sábado, 7 de fevereiro de 2009

:: o novo Sepultura ::

A Clockwork Band
- por Ana Alice Gallo -

* atenção: se você não viu o filme ou leu o livro “Laranja Mecânica”, esse texto contém spoilers (ai que chique isso, não?)


Uma pessoa/entidade/banda é capaz de suportar mudanças bruscas de personalidade? Mesmo que essa alteração seja feita de forma abissal e violenta? A questão que norteia o livro “Laranja Mecânica”, de Anthony Burgess, pode ser feita também ao Sepultura. A banda, que se apóia sem sua espinha dorsal original, lança “A-Lex”, álbum baseado na obra de Burgess e que chega para responder com um sonoro “sim” a essa pergunta.

O grupo curtiu a idéia de fazer projetos em cima de grandes marcos da literatura, mas pra isso eles não precisaram se distanciar muito do jeito Sepultura de ser. Os álbuns contam basicamente com uma primeira parte longamente construída em cima de peso, com letras furiosas a respeito de temas como violência, tormento e decrepitude, e um segundo momento mais leve, experimental, que muitas vezes norteia alguns elementos de trabalhos vindouros. Em “Dante XXI”, o antecessor de “A-Lex”, o grupo se debruçou na Divina Comédia e construiu um verdadeiro épico, instrumentalmente mais dark e elaborado, com passagens sonoras demarcando os ritos de entrada no inferno, no purgatório e no céu. O trajeto acompanhava os círculos narrativos do livro, mas não fugia do formato dos trabalhos da banda.




Já em “A-Lex”, a roupagem crua e urgente transpira a contemporaneidade da obra “Laranja Mecânica”, focada na ultraviolenta vida do protagonista, que vai da capacidade de morte e estupro à total apatia induzida por tratamentos desumanos. O que se vê aqui, no entanto, é um Sepultura simples e eficiente, com músicas poderosas, bem pontuadas, feitas para que o pogo da platéia expurgue a jornada destrutiva e subversiva de Alex. Não é um álbum para ser contemplado, e sim para ser transformado em catarse coletiva no local onde a banda reina: o palco, os shows, com a energia dos fãs.

Dividido em 4 partes, assim como o livro, “A-Lex” começa com músicas que lembram os áureos tempos de “Chaos A. D.”, com destaque para “Moloko Mesto” – para quem não se lembra, “moloko” é o leite que Alex e sua gangue ingerem antes de cometerem atrocidades cidade afora. Dessa primeira parte, “Filth Roth” também surpreende por trazer os elementos tribais que se tornaram marca da banda e não soar deslocado mesmo em uma narrativa urbana.

“Alex II” marca a entrada do personagem no tratamento de lavagem cerebral que o deixará totalmente apático e dessa fase pode-se esperar cabeças voando em “Forceful Behavior”, candidata a hino fácil. “Sadistic Values” explora mais as nuances da tortura de Alex quando ele é devolvido ao mundo real e surrado por quem um dia sofreu de sua violência. Já para trilha sonora do momento de desforra social do protagonista, que acontece na fase III quando ele retorna à delinqüência, a banda se permite explorar mudanças de ritmo e brilha com “Strike”, mas exagera na pleonástica “Ludwig Van”.

O filme de Stanley Kubrick, igualmente baseado no livro, terminaria aqui. Mas a obra literária conta com uma quarta parte de transcendência, quando o personagem decide seguir seu caminho e é a própria “Alex IV” que dá conta de passar a mensagem.



Ser grande e inteiro

A saída de Max Cavalera logo após o aclamado "Roots" deixou o grupo sem um de seus alicerces. “Against”, o álbum que se seguiu, continha composições mais fracas e o vocalista Derrick Green demorou mais para adensar o caldo sonoro do Sepultura do que para aprender palavrões em português e torcer pros times brasileiros. O que se viu, no entanto, foi uma banda renovada emergir nessa mudança. Andréas tomou as rédeas dos riffs e eles foram ganhando um corpo próprio. O alicerce que restava, no entanto, dominava o ritmo. Iggor Cavalera pontuava cada uma de suas velozes notas e muitas vezes comandava a música. Se aproveitar o virtuosismo do batera era um deleite, a Sepultribe no entanto ficava sem hinos de guerra ao ver os riffs submetidos às constantes mudanças de andamento de Iggor. A própria mixagem deixava a bateria em primeiro plano e chegava a ofuscar momentos brilhantes de guitarra que não fossem solos.

Jean Dolabella, que entrou para apoiar o alicerce deixado vago quando Iggor saiu, está longe de ter a velocidade e a força do Cavalera, mas isso não é realmente ruim. Virtuoso e extremamente competente, Jean dá corpo a uma parede sonora que, enfim, faz do Sepultura uma banda equilibrada novamente. Com direito a violência, delinqüência, sutilezas sonoras e muita, muita energia. Como uma obra completa deve ser.


DOWNLOAD: http://www.mediafire.com/?tnjylfiixyg

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

:: móveis coloniais de acaju ::

PUTA QUE O PARIU!
- impressões chapadas sobre o móveis ao vivo -

“Móveis Coloniais de Acaju” é uma mistura de Kusturica com Hermeto, um pouco de Cuba com macarrão. Um pouco de Paulista sendo de Brasília, um pouco de Brasília sendo do Brasil, um pouco do mundo sendo da Terra e, por que não, um pouco de Karnak com Los Hermanos. Um pouco de Pato Fu com amendoim. Um pouco de móveis com cabelo, um pouco de sorte com pensamento, um pouco de dor com amor, um pouco de Solidão com quarto e sala com fiador. Gorbachev com Copacabana. Samba de russo, pagode de cego com Tom Waits. Se fosse Teatro seria Tadeus Kantor, se fosse Foto seria do Rodchenko, se fosse esquilo não sambaria . (André Abujamra)


Puta que o pariu. Em cima do palco, os malucos são uns alucinados. Um show do Móveis Coloniais de Acaju é pura catarse: são tempestades de energia bruta, fazendo rios de suor coletivo correr, gerando uma excitação que corre quente nas veias, banhando os tímpanos em uma música que os deixa em estado de Êxtase. Definir o som da banda, além de tarefa ingrata, seria um mutilamento: o Móveis é skacore de desenho animado, é jazz de big band no séc. 21, é rock and roll de maconheiro, é samba-funk assado num caldeirão cool, é punk-rock reinventado por uns hippies, é poesia lúdica e fina ironia e calafrios na espinha e montanha russa e churrasco com uma geladas e uma pelada de futebol e quase um livro do Rabelais... Uma verdadeira "feijoada búlgara"!

O vocalista parece um molecão anfetaminado que pula, se contorce, se alucina, se esgoela e se esparrama pelo chão e pelos ares, sempre com a energia no talo, como um coelho da Duracell chapadaço que tá sempre com as pilhas repletas. É tão cool que dá até raiva. Faz qualquer outro "líder" de banda nacional ficar parecendo um tímido sem sal que ainda precisa passar por um Curso Intensivão de Como Ser um Showman Do Caralho. Ele canta como faria um Frejat punk e desencanado, um Amarante de cabelo-sujo, um Devendra Banhart mais extrovertido, ou sei lá que porra... Sei que é absolutamente sensacional.

Os caras dos metais, pisoteando os clichês que dizem que os músicos devem ficar quietinhos num canto do palco, saem correndo feito uns insanos, fazem micagens e macacagens, bolam dancinhas curiosas, arriscam altas caretas, e tudo com a sonzeira rolando. A porra toda é tão divertida! A banda inteira parece morrendo de tesão de estar ali, envolvida nesta Experiência Coletiva Fuderosa que apaga os contornos entre público e artista e nos junta a todos na mesma festa, no mesmo lugar do caralho, "todos juntos numa pessoa só" (como diriam os Mutantes sob LSD). Num show dos Móveis, nem é preciso ácido para que estejamos todos juntos numa pessoa só. E isso é um dos maiores elogios concebíveis que se pode fazer à performance ao vivo de uma banda.

Os putos fazem a gente perder a noção. Fazem a galera pogar até chegar nos hematomas e pular até quase bater a cabeça no teto mesmo quando estão tocando - pasmem! - uma cover do PORTISHEAD! Quando o microfone falha e a voz emudece, como ocorreu em "Perca o Peso", no último sábado, no SESC Pompéia, eles não perdem o rebolado e descobrem, embasbacados, que a multidão inteira supre a falta da voz com um coro animal - só lembro de uma coisa dessas no show de despedida dos Los Hermanos, e olhe lá. Para uma banda independente de um disco só, eles já tem um leque de "hits" junto aos fãs que é sensacional: são dúzias e dúzias de vozes que cantam junto com "Menina Moça", "Copacabana", "Seria o Rolex" e tantas outras. Tendo a chance, não percam por nada: o Móveis tem um dos shows mais excitantes, entusiasmantes, pogáveis e lavadores-da-alma que eu já tive o prazer de Experenciar.

"Nós não somos uma banda, somos uma COMUNIDADE HIPPIE", brincou o vocalista numa entrevista. Mas o Móveis é mais: de looonge, uma das bandas mais sensacionais do Brasil, hoje, com um disco de estréia que, sem dúvida, está entre os grandes álbuns da música nacional nesta década que está se acabando. Em Março eles estão de volta, com o aguardado segundo álbum, que vai ser disponibilizado para download gratuito pela Trama Virtual. E nem sinal de cupins roendo o coração destes flamejantes móveis coloniais!

download: http://www.mediafire.com/?m12mz52ldem (76 MB)
myspace: http://www.myspace.com/moveis
trama: http://tramavirtual.uol.com.br/artista.jsp?idp=748584


domingo, 1 de fevereiro de 2009

:: novo colunista! ::


ÁLBUNS E CARTÕES POSTAIS
por DIOGO SOARES
(exclusivo para o Depredando)


Saudosismo é uma merda. Ítalo Calvino, em Cidades Invisíveis, trata do assunto de maneira ácida e tenaz. Para ele os velhos cartões-postais de uma localidade serviriam como artifício perfeito para uma crítica saudosista, por que ao mesmo tempo que temos as imagens da cidade provinciana, o cartão é capaz de desentranhar a história desses locais e então limpar caminho para uma daquelas famosas frases: "No meu tempo era melhor".

Quais os limites de uma comparação entre álbuns e cartões-postais? De estarte consigo fazer algumas conexões bem simples que recuperam a crítica de Calvino.

Álbuns são compilações de idéias, costumes e reflexões sobre os mais determinados assuntos, mas não são estes assuntos nem resumem tais assuntos. Isso já demonstra o caráter parcial e subjetivo que toda produção artística emana de sua criação. Só que alguns críticos não reconhecem isso e insistem em categorizar diversos álbuns como "datados". Como se um trabalho fosse representante de uma geração inteira de idéias e ideais. Lembro do Fredric Jameson quando falo sobre os estereótipos das décadas que "criamos" através do cinema. "Ahh, isso é tão anos 50", "ahh, esse piano é sessentista". É uma maneira tosca de encaixotarmos a diversidade. Aliás, bem conservadora, né?

Outra forma de conectarmos álbuns e cartões-postais seria compará-los com bandas e cidades. Uma cidade existe no tempo. Poderíamos, no limite, dizer que existe uma cidade a cada momento. Da mesma forma como "você nunca atravessa o mesmo rio duas vezes". As bandas sofrem o mesmo processo de transformação. Em algumas a diferença é nítida e esperada, como quando se alteram formações ou passam por experiências mais radicais (acidentes, guerras, censuras etc). Noutras, a diferença é imperceptível de um trabalho para outro, sendo apenas visível quando se tem a obra completa em mãos. Isso me faz lembrar outra cobrança dos críticos. É explícita a cobrança que uma banda sofre para igualar ou superar seus sucessos anteriores. O artista então deveria se colocar na posição de sempre agradar ao seu público, guardando a regra "o artista está onde o povo está". Se partimos da idéia do artista mudar sempre, porque sempre esquecemos que o público também muda sempre? O artista ao buscar agradar estaria sempre correndo atrás. Um sir inglês uma vez disse: "É melhor estar na moda uma ou duas vezes na vida, do que ficar sempre um passo atrás dela".

O que Calvino nos alerta é que as cidades e seus cartões-postais tem os mesmos nomes, mas são locais regidos por deuses diferentes. Existem em paralelo, mas seu cotidiano é inusitadamente outro. Os cartões, como os álbuns, são obras que necessitam de um espectador ativo. Um espectador que imprima sua marca e traga para dialogar a sua história. Vem então uma terceira, e última, crítica aos críticos. De que maneira se pode categorizar um álbum como "fácil" ou "complexo", "pra baixo" ou "pra festa"? Esta crítica me diz mais sobre o crítico do que sobre a obra. É a mesma coisa com as cidades. É de surpreender a multiplicidade de opiniões sobre o Rio de Janeiro. Não se sabe o cara tá falando sobre o carioca, sobre a prefeitura, sobre o trânsito, sobre as mulheres etc. Enfim, uma miscelânea.

Agora, qual é o papel de um blog que envia uma série de cartões-postais por aí ao vento, ao léu, sem um destinatário definido? É bem mais complexo do que uma agência dos Correios. Será?

* * * * *

Deixo aqui com vocês uma das cidades do Calvino, Maurília. Retirada do livro "Cidades Invisíveis".

"Em Maurília, o viajante é convidado a visitar a cidade ao mesmo tempo em que observa uns velhos cartões-postais ilustrados que mostram como havia sido: a praça idêntica, mas com uma galinha no lugar da estação de ônibus, o coreto no lugar do viaduto, duas moças com sombrinhas brancas no lugar da fábrica de explosivos. Para não decepcionar os habitantes, é necessário que o viajante louve a cidade dos cartões-postais e prefira-a à atual, tomando cuidado, porém, em conter seu pesar em relação às mudanças nos limites de regras bem precisas: reconhecendo que a magnificência e a prosperidade da Maurília metrópole, se comparada com a velha Maurília provinciana, não restituem uma certa graça perdida, a qual, todavia, só agora pode ser apreciada através dos velhos cartões-postais, enquanto antes, em presença da Maurília provinciana, não se via absolutamente nada de gracioso, e ver-se-ia ainda menos hoje em dia, se Maurília tivesse permanecido como antes, e que, de qualquer modo, a metrópole tem este atrativo adicional – que mediante o que se tornou pode-se recordar com saudades daquilo que foi.

Evitem dizer que algumas vezes cidades diferentes sucedem-se no mesmo solo e com o mesmo nome, nascem e morrem sem se conhecer, incomunicáveis entre si. Às vezes, os nomes dos habitantes permanecem iguais, e o sotaque das vozes, e até mesmo os traços dos rostos; mas os deuses que vivem com os nomes e nos solos foram embora sem avisar e em seus lugares acomodaram-se deuses estranhos. É inútil querer saber se estes são melhores do que os antigos, dado que não existe nenhuma relação entre eles, da mesma forma que os velhos cartões-postais não representam a Maurília do passado, mas uma outra cidade que por acaso também se chamava Maurília."


(Ítalo Calvino - As Cidades Invisíveis: As Cidades e a Memória, 5)

:: welcome aboard! ::

Depredando tem a honra de dar as boas-vindas ao seu mais novo colunista, Diogo Soares, que estreou por aqui com o texto acima. O Diogo, que manja pacas de música e muito mais, estuda Ciências Sociais na FFLCH/USP, trampa com sonoplastia nas apresentações de teatro e dança da Cia Artesãos do Corpo, era vocalista de uma banda no litoral paulista e, last but not least, foi morador da mais mítica das repúblicas estudantis do Butantã, a Cicerolândia (hehe!). Bem-vindo à gangue! :)

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

:: Jongo Trio ::

:: JONGO TRIO (1965) ::

Pérola da MPB pós-Bossa Nova finalmente em CD
por TONINHO SPESSOTO, Bizz de Março de 99


O Jongo Trio - Cido Bianchi (piano, voz), Sabá (contrabaixo, voz), Toninho Pinheiro (bateria, voz) - foi um dos mais importantes grupos do período de transição da MPB entre a Bossa Nova e a geração dos festivais, nos anos 60. Com fortes influências de jazz e da própria bossa, o Jongo fazia música de qualidade, com músicos habilidosos, numa pegada próxima à do também iniciante Zimbo Trio, e os caprichados arranjos vocais, à la Os Cariocas. Foi um estouro, as rádios não paravam de tocar músicas como "Terra de Ninguém" (Marcos e Paulo Sérgio Valle", "Menino das Laranjas" (Théo de Barros) e principalmente "Feitinha pro Poeta" (Baden Powell e Lula Freire). Outros grandes momentos eram a criativa "Seu Chopin, Desculpe" (Johnny Alf) e "Arrastão" (Edu Lobo e Vinícius de Moraes). Este disco ficou fora de católogo por 30 anos e era disputado a tapas nos sebos. Volta acrescido de uma faixa-bônus, um medley dedicado a composições de Dorival Caymmi como "João Valentão", "O Mar", "A Jangada Voltou Só" e "Canoeiro". Um clássico da música brasileira, obrigatório em qualquer acervo. --- NOTA: 10.

* * * * *

CLIQUE MUSIC: Grupo vocal e instrumental formado em São Paulo, no ano de1965, pelo pianista Cido Bianchi (que tocava na boate Stardust), o contrabaixista Sabá (que liderava um trio em outra boate, a Baiúca) e o baterista Toninho (que acompanhava o pianista Pedrinho Mattar). O Jongo fez o circuito da bossa nova (Teatro de Arena, Boate Cave, Teatro da Paramount, o programa de TV O Fino da Bossa), tocou com o violonista Baden Powell (que lhes presenteou com o sucesso “Feitinha Pro Poeta”, parceria com Lula Freire) e acabou sendo convidado para acompanhar Elis Regina e Jair Rodrigues no show Dois na Bossa, que virou LP de muito sucesso. Antes disso, porém, o trio havia sido convidado a gravar um LP próprio pelo selo gaúcho Farroupilha. Ainda em 1965, saiu “Jongo Trio”, que além de “Feitinha Pro Poeta”, trouxe outras músicas que virariam sucesso, como “O Menino das Laranjas” (Théo de Barros), “Terra de Ninguém” (Marcos e Paulo Sérgio Valle) e “Seu Chopin, Desculpe” (Johnny Alf). No ano seguinte, os integrantes do Jongo partiram para outros projetos. Com outra formação – Toninho, Claiber (baixo) e Paulo Roberto (piano) – e outro nome – Jongo Trio e Companhia -, a banda ainda gravaria mais dois discos, em 1970 e 1972. Em 1998, depois de vários anos fora de catálogo, o disco de estréia do Jongo Trio foi reeditado em CD pelo selo Mix House, com um “Medley Dorival Caymmi” como faixa bônus.

DOWNLOAD (mp3 de 192 kps - 55 MB):
http://www.mediafire.com/?omlkyzmavcy

sábado, 24 de janeiro de 2009

:: Red House Painters ::


RED HOUSE PAINTERS – Old Ramon

Acordes dilacerados para animar o tédio dominical
por CARLOS MARCELO, Bizz de Junho de 2001

Respeito é bom, mas grana no bolso é melhor ainda. Por isso, o guitarrista Mark Kozelek topou deixar o cabelo crescer e assumir o baixo no Stillwater, a banda do filme Quase Famosos. Fora da tela, ele brilha há mais de 10 anos no Red House Painters, grupo formado em San Francisco e que marcou o rock alternativo americano dos anos 90 com longas, doloridas e belas canções. Como o finado Jeff Buckley, Kozelek utiliza a técnica como suporte para a expressão de sua criatividade, jamais descamba no exibicionismo masturbatório. Mas é um cara dado a invencionices: já reinventou músicas do Yes, Paul Simon, Genesis, Kiss e AC/DC. Gravado e mixado entre 1997 e 98, Old Ramon ficou na geladeira por 3 anos por conta de problemas com gravadoras. Tanto tempo no freezer não tirou o seu sabor. Pelo contrário, apenas comprovou a atemporalidade das canções. Old Ramons é o disco mais equilibrado dos Painters, com uma perfeita distribuição de pitadas de alt-country (“Michigan”), acordes dilacerados à Crazy Horse (nos onze minutos de “River”), homenagens (“Golden”, dedicada ao caipira John Denver) e até duas novidades para uma banda muitas vezes acusada de monocórdica: a descoberta do pop (“Byrd Joel”) e o ataque de guitarras (“Between Days”). Sem contar os climas melancólicos característicos do grupo, aqui representados por “Void” e “Smokey”. Para ser ouvido no fim de uma tarde tediosa de domingo.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

:: rolê de metrô - volume I ::



:: da série COLETAS DEPREDANDO ::

Já faz um tempinho que eu alimento a ambição de bolar uma "Rádio Depredando", expandindo o nosso Império Criminoso para domínios cada vez mais numerosos. Talvez seja minha saudade de trampar como DJ e a vontade de continuar apresentando ao Povo alguns sons que eu curto, reunidos e concentrados. Como eu num manjo como se faz uma rádio virtual (alguém dá dicas?), nem tenho os talentos necessários de radialista (a Voz Possante e aquela Alegria Saltitante de Monitor de Gincana que faz a glória da criatura nas FMs pops!), decidi iniciar um novo projeto, mais simples: coletas depredísticas exclusivas. O que os cibernéticos chiques chamam, se não me engano, de um podcast. Depredando, pois, além de indicar e disponibilizar discos trimmassa para baixar, também vai começar a fazer "programinhas de rádio baixáveis" apresentando canções firmezura que curtimos e queremos apresentar a nossos seguidores na blogosfera. Isso foi batizado, por hora, de Rolê de Metrô. A idéia é possibilitar ao ouvinte uma travessia pelo que de melhor rola nos subsolos e porões musicais, especialmente no Brasil, na ingênua mas ardente crença de que a salvação está no underground e de que as bandas do mainstream, em sua maioria, merecem pouco além de pedrada. É um verdadeiro trabalho de arqueologia, em que cavamos em busca das pérolas em meio aos porcos, e depois emergimos trazendo-as num pequeno baú de tesouros... Ou, pelo menos falando assim, fico me sentindo Importante.

Pra começar, compartilho com vocês algumas das cancionetas brazucas de bandas desta década que mais curto e admiro. Em uma hora de música, aí vão alguns dos melhores momentos dos novos arquitetos da música brasileira (e cantada em português!): do mastodôntico som instrumental do Pata de Elefante à feijoada búlgara do Móveis Coloniais de Acaju, do groove malemolente do Curumin aos sagazes protestos sociais funkeados de B Negão e Dona Zica, do balanço suave do Fino Coletivo ao bailão sacana da Orquestra Imperial, passando pelo esplêndido novo-folk do Transmissor e do Momo, pela doçura do trip-hop feminil do Bluebell e pelo indefinível magnetismo do fodaço Los Porongas, certamente a melhor banda da história do ACRE (!!!). Finalizamos com este verdadeiro Jazz From Hell para a Era da Eletrônica que é o Guizado, autor de um dos álbuns nacionais mais espetaculares de 2008: Punx. Bom rolê!

01. pata de elefante (RS), "um olho no fósforo, outro na fagulha"
02. móveis coloniais de acaju (DF), "perca peso"
03. curumin (SP), "guerreiro"
04. b negão e os seletores de frequência (RJ), "nova visão"
05.
dona zica (RJ), "protesto pessoal"
06. orquestra imperial (RJ), "ereção"
07. fino coletivo (RJ), "uma raiz, uma flor"
08. los porongas (AC), "nada além"
09.
transmissor (MG), "vem a chuva"
10.
bluebell (SP), "bolas de sabão"
11.
momo (RJ), "irmãos"
12.
lestics (SP), "alguma coisa me diz"
13.
guizado (SP), "sagitariu's dream"

DOWNLOAD: http://www.mediafire.com/?5gjthyqmtww

(Quem quiser dar sugestões de outras bandas nacionais bacanas, que vocês acham que deveriam entrar nos próximos volumes, podem dar os pitacos e largar myspaces nos comments abaixo. E, para o pessoal que tem banda: quem quiser enviar MATERIAL para a Equipe Depredando, para ver se conseguem entrar nas próximas coletas, manda bala.)

sábado, 17 de janeiro de 2009

:: da série PÃO QUENTINHO ::

FRANZ FERDINAND - "Tonight" [63 MB]
http://www.mediafire.com/?tetxu12lgjt


JOHN FRUSCIANTE - "The Empyrean" [160kps - 70 MB]
http://www.mediafire.com/?h0wfwzjetxt



SPINNERETTE - "Ghetto Love EP" [30 MB]
http://www.mediafire.com/?kwozn2ejdtd ou stream no myspace
(nova banda da Brody Dalle, ex-Distillers)



FRIDA HYVONEN - "Silence Is Wild" [66 MB]
http://www.mediafire.com/?2mdymjn3m3j

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

:: Lady Cool ::


*por Francine Micheli - depredando na Nova Zelândia!


E eis que no meio de tanta ovelha, montanhas e a calmaria de um país de quatro milhões de habitantes, surge algo fluorescente e de cabelo loiro enlouquecidamente laqueado, pronto pra dominar o mundo com os raios ultrasônicos de seus sintetizadores.

Se você ainda não se cansou do Cansei de Ser Sexy e adora pular ao som dos eletro-indies que assustam nossos pais, prepare-se para ser atingido em cheio por Pip Brown, mais conhecida como Ladyhawke - tudo junto -, uma mocinha simpática, alérgica a lactose e que se tornou hype pela internê afora com o single "Paris is Burning".

Ouvindo o cd na íntegra (Ladyhawke - 2008), é quase provável que caiamos na tentação de reconhecer algo de britânico no som, ou até uma boa dose de Cindy Lauper no gogó da moça. Mas não se engane, ela é orgulhosamente kiwi - ou, formalmente, neozelandesa - e conseguiu desenvolver sua personalidade em cima de um talento nato (coisa rara, não acha?).

O disco, ao todo, é cheio de referências oitentosas e juro, dá vontade de chamar os amigos pra uma festinha em casa. Preste atenção também na faixa "Magic" e visualize os garotões do Pet Shop Boys aplaudindo-a de pé. Já "Back to the Van" vai entrar na sua cabeça e te fazer acordar de madrugada cantando o refrão. Provando não ser somente mais uma garota cool despontando por aí, Lady Hawke é a compositora de todas as suas canções e tocou todos os instrumentos do seu disco. Quer mais?

Digamos que por aqui revistas e jornais se estapeiam para conseguir uma entrevista com ela, visto que a agenda da moça é cheia, com gigs e mais gigs marcadas por aí, especialmente na Europa. Sim, ela é adorada pela mídia e idolatrada pela galerinha dos óculos quadrados. Lembro que no ano passado, numa matéria de capa de um jornal grandão daqui, ela era citada como "the next big thing". Da Nova Zelândia? Não. Do mundo, diziam os jornalistas.

E, profecias à parte, acredito que eles acertaram em cheio. E ah, sim, a terra da Rainha também já caiu de amores aos pés dela também. Mês que vem ela estará em turnê pela UK junto com os Ting Tings, que ironicamente estão tocando hoje aqui em Auckland, no Big Day Out - grande festival de música da NZ. Ladyhawke não pode vir porque já é sabido... gente cool, além de usar um corte de cabelo engraçado, também se muda pra Londres, né? Não importa em que parte do globo se tenha nascido.



















1. Magic
2. Manipulating Woman
3. My Delirium
4. Better Than Sunday
5. Another Runaway
6. Love Don't Live Here
7. Back Of The Van
8. Paris Is Burning
9. Professional Suicide
10. Dusk Till Dawn
11. Oh My
12. Crazy World
13.Morning Dreams

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

X



X - "LOS ANGELES" (1980)

Sensacional disco de estréia desta lenda do art-punk, o grande X, grupo nascido influenciado pelo furor da cena punk de Nova York da segunda metade dos 70. Chefiada pelo bizarro casal de vocalistas Exene Cervenka & John Doe e pelo guitarrista Billy Zoom, mestre nos licks de rockabilly tocados em velocidade punky e volume ensurdecedor, o X nos presenteou com um espetáculo de raw power com este "Los Angeles", um dos grandes debuts de uma banda punk americana em toda a história do estilo. Os caras tiveram a honra de ter o tecladista do Doors, Ray Manzareck, comandando a produção desse álbum, no qual o grupo de Jim Morrison é homenageado com uma cover quase hardcore de "Soul Kitchen". (Conta a lenda que Ray se interessou pela banda ao ler uma matéria de jornal que tinha como manchete essa ótima descrição pro X: "IT SOUNDS LIKE MURDER.") Passamos a palavra a um tal de BillyZoom, usuário do RateYourMusic, que escreveu uma ótima resenha do disco, da qual selecionamos alguns trechos notáveis:

* * * * *

"...the lyrics are vague and poetic, in stark contrast to the then simmering L.A. hardcore scene filled with bands who did nothing more then rant and rage. The music is tight and furious, the playing spot on and clean, all elements balanced and equal. (...) Something you may not think of as punk until albums like this and The Clash's "London Calling", to name just a couple, came along and began to change what punk was and what it could be by using punk itself to break down musical barriers and musical stereotypes. Only unlike The Clash who "experimented" with music and were influenced by funk, jazz, reggae, etc... X simply came to the table raw and spit it out. Which makes for a very spontaneous musical experience, to say the least.

Not that this is eclectic stuff or arty by any stretch of the imagination. The straight forward and literal title cut is no less then a raging slab of punk rock anger that rants at everything from jews to blacks to mexicans to gays from the perspective of a young woman fed up and out of luck in the City Of Angels. And the hard hitting "The Unheard Music" sounds like either a heavy metal dirge or a long lost Doors tune depending on who you ask.

(...) This is all great stuff, as the songwriting is keen, musicianship sharp and precise, and certainly it's performed with the verve and attitude required. (...) "...very much the X of past, present, and future at this early stage with its perfectly intertwined harmonies, rockabilly inspired guitar, steady beat, and fast and furious pace.

Wrap it all up and you get not just a punk rock classic for the ages, but also a fairly standard rock n roll album that perhaps even a child of the '60's can embrace. Punk rock for the "classic rock" enthusiast? Maybe? Or maybe simply good, rebellious rock n roll waiting for a tired and stale mainstream to catch up. Whatever you call it its undeniably vital, undeniably intense, and undeniably, earth shakingly powerful. And with this group that would continue to be the case for three more classic albums and beyond, as you can catch this band perform even today, better then ever. (...) X's Los Angeles is a classic album of rock n roll inspiration for all the right reasons and none of the wrong ones. Dedicated, hard, committed, and performed with great heart, it was simply the first shot fired from one of rocks great bands of the last 25 years. Their best shot? Maybe not. But as with many great battles won and lost, even punk rock battles, X proves with this album its often the first shot that matters most."

DOWNLOAD (MP3 de 256kps - 67MB):
http://www.mediafire.com/?vyucdj2xmmz


quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

:: Shuggie Otis ::


Depredando apresenta um grande mestre obscuro dos anos 70: tio Shuggie Otis, uma espécie de Jimi Hendrix do soul, mais conhecido como O Homem Que Recusou o Convite Para Tocar nos Rolling Stones (caraca!). Os três álbuns são fodaços e ultra recomendados... De uma velha Bizz, copio a rápida apresentação abaixo:

SHUGGIE OTIS
por EMERSON GASPERIN

Difícil dizer como Shuggie Otis seria classificado hoje. Talvez sua música nem tivesse lugar no mercado atual, ou seria colocada entre Prince e D'Angelo. Em 1974, o problema foi o mesmo. Depois de 3 anos de lapidação, o 2o disco do californiano ganhou as lojas sem saber em qual prateleira deveria ficar. As comparações, pelo menos, eram melhores: Marvin Gaye, Curtis Mayfield, Sly Stone. A reedição em CD (acrescida de três canções da estréia, Freedom Flight, de 1971) mostra a razão de tamanha confusão em torno do rapaz. O rótulo que Inspiration Information costuma receber – soul psicodélico – simplifica a fluidez com que Shuggie vai do soul ao r&b, do funk a um certo ar “alternativo”. Logo na abertura, a faixa-título sugere um balanço suave, com a lisergia na dose “boa viagem”. O estado continua sossegado com um suinge leve aqui (“Sparkle City”), um ritmo programado para dançar juntinho ali (“Aht Uh Mi Hed”). Para descolar o corpo, as levadas finas de “Not Available” e “Strawberry Letter 23” (esta, de seu 1o disco, fez sucesso em 1977 com os Brothers Johnson). Mas o artista usa outros meios para provocar idêntico relaxamento, como em “Pling!”, “XL-30” e “Rainy Day”, feitas de paisagens tão eletrônicas quanto bucólicas – daí se entende por que Tortoise e Stereolab o apontam como influência. Diante da fartura de inspiração, os Rolling Stones convidaram Shuggie para substituir Mick Taylor. Como bom torto, ele recusou, assim como disse não às ofertas do Blood, Sweat & Tears e de Emerson, Lake & Palmer. Pouco depois, devido ao fraco desempenho do álbum nas paradas, foi dispensado da gravadora e se retirou da cena (complicações com drogas, dizem os rumores) para sempre. Agora vem detalhe: quando finalizou Inspiration Information, no qual cantou, tocou guitarra, piano, órgão, baixo e bateria, Shuggie tinha apenas 22 anos. Atualmente aos 50 e pouco e excitado com a repercussão (ainda que tardia) de seu trabalho, pensa em agrupar uma banda e voltar a fazer shows. Vai fundo, tio.




DOWNLOADS:
1969-1971 - "Shuggie Plays The Blues..." (71 MB)
http://www.mediafire.com/?tyyyjjnf2ji
1971 - "Freedom Flight" (52 MB)
http://www.mediafire.com/?2x3i2vkuof3
1974 - "Inspiration Information" (63 MB)
http://www.mediafire.com/?mvmneojinzj

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

:: sim, 2009 já começou! ::

da série: PÃO QUENTINHO
os primeiros lançamentos importantes de '09!

ANTONY & THE JOHNSONS - The Crying Light (86 MB)


ANIMAL COLLECTIVE - Merriweather Post Pavillion (67 MB)
http://www.mediafire.com/?dy55mwwyjz2


MORRISSEY - Years Of Refusal (80 MB)
http://www.mediafire.com/?gdjzkkamqol


THE PAINS OF BEING PURE AT HEART, idem (32 MB)
http://www.mediafire.com/?yyl2tq4zzdu

domingo, 28 de dezembro de 2008

:: Fucked Up ::

:: HARDCORE IS ALIVE AND KICKING! ::
por LuxPonja

Fucked Up são uns malucos canadenses, cachorros raivosos e perigosos, que desde 2002 vem nos ensinando como chutar o balde bem pro alto: o hardcore vive! Se você está cansado do chororô emo, do jeitinho blasé do roquinho moderno e do mofo dos grandes dinossauros, dê um mosh para dentro deste mundo cheio de som e fúria - muita, muita fúria! - que esses fodidos criaram em dois álbuns estupendamente ofensivos e instigantes.

Eu não queria ter que apelar para este rótulo altamente ridículo de Hardcore Inteligente (blergh!). Até porque, ao contrário do que pensam os preconceituosos, que julgam este estilo mera berração descerebrada de desmiolados jovens suburbanos iletrados, há carradas de sagacidade e filosofia de prima em clássicas bandas como os Dead Kennedys, o Rancid e o Fugazi (para ficar só na Santíssima Trindade). Mas vá lá, se for para seduzir os hesitantes a cairem dentro, cêdo à tentação de dizer: Fucked Up é isso... "hardcore inteligente". Sem perder um grama de fúria por isso.

Esta não é uma banda de hardcore tradicional, porém. O primeiro álbum dos caras, por exemplo (Hidden World, de 2006), é um Leviatã do tamanho de um disco do Dream Theather. Parece um pouco com um álbum de crianças hardcore que gostavam muito de ouvir Slayer e Napalm Death, que estão muito putas da vida com muita coisa e provavelmente acham muito bonita a enunciação de William Blake: "o caminho do excesso leva ao palácio da sabedoria". Eis uma banda de excessos.

Você esperaria que um álbum de hardcore com 13 músicas teria, no máximo, uns 26 minutos de duração, certo? A estréia do Fucked Up tem nada menos que 70 (SETENTA!) - e tem música com mais de 9 minutos de podreira e nada menos que NOVE faixas que ultrapassam os 4 minutos e meio. Mark Deming comenta:

"The group strays far from the standard template of four-four punk stomp, incorporating extended instrumental workouts, unusual arrangements, and lengthy experimental passages along with the furious guitars and ranting vocals. While Fucked Up have paid homage on record to pioneering anarchist movements and creative and political troublemakers of all stripes, they've also flirted with fascist images and obscure mysticism in a bid to puzzle and confront their audiences."

Os membros da banda possuem codinomes que ainda não decidi se são ridículos, ironicamente bacanas ou completamente insanos. O vocalista se chama Olhos Cor-de-Rosa, um dos guitarristas se chama Campo de Concentração e o baixista é conhecido como Gás de Mostarda. Só pra dar uma idéia.

Em 2008, a banda causou estrago: adicionou um TERCEIRO GUITARRISTA ao line-up, um tal de Jovem Governador, como se quisessem vencer o Iron Maiden em termos de potência guitarrística concentrada, e lançaram via Matador o elogiadíssimo The Chemistry Of Common Life, tido como um dos 20 melhores discos do ano pelas respeitadíssimas revistas eletrônicas Pitchfork e Pop Matters. Tornaram-se ainda a primeira banda de hardcore a aparecer na capa do NME (New Musical Express), o semanário musical mais pimpão da terra dos Beatles.

Jason Lymangrover comenta: "The Chemistry of Common Life is a lush, expansive masterpiece that dismisses the theory that punkers have to follow a concrete formula of short and fast songs with raw-edged production. (...) It's a unique mash of styles, and iconoclastic as always. Of course, this shouldn't be a surprise to anyone who has followed their haphazard career." Já Adrien Begrand dá o veredito: "One of hardcore punk’s most admirable characteristics is its unwavering dedication to the music’s formula, but at times, the limitations of the genre’s self-imposed parameters can make for a hell of a lot of repetition, so the fact that Fucked Up has come along in the last couple years and blown the sound wide open is the best, not to mention most polarizing thing to happen to hardcore in a long, long time."

Depredando, pois, presta este lindo desserviço à civilização estabelecida e disponibiliza aqui a discografia do Fucked Up. It's time to kick out the jams, motherfuckers!


DOWNLOADS:

2006 - "HIDDEN WORLD" (98 MB)
http://www.mediafire.com/?jyqvlmn1kml



2008 - "THE CHEMISTRY OF COMMON LIFE" (80 MB)
http://www.mediafire.com/?mfm00nrmj2m

metacritic :: pitchfork :: myspace


terça-feira, 23 de dezembro de 2008

:: vox populi elege as bolachas dos 70 ::


Resultado da 1a Enquete Depredando:

QUAIS OS MELHORES ÁLBUNS DOS ANOS 70?

01. PINK FLOYD, Dark Side Of The Moon (37 votos)
02. THE CLASH, London Calling (34 votos)
03. LED ZEPPELIN, IV (33 votos)
04. MUTANTES, A Divina C0média
..... ROLLING STONES, Exile On Main Street
..... DAVID BOWIE, Ziggy Stardust (18 votos)
07. RAMONES, Rocket to Russia (15 votos)
08. CHICO BUARQUE, Construção (14 votos)
09. STOOGES, Fun House (13 votos)
..... RAMONES, 1 (13 votos)

TOTAL: 68 eleitores.

domingo, 21 de dezembro de 2008

:: Seaweed ::



:: SEAWEED ::

Taí uma banda que me deixou fissurado ultimamente. O que a molecada emo vem tentando fazer hoje em dia, quase sempre com resultados desastrosos, o Seaweed faz com muito mais energia e ferocidade desde o fim dos anos 80: punk rock flamejante tocado com muita emoção, garra e melodias grudentas. Num dá pra não gostar! Este quinteto de Washington, ativo por todos os anos 90, foi uma das bandas menores veiculadas pela Sub Pop no começo da década do grunge, sendo uma das bandas mais queridas do rock underground capitaneado pela grande gravadora de Seattle. Enquanto Pearl Jam, Nirvana, Alice in Chains e Soundgarden faziam estragos nas paradas, debaixo da superfície bandas menores também faziam fervilhar a cena com doses cavalares de bom rock and roll - ao lado de Mudhoney, Melvins, Screaming Trees, Green River e The Gits, estava lá o grande Seaweed, que o Depredando agora apresenta em 4 discos essenciais:

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

:: natal em marte ::



"The film essentially encompasses everything Wayne Coyne has ever sung about-- the future, outer space, stressed-out scientists, heroism, insanity, the inevitability of death, hope in the face of disaster, the perseverance of the human spirit, mankind's miniscule standing in the universe at large, and, yes, Christmas. And as ridiculous as the idea of Coyne making a sci-fi film in his backyard may be, it was a logical step for a band that's historically found its stage-show inspiration in the local hardware store. But compared to the orgiastic circus of balloons, confetti, and dancing mascots that has come to define the the Flaming Lips' live set-up, Christmas on Mars is a starkly rendered, sometimes ponderous, rather bleak affair. The film plays like a 2001 that looks like it cost $2,001 to make."

PITCHFORK


THE FEARLESS FREAKS STRIKE AGAIN!
- por Eduardo Carli de Moraes -

Eu sempre soube que o Wayne Coyne não era terráqueo. Agora que o enrustido tirou sua máscara e saiu do armário, desvelando sua verdadeira face (que é esverdeada e contêm um bigode azul e um par de antenas), eu posso afirmar orgulhoso, como o Chapolim Colorado: "Suspeitei desde o princípio!" O próprio capitão da nave-mãe diz a Wayne quando o encontra pela primeira vez: "You're a peculiar son of a bitch! You're a green silent piece of shit!"

O negócio é que o filme dos Flaming Lips acaba de sair. Sim, o FILME dos Flaming Lips! Em gestação faz um bocado de anos (uns 7), Christmas On Mars é um sensacional FREAKOUT que mostra uma das bandas de rock mais sensacionais dos últimos 20 anos invadindo a telona com muito estilo e provando que são mesmo um bando de desequilibrados. Loucura pouca é bobagem.

É meio que uma versão cyberpunk tosca de 2001 - Uma Odisséia no Espaço, com uma obsessão com bebês espaciais que remete frequentemente ao clássico do Kubrick e uma tosqueira proposital que fez a Pitchfork zoar: "parece um 2001 que custou 2001 dólares pra fazer". Espírito DYI total. É também uma espécie de Monty Phyton Viaja Pelas Galáxias, um David Lynch Filma Em Marte em Avançado Estado de Esquizofrenia ou um Tim Burton brincando de Ed Wood num filme B de sci-fi. Douglas Adams adoraria assistir essa pérola (ainda mais bizarra que a versão pro cinema do Guia dos Mochileiros) e Ray Bradbury poderia ter escrito este roteiro pensando especialmente nos Lips.

É também o conto de Natal mais insano da história da humanidade. E certamente não vai estrear num cinema perto de você.


Todos os quatro membros da banda atuam neste clássico instantâneo do cinema cult. Wayne ainda assume a direção e o papel de marciano que se fantasia de Papai Noel e viaja pelas galáxias dentro de uma bolha incandescente que ele guarda, miniaturizada, dentro de sua própria boca (!). Verdade. O guitarrista da banda, Steven Drozd, mostra-se um excelente ator no papel principal de um nêgo pirando e alucinando com o espetáculo espacial. Steven, que já protagonizou uma das cenas mais incríveis da história dos rockumentaries usando heroína na frente das câmeras em Fearless Freaks, prova aqui ser de um talento descomunal, além de possuidor de um rosto altamente plástico. É a alma do filme, deixando o Papai Noel esverdeado de Coyne soando como um mero coadjuvante.

A trilha sonora, que os Lips compuseram em parceria com o produtor Dave Friedmann, é só loucuras instrumentais um tanto intragáveis, que nos lembram do tempo em que a banda estava mais interessada em nos chocar e endoidecer do que em nos agradar. Back to Zaireeka!

Christmas On Mars é um filme sobre a loucura. Todo mundo nesta nave pousada em Marte está ficando doidão. Como se estar no espaço fosse como ter uma bad trip de LSD constante. É um contágio desenfreado. "Freaks around me freak me out!", diz um personagem. E todos ali estão virando freaks. O Papai Noel original sai correndo da espaçonave e se mata na atmosfera gélida, e aí olham pro Wayne Coyne e dizem, claro: "he can be our Santa!". Esse mais ou menos o enredo. Já as alucinações, impagáveis, são outra bela atração. Mas são de conteúdo altamente obsceno: tipo bandas militares nazistas, onde cada soldado tem na cabeça uma imensa vagina, marchando e pisando na cabeça de bebês que explodem como melancias.

Mais que um mero freakout, esse é um filme de idéias, que às vezes beira o cabecismo de um Tarkovsky em Solaris. No comecinho do filme, um astronauta olha bestificado para uma parede, como se fosse uma estátua, paralisado da cabeça aos pés, really freakin' out. Um personagem explica seu estado: "The doctor says it's caused by a confrontation with the cosmic reality. Cosmic reality: it's a real motherfucker! It's the realization that our lifes, altough very important to us, are really meaningless, nothing, just spects of dust floating through a black sea of infinity..."

Ele chega à conclusão de que os seres humanos não foram feitos para viver no espaço - que é frio, insensível e sem sentido. Christmas on Mars é, pois, uma sombria meditação sobre o nosso status de minúsculas criaturas insignificantes em meio a um imenso cosmos completamente gélido e morto, procurando pelas vias mais absurdas (como as bestas alegrias proporcionadas por um Papai Noel inventado) e mais sensatas (a perpetuação da espécie ou a invenção da Criança Estelar) encontrar um pequena dose de aconchego e de alegre delírio enquanto dure essa nossa estranhíssima, miraculosa e incompreensível passagem pelo Universo.

A impressão que dá? Que se você abrir os olhos para olhar direto para o Cosmos - COSMIC REALITY, IT'S A REAL MOTHERFUCKER! - não, não tem jeito de não endoidecer...

DOWNLOADS:

FILME EM DIVX (1.5 GB, torrent, excelente qualidade d som e img)http://thepiratebay.org/torrent/4524814/Christmas_on_Mars_(2008)_AC3_(5_1)-ZARCK

TRILHA SONORA (mp3):
http://www.mediafire.com/?mmh3zmmy1yn

domingo, 14 de dezembro de 2008

:: a mallu deles ::


:: LAURA MARLING, Alas I Cannot Swim (2008)

Com 16, essa inglesinha botou umas musiquinhas no MySpace e ganhou fama virtual; com 17 assinou contrato com a Virgin; com 18, solta seu álbum de estréia, repleto de um indie-folk bonitinho e com pitadas de melancolia que tem tudo para ser sensação. Os paralelos com a nossa menina prodígio do folk-se Mallu Magalhães são muitas. Tanto que parece uma bizarra coincidência que duas moçoilas de proposta tão parecida e de tamanha precocidade tenham surgido praticamente ao mesmo tempo. Mas as diferenças são grandes, também. A Mall me parece um pouco mais lúdica, brincalhona, meiga e infantil. Laura Marling já soa mais adulta, um tanto mais amarga, com um som que não faz feio se comparado com a obra de Feist, Karen Ann e Cat Power. Na verdade, ela cita como maior influência o sombrio e soturno Bonnie 'Prince'Billy, referência incomum para uma compositora tão nova. A moça do blog Give My Sweets falou sobre o álbum assim:

Laura Marling soa como ar puro nos dias de hoje. Você gosta dela - se tiver que gostar dela - não por causa de um timing musical incomum, por causa do contraste entre melodia doce e letras ácidas, por causa do seu sotaque ou por escrever músicas como quem escreve uma carta íntima e poética para uma amiga. Uma das coisas mais incríveis em Laura Marling é, de fato, sua voz, que consegue ter força e carregar emoção ao mesmo tempo que é suave, pecando apenas pela vulnerabilidade mostrada em "Ghosts", por exemplo, na qual sua voz mostra algo de infantil.

Outro ponto importante no que diz respeito a Laura Marling é o curioso fato de que se, daqui a alguns anos, algum desavisado pegar Alas I Cannot Swim nas mãos, ele não terá que pesquisar em livros sobre o estranho povo que viveu na nossa época. As histórias contadas por Laura Marling em suas músicas tratam de assuntos atemporais de uma maneira também atemporal, que é a construção de imagens poéticas, o que não tem sido o hábito de seus contemporâneos. Em "Alas I Cannot Swim", música que dá nome ao álbum, o fato de não saber nadar é seu obstáculo, pois tudo está do outro lado do rio: “There’s a life across the river that is meant for me/Instead I live my life in constant misery.”


Algo inovador em tempos de Regina Spektor - que canta bem, compõe como poucos, mas tem um timing exótico que eu adoro - Kate Nash e Lily Allen (mesmo eu amando de paixão a primeira, gostando muito da segunda e “curtindo” a terceira). Não é que Laura Marling esteja desvencilhada de tudo o que elas trouxeram. Na verdade, os melhores momentos de Laura Marling são os mais carregados dessa influência, como o refrão de "The Captain And The Hourglass" e "Cross Your Fingers", uma das mais pops do CD.

É empolgante pegar um CD como Alas I Cannot Swim nas mãos. A principal diferença talvez seja que, com essas características atemporais, Laura Marling dá a impressão de que, embora já seja muito talentosa, ainda vai amadurecer e nos impressionar muito, enquanto Kate Nash e Lily Allen deixam transparecer que nos conquistam somente pela juventude. A maturidade pode ser linda, gente! Basta pensar da regravação que Joni Mitchell fez de "Both Sides Now".


DOWNLOAD (mp3 de 160kps - 55MB):
http://www.mediafire.com/?mhm4wwztmm2

MYSPACE:
http://www.myspace.com/lauramarling