sábado, 30 de julho de 2011

<<< As ruínas rascantes da voz de Tom Waits >>>




Coração aos pedaços

As ruínas rascantes da voz de Tom Waits
nos levam aos recantos mais escondidos da psique americana


texto por Simon Schama (*)
fotos por Anton Corbijn


Vou em frente. Chega de perder tempo com gente como Prokofiev ou Trollope. Os artistas com quem passo meu tempo são os que expandiram os limites da sua arte com coragem e inventividade, que transformaram a sua obra em algo imprevisto. Tão imprevisto que, encantado de espanto, você só consegue coçar a cabeça e dizer: "Bom, é, claro", como se aquilo que inventam fosse a coisa mais natural do mundo. É por isso que gosto do que Thomas Carlyle fez com a literatura histórica, do que Jackson Pollock fez com a pintura, do que Wallace Stevens fez com a poesia. Não é absurdo incluir na companhia deles Tom Waits, o mais eloqüente dos poetas-compositores americanos. Chega de Bob Dylan. Não que as coisas de Dylan sejam ruins. Mas sobre ele já se escreveram milhares de páginas de um pomposo lero-lero analítico (que só fica aquém do suscitado por Freud) enquanto quase ninguém começou a reconhecer o valor de Tom Waits.

E por que haveriam de dar-lhe atenção? Porque ele transformou a música americana na canção de homens e mulheres comuns, surpreendidos naquele beco turvo e malcheiroso que fica entre a retórica pueril do "sonho americano" e a impiedosa realidade da vida contemporânea. Por acaso você se interessa pelo depoimento - de sinceridade desesperada, desalentada e pungente - sobre as provações de um americano comum, preso a uma guerra que ele não entende, mas da qual não tem como escapar com dignidade? Escute então "The Day After Tomorrow". Nela, Tom Waits rosna e ruge a letra com as ruínas rascantes de uma voz que lembra um prédio reduzido a escombros, coberto de areia contaminada.

Essa voz, órgão de um homem muito maior do que essa figura leve de clown delicado (um dos seus CDs traz seu rosto pintado de pierrô - ele é um artista que sabe exatamente o que faz), é um dos maiores instrumentos sonoros da arte americana. Outros compositores competentes - Dylan, o canadense Leonard Cohen - também extraíram ênfase dramática das suas laringes danificadas, adequadas ao gume cortante das suas letras. Na direção oposta, o vagido em falsete de Neil Young ficou mais e mais doloroso à medida que adquiria uma urgência desesperada. Mas nenhum deles cogitou em transformar sua voz num retrato sonoro de um país, de maneira tão inteligente - e bem-sucedida - como Waits. Ele é o Kurt Weill da América imperial (e, por algum tempo, estudou Weill com empenho um tanto excessivo), imitando a fúria percussiva e discordante das canções mais abrasivas de Weill.

A comparação não faz justiça à originalidade de Waits. Existe algo de shakespeariano na vastidão da sua abordagem da vida americana moderna, na sua espantosa capacidade de penetrar nas cabeças e nos pulmões de, entre outros, bêbados de bar, putas, viciados, locutores de circo, veteranos de guerra com braços e pernas salpicados de fragmentos de metal e reduzidos a vender suas medalhas na calçada, pregadores pentecostais trovejando sobre o fim do mundo, ex-craques arruinados do beisebol devastados pela bebida, malucos de pavio curto, otimistas melancólicos quase perdidos de tão mareados nos seus martinis; e, num caso improvável, um morto que, sete palmos debaixo da terra, canta em voz suave, pedindo à sua amada que venha se sentar na relva da sua tumba. Só Tom Waits seria capaz de produzir uma canção inteira a partir de uma série de infomerciais ("Step Right Up") e, de alguma forma, transformar a lista num documentário exaustivo e engraçado da credulidade e da esperteza americanas: "The large print giveth / And the small print taketh away" ("As letras graúdas dão / E as letras miúdas tomam").


Este é apenas um apanhado, muito breve, das suas muitas encarnações. Quando se mergulha no mundo de Waits, não se embarca numa viagem de sonhos à terra da melodia alegre e do acalanto musical. Você vai parar numa lanchonete de talheres engordurados, na hora em que a aurora grisalha vem raiando sobre o lixo espalhado no pátio de estacionamento. Numa introdução a "Eggs and Sausage", numa apresentação ao vivo de 1975, Tom Waits nos previne contra costeletas de vitela "perigosas, que descem do balcão para quebrar a cara do café, fraco demais para se defender".

Embora seja vinagre nas feridas abertas do sentimentalismo otimista americano mais piegas, também existe paixão e ternura fervilhando nas suas canções. "Ol' 55", uma das primeiras canções do seu disco de estréia, Closing Time, é uma ode à alegria de emergir às 6 da manhã de uma noite de amor ("My time went so quickly / I went lickety-splitly out to my Ol' 55 / and I pulled away slowly, feeling so holy / God knows I was feeling alive" - "Meu tempo passou tão depressa / e saí satisfeito e saltitante para o meu velho Oldsmobile 55 / e fui embora dali devagar, me sentindo tão sagrado / Deus sabe o quanto eu me sentia vivo"). Eis a mais linda canção de amor desde que Gershwin e Cole Porter fecharam a tampa dos seus pianos.

Geralmente, porém, as letras de amor de Tom Waits ardem de um salgado desencanto, o que as torna ainda mais tocantes. "Never Talk to Strangers" é um dueto de banco de bar com Bette Midler, em que a rotina previsível do desajustado ("I'm not a bad guy when you get to know me" - "Não sou um mau sujeito quando você me conhece melhor") é antecipadamente esvaziada porque ela adivinha exatamente cada fala que ele vai dizer, ao mesmo tempo em que os dois ainda assim acreditam novamente em tudo.

Conheci tarde esse trovador da decadência. Um diretor da BBC, ao adaptar meu livro Paisagem e memória para a televisão, usou a interpretação de Waits para "Sea of Love", de Phil Phillips, como fundo para imagens de arquivo das enchentes de Veneza. Em lugar de uma voz edulcorada, ouvia-se um rugido feroz, que virava pelo avesso o tom da canção. (Ele tem uma recriação ainda mais espantosa de "Somewhere", de West Side Story, que faz qualquer um sentir na medula dos ossos a total desesperança da dor adolescente.) Eu nunca tinha escutado nada parecido. Quem era aquele sujeito, perguntei ao diretor. Desde então me viciei em Tom Waits. Como se pode deixar de acompanhar um escritor que produz um verso como "her hair spilled like root beer" ("seus cabelos se derramavam como root beer"), e te faz entender exatamente o que ele queria dizer?


A waitsomania não é um vício confortável. O percurso de Tom Waits desde os anos 70, quando era mais um compositor do Meio-Oeste a dedilhar seu violão, adaptando o country and blues à sua voz áspera, tem sido uma viagem a recantos cada vez mais profundos e sombrios da psique americana. Enquanto Dylan estendia a sua dama deitada (Lay Lady Lay), Waits cultivava a crueza brega, cantando, em tom muito educado, "I'm Your Late Night Evening Prostitute" ("Sou a sua prostituta da noite no meio da madrugada"). E de lá, muito previsivelmente, afundou no lodaçal costumeiro do álcool e das drogas, de onde acabou emergindo com a ajuda de sua parceira nas canções e co-produtora Kathleen Brennan, responsável por alguns dos produtos mais brilhantes da crueza de Waits.

Ninguém se compara a ele na evocação de todo tipo de música, do realejo mecânico dos carrosséis ao saxofone em surdina dos cabarés de Berlim, do bel canto italiano e, ultimamente, dos sons africanos e latinos. Às vezes, ele é capaz de levar sua recusa furiosa da autocomplacência à beira da paródia de si próprio, a um ponto em que gritos primais, grunhidos e berros, acompanhados pelo clangor de tampas de panela e da percussão nos objetos mais variados, acabam desabando num fosso profundo de cólera vocal. Ouvir essas canções é como mascar arame farpado. Mas, ainda assim, em meio a toda essa carnificina vocal, surge em algum ponto a inocência maculada de alguém que ainda imagina que possa haver uma vida boa, afinal de contas, logo além da esquina. O jovem soldado, que escreve para casa em Illinois, curvado ao peso de um conhecimento precoce adquirido à custa de sangue, canta:

I'm not fighting
For freedom
I'm fighting for my life
And another day
In the world here
I just do what I'm told
You're just the gravel on the road
And the ones that are lucky
Come home
On the day after tomorrow...

(Não estou lutando
Pela liberdade
Estou lutando pela minha vida
E mais um dia
No mundo daqui
Só faço o que me dizem
Vocês são só o cascalho da estrada
E os que têm sorte
Voltam para casa
Depois de amanhã...)

(*) Esta matéria de Simon Schama aqui reproduzida
foi originalmente publicada na Revista Piauí, número 5.



Closing Time (1973)
http://www.mediafire.com/?3u4el01h4fadb13
The Heart Of Saturday Night (1974)
http://www.mediafire.com/?ysdxl8as5rr04hl
Nighthawks At The Diner (1975)
http://www.mediafire.com/?048iuneqvj3kqsu
Small Change (1976)
http://www.mediafire.com/?9bi7hp7zpo8w45e
Foreign Affairs (1977)
http://www.mediafire.com/?z80v486jzzkiwxj
Blue Valentine (1978)
http://www.mediafire.com/?jqjj4fyzeteq697
Heartattack And Vine (1980)
http://www.mediafire.com/?c6qoba1p0b9aa9c
Swordfishtrombones (1983)
http://www.mediafire.com/?eh750xivozfdlq4
Rain Dogs (1985)
http://www.mediafire.com/?e51mdljv8brk866
Frank's Wild Years (1987)
http://www.mediafire.com/?ne7kya34fhmgmv2
Big Time (1988)
http://www.mediafire.com/?c3h7rycp57z3t7y
Bone Machine (1992)
http://www.mediafire.com/?cfakbyadh34ctck
Mule Variations (1999)
http://www.mediafire.com/?24oa6al19x3gbc5
Blood Money (2002)
http://www.mediafire.com/?nvw6bclmrfcf84s
Alice (2002)
http://www.mediafire.com/?8ck43qcctbhd7jj




quinta-feira, 28 de julho de 2011

<<< Steve Marriott (Faces e Humble Pie) - Sing The Blues (1988) >>>


STEVE MARRIOTT & THE DT's Live (1988) - 256kps - 98 MB

Fuçando por aí atrás de mais material sobre os DT's, aqueles de Seattle, acabei encontrando por azar (opa... por sorte!) esta preciosidade no Soulseek: Steve Marriott, guitarristaço dos Faces e do Humble Pie, cantando uma blueseira ao vivo em 1988 junto de outros DT's - aqueles de Birmingham. Sonzeira!!!

quarta-feira, 27 de julho de 2011

<<< Nina Simone (in the 60s), “Feeling Good” >>>



<<< The DT's: South American Tour >>>


Os fabulosos THE DT's, garageira rocker de primeiríssima estirpe, são lá da terra natal de Jimi Hendrix e do grunge e estão prestes a pousar no Brasil para shows que prometem. O grupo de Seattle, que mescla hard-rock e soul, blues-rock e R&B, Janis Joplin e AC/DC, toca em:

Goiânia (onde já se apresentaram anos atrás, no XIII Goiânia Noise), em Brasília (onde serão umas das atrações internacionais do Porão do Rock junto de Jon Spencer e Helmet) e em Sampa (onde dividem o palco do Inferno com os argentinos surf do The Tormentos).

Gosto demais do som dos DT's, que me lembra outras bandas de rock'n'roll repleto de feeling e com empolgante vocal feminino como os Detroit Cobras e os Bellrays (para não falar de Ike & Tina Tuner!). O vocal da Diana Young-Blanchard, que também canta no Madame X, é de arrepiar! Abaixo, compartilhamos alguns álbuns de estúdio dos caras - o fodástico Filthy Habits (2006) e o também bacanérrimo debut Hard Fixed (2004). Em breve voltamos com a cobertura do show em Goiânia.

THE DT's Filthy Habits (2006 - 43 MB)
http://www.mediafire.com/?gxo0j666vjq62f2
THE DT's Hard Fixed (2004 - 58 MB)
http://www.mediafire.com/?9904ai6z8z8crmp

The DT's - Mystified by depredando

The DT's - Freedom by depredando

terça-feira, 19 de julho de 2011

<<< Chico Buarque Novo Já Embarcou no Barco Pirata... >>>

CHICO BUARQUE Chico - 2001 - 10 músicas - 47 mb
http://www.mediafire.com/?ciwty7ov7il11zm

<<< Jon Spencer Blues Explosion: discografia >>>


Esparrame o blues pelo chão da garagem, taque por cima um pouco de gasolina, risque um fósforo e siga o velho preceito: "em caso de incêndio, deixe queimar!" Está aí, talvez, a fórmula do Jon Spencer Blues Explosion, power-trio de punk-blues garageiro que dispensa o baixo (tal qual os fabulosos Thee Butchers Orchestra e as adoráveis Sleater-Kinneys) e homenageia tudo que é sujo e meio insano.

Dia 30 de Julho, em Brasília, o JSBX será o headliner do Porão do Rock - que, como de praxe, será di-grátis (mas pede-se às almas caridosas aquele sempre bem-vindo quilo de alimento não-perecível: quando um kg multiplica-se por 30.000 presentes, estas 30 toneladas de rango servem para minorar o ronco no estômago de um bocado de gente!).

No mesmo dia e palco, tocam ainda Wander Wildner, Bílis Negra, Camarones Orquestra Guitarrística e Bang Bang Babies (que faturou a seletiva-Goiânia). Jon Spencer e cia tocam também em Sampa, no Bourbon Street, antro da grã-finagem, no dia 28, mas o preço, suspeito, deve ser altamente brochante.

E aí, vamos com alguns incendiários itens da discografia spenceriana para aquecer os motores?

EXTRA WIDTH (DELUXE)
http://www.mediafire.com/?8bjth68ov8humvb
NOW I GOT WORRY (DELUXE)
http://www.mediafire.com/?lfv21twu5o6z81y
ACME PLUS
http://www.mediafire.com/?lslagbkqatrj3ru
DAMAGE
http://www.mediafire.com/?e342fl18a7r4x9f

<<< The Distillers >>>


“Are you ready to be liberated? On this sad side city street! Well the birds have been freed from their cages. I got freedom and my youth.

My name is Brody I’m from Melbourne, Fitzroy Melbourne. I grew up on Bell St., then on Bennett St. My mum kicked out my dad for battery. She found a way out of spiritual penury, working single mother in an urban struggle, blames herself now cause I grew up troubled. It hit me: I got everything I need.

My one heart felt too much from the start. I’ve seen people come and go, living large and living low. You can build up your walls sitting on death row. Let the curtain fall on your murdered soul.

You can wash it all down, swallow your story. Get smacked off your head, go down in drum roll glory. You won’t solve it committing self inflicted crime. Go on, pull the trigger, this will be the last time. It hit me: I got everything I need.

I speak of the truth. The truth of the heart. Like a desperate thirst in a raging drought. Hey youth: time flies by! There’s an everlasting battle for eternal life. I love a man from California, he’s the prettiest thing, we got the same disorder. The way you feel it’s OK. it’s never gonna change anyway. It hit me I got everyone i need.

Are you ready to be liberated? On this sad side city street! Well the birds have been freed from their cages. I got freedom and my youth.”

THE DISTILLERS. “Young Crazed Peeling”.






THE DISTILLERS (2000) - 35 MB
http://www.mediafire.com/?zn2zm2eozjz

SING SING DEATH HOUSE (2001) - 37 MB
http://www.mediafire.com/?2wy24yn4syn

CORAL FANG (2003) - 64 MB
http://www.mediafire.com/?yqjj5ejm26n

Tatoo Rock Fest 2011: Ratos de Porão e Dead Fish



Chegando a sua sétima edição anual consecutiva, a Tatoo Rock Fest, que ocorreu em Goiânia no começo deste mês de Julho, no Centro Cultural Oscar Niemeyer (espaço precioso, que enfim está sendo plenamente utilizado, fazendo jus aos mais de R$60 milhões nele investidos), trouxe uma porrada de artistas da tatuagem, nacionais e gringos, para mostrarem seu talento na arte da cicatriz voluntária. Paralelamente à intensa tatuação, as atrações musicais serviram como um cardápio riquíssimo para os batedores-de-cabeça, moicanados, cabeludos, motoqueiros e roqueiros sujos em geral - especialmente aqueles que apreciam as vertentes mais extremas e violentas do rock nacional, como o punkão old-school com laivos de death metal dos veteraníssimos Ratos de Porão, que estão há quase 30 anos espalhando a pestilência e a balbúrdia infernal, e o hardcore melódico dos capixabas do Dead Fish, que apesar de desdenhados como "proto-emos" por alguns mostraram-se capazes de convocar uma festa punque da melhor qualidade. 


Guidable A Verdadeira História Do Ratos De Porão (Documental)

Dentre as atrações locais, destaque mais uma vez para o stoner chapado repleto de fritações dos Black Drawing Chalks, bandaça que vem acumulando experiência nos palcos do Brasil e do exterior (acabaram de voltar de uma turnê pela Inglaterra...), e os sempre entusiasmantes Space Monkeys, que estão a cada show mais afiados e precisos, indo bem além da sina de "Foo Fighters do cerrado" e fazendo-nos suspeitar que o disco de estréia de Edimar, Fredox e companhia, previsto para Setembro de 2011, será o mais fino petardo do rock goiano neste ano.

O destaque supremo vai, no entanto, não para uma banda específica, mas para o público que esteve no Niemeyer na sexta e no domingo (os dois dias em que pude marcar presença, já que no sábado o headliner Mombojó, muito malemolente pro meu gosto, não animou-me a sair de casa). Como já ocorreu em outras ocasiões, na Tatoo Rock Fest cheguei à conclusão de que a platéia, em Goiânia Rock City, é o verdadeiro espetáculo: nos shows de Ratos e Dead Fish, ambos com o som lindamente no talo, a ponto de estourar tímpanos de freiras, contaram com intensa participação de muitos malucos que subiram no palco e fizeram toda sorte de piruetas e mortais ao se lançar de volta para a galera, sem falar nas lindas rodas de pogo e nas extasiantes transgressões de regras policialescas impostas pelos guardas... É sempre tão massa ver a juventude agindo com a maior alegria enquanto põe em prática o mais descarado desacato à autoridade! Nada adiantou que os seguranças chatonildos tentassem acabar com a festa do stage diving: a repressão só incendiou ainda mais os ímpetos rebeldes, e no fim das contas a anarquia camaradística estava instaurada.

E pensem bem: só mesmo quem muito confia em seus camaradas, muitos deles desconhecidos e anômimos, lança seu corpo nos ares, com risco de espatifar a cuca no chão; ninguém se arrisca a fratura e fodição à toa, mas só por acreditar "piamente" na brodagem punk: "ninguém há de me deixar quebrar meus ossos contra o asfalto", pensa cada um daqueles que mergulha do palco para a pista, "sei que estou entre camaradas que hão de sustentar minha queda!" É a camaradagem mais genuína, e não a misantropia, o que dá o tom num ritual emocionante desses!

Kropotkin (1842 - 1921), anarquista russo e profeta-punk de longas barbas

O Hobbes (1588-1679), filósofo político que justifica o absolutismo, me parece um misantrópico que acredita que a selvageria e a violência grassariam caso o Leviatã do Estado não colocasse seus poderes de coerção e repressão no sentido da domesticação da besta-fera chamada homem; nisto, possui uma visão sobre a natureza humana muitíssimo pessimista quando comparada com aquela de meu querido Kropotkin, russo anarquista que, apostando que o coração humano não é assim tão podre quanto querem nos sugerir os defensores da tirania, sustenta que, na ausência de autoridades autoritárias e poderes estatais, saberemos cuidar uns dos outros tendo como guia a camaradagem.  O que tem a ver? Tudo, para minha cabecinha de filósofo entusiasta do Movimento Punk: pois há vezes que um show punk nos traz boas notícias sobre a humanidade e nos fez crer que Kropotkin tinham mais razão que Hobbes. A anarquia é mais doce que o autoritarismo.

Tem vezes que o punk é pura poesia.










domingo, 17 de julho de 2011

sábado, 16 de julho de 2011

<<< TAMOS NO TUMBLR: http://depredando.tumblr.com/ >>>

“I’ve learned everything from loss.
(For what’s gained there’s an inner cost).”


JOHN FRUSCIANTE


"Em 18 de maio de 2011, o Tumblr contabilizava aproximadamente 19 milhões de blogs", informa-nos a Wikipedia. Entusiasta da blogosfera como sou, resolvi experimentar. Acabei por viciar. E agora o Depredando também está soltando das suas lá no Tumblr, com fotos e citações, ilustras e tirinhas, versos e pinturas... Já estão on-line mais de 100 posts que formam uma coleta multi-mídia de conteúdos bacanas encontrados aí pelo cyber-espaço. O foco, por aquelas bandas, é mais visual do que verbal; mais colírio para os olhos do que papo furado. E grande parte do conteúdo é repostado de outros blogs bacaníssimos que tenho frequentado (nameless here forevermore || a fine high lonesome madness || high on revoluion || utopy now || tapetes sirios || ateísmo e peitos || youth against fascism || innombrable || hypnotically insane || crackity jones || innerspeakin || revolt riot...). Gosto muito dessa ferramenta de "reblogagem" do Tumblr, aliás: é pura brodagem. Construção coletiva de conteúdo. Mais colaboração que competição. Mais disseminação que retenção. Menos nóia com direito autoral e mais interesse em compartilhamento cultural. São coisas destas que só a Internet nos permite. Foxy lady!