violência não são os ricos que se enclausuram atrás dos muros altos de condomínios fechados, protegidos por cercas elétricas, segurança privada e vigilância eletrônica, mas os pobres confinados em favelas e bairros de periferia, à mercê de narcotraficantes e policiais corruptos.

Machistas, ocupamos o vergonhoso sétimo lugar entre os países com maior número de vítimas de violência doméstica, com um saldo, na última década, de 45 mil mulheres assassinadas. Covardes, em 2012 acumulamos mais de 120 mil denúncias de maus-tratos contra crianças e adolescentes. E é sabido que, tanto em relação às mulheres quanto às crianças e adolescentes, esses números são sempre subestimados.

Hipócritas, os casos de intolerância em relação à orientação sexual revelam, exemplarmente, a nossa natureza. O local onde se realiza a mais importante parada gay do mundo, que chega a reunir mais de três milhões de participantes, a Avenida Paulista, em São Paulo, é o mesmo que concentra o maior número de ataques homofóbicos da cidade.

E aqui tocamos num ponto nevrálgico: não é coincidência que a população carcerária brasileira, cerca de 550 mil pessoas, seja formada primordialmente por jovens entre 18 e 34 anos, pobres, negros e com baixa instrução.

O sistema de ensino vem sendo ao longo da história um dos mecanismos mais eficazes de manutenção do abismo entre ricos e pobres. Ocupamos os últimos lugares no ranking que avalia o desempenho escolar no mundo: cerca de 9% da população permanece analfabeta e 20% são classificados como analfabetos funcionais – ou seja, um em cada três brasileiros adultos não tem capacidade de ler e interpretar os textos mais simples.

A perpetuação da ignorância como instrumento de dominação, marca registrada da elite que permaneceu no poder até muito recentemente, pode ser mensurada. O mercado editorial brasileiro movimenta anualmente em torno de 2,2 bilhões de dólares, sendo que 35% deste total representam compras pelo governo federal, destinadas a alimentar bibliotecas públicas e escolares. No entanto, continuamos lendo pouco, em média menos de quatro títulos por ano, e no país inteiro há somente uma livraria para cada 63 mil habitantes, ainda assim concentradas nas capitais e grandes cidades do interior.

Mas, temos avançado.

A maior vitória da minha geração foi o restabelecimento da democracia – são 28 anos ininterruptos, pouco, é verdade, mas trata-se do período mais extenso de vigência do estado de direito em toda a história do Brasil. Com a estabilidade política e econômica, vimos acumulando conquistas sociais desde o fim da ditadura militar, sendo a mais significativa, sem dúvida alguma, a expressiva diminuição da miséria: um número impressionante de 42 milhões de pessoas ascenderam socialmente na última década. Inegável, ainda, a importância da implementação de mecanismos de transferência de renda, como as bolsas-família, ou de inclusão, como as cotas raciais para ingresso nas universidades públicas.

Infelizmente, no entanto, apesar de todos os esforços, é imenso o peso do nosso legado de 500 anos de desmandos. Continuamos a ser um país onde moradia, educação, saúde, cultura e lazer não são direitos de todos, e sim privilégios de alguns. Em que a faculdade de ir e vir, a qualquer tempo e a qualquer hora, não pode ser exercida, porque faltam condições de segurança pública. Em que mesmo a necessidade de trabalhar, em troca de um salário mínimo equivalente a cerca de 300 dólares mensais, esbarra em dificuldades elementares como a falta de transporte adequado. Em que o respeito ao meio-ambiente inexiste. Em que nos acostumamos todos a burlar as leis.

Nós somos um país paradoxal.

Ora o Brasil surge como uma região exótica, de praias paradisíacas, florestas edênicas, carnaval, capoeira e futebol; ora como um lugar execrável, de violência urbana, exploração da prostituição infantil, desrespeito aos direitos humanos e desdém pela natureza. Ora festejado como um dos países mais bem preparados para ocupar o lugar de protagonista no mundo –amplos recursos naturais, agricultura, pecuária e indústria diversificadas, enorme potencial de crescimento de produção e consumo; ora destinado a um eterno papel acessório, de fornecedor de matéria-prima e produtos fabricados com mão de obra barata, por falta de competência para gerir a própria riqueza.

Agora, somos a sétima economia do planeta. E permanecemos em terceiro lugar entre os mais desiguais entre todos…

Volto, então, à pergunta inicial: o que significa habitar essa região situada na periferia do mundo, escrever em português para leitores quase inexistentes, lutar, enfim, todos os dias, para construir, em meio a adversidades, um sentido para a vida?

Eu acredito, talvez até ingenuamente, no papel transformador da literatura. Filho de uma lavadeira analfabeta e um pipoqueiro semianalfabeto, eu mesmo pipoqueiro, caixeiro de botequim, balconista de armarinho, operário têxtil, torneiro-mecânico, gerente de lanchonete, tive meu destino modificado pelo contato, embora fortuito, com os livros. E se a leitura de um livro pode alterar o rumo da vida de uma pessoa, e sendo a sociedade feita de pessoas, então a literatura pode mudar a sociedade. Em nossos tempos, de exacerbado apego ao narcisismo e extremado culto ao individualismo, aquele que nos é estranho, e que por isso deveria nos despertar o fascínio pelo reconhecimento mútuo, mais que nunca tem sido visto como o que nos ameaça. Voltamos as costas ao outro –seja ele o imigrante, o pobre, o negro, o indígena, a mulher, o homossexual– como tentativa de nos preservar, esquecendo que assim implodimos a nossa própria condição de existir. Sucumbimos à solidão e ao egoísmo e nos negamos a nós mesmos. Para me contrapor a isso escrevo: quero afetar o leitor, modificá-lo, para transformar o mundo. Trata-se de uma utopia, eu sei, mas me alimento de utopias. Porque penso que o destino último de todo ser humano deveria ser unicamente esse, o de alcançar a felicidade na Terra. Aqui e agora.”

Luiz Ruffato

domingo, 22 de setembro de 2013

"Dormimos sobre um Vulcão!" - Tocqueville, às beiras da revolução de 1848 em Paris



DORMIMOS SOBRE UM VULCÃO
Por Alexis de Tocqueville (1805-1859)

"A Revolução Francesa, que aboliu todos os privilégios e destruiu todos os direitos exclusivos, deixou contudo subsistir um: o da propriedade. É necessário que os proprietários não se iludam sobre a força de sua situação e que não imaginem que o direito de propriedade seja uma muralha intransponível, pelo fato de que, até agora, em nenhum lugar tenha sido transposta - pois nosso tempo não se assemelha a qualquer outro.

Hoje, quando o direito de propriedade se torna o último remanescente de um mundo aristocrático destruído, o único a se manter de pé, privilégio isolado em meio a uma sociedade nivelada, (...) corre um perigo maior, pois só a ele cabe sustentar a cada dia o choque direto e incessante das opiniões democráticas.

Logo, a luta política travar-se-á entre os que possuem e os que não possuem; o grande campo de batalha será a propriedade... Vamos acreditar que seja por acaso, por efeito de um capricho passageiro do espírito humano, que vemos aparecer de todos os lados essas doutrinas singulares, que levam nomes diversos, mas que têm todas por principal característica a negação do direito de propriedade e que tendem pelo menos a limitar, a reduzir, a enfraquecer seu exercício?"

De um Manifesto escrito por Tocqueville em 1847

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Discurso à Câmara dos Deputados da República da França em 29 de janeiro de 1848:

"Olhai o que se passa no seio dessas classes operárias, que hoje, reconheço, estão tranquilas. É verdade que não são atormentadas pelas paixões políticas propriamente ditas, no mesmo grau em que foram por elas atormentadas outrora; mas não vedes que pouco a pouco propagam-se em seu seio opiniões, ideias que de modo nenhum irão somente derrubar tal lei, tal ministério, mesmo tal governo, mas a sociedade, abalando as bases nas quais ela hoje repousa? Não ouvis que entre as classes operárias repete-se constantemente que tudo o que se acha acima é incapaz e indigno de governá-las? Que a divisão dos bens ocorrida no mundo até o presente é injusta? Que a propriedade repousa em bases que não são igualitárias? E não credes que, quando tais opiniões adquirem raízes, quando se propagam de maneira quase geral, quando penetram profundamente nas massas, devem acarretar, cedo ou tarde - não sei quando, não sei como -, as mais terríveis revoluções?

Tal é, senhores, minha convicção profunda: no momento em que estamos, creio que dormimos sobre um vulcão... Pois quando passo a procurar em diferentes tempos, em diferentes épocas, entre diferente povos qual foi a causa eficaz que provocou a ruína das classes que governavam, vejo claramente que a causa real e eficaz que faz com que os homens percam o poder é que se tornaram indignos de mantê-lo..."

ALEXIS DE TOCQUEVILLE
"Lembranças de 1848 - As jornadas revolucionárias de Paris"
Clássicos Penguin & Companhia, Pgs. 50-52

Compre por R$28,50 (novo):

"A caracterização genérica de “vândalos” visa a esquematizar a situação, fomentando uma suposta e clara divisão imaginária entre o bem e o mal..." (Wisnik)


"A Comissão Especial de Investigação de Atos de Vandalismo em Manifestações Públicas, criada pelo governo do estado, no Rio, autorizou mandados de busca e apreensão nas casas de administradores da página do Black Bloc no Facebook. Essas ações resultaram na prisão de jovens estudantes indiciados por formação de quadrilha armada, incitação ao crime, corrupção de menores e pedofilia. Leio que, segundo a OAB, os poderes de que a Comissão foi investida só estariam constitucionalmente respaldados se partissem da esfera federal, e não da esfera estadual. 

O coletivo formado para a defesa dos direitos fundamentais, por sua vez, mobilizado perante a arbitrariedade dos atos e dos fatos, aponta a precariedade das provas produzidas para a acusação: a “quadrilha” só se encontrou basicamente pela internet, exercendo o direito legítimo de manifestação de ideias; a prova mais substancial de que é “armada” estaria na localização de um canivete na casa de um dos jovens presos; a “corrupção de menores” se baseia no fato de que as idades oscilam entre um pouco mais e um pouco menos de 18 anos, razão pela qual os maiores são apontados como corruptores dos menores; e a “pedofilia” se baseia na presença de vídeos pornográficos na casa de um, sem ser possível caracterizar a participação de menores nesses vídeos.

A cadeia indutiva que trabalha no afã da produção de evidências acaba por arrolar como peças incriminatórias o livro clássico de Henry David Thoreau, “Desobediência civil” (com cujas ideias costumam ser identificados Gandhi, Martin Luther King e o Solidariedade polonês), junto com o volume acadêmico “Anarquismo — A liberdade prática”, da “Revista de História da Biblioteca Nacional”. É um absurdo que se soma ao outro, que faz com que os supostos membros de uma “quadrilha armada” não possam, por essa mesma caracterização, ter suas prisões relaxadas.

Não sou um partidário das depredações, nem quero cobri-las de um véu de inocência. Elas fazem parte da complexidade do teatro público que se instaurou no Brasil, do qual os Black Blocs são atores, e cuja negatividade teve ou tem o papel, entre outros, de dificultar a domesticação das manifestações pela mídia. Já se falou do fato de que a polícia teve interesse em insuflá-los, em certos momentos, enquanto reprimia manifestantes pacíficos. Francisco Bosco mostrou, aqui, que no 7 de Setembro o batalhão de fotógrafos já contracenava visivelmente com os Black Blocs, num mecanismo conhecido pelo qual a cobertura dos fatos precisava e dependia, antes de mais nada, deles, como seus personagens, e eles já se viam capturados, em alguma medida, pela impossibilidade de fugir ao fato de estarem fazendo cena para as câmeras.

Em suma, não acho que ações de grupos anárquicos e anticapitalistas estejam efetivamente ameaçando o capitalismo, ao arranharem evidentemente seus símbolos — carros e bancos. (Discordo também de minha amiga Marilena Chauí de que ajam como fascistas). Eles estão injetando nas manifestações, que são ações simbólicas, um componente de real, de atrito direto, que lhes dá outra espessura. A caracterização genérica de “vândalos” visa a esquematizar a situação, fomentando uma suposta e clara divisão imaginária entre o bem e o mal. Mas as máscaras também são reais, são simbólicas e são imaginárias, têm múltiplos sentidos e não podem ser objeto de criminalização. Foi o que Caetano Veloso sinalizou, ao assumir o teatro público no sentido de fazê-lo avançar para a simbolização, e não para a violência.

Voltando: a prisão de jovens a partir da autorização de uma comissão de legitimidade duvidosa, incriminando-os com evidências forçadas e ridículas, não fossem graves, é mau teatro jurídico, busca produzir, na dificuldade de equacionar os reais problemas, uma cena imaginária de eleição de culpados, e atenta contra direitos fundamentais.”

"As Redes e as Ruas" - Análise de uma Imbricação Ascendente, por Manuel Castells, sociólogo espanhol



Sinopse: “Principal pensador das sociedades conectadas em rede, Manuel Castells examina os movimentos sociais que eclodiram em 2011 – como a Primavera Árabe, os Indignados na Espanha, os movimentos Occupy nos Estados Unidos – e oferece uma análise pioneira de suas características sociais inovadoras: conexão e comunicação horizontais; ocupação do espaço público urbano; criação de tempo e de espaço próprios; ausência de lideranças e de programas; aspecto ao mesmo tempo local e global. Tudo isso, observa o autor, propiciado pelo modelo da internet.

O sociólogo espanhol faz um relato dos eventos-chave dos movimentos e divulga informações importantes sobre o contexto específico das lutas. Mapeando as atividades e práticas das diversas rebeliões, Castells sugere duas questões fundamentais: o que detonou as mobilizações de massa de 2011 pelo mundo? Como compreender essas novas formas de ação e participação política? Para ele, a resposta é simples: os movimentos começaram na internet e se disseminaram por contágio, via comunicação sem fio, mídias móveis e troca viral de imagens e conteúdos. Segundo ele, a internet criou um “espaço de autonomia” para a troca de informações e para a partilha de sentimentos coletivos de indignação e esperança – um novo modelo de participação cidadã.”

Adquira o livro (R$49,90): http://bit.ly/162oe2Z.





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"BRASIL: ESCUTAR ÀS RUAS"
Artigo de Manuel Castells em La Vanguardia - 29/06/2013

“Estava andando por São Paulo e Porto Alegre, falando de meu livro sobre os indignados do mundo, quando surgiu o movimento que sacudiu o Brasil. Espontâneo como todos os demais, sem líderes como todos os demais, surpreendendo a políticos e analistas como todos os demais. Originado na internet e tomando as ruas em mais de 90 cidades para fazer-se valer. A faixa que abria a manifestação no Rio de Janeiro dizia “Somos a rede social”. Ao que acrescentava outro manifestante “Saímos do Facebook e agora estamos na rua”.

“Vem, vamos pra rua; Pode vir que a festa é sua”, cantavam as pessoas se apropriando de uma canção publicitária relativa à Copa das Confederações. Quem iria pensar que os brasileiros protestariam a organização da Copa do Mundo de Futebol porque, como dizia outra faixa em Belo Horizonte, “já temos estádios de primeiro mundo, agora nos falta um país”? No lugar deste desperdício, que consideram manchado de corrupção, querem investimento público em transporte, educação e saúde. O movimento, iniciado em São Paulo contra o aumento das tarifas de transporte, respondeu a um chamado criado no Facebook do Movimento Passe Livre.

Em seu manifesto se autodefinem como “um movimento social autônomo, horizontal e apartidário, que jamais pretendeu representar o conjunto de manifestantes que tomaram as ruas do país”. Após terem conseguido a revogação do aumento das tarifas, continuam reivindicando a “Tarifa Zero”, ou seja, a gratuidade do transporte público, porque “a mobilidade é um direito universal”. 

E de fato o caos urbano se deve a uma urbanização que segue as pautas da especulação imobiliária, a atividade mais destrutiva, característica de um modelo insustentável de crescimento econômico e territorial. Depois se somaram demandas diversas, dirigidas à gratuidade e qualidade de educação e saúde, assim como um clamor contra a corrupção nas administrações e uma crítica do modelo político que as ruas não reconhecem como democrático. 

75% dos brasileiros apoiam o movimento. O partido do Governo, o PT de Lula, defensor da esquerda latinoamericana, sofreu um choque emocional. Alguns de seus líderes, como o governador de Brasília ou o ministro do Interior, utilizaram de imediato mão duríssima contra os protestos, empregando fogo real em alguns casos, com o resultado de vários mortos (estatística em curso), centenas de feridos e milhares de detidos. 

Até que a presidente Dilma Rousseff, em um gesto sem precedente na curta história dos movimentos de indignados pelo mundo, declarou que “tinha a obrigação de ouvir a voz das ruas”. Fez gala de cintura política e também de um certo poço de convicção de quem foi torturada e encarcerada pela ditadura. É uma mulher de esquerda, que tem tentado controlar a corrupção que corroe seu partido e seu governo. Ofereceu diálogo, recebeu algumas pessoas do movimento e prometeu investir em melhorias no transporte, saúde e educação. Também reprimindo àqueles ministros e dirigentes que consideraram inicialmente o movimento como um tema de ordem pública e ordenaram vigiar as redes sociais. E aceitou a crise de representatividade dos partidos e a necessidade de sua reforma, propondo uma assembleia constituínte para mudar a Constituição e submeter a plebiscito popular uma reforma do sistema político, tentando assim superar as travas que os políticos têm colocado sempre no Congresso a qualquer tentativa de limitar seus privilégios. 

Como é lógico, políticos de todas as tendências, em particular do opositor PSDB, se pronunciaram contra o plebiscito. De modo que nem a anulação do aumento que provocou a indignação, nem as promessas da presidente, enfrentadas pela classe política, apaziguaram o movimento, senão que o reforçaram. E ampliaram suas demandas, que agora incluem a desmilitarização da polícia e os direitos dos povos indígenas, submetidos à pressão de grandes empresas depredadoras da Amazônia.

Ninguém o esperava no Brasil e ninguém entende esse movimento, o qual parece incrível depois de três anos em que movimentos similares têm surgido em todo o mundo. É que esse sistema político atual, nem no Brasil nem em nenhuma parte, têm a capacidade de assimilar o que de verdade está acontecendo: que os cidadãos se expressem politicamente de forma autônoma sem passar pelos partidos. E a esquerda o entende ainda menos que os outros. Inclusive órgãos de imprensa esquerdista na América Latina acusam o movimento de ser uma conspiração imperialista contra um governo de esquerda. 

Claro que existem manifestantes de direita nas ruas do Brasil, e inclusive alguns grupos violentos e extremistas. Mas é que os movimentos autônomos não são de esquerda ou direita, expressam ao conjunto da sociedade, em sua pluralidade ideológica, e cada qual trata de aproveitar a conjuntura. Apesar disso, a imensa maioria são jovens sem outra afiliação além de seu desejo de viver a vida, em lugar de lutar por cada gesto cotidiano. São jovens que não dividem o entusiasmo pelo crescimento econômico do Brasil porque não vivem de estatísticas. “Não são uns centavos, são nossos direitos”, diziam as ruas de São Paulo. O emaranhado de comentaristas e acadêmicos que interpretam o movimento segundo sua ideologia não conseguem aceitar a realidade do que não entra em suas categorias. Por isso a vontade de reforma política e de políticas sociais da presidente têm surpreendido e alarmado a classe política, a exceção de Marina Silva, a popular líder ecologista, ex-ministra de Lula, candidata presidencial, que se colocou a serviço do movimento com sua Rede Sustentável. Se abre assim uma luta interna pelo sistema político entre quem quer reconciliar-se com a sociedade e quem nem sabe o que contesta.

Desde o Brasil chegam duas mensagens. Para os indignados: a mudança é possível incrementando a pressão das ruas, em quantidade e em qualidade. Para os políticos: quanto antes aceitarem a obsolescência de uma democracia esclerótica, mais fácil será a transição a novas formas de representação que conectem os cidadãos com as instituições."

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