segunda-feira, 11 de agosto de 2008

:: Motormama ::

MOTORMAMA
(de Ribeirão Preto/SP)

Aê povo! Hoje destacamos uma das bandas mais bacanas do interior de São Paulo, nossos amigos do Motormama, que quebraram tudo num dos melhores shows do Groselha Fuzz do ano passado (longa matéria-gonzo sobre o festival AQUI). Postamos aí embaixo os 2 álbuns oficiais deles - "A Legítima Companhia Fantasma" e "Carne de Pescoço" - com permissão da banda. O Régis Martins, guitarra e voz, ainda nos concedeu uma !!!entrevista excrusiva!!! e topou participar do projeto "Sons de Estimação", mandando bem na seleção das 15 musiquetas que marcaram seu percurso musical. O texto abaixo saiu originalmente no midsummer madness.

O Motormama nasceu das cinzas do Motorcycle Mama, banda das primeiras gerações do independente brasileiro pós Juntatribo, contemporânea de Raimundos, Paulo Francis Vai Pro Céu, Maskavo Roots e tantas outras que pipocaram no cenário brasileiro no início dos anos 90, mantendo os radicalismos intrumentais e acrescentando português às letras. O MM adicionava country ao garage rock descendente de Man or Astroman?! que faziam, inserindo violas em letras sobre trekkers. O grupo chegou a participar em 1996 da coletânea Brasil Compacto (Rock It!). Deu em nada…

Do power trio original ficaram Régis Martins e Joca, que depois de uma parada estratégica, resolveram retomar os trabalhos no final de 1999. O som da nova empreitada, o Motormama, pode ser considerado um cruzamento entre Mutantes, Neil Young e altas doses de caipiragem e psicodelia. Um CD demo lançado em 2000 Mestiço Rock ‘n’Roll (mm55 midsummer madness) ganhou destaque na mídia especializada e foi relançado em 2001 pelo mm. Em 2002 a banda fez vários shows pelo país, como Belo Horizonte, Brasília e São Paulo, com destaque no festival Bananada de Goiânia.

Em 2003 a banda lançou o CD Carne de Pescoço com treze músicas. O disco, gravado entre 2001 e 2002 em Ribeirão Preto, foi lançado pelo selo da banda Kaskavel Musik e distribuído pelo midsummer madness.

Na ocasião do lançamento, a revista Zero escreveu: “Banda sensacional de Ribeirão Preto (SP), o Motormama não tem medo dos agrobóis e destila o fino do rock, com instrumental contundente e letras certeiras. (…) Logo na abertura “Adeus Maluco”, o vocal hipnotizante de Gisele Z. é matador, assim como o solo cortante de guitarra que pega de surpresa. As programações eletrônicas colocadas sob medida deixam a faixa ainda mais irresistível. Um teclado de churrascaria dita o ritmo em “Rota Caipira (Anhanguera Folk Song)” e uma guitarra contida e imersa em distorção aparece em “Cosmorama”. Destacam-se ainda a folk “Sujeito Honesto”, o bluegrass “Mercado de Pulgas”, o power pop de “Me enterrem em Assunción” e o rockabilly “Saliva Quente”. Dos infernos.”

Em 2006 o Motormama lança seu 2º disco, A Legítima Cia Fantasma, um lançamento conjunto da banda, do selo midsummer madness e do selo Pisces Records, de Bauru. Régis Martins (guitarra, violão e voz), Joca (baixo, programação e voz), Gustavo Acrani (teclados), Gisele Z. (vocais) e Ricardo Noryo (bateria) trazem mais 14 músicas unindo o country à la Stills, Nash & Young com a barulheira de um Pixies.

Em março de 2007 o tecladista Gustavo Acrani lançou um livro de bang-bang intitulado Bandida! para provar que o faoreste corre nas veias do Motormama.


* * * * *

ENTREVISTA EXCLUSIVA
por Bernardo Santana

- Apresente o Motormama pra quem nunca ouviu vocês.
Grupo representante do melhor rock psicodélico caipira já feito no país nascido em 1999 em Ribeirão Preto e com dois CDs gravados: “Carne de Pescoço” e “A Legítima Cia. Fantasma”. Além de dois Eps: “Mestiço” e “Rua Aurora”, este último lançado este ano de forma virtual.

- Agora reapresente o Motormama pra quem já ouviu no começo e perdeu contato com o som da banda.
Meus amigos, continuamos fiéis aos nossos princípios de fazer uma música autoral, divertida e 100% brazuca. Pobres, porém honestos.

- Quais suas influências hoje? Elas mudaram muito desde que começaram a tocar?
Nossas influências não mudam nunca. Gostamos de velharias como Beatles, Mutantes, Led Zeppelin, Odair José, Kraftwerk e Tião Carreiro. E os clássicos, vocês sabem, são eternos.

- O que é ser uma banda independente no interior?
É o equivalente a ser um leproso num baile de debutantes.

- O que mudou desde o tempo que vocês começaram no cenário independente?
É muito melhor ter uma banda hoje do que há dez anos por causa da internet e de várias ferramentas tecnológicas que facilitam o contato direto com o ouvinte. Mas o circuito independente de shows continua deficiente e volátil. São Paulo ainda é o centro de tudo e no interior a atividade de “produtor” é rara e amadora. Profissionalização já.

* * * * *

DOWNLOADS:
(álbuns completos)

"A Legítima Companhia Fantasma" (57 MB)
http://www.mediafire.com/?zkzaypeujog

"Carne de Pescoço" (54 MB)
http://www.mediafire.com/?i5zuvbr05rn

site oficial *** myspace

sábado, 9 de agosto de 2008

:: PET SOUNDS PROJECT - III ::

SONS DE ESTIMAÇÃO - VOL 3

por RÉGIS MARTINS,
vocal e guitarra do MOTORMAMA


1 – Hank Willians – "Cold, Cold Heart". Um dos grandes mestres da música country americana.Influenciou todo mundo: de Elvis a White Stripes e era um tremendo cachaceiro

2 – Screaming Jay Hawkins – "I Put A Spell On You". Adoro este cara. Era uma mistura de Little Richard com Zé do Caixão. Esta música foi regravada pelo Creedence Clearwater Revival, mas esta versão original é demoníaca.

3 – Leadbelly – "Where Did You Sleep Last Night". Ouvi esta música pela primeira vez no acústico do Nirvana. Mas com todo respeito ao saudoso Kurt Cobain, a versão original é muito melhor.

4 – Bo Didley – "Hey, Bo Didley". Este também influenciou todo mundo. Inventou o rock tribal. Acho ele melhor que o Chuck Berry.

5 – Link Wray – "The Shadow Knows". Um dos maiores guitarristas de todos os tempos. Diz a lenda que inventou a distorção ao furar um alto falante com um lápis. Genial.

6 – Them – "Please Don't Go". Esta música tem um dos maiores riffs de guitarra da história. E eu adoro a voz do Van Morrison.

7 – Demônios da Garoa – "Saudosa Maloca". Pra mim, Adoniran Barbosa é o maior sambista de todos os tempos e os Demônios foram os maiores intérpretes das músicas dele.

8 – Roberto Carlos – "Nasci para Chorar". Robertão no auge da Jovem Guarda. Nesta época ele ainda gritava, acreditem.

9 – Donovan – "The Season of the Witches". Donovan era o Bob Dylan psicodélico, o que já diz muito.

10 – Buffalo Springfield – "Broken Arrow". Primeira banda de Neil Young que, na minha opinião, inventou o tal “alt-country”

11 – Mutantes – "Genghis Kan". A banda que me fez escrever rock em português. O engraçado é que esta música é instrumental.

12 – Sá, Rodrix e Guarabira – "Mestre Jonas". Só ouvi falar de Sá e Guarabira quando era moleque por causa da novela “Roque Santeiro” e detestava aquilo. Mas então descobri que os caras já fizeram música decente muito antes.

13 – X – "Los Angeles". Minha banda punk predileta. O lance de unir os vocais masculinos e femininos foi uma grande influência para o Motormama.

14 – Patife Band – "Chapeuzinho Vermelho". Uma das grandes bandas do rock dos anos 80 no Brasil. Infelizmente nunca fez sucesso. Talvez porque era bom demais. Essa música é uma versão de um hit da Jovem Guarda.

15 – Fellini – "Zum Zazoeira". Outra banda injustiçada dos anos 80 que eu adoro. As letras malucas do Cadão Volpato me influenciaram muito. Foi graças ao Fellini que conheci Mutantes. Se não bastasse, o Chico Science adorava os caras.

DOWNLOAD (58 MB): http://www.mediafire.com/?s8gyiljwgyj

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

:: eleição ::

Findo o ciclo das melhores bolachinhas dos '60s, agora vamos à década seguinte: dentro em breve começa o COUNTDOWN com os melhores álbuns dos anos 70. Desta vez, o público Depredando terá direito de opinar: já está rolando aí no menu lateral direito (lá embaixão...) uma ENQUETE, onde vocês podem dar pitacos sobre quais são os mais fodásticos discos daquela década. Todo mundo pra urna! =)

p.s.: quem quiser votar em um disco que não está na lista, favor solicitar sua inclusão pelos comentários abaixo.

:: os 10 melhores dos anos 60... #01 ::

[01]

BOB DYLAN
"Highway 61 Revisited"

(1966)


por EDUARDO CARLI DE MORAES
Numa de suas frases mais famosas (e saborosas), Wittgenstein disse: “Revolucionário é quem consegue se auto-revolucionar”. Se o lema do filósofo for verdadeiro, Bob Dylan, entre os compositores de música popular do século 20, certamente merece a medalha incontestável de revolucionário. E foi justamente no meio dos anos 60 que ocorreu o rasgo, a ruptura, a mais radical reinvenção de si mesmo. Com o disco Bringing It All Back Home, em 1965, o jovem cantor-compositor, já cultuadíssimo pela juventude sessentista como um ícone da música de protesto e quase um porta-voz de sua geração, tinha rasgado sem dó a velha imagem que o mundo tinha feito de Bob Dylan e se recriado de um modo quase inédito na história da música popular americana.

Pois seus quatro primeiros álbuns estavam repletos de um folk puríssimo e destilado, fidelíssimo aos cânones do gênero, em que o cantor-compositor parecia ter o olhar mais voltado para o passado do que para a vanguarda. Bob Dylan, na primeira fase de sua carreira, tinha rapidamente se constituído como uma força política de respeito, que metia o dedo nas feridas sociais com suas canções de protesto e que compunha algumas das músicas mais evocativas do estado de espírito da América. Ele, um poeta cultíssimo e arrojado, parecia levar adiante o que artistas americanos como John Steinbeck, Walt Whitman e Woody Guthrie haviam começado.

O mundo começou a prestar atenção na obra do jovem Dylan quando saiu do forno The Freewheelin’, seu segundo álbum - quando o cantor tinha apenas 22 anos de idade. Na capa do álbum, Bob Dylan caminha ao lado de sua namorada pelas ruas do Greenwich Village, em Nova York, para onde havia se mudado no começo de 1961, intentando entrar na cena bôemia e musical efervescente que ali existia. Este é o primeiro dos clássicos da carreira de Dylan, símbolo supremo de sua fase marcada pelas canções de protesto e pela ênfase em temáticas sociais, como fica evidente pelo raivoso manifesto anti-belicista de “Masters of War” ou por seu primeiro hit de vasto sucesso junto ao público, “Blowin’ In The Wind” (depois regravada por Peter, Paul & Mary). Porém não faltam as baladas folk mais românticas, inclusive a lindíssima "Don't Think Twice (It's All Right)".

Lançado em 1963, The Freewheelin' foi o primeiro álbum de Dylan a produzir um impacto no cenário cultural, surgindo num momento histórico em o temor de uma hecatombe nuclear estava no ar dos tempos. Na época de extremo perigo que foi a Crise dos Mísseis de Cuba durante a Guerra Fria, quando a 3a Guerra Mundial parecia prestes a estourar, Dylan compôs músicas clássicas que são um retrato fiel do zeitgeist - como "A Hard Rain's A Gonna Fall".

Dotado de um virtuosismo poético poucas vezes antes vista num compositor, Dylan tornou-se um dos primeiros cantores populares a ter suas letras levadas a sério e consideradas como literatura de primeira qualidade - há até quem o julge um sério candidato a levar um Nobel de Literatura! Seguindo na trilha de cantores dos cantores de folk, blues e country que ele tanto admirava, ao mesmo tempo que se engajava em ebulições políticas do urgente presente, The Freewheelin’ teve um sucesso tão estrondoso e repentino que a partir do ano seguinte, 1964, Dylan estava fazendo 200 shows ao ano.

Os discos seguintes, The Times They Are A-Changin' e Another Side, tinham sedimentado seu status como um compositor que dava sequência ao legado de Woody Guthrie, Leadbelly e Hank Williams, engajado na luta social e defensor dos oprimidos e desapossados. Parecia que Bob Dylan estava destinado a permanecer por toda a sua carreira um solitário trovador, declamando sua poesia militante sobre o acompanhamento simples do violão e da harmônica. E era de se esperar que o jovem e progressivamente respeitado Dylan prosseguisse na mesma toada.

* * * * *

Imaginem vocês a surpresa que foi para tantos milhares de fãs e críticos ao darem seu primeiro play em Bringing It All Back Home e descobrir, logo na primeira faixa, “Subterranean Homesick Blues”, a explosão das guitarras elétricas saindo dos amplificadores, a letra despirocada e surreal, composta num fluxo de consciência e cantada com uma pressa frenética, tudo com uma eletrizante banda de rock and roll fazendo um barulho da porra lá atrás... Em 2 minutos, o mundo ficava sabendo que tudo havia mudado e que uma revolução brusca havia sido instaurada na carreira de Bob Dylan. Ele havia abraçado o rock and roll, as drogas psicodélicas e a poesia lúdica e a-política. Que heresia!

Foi uma escolha polêmica, mas Bob nunca pôde ser acusado de ser pouco ousado. “Muitos fãs que adoravam o Dylan cantor folk, aqueles que o veneravam como um visionário político e que tinham aprendido a aceitar o enfoque pessoal do seu trabalho durante o período de transição, ficaram pasmos com os instrumentos elétricos. Para a maioria dos seguidores das tradicionais músicas folclóricas e de protesto, o rock and roll ainda era considerado uma música simplista, romântica e voltada para adolescentes” – comenta Paul Friedlander em seu Rock and Roll – Uma História Social.

Houve quem se tenha levantado no meio de shows para, em altos brados, xingá-lo de Judas. Ele nem se importou e fez o singelo ato iconoclasta de pedir para sua banda tocar ainda mais alto e com maior selvageria. Seu “play it fucking loud!” para a The Band tornou-se emblemático dessa sua fase de rock star rebelado. Prova de que, no meio dos anos 60, Bob Dylan foi o primeiro punk revoltado e irreverente, o primeiro poeta beat a chefiar uma banda de rock (o próprio Allen Ginsberg caiu de amores...), o primeiro dos grandes iconoclastas da música pop.

Apesar da cisão de opiniões que a novidade causou, criando um grupo de puristas folk que odiou a reviravolta no som e na atitude dylanesca, e um outro grupo que viu com bons olhos o híbrido entre o rock e o folk que ele acabara de inventar, a História acabou por redimir Bob Dylan. Sua “Trilogia Elétrica” dos anos 60 acabou recebendo de quase todos os críticos de música um perfeito aval – Bringing’ It All Back Home, Highway 61 Revisited e Blonde On Blonde viraram três clássicos olhados com um respeito quase unânime por todos os entendidos. Martin Scorsese, recentemente, esmiuçou em mais de 3 horas e meia de documentário essa espetacular história de Dylan nos 60, deixando para a posteridade esse riquíssimo documento que é o No Direction Home.

* * * * *



Que Bob Dylan é o nome mais importante da música popular mundial nos anos 60 pode soar como uma afirmação exagerada, mas os próprios Beatles e Rolling Stones reconheciam a excelência da obra dylanesca e pareciam olhar para cima quando falavam de Bob - como se contemplassem um modelo, um ícone, um semi-deus. Não é nada absurdo, portanto, colocar nele a coroa de figura mais emblemática daquela década ímpar. E é dele, também, o álbum mais completo, genial e rico daquela era tão pródiga em obras-primas. Mas qual escolher, entre tantos álbuns brilhantes?

Highway 61 Revisited talvez seja a melhor pedida: é o álbum que consolida o som elétrico que havia sido apresentado ao mundo em Bringing It All Back Home, representando o ápice da fase folk-rock de Dylan. O disco já abre com “Like a Rolling Stone”, uma das maiores canções da história do rock e a mais imortal composição de Dylan, reconhecida à primeira audição até pelos leigos que nunca ouviram nenhum de seus discos. O clichê "dispensa apresentações" se aplica perfeitamente a esse hino amargo e vingativo que Dylan cravou na cultura pop como uma faca. Quatro décadas de vida não tiraram um pingo do poder e do frescor dessa obra-prima.

O álbum traz ainda como destaques a poesia extremamente ousada de "Ballad Of A Thin Man", que parecia uma mistura de arte dadaísta e surrealista realizada por um cara que parecia estar tomando drogas em excesso - mas as drogas certas. Na faixa-título, Dylan zoava legal com parábolas bíblicas e fazia o próprio Bom Deus falar como se fosse um gângster, ao se dirigir a Abrãao ("Next time you see me comin' you'd better run!"). Já na longa faixa de despedida, "Desolation Row", uma narrativa repleta de referências e minúcias cria uma das geringonças poéticas mais inebriantes que um compositor já conseguiu cometer.

Highway 61 Revisited é um imenso mosaico de referências, alusões e conexões. Como uma gigantesca árvore, daquelas que parecem imortais, dotada não só tem uma complexíssima gama de raízes no subsolo, mas também de centenas de galhos que se espalham nas alturas. Há por aqui miríades de referências literárias (T.S. Eliot, Ezra Pound, F. Scott Fitzgerald...), cinematográficas (Cecil B. De Mille, Bette Davis...), musicais (Beethoven, Bo Didley...), sem falar em vários personagens famosos do imaginário popular (Cinderela, Jack o Estripador, Casanova, Robin Hood, o Corcunda-de-Notre-Dame de Victor Hugo, a Ofélia de Shakespeare...).
Tudo isso faz esse álbum ser o lugar onde o maior gênio dos anos 60 atinge o ápice. E até hoje ouvimos Highway 61 pasmos de encontrar uma obra-de-arte com uma riqueza musical, lírica, poética e iconoclástica que parece inesgotável.

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

:: da série PÃO QUENTINHO - discos de 2008 BRASIL ::

Aê galera! Aí vão alguns dos mais importantes lançamentos do rock brazuca neste ano de 2008. Depredando recomenda entusiasticamente o novo Curumin (que fez um show fodástico no SESC Av Paulista dias atrás, deliciando o público com um groove-da-porra, de chaqualhar o esqueleto) e o debut do Macaco Bong, um dos melhores álbuns de rock instrumental já lançados no Brasil. O Cansei de Ser Sexy fica pra próxima leva de pães quentinhos...

CURUMIN, Japan Pop Show
http://www.mediafire.com/?ehhw7m2xdd2

por Rômulo Fróes, cantor e compositor.
texto na íntegra disponível no Música Social


“Japan Pop Show”, programa de TV exibido nas manhãs de domingo nos anos de 1980, era um karaokê produzido e protagonizado por imigrantes japoneses e seus descendentes no Brasil. Curumin, neto de japoneses e nesta época ainda criança, se encantava com as performances um tanto cômicas dos anônimos candidatos a cantores de sucesso. (...) “Japan Pop Show” é o nome do segundo disco de Curumin e se o título faz referência à sua descendência, o som do disco traz no seu DNA, o que já conhecíamos de “Achados e Perdidos”, primeiro álbum de Curumin, uma profusão de ritmos e influências, com matriz fundamentalmente na música negra. Mas há muito mais caldo nesse mocotó."

* * * * *

"...uma estranha e interessante junção de engajamento e diversão. Em canções dançantes, impossível de serem ouvidas sem se mexer, Curumin manda textos contundentes, encharcados de indignação, sobre temas que acredita que precisam ser discutidos. Sob camadas de grooves arrasadores, a agressão ao meio ambiente, a ganância humana, a má distribuição de renda, a corrupção, tudo o que lhe perturba é dito nestas canções. Ainda que o som poderoso de Curumin nos quer balançando as cadeiras, não quer que nossas cabeças parem de funcionar..."

* * * * *

“Japan Pop Show” é lançado no ano em que se comemoram cem anos da imigração japonesa no Brasil, uma feliz coincidência que nos leva a pensar sobre quanta riqueza provocou nossa miscigenacão, e no caso de nossa música, o quanto essa característica a tornou numa das mais reconhecidas no mundo. No disco de Curumin, essa miscigenação é levada a outro patamar. O brasileiro, nascido na cosmopolita e globalizada São Paulo, o baterista profundamente influenciado por nossas raízes africanas, reencontra seus antepassados vindos do oriente, de uma cultura tão diferente da nossa e de uma música diametralmente oposta, se relaciona com tudo isto à sua maneira, antenado com o modo de produção atual, com a tecnologia existente nestes primeiros anos do século XXI e cria uma nova coisa, a sua música. É curioso, que mesmo depois de todas estas transformações, podemos ainda chamá-la: Música Brasileira. Se a vaga de síndico do condomínio Brasil ainda está vaga, Curumin, eis aqui um forte candidato. Tenho certeza que mestre Tim Maia aprovaria a indicação."

* * * * * *

SEYCHELLES, NanaNenen
DOWNLOAD

por EDGARD SCANDURRA,
guitarrista do IRA!

Já faz muito tempo que venho sonhando com o surgimento de uma banda que não trouxesse em seus planos a mediocridade apelativa na busca pelo sucesso fácil. Acho que meu sonho se realizou…

Não vejo no Seychelles, de jeito nenhum, as famigeradas mãozinhas para cima, os gritos de “aí, gente!” e outras atitudes que me afastam cada vez mais do que as rádios insistem em chamar de pop-rock. Ao ouvir o álbum nananenen, um público com certa inteligência e inapto às armadilhas populistas (que reúnem rock, axé, pagode e sertanejo no mesmo saco de gatos, feitos sob encomenda aos jabás, shows de rádio e especiais de TV) descobrirá uma intensa fonte de criatividade e personalidade.

Logo na primeira faixa, “Funcionário Padrão”, ouvimos um ótimo rock com belos overdrives da guitarra perfeita, mas nunca exibicionista, de Fernando Coelho, a voz de Gustavo Garde com um delicioso sotaque paulistano a lá anos 70 e afinação perfeita, o baixo extremamente atuante, autêntico e corajoso de Renato Cortez e a bateria de Paulo Chapolin, que às vezes simplesmente conduz, mas às vezes também se expressa como um instrumento de frente, como se os tambores cantassem ou solassem.

Todos esses elementos estão integrados a partir de um sutil senso de humor e uma narrativa apurada. Em sua composição “No caminho de Shangri-la”, Gustavo cria uma interessante harmonia entre rock e língua portuguesa, tarefa nada fácil. As letras também chamam a atenção – que bom uma banda de jovens nos levar ao dicionário para descobrir o significado de palavras como tégula, diáspora e outras.

Já a canção “Poperô “, pulsante em um belíssimo 4×4, mostra o que a música eletrônica trouxe de volta ao rock: a característica de ser dançante. Aqui, o baixo passeia como um sintetizador subvertendo as intenções. É um dos momentos do disco em que a música realmente “dá barato”.

Para finalizar, amarrando todas as outras faixas, o Seychelles traz em nananenen algo de retrô, quase inconsciente, que ajuda a manter acesa a chama metropolitana, urbana e underground do rock.

* * * * *

MACACO BONG, Artista Igual Pedreiro
DOWNLOAD

Por Hugo Montarroyos, da Revista O Grito!
texto na íntegra disponível aqui

"Uma hora e sete minutos de trabalho braçal. De demolição de pedras. Mas também de uma certa delicadeza em meio à brutalidade. Em Artista Igual Pedreiro, álbum de estréia do trio cuiabano Macaco Bong, eles carregam e destroem tijolos da mesma forma que lapidam algumas pedras raras. É um trabalho impregnado de detalhes, prova de que a música instrumental (ao contrário do que julga o senso comum) não é um terreno tedioso e limitado. (...)

Artista Igual Pedreiro não é um disco fácil. Apesar da maçaroca sonora que promovem nos poucos mais de três minutos de “Shifit” indicar que estamos diante de um álbum de metal, é bom saber que o trio jamais entrega o jogo fácil. De metal passa para uma espécie de punk mais elaborado. Depois para camadas de jazz, e logo em seguida um quê de surf music. Até não termos mais noção de onde estamos e o que ouvimos exatamente. Não é exagero, de agora em diante, usar o termo “Macaco Bong” para designar uma obra de difícil rotulação. Ou seja, eles conseguiram o que muitos artistas buscam em vão: fogem de todos os rótulos e imprimem uma marca personalíssima.

"...a estratégia de lançar o disco gratuitamente pela Trama Virtual, através do projeto Álbum Virtual foi mais do que acertada. Artista Igual Pedreiro é daquelas obras que, esteticamente, estão bem distante do diálogo popular e do consumo fácil. É uma jornada de mais de uma hora pelos caminhos obscuros da música instrumental, pouco acessível e de concessão zero para o ouvinte. Este é exigido na audição de cada segundo, instigado, provocado, e por vezes levado até à vontade de desligar o som e contemplar o silêncio. Mas, por algum mistério da natureza musical do trio, acaba não o fazendo."

* * * * *

ROCK ROCKET, idem
DOWNLOAD

Mais porradas em favor de um roquenrou mais alcóolatra e inconsequente.

sábado, 2 de agosto de 2008

'Tamos com comuna no Orkut, entrem lá!

:: SONS DE ESTIMAÇÃO - Vol 2 ::


:: SONS DE ESTIMAÇÃO, Vol. 2. ::
por NICK HORNBY

Um convidado ilustríssimo dá as caras e os tímpanos hoje no Depredando! Ele mesmo, Nick Hornby, amigo íntimo deste blog (que é famoso em todo Reino Unido e mais lido que a NME). Hornby, o autor do crássico da literatura pop Alta Fidelidade, é a estrela do dia em nosso firmamento e compartilha convosco seus sons de estimação!

Nada mais justo do que fazer o cara figurar no início deste Projeto Depredístico de Listinhas, já que ele é incontestavelmente um dos maiores responsáveis por esta mania de listar álbuns, músicas e artistas queridos. Ao ter criado, com Rob Flemming e seus amigos, verdadeiros aficionados por esta arte, Hornby foi um dos que espalhou a febre mundo afora.

Alguns anos atrás, seguindo no rastro do sucesso de sua pérola de literatura pop (depois adaptada pro cinema com competência e boas performances de John Cusack e Jack Black), Hornby fez um livro inteiro que era uma grande lista de musiquetas por ele adoradas. 31 Songs trazia comentários do escritor sobre esse punhado de canções que ele considerava as mais significativas de sua vida - e são estas pepitas que agora compartilhamos com vocês aqui, no 2º Volume da série Sons de Estimação. Para mais detalhes sobre os porquês emocionais dessas escolhas, já sabem: corram pra livraria!


01 - teenage fanclub - your love is the place where i come from (3:27)
02 - bruce springsteen - thunder road (4:48)
03 - nelly furtado - im like a bird (4:06)
04 - led zeppelin - heartbreaker (5:16)
05 - rufus wainwright - one man guy (3:30)
06 - santana - samba pa ti (4:32)
07 - rod stewart - mama you been on my mind (4:27)
08 - bob dylan - can you please crawl out your window (3:34)
09 - the beatles - rain (3:02)
10 - ani difranco - you had time (5:48)
11 - aimee mann - i've had it (4:42)
12 - paul westerberg - born for me (4:01)
13 - suicide - frankie teardrop (10:26)
14 - teenage fanclub-aint that enough (3:44)
15 - the j. geils band - first i look at the purse (4:08)
16 - ben folds five - smoke (4:52)
17 - badly drawn boy - a minor incident (3:44)
18 - the bible - glorybound (4:10)
19 - van morrison - caravan (5:02)
20 - butch hancock & marce lacouture - so i'll run (3:46)
21 - gregory isaacs - puff the magic dragon (2:39)
22 - ian dury + the blockheads - reasons to be cheerful, pt. 3 (4:46)
23 - richard and linda thompson - the calvary cross (3:53)
24 - jackson browne - late for the sky (5:41)
25 - mark mulcahy - hey self defeater (4:21)
26 - the velvelettes - needle in a haystack (2:30)
27 - o.v. wright - let's straighten it out (3:43)
28 - röyksopp - royksopp's night out (7:30)
29 - frontier psychiatrist [radio edit]-the avalanches (4:50)
30 - soulwax - push it - no fun (2:19)
31 - patti smith - pissing in a river (4:51)

DOWNLOAD (31 arquivos WMA, 65 MB, 2h18min):
http://www.mediafire.com/?vmgkcqagwqz

:: sacando qualé a do... DUB ::

:: 5 CLÁSSICOS PARA VOCÊ ENTENDER O DUB ::

- conheça a vertente psicodélica do reggae, na qual a base rítmica é reforçada e camadas e mais camadas de efeitos completam a viagem -


O Ministério da Saúde não adverte, mas deveria: ouvir muito dub causa desorientação total e absoluta na mente. O impacto é tanto que periga fazer com que você, chapadíssimo, tenha vontade de ligar para uma Nasa imaginária e dizer: "Kingston, nós temos um problema". A vertente psicodélica do reggae é assim: faz com que qualquer um se sinta perdido no espaço. A culpa é de alguns cientistas loucos disfarçados de engenheiros de som e produtores, pioneiros como King Tubby, Coxsone Dodd, Lee Perry e Prince Jammy, entre outros, que pegaram uma tradição jamaicana - o lado B de um compacto quase sempre vinha com a versão instrumental da música, para que o público ou o MC pudesse cantar por cima - e viajaram até onde homem algum jamais tinha estado. Usando o estúdio como um instrumento e geralmente contando com a ajuda de uma certa fumaça mágica, eles começaram a subverter a ordem natural das músicas, reforçando a base rítmica (baixo e bateria) e tirando e botando as partes consideradas secundárias (teclados, guitarras etc.) ao seu bel-prazer. A isso, acrescentaram um arsenal de efeitos (principalmente ecos), que só fez aumentar o aspecto hipnótico desse som. Nasceu assim o dub, que acabou se tornando um dos subgêneros mais populares do reggae, um som tão viajante que acabou indo parar muito além da Jamaica, influenciando boa parte da música pop e, principalmente, a cultura dance. Afinal, foi graças aos experimentos dub que surgiram os remixes, tão populares hoje em dia. Para não se perder no universo em movimento do estilo, é bom você se guiar por alguns discos fundamentais. E encará-los como estrelas que brilham e desaparecem num céu... Ops, Kingston, nós continuamos com problemas.

* * * * *


LEE 'SCRATCH' PERRY, Arkology (1997) - BOX de 3 CDs :: Caixa com 3 CDs que traz a obra de Lee 'Scratch' Perry, o Dalí do dub reggae, capaz de botar tintas surreais em qualquer ritmo, usando sons como sirentes, gritos de elefantes e barulho de tiros. Mas seu estilo não se limitava a isso. No estúdio Black Ark, ele explorou cada detalhe do universo minimalista do dub, dando cores novas ao trabalho de gente como The Wailers, Heptones, Max Romeo, Junior Murvin e muitos outros - além de fazer seu nome como um dos visionários que descobriu que o estúdio podia ser um instumento. Só que um dia, num acesso de loucura, Perry botou fogo no Black Ark, queimando tudo até a última ponta. Seu trabalho, porém, não virou cinza e até hoje é cultuado: os Beastie Boys fizeram uma edição especial de sua revista, Grand Royal, dedicada a ele. -- DOWNLOAD: DISCO 1 - http://tinyurl.com/6a8dra, DISCO 2 - http://tinyurl.com/67onom, DISCO 3 - http://tinyurl.com/58b567.

* * * * *



BURNING SPEAR, Marcus Garvey + Garvey's Ghost (1975) - Garvey's Ghost é o lado escuro e enfumaçado do disco Marcus Garvey, lançado em 1975 pelo Burning Spear, um dos mais respeitados nomes do reggae. Nele, o discurso místico e militante do original - que sempre marcou ou trabalho do artista - é substituído por camadas de efeito, cortesia do produtor Jack Ruby. O sucesso de Garvey's Ghost foi tanto que ele passou a ser mais cultuado (e muitas vezes mais vendido) do que o próprio Marcus Garvey. Um feito, pois, ao lado de Catch a Fire (dos Wailers), este foi um dos discos que marcaram a história do reggae por serem álbuns completos, concebidos assim por um mesmo artista, e não um punhado de singles reunidos por razões comerciais. Há uma versão em CD que reúne os dois discos. Ou seja, imperdível. -- DOWNLOADS: Marcus Garvey (http://tinyurl.com/5qpb7x) e Garvey's Ghost (http://tinyurl.com/62pjz4).

* * * * *

ASWAD, Hulet (1979) - O mais completo grupo de reggae de todos os tempos, o inglês Aswad flexiona os músculos neste disco que não é exclusivamente de dub (como A New Chapter Of Dub, outro monumento especial da sua discografia), mas que usa as sutilezas e ambiências do estilo para criar uma obra de inspiração soul. Quando Hulet foi lançado, o Aswad não tinha o formato que o consagrou - o trio Brinsley Forde, Drummie Zeb e Tony Gad - e ainda era um quinteto, completado pelo baixista Ras Lev e o guitarrista Donald Benjamin. A qualidade da assinatura Aswad, porém, é mantida de qualquer forma. O disco é uma ponte imaginária ligando Londres, Kingston e Detroit, terra da Motown e da soul music. Ouça a bela "Can't Walk The Streets" e confirme: Hulet é uma obra-prima do dub melódico. Show! - DOWNLOAD: http://tinyurl.com/5qey6m.

* * * * *
AUGUSTUS PABLO, King Tubby Meets Rockers Uptown (1976) - Um clássico, por tudo e por todos. Pela banda, formada por Robbie Shakespeare, China Smith e Aston 'Family Man' Barret; pela mixagem mágica do mestre King Tubby, um dos pais do dub; e, claro, pelo órgão e timbre encantador da melócida (um teclado tocado por sopro) do genial rasta Augustus Pablo, falecido recentemente. Para sentir o poder do tirmo junto à massa jamaicana: a música que abre o disco, "Baby I Love You So", virou hit e superou o original de Jacob Miller, que tinha vocais e formato "normais". Lento como os movimentos numa noite de verão e sedutor como um sonho bom, este disco é peça fundamental em qualquer discoteca dub. - DOWNLOAD: http://tinyurl.com/5oyn9c.

* * * * *
MASSIVE ATTACK VS. MAD PROFESSOR, No Protection (1995) - Sempre foi nítida a influência do dub no som chapante do Massive Attack e no trip-hop em geral - basta ouvir o que fazem Portishead e Tricky. Mas em No Protection, o grupo de Bristol leva tudo às últimas consequências, graças à dobradinha com Mad Professor, craque do dub feito na Inglaterra. No disco, o "Professor" vira ao avesso as músicas de Protection, o segundo trabalho do Massive Attack, que se transforma num rolo compressor de efeitos que, ei, não estavam aqui antes. Para completar a festa, ainda há os vocais de Tricky, Nicollete, Horace Andy e Tracey Horn (do Everything But The Girl) flutuando por toda a parte e que servem para lembrar como eram as canções originais. - DOWNLOAD: http://tinyurl.com/58dtf4


(por CARLOS ALBUQUERQUE, na Showbizz de julho de 2000)

quarta-feira, 23 de julho de 2008

:: Os Sementes Pretas ::

Primeiramente, gostaria de agradecer o convite (tipo, eu me convidei e a galera aceitou) do Depredando para ser um dos correspondentes internacionais do blog. É muita sofisticação!

A partir dessa semana vou postar algumas boas coisas que existem aqui na Nova Zelândia, vulgo Cu do Mundo, onde moro atualmente.

Segundamente, vou falar aqui uma coisa (a primeira vez que eu disse isso numa conversa de bar quase quebraram uma cadeira na minha cabeça): Se o Bob Marley não tivesse morrido eu matava ele. Ô cara chato, pô!

Não é só a implicância com reggae que me faz odiar bandeiras da Jamaica (nada contra o país) e todo esse esteriótipo rasta+maconha=praia (ou ao contrário). É a falta de qualidade dos discos, das músicas e dos músicos que se propõem a fazer esse tipo de som. A guitarra sempre a mesma, as cadências idem, o vocalista de cabelo sujo ibidem.

No entanto, hoje vou pagar a minha língua e pedir perdão a Jah ajoelhada no milho. Indico uma banda kiwi que já é até celebridade nos EUA, na Europa e no Japão - merecidamente: The Black Seeds.

O Cd que eu to postando hoje é o segundo da banda, o melhor dos quatro, eu acho. Cheio de groove, funk, naipes de metal belíssimos e dubs pra te deixar doidão. Qualidade impecável e um tecladista talentoso (coisa rara).

Engraçado que depois desse disco, os Black Seeds se transformaram numa banda quase exclusiva de reggae (ainda assim com bons hits). Talvez os produtores tenham falado pros caras: "Ei brôus! Vocês são da Nova Zelândia, só tem brasileiro maconheiro lá!! Olha o mercado!". Funcionou. Os caras não param de tocar na rádia e são ícones por aqui.

Bom, a dica ta aí pra baixar! Espero que gostem e que espalhem a música dos caras aí no Brasil também.

Agora dá licensa que eu to indo ali acender meu baseado. Cof.

Quem: The Black Seeds

Má-o-meno isso: Não espere música pra relaxar. Os caras são bons e quando você menos esperar já vai estar dançando no meio da sala.
Receita (inusitada): Lenny Kravitz + The Warriors + Ben Harper + Salmonela Dub + bons níveis de T.H.C no sangue
Indico para:
- Quem tem preconceito com reggae como eu
- Quem precisa decidir se vai morar na praia ou investe na bolsa de valores
- Reuniões de amigos antigos
- Colocar no som do carro para viajar

My Space The Black Seeds



DOWNLOAD DE GRÁTIS!!!


* Francine Micheli é jornalista, acha que é pianista, mora na NZ e comeu uma barra inteira de chocolate enquanto escrevia esse texto. Também é a dona do blog Mãe, ja Acabei!.

terça-feira, 22 de julho de 2008

:: PROJETO PET SOUNDS - largada! ::

(desculpa a viadagem, mas o bichano aí em cima é uma graça, né não?)


Ó só. Criamos uma nova brincadeira crásse para deixar esse bloguito ainda mais legal. Deix'eu explicar procêis. Com certeza 'cês se lembram de jornalistas pouco criativos fazendo a clássica e clichê pergunta aos músicos que entrevistam: "quais os 5 discos que você levaria para uma ilha deserta?" Resolvemos reaproveitar este mesmo conceito, já que também não somos nada criativos, e sair perguntando pr'um monte de gente legal de bandas legais por aí: "quais são as músicas que mais te marcaram na vida, teus mais adorados 'pet sounds'?"

Nossa ilustre "estrela do post" é então convidada a escolher uma dúzia de musiquetas, que encham uns 60 minutos de música, com aquilo que mais marcou musicalmente sua vidinha. É como se gravasse uma k7 para uma pessoa especial ou preparasse um CD-R que gostaria de ouvir pelo resto dos dias na tal da Ilha Deserta (considerando que ela fosse monótona e sem emoções, bem diferente daquela de Lost ou de O Senhor das Moscas..). Pedimos ainda ao nosso entrevistado que faça breves comentários sobre cada uma das faixas, de preferência dando completa vazão ao umbigolismo e às confissões autobiográficas. Aí nós aqui do Depredando reunimos as mp3 num zipão e entregamos de presente para vocês a histórica e exclusiva COLETA DE SONS DE ESTIMAÇÃO de nossos espetaculares convidados. Curtiram a idéia?

O Fábio, nosso amigo que canta e toca guitarra nos Visitantes, uma das mais bacanas bandas de rock experimental da cena paulistana atual, aceitou o desafio de inaugurar essa nova seção do Depredando o Orelhão. E mandou bem! Os caras, que fizeram um fodástico show no Groselha Fuzz de Ribeirão Preto, onde foram entrevistados por dois dos depredadores (eu e o Vernarrdo) aqui presentes, já receberam antigamente um post aqui no blog que vale visitar - confiram! E agora fiquem com Fábio e as músicas de sua vida...

E logo logo vem aí o VOLUME 2 com... segredo!

(Mas Thom Yorke, Eddie Vedder e Jeff Tweedy já toparam participar... :P )

:: PET SOUNDS PROJECT - volume I ::

:: SONS DE ESTIMAÇÃO - VOL 1 ::

estrelando...

FÁBIO, vocal e guitarra dos VISITANTES/SP,
e as MÚSICAS DE SUA VIDA!

01) "BONE MACHINE" – Pixies – eu tinha o Bossanova do Pixies em K7, achava eles só interessantes como "a banda que inspirou o Nirvana", mas quando comprei o Surfer Rosa em vinil, eles se transformaram na minha banda favorita de todos os tempos! É uma vergonha pra nós, músicos latinos, que temas tão nossos como catolicismo, discos voadores, arroz com feijão e sexo bizarro tenham sido muito melhor explorados por um gordo albino americano.

02) "IN BLOOM" – Nirvana - toquei essa música um milhão de vezes. Os dois clipes dela são fantásticos, o que tem eles com vestidinhos eu conseguia assistir dezenas de vezes seguidas. Aliás, tem um terceiro clip dela, nada a ver, da época do Bleach. Nirvana me tirou do ostracismo.

03) "CVV" – Ludovic – Nunca vou esquecer do dia em que tocamos juntos em 2004, no Festival Sinfonia de Cães, e o Jair Naves dedicou essa música para a Wasted Nation, que tinha tocado antes deles. O espaço do baixo e vil. Queria um dia poder sentar com o Jair e trocar idéias sobre tudo e sobre nada.

04) "STAY" – Oingo Boingo – Toquei essa música no primeiro show da minha vida (Wasted Nation, em Barueri, 2001) e ela me lembra minha infância revirando os LPs da minha tia na Vila dos Remédios. A música é toda boba. "No, don't you gooooo, stay with me one more dayyy". Hahaha.

05) "O PINTO DE PEITOS" – Cidadão Instigado – Isso é que é pop brasileiro! Ouvi pela primeira vez chapado na estrada, viajando com a SomoS pro Araraquara Rock.

06) "EVIDENCE" – Faith No More – Climão. Mike Patton é um filho da mãe que soube jogar o jogo. Aprendi a gostar mesmo depois de ouvir o disco... Meu tio me mostrou "King For a Day, Fool for a Lifetime" enquanto a gente jogava truco em família na varanda da chácara.

07) "KOOL THING" – Sonic Youth – Amo essa música. Tocava na abertura do "Alto e Bom Som", quando a MTV era grunge. Nessa música eles atingiram o apogeu do rock'n'roll com barulho! Não é que cada um de nós tem seu primeiro estalo do que é o punk? Pra mim foi o Sonic Youth. "1991: The Year Punk Broke" mudou minha vida!

08) "FAIRGROUND ATTRACTION" – Fairground Attraction – Achei essa banda em K7, na Musical Box, em Higienópolis. Minha banda-favorita-que-ninguém-conhece, tem um quê de circense e meio brega, é gostoso de ouvir.

09) "SLOW NUMBERS" – Morphine – Essa talvez seja a melhor música da História do Mundo. Number seven's lucky in Japan, but here... we don't give a damn. But on the elevator… no thirteenth floor… Caraca. Não sei o que me toca nessa música mas é quase religioso. Viva Mark Sandman.

10) "ROSA, MENINA ROSA" – Jorge Ben – Jorge Ben foi o ingrediente secreto que aos poucos desmanchou o universo semântico da Wasted Nation, transformando-nos em Visitantes. De grunge psicodélico a rock tropical. Essa faixa é meio mística, tipo um flamenco com preguiça.

11) "PORQUE A GENTE É ASSIM?" – Cazuza – Mais uma dose éééé claro que eu tô a fim, a noite nunca tem fim, porque a gente é assim?

12) "HEY JUDE" – The Beatles – A primeira música que eu tirei na vida. No violão. Parece que o Paul fez ela pro filho do John Lennon. Na na na na na na! Hey Jude!

13) "REFUSE/RESIST" – Sepultura – Deliciosamente viril e absolutamente necessário! Essa é homenagem ao Sabão, que toca comigo no Visitantes. Ele me ensinou a gostar de porrada. Yeah. O Chico Science curtia muito essa.

14) "PRAISE YOU" – Fatboy Slim – Pra fechar com chave de ouro! Não tem nada muito pessoal nela, mas é uma porra de uma música legal que faz todo mundo dançar e se pegar. Oh yeah.

(Meu nome é Fábio. Sou guitarrista e vocalista da banda Os Visitantes, toco desde 2001 nela, desde quando ela se chamava Wasted Nation. Morei em Londres por um ano quando era pivete e já fui pra Machu Picchu de ônibus. Fundei em SP o coletivo Escárnio e Osso, que trabalha com eventos e distribuição independente desde 2003. Estou me formando em Audiovisual na USP e faço som, roteiro, rádio e o que vier. Toco bateria na Cabongues e baixo/voz no Juquinha. Trabalho num estúdio de áudio. Adoro Pixies e namoro a Karina. Ela é um amorzinho.)

DOWNLOAD (62 MB): http://www.mediafire.com/?1dx5ojyxxn4

MAIS SOBRE OS VISITANTES: ORKUT - TRAMA - FOTOLOG - contato no oscaras@visitantes.mus.br.

domingo, 20 de julho de 2008

:: Smells like diva spirit ::


Desde que Joss Stone pintou os cabelos e Amy Winehouse começou a despencar pro precipício junto com sua voz, a comunidade musical (fui boazinha agora, hein? Quando é que juntando críticos, blogueiros e jornalistas a gente forma uma comunidade?) internacional caça uma nova diva. O primeiro lampejo de luz veio com Duffy e seu álbum “Rockferry”, que pareceu convencer boa parte da crítica. Voz potente, banda orquestrada, mas, bem, hum, faltava aquilo, sabe?

Aquilo que faz uma diva.

Uma textura única de voz, uma entonação hipnotizante, um apreço qualquer pelas raízes, sejam elas quais forem.

Eu continuava órfã até que a Fran Micheli, a jornalista cosmopolita do blog “Mãe, Já Acabei” que atualmente contempla quilos de neve na Nova Zelândia, meu mostrou Gin – a diva, não a bebida.

A história da menina é triste que dói, e de nascida na Nova Zelândia, foi parar em Buenos Aires e depois na Austrália. Gin está em seu primeiro álbum, “Extended Play”, que contém cinco músicas. Quatro delas estão no MySpace, e eu não consigo parar de ouvir.

O CD será lançado no dia 02 de agosto, mas já é de cara uma das coisas que mais curti até agora em 2008. Macy Gray está ali, Ella, uma pitada de Aretha, e até o folk, que Duffy esboçou meio sem convicção, Gin entrega com frescor de Bob Dylan.

Smells like diva spirit to me.

http://www.myspace.com/ginwigmore

Gin - These Roses

sábado, 19 de julho de 2008

:: hard-rock de mina ::


ELAS SÓ QUEREM FARREAR!

:: THE DONNAS, Turn 21 (2001) ::
- por MARCEL PLASSE, numa velha Showbizz -

Enquanto a maioria de suas colegas preocupava-se com a festa de formatura do colegial, esse quarteto só pensava em fazer barulho. Agora, em seu 4o disco, as Donnas deixam de ser lolitas do punk rock para cair bêbadas legalmente nos braços de quem pagar os drinques. Aos 21 anos, elas estão longe de amadurecer. Ainda bem. Com as mesmas camisetas, tênis e jeans pretos, as Donnas mantêm a consistência demonstrada aos 16 anos. Mas algo mudou: as Ramones de San Francisco podem fazer o que sempre insinuaram em suas canções sem que ninguém vá parar na cadeia. Desde os dias em que Joan Jett brigava com Lita Ford pela liderança das Runaways não aparecia uma banda de meninas tão disposta a ferrar com os ideais machistas do rock'n'roll. No novo CD, elas pedem mais groupies, bebidas e bobões sem roupas para usar e dispensar. Nem L7 era tão atrevido. E as garotas abusam. Sua versão de "Living After Midnight", clássico do Judas Priest reduzido a Cheap Trick de 4 acordes, revela a falta de respeito da banda. As Donnas exploram o fato de guitarras serem tradicionalmente convertidas em símbolos fálicos para estuprar os clichês. A platéia faz fila e nem pede delicadeza. Ao contrário, quanto mais hard, melhor.

DOWNLOAD (mp3 de 192kps - 63 MB - 14 faixas):
http://www.mediafire.com/?ds1cdn4zz4g

* * * * *


:: SAHARA HOTNIGHTS, Jennie Bomb (2001) ::

E LUX LUSCIOUS TB RECOMENDA... Pra quem curte rárd-róqui de minas farofeiras, que manjam de melodias grudentas e que nos deixam a libido enlouquecida, vale muito a pena conferir também o som do quarteto sueco de 4 beldades SAHARA HOTNIGHTS. É ótimo rock and roll para bater punheta, pogar pelo quarto e headbangar ao mesmo tempo. Elas fazem um som bem ao estilo da Joan Jett, da Suzi Quatro e das próprias Donnas, mas pra mim soam ainda mais empolgantes, sexies e deliciosas. É mais ou menos como os Forgotten Boys soariam se fossem uma banda de mulherzinha. Um hard-rock treme-estádio espetaculoso que deixa o ounvinte se perguntando o que foi que aconteceu que elas não venderam ainda umas 10 milhões de cópias tendo gravado música tão contagiante. Dá pra notar que elas prestam suas homenagens às mulheres fera do roquenrou de outrora - Joan Jett, Chrissie Hynde, as Runaways... -, mas acabam soando mais como uma versão fêmea dos Hellacopters (aliás compatriotas delas...) ou como um Darkness um tanto menos escrachado. Ou como um AC/DC de calcinhas. Riffs ganchudos, refrões inesquecíveis, vocal pra lá de massa: tudo o que você precisa para uma festança de rock and roll pauleira - que é oitentista e americanizado bragarai, mas não deixa de ser irresistível. Ouvir Jennie Bomb dá mais tesão que muito soft-porn por aí...

DOWNLOAD (54 MB, 192kps, 13 faixas):
http://www.mediafire.com/?inwt4xtvmtt

quinta-feira, 17 de julho de 2008

:: The Sounds ::


Novamente 2006, ano de cabeçadas, flagras e planetas depostos. Como já disse, passei o segundo semestre viciado em Metric e o consumo excessivo de sua música deixou o efeito desta mais fraco. Precisava de uma nova banda com características parecidas. Foi então que encontrei essa droga para consumir.

No início houve a máquina de teleporte do filme de David Cronenberg "A Mosca" (1986). Ao invé de Seth Brundle adentrar-se na máquina, para realizar o primeiro teleporte com um ser humano, ele resolveu passar as honras para sua amiga Debbie Harry. Deb, com seu jeito todo peculiar, se colocou na primeira cabine para ser transportada, graças à evolução tecnológica-musical, à cabine número dois. Mas ninguém percebeu que uma pequena e saltitante Avril Lavigne também entrou na cabine número um. Seth puxou a alavanca e correu para a cabine onde as garotas estavam. Vazia, o teleporte foi um sucesso. Se dirigiu para a outra cabine e abriu a porta, gelo seco impedia sua visão. Eis que um corpo feminino passou a ser distinguido por entre a fumaça, porém não era sua amiga Debbie, tampouco a serelepe Avril, quem apareceu foi Maja Ivarsson, com suas belas pernas a mostra. Maja (que por pouco não virou inimiga dos Comandos em Ação) juntou-se com Felix Rodriquez, Fredrik Nilsson, Jesper Anderberg e Johan Bengtsson, os rockeiros mais fashion da Suíça, para fazer um new wave dançante.

Não espere por nada muito profundo ou complexo no trabalho de The Sounds. Músicas curtas, guitarras bem colocadas ("Queen Of Apology"), teclados constrangedores (início de "Ego", "Much Too Long" e da sexual "Tony The Beat"), letras do simples ao banal, canções bem ritmadas, vocal grudento, tudo isso muito bem produzido, ideal para tocar em alguma radio ou festa indie. Este álbum representa o que há de mais pop no mundo underground, e não seria estranho, daqui há alguns anos, a banda emplacar alguma de suas músicas quero-ser-hit nos meios comerciais. De qualquer forma é um grupo jovem, que merece atenção (ou não), e algum dia pode fazer algo mais interessante do que um glam-pop-poser-rock para dançar nas baladinhas da Augusta.


Para download "Dying To Say This To You" lançado no Reino Unido, com seis faixas bonus, entre elas dois remixes. De qualquer maneira, vale pela capa.

Download (mp3 - 16 faixas - 79)

:: The Pillows ::


Mais uma pra categoria nerd. Dessa vez trata-se de uma banda conhecida através de um anime insano chamado フリクリ, ou FCLC, ou Fooly Cooly, mais comumente conhecido como Furi Kuri.

The Pillows, formada em 1989 (mantém até hoje sua formação original, com excessão do baixista), mistura muito bem J-Pop, Power-pop (termo que aprendi com o Lux Lúcio, também conhecido como Dirty Little Dummie e raramente chamado de Eduardo) com Indie-rock, indo desde um som mais sujo e agressivo até um pop-rock marcante, cantado sempre em japonês com apenas algumas frases, geralmente o refrão, que dá nome às canções, em inglês. Porém é ai que reside o problema, o vocal. Todas músicas soam perfeitas até se ouvir uma voz fanha e desempolgada (peguei um pouco pesado) do guitarrista Sawao Yamanaka.

Mas o instrumental conscistente, com riffs espertos e o ótimo punch na guitarra de Yoshiaki Manabe (juntamente com a de Yamanaka) somados à bateria de Shinichirou Sato, produz ótimas baladas e porradas que sempre soam como aquela gravaçãozinha mal feita, no melhor dos sentidos.

Então bate aquela dúvida, mas será possível rock cantado em japonês? Depois de passado o estranhamento, e preconceito, inicial é fácil se acostumar com o idioma nipônico nas músicas, pena não dizer o mesmo da voz de Yamanaka (que parece cantar em um videokê). Não desista na primeira nem segunda tentativa, vale a pena conhecer Happy Bivouac ou a trilha do anime por músicas como "Crazy Sunshine", "Black Seat Dog", 'Funny Bunny" e todo o resto pra variar.


Aproveito para encaixar, nunca tarde demais, na série desse blog Turismo Inter-Planetário da Depredando S/A, viajando hoje pela maravilhosa ilha do Pacífico Norte, Japão.

Download: The Pillows - Happy Bivouac (1999) [79mb]
Download: The Pillows - Fooly Cooly OST 3 (2005) [96mb]

quarta-feira, 16 de julho de 2008

:: welcome aboard! ::

A família Depredando saúda e dá as boas-vindas ao mais novo membro da gangue, o grande Fabricio Boppré, nosso (pasmem!) correspondente em ***Paris***. Esse blog tá chiquérrimo e pra lá de globalizado, falaí! :) Pra quem não sabe, há anos o Fabricio escreve só material fino para um dos web-sites musicais mais bacanas e clássicos da net brasileira, o Dying Days, verdadeira enciclopédia sobre o grunge e as bandas que marcaram o rock nos anos 90. Atualmente em estado de reformulação, a D.D. promete retorno para logo logo - volta triunfal que aguardamos com ansiedade. Enquanto isso, o Fabricio promete fazer contribuições eventuais para o Depredando o Orelhão, conforme permitir seu atribulado e très chic cotidiano parisiense. Um grande salve para o novo depredador! =D

Vampire Weekend (2008)


por FABRICIO BOPPRÉ
(corresponde internacional,
exclusivo para o Depredando)


Surpreendentemente agradável a meia horinha de música deste primeiro disco do Vampire Weekend, banda de Nova York que contabiliza até aqui dois aninhos de vida. Mas são dois aninhos bem vividos e frutíferos. Resumir a trajetória dos rapazes é moleza, então lá vai: se conheceram na Columbia University e por lá, pelo visto, costumavam tirar um som entre as aulas e as farras (porque, se você assiste aos filmes de Hollywood, sabe que nos EUA as duas coisas tem peso e frequência de ocorrência iguais na vida de um universitário, certo?). Soltaram uns singles prestigiosos, ganharam fama no mundo virtual, e com o passar dos meses, dos shows, das farras, e dos singles prestigiosos, a fama foi agravando-se para o mundo real. E, claro, não dá de omitir: apareceram na capa na Spin. Grande merda? Não se atentarmos para o fato de que nunca antes na história da revista uma banda havia figurado na capa sem ter ainda um full-lenght lançado. Os vampiros foram os primeiraços. Terminaram seus cursos e investiram na produção do debut, desta vez dividindo o tempo com seus empregos, que nem devem ter durado muito.

Para ler uma biografia um pouquinho maior do que a minha, clica aqui (já fica registrado o devido crédito para a fonte das informações do parágrafo acima).


O show foi legal, tocaram somente músicas do primeiro disco. Porque só tem esse mesmo.

Mas eu disse que o álbum é surpreendentemente agradável pois eu, como de costume, alheio a todo o paparico internético sobre novas bandas, fui ouví-los somente pouco tempo atrás, quando nas vésperas de um festival que eu iria assistir e eles estavam escalados (Main Square Festival), achei por bem experimentar para saber do que se tratava. E acabei achando o sonzinho totalmente desprovido de graça, fraquinho, num primeiro momento. Mas alojou-se uma pulguinha atrás da orelha - e aqui vai uma comparação indireta, uma lembrança - mais ou menos como ocorreu quando o Pinback me veio com aquele sonzinho frouxo, cheio de buracos. E, não muitas audições depois, passei a amar o Pinback. Nada mais justo então dar mais uma chance a estes vampiros inofensivos, e o processo foi se desenrolando similar. Até porque respeito e geralmente dedico mais horas a quem faz bem com pouco e sem estardalhaço, e o Vampire segue essa linha minimalista, tranquila. Guitarrinha, teclado, bateria e baixo e os moleques trabalham com isso e nada mais, e fazem bonito, principalmente por botarem a originalidade para guiar as intenções, num mundo em que já há bastante quem apenas refaz o que já foi feito antes (nada contra). Ok, como ingrediente importante e referencial tem ainda o vocal do guitarrista, que emprega sua voz de forma a lembrar um Frank Black ainda impúbere, meio tímido, vez ou outra. E uma última impressão genérica é que os caras ganharam enfim minha simpatia quando saquei que em certos momentos eles soam realmente divertidos, e isso para mim é bem digno de nota, na medida em que a grande maioria das banda que se metem a soar divertidas, na minha opinião, soam no máximo tolas.

Para tentar ser mais esclarecedor sobre que diabos de tipo de música, afinal, faz o Vampire: leio direto por aí que o som deles tem influências de música pop africana, coisa que eu, ignorante, nem sabia que existia. Mas faz sentido. Dadas minhas poucas referências, não tenho como me alongar mais do que já fiz, então fecho a minha primeira indicação para você depredar o seu orelhão (*) sugerindo que, se for para ouvir uma única música (apesar da mamata do download do álbum completo abaixo), vá de Oxford Comma, não tem erro, música boa e universal. Duas? Enfia no orelhão a The Kids Don't Stand A Chance, a última do disco, que talvez entregue idéia melhor do senso melódico diferenciado (afro?) da banda e de como eles o arranjam na manha. Assimilou e gostou das duas, tá pronto então para fechar comigo na aposta de que o Vampire Weekend não vai ser só mais um fogo-de-palha.

(*) Bom, na verdade, se quiser depredar o orelhão no sentido literal, talvez seja melhor apostar no Motorhead logo abaixo. Do Vampire, no máximo Walcott num volume consideravelmente alto pode causar tal estrago.


terça-feira, 15 de julho de 2008

:: Ira! - Psicoacústica (1988) ::


RECEITA PARA SE FAZER UM TRABALHO CLÁSSICO
- por JOSÉ FLÁVIO JÚNIOR -
(Discoteca Básica Showbizz, março de 2001)


- Disposto a indicar um caminho diferente para o combalido rock nacional, o Ira! dispensou o produtor, recorreu a a referências diversas e criou o tão belo quanto incompreendido Psicoacústica -


O terceiro disco do Ira! já foi chamado de tudo: maldito, visionário, ousado, suicida... A começar pela decisão do quarteto de abdicar de um produtor para o trabalho. Apenas os integrantes e o engenheiro de som português (que viraria um megaprodutor no futuro) Paulo Junqueiro seriam suficientes - nenhum grupo de rock nacional nascido nos anos 80 havia feito proposta semelhante às suas gravadoras.

A criação de "Farto de Rock'n'Roll" dá um idéia do clima reinante durante as gravações no estúdio Nas Nuvems, no Rio de Janeiro. O baixista Gaspa chegou com um tema pesadíssimo. A música ficou pronta, mas a letra não saía. Então o guitarrista Edgard Scandurra apareceu com os versos que falavam de "outros sons, outras batidas, outras pulsações" e agrediam o rock de uma maneira inteligentíssima. Nasi não quis cantar aquilo, por julgar ofensivo demais. Pediu para Edgard assumir a bronca, mas não se furtou a demonstrar seus dotes de DJ fazendo scratches na canção, enquanto o baterista André Jung introduzia batuques de samba. Mais tarde o guitarrista confessaria que sua intenção era dar um toque em Nasi e André, envolvidos até o talo com a produção hip-hop da época.

Concluído, o trabalho não deixava dúvidas quanto aos méritos. Os problemas ao redor da obra, no entanto, foram vários. Primeiro: a gravadora não conseguiu achar uma música de trabalho. As faixas eram compridas e consideradas "difíceis". A reflexiva "Pegue Essa Arma" foi a encarregada de puxar o disco e já determinou seu fracasso - apenas 50 mil cópias vendidas, 200 mil a menos que o antecessor Vivendo e Aprendendo.

Segundo: o single seguinte foi o proto-reggae "Receita Para Se Fazer um Herói", cuja letra fora fornecida por um ex-colega de exército de Scandurra, o soldado Esteves. Ele saiu nos créditos, mas cismou de pedir uma grana absurda pela autoria, sob a ameaça de embargar a obra. Paralelamente, uma leitora da BIZZ acusava o Ira! de plágio, pois tinha lido a letra de "Receita..." em um livro de História. O rolo fenomenal só terminou quando a viúva do escritor português Reinaldo Edgar de Azevedo e Silva Ferreira, o verdadeiro dono do poema, foi encontrada.

Terceiro: usar sampler não era algo comum nos anos 80, o que levou Nasi a procurar o diretor Rogério Sganzerla para liberação de frases do seu filme 'O Bandido da Luz Vermelha' (1968) para as faixas 'Rubro Zorro' e 'Pegue essa Arma'. O diretor concordou, contanto que fosse chamado para dirigir um clipe para a banda. A gravadora topou, Sganzerla pediu muito dinheiro, a gravadora deu pra trás, Sganzerla passou a ligar para Nasi de madrugada ameaçando embargar a obra (mais um!).

Apesar de reunir rocks sublimes rocks sublimes como "Poder, Sorriso, Fama" e "Manhãs de Domingo", nos quais o guitarrista abusava de camadas, efeitos e recursos de produção da época, Psicoacústica chocava o ouvinte pela ruptura com o passado recente do Ira!. "Advogado do Diabo", um rap sobre base de pandeiro, foi fundamental para o surgimento do mangue beat. Chico Science era tão maluco pela música que chegou a incluí-la no repertório da Nação Zumbi.

Por ter antecipado tendências e reunir as melhores canções adultas da banda, o disco manteve seu frescor por todos esses anos. Jogou o Ira! no ostracismo, mas isso é só um porém. Nasi confirma: "Faríamos tudo de novo, nunca achamos que tínhamos dado uma bola fora."

DOWNLOAD:

http://www.mediafire.com/?pcn4zmxxhxj

domingo, 13 de julho de 2008

:: The Nightwatchman ::


"He's concerned with the circumstances of others, of the downtrodden and the under-represented, of a general uprising of the oppressed, and so his words focus on this, on the characters he creates. His lyrics aren't overly complicated — simple rhyme-scheme and imagery dominate — but they're highly detailed and affective because of it. He's not trying to give in-depth commentary on globalization or terrorism; rather, he concentrates on the effects these things have on normal citizens, the factory workers, the young soldiers, the teachers..." - AMG All Music Guide

Tom Morello, o mago das guitarras por trás do Rage Against the Machine e do Audioslave, sempre se notabilizou por ser um dos rock-stars dos mais ativos na militância política, sendo um dos mais influentes porta-vozes do bom-mocismo de esquerda no mundo do pop. Sempre incentivando o ativismo e o engajamento da juventude nas tretas geopolíticas globais, na sabotagem do imperialismo e na tacação de tomates pra cima de George W. Bush e todos os descalabros do Império Americano, Tom Morello ataca nesta mesma frente com One Man Revolution. Em seu primeiro álbum solo, ele assumiu a persona The Nightwatchman e fez um álbum bem sussa e essencialmente acústico, bastante diferente da porrada elétrica agressiva que o notabilizou em suas duas bandas principais. É um álbum de música folk em que Morello encarna o cantor de protesto, remetendo ao começo da carreira de Bob Dylan ou ao trabalho de Woody Guthrie, ao mesmo tempo que homenageia o clássico americano Nebraska, de Bruce Springsteen. O vozeirão grave dele não faz feio, e sua competência no violão está fora de dúvida, mas é óbvio que seu talento poético fica longe de chegar aos pés dos grandes mestres do passado. Porém, tudo somado, este é um álbum que merece ser ouvido como um bom cartão-de-visitas para conhecermos melhor a alma e a luta de Tom Morello, que compôs este bem-intencionado e interessante conjunto de manifestos e protestos folk. Lançado, aliás, no intervalo entre a morte do Audioslave e a ressureição do Rage Against the Machine - volta que promete!

DOWNLOAD (mp3 VBR, 57 MB, 14 músicas, 50min.):
http://www.mediafire.com/?ugbmn2r1oct