terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

:: os 10 melhores dos anos 60...- #08 ::

[8º]


LEONARD COHEN
"Songs Of Leonard Cohen" (1968)


Leonard Cohen tem toda uma aura mística que o envolve como uma névoa. Poucos artistas são mais misteriosos e fascinantes, mais indecifráveis, mais intrigantes e complexos... Cheguei a apelidá-lo Human Puzzle, e é assim que até hoje, carinhosamente, me refiro a esse brilhante poeta da música - um dos maiores. Com mais de 40 anos de carreira (cheia de altos e baixos, é verdade), o compositor canadense, mansamente e sem estardalhaço, deixou uma marca indelével na música do fim do século 20 e é hoje um dos poucos capaz de sustentar um Duelo contra Bob Dylan numa disputa pelo posto de Maior Poeta da Música Pop Em Língua Inglesa nas últimas 4 décadas.

“O departamento de produção da Columbia certamente não esperava que Leonard Cohen se tornasse tão popular quando assinaram o contrato discográfico, mas depois de vender mais de 100.000 cópias do seu primeiro álbum em 1968 essa estrela inesperada estava já muito bem situada no mapa” – diz o 1.001 Discos Para Ouvir Antes de Morrer. De fato, o bardo canadense não era o tipo de artista em quem uma grande gravadora apostaria suas fichas para ser um sucesso de vendas. A música de Leonard Cohen, soturna e melancólica, tendo como destaque as letras altamente simbólicas e carregadas de lirismo, não parecia nada adequada às rádios comerciais. Se seu 1o álbum foi tão bem-sucedido, não foi por concessões feitas ao comercialismo - e hoje Cohen é reconhecido muito mais pela qualidade de sua discografia do que pelas vendagens (bastante modestas) que alcançou. Muito mais cult que pop.

Sofisticado e intelectual demais para o hit parade, Cohen tinha tudo para ser um daqueles minúsculos artistas cult conhecidos por meia dúzia de gente antenada. Nossa sorte é que o culto ao redor de seu nome foi tão intenso que hoje é quase impossível conhecer qualquer fã de música que não tenha ouvido falar em seu nome e sua obra, seja como músico, como escritor ou, para os fãs mais exaltados, quase como um profeta (a filiação de Cohen ao budismo tornou-se tão intensa nos anos 90 que ele passou vários anos preso dentro dum monastério, dedicando-se totalmente à vida contemplativa, chegando a atingir, segundo alguns, uma invejável estatura de Iluminado!).

Leonard Cohen
considerava-se muito mais um escritor e um poeta do que propriamente um músico - e já tinha mais de trinta anos quando gravou seu disco de estréia, alavancado para o sucesso pelo hit “Suzanne”, que já havia se notabilizado na versão de Judy Collins, em 1966. Antes de embarcar de vez em sua jornada musical, Cohen tinha estudado literatura inglesa em duas universidades (a McGill de Montreal e a Columbia de Nova Yorke) e já havia publicado livros de poesia (o primeiro deles lançado em 1956) e romances (The Favorite Game, de 1963, e Beautiful Losers, de 1966). No fim dos anos 50, recitava poesias sob um fundo pianístico simples ao estilo beatnik – aí começaram nos primórdios suas aventuras propriamente musicais. Mas é falso pensar que o interesse de Cohen pela música é tardio, já que desde sua adolescência ele procurava modos de levar sua poesia para além dos muros da academia – e poucos métodos eram mais eficazes do que musicá-las.

Apesar de ter sido considerado uma espécie de “trovador rival” de Bob Dylan e um dos poucos poetas da música capazes de rivalizar com ele em talento literário, Cohen, ao contrário de investir no folk de protesto que notabilizou Dylan (ao menos em seus primeiros álbuns), era muito mais o poeta da angústia, dos amores doloridos e do questionamento religioso. Artistas de muito renome hoje o consideram como uma influência primordial, como Nick Cave, R.E.M., Jeff Buckley, Sisters Of Mercy (que retiraram inspiração para o nome da banda de uma canção deste primeiro álbum de Cohen) e Kurt Cobain (que citou-o num verso de “Pennyroyal Tea” do Nirvana).

“Na Europa”, comenta a Enciclopédia do Rock da Rolling Stone, “sua aura de desespero romântico quase suicida fez com que ele ganhasse aclamação como um herdeiro de Jacques Brel”. Seu primeiro álbum, um dos mais belos documentos poéticos musicais da década, é o tipo de obra para se ouvir com o respeito que ouviríamos um grande poeta declamando suas melhores poesias. O ideal é procurar não se incomodar com o tom de voz um tanto monótono e desapaixonado de Cohen, que de fato não é um cantor com uma potência vocal digna de nota, e prestar atenção, palavra a palavra, aos versos que passeiam por cima desses simples e singelos dedilhados ao violão.

As 10 músicas de Songs Of Leonard Cohen compõe um álbum impregnado de mistério, de uma beleza tenebrosa, de uma poesia fantasmagórica e espectral, onde um dos mais brilhantes poetas da música em língua inglesa está em um de seus mais brilhantes momentos. Cohen ainda faria pelo menos mais um disco excelente e lotado de um lirismo ainda mais sombrio e torturante, o incrível Songs Of Love and Hate, mas seu álbum de estréia permanece uma obra-de-arte assustadoramente penetrante, que nos encara com olhos de Medusa, petrificantes, e nos deixa ali, com a consciência boquiaberta frente a um fluxo ininterrupto de palavras tão intrigantes...

DOWNLOAD (mp3 de 192kps, 10 faixas, 41min, 56MB):
http://www.mediafire.com/?cy4hzfzzodf

domingo, 10 de fevereiro de 2008

:: Jorma Kaukonen ::


:: JORMA KAUKONEN - "Quah" (1974)

Quah — Jorma Kaukonen's (guitar/vocal) solo debut effort — was recorded and issued shortly after the dissolution of Jefferson Airplane in 1974. In contrast to the sonic indulgences of Grace Slick's Manhole or Paul Kantner and Jefferson Starship's Blows Against the Empire, Kaukonen retreated back to his folk-blues roots along with vocalist Tom Hobson — who contributes to "Blue Prelude" and "Sweet Hawaiian Sunshine" — to create this intricate acoustic masterwork. From the highly original artwork — courtesy of Kaukonen's then-wife Margareta — to the stark and beautiful melodies within the grooves, Quah is unlike any other recording from the era. Much of the album's vibe is strikingly similar to the final contributions that Kaukonen made to Jefferson Airplane. The most obvious and direct correlation being "Third Week at the Chelsea," which maintains much of the same intimacy as the tracks "Genesis," "Flying Clouds," and "Song for the North Star." Likewise, his admiration for folk, blues, and gospel — which had first surfaced on the self-titled Hot Tuna debut release — informs the content of this disc on his cover of Rev. Gary Davis' "I Am the Light of This World" as well as the haunting traditional blues "Another Man Done Gone"and Blind Boy Blake's understatedly ribald "Police Dog Blues." Tom Hobson's inimitable vocal delivery stands apart from Kaukonen's in a somewhat theatrical manner. His take on the noir torch song "Blue Prelude" could not be more dissimilar to the practically giddy "Sweet Hawaiian Sunshine." Yet both are equally functional in the context of the rest of the album. In 1987 Relix magazine issued a very limited pressing of Quah on CD. Tragically, it was not re-pressed and remains near the top of want lists from enthusiasts eager to retire worn vinyl copies. This disc is a timeless and highly underrated statement from one of the world's premier guitarists. It is worthy — if not quietly demanding — of repeated listening. - AMG ALL MUSIC GUIDE

OUÇA 3 FAIXAS POR STREAMING...







ou FAÇA O DOWNLOAD

(mp3 de 192kps - 57MB - 12 faixas - 42:29min):
http://www.mediafire.com/?4kxdytx3ayz

sábado, 9 de fevereiro de 2008

:: Elliott Smith ::



ELLIOTT SMITH - "Figure 8" (2000)

"Os anos decorridos entre a gravação de Either/Or e Figure 8 foram turbulentos para Elliott Smith. Em 1997, os seus amigos começaram a preocupar-se com o seu comportamento alcóolico e auto-destrutivo. Convenceram-no a passar uma curta temporada num hospital psiquiátrico no Arizona e a experiência foi desagradável.

Mas o fato de a sua música surgir na trilha sonora de Gênio Indomável valeu-lhe uma nomeação para o Oscar e uma mudança de gravadora. Na Dreamworks dispôs de uma luxuosa produção em estúdio, evidente em Figure 8, graças ao número de pistas e de camadas musicais, e aos elegantes arranjos de cordas em canções como “Everything Means Nothing To Me”.

Como nos discos anteriores, as letras melancólicas de Smith são acompanhadas de momentos de otimismo, e é tentador imaginar que esta atmosfera descontraída é mais evidente em Figure 8. Será que a mudança para um clima mais quente teve influência neste trabalho? Estabelecera-se em Los Angeles após um longo período de nomadismo. A canção “L.A.” resume tudo, deambulando entre a libertação e a desolação, misturando as típicas e animadas harmonias da Costa Oeste com o refrão: “Last night I was about to throw it all away.”

Em “In The Lost and Found (Honky Bach)”, Smith utiliza o mesmo piano dos estúdios Abbey Road que Paul McCartney tocara em “Penny Lane”. Como fã de sempre dos Beatles, isso deu-lhe enorme prazer; também deu oportunidade aos críticos para o compararem aos Fab Four. Tinham razão, no sentido em que este disco roça a grandeza. Brilhante, desconsolado e universal.” - 1.001 Discos Para Ouvir Antes de Morrer

DOWNLOAD (mp3 de 192kps - 70 MB):
http://www.mediafire.com/?2iy8zuvehnl


APERITIVOS: OUÇA 2 FAIXAS COMPLETAS DO ÁLBUM...



quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

:: os 10 melhores dos anos 60...- #09 ::

[9º]

FRANK ZAPPA
"Hot Rats"

(1969)


JAZZ FROM HELL
- por Eduardo Carli de Moraes -

Hoje Frank Zappa (1940-1993) é reconhecido como uma figura gigante no panorama da música moderna, um verdadeiro Mestre da composição, do arranjo, da guitarra e da iconoclastia cultural. Com mais de 80 álbuns em sua incrivelmente prolífica discografia, o cara tem um dos materiais sônicos mais volumosos que se conhece - e mais importante: essas toneladas de material são dignas de exploração minuciosa.

Através de sua longa e variadíssima carreira, Zappa demonstrou uma extrema versatilidade no domínio dos idiomas do pop, transitando com facilidade do rock ao jazz, da música eletrônica a trabalhos orquestrados, misturando humor escatológico, esperteza política e experimentalismo vanguardista como poucos outros artistas da música popular neste século. Aliás, ele sempre foi contra uma divisão rígida entre a música popular e a alta cultura – até porque seu gosto musical era ultra eclético. Zappa colecionava singles de rock and roll e R&B dos anos 50 ao mesmo tempo que reverenciada compositores clássicos contemporâneos como Stravinksy e Edgard Varèse.

Zappa teve uma vida pitoresca e quase engraçada (cito só meia dúzia de bizarrices): tentou estudar teoria musical numa facul da California, mas abandonou o curso depois de 6 meses; no começo dos anos 60, fez uma trilha sonora para um filme de terror B chamado O Maior Pecador Do Mundo e para um western, trampo que gerou a grana necessária para que ele construísse um estúdio em Cucamonga, California; chegou a ser acusado de conspiração para criação de pornografia (!) depois que um policial tomou posse de fitas com sex parties e passou só 10 dias (de uma sentença de seis meses) em cana. E pra que não fiquem dúvidas de que esse mago doidão da música tinha excentricidades que beiravam a loucura mais deslavada, é só ver como ele batizou sua prole. Com sua segunda esposa, Zappa teve quatro filhos, que ganharam os singelos nomes de Moon Unit, Diva, Dweezil e Ahmet Rodan. Quer mais?!?

Perfecionista ao extremo, Frank Zappa requeria dos membros de suas bandas uma “técnica intimidora”, o que ajudou a revelar ao mundo excelentes músicos, como o guitar hero Steve Vai e o fundador do Little Feat, Lowell George. Zappa também demonstrou inovações consistentes em tecnologia instrumental e de estúdio, experimentou com praticamente todos os estilos de música, inclusive música clássica, com uma versatilidade igualada por poucos nomes musicais do século 20.

Conta-se que Zappa chegava ao fim dos anos 60 “frustrado” com as vendas de seus discos, que nunca chegaram a ser sucesso comercial, e com problemas para sustentar sua banda de apoio, a Mothers of Invention, com quem tinha gravado alguns instigantes álbuns como Freak Out! (de 1966, disco que acabou perdendo dinheiro) e We’re Only In It For The Money (de 1967, uma selvagem paródia do Sgt Peppers dos Beatles onde Zappa fazia miséria com o ideário hippie).

Alguns críticos acusavam Zappa e os Mothers of Invention de serem nada além de uma piada cínica, escatológica e monumental, mas “Zappa não mostrava o mínimo desconforto em assumir duas personas aparentemente contraditórias: o debochado provocador e o compositor sério (cuja estatura de fato iria aumentar através dos anos e cujo culto sempre permaneceu intenso)” – como diz a Enciclopédia do Rock da Rolling Stone (pg 1106). Num ato de radicalismo que não é estranho a esse excêntrico gênio do rock moderno, desfez sua banda e refugiu-se no estúdio com novas companhias para gravar aquele que se tornaria um de seus discos mais notáveis: o monstro de jazz-rock dos infernos que é esse Hot Rats.

Acompanhando-o nessa jornada estavam seu velho amigo Captain Beefheart (que canta “Willie The Pimp”, única música com vocais do disco), o multi-instrumentista francês Jean Luc Ponty (que em 1970 lançaria o aclamado King Kong, só com composições de Zappa), o violinista Don ‘Sugarcane’ Harris e ainda Ian Underwood (que já havia colaborado com Zappa em Uncle Meat).

Hot Rats une radicais improvisos em que os saxofones e as guitarras endoidecem loucamente, em um pandemônio que lembra o free jazz de Ornette Coleman e Peter Brötzmann (“Gumbo Variaton” a mais incrível delas), com canções mais palatáveis e digeríveis (“Peaches Em Regalia”). Este álbum já prenuncia o trabalho de outro grande mestre do crossover entre as facetas mais radicais do rock com o jazz, John Zorn, que décadas depois marcará época fazendo o hardcore mais agressivo usando saxofones como tática de ataque. O Funhouse dos Stooges, um dos mais originais álbuns punk da história, também não existiria sem Hot Rats.

Neste álbum, provavelmente o melhor de sua carreira nos anos 60 (apesar do impacto cultural maior de Freak Out!), Frank Zappa está no cume de sua genialidade. Ele prova para qualquer cético o quanto ele tinha de inventividade musical em sua fusão de jazz e rock – e quanto era um guitarrista fudido de bom e com um estilo próprio bastante fresco e original. Em 6 músicas, três delas passando dos 9 minutos de duração (“Gumbo Variation” bate nos 16!), Zappa passeia com segurança, confiança e muito groove por esses 47 minutos de música brilhante - que consegue soar sofisticada e empolgante, ao mesmo tempo, o que não é coisa das mais fáceis de atingir. Não há nem sinal do deboche zappiano clássico, já que Hot Rats é um dos “discos sérios” da carreira do compositor, onde a sátira e as piadinhas escatológicas saem completamente do quadro, deixando subsistir somente som – e que som!

* * * * * *


“A genius of the guitar and a great producer and composer, Zappa left an immense musical legacy to be explored, much still hidden and all illuminated by a intellect that was lyrical and farsighted, when it was not obscured by its polemic trait. He had almost a philosophical attitude to music, the absolute liberty of being and playing without barriers or boundaries. Radical sounds were sewn into musical contexts never touched on by other pop musicians, in a sort of stylistic nomadism across all the territories he defined “conceptual continuity”; pop melodies were woven into jazz and virtuoso instrumentals; sequences of sounds and fragments of conversation were attached to extraordinary music. Zappa painted panoramas that surpassed sound to become culture.

(...) Zappa’s concerts with the Ensemble Modern in 1992 were a real event for the conservative world of classical music. A rock composer spearking in the tongue of the classics and proposing a sort of fragmentary yet coherent “suite”, using a quite personal linguistic crossover (linked to both his previous 30 years of work in rock and to the development of classic post-Schoenberg language) was not a common or easily digestible event. The Ensemble’s immaculate rendition empowers Zappa’s skill for constructing scores, and allows the referenced substrata to emerge – Webern, Stravinsky, Ligeti, Varèse, Bartok – as 20th century classical music as read and experienced through the Zappa composition. These final compositions may not be the favorite listening of those who prefer Zappa’s histrionics as a satirist, or his fluid, errant guitar solos, but they are definetely worthy products that delve into the depths of the restless soul of a musician who was totally immersed in such a complex century.” (ASSANTE)

DOWNLOAD (mp3 de 192kps - 63 MB - 6 faixas - 47 min):
http://www.mediafire.com/?4j2ame9mgvm

sábado, 2 de fevereiro de 2008

Beleza Degradante



Tom Waits [1985] Rain Dogs

"uma sucessão de climas urbanos e suburbanos, captados através de um olhar cínico e canalha, onde desfilam uma galeria de personagens saídos dos becos mais sórdidos do Harlem ou de Los Angeles. Cenas de caçadas policiais, como num romance de Raymond Chandler, espeluncas de quinta categoria em Chinatown, onde mulheres da vida vagueiam pela rua ao lado de personagens de Bukowski que perderam o rumo de casa. Todo o cinismo corrosivo das operetas de Bertold Brecht e Kurt Weill, interpretado com a dramaticidade irônica de um teatro de vaudeville"

Rene Dacol ("O Estado de São Paulo", 25/6/86).

Apesar de toda a sua esquisitice, Waits faz parte da mesma linhagem de "frágeis senhores da guerra" em que se incluem compositores como Bob Dylan, Lou Reed, David Bowie, Elvis Costello, Leonard Cohen, Neil Young e Nick Cave. Além disso, é um poeta de mão cheia e um compositor sofisticado, capaz de fazer melodia até mesmo com o barulho de uma cadeira, como prova a canção "Shore Leave", do álbum "Swordfishtrombones" de 1983 que era a primeira parte de uma trilogia informal, que seria completada com "Rain Dogs" e "Frank Wild´s Years". Comprova-se este fato quando Elvis Costello, um dos sujeitos com o melhor bom gosto musical no mundo, faz três covers de clássicos de Waits para o álbum com Anne Sofie Von Otter, "For The Stars". No entanto, para chegar ao seu estilo único, Waits teve de criar uma persona anterior: a de melhor cantor de botecos que já existiu.

Rain Dogs é uma coletânea de histórias sobre marinheiros (diz a lenda que seria o Frank de "Swordfishtrombones" cruzando o oceano e chegando em New York - fato que nunca foi comprovado), um compêndio de sabedoria do submundo, um tratado de loucura escrito pelos próprios loucos - tudo isso e muito mais. Neste álbum, Tom Waits incorpora de vez a sua persona de cicerone do absurdo e faz a pedra de toque da sua metafísica. Sim, o mundo é um hospício (o título "Rain Dogs" é uma gíria para os doentes que ficam girando em torno de um mesmo lugar, como os cachorros que rondam suas poças de urina em dias de chuva), mas capaz de uma poesia assustadora, uma poesia que também pode ser dolorida, repleta da incomunicabilidade que só os amantes proibidos possuem. Há espaço para o humor negro, também se percebe que Waits está cada vez mais preocupado com uma pergunta básica, à la Sartre: Os infernos são outros ou somos nós que construímos o nosso próprio Inferno? Ainda assim é uma obra bastante esperançosa, já que consegue refletir sobre a passagem do tempo no ser humano com uma serenidade indistinguível, mesmo que aceite o fato tristemente, como sussurra com um tom próximo de uma voz normal em "Time" (regravada por Tori Amos):

"The shadow boys are breaking all the laws/ And you're east of East St. Louis/ And the wind is making speeches/ And the rain sounds like a round of applause (...)And they all pretend they're Orphans/ And their memory's like a train/ You can see it getting smaller as it pulls away/ And the things you can't remember/ Tell the things you can't forget that/ History puts a saint in every dream/ And it's Time Time Time/ That you love" (Os garotos da sombra quebram as leis/ E você está a oeste de East St Louis/ E o vento está fazendo discursos/ E a chuva soa como aplausos (...)/ E todos fingem serem órfãos/ E a memória deles é como um trem/ Você pode vê-la diminuir enquanto ela vai embora/ E as coisas que você não se lembra/ Contam as coisas que você não quer esquecer que/ a História põe um santo em cada sonho/ E é o Tempo o Tempo o Tempo/ Que você ama).

Uma metafísica começa quando o sujeito aprende a amar o Tempo, independente da sua crueldade nas pessoas. Além do Tempo, deve-se aprender a cultivar a solidão como uma amiga. E isso Tom Waits nos ensina como ninguém. Contudo, ele retrata um mundo em que a única fuga decente parece ser a resignação de "já ter visto tudo" e, por isso, nada mais o impressiona. "9th and Hennepin" pode ser considerada o hino do frágil senhor da guerra, com sua ironia alucinatória em estilo beatnik. A solidão de estar separado da amada é talvez a única coisa que o mantém são, mesmo quando quer se "comportar como um cachorro". Escute "Downtown Train", a canção mais pop que Waits já escreveu, tão pop que até Rod Stewart fez uma versão radiofônica, não percebendo a desilusão afiada ao cantar:

"The downtown trains are full/ With all those Brooklyn girls/ They try so hard to break out of their little worlds/ You wave your hand and they scatter like crows/ They have nothing that will ever capture your heart/ They're just thorns without the rose/ Be careful of them in the dark/ Oh if I was the one/ You chose to be your only one" (O trens do centro estão lotados/ De garotas do Brooklyn/ Elas tentam sair daqueles mundos pequeninhos/ Você faz um aceno e elas respondem como corvos/ Elas não tem nada que vá agarrar o seu coração/ São apenas espinhos sem rosa/ Tome cuidado com elas no escuro/ Se eu fosse o único/ O único que você escolheria).

A mensagem de Waits não é algo explicíta. Seu humor do absurdo ainda mostra alguma resistência contra as ilusões da vida quando berra na última canção de "Rain Dogs", "Anywhere I Lay My Head" - "I don't need anybody/ Because I learned to be alone/ And anywhere/ I lay my head, boys/ I will call my home" (Eu não preciso de ninguém/ Porque aprendi a ficar sozinho/ E em qualquer lugar/ que eu deitar a minha cabeça/ Será a minha casa).

Sua alma é sua casa porque ninguém mais pode tê-la - exceto o Diabo, para quem o personagem de Waits está prontinho para fazer um pacto. No caso, um pacto patético, como fez no álbum seguinte, a parte final de sua trilogia, "Frank´s Wild Years", que mostra o velho Frank se envolvendo com o tinhoso. A tentação sempre foi algo que interessou Waits e ele desenvolveria este assunto na sua metafísica, fazendo uma contraposição com o tema da inocência - que só é possível quando sonha, e geralmente o sonho é um pesadelo grotesco.

Tom Waits está para a canção como "On The Road" de Kerouac esteve para a literatura beat dos anos 50.

Texto parcialmente extraído do site: O Indivíduo

Download: Mediafire - mp3 de 192 kbps - 73 MB

:: CSNY ::


:: CROSBY, STILLS, NASH & YOUNG - "Deja Vu" (1969)

"O Crosby, Stills, Nash & Young é uma das bandas incontornáveis de finais de 60 (talvez sejam com os The Band, Santana, The Who, Traffic, Led Zeppellin e Velvet Underground o projecto musical mais consistente daqueles meses de final de década a nível do rock). Compositores dotados, harmonias vocais incomparáveis, dimensão acústica (a entrada de Neil Young, além de enriquecer tudo isto, viria a dar ao grupo uma visão eléctrica que antes não possuia).

1969 é o ano da sua formação como Crosby, Stills and Nash. Stephen Stills era voz e uma das almas dos Buffalo Springfield (juntamente com Richie Furay e um Neil Young que se começava a destacar. Gravaram apenas três álbuns em dois anos. Inesquecíveis). David Crosby, ex-Byrds, um dos inovadores em termos de som (à sua conta 'inventaram' sub-categorias do rock como o folk-rock e o country-rock). Graham Nash era um ex-Hollies, banda inglesa que deu algumas das melhores harmonias vocais à british pop da altura.

O concerto excepcional em Woodstock (era a segunda vez que os CSN tocavam juntos em público - pode ouvir-se no video de 'Suite: Judy Blue Eyes') faz deles porta-vozes da contracultura americana. Neil Young, também ele ex-Buffalo Springfield e agora em carreira a solo com os Crazy Horse (o seu primeiro álbum 'Everybody Knows This is Nowhere', também de 1969, é o início de uma carreira auspiciosa), chega em Outubro. Para enriquecer (ainda mais) o já diversificado talento do grupo. O sucesso é imediato e os CSNY disputam a popularidade aos monstros sagrados Beatles e Rolling Stones.

Na viragem de 1969 para 70 estão no seu auge. O segundo álbum, 'Deja Vu', cimenta a reputação e aperfeiçoa as (poucas) falhas do primeiro. Mais eléctrico (a presença da guitarra de Young só poderia dar nisto), harmonias vocais fabulosas ('Teach your children' ou 'Our house' por exemplo). E têm ainda tempo de prosseguir as suas aventuras a solo. Nessa ordem, dos quatro, Young é o mais consistente e também aquele que soube acompanhar melhor a evolução do rock (veja-se a admiração que nutrem por ele, entre outros, Eddie Vedder dos Pearl Jam, com quem, aliás, gravou). Problemas com drogas (nomeadamente Stephen Stills e David Crosby), álcool e alguns conflitos entre Crosby e Stills impedem a continuação dos grandes momentos anteriores." - texto editado e adaptado do Dançamos no Mundo

DOWNLOAD (mp3 de 224kps - 58MB):
http://www.mediafire.com/?5hdonggg3gf

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

:: the sixties countdown is on! ::


OS 10 MELHORES ÁLBUNS DOS ANOS 60 !
Inaugurado o mais ambicioso, colossal e megalomaníaco dos projetos do Depredando o Orelhão! A proposta, difícil de ser cumprida, será tentada com empenho e tesão: fazer um especialzão a respeito de cada uma das décadas cruciais da história do rock com os 10 discos mais significativos e definidores de era de cada uma delas. Os posts, além do óbvio link para download do álbum, trarão sempre um texto inédito e exclusivo e jamais publicado na net ou na imprensa que eu, pelo menos enquanto está durando essa empolgação louca que me deu, prometo que irei escrever com muito carinho, cuidado, dedicação e ética profissional após um exaustivo trabalho de pesquisa e esmerada redação. Espero não decepcionar o público leitor ousando tomar a cargo esse trampo (embora escravo...) de crítico musical - não passo de um wannabe-Lester Bangs com muita lenha pra queimar e que gosta de se propor essas Tarefas Incumpríveis e Insanas, mas.... espero que gostem, comentem, discordem, baixem e divulguem! Começamos, claro, com os gloriosos e bem afamados anos 60 e os 10 álbuns que eu, particularmente, coloco entre os maiorais. Me impus como regra de conduta que nenhuma banda poderia aparecer com mais de um disco no ranking para evitar a situação chata de ter que escrever sobre uns 3 discos dos Beatles e uns 3 do Dylan para esse top, barrando os holofotes que poderiam recair sobre outros grupos também merecedores de atenção. Dará polêmica, claro, minha escolha entre Sgt Peppers, Revolver ou Abbey Road ou entre Highway 61, Blonde on Blonde e Freewheelin', mas são as agruras do ofício. No big deal. Digo ainda que os "posts normais" vão continuar normalmente, e que os posts especiais com os Álbuns Clássicos resenhados por mim vão ser intercalados periodicamente. Let the countdown begin!

:: os 10 melhores dos anos 60...- #10 ::

[10º]
LUGAR


THE ROLLING STONES
"Let It Bleed" (1969)


O QUE FAZER EM CASO DE CORTE? DEIXE SANGRAR!
- por Eduardo Carli de Moraes -


O fim dos anos 60 foi um período tumultuoso e altamente zicado para os Rolling Stones. Em junho de 1969 é anunciado que o guitarrista Brian Jones, membro fundador da banda e uma das maiores forças criativas do começo do grupo, havia abandonado o barco. Após haver perdido seu papel de liderança com a progressiva colaboração de Jagger e Richards na composição, e depois de ter tomado um pé na bunda de sua namorada Anita, Jones acabou deslizando para um estilo de vida repleto bebedeiras, pílulas e auto-piedade. Não houve alternativa senão despedi-lo. No dia 2 de Julho do mesmo ano, pouco após sua demissão, o cadáver de Brian Jones é encontrado numa piscina em sua casa interiorana em Sussex com suspeitas de falecimento por overdose - um óbito envolvido em mistério até hoje.

Mas não foi só. No mesmo 1969, Mick Jagger e sua namorada Marianne Faithfull tinham sido presos pelo Esquadrão de Drogas Britânico em sua casa em Chelsea por posse de maconha, ocorrência descrita em caracteres garrafais em jornais londrinos como o Daily Mirror. O problemático casal foi libertado sob fiança, mas a reputação do parzinho excêntrico ficou permanentemente manchada. No livro de Philip Norman, a relação dos dois serve quase como piada: “Marianne, uma verdadeira intelectual, assumiu a tarefa de educar Mick, apontando a ele que livros ler, apresentando-o ao teatro, à ópera e ao balé, enchendo sua casa em Cheyne Walk com antiguidades. ‘Olha pra essa coisa!’, Mick iria exclamar, apontando para um chandelier. ‘Seis mil paus por uma porra de uma luz!’ Já a jornalista Gina Richardson diria sobre o casalzinho: “Eles pareciam duas crianças deixadas no comando do casa enquanto os adultos tinham saído”.

Além da desventura canábica de Jagger e Faithfull e da morte de Jones, os Stones também tinham amargado, no ano anterior, um fracasso audio-visual. Em 1968, a BBC gravava um especial de Natal com a banda, o The Rolling Stones Rock and Roll Circus, contando com as presenças ilustres de John Lennon e Yoko Ono, The Who, Jethro Tull, Taj Mahal e Ken Kesey – sem falar no cast coadjuvante de domadores de leão, palhaços e malabaristas. Sucesso garantido, certo? Que nada. O programa não vai ao ar e permanece inédito por décadas.

Bandas já sobreviveram à perda de membros-chave, a problemas com a justiça por causa de entorpecentes e a projetos extra-musicais fracassados, mas os Stones tiveram que lidar com ainda outros contratempos e desventuras além destes. Num festival de rock em Altamont, em dezembro de 1969, a coisa ficou ainda mais feia. “Can one death destroy a dream?”, pergunta-se Mark Paytress ao escrever sobre o ocorrido, e responde que sim, uma morte é capaz de estragar todo um sonho, especialmente quando ela ocorre no reduto hippie de São Francisco, nos anos finais do movimento flower power, quando os Beatles estavam prestes a se separar (com Lennon dizendo, melancólico, the dream is over...) e a "família" de Charles Manson estava espalhando por aí o sangue e as vísceras - inclusive de estrelas de Hollywood como Sharon Tate, a esposa de Roman Polanski, assassinada grávida.

O festival de Altamont, programado para ser um mini-Woodstock, foi um sonho fracassado. Estavam escalados todos os “aristocratas da Costa Oeste – Jefferson Airplane, Grateful Dead, Santana, CSN&Y e os Flying Burrito Brothers”. Mas o grupo de motoqueiros encrenqueiros dos Hell’s Angels (tema de um livro famoso de Hunter Thompson), contratados para realizarem a segurança do evento, colocaram tudo a perder com um comportamento truculento e violento. Até o vocalista do Jefferson Airplane apanhou. O headliner Grateful Dead, quando ficou sabendo do clima que ali vigorava, virou as costas e se foi. Os Stones, valentes, subiram a um palco após longo atraso, frente a um público irritado e quase em estado de combustão – o cheiro de pólvora parecia pairar no ar.

Ao som de “Under My Thumb”, ocorre o assassinato de um jovem negro da platéia pelos Hells Angels, a poucos metros do palco, sob o olhar horrorizado de Mick Jagger - caso registrado para a posteridade no excelente documentário Gimme Shelter. Essas tragédias seguidas tiveram um efeito terrível sobre Keith Richards e foi nesse período que ele aumentou seu consumo de heroína.

Let It Bleed, o disco sucessor de Beggars Banquet, continha ainda gravações realizadas com Jones, mas já contava com a presença do guitarrista substituto Mick Taylor, jovenzinho inocente de 20 anos de idade que antes tocava com o bluesman John Mayall e que entrou para a banda garantindo que não bebia, não fumava e era um vegetariano macrobiótico. A questão de saber se prosseguiu tão careta e natureba depois de ter entrado para a maior banda de rock and roll do mundo está em aberto.

Quando Mick Jagger iniciava o disco já a pleno vapor com um dos maiores clássicos da banda, “Gimme Shelter”, berrando no refrão que “a guerra, crianças, está só a um tiro de distância”, parecia fazer uma referência não só à Guerra do Vietnã, que dominava então os noticiários, como às próprias experiências sangrentas que tinham presenciado de cima do palco. Apesar de não estar nada impregnada do espírito otimista e florido dos hippies, a música acabava soando quase otimista quando Mick, modificando o refrão da música, dizia que “o amor, crianças, está só a um beijo de distância”, quase como se dissesse à juventude, antes de Lennon: make love, not war.

Na sequência, fizeram uma releitura primorosa de um velho blues de Robert Johnson, “Love in Vain”, sagrando ainda mais um dos bluesman mais revividos por bandas do rock clássico – foi gravado também pelo Led Zeppelin, Eric Clapton e, mais recentemente, White Stripes. Keith Richards estreava nos vocais em “You Got The Silver”, se bem que longe de soar tão poderoso e carismático quanto o inigualável Jagger. O disco fechava com a clássica e épica “You Can't Always Get What You Want”, com um endiabrado Jagger, auxiliado por cantoras gospel, voltando a cuspir com raiva sua insatisfação. Poucos discos na história possuem uma música de entrada e uma música de saída tão poderosas e cruciais quanto Let It Bleed. E poucos possuem um "miolo" tão consistente conectando-as.

Sobrevivendo aos duros tempos ao fim da década de 60, os Stones entrariam na nova década, após a dissolução dos Beatles, quase incontestes em seu status de maior banda de rock and roll do mundo – o Led Zeppelin, que acabara de iniciar sua carreira, ainda era uma fresca novidade que não ameaçava este Monstro Róquico mais que consolidado que eram os Rolling Stones. Livres da concorrência invencível vinda de Liverpool, os Stones se sentiriam mais relaxados em sua posição privilegiada - e não fariam feio entrando nos anos 70 com dois álbuns igualmente clássicos, Sticky Fingers (1971) e Exile On Main Street (1972). Tinham chegado ao topo da montanha e olhavam lá de cima todas as outras bandas de rock do mundo, que dali em diante passariam a tentar galgar os degraus para alcançá-los lá, on top of the world..
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DOWNLOAD (mp3 de 192kps - 9 faixas - 57MB):
http://www.mediafire.com/?1wzwuychzhd

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Joan As Police Woman - The Ride

:: Joan ::



:: JOAN AS A POLICE WOMAN, "Real Life" (2006)

Com a palavra, a própria Joan Wasser:

[1] - "I've called it Punk Rock R&B but American Soul Music is better, I feel like my music is the melding of the two styles I love most - Soul, that whole encompassing Al Green, Nina Simone and Isaac Hayes, and then all the stuff that came from Punk like The Smiths, the Grifters and Siouxsie Sioux..."

[2] - "...rock moved very easily into punk for me. I loved X, the Stooges, the Minutemen. In town there was an all-ages punk rock club, The Anthrax: thank god for this club! It changed my life." Here Joan witnessed the likes of Sonic Youth, Black Flag and Bad Brains, "who all blew my mind".

[3] - "Because I don't have to deal with basic everyday survival, like killing for food and not freezing to death my music is about [laughs] love and loss. Beyond that, it's about finding a way to be truthful with myself, after a really long time running away from myself. From becoming an adult, facing fears without fear, or with fear but being fine with it. To trust yourself enough to admit how you're feeling, which takes a lot of patience. This record is about learning to be real. Real clear."


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"Joan as Police Woman, like Blondie, is a band-- also featuring the sterling Ben Perowsky and Rainy Orteca-- but, as with the inspirational Angie Dickinson, it's essentially a one-woman show. Wasser has a distinguished résumé: a teenage punk and Mahler freak, she trained as a classical musician, played Hendrixian five-string violin in early 90s Bostonians The Dambuilders, and has performed and arranged in both Antony's Johnsons and Rufus Wainwright's band.

Wasser was also Jeff Buckley's partner from 1994 up to his death, and though it's undoubtedly creepy to speculate about someone's private grief, this loss feels key to her subsequent development. Although she'd contributed to songs in the Dambuilders, it was only really in the wake of Buckley's death-- first performing alongside his band as Black Beetle, then on her own-- that she purposefully began songwriting.

You wouldn't have to know the biography to detect connections. This isn't to imply some simplistic one-way influence, but rather to suggest a more mysterious musical affinity. (...)Emerging from grief, stepping into the light, Real Life feels like a wonderfully fresh start."

Da PITCHFORK.

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DOWNLOAD (mp3 de 160 kps - 43 MB):
http://www.mediafire.com/?azbkgek5zpj

domingo, 27 de janeiro de 2008

:: Blue Cheer ::


:: BLUE CHEER – Vincebus Eruptum (1968)
Blues-rock garageiro e empolgante pra diabo!

“Essa é a altura em que tudo se torna heavy. O nome da banda foi inspirado num tipo de LSD (que, por sua vez, recebeu o nome de um detergente!) e este trio de São Francisco incrivelmente enérgico apostou num rock'n'roll ruidoso no álbum de estréia. Desta forma, preparou o terreno para todo o tipo de propostas, desde os Stooges até o Led Zeppelin, desde o heavy metal até o rock experimental. De fato, ao londo dos anos 60 existiu um incontável número de bandas de garagem e de música psicodélica que criaram um ruído selvagem, mas nenhuma delas o fez com a intensidade extrema de feedback do Blue Cheer. Não foi ao acaso que receberam o epíteto “mais ruidosos do que Deus”.

Na primeira vez que os Blue Cheer tentaram gravar Vincebus Eruptum, estragaram a mesa de mixagem. Mas, com as devidas precauções, acabaram por conseguir registrar as músicas no melhor disco de sua carreira. O álbum é composto por 4 temas originais e duas versões: uma leitura demolidora e “suja” de “Summertime Blues” de Eddie Cochran (superando a versão soberba do The Who) e o clássico de blues “Rock Me Baby”. A dita canção situou-se entre os 20 primeiros lugares da lista de vendas dos EUA, um fato surpreendente para uma banda que pretendia superar os limites de volume e os relacionados com a técnica musical. Não se pode dizer que fossem propriamente os melhores intérpretes da época, mas os seus solos improvisados, o ruído absoluto ligeiramente controlado e os gritos impetuosos de Dickie Peterson continham uma espécie de magia verdadeiramente hipnótica.

Este é um dos pontos mais altos da etapa inicial da música heavy: desde a lindíssima capa de cor prateada e roxa até o seu espírito louco mas brilhante.” - 1.001 DISCOS PARA OUVIR ANTES DE MORRER

DOWNLOAD (mp3 de 160kps - 43 MB):
http://www.mediafire.com/?dzb2ytctwco

:: mal aê! ::

Lamentamos informar que os sacanas sem misericórdia do MediaFire andaram sacaneando com alguns de nossos arquivos, arbitrariamente deletados do servidor... Estão fora do ar os discos de X, Novos Baianos, Nina Simone e Chris Cornell - que só serão re-uplodeados se houver pedidos inflamados para q isso aconteça. 'Tamos investigando a net em busca de serviços mais confiáveis, mas por eqto vamos continuar dando uma chance a esse Tenebroso Traidor... Grrrr!

:: O Peso ::


da série: RARIDADES DO ROCK NACIONAL DAZANTIGA!


:: O PESO - "Em Busca do Tempo Perdido" (1975)

Grupo de rock formado por Luís Carlos Porto (voz), Gabriel O'Meara (guitarra), Constant Papineau (piano), Carlos Scart (baixo) e Carlos Graça (bateria) na cidade do Rio de Janeiro em 1974. A história do grupo começou em 1972, quando Luís Carlos e seu parceiro Antônio Fernando foram do Ceará para o Rio para participar do "VII FIC", com a música "O pente". Após essa participação, a dupla se dissolveu, mas Luís Carlos fez vários contatos com músicos da cidade. Dois anos depois, retornaria ao Rio e formaria o conjunto. Em 1975, o grupo assinou pela Polydor e lançou o LP "Em busca do tempo perdido", no qual mesclava elementos do blues e do rock. No mesmo ano, lançou também um compacto. No final dos anos 70, o grupo encerrou as atividades, retomando-as em 1984, com a revitalização do rock no Brasil, contando apenas com Luís Carlos da formação original. Nesse período, apresentou-se em shows, nos quais rememorava seu antigo repertório. Não lançou mais discos." - Dicionário C Albin de MPB


DOWNLOAD (mp3 de 192kps - 70MB):
http://www.mediafire.com/?2monnd3jw0n

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Stone Temple Pilots



[1996] Tiny Music... Songs From Vatican Gift Shop

O terceiro álbum da carreira do Stone Temple Pilots foi concebido em meio às mais diversas turbulências. O vocalista Scott Weiland passava por sérios problemas pessoais: naquela época, Scott estava fazendo procissão entre as clínicas de reabilitação para viciados em narcóticos, e a cadeia.

Sua vida estava totalmente desgovernada, pois numa semana ele aparecia em entrevistas declarando que estava "limpo" e na semana seguinte, era surpreendido comprando drogas. No auge de sua crise chegou a fugir da clínica onde cumpria sua reabilitação, dizendo que iria comprar um hambúrguer. No meio desse caos todo em que se encontrava a vida de Scott Weiland, e conseqüentemente da banda também, nasceu Tiny Music, o álbum mais complacente da história da banda. Moldado como uma obra, peça a peça, nos mínimos detalhes pelos artesãos do STP, Tiny Music agrada por suas músicas suaves, e chega a angustiar por suas canções pesadas que equilibram o álbum, sem torná-lo monótono, depressivo ou vertiginoso em excesso.

Na época, boatos de todos os tipos correram o mundo musical, afirmando que Scott não havia colocado um dedo sequer na elaboração do álbum por causa de seu problema com as drogas. Alguns boatos diziam que os irmãos DeLeo seriam os responsáveis pela composição das músicas, mas com pena de Weiland, creditaram todas elas em seu nome. Também diziam que Scott havia composto a maioria das letras durante o tempo que esteve na prisão. Enfim, muitos boatos foram soltos na imprensa, mas o que seria do rock sem essas controvérsias? Chegaram a acusá-lo de bigamia. Em certa ocasião Scott afirmou: "Vocês fazem mais do que eu jamais conseguiria para manter a lenda viva".
Tiny Music trouxe verdadeiros desabafos de Scott em suas letras, carregadas de referências às drogas, e à sua conturbada vida sentimental. O que dizer de músicas como "Tumble In the Rough" onde os seguintes versos são cantados: "Eu estou procurando por uma nova meditação, ainda procurando uma nova maneira para voar, e não uma nova maneira de morrer?". Ou a categórica "Pop’s Love Suicide": "Oh, I'm in love suicide, about a pop star homicide". E a frase de "Adhesive" que serviu e servirá sempre que algum ícone do rock 'n' roll morrer: "Sell more records if I'm dead". Sim, está correto, uma banda sempre acaba vendendo mais discos quando o vocalista morre.

O encarte do álbum, e um programa especial produzido pela MTV Americana deram o tom do que realmente aconteceu: os irmãos Dean e Robert juntamente com Scott, o baterista Eric e o produtor reuniram-se durante semanas numa mansão em Santa Ynez na Califórnia para gravar Tiny Music. O responsável pela produção foi Brendan O'Brien, companheiro de longa data do Pearl Jam, banda a qual o STP sempre foi muito comparado e acusado injustamente de ser um "clone" deles.

Foram semanas criando sons, acrescentando instrumentos que deram a ótica e o tom nostálgico característico desse álbum. Uma dimensão de sonhos foi criada com o baixo de seis cordas agilmente tocado por Robert. As guitarras onipresentes de Dean acrescentaram subversões e melodia. E Eric Kretz esteve impossível com sua bateria seca nas músicas mais pesadas, porém ressonante nas músicas mais poéticas. Agressividade e suavidade. O Stone Temple Pilots sempre flertou com esse estilo ambíguo, híbrido e mais artístico do rock 'n' roll. Por fim, Tiny Music não é apenas um disco de uma banda grunge. É uma obra de arte para ser apreciada com os ouvidos, com os olhos, com o coração.

Texto extraído do site Dying Days

DOWNLOAD: Mediafire - mp3 de 192 kbps - 53 MB

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

:: Nina Nastasia ::



:: NINA NASTASIA - Discografia Completa

"Nina Nastasia, singer-songwriter Nova Iorquina, começa a sua carreira musical no início da década de 90. Contudo o seu primeiro registo discográfico, que documenta aquilo que já era uma sólida e coerente carreira, surge somente em 1999. Cantora caracterizada com um estilo muito próprio, onde se realçam delicados arranjos de viola acompanhados de uma simplicidade desconcertante da sua voz.Em finais de 2000 surge Dogs, lançado pela editora Socialist Records, álbum marcante na carreira da artista. É com ele que fãs de todo o mundo se sentem tocados pelas canções e estilos de Nina. A sua primeira edição desapareceu rapidamente do mercado, em virtude da capacidade de produção, quase artesanal da sua editora, tal facto também encantou os fãs por todo o mundo. Dogs volta a ser reeditado em 2005 pela Touch & Go Records. Editora responsável pela edição do seu terceiro álbum Run to Ruin, que confirma a sua habilidade e inspiração como cantautora.Com esse álbum Nina Nastasia continua o seu percurso de encantamento dos muitos fãs que perseguem atentamente o seu trabalho, consagrando-a como um artista de culto, e acima de tudo autêntica.Ao quarto álbum de originais, lançado pela F-Cat Records, Nina Nastasia prossegue tranquilamente o seu percurso musical. Com este album renova a intensidade emotiva com que trabalha e que solta a sua voz, aqui e ali tornada rude por um negrume intimista, simultaneamente áspero e suave, mas que possui um magnifico dom de arrepiar a quem for capaz de se deixar levar pela sua quente sensibilidade." - do blog Casa das Artes

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"Nina Nastasia's rare gift of a voice is an intimate, winged presence that is able to either freeze or melt your heart, that can powerfully soar and twist, or brush ultra-gently against you, suddenly summoning goose bumps. Mojo commented on its ability to "suck the air out of the room". Picking over themes of love, longing and loss, childhood, dreams and human dramas, her beautifully concise, hook-laden songwriting and the spare arrangements of her band have a certain gritty, rustic charm and intensity. Simultaneously tough and fragile, her songs crackle and smoulder with an intimate emotional honesty and a dark undertow." - FATCAT



DOWNLOADS:


"You Follow Me" (2007) - c/ Jim White do Dirty Three - 41 MB
http://www.mediafire.com/?4jmynzyqdw0


"On Leaving" (2006) - 41 MB
http://www.mediafire.com/?5zz4qjo1xuj




"Run To Ruin" (2003) - 42 MB
http://www.mediafire.com/?2wgjoomyymn





"The Blackened Air" (2002) - 69 MB
http://www.mediafire.com/?ejmtz2zmcrv



"Dogs" (2000) - 49 MB
http://www.mediafire.com/?5ynjyvjmgvj

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

:: Skunk Anansie ::



:: SKUNK ANANSIE – Post Orgasmic Chill (1999)

"Após 2 álbuns bem acolhidos na gravadora indie One Little Indian, a estréia do Skunk Anansie numa grande gravadora era aguardada com expectativa para ver se o grupo conseguia chegar ao topo. A Virgin forneceu o dinheiro necessário para que a banda pudesse gravar o seu esperado 3o álbum nos estúdios Bearsville e Clinton, em Nova Yorke. Mas, apesar de uma destacada aparição no festival Glastonbury em 1999, não foi o ano que todos esperavam para a banda.

A vocalista Skin, de cabeça rapada e tiradas destemidas, tinha-se convertido na porta-voz do mais radical feminismo negro na Grã-Bretanha; um tema como “Charlie Big Potato” investe contra a egocêntrica hierarquia masculina e marca o tom do álbum. A revista Q definiu-o como “guerra sônica alimentada por auto-falantes”.

Mas a banda acostumou-se a tocar os extremos do céu e do inferno e mostrou-se igualmente eficaz em temas mais calmos, substituindo a fúria política pela reflexão e contemplação. A emotiva voz de Skin acompanha épicos arranjos de cordas nas faixas “You'll Follow me Down?” e “Lately”, enquanto “Secretly” é uma resposta apaixonada à infidelidade.

Com Post Orgasmic Chill a banda alargou o seu som e assimilou novas influências, como o drum and bass, estabelecendo de forma definitiva o grupo no panorama do indie-rock. A rudeza de álbuns anteriores ficou pra trás, emergindo a sua vulnerabilidade e força bruta, em partes iguais, com grande sutileza.

Apesar de Post Orgasmic Chill ter se revelado o canto do cisne dos Skunk Anansie, permanece como uma afirmação triunfante que merece uma vênia.” - 1.001 Discos Para Ouvir Antes de Morrer

DOWNLOAD (MP3 de 192 kps - 87 MB):

:: criaturas da indielândia (pt 3) ::


:: TIÊ - "EP 1" (2008)

"Bolinhas de sabão pairam nas pálpebras daqueles que se deparam ali, diante da voz doce, melódica e baixinha, dela que não explica a sua música porque simplesmente não se distingue dela. Tiê viveu suas letras em Nova York, Japão e Londres quando ainda era modelo ou bem pertinho de casa, no seu Café Brechó, onde conheceu suas maiores parcerias. Toquinho, que entre roupas e cafeína ouviu a voz de Chet Baker numa garota muito especial, a qual fez questão de colocar debaixo do seu violão para apresentar ao mundo e cantar com ele durante três anos. E ali naquele mesmo local, conheceu a excentricidade de um querido japonês, Dudu Tsuda, com o qual teve uma química musical perfeita, dando à luz ao show Cabaret, com temporadas no Vegas e Geni, de onde sairiam ainda muitas idéias esquisitas que se tornaram parte de sua essência musical. Uma pitada de David Bowie, caixinhas de música, Tom Waits, estrelas cadentes, Nancy Sinatra, chuvas de papel, Ella Fitzgerald, sapatilhas de ponta, Beatles, boás, Doris Day, balas de goma, e tantos outros que infiltraram sua derme durante esses 27 anos. Enfim, ela decide caminhar sozinha pelos ladrilhos musicais com suas misturas requintadas que sabem muito bem onde querem chegar. Mesmo com tanta bagagem, foi durante sua pausa para cuidar do pulmão, que realmente conseguiu abrir a caixa de Pandora e ter a sua mais profunda inspiração. Ela mesma. Com cabelos marcantes e olhos cintilantes, prefere descer do palco e sapatear com o público, do que ter o ar de diva distante. Hoje, Tiê respira essa sinergia que faz com que seus shows levem todos pra outro tempo, outro espaço, onde a mágica acontece e a música entorpece.
Tiê música E.p.1 é seu primeiro trabalho, com quatro músicas, que fazem parte de uma vida que está só começando... Onde ela quer chegar? Ela não fala...ela canta." - Tiêmúsica.com

DOWNLOAD - "E.P. 1" (mp3 de 160kps - 4 faixas - 13 MB):
http://www.mediafire.com/?1baoz2tlvzp

sábado, 19 de janeiro de 2008

:: Tom, Vinicius, Toquinho e Miucha ::


:: VINICIUS DE MORAES, TOM JOBIM, TOQUINHO E MIÚCHA
:: Ao Vivo no Canecão - 1977

Em 1977, esse Quarteto dos Sonhos protagonizou a mais longa temporada ha história da tradicional casa de espetáculos carioca. Vinicius, Tom, Toquinho e Miucha, ao longo de 9 meses, fizeram mais de 200 shows. O disco ao vivo gerado em uma dessas noites, que agora disponibilizamos, é uma excelente amostra do que rolou naquela trunê histórica. Em um show recente no mesmo Canecão, Toquinho, numa onda de nostalgia irresistível, comentou: “Fizemos mais de 200 shows aqui nesse palco, acompanhados de uma grande orquestra. Parece que estou vendo. O camarim do Tom era logo ali. A Miúcha ficava quietinha naquele canto, e o Vinícius colocava uísque embaixo da mesa, que ele chamada de uísque ave-maria: era só para depois das seis”, recordou, arrancando risos da platéia e dedilhando alguns acordes de "Eu Sei Que Vou Te Amar".“Uma vez o Tom, depois de ouvir essa música, brincou dizendo que o Vinícius era muito mentiroso de escrever ‘eu sei que vou te amar, por toda a minha vida eu vou te amar’, tendo casado nove vezes! Mas, brincadeiras à parte, Vinícius abriu muitas portas para mim; eu dei a ele minha juventude, e ele retribuiu com o aval do poeta. Uma dessas portas foi conhecer o Tom”, disse Toquinho. O setlist do show, repleto de medleys e clássicos da MPB, é um atrativo maior do que quaisquer palavras extras que podemos dizer:

1) Abertura: • Estamos aí (Tom Jobim-Vinicius de Moraes-Chico Buarque) • Dia da criação (Vinicius de Moraes) • Tarde em Itapuã (Toquinho-Vinicius de Moraes) • Gente humilde (Garoto-Vinicius de Moraes-Chico Buarque)
2) Carta ao Tom (Toquinho - Vinicius de Moraes) • Carta do Tom (Toquinho-Tom Jobim-Chico Buarque-Vinicius de Moraes)
3) Corcovado (Tom Jobim)
4) Wave (Tom Jobim)
5) Pela luz dos olhos teus (Vinicius de Moraes)
6) Saia do caminho (Evaldo Ruy - Custódio Mesquita)
7) Samba pra Vinicius (Chico Buarque - Toquinho) • Vai levando (Chico Buarque-Caetano Veloso)
8) Água de beber (Tom Jobim - Vinicius de Moraes) • Garota de Ipanema (Tom Jobim-Vinicius de Moraes) • Sei lá (a vida tem sempre razão) (Toquinho-Vinicius de Moraes)
9) Minha namorada (Carlos Lyra - Vinicius de Moraes)
10) Chega de saudade (Tom Jobim - Vinicius de Moraes) • Se todos fossem iguais a você (Tom Jobim-Vinicius de Moraes)• Final: Estamos aí (Tom Jobim-Vinicius de Moraes-Toquinho-Chico Buarque-Aloli)

DOWNLOAD (mp3 de 192kps - 63 MB - 10 faixas - 47min):
http://www.mediafire.com/?ezditiyzmjt

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

:: Grant Hart ::



:: GRANT HART . Discografia Completa
:: "Intolerance", "Ecce Homo" e "Good News For The Modern Man"

Grant Hart, um dos grandes gênios do punk-rock oitentista à frente do Hüsker Dü, tem uma das carreiras-solo mais injustamente subestimadas do rock moderno. Vale mó a pena conhecer, ouçam o que digo! Aí vão seus 3 trabalhos-solo, todos muito legais... E aqui tem uma entrevista de primeira com o cara.

"As one of the co-leaders of the seminal post-hardcore punk group Hüsker Dü, Grant Hart was one of the most influential musicians of the '80s, blending raw sonic aggression with pop melodies and songs. Following the group's demise in 1987, he launched a solo career that was marked by an erratic work schedule. After releasing one solo album, he formed a trio called Nova Mob in 1989, which released two albums between 1991 and 1994, when Hart became a solo artist again.Playing drums and singing lead, Hart formed Hüsker Dü along with Bob Mould (lead vocals, guitar) and Greg Norton (bass) in the late '70s in St. Paul. Over the course of the early '80s, the group initially built a strong following in the U.S. hardcore punk underground, eventually breaking into wider recognition with their 1984 album Zen Arcade. Within two years, the Hüskers signed to Warner, becoming one of the first indie bands of the '80s to move to a major label. Though the group was poised to break into the mainstream, certain parts of the industry, including radio, resisted them. Furthermore, the group was splintering, as all the members suffered from substance abuse; Hart and Mould were also developing a debilitating rivalry. At the end of 1987, the group imploded; according to different sources, Hart either quit or was fired because of his heroin addiction." - AMG ALL MUSIC GUIDE

DOWNLOADS:

"Intolerance" (1989) - (44 MB)
http://www.mediafire.com/?7szmm9y9ycm


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"Ecce Homo" (1996) - (35 MB)
http://www.mediafire.com/?3ajtjjqbox2

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"Good News For The Modern Man" (1999) - (46 MB)
http://www.mediafire.com/?3i5unmtmv2i


(p.s.: Pagamos uma recompensa (em dinheiro!) muito boa para quem nos arranjar as MP3 do "Last Days Of Pompeii" do Nova Mob - não conseguimos achar na net de jeito nenhum...)

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

:: The Go-Go's ::


THE GO-GO'S – Beauty and the Beat (1981) - "As Go-GOs foram herdeiras de uma tradição de grupos femininos cujas origens podiam remontar ao Sangri-La dos anos 60, junto das californianas Runaways. “Foi como a história da Cinderela”, disse Belinde Carlisle. “Nem sequer sabíamos tocar os instrumentos quando começamos. Forças desconhecidas propulsionaram-nos até o estrelato”. Beauty and the Beat passou 6 semanas no topo da tabela da Billboard. O álbum é um casamento embriagante de atitude punk e sensibilidade pop. Greil Marcus descreveu o álbum como “maravilhoso... mesmo que o ouvinte nunca desça até o que está por baixo da superfície, permanecerá satisfeito.” As letras sugerem uma banda transbordante de hedonismo californiano. Mas as Go-Gos eram mais do que o sugerido pela sua imagem. “This Town”, uma ode ostensiva a Los Angeles, contêm observações mais sombrias que viriam a ser a causa da ruptura da banda, entre drogas e autodestruição." - 1.001 Discos Para Ouvir Antes de Morrer

Pra quem gosta de: Blondie, Elastica, Hole, Pipettes, new wave.

Download: http://www.mediafire.com/?a4xmm0og5wm
(mp3 de 160kps, 48MB, 11 faixas, 35min)

:: BOOST PRA INDIELÂNDIA (II) ::



:: VISITANTES (SP) - "Tempos Difíceis" (2007)

VISITANTES: UM GRITO AO QUARTETO, FEITO DE LIMO DOS PRÉDIOS E SALIVA DE MOTOBIKERS ASSASSINOS. COM UM TWIST DE COPACABANA.

“O ano era 2004 e o orkut bomba. Wasted Nation se me surge na comunidade de bandas independentes do Brasil, colocando Nirvana, Pixies e Mutantes pela primeira vez numa mesma linha. O cabeludo Fábio Cardelli e eu começamos a scrapear. No ano seguinte, Morte Cerebral já habita a minha lista de mais tocadas e a ouço finalmente ao vivo no Fradique 37, juntamente com outros blues arrítmicos de vocais delayantes. Corte seco para o fim de 2006: o elemento químico Wn (Wanádio) passa pelo clichesístico teste do segundo disco. E este que vos escreve, se oferece, conspícua e desonestamente, para fazer um faixa-a-faixa do lançamento. Vindo de tempos difíceis, em meio a tempos difíceis, recebo em mãos o álbum branco "Tempos Difíceis". Em busca de um milagre instantâneo, simbiotizo-me com o disco e nos transformamos em uma trilha sonora de nós mesmos. Pouco mais de meia hora de música se desenha em loops de horas, e o disco forma uma imagem nítida em minha retina cerebral após uma dúzia de audições. A magistral "Comensal" inicia os trabalhos em grande estilo, entre sutis pianos e guitarras em meio a desmoronamentos de compassos. "Como Sempre" resgata o carnaval das pornochanchadas e do período militar em perfeito tropicalismo da década zero zero. "Acalanto" funde o barroco ao frevo, retomando o legado narrativo do sul da linha imaginária do Equador. "Caminho do Nenhum" reconstitui a alvorada de um grunge morfínico em uma tarde de sábado onde o horizonte é a bandeira do japão. "Amnésia" desopila as mentes no branco da metade do encarte. "Tempos Difíceis", a canção, é um whiskey blues trovadorístico com nuances trôpegas soladas em valsas e sopros uivantes e contos medievais de ninar. E então, a épica "Visitantes", a ode ao belo minimalismo e à reflexão infinita iconofágica. Música para ouvir seu organismo funcionar e seu coração parar de bater por frações de segundos. Justa e poderosa é a força da música que assume o nome da banda, como a criatura que fagocita o criador. E agora, em 2007, Visitantes continuam cunhando sua própria música, tangenciando todo e qualquer movimento calculado de tendências e modas em nome da geração espontânea de sua cultura homemade. Parco é aquele que tateia palavras pré-selecionadas para classificar estes sons ainda não inventados; sensato é aquele que ouve Visitantes em prisma lindamente difuso e aproveita a maçã.” Ricardo Lacerad

01-Comensal (4:22)
02-Como Sempre (2:49)
03-Acalanto (1:13)
04-Caminho do Nenhum (5:54)
05-Amnésia (0:31)
06-Tempos Difíceis (5:03)
07- Visitantes (mono) (18:22)
08- T'chururu (2:33)

DOWNLOAD (Mp3 de 128kps - 25MB):
http://www.mediafire.com/?dm2xjnbj2dz

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008


:: FLORA PURIM - "Flora é M.P.M." (1965)

"Basta o primeiro fraseado de Flora Purim, na introdução da faixa de abertura (“Morte de Um Deus de Sal”) deste disco de estréia (“Flora É M.P.M.”), para comprovar que Flora Purim cantava de um modo completamente diferente de todas as outras cantoras da época. Quase nenhuma influência nem mesmo das intérpretes que admirava, como Sylvia Telles, Alaide Costa e Maysa. Nada da inexpressividade de Nara Leão, equivocadamente considerada “musa” da bossa nova por quem ainda hoje tenta vender a idéia de um “movimento nascido nos apartamentos de Copacabana”, ao invés de entender (e aceitar) a bossa como criação espontânea do baiano João Gilberto. Ou seja: Flora realmente já fazia, em setembro de 1964, data da gravação deste “Flora É M.P.M.”, a Música Popular Moderna originária da sigla estampada no título do hoje histórico LP. Trabalho agora relançado - pela primeira vez oficialmente - em CD, depois de “merecer” diversas edições piratas na Europa.

Como o cantar de Flora não se encaixava nos padrões vigentes, o disco foi execrado pela maioria dos críticos. Os mais cordatos apenas trataram de ignora-lo. Nada muito diferente da agressividade manifestada, na década seguinte, após a definitiva consagração internacional da artista, eleita “cantora revelação” pelos críticos da Down Beat – a Bíblia do jazz – em 1974. Naquele mesmo ano, os leitores da mesma revista apontaram a brasileira como a melhor cantora de jazz do mundo, à frente de Ella Fitzgerald, Sarah Vaughan, Carmen McRae e Betty Carter! Proeza que, para desespero dos puristas, se repetiu por mais cinco anos, com um impacto comparável somente ao de Billie Holiday nos anos 40, segundo atestou o historiador Leonard Feather em célebre artigo no jornal Los Angeles Times. Uma fase de sucesso que durou até a chegada da onda retrô, pregada por Wynton Marsalis e seus neo-boppers, que trouxeram de volta ao jazz o conservadorismo, o academicismo e, pior de tudo, o racismo (agora contra os brancos...)

Filha do romeno Naum Purim (violinista amador, fã de Stephane Grappelli, companheiro de Fafá Lemos e Djalma Ferreira em serestas no bairro do Catete) com a pernambucana Rachel (pianista que incutiu na filha o amor pelo jazz), a carioca Flora nasceu (em 6 de março de 1942) e cresceu ouvindo Erroll Garner, Art Tatum, Oscar Peterson e Thelonious Monk. Dos 8 aos 12, estudou piano clássico. Depois, violão com Oscar Castro-Neves. Ainda adolescente, formou, ao lado da irmã Yana, um conjunto vocal que tinha Luiz Eça, então ilustre desconhecido, como arranjador. Casou-se com o psicanalista Ary Band, tiveram uma filha, Niura, e, para alívio da família, Flora passou apenas a sonhar com música. Até conhecer, numa visita ao Bottle’s Bar, no Beco das Garrafas, o já famoso baterista Dom Um Romão...

A paixão avassaladora fez a cantora romper o casamento – para tristeza da tradicional comunidade judaica - e instalar-se com sonhos & bagagens no apartamento de Dom Um na Rua Domingos Ferreira, no coração de Copacabana. Certa noite, inconformado, o pai de Flora chegou, armado, ao Bottle’s Bar, disposto a acabar com a vida do músico. Por sorte, errou o tiro. Mas não sossegou até internar a filha para fazer sonoterapia, com a esperança de que esquecesse “aquele negro”. Não adiantou. E foi no meio de toda essa turbulência que a moça, depois de um período como crooner da orquestra do Maestro Cipó, conseguiu - por intermédio de Romão e do jornalista Sergio Porto (vulgo Stanislaw Ponte Preta) - um contrato com a RCA. Em três sessões, em setembro de 64, sob a produção de Dom Um, gravou material suficiente para um LP e um compacto-duplo. Tudo isso agora reunido neste CD, junto com alternates takes - totalmente inéditos – das músicas “Gente” e “Preciso Aprender A Ser Só”.

“Flora É M.P.M” conta com um dream-team de arranjadores (Cipó, Luiz Eça, Waltel Branco, Osmar Milito, Paulo Moura) e músicos. Para início de conversa, Dom Um convocou seus colegas do Copa Trio: o pianista Dom Salvador (ainda chamado de Salvador Filho) e o baixista Manuel Gusmão. Grupo que, sob a liderança do saxofonista João Theodoro Meirelles, e reforçado pelo trompetista Pedro Paulo, se transformaria no Copa 5, força-motriz do “Samba Esquema Novo” de Jorge Ben. Meirelles e Pedro Paulo também foram convocados para o disco de Flora, integrando uma big-band com três trompetes (Pedro, Hamilton e Formiga), quatro trombones (Norato, Raul de Souza, Macaxeira, Pala) e seis saxofones (Paulo Moura no sax-alto, Cipó e Meirelles nos tenores, Netinho, Sandoval e Aurino Ferreira nos barítonos).

No repertório do LP, cinco temas da peça “Pobre Menina Rica”, de Lyra & Vinicius (“Cartão de Visita”, “Sabe Você”, “Maria Moita”, “Samba do Carioca”, “Primavera”), três canções de um rapaz que se assinava Eduardo Lobo (“Definitivamente”, “Reza”, “Borandá”), duas parcerias de Menescal & Boscôli (“A Morte de Um Deus de Sal”, “Nem O Mar Sabia”), e uma composição de Waldyr Gama (“Se Fosse Com Você”). No compacto, duas dos irmãos Marcos & Paulo Sergio Valle (“Preciso Aprender A Ser Só”, “Gente”), uma de Wilson Simonal & José Luiz (“Jeito Bom de Sofrer”) e uma de Lyra & Boscoli (“Barquinho de Papel”).

(...) Na verdade, amostras de um talento ainda em fase de aperfeiçoamento, que atingiria sua maturidade nos Estados Unidos, para onde Flora mudou-se em 1967, já com novo amor no coração e na música, o percussionista Airto Moreira. Juntos, integraram a banda de Gil Evans e o grupo Return To Forever, de Chick Corea. Gravaram com Carlos Santana, Duke Pearson, Cannonball Adderley e Lee Oskar. Contratada pela Milestone Records em 73, enquanto Airto brilhava no cast da CTI, Flora gravou seis excepcionais álbuns produzidos por Orrin Keepnews. Jóias do quilate de “Butterfly Dreams”, “Stories To Tell” e “500 Miles High At Montreux”. Depois de cumprir pena por porte de drogas, assinou contrato milionário com a Warner em 76. Nos anos 80, passou pelos selos Concord e Virgin, enveredou pela world-music (com seu grupo Fourth World) e pelo acid-jazz (“Speed of Light”) em sessões para a companhia inglesa B&W nos anos 90. Recentemente assinou com o selo Narada Jazz, pelo qual lançou, em 2001, o elogiado “Perpetual Emotion”. Em termos discográficos, “Flora É M.P.M.” representa o marco inicial de tão brilhante trajetória."
Petrópolis, 21 de agosto de 2001
(Produtor musical, historiador de jazz e música brasileira, jornalista e educador – membro da IAJE, International Association of Jazz Educators)


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