sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

:: Jack Rose ::

(1971-2009)

por Alexandre Nakamura

Havia apresentado aqui no depredando o mestre da “música primitiva americana” John Fahey. Dessa vez trago um dos remanescentes do primitivismo musical, Jack Rose.

Nascido no estado da Virgínia, EUA, antes de ser “violeiro” já era “primitivo” com a banda de drone-xamânico Pelt. Diferentemente do que se conhece por drone hoje em dia (algo como Sunn o))), apenas guitarras ultra distorcidas tocadas em power chords com sustain infinito) o Pelt era um grupo que usava primordialmente instrumentos acústicos. Em 2004 Devendra Banhart lança a coletânea revival de folk contemporâneo “Golden Aples of the Sun”. No disco uma faixa é de Jack Rose, agora solo.

Seus discos variam do puro improviso, à “ragas” com certo sabor oriental/hindu, ao blues com slide na guitarra havaiana, ao drone-mântrico e country folk bem ao estilo pré II Guerra Mundial.

No fim do ano passado Jack Rose faleceu. No meio da noite um ataque cardíaco ceifou a vida do violeiro. Havia sido lançado um disco com o The Black Twig Pickers (antigo Pelt) de canções country folk, na maioria composições de domínio público da época pré II Guerra Mundial e algumas canções próprias.

Este é o disco póstumo, Jack Rose & The Black Twig Pickers:


Em breve será lançado um dvd dele junto com Glenn Jones, outro “primitivista” do violão americano. Já adianto o

trailer:




ps: por falar em primitivismo grassroots, visitem meu myspace. "Novas" antigas músicas de "folk" (minyô) okinawano que acabei de gravar e disponibilizar.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

:: Especial Eisenstein ::


Galerinha, no blog gêmeo do Orelhão tá rolando um Especial Sergei Eisenstein em homenagem a um dos gênios maiores da história do cinema. Tá lá um artigo genial do Paulo Emílio Salles Gomes, um dos críticos de cinema mais brilhantes do Brasil, esmiuçando "O Encouraçado Potemkin" e "Outubro", duas obras revolucionárias do maior cineasta russo de todos os tempos. Pra quem ainda pensa que o Rubens Etêwaldo Filho é nosso "maior crítico" (blargh!), leiam Paulo Emílio e pirem com a qualidade do bagulho! O texto foi publicado em 1962 no Suplemento Literário do Estadão e até onde sei não está disponível na net (um crime!). Por isso, encarei o trampo de digitá-lo inteiro, ainda que me doessem os dedinhos, e disponibilizei lá no http://www.depredandoocinema.blogspot.com. Glue there!

Um trechinho: "Não é preciso ser comunista, socialista ou anarquista para se apreciar Potemkin. Também é desnecessário conhecer o episódio da rebelião na Marinha russa durante os acontecimentos revolucionários de 1905. Basta ao espectador a mediana e generalizada capacidade de se insurgir contra a injustiça. Em suma, a cultura não é codição indispensável para se gostar do filme. A não ser as de Chaplin, não conheço outra grande obra de arte cinematográfica que, como Potemkin, exija tão pouco do espectador e ao mesmo tempo lhe dê tanto."

sábado, 20 de fevereiro de 2010

:: O Sonso::


por Ana Alice Gallo (*)

A psicodelia é uma faca de dois legumes. Pode descambar em uma vala rasa de arremedo saudoso, mas pode também gotejar lucidez furtacor no rock-misturado-a-tudo como é bem costumeiro no cenário brazuca pós-Mutantes. Pois foi com felicidade que farejei a simpática banda O Sonso, mezzo Ceará, mezzo paulistana já, com todo aquele caldo bem maturado no azeite de uma banda independente, e me rendi.

Não há nenhuma referência obscura, nenhuma reinvenção: de Jovem Guarda a Waldick Soriano, nada de radioheadeado ou sintetizado. Mas se as notas são sete pra todos nós, ocidentais, a sonoridade sonsa é múltipla. Confira com seus ouvidos que a terra há de levar, ainda na embrionária demo disponibilizada no MySpace do grupo.

Está tudo lá. “Desfila” traz um vocal a la Roberto Carlos com teclados Doorianos. “Sei lá”, típico samba-rock gafieira, dá vontade de batucar na caixinha de fósforo. “Nós Dois”, em forma de um verdadeiro expoente do rock setentista, lembra a irreverência de Secos & Molhados. A referência não vem de bobeira: Gerson Conrad, integrante do lendário grupo, já deu uma palhinha de Sonso no tangopop ”As Frases Mais dramáticas que Guardei pra Ti”.

E foi assim que eu tentei fugir ao tenebroso clichê Música Popular Psicodélica, mas não deu.

(*) visite também o outro blog da Ana, o Credencial Tosca!

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

:: shake you and your fossils out ::


:: ANTI-TERRORISMO LÍRICO ::

- Sobre os escombros do World Trade Center, o Sleater-Kinney ergue um colossal edifício punk celebrando o questionamento e o direito à discórdia nos EUA da paranóia e da patriotada -

“Are we innocent, the paragons of good?
Is our guilt erased by the pain that we've endured?”

"COMBAT ROCK"



One Beat, o magnum opus do Sleater-Kinney e um dos álbuns de rock mais estupendos da década passada, foi composto e gravado pouco depois do atentado às Torres Gêmeas. Tanto que alguns críticos o consideraram como um dos primeiros álbuns que sintetizam e exploram o novo zeitgeist americano, especialmente pelas canções de protesto e comentário social que o disco carrega. Pode ser enquadrado na onda de álbuns pós-11 de Setembro que retrataram os EUA após o baque, como fez Bruce Springsteen com seu The Rising e Tori Amos com seu Scarlet's Walk, ambos de 2002 (e que já foram alvo até de um estudo acadêmico).

Se Spike Lee, em seu A Última Noite, foi o primeiro a registrar no cinema o cenário de Manhattan dominado pela ausência das torres, colorido pelos melancólicos holofotes azuis de uma cidade tomada pelo blues, o Sleater-Kinney foi a primeira banda de rock a cometer uma obra-de-arte contundente sobre a realidade sócio-política peçonhenta da nova década, parida em meio ao sangue e aos escombros.

Este é também o primeiro disco que Corin Tucker gravou depois de ter se tornado mãe - tanto que o tema da maternidade é explorado, com excelentes efeitos, em canções como "Far Away" e "Sympathy". One Beat ganha outra dimensão se for ouvido com isto em mente: é um álbum nascido da alma de uma mamãe-punk que vê seu país entrando numa era de instabilidade política extrema: ela vê a pátria-mãe atacada por fanáticos religiosos, testemunha seus "símbolos de poder" sendo reduzidos a ruínas e a "máquina de guerra" bushiana preparando-se para ir se vingar (e surrupiar um pouquinho de petróleo, é claro!) no Oriente Médio.


Por isso a "esfera pessoal" acaba tão penetrada pela "esfera política". Jenniffer Kelly, da revista Splendid, destaca que este álbum “excelente” é uma lição de que “o pessoal é político" e "o político é pessoal". Pois Corin Tucker (gtr/vox), Carrie Browstein (gtr/vox) e Janet Weiss (bateria), que integram o power-trio, são brilhantes nesta mescla entre o indivual e o coletivo neste punhado inesquecível de canções. One Beat, apesar de não ser um disco conceitual, é perpassado pela angústia e a indignação de uma mãe que mostra-se preocupada com o futuro de sua criança em meio a uma conjuntura global tão desastrosa e cheia de perigos. E Corin Tucker, cantando (lindamente) sobre suas aflições, batalhas e alegrias, conquista neste disco um vocal comovente e catártico, sem perder nem um grão do punch.

Aqui Corin e sua trupe, em seu disco mais ferozmente político (mas que não é por isso menos divertido), aparece vociferando com um ímpeto inaudito: como se ela tomasse maior consciência do mundo (e suas sangrentas intrigas geopolíticas) agora que uma criança sua vive nele. A vontade transformadora e crítica se intensifica, como se ela não quisesse legar aos filhotes um mundo cheio de Georges Bush, Bin Ladens e outros genocidas...

“Now all that's on the surface are bloody arms and oil fields”, cantam as meninas já nas primeiras estrofes do álbum. Esta situação trash – em que sangue e petróleo mesclam-se em sombria poesia, de modo semelhante à trama do Sangue Negro de Paul Thomas Anderson (aliás um dos mais geniais filmes da década) - fixa o clima emocional do disco. Mas o Sleater-Kinney não é da turma da paranóia nem do derrotismo. Pelo contrário!

“Far Away” é a primeira das canções que trata explicitamente do 11 de Setembro. Mas o clima aqui é mais de crônica do que de batalha (como se tornará em “Combat Rock”, canção muito bem batizada). “Far Away” descreve uma mãe cuidando de sua criança no sofá quando recebe um telefonema que informa da catástrofe em Manhattan: “Turn on the TV / Watch the world explode in flames / And don't leave the house!”. Aí está resumida a experiência que tiveram milhões de americanos naquela manhã de terça-feira onde foram despertados do pseudo-ídilio do american-way-of-life pelo alarme aflitivo da CNN Breaking News, que trazia, em clima de pesadelo, a notícia literalmente bombástica: "America Under Attack".

Mesmo aqueles que não tinham parentes dentro do WTC devem ter se perguntado com aflição: estará começando a Terceira Guerra Mundial? O Império Americano começa a ruir? Este é só o começo de um banho de cabeças inocentes que vão rolar para agradar a Alá? Será este o pior momento possível para trazer crianças a este mundo e a este país?

Corin descreve a sensação de ter o coração ferido (“the heart is hit”) pelos acontecimentos numa “cidade distante” mas que sente “tão próxima” (“in a city far away... but it feels so close!”). Como se tivesse composto ainda sob o impacto da tragédia sobre as retinas, descreve a bravura dos homens simples que arregaçaram as mangas para “darem suas vidas” enquanto o presidente se escondia (“the president hides while working men rush in to give ther lives”).


Pode-se até ler aqui uma pontinha de patriotismo que se assemelha àquele vinculado pelos filmes que louvam a audácia e a generosidade dos bombeiros e homens-de-resgate que, naquele dia, meteram-se em meio dos escombros, à caça de sobreviventes, muitas vezes não retornando vivos... Mas One Beat não é nada ingênuo, nem adere à patriotada ideológica, soando muito mais autêntico e questionador do que uma obra como o Torres Gêmeas de Oliver Stone.

“Combat Rock”, cujo título ecoa um álbum tardio do Clash, traz o Sleater pondo o dedo na ferida americana e provando que esta não é uma banda patriótica, que vai cair de joelhos aos pés das pulsões bélicas de George W. Bush e lamentar ingenuamente a pobre vítima americana judiada pelo sadismo grotesco do Islã... Pelo contrário: “Combat Rock” vem para reclamar o direito à discordância e à voz dissidente. “Dissent's not treason, but they talk like it's the same / Those who disagree are afraid to show their face” [Discordância não é traição, mas falam como se fosse o mesmo / Aqueles que discordam têm medo de mostrar a cara] - canta Corin Tucker, de modo truncado, como se suas palavras de discórdia saíssem com dificuldade da garganta, como se sua língua estivesse ameaçada de amputação pelas autoridades (e como se, ainda assim, ela não se acovardasse e não se calasse).

Ela afirma-se, sem medo, cônscia de que discordar não é trair e que ser patriota não é ser uma ovelha que segue cegamente o que manda o pastor -- no caso, o Senhor da Guerra. "If we let them lead us blindly / The past becomes the future once again", já haviam cantado em "One Beat", a primeira faixa, e aqui retorna o mesmo espírito de ceticismo e questionamento: se nós nos deixarmos guiar por estes lunáticos que estão no poder, sem pôr em questão seus atos sangrentos, o passado se tornará o futuro mais uma vez - ou seja, a história regridirá à barbárie.

“Are we innocent, the paragons of good? Is our guilt erased by the pain that we've endured?” [Somos inocentes, paradigmas do bem? Nossa culpa foi apagada pelo sofrimento que suportamos?] Com essas palavras, pronunciadas como se fossem perguntas feitas à sua nação, Corin destroça todo o maniqueísmo hollywoodiano que Bush quis instaurar após o baque, fingindo que os yankees eram pobres inocentes injustamente feridos e que o “terrorismo muçulmano” trazia reunidos em si todo o diabolismo do mal absoluto. “Where is the questioning, where is the protest song? Since when is skepticism un-american?” [Cadê o questionamento, cadê a canção de protesto? Desde quando o ceticismo é anti-americano?]

Mas nem só de terrorismo e de maternidade trata o amplo leque temático de "One Beat". A provocação cultural, típica de uma banda que volta e meia sugeria em suas canções algumas revoluções de costumes, volta aqui e acolá. Como em "Step Aside", irresistível épico punk-pop que não teme ressuscitar o "peace and love" hippie em meio a um naipe de metais tão empolgante que nos arranca calafrios de excitação. Ou como em "Hollywood Ending", em que os holofotes recaem sobre uma personagem (que poderia muito bem ser influenciada pela protagonista de Cidade dos Sonhos, de David Lynch) que tenta viver o grande sonho de Hollywood, mas que é descrita como se atravessasse um pesadelo de artificialidade, desmontado pela cáustica ironia da narradora. Há certos trechos que sugerem até um certa influência da Escola de Frankfurt, como se o Sleater-Kinney tivesse tentado compor um punk que pudesse agradar a Theodor Adorno:

In Hollywood where all the lights are low
And truth's as rare as the winter snow
She wanted a place arid as her soul
Where her only job was never to grow old

When the lights are shining, will you see my skin?
Or just the shell that I'm packaged in?
I've held my tongue and I've hid my sores
If I'm less of myself, will you love me more?
Como se não bastasse, alguns punkões despretensiosos ("Oh!" e "Light Rail Coyete" se destacam) recheiam o álbum mantendo o grau de energia sempre lá no alto. Tudo isso faz com que One Beat seja, em nossa humilde opinião, um dos grandes álbuns do rock americano na década passada. Rob Mitchum, na Pitchfork, destaca a impossibilidade de reduzir um álbum tão “colossal” como este a um “cartão de gênero”, à “jaulinha” estreita de um “estilo” preciso.

“With One Beat, Sleater-Kinney have turned in an album that absolutely, positively obliterates the gender card, an album so colossal that all prefixes to the label 'rock band' must be immediately discarded”.

Sim: One Beat nos dá a impressão de que estamos diante de algo de uma riqueza tamanha que não cabe dentro de rótulo algum. O que não impede que arrisquemos inseri-lo numa certa linhagem histórica. Onde é que se encaixa este demônio-de-disco na árvore genealógica do rock'n'roll? No galho que sai de London Calling, passa por Nevermind e desemboca em Is This It? Como se a semente plantada pelo riot-grlll recebesse um “up” e se tornasse uma árvore mitológica e “épica” como o Led Zeppelin? O tipo de exuberante vegetação que cresceria se o Blondie gravasse um disco inspirado no Fun House, dos Stooges, mas com um espírito combativo à la The Clash? Ou então como se adubássemos com Pearl Jam a música de garotas amantes da new wave e do bubblegum? Todas opções mais ou menos válidas.

As meninas do Sleater, anos atrás, cantavam num memorável refrão: “quero ser seu Joey Ramone!”. E na sua frutífera carreira, encerrada em 2004 com o lançamento do belo canto-de-cisne The Woods, cometeram alguns dos punks mais deliciosos e divertidos dos últimos anos (como a genial “You're No Rock and Roll Fun”). Mas em One Beat que atingiram sua plena maturidade. Mas maturidade não significa caretice: só uma mescla ainda mais poderosa de diversão e política, de rock'n'roll fun e ativismo, que não carece nem de energia bruta (raw power, baby!) nem dum "recheio ideológico" riquíssimo.

Num momento histórico em que os “mocinhos” made in USA tacavam mil bombas no Afeganistão para limpar a Terra dos “inimigos da civilização” (ou seja, os fanáticos de uma outra religião, que não a do capital...), o Sleater-Kinney não se fez nem de crédulo, nem de ingênuo. Fez o que é missão histórica do punk fazer, mas que este anda fazendo tão pouco e tão mal: questionar, incomodar, provocar. Que este álbum não tenha "estourado" como um fenômeno de massas, como tanto merecia, só prova o quanto o mainstream é burro. Mas o fatos destas músicas terem ficado longe de se tornar hits não faz com que a nobreza das intenções seja menos admirável, nem que o poder destas canções seja menos estrondoso.

"One Beat" [2002]
(Para degustar, abra o forno dos comments!)
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domingo, 7 de fevereiro de 2010

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

:: Dom Salvador e A Abolição ::

Funkjazzpsicodeliabossassambasoulforró
- Bernardo Santana -

Sério, se eu lesse um título desses em uma resenha um dia, nunca que ia chegar perto nem da primeira faixa da bolacha. Se tem uma coisa que o excesso matou nos últimos 15, 20 anos foi a fusão de estilos como uma característica de banda que chame a minha atenção. Na verdade virou algo como um adjetivo bem do malandro pros departamentos de marketing espertinhos. Em resumo — Chico Sciences e outras exceções fora — o lance hoje praticamente se alimenta de si mesmo, na maioria das vezes sem entregar o que é primário: música original (interessante ou divertida).

Já dita a desgraça, o lance é ouvir esse Som, Sangue e Raça, lançado em 1971 pelo pianista Dom Salvador e o grupo de músicos negros chamado A Abolição, e voltar a ter fé na tal mistura de ritmos. Como pode ter dado para perceber, A Abolição era bem influenciada pelo movimento dos direitos civis, que naquele tempo dava uma canseira no status quo do mundo. Mas, apesar disso, a influência parava por aí mesmo: nenhuma das três faixas cantadas do disco quase todo instrumental pega muito pesado na questão da segregação racial. E mesmo assim faz o serviço melhor que muita cota em universidade pública por aí…

Um dos pais do que se resolveu chamar de Brazilian Jazz, Dom Salvador já era uma figura respeitada no cenário da música nacional e internacional no começo dos anos 1960. Vindo do interior de São Paulo, em dez anos o músico tocou com precursores hoje clássicos da black music nacional, como Copa Trio e o Rio 65 Trio. Quando fundou A Abolição, Salvador colocou em prática seu plano-mestre (que ele na verdade chama de “coincidência”) e criou a obra-prima do tal Funkjazz blá blá blá do começo deste post.

Nas 12 faixas do disco, A Abolição lançou o embrião do movimento Black Rio, completando a técnica jazzística de Dom Salvador com suingues — rá! adoro essa palavra — emprestados do soul (Uma Vida, Hey Você), da bossa (O Rio, Samba do Malandrinho), do funk (Guanabara, Tio Macro) e até do forró (Folia de Reis). E o melhor, sem você nem perceber que está ouvindo tudo isso. Em vez de fazer como algumas bandas/músicos atuais e tulhar o cavaquinho (ou coloque aqui o instrumento típico brasileiro da sua escolha) lá na frente pra mostrar a malemolência brasileira, em Som, Sangue e Raça está tudo ali no lugar certo, fazendo seu papel com sossego…

É um disco que chega a ser até mesmo enciclopédico em sua excelência na hora de mostrar o que é o tal do supracitado Brazilian Jazz, e que conquistou admiradores tanto aqui quanto no exterior. Não à toa, Dom Salvador se mudou para Nova York dois anos depois do lançamento e lá reside até hoje, naturalizado e tocando em bares de jazz pelo país natal do ritmo. Ele às vezes ainda volta ao Brasil, faz alguns shows esporádicos e já falou até em montar uma nova versão d’A Abolição. A gente espera chacoalhando os fundilhos com o groove!

DOWNLOAD: 60 Mb - 12 faixas

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

:: padoca reloaded ::

BEACH HOUSE - Teenage Dream
[Sub Pop; 2010]
"Teen Dream, Beach House's third album and first for Sub Pop, is both the most diverse and most listenable of their three full-lengths, and yet it never seems like a compromise. It feels like the product of careful, thoughtful growth, bringing in new influences-- bits of mid-1970s Fleetwood Mac, sparkling indie pop, even a few soul and gospel touches--- while maintaining the group's core sound. Teen Dream is a stirring reminder that good things can happen when you move out of your comfort zone. (...) Despite the brighter, more pop-informed sound and an album title that brings to mind the hazy nostalgia of youth, Teen Dream has a pretty sad heart." --- PITCHFORK (9.0)


SURFER BLOOD - Astro Coast
[Kanine; 2010]
"This is a great guitar album in the way Weezer's Blue Album, Built to Spill's Keep It Like a Secret, or, more recently, Japandroids' Post-Nothing are: six-strings serve as a multiplier for hooks, making it every bit as easy and fun to air guitar with as it is to sing along to. (...) Astro Coast is lyrically landlocked and lonely. (...) Topics of concern include confusion about romance, confusion about friendship, confusion about the future, confusion about religion. It's hard not to think that most of Astro Coast was borne of a relationship dissolved by distance, especially if we're to take the otherwise chipper "Twin Peaks" at face value: Pitts travels to Syracuse, watches David Lynch films, and wrenches out lyrics of sexual frustration that suggest most of the drive was spent listening to Pinkerton. (...) ambition can just as easily manifest itself as a desire to create a relentlessly catchy, "classic indie" album in your own dorm room, and if that's what Surfer Blood set out to do, Astro Coast succeeds wildly." --- PITCHFORK

MAGNETIC FIELDS - Realism
[Nonesuch, 2010]
"The antithesis of 2008’s noisy Distortion, Realism revels in folk music in a way that hasn’t appeared on a Magnetic Fields album since 1990’s Distant Plastic Trees. (...) By far his most listenable and fully realized work since 1999’s mammoth 69 Love Songs, Realism feels slight because it is. It’s hard to hear someone so adept with a poison pen preen instead of brood, but it’s also rewarding. In the end, longtime fans will want to go back to the opening cut and seek out the comfort of those familiar first three chords that, like a seasoned bluesman with his E to A to B, have become synonymous with their creator, but hopefully, they’ll decide to take another trip through the countryside, soak in some much needed sun, and let bygones be bygones." -- ALLMUSIC

Se interessou? Convide estes álbuns recém-nascidos a puxar uma cadeira, pedir um copo extra, bebericar uma breja e apresentar-vos suas canções - tudo isso clicando nos comments abaixo .