sábado, 7 de março de 2009

:: The Gits - Discografia Completa ::


A SEREIA RADIOATIVA DO GRUNGE
- Apesar de sua vida breve, Mia Zapata construiu com o Gits um monumento punk na Seattle efervescente do começo dos 90 -

Mia Zapata é mais uma prova viva - ou melhor: prova morta - dos poderes sombrios de um dos números mais assombrados na mitologia do rock and roll: 27. Com esta idade amaldiçoada, perdemos Hendrix, Janis, Cobain e Jim Morrison, só para ficar nos mitos. Os últimos momentos de Mia, outra que se foi aos 27, dariam um belo filme, bem mais punk e pungente do que o retrato moroso e deprezão que Van Sant filmou em Last Days como réquiem para outro roqueiro de Seattle que se foi cedo. Em uma das últimas frases registradas em seu diário, Mia escreveu: "um dia eu serei velha e ficarei devastada por ter conseguido viver tanto". Esse curioso devastated que ela utiliza só reflete uma atitude tão difundida na cena grunge e punk: o lema live fast, die young, que fez com que Kurt também dissesse que preferia morrer antes de virar Pete Townshend. Mia e os Gits também eram pura catarse, urgência e explosão: jovens fazendo punk-rock como se o mundo fosse acabar amanhã com um cogumelo atômico.

Os Gits, apesar dos 3/4 de machos que compunham a banda, acabou, pela intensidade descomunal da personalidade de Mia Zapata, "a santa padroeira do riot grrll", entrando para a história como um dos grupos mais fundamentais da história do "punk de menina". Foi fundamental influência para dúzias de bandas que se seguiriam: 7 Year Bitch, Babes in Toyland, The Distillers, Donnas, Bellrays, Team Dresch, Sleater-Kinney, etc. Formada em 1986 em Ohio, o foguete decolou mesmo em Seattle, num momento em que a cidade estava no epicentro de uma revolução sonora que, estourando os limites do Noroeste Americano, ganhava as paradas e os holofotes do mundo todo. O álbum de estréia da banda, Frenching The Bully, sai quando Nevermind já havia sugado todas as atenções para aquele canto da América onde uma nova juventude perdida e fodida bolava um novo punk.

O álbum é simplesmente um dos mais excitantes, intensos e estupendos álbuns de punk rock nos anos 90. Nenhum álbum do Hole, do L7 ou do Elastica, bandas chefiadas por minas que causaram frisson na mesma época, me parece chegar perto de ser um vulcão tão explosivo quanto o debut dos Gits. A banda tinha tudo para seguir no rastro aberto por Cobain e companhia, tornando-se uma banda grunge adorada por todo o território americano e além. Mas o primeiro álbum acabou tornando-se o último. Mia Zapata, em Julho de 1993, foi estuprada e assassinada ao voltar de um boteco em Seattle para casa.

(Conta a lenda que, no último diálogo com seu pai, Mia ouviu um mimo paterno bonitinho: "Ainda que você não venda um mísero disco, será para sempre minha superstar". Conta-se que pai e filha se separaram aos carinhos, trocando juras de amor e gratidão. À noite, a polícia ligava para o orgulhoso paizão para informar que o vôo em direção a estratosfera que o foguete Mia ensaiava tinha sido para sempre cancelado.)

O caso chocou toda a comunidade cultural na cidade e além: gerou discursos de inflamada indignação de várias personalidades da cena, uniu dúzias de artistas numa álbum tributo de protesto (The Art Of Self Defense) e trouxe como consequência a criação de uma ONG em Seattle, a Home Alive. Mais três álbuns dos Gits foram lançados postumamente, reunindo gravações ao vivo, raridades, lados B e aquilo que a banda já havia registrado em estúdio para o que seria o 2o álbum. Como acontece tão frequentemente, uma morte precoce, ao invés de destruir o legado de um artista, torna-o ainda mais mitológico: no caso de Mia Zapata, ela não precisou de mais de 27 anos para ser canonizada a diabinha mais brilhante do Riot Grlll e uma das maiores vozes punk da década.


Vincent Jeffries escreve: "This event sensitized many female artists (especially musicians in Seattle, the West Coast, and all of America) to the paradoxical twists inherent in their expressions of this new philosophy and lifestyle of empowerment. Unfortunately, no amount of rage, street smarts, or outwardly "unfeminine" physicality could dissuade evil men from imposing their will upon even the strongest women within their own ranks. Living a nightlife, working as equals with men, sharing and being rewarded for their alternative ideas about sexual politics and gender roles, it is no doubt that a large group of young female musicians and artists became emboldened (possibly to a degree dangerous to their own safety). While emotionally empowering, this riot grrrl ethos carried no exemption from the physical dangers women have tragically encountered and endured throughout history. The loss of Zapata was symbolic in that it reminded many just how far they still had to go before their own gender would cease to be a weapon, with ultimate potential, that could be used against their own invaluable personage.

Realizing this, friends of Zapata, including 7 Year Bitch drummer Valerie Agnew and visual artist Stacey Westcott, founded Home Alive, an organization created to educate and fund self-defense. Among their efforts, Home Alive released a CD, The Art of Self Defense, that featured recordings of Zapata, Joan Jett, Pearl Jam, Nirvana, and many others. The organization has also held benefit concerts, using all profits to conduct and fund self-defense classes and seminars. Inspired by Zapata's music (and tragic death) Jett didn't stop with her contribution to the Home Alive release, she also made a critically acclaimed music video in which she portrays a stalking victim not unlike Zapata and in 1996, Jett released a record with the surviving Gits under the moniker Evil Stig ("Gits live" spelled backwards).

Although there is no doubt about the tragic scope of the Gits and Mia Zapata, it is comforting to know that the deceased singer's talent and personality inspired something positive. The result of her death was not just suffering, but awareness, and at least a call to action. It's not been specifically documented whether that call has saved any lives, but it's comforting to think that it is possible. Zapata's energy, charisma, and strength helped create an identity — an artistic, feminine, urban quintessence, to be cherished and fought for — that is sadly lacking in so many faceless statistics."

* * * *

DOWNLOADS:

"FRENCHING THE BULLY" (1992)
http://www.mediafire.com/?qn2gy3jyjmo


"ENTER: THE CONQUERING CHICKEN" (1993)
pt1: http://www.mediafire.com/?jyynetwimzo
pt2: http://www.mediafire.com/?cm1mtgmu3jw


"KINGS AND QUEENS" (1995)
http://www.mediafire.com/?5gmn0yymtzm


"SEAFISH LOUISVILLE" (2000)
http://www.mediafire.com/?32nid4znoiy

sexta-feira, 6 de março de 2009

quarta-feira, 4 de março de 2009

:: Pitchfork 500 ::


Um dos "livros de rrróque" mais bacanudos lançados na gringa no ano passado foi esse guia, The Pitchfork 500, que eu curtiria horrores ganhar de aniversário de alguma alma caridosa (doce ilusão!). Nele, os nêgobão lá da Pitchfork, talvez a mais conceituada revista de música alternativa na Internet, elegeram 5 centenas de músicas, do Punk até agora, que fizeram história, recriaram estilos, inauguraram tendências ou são simplesmente boas pra caralho. Na falta da gaita para adquirir o livreto ilustrado importado, inda mais em tempos de crise, contentem-se em baixar as 500 danadas, em 3 gigabaites e pouco, neste torrent aqui. Seguindo o link, também se acha a listinha de todas as canções selecionadas. Bela travessia!

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

:: The rock'n'roll always wins ::

* por Francine Micheli

Enquanto um colocava a bateria abaixo a baquetadas certeiras, o outro fazia tremer o chão com os graves. Também tinha os riffs guitarrísticos junto às frases matematicamente tocadas no teclado e um vocalista pronto pra demolir o estúdio cantando uma canção chamada "Don't Break My Heart". Estava formada uma das bandas indies mais admiráveis da Austrália que já ganhou a América, Canadá e UK, rodando o resto do mundo numa turnê pelas Nações Unidas. Chiqueza.

Nada espantoso ou novo até o ponto em que se olha mais a fundo esse sexteto nascido das águas alternativas de Melbourne, que viaja com doações e patrocínios de empresas e pessoas.

Repare. Cinco deles são considerados mentalmente ou fisicamente incapacitados, incluindo aí autistas, uma portadora de síndrome de Down e outras síndromes graves, cegos e por aí vai. O sexto membro, o guitarrista e backing vocal, é o terapeuta Rohan Brooks, conhecido como o maluco que colocou deficientes pra fazer um som de responsa como terapia e acabou transformando-os em rockstars, propriamente dito.

Rudely Interrupted é uma daquelas coisas que, quando ouvimos - e vemos - é capaz de encher nosso peito com um sentimento grandioso e que vaza pelos poros como se não se coubesse em si, nos dizendo que a música é senhora do universo e que nela, sim, tudo pode.

Alguns críticos australianos definiram a música de Rudely Interrupted como uma das mais originais e enérgicas do rock'n'roll underground do país e, jogando mais confete no carnaval desses meninos, eles foram a atração principal do dia do deficiente em New York, dezembro passado. Pronto, ganharam a atenção da mídia, o reconhecimento do público e o queixo caído dos incrédulos.

Conhecer música nova já é coisa demasiado prazerosa. Conhecer música boa surgida em meio aos espinhos do impossível, é quase uma experiência transcendental. Assistir à banda e sentir o poder de acordes montados com amor sublime é obrigatório, nem que seja pelo You Tube.

Rory Burnside (21) canta como se todas as suas agonias se desfizessem ali mesmo e pra isso, ele nem precisa dos olhos que a natureza lhe privou de ter. O baterista diz que desenvolveu seu senso ritmo ouvindo rádio em casa e treinando com panelas e baldes. Todos, sem exceção, amam estar no palco e fazer música de forma simples e complexa ao mesmo tempo, ora viajando entre tons de Joy Division, às vezes passando pela loucura do Foo Fighters. They rock, é fato.

"Green lights" é minha canção preferida. Uma narrativa de como eles se sentem com as luzes coloridas. Frio com o azul, quentinho com o laranja. Tão isso, tão simples.

Coisa que só dá pra acreditar vendo. Ou ouvindo. Melhor dizendo, sentindo.

Vá lá --> http://www.myspace.com/rudelyinterrupted


segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

:: The OneUps ::



Já realizei quase todos os meus sonhos juvenis que envolviam projetinhos de bandas de garagem. Começando com minha primeira banda de punk-ska, depois com a cover de tão somente Rage Agaisnt The Machine e hoje enlouquecendo com o baixo insano de Rancid, sem contar um projetinho semi abandonado de versões-aceleradas-de-hits-grudentos (que já valeu por ter tocado Roxette e Ace Of Base). Só um projeto ficou pra trás, o de versões instrumentais de músicas de games. Em homenagem a esse projeto dedico esse post.

Eu apresento aqui o grupo The OneUps, Dave Mathews Band dos covers de games. Mas antes faço uma introdução de outras bandas que tiveram (e executaram) essa minha idéia, tão original na época. Coisas muito bacanas pra quem sente nostalgia em relembrar as musiquetas com três canais de áudio.

A mais antiga, que conheci em 2000, é Minibosses. Batera, baixo e duas guitarras tocando versões sujas e aceleradas de clássicos do Nintendinho 8 bits. Som tão cru que as vezes dá a impressão de alguma coisa estar desafinada. O destaque deles fica pro sensacional meddley de Mega Man 2 (para aqueles que conhecem, claro). Mp3s disponíveis no site da banda.


Outra que conheci há uns anos foi Grospixels, que já não se restringem à era 8 bits. Aqui o cuidado na produção é maior e há outros elementos além da tradicional cozinha e guitarra, como piano e violão. Versões interessantes de Out Run, Silent Hill e Sonic.

Depois apareceram os brasileiros fazendo igual. O Megadriver com sua guitarra peculiar, os mineiros do 8 Bit Instrumental e os estudantes de música do Gameboys que merecem uma atenção especial. Até o irmão de uma amiga também estava nesse meio e eu nem sabia.


Porém o grande destaque na produção e criatividade dessas interpretações fica com The OneUps. Mesclando as músicas dos jogos com ritmos de diversas partes do mundo, suas versões são agradáveis até para aqueles que nunca colocaram a mão em um joystick. Monkeys (Mario Paint) passeia por ritmos latinos, assim como Bossa De Link (The Legend Of Zelda) tem influência da nossa Bossa Nova e Andy Asteroids (Earthworm Jim) é dominada pelo violino country. Mas o ponto alto são as versões cheias de groove de Toe Jam Jammin' (Toe Jam & Earl) e Bomberman, e da relaxante Aquatic Ambience (Donkey Kong Country).

Além das 16 canções do álbum, mais 5 bônus estão disponíveis no download, entre elas Super Mario's Sleigh Ride e Donut Lifts, ótimas versões das já clássicas músicas de Super Mario World 1 e 2.

Este é o primeiro disco da banda, que lançou em 2008 o Volume 2, álbum duplo, a venda no site oficial: http://www.oneupstudios.com/. Algumas versões podem ser conferidas no myspace: www.myspace.com/theoneups.

Download (21 músicas - 102 MB)

domingo, 22 de fevereiro de 2009

:: da série PÃO QUENTINHO ::

VETIVER - "Tight Knit" (87 MB)
http://www.mediafire.com/?ijd2khujjzm
(freak-folk bacanudo, meio devendra!)

ROBYN HITCHCOCK - "Goodnight Oslo" (56 MB)
http://www.mediafire.com/?zjew2ymuwz3


BEIRUT - "March of the Zapotec" EP e "Holland" EP (52 MB)
http://www.mediafire.com/?nc01jzq2jjo
(quem assistiu 'capitu' sabe qualé!)

ANNEKE VAN GIERSBERGEN - "Pure Air" (74 MB)
http://www.mediafire.com/?m4mkz1mgzed
(vocalista do The Gathering em disco acústico)


o 'hino' de capitu e bentinho:

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

:: Machito ::



:: MACHITO, "Kenya" (1957) ::

Nos anos 40, Machito e a sua orquesta criaram uma onda de mambo-mania, misturando os ritmos afro-cubanos com o jazz americano. O homem à frente do grupo, Frank Grillo, também conhecido como Machito, cantava e tocava maracas, enquanto o diretor musical Mario Bauza guiava a polinização entre os sons das grandes bandas de referência e a tradição musical afro-cubana. Bauza há muito que ambicionava criar uma banda latina de referência, que fundisse os sons fogosos e contagiantes das orquestras que ouvira em Cuba, onde cresceu, com a articulação melódica de Duke Ellington, que ele tinha assistido no Harlem. Tendo chegado ao Harlem aos 19 anos, Bauza tinha tocado saxofone e trompete nas bandas de Chick Webb, Don Redman e Cab Calloway.

Composições originais arrojadas e arranjos realizados por Bauza e René Hernandez, que neste álbum se ouve ao piano, Chano Ponzo e AK Salim (um reconhecido compositor de jazz) definem esta jóia preciosa que não recebeu a notoriedade que lhe é devida. Os convidados especiais Cannonball Adderley, Doc Chestham e Joe Newman oferecem sólidas improvisações de voz que podem ser detectadas em coros sucintos, mas harmoniosos e irresistíveis. O tema de abertura do álbum, "Wild Jungle", deixa transparecer o deleite desfrutado pelos percussionistas. José Mangual (bongos), Uba Nieto (címbalos), Candido Camero (congas) e Carlos 'Patato' Valdés (congas) propulsam as peças musicais. "Holiday" e "Blues À La Machito" fundem o blues e o swing com o trabalho excepcional da orquestra. "Tin Tin Deo" é uma estimulante mostra da influência que o jazz latino exerceu em Pozo.

A orquestra de Machito tinha lançado os alicerces para aquilo que o jazz latino viria a ser. O tema instrumental "Kenya", que demonstra a mais veemente influência africana, é um marco importante na trajetória do grupo. (1.000 DISCOS PARA OUVIR ANTES DE MORRER)

DOWNLOAD (51 MB, mp3 de 192kps):
http://www.mediafire.com/?mimjwdijqtj

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

:: da série PÃO QUENTINHO ::

Lisa Hannigan - "Sea Sew"
http://www.mediafire.com/?yeo0mzgy5wy
(é a mocinha que cantava com o Damien Rice)



Chris Cornell - "Scream"
http://www.mediafire.com/?he4vnmn2nlo
(disco meio tosco... melhor pegar o crássico!)



...Trail of Dead - "Century of Self"
http://www.mediafire.com/?j2wb2zn2jzz



Andrew Bird - "Noble Beast" (Deluxe Edition)
disco 01: http://www.mediafire.com/?u2twloj4jot
disco 02: http://www.mediafire.com/?nwckjzowdot

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

:: Dirty Pretty Things ::

A Puta Perdida
- por Bernardo Santana -

Após o final do Libertines, uma das bandas mais adoradas da década na Inglaterra (e das pessoas que queriam ter nascido na Inglaterra…), uma das duas cabeças do monstro saiu do eixo. Ficou louca, doida mesmo, pinel, fora da casinha. No caso, estamos falando do guitarrista/cantor/chave-de-cadeia Pete Doherty, a manchete preferida dos The Suns, News of the Worlds e Daily Stars da vida. Foi em boa parte graças à publicidade gratuita trazida por estes e outros tablóides ingleses, que Doherty conseguiu emplacar uma carreira até que meia boca de sua banda posterior, o Babyshambles. Apesar de ter se mostrado bem aquém do resultado perfeito dos discos do Libertines, os BS logo estavam populando paradas, programas de rádio e a mídia “alternativa” de todo o globo. E infelizmente, também estavam ofuscando o ouro que era o Dirty Pretty Things.



Carl Barât, outra cabeça do tal monstro e fundador dos Things, sempre foi o antipático da turminha. Enquanto Doherty era o loucão, o batera era o simpático e o baixista fazia figuração, Barât esbanjava carranca pra todo lado. Um ótimo exemplo disso foi a passagem apagada do próprio Libertines pelo Brasil. Tanto nos shows que fizeram quanto nas aparições na televisão (Altas Horas com Serginho Groisman!!?), o guitarrista não parecia nem um pouco a fim de estar onde estava. Talvez fosse reflexo da saída ainda recente do amigo Doherty da banda, mas o que se viu era um artista de desempenho frouxo e cantando o cansaço e o desânimo. Nada mais longe da verdade…

Este primeiro disco dos DPT, lançado em 2006, mostra a cara real de Barât. Melancólico e ressentido, sim, mas ainda assim, um puta músico e compositor. Talvez seja injusto dizer que ele fosse a metade criativa de sua banda anterior, mas a julgar pelo trabalho pós-Libertines, seu trampo fica, sim, a anos luz do feito pelo ex-parceiro. Desde as referências ao Clash dos bons (muito mais claras aqui do que nos discos dos “putinhas”), até aquelas guitarras confusas, mas estranhamente carismáticas, está tudo aqui. Punk, pós-punk, um pouco de reggae, e a assinatura indefectível das bandas pós-Strokes, jogados no mesmo balaio.

Ao lado do baixista Didz Hammond, ex-Cooper Temple Clause, Carl Barât compôs este Waterloo To Anywhere espumando pela boca pra provar que era capaz. As letras dão muitas vezes um tom de amargura claramente inspirado no divórcio litigioso que deu fim à sua primeira banda, como no single-chiclete Bang Bang You’re Dead (I knew all along/That I was right at the start/Bout the seeds of the weeds/That grew in your heart/(…)/Well I gave you the Midas touch/Oh you turned round and scratched out my heart).

Mas essa postura ranzinza não contamina o som de jeito nenhum. Muito pelo contrário: o disco é um daqueles raros exemplares de bolachas ensolaradas que passam sem um momento medíocre, seja em nome da “experimentação sem inspiração” ou da incompetência mesmo. Os pontos altos são vários, Doctors and Dealers, com refrão empolgante, o reggae cheio de passagens The Gentry Cove, o punk um pouco mais ortodoxo de You Fucking Love It, o climão de If You Love A Woman… Quaisquer, e QUAISQUER mesmo, das músicas poderia ser colocada aqui como ponto alto.


Infelizmente, o Dirty Pretty Things acabou se tornando (mais) um projeto fracassado de Barât, após um segundo disco menos inspirado. A banda encerrou suas atividades no ano passado, alegando que os membros se dedicariam a “coisas novas que não são o Libertines”. Deixaram como testamento um dos melhores registros de rock da década, sem dúvida, e a torcida para que esse inglês carrancudo mantenha uma constância de qualidade em seu próximo projeto. Porque, seja lá ele qual for, vai valer a pena esperar.

sábado, 7 de fevereiro de 2009

:: o novo Sepultura ::

A Clockwork Band
- por Ana Alice Gallo -

* atenção: se você não viu o filme ou leu o livro “Laranja Mecânica”, esse texto contém spoilers (ai que chique isso, não?)


Uma pessoa/entidade/banda é capaz de suportar mudanças bruscas de personalidade? Mesmo que essa alteração seja feita de forma abissal e violenta? A questão que norteia o livro “Laranja Mecânica”, de Anthony Burgess, pode ser feita também ao Sepultura. A banda, que se apóia sem sua espinha dorsal original, lança “A-Lex”, álbum baseado na obra de Burgess e que chega para responder com um sonoro “sim” a essa pergunta.

O grupo curtiu a idéia de fazer projetos em cima de grandes marcos da literatura, mas pra isso eles não precisaram se distanciar muito do jeito Sepultura de ser. Os álbuns contam basicamente com uma primeira parte longamente construída em cima de peso, com letras furiosas a respeito de temas como violência, tormento e decrepitude, e um segundo momento mais leve, experimental, que muitas vezes norteia alguns elementos de trabalhos vindouros. Em “Dante XXI”, o antecessor de “A-Lex”, o grupo se debruçou na Divina Comédia e construiu um verdadeiro épico, instrumentalmente mais dark e elaborado, com passagens sonoras demarcando os ritos de entrada no inferno, no purgatório e no céu. O trajeto acompanhava os círculos narrativos do livro, mas não fugia do formato dos trabalhos da banda.




Já em “A-Lex”, a roupagem crua e urgente transpira a contemporaneidade da obra “Laranja Mecânica”, focada na ultraviolenta vida do protagonista, que vai da capacidade de morte e estupro à total apatia induzida por tratamentos desumanos. O que se vê aqui, no entanto, é um Sepultura simples e eficiente, com músicas poderosas, bem pontuadas, feitas para que o pogo da platéia expurgue a jornada destrutiva e subversiva de Alex. Não é um álbum para ser contemplado, e sim para ser transformado em catarse coletiva no local onde a banda reina: o palco, os shows, com a energia dos fãs.

Dividido em 4 partes, assim como o livro, “A-Lex” começa com músicas que lembram os áureos tempos de “Chaos A. D.”, com destaque para “Moloko Mesto” – para quem não se lembra, “moloko” é o leite que Alex e sua gangue ingerem antes de cometerem atrocidades cidade afora. Dessa primeira parte, “Filth Roth” também surpreende por trazer os elementos tribais que se tornaram marca da banda e não soar deslocado mesmo em uma narrativa urbana.

“Alex II” marca a entrada do personagem no tratamento de lavagem cerebral que o deixará totalmente apático e dessa fase pode-se esperar cabeças voando em “Forceful Behavior”, candidata a hino fácil. “Sadistic Values” explora mais as nuances da tortura de Alex quando ele é devolvido ao mundo real e surrado por quem um dia sofreu de sua violência. Já para trilha sonora do momento de desforra social do protagonista, que acontece na fase III quando ele retorna à delinqüência, a banda se permite explorar mudanças de ritmo e brilha com “Strike”, mas exagera na pleonástica “Ludwig Van”.

O filme de Stanley Kubrick, igualmente baseado no livro, terminaria aqui. Mas a obra literária conta com uma quarta parte de transcendência, quando o personagem decide seguir seu caminho e é a própria “Alex IV” que dá conta de passar a mensagem.



Ser grande e inteiro

A saída de Max Cavalera logo após o aclamado "Roots" deixou o grupo sem um de seus alicerces. “Against”, o álbum que se seguiu, continha composições mais fracas e o vocalista Derrick Green demorou mais para adensar o caldo sonoro do Sepultura do que para aprender palavrões em português e torcer pros times brasileiros. O que se viu, no entanto, foi uma banda renovada emergir nessa mudança. Andréas tomou as rédeas dos riffs e eles foram ganhando um corpo próprio. O alicerce que restava, no entanto, dominava o ritmo. Iggor Cavalera pontuava cada uma de suas velozes notas e muitas vezes comandava a música. Se aproveitar o virtuosismo do batera era um deleite, a Sepultribe no entanto ficava sem hinos de guerra ao ver os riffs submetidos às constantes mudanças de andamento de Iggor. A própria mixagem deixava a bateria em primeiro plano e chegava a ofuscar momentos brilhantes de guitarra que não fossem solos.

Jean Dolabella, que entrou para apoiar o alicerce deixado vago quando Iggor saiu, está longe de ter a velocidade e a força do Cavalera, mas isso não é realmente ruim. Virtuoso e extremamente competente, Jean dá corpo a uma parede sonora que, enfim, faz do Sepultura uma banda equilibrada novamente. Com direito a violência, delinqüência, sutilezas sonoras e muita, muita energia. Como uma obra completa deve ser.


DOWNLOAD: http://www.mediafire.com/?tnjylfiixyg

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

:: móveis coloniais de acaju ::

PUTA QUE O PARIU!
- impressões chapadas sobre o móveis ao vivo -

“Móveis Coloniais de Acaju” é uma mistura de Kusturica com Hermeto, um pouco de Cuba com macarrão. Um pouco de Paulista sendo de Brasília, um pouco de Brasília sendo do Brasil, um pouco do mundo sendo da Terra e, por que não, um pouco de Karnak com Los Hermanos. Um pouco de Pato Fu com amendoim. Um pouco de móveis com cabelo, um pouco de sorte com pensamento, um pouco de dor com amor, um pouco de Solidão com quarto e sala com fiador. Gorbachev com Copacabana. Samba de russo, pagode de cego com Tom Waits. Se fosse Teatro seria Tadeus Kantor, se fosse Foto seria do Rodchenko, se fosse esquilo não sambaria . (André Abujamra)


Puta que o pariu. Em cima do palco, os malucos são uns alucinados. Um show do Móveis Coloniais de Acaju é pura catarse: são tempestades de energia bruta, fazendo rios de suor coletivo correr, gerando uma excitação que corre quente nas veias, banhando os tímpanos em uma música que os deixa em estado de Êxtase. Definir o som da banda, além de tarefa ingrata, seria um mutilamento: o Móveis é skacore de desenho animado, é jazz de big band no séc. 21, é rock and roll de maconheiro, é samba-funk assado num caldeirão cool, é punk-rock reinventado por uns hippies, é poesia lúdica e fina ironia e calafrios na espinha e montanha russa e churrasco com uma geladas e uma pelada de futebol e quase um livro do Rabelais... Uma verdadeira "feijoada búlgara"!

O vocalista parece um molecão anfetaminado que pula, se contorce, se alucina, se esgoela e se esparrama pelo chão e pelos ares, sempre com a energia no talo, como um coelho da Duracell chapadaço que tá sempre com as pilhas repletas. É tão cool que dá até raiva. Faz qualquer outro "líder" de banda nacional ficar parecendo um tímido sem sal que ainda precisa passar por um Curso Intensivão de Como Ser um Showman Do Caralho. Ele canta como faria um Frejat punk e desencanado, um Amarante de cabelo-sujo, um Devendra Banhart mais extrovertido, ou sei lá que porra... Sei que é absolutamente sensacional.

Os caras dos metais, pisoteando os clichês que dizem que os músicos devem ficar quietinhos num canto do palco, saem correndo feito uns insanos, fazem micagens e macacagens, bolam dancinhas curiosas, arriscam altas caretas, e tudo com a sonzeira rolando. A porra toda é tão divertida! A banda inteira parece morrendo de tesão de estar ali, envolvida nesta Experiência Coletiva Fuderosa que apaga os contornos entre público e artista e nos junta a todos na mesma festa, no mesmo lugar do caralho, "todos juntos numa pessoa só" (como diriam os Mutantes sob LSD). Num show dos Móveis, nem é preciso ácido para que estejamos todos juntos numa pessoa só. E isso é um dos maiores elogios concebíveis que se pode fazer à performance ao vivo de uma banda.

Os putos fazem a gente perder a noção. Fazem a galera pogar até chegar nos hematomas e pular até quase bater a cabeça no teto mesmo quando estão tocando - pasmem! - uma cover do PORTISHEAD! Quando o microfone falha e a voz emudece, como ocorreu em "Perca o Peso", no último sábado, no SESC Pompéia, eles não perdem o rebolado e descobrem, embasbacados, que a multidão inteira supre a falta da voz com um coro animal - só lembro de uma coisa dessas no show de despedida dos Los Hermanos, e olhe lá. Para uma banda independente de um disco só, eles já tem um leque de "hits" junto aos fãs que é sensacional: são dúzias e dúzias de vozes que cantam junto com "Menina Moça", "Copacabana", "Seria o Rolex" e tantas outras. Tendo a chance, não percam por nada: o Móveis tem um dos shows mais excitantes, entusiasmantes, pogáveis e lavadores-da-alma que eu já tive o prazer de Experenciar.

"Nós não somos uma banda, somos uma COMUNIDADE HIPPIE", brincou o vocalista numa entrevista. Mas o Móveis é mais: de looonge, uma das bandas mais sensacionais do Brasil, hoje, com um disco de estréia que, sem dúvida, está entre os grandes álbuns da música nacional nesta década que está se acabando. Em Março eles estão de volta, com o aguardado segundo álbum, que vai ser disponibilizado para download gratuito pela Trama Virtual. E nem sinal de cupins roendo o coração destes flamejantes móveis coloniais!

download: http://www.mediafire.com/?m12mz52ldem (76 MB)
myspace: http://www.myspace.com/moveis
trama: http://tramavirtual.uol.com.br/artista.jsp?idp=748584


domingo, 1 de fevereiro de 2009

:: novo colunista! ::


ÁLBUNS E CARTÕES POSTAIS
por DIOGO SOARES
(exclusivo para o Depredando)


Saudosismo é uma merda. Ítalo Calvino, em Cidades Invisíveis, trata do assunto de maneira ácida e tenaz. Para ele os velhos cartões-postais de uma localidade serviriam como artifício perfeito para uma crítica saudosista, por que ao mesmo tempo que temos as imagens da cidade provinciana, o cartão é capaz de desentranhar a história desses locais e então limpar caminho para uma daquelas famosas frases: "No meu tempo era melhor".

Quais os limites de uma comparação entre álbuns e cartões-postais? De estarte consigo fazer algumas conexões bem simples que recuperam a crítica de Calvino.

Álbuns são compilações de idéias, costumes e reflexões sobre os mais determinados assuntos, mas não são estes assuntos nem resumem tais assuntos. Isso já demonstra o caráter parcial e subjetivo que toda produção artística emana de sua criação. Só que alguns críticos não reconhecem isso e insistem em categorizar diversos álbuns como "datados". Como se um trabalho fosse representante de uma geração inteira de idéias e ideais. Lembro do Fredric Jameson quando falo sobre os estereótipos das décadas que "criamos" através do cinema. "Ahh, isso é tão anos 50", "ahh, esse piano é sessentista". É uma maneira tosca de encaixotarmos a diversidade. Aliás, bem conservadora, né?

Outra forma de conectarmos álbuns e cartões-postais seria compará-los com bandas e cidades. Uma cidade existe no tempo. Poderíamos, no limite, dizer que existe uma cidade a cada momento. Da mesma forma como "você nunca atravessa o mesmo rio duas vezes". As bandas sofrem o mesmo processo de transformação. Em algumas a diferença é nítida e esperada, como quando se alteram formações ou passam por experiências mais radicais (acidentes, guerras, censuras etc). Noutras, a diferença é imperceptível de um trabalho para outro, sendo apenas visível quando se tem a obra completa em mãos. Isso me faz lembrar outra cobrança dos críticos. É explícita a cobrança que uma banda sofre para igualar ou superar seus sucessos anteriores. O artista então deveria se colocar na posição de sempre agradar ao seu público, guardando a regra "o artista está onde o povo está". Se partimos da idéia do artista mudar sempre, porque sempre esquecemos que o público também muda sempre? O artista ao buscar agradar estaria sempre correndo atrás. Um sir inglês uma vez disse: "É melhor estar na moda uma ou duas vezes na vida, do que ficar sempre um passo atrás dela".

O que Calvino nos alerta é que as cidades e seus cartões-postais tem os mesmos nomes, mas são locais regidos por deuses diferentes. Existem em paralelo, mas seu cotidiano é inusitadamente outro. Os cartões, como os álbuns, são obras que necessitam de um espectador ativo. Um espectador que imprima sua marca e traga para dialogar a sua história. Vem então uma terceira, e última, crítica aos críticos. De que maneira se pode categorizar um álbum como "fácil" ou "complexo", "pra baixo" ou "pra festa"? Esta crítica me diz mais sobre o crítico do que sobre a obra. É a mesma coisa com as cidades. É de surpreender a multiplicidade de opiniões sobre o Rio de Janeiro. Não se sabe o cara tá falando sobre o carioca, sobre a prefeitura, sobre o trânsito, sobre as mulheres etc. Enfim, uma miscelânea.

Agora, qual é o papel de um blog que envia uma série de cartões-postais por aí ao vento, ao léu, sem um destinatário definido? É bem mais complexo do que uma agência dos Correios. Será?

* * * * *

Deixo aqui com vocês uma das cidades do Calvino, Maurília. Retirada do livro "Cidades Invisíveis".

"Em Maurília, o viajante é convidado a visitar a cidade ao mesmo tempo em que observa uns velhos cartões-postais ilustrados que mostram como havia sido: a praça idêntica, mas com uma galinha no lugar da estação de ônibus, o coreto no lugar do viaduto, duas moças com sombrinhas brancas no lugar da fábrica de explosivos. Para não decepcionar os habitantes, é necessário que o viajante louve a cidade dos cartões-postais e prefira-a à atual, tomando cuidado, porém, em conter seu pesar em relação às mudanças nos limites de regras bem precisas: reconhecendo que a magnificência e a prosperidade da Maurília metrópole, se comparada com a velha Maurília provinciana, não restituem uma certa graça perdida, a qual, todavia, só agora pode ser apreciada através dos velhos cartões-postais, enquanto antes, em presença da Maurília provinciana, não se via absolutamente nada de gracioso, e ver-se-ia ainda menos hoje em dia, se Maurília tivesse permanecido como antes, e que, de qualquer modo, a metrópole tem este atrativo adicional – que mediante o que se tornou pode-se recordar com saudades daquilo que foi.

Evitem dizer que algumas vezes cidades diferentes sucedem-se no mesmo solo e com o mesmo nome, nascem e morrem sem se conhecer, incomunicáveis entre si. Às vezes, os nomes dos habitantes permanecem iguais, e o sotaque das vozes, e até mesmo os traços dos rostos; mas os deuses que vivem com os nomes e nos solos foram embora sem avisar e em seus lugares acomodaram-se deuses estranhos. É inútil querer saber se estes são melhores do que os antigos, dado que não existe nenhuma relação entre eles, da mesma forma que os velhos cartões-postais não representam a Maurília do passado, mas uma outra cidade que por acaso também se chamava Maurília."


(Ítalo Calvino - As Cidades Invisíveis: As Cidades e a Memória, 5)

:: welcome aboard! ::

Depredando tem a honra de dar as boas-vindas ao seu mais novo colunista, Diogo Soares, que estreou por aqui com o texto acima. O Diogo, que manja pacas de música e muito mais, estuda Ciências Sociais na FFLCH/USP, trampa com sonoplastia nas apresentações de teatro e dança da Cia Artesãos do Corpo, era vocalista de uma banda no litoral paulista e, last but not least, foi morador da mais mítica das repúblicas estudantis do Butantã, a Cicerolândia (hehe!). Bem-vindo à gangue! :)

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

:: Jongo Trio ::

:: JONGO TRIO (1965) ::

Pérola da MPB pós-Bossa Nova finalmente em CD
por TONINHO SPESSOTO, Bizz de Março de 99


O Jongo Trio - Cido Bianchi (piano, voz), Sabá (contrabaixo, voz), Toninho Pinheiro (bateria, voz) - foi um dos mais importantes grupos do período de transição da MPB entre a Bossa Nova e a geração dos festivais, nos anos 60. Com fortes influências de jazz e da própria bossa, o Jongo fazia música de qualidade, com músicos habilidosos, numa pegada próxima à do também iniciante Zimbo Trio, e os caprichados arranjos vocais, à la Os Cariocas. Foi um estouro, as rádios não paravam de tocar músicas como "Terra de Ninguém" (Marcos e Paulo Sérgio Valle", "Menino das Laranjas" (Théo de Barros) e principalmente "Feitinha pro Poeta" (Baden Powell e Lula Freire). Outros grandes momentos eram a criativa "Seu Chopin, Desculpe" (Johnny Alf) e "Arrastão" (Edu Lobo e Vinícius de Moraes). Este disco ficou fora de católogo por 30 anos e era disputado a tapas nos sebos. Volta acrescido de uma faixa-bônus, um medley dedicado a composições de Dorival Caymmi como "João Valentão", "O Mar", "A Jangada Voltou Só" e "Canoeiro". Um clássico da música brasileira, obrigatório em qualquer acervo. --- NOTA: 10.

* * * * *

CLIQUE MUSIC: Grupo vocal e instrumental formado em São Paulo, no ano de1965, pelo pianista Cido Bianchi (que tocava na boate Stardust), o contrabaixista Sabá (que liderava um trio em outra boate, a Baiúca) e o baterista Toninho (que acompanhava o pianista Pedrinho Mattar). O Jongo fez o circuito da bossa nova (Teatro de Arena, Boate Cave, Teatro da Paramount, o programa de TV O Fino da Bossa), tocou com o violonista Baden Powell (que lhes presenteou com o sucesso “Feitinha Pro Poeta”, parceria com Lula Freire) e acabou sendo convidado para acompanhar Elis Regina e Jair Rodrigues no show Dois na Bossa, que virou LP de muito sucesso. Antes disso, porém, o trio havia sido convidado a gravar um LP próprio pelo selo gaúcho Farroupilha. Ainda em 1965, saiu “Jongo Trio”, que além de “Feitinha Pro Poeta”, trouxe outras músicas que virariam sucesso, como “O Menino das Laranjas” (Théo de Barros), “Terra de Ninguém” (Marcos e Paulo Sérgio Valle) e “Seu Chopin, Desculpe” (Johnny Alf). No ano seguinte, os integrantes do Jongo partiram para outros projetos. Com outra formação – Toninho, Claiber (baixo) e Paulo Roberto (piano) – e outro nome – Jongo Trio e Companhia -, a banda ainda gravaria mais dois discos, em 1970 e 1972. Em 1998, depois de vários anos fora de catálogo, o disco de estréia do Jongo Trio foi reeditado em CD pelo selo Mix House, com um “Medley Dorival Caymmi” como faixa bônus.

DOWNLOAD (mp3 de 192 kps - 55 MB):
http://www.mediafire.com/?omlkyzmavcy

sábado, 24 de janeiro de 2009

:: Red House Painters ::


RED HOUSE PAINTERS – Old Ramon

Acordes dilacerados para animar o tédio dominical
por CARLOS MARCELO, Bizz de Junho de 2001

Respeito é bom, mas grana no bolso é melhor ainda. Por isso, o guitarrista Mark Kozelek topou deixar o cabelo crescer e assumir o baixo no Stillwater, a banda do filme Quase Famosos. Fora da tela, ele brilha há mais de 10 anos no Red House Painters, grupo formado em San Francisco e que marcou o rock alternativo americano dos anos 90 com longas, doloridas e belas canções. Como o finado Jeff Buckley, Kozelek utiliza a técnica como suporte para a expressão de sua criatividade, jamais descamba no exibicionismo masturbatório. Mas é um cara dado a invencionices: já reinventou músicas do Yes, Paul Simon, Genesis, Kiss e AC/DC. Gravado e mixado entre 1997 e 98, Old Ramon ficou na geladeira por 3 anos por conta de problemas com gravadoras. Tanto tempo no freezer não tirou o seu sabor. Pelo contrário, apenas comprovou a atemporalidade das canções. Old Ramons é o disco mais equilibrado dos Painters, com uma perfeita distribuição de pitadas de alt-country (“Michigan”), acordes dilacerados à Crazy Horse (nos onze minutos de “River”), homenagens (“Golden”, dedicada ao caipira John Denver) e até duas novidades para uma banda muitas vezes acusada de monocórdica: a descoberta do pop (“Byrd Joel”) e o ataque de guitarras (“Between Days”). Sem contar os climas melancólicos característicos do grupo, aqui representados por “Void” e “Smokey”. Para ser ouvido no fim de uma tarde tediosa de domingo.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

:: rolê de metrô - volume I ::



:: da série COLETAS DEPREDANDO ::

Já faz um tempinho que eu alimento a ambição de bolar uma "Rádio Depredando", expandindo o nosso Império Criminoso para domínios cada vez mais numerosos. Talvez seja minha saudade de trampar como DJ e a vontade de continuar apresentando ao Povo alguns sons que eu curto, reunidos e concentrados. Como eu num manjo como se faz uma rádio virtual (alguém dá dicas?), nem tenho os talentos necessários de radialista (a Voz Possante e aquela Alegria Saltitante de Monitor de Gincana que faz a glória da criatura nas FMs pops!), decidi iniciar um novo projeto, mais simples: coletas depredísticas exclusivas. O que os cibernéticos chiques chamam, se não me engano, de um podcast. Depredando, pois, além de indicar e disponibilizar discos trimmassa para baixar, também vai começar a fazer "programinhas de rádio baixáveis" apresentando canções firmezura que curtimos e queremos apresentar a nossos seguidores na blogosfera. Isso foi batizado, por hora, de Rolê de Metrô. A idéia é possibilitar ao ouvinte uma travessia pelo que de melhor rola nos subsolos e porões musicais, especialmente no Brasil, na ingênua mas ardente crença de que a salvação está no underground e de que as bandas do mainstream, em sua maioria, merecem pouco além de pedrada. É um verdadeiro trabalho de arqueologia, em que cavamos em busca das pérolas em meio aos porcos, e depois emergimos trazendo-as num pequeno baú de tesouros... Ou, pelo menos falando assim, fico me sentindo Importante.

Pra começar, compartilho com vocês algumas das cancionetas brazucas de bandas desta década que mais curto e admiro. Em uma hora de música, aí vão alguns dos melhores momentos dos novos arquitetos da música brasileira (e cantada em português!): do mastodôntico som instrumental do Pata de Elefante à feijoada búlgara do Móveis Coloniais de Acaju, do groove malemolente do Curumin aos sagazes protestos sociais funkeados de B Negão e Dona Zica, do balanço suave do Fino Coletivo ao bailão sacana da Orquestra Imperial, passando pelo esplêndido novo-folk do Transmissor e do Momo, pela doçura do trip-hop feminil do Bluebell e pelo indefinível magnetismo do fodaço Los Porongas, certamente a melhor banda da história do ACRE (!!!). Finalizamos com este verdadeiro Jazz From Hell para a Era da Eletrônica que é o Guizado, autor de um dos álbuns nacionais mais espetaculares de 2008: Punx. Bom rolê!

01. pata de elefante (RS), "um olho no fósforo, outro na fagulha"
02. móveis coloniais de acaju (DF), "perca peso"
03. curumin (SP), "guerreiro"
04. b negão e os seletores de frequência (RJ), "nova visão"
05.
dona zica (RJ), "protesto pessoal"
06. orquestra imperial (RJ), "ereção"
07. fino coletivo (RJ), "uma raiz, uma flor"
08. los porongas (AC), "nada além"
09.
transmissor (MG), "vem a chuva"
10.
bluebell (SP), "bolas de sabão"
11.
momo (RJ), "irmãos"
12.
lestics (SP), "alguma coisa me diz"
13.
guizado (SP), "sagitariu's dream"

DOWNLOAD: http://www.mediafire.com/?5gjthyqmtww

(Quem quiser dar sugestões de outras bandas nacionais bacanas, que vocês acham que deveriam entrar nos próximos volumes, podem dar os pitacos e largar myspaces nos comments abaixo. E, para o pessoal que tem banda: quem quiser enviar MATERIAL para a Equipe Depredando, para ver se conseguem entrar nas próximas coletas, manda bala.)

sábado, 17 de janeiro de 2009

:: da série PÃO QUENTINHO ::

FRANZ FERDINAND - "Tonight" [63 MB]
http://www.mediafire.com/?tetxu12lgjt


JOHN FRUSCIANTE - "The Empyrean" [160kps - 70 MB]
http://www.mediafire.com/?h0wfwzjetxt



SPINNERETTE - "Ghetto Love EP" [30 MB]
http://www.mediafire.com/?kwozn2ejdtd ou stream no myspace
(nova banda da Brody Dalle, ex-Distillers)



FRIDA HYVONEN - "Silence Is Wild" [66 MB]
http://www.mediafire.com/?2mdymjn3m3j

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

:: Lady Cool ::


*por Francine Micheli - depredando na Nova Zelândia!


E eis que no meio de tanta ovelha, montanhas e a calmaria de um país de quatro milhões de habitantes, surge algo fluorescente e de cabelo loiro enlouquecidamente laqueado, pronto pra dominar o mundo com os raios ultrasônicos de seus sintetizadores.

Se você ainda não se cansou do Cansei de Ser Sexy e adora pular ao som dos eletro-indies que assustam nossos pais, prepare-se para ser atingido em cheio por Pip Brown, mais conhecida como Ladyhawke - tudo junto -, uma mocinha simpática, alérgica a lactose e que se tornou hype pela internê afora com o single "Paris is Burning".

Ouvindo o cd na íntegra (Ladyhawke - 2008), é quase provável que caiamos na tentação de reconhecer algo de britânico no som, ou até uma boa dose de Cindy Lauper no gogó da moça. Mas não se engane, ela é orgulhosamente kiwi - ou, formalmente, neozelandesa - e conseguiu desenvolver sua personalidade em cima de um talento nato (coisa rara, não acha?).

O disco, ao todo, é cheio de referências oitentosas e juro, dá vontade de chamar os amigos pra uma festinha em casa. Preste atenção também na faixa "Magic" e visualize os garotões do Pet Shop Boys aplaudindo-a de pé. Já "Back to the Van" vai entrar na sua cabeça e te fazer acordar de madrugada cantando o refrão. Provando não ser somente mais uma garota cool despontando por aí, Lady Hawke é a compositora de todas as suas canções e tocou todos os instrumentos do seu disco. Quer mais?

Digamos que por aqui revistas e jornais se estapeiam para conseguir uma entrevista com ela, visto que a agenda da moça é cheia, com gigs e mais gigs marcadas por aí, especialmente na Europa. Sim, ela é adorada pela mídia e idolatrada pela galerinha dos óculos quadrados. Lembro que no ano passado, numa matéria de capa de um jornal grandão daqui, ela era citada como "the next big thing". Da Nova Zelândia? Não. Do mundo, diziam os jornalistas.

E, profecias à parte, acredito que eles acertaram em cheio. E ah, sim, a terra da Rainha também já caiu de amores aos pés dela também. Mês que vem ela estará em turnê pela UK junto com os Ting Tings, que ironicamente estão tocando hoje aqui em Auckland, no Big Day Out - grande festival de música da NZ. Ladyhawke não pode vir porque já é sabido... gente cool, além de usar um corte de cabelo engraçado, também se muda pra Londres, né? Não importa em que parte do globo se tenha nascido.



















1. Magic
2. Manipulating Woman
3. My Delirium
4. Better Than Sunday
5. Another Runaway
6. Love Don't Live Here
7. Back Of The Van
8. Paris Is Burning
9. Professional Suicide
10. Dusk Till Dawn
11. Oh My
12. Crazy World
13.Morning Dreams

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

X



X - "LOS ANGELES" (1980)

Sensacional disco de estréia desta lenda do art-punk, o grande X, grupo nascido influenciado pelo furor da cena punk de Nova York da segunda metade dos 70. Chefiada pelo bizarro casal de vocalistas Exene Cervenka & John Doe e pelo guitarrista Billy Zoom, mestre nos licks de rockabilly tocados em velocidade punky e volume ensurdecedor, o X nos presenteou com um espetáculo de raw power com este "Los Angeles", um dos grandes debuts de uma banda punk americana em toda a história do estilo. Os caras tiveram a honra de ter o tecladista do Doors, Ray Manzareck, comandando a produção desse álbum, no qual o grupo de Jim Morrison é homenageado com uma cover quase hardcore de "Soul Kitchen". (Conta a lenda que Ray se interessou pela banda ao ler uma matéria de jornal que tinha como manchete essa ótima descrição pro X: "IT SOUNDS LIKE MURDER.") Passamos a palavra a um tal de BillyZoom, usuário do RateYourMusic, que escreveu uma ótima resenha do disco, da qual selecionamos alguns trechos notáveis:

* * * * *

"...the lyrics are vague and poetic, in stark contrast to the then simmering L.A. hardcore scene filled with bands who did nothing more then rant and rage. The music is tight and furious, the playing spot on and clean, all elements balanced and equal. (...) Something you may not think of as punk until albums like this and The Clash's "London Calling", to name just a couple, came along and began to change what punk was and what it could be by using punk itself to break down musical barriers and musical stereotypes. Only unlike The Clash who "experimented" with music and were influenced by funk, jazz, reggae, etc... X simply came to the table raw and spit it out. Which makes for a very spontaneous musical experience, to say the least.

Not that this is eclectic stuff or arty by any stretch of the imagination. The straight forward and literal title cut is no less then a raging slab of punk rock anger that rants at everything from jews to blacks to mexicans to gays from the perspective of a young woman fed up and out of luck in the City Of Angels. And the hard hitting "The Unheard Music" sounds like either a heavy metal dirge or a long lost Doors tune depending on who you ask.

(...) This is all great stuff, as the songwriting is keen, musicianship sharp and precise, and certainly it's performed with the verve and attitude required. (...) "...very much the X of past, present, and future at this early stage with its perfectly intertwined harmonies, rockabilly inspired guitar, steady beat, and fast and furious pace.

Wrap it all up and you get not just a punk rock classic for the ages, but also a fairly standard rock n roll album that perhaps even a child of the '60's can embrace. Punk rock for the "classic rock" enthusiast? Maybe? Or maybe simply good, rebellious rock n roll waiting for a tired and stale mainstream to catch up. Whatever you call it its undeniably vital, undeniably intense, and undeniably, earth shakingly powerful. And with this group that would continue to be the case for three more classic albums and beyond, as you can catch this band perform even today, better then ever. (...) X's Los Angeles is a classic album of rock n roll inspiration for all the right reasons and none of the wrong ones. Dedicated, hard, committed, and performed with great heart, it was simply the first shot fired from one of rocks great bands of the last 25 years. Their best shot? Maybe not. But as with many great battles won and lost, even punk rock battles, X proves with this album its often the first shot that matters most."

DOWNLOAD (MP3 de 256kps - 67MB):
http://www.mediafire.com/?vyucdj2xmmz


quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

:: Shuggie Otis ::


Depredando apresenta um grande mestre obscuro dos anos 70: tio Shuggie Otis, uma espécie de Jimi Hendrix do soul, mais conhecido como O Homem Que Recusou o Convite Para Tocar nos Rolling Stones (caraca!). Os três álbuns são fodaços e ultra recomendados... De uma velha Bizz, copio a rápida apresentação abaixo:

SHUGGIE OTIS
por EMERSON GASPERIN

Difícil dizer como Shuggie Otis seria classificado hoje. Talvez sua música nem tivesse lugar no mercado atual, ou seria colocada entre Prince e D'Angelo. Em 1974, o problema foi o mesmo. Depois de 3 anos de lapidação, o 2o disco do californiano ganhou as lojas sem saber em qual prateleira deveria ficar. As comparações, pelo menos, eram melhores: Marvin Gaye, Curtis Mayfield, Sly Stone. A reedição em CD (acrescida de três canções da estréia, Freedom Flight, de 1971) mostra a razão de tamanha confusão em torno do rapaz. O rótulo que Inspiration Information costuma receber – soul psicodélico – simplifica a fluidez com que Shuggie vai do soul ao r&b, do funk a um certo ar “alternativo”. Logo na abertura, a faixa-título sugere um balanço suave, com a lisergia na dose “boa viagem”. O estado continua sossegado com um suinge leve aqui (“Sparkle City”), um ritmo programado para dançar juntinho ali (“Aht Uh Mi Hed”). Para descolar o corpo, as levadas finas de “Not Available” e “Strawberry Letter 23” (esta, de seu 1o disco, fez sucesso em 1977 com os Brothers Johnson). Mas o artista usa outros meios para provocar idêntico relaxamento, como em “Pling!”, “XL-30” e “Rainy Day”, feitas de paisagens tão eletrônicas quanto bucólicas – daí se entende por que Tortoise e Stereolab o apontam como influência. Diante da fartura de inspiração, os Rolling Stones convidaram Shuggie para substituir Mick Taylor. Como bom torto, ele recusou, assim como disse não às ofertas do Blood, Sweat & Tears e de Emerson, Lake & Palmer. Pouco depois, devido ao fraco desempenho do álbum nas paradas, foi dispensado da gravadora e se retirou da cena (complicações com drogas, dizem os rumores) para sempre. Agora vem detalhe: quando finalizou Inspiration Information, no qual cantou, tocou guitarra, piano, órgão, baixo e bateria, Shuggie tinha apenas 22 anos. Atualmente aos 50 e pouco e excitado com a repercussão (ainda que tardia) de seu trabalho, pensa em agrupar uma banda e voltar a fazer shows. Vai fundo, tio.




DOWNLOADS:
1969-1971 - "Shuggie Plays The Blues..." (71 MB)
http://www.mediafire.com/?tyyyjjnf2ji
1971 - "Freedom Flight" (52 MB)
http://www.mediafire.com/?2x3i2vkuof3
1974 - "Inspiration Information" (63 MB)
http://www.mediafire.com/?mvmneojinzj

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

:: sim, 2009 já começou! ::

da série: PÃO QUENTINHO
os primeiros lançamentos importantes de '09!

ANTONY & THE JOHNSONS - The Crying Light (86 MB)


ANIMAL COLLECTIVE - Merriweather Post Pavillion (67 MB)
http://www.mediafire.com/?dy55mwwyjz2


MORRISSEY - Years Of Refusal (80 MB)
http://www.mediafire.com/?gdjzkkamqol


THE PAINS OF BEING PURE AT HEART, idem (32 MB)
http://www.mediafire.com/?yyl2tq4zzdu